Biografia de Salomão Ferraz
Dom Salomão Ferraz
Biografia
Por Dom Antonio Piber Abade do Mosteiro Domus Mariae
Sede Primaz
Estrada das Amendoeiras, 248 Capivari (Chácaras Rio Petrópolis) Duque de Caxias - RJ Brasil
Caixa Postal 760080 СЕР 25.070- 971 Duque de Caxias RJ
Dom Salomão Ferraz Biografia Por Dom Antonio Piber Abade do Mosteiro Domus Mariae
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Sou Membro da Igreja de Cristo
Ativista do Catolicismo Apostólico Salomonita
Igreja Católica Apostólica Independente de Tradição Salomoniana - ICAI-TS Sede Primaz - Duque de Caxias
Agradecimentos
Quero aqui externar meus agradecimentos ao Revmº Abade do Mosteiro Domus Mariae que gentilmente permitiu que eu divulgasse essa obra de sua produção.
Que Deus possa enriquecer o seu misnistério pastoral tornando-o profíquo.
Dom Felismar Manoel – Bispo Primaz icai-ts
Salomão Barbosa Ferraz, Pastor presbiteriano, Clérigo anglicano e Bispo católico. Cristão admirável, escritor, autor de hinos, Pároco zeloso, incansável Missionário e grande pregador. Verdadeiro cristão, caráter reto e independente, pesquisador
honesto e infatigável, na verdade, chegou a conclusão de que a Igreja Cristã necessitava de uma reforma, de um grande movimento de retorno às origens. Permanecendo na Igreja, trabalhando dentro dela, procurou pela sua santidade de vida influir na regeneração dos costumes e na eliminação dos abusos.
Fortemente atraído pelo autêntico catolicismo, lá chegou, mas de patamar em patamar, lumen de lumine (De iluminação em iluminação, como dizia seu lema), vencendo dificuldades e incompreensões, desprendendo- se, aos poucos, de poderosas amarras sentimentais e psicológicas.
Sentindo poderosa atração para
trabalhar em prol das correntes religiosas, procurou unir o catolicismo, o evangelicalismo e o kardecismo. Participou, como Bispo, de modo digno e brilhante, do Concílio Vaticano II. Cognominado “O Pai do Ecumenismo Brasileiro”. Dom Salomao Ferraz, abençoada seja a sua memória!
Filho do Pastor presbiteriano Belarmino Nunes Ferraz e Maria Santana Barbosa, nasceu na cidade de Jaú, São Paulo, a 18 de fevereiro de 1880. Estudou a escola primária em sua infância e adolescência e também órgão e violino. Aos 14 anos transfere-se para São Paulo, ao Colégio Camargo, e em 1894
fez sua profissão de fé, a 1º de setembro, na igreja Presbiteriana. Em 1895 é eleito secretário da escola dominical. Em agosto deste ano figura como sócio fundador da Associação Cristã de Moços (ACM). Em 1896 ingressou no Ginásio do Estado, concluído o curso preparatório, em 1897, aos 17 anos, ingressou no seminário da igreja Presbiteriana, em São Paulo, e colabora no Jornal do seminário O Combate. A 17 de maio de 1898 foi recebido como candidato ao Ministério Ordenado pelo Presbitério de São Paulo.
Nas férias ia como auxiliar nas igrejas de pastores carentes, como Ubatuba, SP, onde o Pastor titular estava doente há três anos.
Em 1901 é licenciado para pregar o Evangelho e transfere-se para Itapeva, SP.
Aos 22 anos de idade é ordenado Pastor, a 13 de julho de 1902, cerimônia assistida por seu pai, o Reverendo Belarmino. A 26 de junho de 1902 é eleito, por unanimidade, para Pastor Titular de Itapeva. Em fins de dezembro de 1902, conhece, em São Paulo, a Emilia Cagnoto, nascida em Veneza, na Itália, a 18 de março de 1881.
Em 1893 reúne-se o Sínodo da igreja Presbiteriana, em São Paulo, dele participando pela primeira vez, na qualidade de Pastor, o Reverendo Salomão Ferraz, este Sínodo opta pela divisão na igreja Presbiteriana.
