O Estandarte Christão - 04/1896
O ESTANDARTE CHRISTÃO
ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Arvorae o estandarte aos povos - Isaias 62: 10
VOL. IV Assignatura: POR ANNO. 3$000 Publicação UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ N. 4
EXPEDIENTE
Toda a corresponde cia deve-se dirigir á CAIX DO CORREIO, N. 47 O escriptorio da redacção acha-se na easa n 147, rua Benjamin Con- stant.
REDACTORES: Revd. Wm Cabell Brown Revd. Americo V Cabral Revd. Lucien Lee Kinsolving
Nesta redacção dão-se todas as informações sobre tratados, e pu- blicações evangelicas. Todas as pes- soas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal d r-se-hão ao en- commodo de nos remetter seu en- dereço, que serão immediatamente attendidas. Os pagamentos poderão ser feitos pelo cor eio.
RELAÇÃO DAS EGREJAS
A Capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria n. 386 Porto Alegre Pastor: Rev. James W. Morris
Junta Parochial: Raymundo José Pereira 1º Guardião. João Leirias 2º guardião. Gervasio M. de Moraes Sarmento Thesoureiro. Major José Lopes de Oliveira Secrelario. Carlos Emil Hardegger Gabriel dos Santos
A Capella do Bom Pastor Rua Riachuelo.n. 126 Porto Alégre Pastor Rev. W C. Brown Residencia Rua Garibaldi Diacono: Rev. V Brande. CAIXA DO CORREIO, N. 5 Junta Parochial: Antonio P. da Silva Thesoureiro Pinto do Leão 1º guardião José P. S. Norte 2º guardião.
A Capella do Calvario Rio dos Sinos Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga
Junta Parochial: André Machado Fraga 1º guardião. Maurilio M. de Moraes Sarmento 2 guardião Ernesto Gomes P. Bastos Thesoureiro Affonso Antunes da Cunha Secretario Odorico F. de Souza Lucas M. de M. Sarmento.
Capella da Resurreição São José do Norte Congregação ainda não organi- sada.
A Capella do Redemptor Rua Felix da Cunha n. 61 Pelotas Pastor: Rev. John G. Meem CAIXA DO CORREIO N. 64 Junta Parochial: Belmiro F. da Silva 1º guardião Raphael A. dos Santos 2º guardião Amaro Pinto de Oliveira Thesourciro Joaquim A. Froes Registrador Manoel G. de Castro Alipio-J. dos Santos.
Capella do Espirito Santo Boa Vista Municipio de Pelotas Congregação ainda não orga- nisada.
A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villeta Rio Grande Pastor: Rev. L. L. Kinsolving Residencia: 147 Rua Benjamin Con- stant CAIXA DO CORREIO N. 47 Junta Parochial: Thesoureiro Manoel Thomaz de Oliveira 1º guardião Augelo Catalan 2º guardião João Vicente Romeu Registrador Antonio Gazzineo Jacintho de Santa Anna.
A Capella da Graça Viamão Pastor: Rev. Americo V. Cabral José Luiz Ferreira Secretario José de Deus Rosa Thesoureiro
10 Livro de todos os tempos Notavel sermão
PREGADO PELO REV. JOHN BROWN D. D.
