Adoração Anglicana
CENTRO DE ESTUDOS ANGLICANOS – CEA
Adoração Anglicana
(Cap. 6 do livro “Visão Anglicana”, de James Griffis – Trad. Dom Sumio Takatsu)
A adoração surge de uma característica do ser humano: a nossa necessidade de lidar com a o problema do significado. Até onde podemos conhecer os seres humanos são únicos entre os animais dotados de sentido deste mundo em nossa busca pelo significado. Ponderamos os “por quês?", indagações que começam bem cedo na infância por que tenho de ir para a cama agora? e continuamos até o fim da vida - por que a pessoa que amo deve sofrer tanto? Por que tenho de morrer? Os filósofos, teólogos e cientistas têm seus "por quês": por que há alguma coisa ao invés do nada? Por que as coisas acontecem como acontecem?
Também, todos nós sabemos que as respostas que damos ao nosso "por que", às nossas questões não são satisfatórias. A criança que é mandada a ira para cama agora “porque digo que você deve ir” não está provavelmente menos satisfeito com a resposta do que o cientista que busca entender as origens do universo ou a pessoa que vê o ente amado morrer de câncer. As respostas que apresentamos simplesmente não se encaixam nas perguntas que fazemos, porque as questões últimas nos impulsionam para além das explicações, que podemos, costumeiramente, dar às indagações comuns de nossas vidas. Podemos entender muitas coisas de nosso mundo, mas certas questões últimas sobre vida e morte, sofrimento, alegria e amor desafiam as nossas explanações comuns. Elas nos empurram para além de alguma coisa.
Alguns diriam que seria mais prudente não fazer essas perguntas, uma vez que não podemos responder a essas questões últimas. No entanto, a gente de fé acredita que as questões como essas exigem uma outra resposta, resposta que nos chama para além de nossa forma habitual de lidar com as questões para responder para responder por meio da fé, esperança, confiança e amor. Desejo pensar nessa “chamada para além de” como a coragem para adoração: oferecer a mim mesmo em louvor e ação de graças e conhecer a mim mesmo na presença de Deus. A coragem para adoração não é um ato de resignação ou ato que negue ou rejeite o que a minha mente pode me dizer. Antes, é um ato que me abre às novas possibilidades e compreensões, mostrando-me que o meu conhecimento e explicações não esgotam a realidade que há sempre mais para a minha vida e para o meu mundo do que posso pensar ou explanar ou mesmo até imaginar. A coragem para a adoração coloca a mim e às minhas experiências num contexto maior. Deixe-me dar um exemplo de como penso que a adoração funciona para nós.
Uma das formas que tentamos lidar com as questões últimas que não podemos responder é contar estórias. Os mitos antigos da criação, deuses salvadores, as fatalidades da mitologia grega e narrativas dos céus e do inferno são essas estórias. Famílias, amigos e comunidades contam, também, estórias como elas começaram, como enfrentaram as provações e tribulações, como se alegraram nas vitórias alcançada. As estórias nos conectam com a nossa história. Elas nos capacitam a tomar parte num drama maior do que nossas vidas e entender a nós mesmos como parte de uma estória maior sobre esperança, redenção, começo e fim. Não respondem as questões últimas, mas as colocam num contexto, que proporciona sentido para a nossa experiência individual.
O povo hebreu conta tal estória, ao narrar minuciosamente o seu êxodo do Egito para a terra da promessa. Nesse evento a estória deles diz, ai está o significado da vida de vocês como um povo com Deus. Não importa que aconteça, aqui está o sentido de tudo mais que possa acontecer, porque aqui vocês vêm o que Deus está fazendo e como o Deus de vocês é fiel. No decorrer dos séculos de perseguições e caminhadas sem rumo, os judeus têm contado e contado de novo essa estória a fim de dizer que são eles, e dar-lhes identidade como um povoe reanimar sua coragem para continuar. Os sobreviventes de Holocausto falam na importância para eles recordarem e lembrar a estória do êxodo nos campos de concentração. Para alguns, isso os possibilitou a ter a coragem de continuar a crer e sobreviver.
Também, nós, cristãos, contamos a estória do nosso êxodo a estória da morte e da ressurreição de Jesus, que é o Deus-conosco, em nossa história humana como acreditamos. Nesse evento, a nossa estória, Deus age em Jesus Cristo para nos salvar, para nos trazer da morte para a vida. A adoração litúrgica nos chama para a morte e ressurreição de Jesus. Ela faz a sua estória a nossa estória e assim ela é o sentido de tudo que nos acontece como povo cristão.