A 18 de agosto casa-se com Emilia e em 12 de novembro de 1904 nasce sua primeira filha, Annita. Neste período, viaja pelo interior do estado de São Paulo, à cavalo, como missionário.
Em 1906 ο Reverendo Salomão Ferraz aceita o convite da igreja de Canavieiras, na Bahia, transferindo-se para lá com a família. Viaja de barco e canoa pelo rio, visitando famílias isoladas no interior dos canaviais.
Em outubro de 1906 nasce sua segunda filha Noemi.
Em 1907 reúne em Salvador o Presbitério Bahia-Sergipe, formado por seis igrejas organizadas.
Em 1908 fez reaparecer o Jornal "A Imprensa Evangélica", a 9 de junho desse ano, nasceu sua terceira filha, Nair. Muda-se para Belmonte, BA, e lá funda a Escola Americana e o jornal A Espada. Já nesta época Dom Salomão possui uma razoável biblioteca.
A 21 de dezembro de 1909 nasce seu primeiro filho, Hermes, o quarto da família; em, 1910 transfere-se para Cachoeira e, após seis anos de pastorado na Bahia, volta para o estado de São Paulo. Muitas portas lhe foram abertas, inclusive de grande prestigio, em Salvador, BA. Mas, segundo escreveu a seu pai, temia as grandes posições, sobretudo quando, para ocupá- las, fosse necessário desvirtuar, de qualquer forma, a profissão que abraçou, de Ministro do Evangelho.
Salomão Ferraz sempre desejou manter contato mais efetivo com sua Igreja, os centros culturais e decisões estando atento aos seus movimentos para melhor desempenhar seu ministério.
A 1º de maio de 1912 é Pastor da igreja Presbiteriana de Rio Claro, estado de São Paulo, próximo a capital, onde além do cuidado pastoral colabora com o jornal Puritano; tomou contato com os movimentos da Igreja, não apenas a Presbiteriana, mas também das outras denominações. Acentua sua idéia de unir as igrejas, não mais restrita às igrejas evangélicas, estendendo-se à igreja Romana.
Em 1913 nasceu seu segundo filho homem, Plínio e em 1914 nasceu sua filha Ruth.
Nessa época desenvolvia-se uma radical hostilidade contra a igreja Romana, tema do Congresso do Panamá, a realizar-se em fevereiro de 1916, onde OS evangélicos iriam discutir e decidir sobre o reconhecimento ou não dos Sacramentos da igreja Romana, sobretudo o Batismo. O Reverendo Salomão Ferraz dedicou-se ao estudo profundo do tema que lhe deu a profunda convicção de que Ο Batismo ministrado pelo Sacerdote romano é válido por todos os efeitos, portanto não deveria ser repetido, pois batizar novamente seria invalidar a Palavra divina pronunciada pelo Padre na
ocasião de ministrar o Batismo e em conseqüência disso, recebeu por profissão de fé cinco pessoas, sem rebatizá-las.
Esta atitude incendiou o debate, muitos foram OS artigos publicados nos jornais evangélicos da época. Dom Salomão Ferraz publicou Ο opúsculo Princípios e Métodos, editado em 1915. Provocou abalo no meio evangélico, alguns o acusaram de romanista e de traidor do Evangelho, mas outros o defendiam. O opúsculo trata da questão do Batismo, mas seu objetivo era mais profundo; propunha ele a união dos crentes num único rebanho, uma só Igreja, na qual Cristo deveria ser único Pastor: “A Igreja de Cristo é uma só, Católica e
Universal, composta de todos os sinceros crentes em toda a parte, em todas as corporações cristãs. "A igreja Romana, apesar de suas pretensões exclusivistas e formidáveis, não é a Igreja Católica, Apostólica, de Jesus Cristo (...). Antes de ser ministro de uma igreja particular, temo-nos em conta de obreiro do Reino de Cristo, de verdade, justiça e amor, cujos interesses não sacrificaremos em favor de qualquer agremiação, embora religiosa, que venha aplicar-lhe viseiras, pretendendo que, com elas, se puxa melhor o carro da Igreja. Serventuário de uma igreja é certo, mas como homem, na sua inteireza, como livre filho de Deus (...). Ο que nos revolta, o que nos enche de indignação é
ouvir, às vezes, a gritaria contra Roma; mas na prática procura-se repetir seus vícios, o que está sendo repelido com viril energia pela maioria vasta dos ministros e dos verdadeiros cristãos. Isto, entretanto, não é o resultado de um ânimo perverso, mas as conseqüências de idéias falsas e princípios errôneos. E a principal dessas idéias é a falsa noção de Igreja, a mesma que tem desnorteado o sistema romanista. É esta pretensão desarrazoada de circunscrever a Igreja de Cristo à qualquer corporação ou grupo de corporações cristãs, traçando os limites da Igreja com exclusão de tudo o que não participa da exterior agremiação das igrejas protestantes. Como o romanismo, que assentava seus marcos
limítrofes, fora do qual não haveria salvação, muitos protestantes incorrem no mesmo erro e na mesma intolerância, apenas sob uma outra forma".