Os teus testemunhos tenho eu tomado por herança para sem- pre. >> (Ps. 119: III)
Lá havia certas cousas ácerca rca um espirito que elles raras vezes dos estatutos de Deus, que o im- comprehenderam. pressionaram. Primeiro que tudo, Em cada seculo, em cada gera- a Palavra de Deus para o homem, ção, este livro tem sido assaltado Sua Revelação era amplissima, por criticos de varios generos. As alta como os céos e larga como o diversas fórmas de critica teem mar. muitas vezes ajudado os homens e E elle sentiu tambem que, ajudado a Egreja a comprehender quando o homem marcha pela seu proprio Livro. Porém, os cri- Verdade de Deus e guarda as or- ticos teem passado e o Livro ahi denações de Deus, elle é o homem está. que possúe mais liberdade. Não poderemos dizer da Biblia Os homens pensam muitas ve- o que foi dito da Egraja ao rei da zes que, se quebrarem a lei, obte- França, quando Henrique IV Este Psalmo cento e dezenove, rão a liberdade. ameaçou perseguir os protestantes devido ao seu tamanho e a sua E' o homem que se conserva francezes? structura alphabetica, salienta-se dentro dos limites da lei, aquelle Egreja, a favor da qual eu falo, entre todos no Psalterio. Se foi que tem a liberdade, da mesma receber os golpes e não dal-os; simplesmente a expressão da ex- forma que o trem que conserva- porém lembre-se V. M. que a periencia religiosa de uma pessoa, se nos trilhos tem mais liberdado Egreja é uma bigorna que tem ou se foi um grande Psalmo na- do que o trem que sae fóra da li- gasto muitissimos martellos. >> cional composto para par uma solem- nha. E ainda ha outro pensamen- Não poderemos dizer que a Bi- nidade da patria, não seria facil, to que é proeminente n'este longo blia é uma bigorna que tem gasto nem mui importante determinar. Psalmo e que é o caracter perma- muitos martellos? Aventuro-me Uma cousa é quasi certa, é que nente da revelação de Deus ao ho- a pensar que ella gastará muitos elle gyra ao redor de um grande mem: Teus testemunhos tomei outros ainda. e glorioso centro a Palavra de como uma herança para sempre.>>> Considerae o problema que ti- Deus e que encerra em seu am- E' sobre este terceiro pensamen- nha de ser resolvido pela dadiva bito toda a extensão da vida e to que eu quero dizer poucas cou- da Revelação do pensamento e experiencia humanas. Foi um ver- sas esta noite. vontade de Deus na forma de siculo deste Psalmo, que Martinho um livro. Eu não penso que seja Luthero escreveu com a propria improvavel que aquelle que for- mão em sua Biblia: Se tua Pa- mou nossas mentes nos revelasse lavra não fosse o meu deleite, Sua Mente e que essa revelação minh'alma teria perecido em sua viesse de forma a poder continuar flor, e homens que differem tanto atravéz dos seculos. em sympathias intelluctuaes como Porém considerae o que era dar John Ruskin e Jonathan Edwards um livro que podesse seguir a nos contam a enorme influencia tranquilla, placida natureza do que este Psalmo exerceu sobre mundo oriental, e ao mesmo tem- suas vidas espirituaes. po podesse, no decorrer dos secu- Ruskin disse que todas as par- los, achar-se perfeitamente a gos- tes da Biblia que sua mãe lhe en- to no activissimo mundo occiden- sinára, o Psalmo 119 constituia a tal, de ambas as bordas do Atlan- mais preciosa posse, devido ao tico. transbordante e apaixonado amor Este livro podia ter vindo a nós, pela Palavra de Deus; e John como todos os livros sobre outros Edwards diz-nos que n'aquellas assumptos. No dominio da scien- altas disposições da alma, quando cia sabemos que um livro desban- seu espirito atirava-se com desejo ca outro e que os livros mesmo intenso em busca de Deus, da San- recentes tornam-se comparativa- tidade e dos Céos, parecia que só mente inuteis. algumas das apaixonadas senten- ças d'este Psalmo poderiam expri- mir a intensidade de seus senti- mentos. Quem quer que fosse o autor elerna. deste Psalmo, esse autor tinha I. Demonstrado pelo progres- uma Biblia bem pequena em com- so no passado. paração com a nossa e, no emtan- Em primeiro lugar quero mos- to, esta lhe era de uma grandeza trar-vos que a Palavra de Deus transcendente. no passado cresceu com a marcha Ella scintillava e resplandecia do mundo, e então podereis ver como uma luz celestial. o que elle fez no passado o fará Elle erguia-se à meia noite provavelmente no futuro. rendendo graças pela posse d'ella; meditava n'ella através do dia era mais que milhares de ouro e prata e era-lhe mais doce ao pa- ladar do que o mel. Elle fez de seus estatutos que o que elle fez no passado o fará provavelmente