Na Igreja Episcopal, contamos a estória de nosso êxodo nas liturgia do Batismo e da Eucaristia. O sacramento do Batismo é nossa incorporação na estória do ato redentor de Deus em Jesus Cristo. Nele nos tornamos parte da estória. Quando uma criança ou um adulto é batizado, o oficiante diz a seguinte oração sobre a água e, por meio da oração ela ou ele conta a estória cristã:
Damos-te graças, ó Deus Todo-Poderoso, pela dádiva da água. Sobre ela o Espírito Santo movia-se no princípio da criação; por ela conduziste os filhos de Israel da escravidão do Egito à terra prometida; nela Jesus recebeu o batismo de João e foi revelado pelo Espírito Santo como o teu Filho, o Cristo, para dirigir-nos, por sua morte e ressurreição, desde a escravidão do pecado à Vida Eterna.(LOC p.168)
Nas orações da eucaristia contamos a estória da salvação mais uma vez:
Ó Pai, de tal maneira amaste o mundo que, na plenitude dos tempos, enviaste teu único Filho para ser nosso Salvador. Feito carne pelo Espírito Santo, nasceu da Virgem Maria e viveu como um de nós, mas sem pecar. Aos pobres proclamou as Boas Novas da salvação; aos prisioneiros, a liberdade; e aos tristes, a alegria. E, para cumprir o teu propósito, Jesus a si mesmo se entregou à morte, e, ao ressurgir da sepultura, destruiu a morte e renovou toda a criação. E, para que jamais vivêssemos para nós mesmos mas para aquele que morreu e ressuscitou, enviou-nos o Espírito Santo, a fim de realizar sua obra no mundo e completar a santificação de todos os que crêem. (LOC pp.87-88)
Ambas as liturgias contam a estória e também a representam e dramatizam: a pessoa é imersa na água e recebemos o pão e o vinho abençoados da eucaristia como sinal do Cristo crucificado e ressurrecto presente entre nós.
Em outras palavras, não só contamos estórias, mas também dramatizamos o que tentamos dizer. Em nossas relações humanas costumeiras temos o que chamamos de ações rituais que expressam um significado que não podemos expressar em palavras tocar, segurar outra pessoa, fazer amor, compartilhar a refeição, dar presente, fazer gesto de hospitalidade e recepção, talvez, até enviar simplesmente um cartão de aniversário. São todos atos humanos muito ordinários. Assim também são o batismo e a eucaristia lavagem na água e tomar uma refeição juntos. Mas, na adoração, essas ações humanas ordinárias são transformadas. Elas se tornam em atos pelos quais vivemos adentro a estória que nos é contada.
Então, aqui está o que desejo dizer por coragem de adorar. A Liturgia toma as nossas orações pessoais e individuais, nossas palavras balbuciantes de petição para nós mesmos e pelos outros, e nossas palavras, por vezes, frias de ação de graças e de confissão e as transforma em Palavra de Deus para nós e para o mundo em que vivemos. Os problemas não são resolvidos: as pessoas ainda morrem de câncer, nem sempre conseguimos o que desejamos, ainda continuamos presos em nossos próprios pecados e fracassos, mas está presente a Palavra divina de fidelidade, Jesus Cristo. A coragem para adorar é crer na vitória final de Deus, não como recompensa quando chegar ao céu, como aquilo que dá sentido a um mundo de outra maneira trágica e abalada.
A coragem para adorar vai ainda mais longe. Ela nos capacita continuar com alguma coisas mais do que resignação ao nosso destino, isto é, podemos oferecer louvor e dar graças a Deus mesmo na morte. É isso que proclamamos quando, no batismo e na eucaristia, contamos a estória d morte e ressurreição de Jesus, a saber, dar graças pela vida que emerge da morte. Deus sabe, não é fácil assim proceder e, por certo, fracassamos na maioria das vezes. Mas na adoração (culto) somos capazes de lembrar quem somos, somos capazes ouvir e crer na vitória de Deus. A nossa comunhão com outro é uma participação agora para aqueles de nós que acreditam e um sinal para os que ainda não crêem na promessa de Deus em Jesus Cristo.
Esse senso de ser uma comunidade sacramental, a comunidade que conta a estória de Jesus e nos chama a entrar naquela estória através da adoração, é um dos dons do reavivamento católico no anglicanismo. O reavivamento católico nos facilitou a recuperar a nossa herança como uma comunidade sacramental, porque ela viu claramente que a Igreja está fundamentada na encarnação de Deus em Cristo. Penso que seria verdade dizer que nós, na Igreja Episcopal, estamos nos tornando mais capacitados a entender a nós mesmos como uma comunidade sacramental e encarnacional através de nossa adoração por causa do Livro de Oração Comum de 1979. Este Livro nos habilitou a chegar a uma consciência maior da implicação de crer em Jesus Cristo como o coração da Igreja. Seus Ofícios têm aberto o caminho para nós o caminho o caminho da compreensão mais profunda de que a Encarnação expressa a nossa crença sobre a relação entre Deus e a nossa humanidade e que a vida sacramental consiste em viver essa relação na Igreja e no mundo.
O ofício do Batismo do Livro de Oração Comum de 1979 é um bom exemplo dessa mudança no modo como vivemos a nossa fé. Na Igreja Episcopal, os que se comprometem com Cristo no Batismo e os que renovam seus compromissos juntos tomam parte na aliança Batismal, que, no geral, se renova quatro vezes ao ano, num culto público. A aliança batismal expressa a nossa fé comum e fundamental como o povo cristão o que nos faz cristãos e não simplesmente episcopais. Somos batizados em Cristo, não como, às vezes, as pessoas costuma dizer, batizado na Igreja Episcopal.