De Sua Excelência, o Reverendíssimo Bispo da igreja Episcopal Brasileira, o Dr. Lucien Lee Kinsolving, o Reverendo Salomão Ferraz recebeu uma carta acompanhada de respectiva importância, solicitando remessa de vários exemplares, nos seguintes dizeres: “È meu desejo distribuir vosso admirável opúsculo a cada clérigo meu. Agradeço profundamente vossa mensagem, a mais terna, verdadeira, e mais católica afirmação que tenho ouvido dos arraiais do Evangelismo no Brasil, durante 25 anos. Queira
Deus abençoar-vos ricamente e o Espírito Santo utilizar-se de vosso opúsculo para a propagação da verdade e estabelecer o amor nos corações de cada leitor" (Carta de 9/9/1915). Pricípios e Métodos foi idealizada, escrita e publicada para o embate, mas a dureza e o menosprezo com que fora tratado o autor, fez que Dom Salomão Ferraz reavaliasse seu futuro como Pastor presbiteriano e mesmo como Ministro do Evangelho. Diante do gesto gentil do Bispo Kinsolving fez o Reverendo Salomão Ferraz voltar a igreja episcopal; sua transferência para essa igreja foi um passo. Nela poderia expor suas convicções e
agir de acordo com elas, sem ser molestado.
Em 1916 nasceu a filha Esther, a sétima e última do casal Ferraz. Nesta época filia-se, ainda em Rio Claro, a maçonaria.
Salomão Ferraz deixou a igreja presbiteriana sem mágoas, sem provocar cismas, levando para a igreja Episcopal, apenas seus desejo do ecumenismo e sua família, como não poderia deixar de ser.
Os primeiros contatos do Reverendo Salomão Ferraz com a igreja Episcopal, atualmente Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, foi através do Bispo desta igreja Dom Lucien Lee Kinsolving, Sua Excelência mesmo escreveu, nas atas do 18°
Concilio da igreja episcopal (página 26): “no dia 10 de agosto (de 1916) conferenciei com (...) o Reverendo Salomão Ferraz”. Este encontro se deu no Rio de Janeiro e parece ter sido nele acertada a admissão do Rev. Salomão Ferraz na igreja episcopal, pois em janeiro de 1917, este deslocou-se com sua família, em mudança para o Rio de janeiro.
, No 19° Concílio, realizado em Santa Maria RS, na igreja do Mediador, o Reverendo Salomão Ferraz tomou assento no Concílio: “O Reverendo Ferraz faz um excelente discurso, que causou a melhor impressão ao Concílio", diz a Ata do Concílio. Durante o Concílio, na igreja de Santa Maria, RS, hoje Catedral do
Mediador a 1º de março de 1917, Salomão Ferraz foi recebido e confirmado membro da Igreja Episcopal Brasileira.