no futuro. Não poderemos dizer da Biblia o que foi dito da Egraja ao rei da França, quando Henrique IV ameaçou perseguir os protestantes francezes? Egreja, a favor da qual eu falo, receber os golpes e não dal-os; porém lembre-se V. M. que a Egreja é uma bigorna que tem gasto muitissimos martellos. >> Não poderemos dizer que a Bi- blia é uma bigorna que tem gasto muitos martellos? Aventuro-me a pensar que ella gastará muitos outros ainda. Considerae o problema que ti- nha de ser resolvido pela dadiva da Revelação do pensamento e vontade de Deus na forma de um livro. Eu não penso que seja improvavel que aquelle que for- mou nossas mentes nos revelasse Sua Mente e que essa revelação viesse de forma a poder continuar atravéz dos seculos. Porém considerae o que era dar um livro que podesse seguir a tranquilla, placida natureza do mundo oriental, e ao mesmo tem- po podesse, no decorrer dos secu- los, achar-se perfeitamente a gos- to no activissimo mundo occiden- tal, de ambas as bordas do Atlan- tico. Este livro podia ter vindo a nós, como todos os livros sobre outros assumptos. No dominio da scien- cia sabemos que um livro desban- ca outro e que os livros mesmo recentes tornam-se comparativa- mente inuteis. Penso que não seria nada me- nos que uma calamidade se a edu- cação de uma raça fosse dada por sendo cada secção, com o correr do tempo, substituida por outra. E' certamente alguma cousa mais do que um sentimento, o facto d'esta Biblia, que considera- mos como um thesouro, ter sido a Biblia que os antepassados leram e estudaram com olhos de lagrimas, e espirito cheio de gra- tidão. O livro que foi a alegria de nossos paes antes de nós, é agora nosso conforto a nossa força e será o conforto e a força de nos- sos filhos depois de nós. (Continua.) Achaes maravilha quando vos puzerdes a considerar na maneira porque o povo hebreu preservou tão religiosamente este livro, o qual, com certeza, jamais lison- geava-lhe o orgulho nacional; livro que exprimia certamente as mais duras verdades com respei- to aos peccados dos judeus e dos seus paes; livro ensinador de verdades que elles demoraram em receber; livro que transpirava Nenhuma alma pode conservar a flor e a delicadeză de sua exis- tencia, sem meditações solitarias e orações silenciosas, e esta ne- cessidade fica cada vez maior em proporção à grandeza d'alma. Ella satisfazia-lhe a alma em seus desejos mais elevados, em suas aspirações mais nobres e o que elle achou precisar foi, não de uma nova Biblia, porém de uma illuminação mais espiritual, afim de comprehender a Biblia que tinha Abre os meus olhos, para que eu possa contemplar as maravilhas da túa Lei. >> Os homens pensam muitas ve- zes que, se quebrarem a lei, obte- rão a liberdade. E' o homem que se conserva dentro dos limites da lei, aquelle que tem a liberdade, da mesma forma que o trem que conserva- se nos trilhos tem mais liberdado do que o trem que sae fóra da li- nha. E ainda ha outro pensamen- to que é proeminente n'este longo Psalmo e que é o caracter perma- nente da revelação de Deus ao ho- mem: Teus testemunhos tomei como uma herança para sempre.>>> E' sobre este terceiro pensamen- to que eu quero dizer poucas cou- sas esta noite. <<< Teus testemunhos tomei como uma herança para sempre. >>> E' este texto uma simples rhetorica, on é a asseveração de um facto distincto? Será a Biblia para as gerações vindouras o que a terra é quando multiplica as co- theitas, quando as populações se multiplicam? Ou pertence a Bi- blia ao numero das cousas que vão ser supprimidas nas gerações do porvir: Acharão os homens caminho para o mundo espiritual, para a grande revelação do designio e caractere de Deus em algum outro caminho, que não seja por meio da verdade que Deus tem conce- dido n'este Livro de que é Autor? Eis uma importante questão, digna de pesar-se. Permitti que hoje vos convider pensar sobre ella um pouco. A Biblia como uma herança elerna. I. Demonstrado pelo progres- so no passado. Em primeiro lugar quero mos- trar-vos que a Palavra de Deus no passado cresceu com a marcha do mundo, e então podereis ver o que elle fez no passado o fará provavelmente no futuro. Isto é na verdade um facto sor- preendente, quando consideraes como o povo hebreu preservou tão religiosamente este livro, o qual, com certeza, jamais lison- geava-lhe o orgulho nacional; livro que exprimia certamente as mais duras verdades com respei- to aos peccados dos judeus e dos seus paes; livro ensinador de verdades que elles demoraram em receber; livro que transpirava (Continua.)