A oito de julho de 1917, foi ordenado Diácono, na igreja do Redentor, no Rio de Janeiro, pelo Reverendíssimo Bispo Kinsolving e inicia, nesta mesma igreja paroquial seu trabalho pastoral, como coadjutor. A 27 de janeiro de 1918, ο Reverendo Salomão Ferraz for ordenado ao Presbiterato, na mesma igreja do Redentor, no 20° Concílio da igreja, também por imposição de mãos de Dom Kinsolving. Entre 1918 e 1924, foi Pároco das igrejas do Méier e de São Paulo Apóstolo, em Santa Teresa na cidade do Rio de Janeiro. ,
Traduziu, em 1918, A Vida de São Paulo, de James Stalker, eleito ou nomeado membro das Comissões de Eleições, da Publicação dos Cânones (1918), da Imprensa (1819), das Escolas Dominicais, Junto ao Congresso Evangélico, de Novas Paróquias, dos Delegados Leigos, e de Revisão do Livro de Orações Comum (1922-1928). Foi pregador Conciliar no 22º Concilio em 1922, fundou, em 1921, O Clarim, jornal de propaganda da igreja, O Manifesto do Clero Evangélico do Rio de Janeiro em 1922 e publicou em 1924, A Oração da Pedra, sermão proferido no lançamento da pedra fundamental da igreja de São Paulo Apostolo.
Em janeiro de 1925, o Reverendo Salomão Ferraz, foi transferido
para São Paulo, nomeado Pároco da capela do Salvador, neste ano pública o Manual de Orações e, a 17 de junho de 1928 fundou a Ordem de Santo André, cujo "objetivo principal”, entre outros, era, “infundir nas almas o sentido da divina realeza de Jesus Cristo e de respeito aos seus santos, tomando especialmente como orago e modelo, o primeiro dos Apóstolos, que foi o Apostolo Santo André, para destarte incentivar a pratica das virtudes evangélicas na vida dos indivíduos e em suas relações sociais". Em 1929, juntamente com a senhora Julia Dickie fez a revisão do hinário Salmos e Hinos, compôs os hinos Oráculos Divinos e Vila de Belém, que fazem parte do Hinário
Evangélico. Colaborou com os jornais O Estado de São Paulo e Diário de São Paulo, fundou o jornal de propaganda evangélica Aleluia em 1929 e publicou a Liturgia da Santa Comunhão e em 1936, a Liturgia da Santa Missa.
Suas pregações eram elogiosamente comentadas nos relatórios do Bispo Kinsolving, o que demonstra o prestigio que Dom Salomão Ferraz gozava na igreja episcopal, no conceito de seus colegas, e nas demais denominações cristãs.
Em 1925, na igreja de São Paulo, nos EUA, foi eleito, para bispo do Brasil, o Reverendíssimo Dom William M. M. Thomas, iniciando seu episcopado em 17 de outubro de 1926, em 1935 começa a haver dificuldades entre o Reverendo
Salomão Ferraz e o Bispo Thomas, quando este nomeia, para São Paulo, dois clérigos para assumir a capela do Salvador, a Junta Paroquial e o Reverendo Salomão Ferraz se negam a reconhecer esta nomeação. Dom Salomão Ferraz havia introduzido, como Reformador que era, inovações no rito episcopal de então: o sinal da cruz, velas, um crucifixo no altar e a pregação sobre a transubstanciação, que afugentou muitos dos fieis, mas a gota d'água parece ter sido a troca do termo "culto", por "missa". Dom Salomão Ferraz não promovia “campanhas de evangelização” junto a membros da igreja romana, por entender que lá eles também eram cristãos,
no entanto, eram recebidos os que se apresentavam espontaneamente.
Dom Salomão Ferraz sempre demonstrou simpatia pela liturgia apurada, tinha um espírito místico, e entendia que esta era a melhor maneira de aproximar católicos romanos e protestantes, através dos rituais e da revisão das doutrinas. Foi-lhe colocado a condição de se ater aos cânones da igreja episcopal ou seguir conforme suas convicções e Dom Salomão Ferraz optou pela segunda alternativa, reuniu seus seguidores e mais algumas entidades interessadas, fundou a Igreja Católica Livre e foi eleito Bispo desta denominação. Para se manter economicamente, pois perdera o salário de Pastor,
aceitou o cargo de Diretor da Biblioteca do Estado, cargo que ocupou até 1939, quando a Biblioteca do Estado foi incorporada a Biblioteca Municipal Mario de Andrade.
O Primeiro Congresso Católico Livre realizou-se na capela do Salvador, na rua da Consolação, iniciando a 1ª Sessão em 9 de dezembro de 1936, compareceram representantes dos Antigos Católicos (véteros católicos), os membros da Ordem de Santo André e a Junta Paroquial da Igreja do Salvador.