2 O DESPERTAR
Esse indifferentismo é seme- lhante a uma profunda lethargia, parece acompanhar receiosa, as pobres idéas do novel escriptor, ao ter que descrever aquella sce- na bellissima do despertar, que tantos discipulos de Miguel Ange- lo se tem esforçado para reprodu- zir fielmente na tela. Para que possamos melhor apreciar aquella scena do desper- tar, devemos primeiro admirar uma outra scena. Acompanhai- me e vêde quando a noite esten- de seu manto sobre a terra, quan- do a actividade humana cessa um pouco para dar lugar ao repouso; quando o silencio começa a rei- nar, a tal hora, tudo mudo, di- zei-me se não vos parece que a morte tem passado sobre a terra, fazendo uma devastação comple- ta? Impressiona-nos, por certo, uma tal scena, mas é uma impressão de tristeza. Mas, quão differente, a manhã seguinte. quando o astro do dia começa a espargir seus raios, quando as plantas, ainda humidas do orvalho, nos parecem que têm uma nova vida; quando nos cam- pos ouvimos os passaros em melo- dioso concerto; o silvo da locomo- tiva; os estabelecimentos fabris que começam a funccionar; multidão dos operarios que cruzam em busca do labor quotidiano; emfim, a actividade humana que começa novamente a manifestar- setudo isto constitue aquella aquella scena do despertar. Na noite anterior parecia-nos que tudo havia sido destruido pela morte; na manhã seguinte pare- ce-nos que tudo voltou à vida. Oh, leitores! essa mesma im- pressão de tristeza que me causou ao contemplar aquella scena do favor da grande obra da regene- ração patria, combatendo o indif- ferentismo, essa lethargia preju- dicial que se tem apoderado de grande parte do nosso povo. Cada Villa Setembrina (Capella do Viamão)
Ha na villa um açougue, regu- larmente montado pelo Sr. Fran- cisco Israel, fornecendo carne fresca a razão de 600 rs. o kilo- gramma. O leite custa 120 rs. a garrrfa. Lenha, 5$000 uma carreta que em Porto Alegre compra-se por 16$000. As casas, do tamanho das que em Porto Alegre alugam-se por 60$000, alugam-se aqui por 20$. O pão aqui fabricado é excel- lente. Tem a villa communicação com Porto Alegre por meio de uma di- ligencia diária com accommoda- ção para 7 pessoas, mas que às vezes cheia de mais, bem me- recendo então o nome de Caufor- ma. Em trez horas faz um ca- vallo. a trote, o trajecto de Porto Alegre a Viamão, pera estrada do Passo do Dornettes, que é a mais curta, porém não a melnor. O transporte da carga de uma carreta, de Porto Alegre para Viamão diz o Marcirio, mas o Marcirio é um careiro de conta, e pode ser que o Sr. José Rodrigues (o que esteve estudando musica) faça isso por menos. Os negociantes aqui têm bom sortimento de pinoias que, se elles não vendem por melhor preço, não é por culpa delles. Quando ma- tam algum leitão sempre mandam alguma cousa a freguezia. Mās, são delicados, e para empurrar a espiga, não estão tão atrazados assim como se pensa, Temos aqui uma banda de mu- sica muito boa, mas ha quem diga que os musicos são comilões de força. O Sr. Annibal Gattini diz porem que isso não é exacto e que elles só procuram quibebe. Até outra vez.
A semana santa no Rio Grande
Queremos rapidamente orientar os nossos leitores sobre a comme- moração da semana santa no Rio Grande. Segunda-feira tiveram começo os serviços divinos na capella do Salvador. Dia após dia tivemos occasião de acompanhar nosso Bemdito Mestre nos dias anterio- riores à sua crucificação. Na quinta-feira santa, à noite, celebrou-se a Santa Cêa do Se- nhor, porque foi n'aquella noite que Jesus Caristo ordenou este Santo Sacramento. O Sr. Rev. insolving proferio um tocante sermão e depois de cantar-se um hymao, approximaram-se os com- mungantes ao presbyterio. For verdadeiramente solemne aquelle momento. Na capeila ha- via um silencio respeitoso e nas varias physionomias podiamos di- visar a impressão produzida por aquella tocante cerimonia. Na sexta-feira tiveram lugar tres serviços divinos, sendo dois am portuguez eu em portuguez e um em inglez. ás de. Perante grandes auditorios Rev. pastor discorreu brilhante- mente sobre o assumpto do dia: A crucificação de Nosso Se- nhor. No sabbado, varias senhoras ocuparam-se em enfeitar a ca- pelta com flores, combinando-as artistamente. Eis-nos atinal chegados ao Do- mingo da Resurreição. Vamos occupar-nos um pouco mais n'esta descripção incompleta d'aquelle dia de alegria para o mundo chris- tão. Pela manhã estiveram reunidos pastantes alumnos da Escola Do- mimcal. Depois d'ama preve ora- ção, e de ter-se entoado bellos aymnos da Resurreição, o grande numero de crianças presentes re- tirou-se para o pateo, atim de se- rem collocados dois a dois e in- corporados, entrarem na capella marchando e cantando um lindo hymno. Esta marcha da manhã for simplesmente um ensaio, por- que a festa da Escola Dominical realizou-se a norte. Na occasião da celebração da Santa Ceia, no Domingo da Re- surreição, na capella do Redem- ptor, foram receoidos à Commu- nhão os seguintes novos soldados de Christo: D. Candida Monteiro da Con- ceição D. Margarida Narcizo de Car- dozo D. Regina Kueper D. Rosalia Gonçalves da Silva D. Antonia Ferreira Sr. Marciano Gonçalves da Sil- va Sr. Antonio Gonçalves da Silva Sr. Miguel Gonçalves da Silva Sr. Pedro de Alcantara. Commandante da nossa salvação, Que Jesus Christo, o grande os guarde fieis no seu serviço, é a nossa oração. Pedimos a to- dos os irmãos que se lembrem d'elles em oração. J. G. M. Este lugar historico, ricamente dotado pela natureza, e onde não poucos porto-alegrenses tem ido adquirir saúde, tem sido no em- tanto menospresado pelos capita- listas e homens de emprehendi- mento. Menospresado, dizemos, porque um logar como este merecia a attenção do capital inteligente e patriotico. A villa Setembrina (tal é o nome que lhe foi posto pelos re- publicanos de 1835), está situada n'um logar bastante alto, como pode verificar o viajante que sae aqui, e o ar que n'esta villa se respira, tem attrahido conside- ravel numero de familias de Por- to Alegre, as quaes, durante os mezes de verão, vêm até aqui em busca de saude. As aguas aqui são crystallinas, Ha uma fonte historica, chamada a fonte de D. Diogo, cremos que terrenos de propriedade do Sr. Modesto Machado. Fontes publicas como a da Pa- ciencia e a da Bica, mostram ao viajante o interesse de nossos an- tepassados pela commodidade pu- dil-o; porque si elle é bom, por- que não o adoptam como norma de suas vidas? Irmãos! mais um pouco de de- dicação, mais esforços, mais fé, mais amor à causa santa de Jesus Christo! Veremos então approxi- mar-se a hora em que o horisonte de nossas esperanças se irá enru- becendo, as nuvens da duvida passarão, e em breve todos os brazileiros apreciarão devidamente aquelle Sol de Rectidão. E quando Jesus Christo reinar em todos os corações; quando to- dos