Ο Congresso resolveu o seguinte “1) É consagrado o nome de Igreja Católica Livre. 2) Reconhecer a Ordem de Santo André como corporação da igreja. 3) Em todas as Paróquias se
organizem Capítulos da Ordem de Sant André, anualmente se reunirá o Grande Capítulo da Ordem. 4) A criação de uma escola primária, secundária e seminário sob a denominação de Instituto Santo André da Igreja Católica Livre. 5) Publicação do Missal e do Ritual em português. 6) Os Padres estrangeiros deverão incorporar-se ao ambiente nacional. 7) Criar um periódico com o nome de O Católico Livre."
Em 12 de dezembro de 1936, na 8ª Sessão, o Congresso Católico Livre proclamou, por unanimidade, Bispo Eleito da Igreja Católica Livre, o Reverendíssimo Salomão Ferraz, que nomeou o Conselho Provisório da igreja. No domingo,
13 de dezembro, 4º Domingo do Advento, Dom Salomão Ferraz celebrou a Missa como Bispo Eleito.
O Congresso Católico Livre encerrou suas atividades a 14 de dezembro de 1936, com uma mensagem do Bispo Eleito, intitulada “A Igreja e a Sinagoga". O Secretario do Congresso foi o Professor Eurico dos Santos Figueiredo.
O Congresso Católico Livre aprovou as seguintes conclusões: “I- Reconhecer a visão da realidade transcendente e imanente no universo, na vida, através da fé. II- Fora da fé não há esperança para o homem, para as nações, para a civilização. III- Reconhecer que os Sacramentos sejam tidos na Igreja com as mais
altas honras, celebrados com reverência e com todas as precauções, na língua do povo, consoante o ensino apostólico e as melhores tradições cristãs. IV- Chamar a atenção para a grande importância que tem a função do Sacerdócio especial, dos Ministros da Palavra e dos Sacramentos, que realmente devem ser vocacionados e aptos para os altos místeres do seu oficio que, neste caráter, devem ser estimados e protegidos pelos fiéis e, mediantes estes, pelo público em geral. V- Reconhecer que o Sacrifício Eucarístico do Altar foi instituído no interesse social do povo, estabelecendo os laços de uma santa irmandade, consciente, responsável, inteligente, instruída, livre. VI-
Reconhecer aos Sacerdotes da Igreja Católica Livre o direito apostólico de serem constituídos em família. VII- Reconhecer o incremento, por todos os meios, da educação popular e que nenhuma zona do território nacional seja privada dos benefícios da instrução. VIII- Reconhecer que com a instrução secular seja ministrada a educação religiosa. IX- Aprovar o ensino das noções filosóficas, psicológicas, lógica e moral nos cursos secundários, elementos indispensáveis à uma formação mental robusta e equilibrada. X- Congratular-se com todas as associações que se empenham na obra benemérita de pôr as Santas Escrituras ao alcance de cada homem no seu próprio
idioma. XI- Reconhecer ao Santo Sacrifício do Altar o supremo ato do culto e o laço divino e sacramental de unidade entre todos os crentes devidamente batizados cristãos. XII- Declarar que a Missa do Senhor acolhe com amor fraternal todos os verdadeiros cristãos”.
No 9º Congresso da Igreja Católica Livre, noticiou-se que a União de Utrecht, Igreja Alta da Suíça, a Igreja Vétero Católica na Europa do Norte e na Europa Central, a Igreja Polonesa e a Igreja Anglicana, reconheciam a Igreja Católica Livre.
Eleito Bispo, Dom Salomão Ferraz procurou a sagração, recebendo várias ofertas, como a do Arcebispo Ladislau Faron, de Varsóvia, e outros Bispos dos
EUA, da Polônia, do Canadá, também ofertaram, desde que Dom Salomão viajasse até seus países. A sagração por Dom João Perlscowski chegou a ter a data marcada. No entanto, a ameaça da Segunda Guerra Mundial não possibilitava uma viajem à Europa, o que fez Dom Salomão Ferraz procurá-la dentro do Brasil, a oportunidade surgiu com Dom Carlos Duarte Costa, então Bispo de Maura. No dia 15 de agosto de 1945, Festa da Assunção de Nossa Senhora, em uma cerimônia de três horas, na cidade de São Paulo, na igreja cristã de São Paulo, seguindo rigorosamente os cânones romanos, Dom Carlos Duarte Costa, acolitado por oito Sacerdotes e um Diácono,
transmitiu a sucessão apostólica à Dom Salomão Ferraz.