os filhos d'esta terra aquece- rem-se aos raios d'aquelle Sol Magestoso, teremos então certeza plena, de que o povo brazileiro desperta de seu lethargo. Será então, no meio de transpor- tes de jubilo, o despertar rutilan- te para a regeneração.. Rio Grande, 1896. F. G. S. Arroios, taes como o do Fiusa e do Vigario (onde existe uma ex- cellente ponte) fornecem aos ba- nhistas agradavel recreio. Lindos bosques ha nas visinhan- ças da villa, muito proprios para passeios e pic-nics. A villa tem duas praças uma a General Julio de Castilhos », e outra a Marechal Floriano Peixoto é menor do que a ou- tra e contem a Egreja Roma na' templo grande e em que se notam alguns objectos de arte salientes apenas pela antiguidade do gosto. Antigamente um homem trouxe um cordeiro para apresentar a Deus, e o deitou no altar para ser consumido pelo fogo de Deus. Da mesma maneira temos de apre- sentar a Elle os nossos corpos. A primeira cousa não é ser um tra- balhador ou um pregador, mas é offerecer as nossas proprias pes- soas a Deus, a pôr nós mesmos no O povo brazileiro tem mostra- do um indifferentismo mais ou menos pronunciado para com o Evangelho da Paz. Aos 20 dias do mez de Abril de 1896, ás 3 horas da tarde, na residencia do Rev. Lucien Lee Kinsolving, reunidos os Srs. Revs. John G. Meem, presidente, Lucien Lee Kinsolving, e srs. Julho A. Coelho e João Vicente Romeu, memuros leigos, depois da ora- ção o Sr. presidente declarou aberta a sessão. Lida a acta antecedente, foi approvada. <<< O Sr. presidente declarou que o fim desta reunião era para de- liberar como deviamos organisar o nosso livro de oração, e para isso elle pedia proposta. Pedindo a palavra o Rev. Kin- solving propoz que fosse dirigi- do um pedido ao Rev. Deão da Convocação, de que pela autorisation de meeste aan diecinha, guarda tua o art. VII, se digne chamar uma convocação especial para ura este fim, designando o tempo e o lu- gar para tratar da traducção e consideração do nosso livro de oração. Posta a votos pelo Sr. presidente foi approvada esta in- dicação, dando o seu voto a fa- vor por escripto o Rev. Wiliam Cabell Brown. Foi approvado unanimemente com ternura: << Rosinha, os martyres nunca poderiam ter feito aquellas cou- sas horríveis de soffrer. Gostaria de seres apedrejada ou queimada? << O'! Jose, não seria direito fazer aquilo para nenhum obje- ctivo. Mas a sofrer por amor de Christo, seria glorioso, em ver- dade. >> << Então, não quero ser martyr, exclamou José. ». « Tenho bas- tantos cousas difficeis de fazer agora. Não sabes quantas lições tenho de estudar. Minha cabeça dóe n'este momento só em pensar n'ellas. >>> << Coitado do José, disse Ro- sinha com sympathia. Talvez uma laranja te faça bem. Tenho uma muito bonita. Vou buscal-a. >> << Não, disse papae, quero ser martyr. >>> O que é? perguntou papae. Um martyr, papae, como aquelles que morreram por amor de Christo. Quero fazer uma cou- sa difficil por Elle. >>> Papae tornou-se sério e disse com voz baixa: << O', Rosinha, tenho tanta fome hoje; fazes-me o favor de dar o pastel tambem. >>> Rosinha olhou para elle com surpreza, porém deu-lhe o pastel immediatamente. Ninguem repa- rou n'elles, e José o comeu, ainda que tivesse vergonha em assim o cuidar d'esta doente. >>> Um sacco de lupulo quente logo deu allivio à Rosinha e, quando sentiu-se melhor. disse: « Mamãe, não quero mais ser martyr. Acho que não tenho bas- tante coragem. » << Em verdade, tu és martyr, disse a mãe, << pois tens amor a teu pai e queres vê-lo melhor. >>> Mas foi por causa do papae, pois tenho tanto amor a elle, >>> Ah, minha filha, disse a mãe, << isso é o segredo da cora- gem dos martyres. Se amarmos ao nosso Senhor, não acharemos cou- sa alguma difficil demais que fi- zermos por amor d'Elle. >>> Como ser um christão Segue-me. S. João 1:43. Quereis saber como podeis ser christão? Jesus nol- diz n'este texto em duas palavras. <<< Minha filha, tiveste aquella dor terrivel outra vez », excla- mou. Sinto ter-te deixado sa- hir. Porque não me chamaste? << Não queria tiral-a de papae», disse Rosinha. <<< Elle está me- lhor? << Pois bem, papae, vou esfor- çar-me fazer melhor as pequenas cousas. >>> José gostava de caçoar com Ro- sinha, e determinou a por å pro- va o desejo d'ella ser martyr. Um dia havia para jantar pas- teis de limão, dos quaes Rosinha gostou muito. Logo que ella rece- beu o primeiro, elle lhe disse em voz baixa: << O', Rosinha, tenho tanta fome hoje; fazes-me o favor de dar o pastel tambem. >>> Rosinha olhou para elle com surpreza, porém deu-lhe o pastel immediatamente. Ninguem repa- rou n'elles, e José o comeu, ainda que tivesse vergonha em assim o cuidar d'esta doente. >>> Um sacco de lupulo quente logo deu allivio à Rosinha e, quando sentiu-se melhor. disse: « Mamãe, não quero mais ser martyr. Acho que não tenho bas- tante coragem. » << Em verdade, tu és martyr, disse a mãe, << pois tens amor a teu pai e queres vê-lo melhor. >>> Mas foi por causa do papae, pois tenho tanto amor a elle, >>> Ah, minha filha, disse a mãe, << isso é o segredo da cora- gem dos martyres. Se amarmos ao nosso Senhor, não acharemos cou- sa alguma difficil demais que fi- zermos por amor d'Elle. >>> Como ser um christão Segue-me. S. João 1:43. Quereis saber como podeis ser christão? Jesus nol- diz n'este texto em duas palavras. <<< Minha filha, tiveste aquella dor terrivel outra vez », excla- mou. Sinto ter-te deixado sa- hir. Porque não me chamaste? << Não queria tiral-a de papae», disse Rosinha. <<< Elle está me- lhor? << Pois bem, papae, vou esfor- çar-me fazer melhor as pequenas cousas. >>> José gostava de caçoar com Ro- sinha, e determinou a por å pro- va o desejo d'ella ser martyr. Um dia havia para jantar pas- teis de limão, dos quaes Rosinha gostou muito. Logo que ella rece- beu o primeiro, elle lhe disse em voz baixa: << O', Rosinha, tenho tanta fome hoje; fazes-me o favor de dar o pastel tambem. >>> Rosinha olhou para elle com surpreza, porém deu-lhe o pastel immediatamente. Ninguem repa- rou n'elles, e José o comeu, ainda que tivesse vergonha em assim o cuidar d'esta doente. >>> Um sacco de lupulo quente logo deu allivio à Rosinha e, quando sentiu-se melhor. disse: « Mamãe, não quero mais ser martyr. Acho que não tenho bas- tante coragem. » << Em verdade, tu és martyr, disse a mãe, << pois tens amor a teu pai e queres vê-lo melhor. >>> Mas foi por causa do papae, pois tenho tanto amor a elle, >>> Ah, minha filha, disse a mãe, << isso é o segredo da cora- gem dos martyres. Se amarmos ao nosso Senhor, não acharemos cou- sa alguma difficil demais que fi- zermos por amor d'Elle. >>> Como ser um christão Segue-me. S. João 1:43. Quereis saber como podeis ser christão? Jesus nol- diz n'este texto em duas palavras. <<< Minha filha, tiveste aquella dor terrivel outra vez », excla- mou. Sinto ter-te deixado sa- hir. Porque não me chamaste? << Não queria tiral-a de papae», disse Rosinha. <<< Elle está me- lhor? << Pois bem, papae, vou esfor- çar-me fazer melhor as pequenas cousas. >>> José gostava de caçoar com Ro- sinha, e determinou a por å pro- va o desejo d'ella ser martyr. Um dia havia para jantar pas- teis de limão, dos quaes Rosinha gostou muito. Logo que ella rece- beu o primeiro, elle lhe disse em voz baixa: << O', Rosinha, tenho tanta fome hoje; fazes-me o favor de dar o pastel tambem. >>> Rosinha olhou para elle com surpreza, porém deu-lhe o pastel immedi