Depois de sua sagração, as autoridades eclesiásticas da igreja Romana resolveram recorrer a autoridades policiais, sob pretexto que o uso da batina era prerrogativa exclusiva do clero romano. Assim sendo, uma ordem de prisão foi emitida, com a finalidade de prender Dom Salomão Ferraz, que provocou, passeando, um dia inteiro, no centro da cidade, de batina. Segundo consta, a Maçonaria, da qual Dom Salmão fazia parte, impediu que ele fosse preso. Esta ordem de prisão foi posteriormente revogada, sob o fundamento que não era crime previsto por lei o uso de batina
por pessoas não credenciadas pela igreja Católica Romana.
A Igreja Católica Livre tinha duas características que a distinguiam da Católica Romana: sua liturgia era celebrada em português e não em latim e seus sacerdotes não estavam obrigados ao celibato.
A Igreja Católica Livre seguia as diretrizes da Velha Igreja Lusitana e dos Antigos (Véteros) Católicos da Europa e (Arcebispado de Utrecht) que estavam em comunhão com a igreja Anglicana (Sé de Cantuária) e com as igrejas Ortodoxas. Dom Salomão Ferraz não podia conceber uma igreja católica, rígida e mal adaptada as diferentes partes do mundo e que não se adaptasse a realidade brasileira. A religião deveria ser
adaptada aos costumes e a vida brasileira.
Nessa ocasião, o Governo ditatorial de Getulio Vargas estava empenhado em nacionalizar a Igreja, por isso Getulio Vargas interessou-se pelo movimento católico livre e procurou colaborar com a sagração de Dom Salomão Ferraz, naquela época programada para acontecer em Utrecht, na Holanda, na Catedral de Santa Gertrudes, presidida pelo Reverendíssimo Dom Andréas Rinkel, Arcebispo dos Véteros Católicos, Getulio Vargas recomendou ao Ministro das Relações Exteriores o fornecimento de um passaporte diplomático, no entanto, a deflagração da Segunda Guerra,
em 1939, fez com que Dom Salomão desistisse.
Em 1948, a Igreja Católica Apostólica Brasileira (ICAB), a igreja de Dom Carlos Duarte Costa, foi alvo de intensa perseguição por parte do Arcebispo católico romano do Rio de Janeiro, Dom Jaime Cardeal Câmara. A ICAB programara uma Missa campal. O Cardeal solicitou ao Presidente da Republica que impedisse a realização da Missa e o fechamento de todas as igrejas da ICAB, a solicitação chegou às mãos do Ministro do Justiça, que determinou que a policia executasse a ordem. Dom Salomão Ferraz enviou um memorial ao Senhor Presidente da Republica, invocando as garantias constitucionais, o que
fez com que a ICAB, bem como a Igreja Católica Livre não fosse molestada e a partir desta intervenção de Dom Salomão Ferraz, efetivamente a inviolável liberdade de consciência e o livre exercício dos cultos religiosos fossem, a partir daí, respeitados, inclusive não mais se perturbou quem usasse símbolos religiosos como batinas, vestes sacras, etc.
Em um ano de existência, a Igreja Católica Livre já se estendia por vários municípios do estado de São Paulo e por alguns estados do Brasil. Dom Salomão se empenhava em firmar as doutrinas do movimento ecumênico, no sentido de unificar os rituais dos cultos e das Missas, pregava ele o casamento dos Sacerdotes, a Missa em
português, a importância da Santa Eucaristia para a vida do cristão e escrevia para jornais seculares e no jornal da igreja: O Católico Livre, dando ênfase à propaganda da união das igrejas e à organização de uma Igreja nacional. Celebrava casamento de desquitados e divorciados.
Neste período publicou O Sacerdócio Cristão e A Maioridade Nacional. Dom Salomão Ferraz foi jornalista, membro da Associação Paulista de Imprensa e pertenceu a maçonaria, fazendo parte da Loja Campo Salles, dela desligando-se em 9 de março de 1959, pois esta foi uma das exigências da igreja de Roma para ser recebido por ela.
Dom Salomão sentia a necessidade de imprimir uma atividade mais intensa à sua vocação ecumênica, sem a pressão dos opositores, sobretudo do claro católico romano. Do lado dos protestantes também a oposição não era menor. Dom Salomão Ferraz era criticado por pregar a união das igrejas e por ele mesmo ter fundado uma nova. No entanto, a igreja Romana começava já a preparar-se para o que seria o fenômeno do Concilio Vaticano II e, aconselhado por seus admiradores católicos romanos, iniciou as primeiras conversações para transferir-se para aquela igreja, mas esta iniciativa, era no tempo de Pio XII e fracassou, porque suas
transferência implicava em renúncia da família, de sua sagração episcopal, de seu batismo protestante, alem disso, Dom Salomão teria de submeter seus discursos e escritos a uma censura prévia, estas condições eram inaceitáveis devido a sua personalidade, sua bagagem intelectual, e de seu legado em prol do ecumenismo. Mas, em 1959, com papado de João XXIII, entendimentos foram renovados, pois o novo Papa tinha idéias muito ligadas ao ecumenismo e disposto a realizá- las. Papa João XXIII viu em Dom Salomão Ferraz as possibilidades de concretizá-las, pois ele era um Bispo de alta projeção no meio evangélico que seria útil para
aproximar do Concilio os “irmãos separados”.
Assim que, no dia 8 de dezembro de 1959, com uma grande congregação reunida, na Capela do Menino Jesus, Dom Salomão Ferraz, foi solenemente admitido com Bispo Superior da Ordem de Santo André, perante Sua Eminência, Dom Carlos Carmelo de Vasconcellos, Cardeal Motta, foi recebido, através de profissão de fé, na igreja Católica Romana e assinou o respectivo termo de compromisso. O Cardeal benzeu e pôs em seu dedo o anel episcopal. Foram Paraninfos o Comendador Mario Antunes Manoel Ramos e o Desembargador Laurindo Minhoto Junior.
Nesta mesma igreja em seguida a este ato, Dom Salomão celebrou sua primeira Missa como Bispo da igreja Católica Apostólica Romana, acolitado pelo Padre Nicolau Rossetti, Jesuíta, e pelo Monsenhor Costa Neves. Por iniciativa do Papa João XXIII, a igreja Romana recebia em seu seio um Bispo casado, pai de sete filhos, em plena vivencia familiar, era a manifestação da proposta de uma Igreja renovada, pelo que Dom Salomão Ferraz tanto trabalhara e sofrera...
No entanto, Dom Salomão passou a celebrar a Missa diária, pelo rito romano, e em latim. Estranhou a mudança, profundamente, ao ponto de achar que a Missa na tinha mais o mesmo significado. Foi a sua primeira decepção.
No dia 14 de dezembro, em audiência com o Prefeito da cidade de São Paulo, recebeu a medalha "Amigo da Cidade" e também uma passagem para Roma, ida e volta, para que Dom Salomão pudesse comparecer a uma audiência privada com Sua Santidade, o Papa João XXIII. Padre Rossetti, desde então passou a servir-lhe como Secretário. Em Roma, passou todo o mês de janeiro de 1960, sem ser recebido pelo Papa, seu secretário o aconselhou a não mais celebrar Missas, enquanto não chegasse a Roma seu diploma de sagração. Estranhou a demora inexplicável em ser recebido pelo Papa. Alegavam extravio de documentos e burocracia. A 18 de fevereiro, em
Roma, celebrou seu 80° aniversario, com Missa celebrada pelo Padre Rossetti. A 27 de fevereiro chegaram, finalmente, os documentos esperados. A 4 de março foi informado que o Santo Padre o autorizava a celebrar a Santa Missa. Mas preocupava-se em quais as condições que seriam impostas para que fosse reconhecida sua condição de Bispo e a Ordem de Santo André, não aceitaria condições impostas, que sua consciência o impedisse de aceita-las, como acontecera no papado de Pio XII.
Uma das condições é de que se declarasse desquitado. Protestou contra esta exigência reafirmando: “Na