A aliança batismal inclui a afirmação do Credo apostólico (a confissão mais antiga da Igreja da fé cristã) bem como várias promessas, que refletem as conseqüências de nossa fé. Prometemos continuar no ensino dos apóstolos, na comunhão, ser fiéis na adoração e na oração, resistir ao mal e de nos arrependermo-nos quando falhamos, proclamar por palavra e exemplo o Evangelho, procurar e servir Cristo em todas as pessoas, lutar pela justiça e paz e respeitar a dignidade de toda pessoa. Estas promessas batismais constantes no Livro de Oração Comum de 1979 estão capacitando os episcopais a lutar com novas questões os conflitos atuais sobre a moralidade sexual, justiça econômica e racismo dentro da sociedade, por exemplo, que emergiram para o povo cristão no mundo em que vivem e em que eles acreditam que o Cristo encarnado está presente e ativo.
Assim como O sacramento do batismo fala em nossa incorporação na comunidade do povo de Deus, também a eucaristia é o sinal de nossa contínua participação na obra salvadora de Deus para toda a humanidade tanto para os que crêem como também para os que ainda não crêem. O batismo e a eucaristia tornam a encarnação concreta em nossas vidas, isto é, Jesus Cristo não é apenas alguém do passado, uma figura histórica que lembramos, sobre quem lemos num livro ou que ouvimos de outrem. Ele é Deus presente conosco agora. Quando entramos na estória de sua vida humana conosco por meio do culto, Ele abre o caminho a Deus para nós. Que é este ofício de culto, a Santa Eucaristia, que é tão central para a vida dos anglicanos?
Eucaristia
Meus anos de adoração na Igreja Episcopal têm-me mostrado que, na adoração, participo na comunhão e tenho comunhão com Deus através da estória de Jesus, o qual é Deus-conosco. A minha jornada como cristão anglicano tem-me levado a explorar mais profundamente como a encarnação está no centro de nossa vida e como a adoração da Igreja Episcopal nos pode ajudar a crer que é isso mesmo.
A igreja paroquial, em que comecei a aprender o sentido da Encarnação e sua relação com a adoração me permitiu a aprender alguma coisa que era muito nova para mim sobre crer em Deus. Sempre acreditei que Deus existe e tinha aceito a autoridade de Deus em minha vida assim como aceitei a autoridade de meus pais e meus professores na escola como todas as boas crianças acreditavam naqueles dias. Porém o Deus em quem tinha eu crido era uma figura masculina austera, lá em cima, o qual estabelecia regras e regulamentos que governavam a minha vida. “Ele” não era alguém com quem eu tivesse contato pessoal.
A descoberta da adoração naquela paróquia particular abriu-me um mundo novo, porque comecei ter um senso de que Deus estava presente em minha vida. Deus veio a ser alguém que se preocupava comigo de modo diferente do que meus pais se preocupavam comigo. Deus era aquele que poderia ouvir as coisas que eu não poderia contar para meus pais e amigos ou a qualquer um. Adoração na eucaristia era o meio pelo qual eu cheguei a crer em Deus, não como crer em alguma coisa sobre Deus.
Também, gradualmente, à medida que adorava a Deus por meio da celebração da eucaristia e recebia a Santa Comunhão, comecei a orar por mim mesmo, e até ocasionalmente pelos outros dum modo muito mais pessoal e sério. Comecei a orar para alguém que eu estava começando a conhecer, não como alguém sobre quem ouvia dizer. As orações “abençoa mamãe e papai” de minha infância assumiu um novo sentido à medida que comecei ter um sentido mais profundo da presença de Deus em minha vida e nas vidas dos que eu amei. Minhas orações por mim mesmo e pelos outros foram incorporados num ato mais amplo de oferenda, isto é, oferenda que era tanto a oração por mim mesmo e pelos outros bem como a ação de graças. É para isso que existe a eucaristia, isto é, segurar outros em Cristo e dar graças a Deus.
Também, comecei ter um senso do pecado e do fracasso que vai para além da travessura da infância. Comecei a perceber que o pecado não era simplesmente a transgressão de uma regra ou leis, fazer alguma coisa que meus pais me diziam não fazer ou o que os meus amigos consideravam errado. Confessar meus pecados no contexto da adoração ajudou-me a ver que o pecado envolvia a quebra de uma relação. Era falha no amor. Conseqüentemente, pouco a pouco cheguei a perceber que o perdão era alguma coisa mais do que ter um afago na cabeça e ouvir tudo está bem ou está aprovado por quem tinha importância. O perdão pedia alguma coisa de mim e comecei a aprender o sentido do arrependimento.
Numa novel muito popular, há alguns anos, um dos personagens dizia, “amar significa nunca ter que dizer desculpe-me, perdoe-me” Não estou certo do que o personagem quis dizer. Talvez, ela não conhecesse a si mesma. Mas através da eucaristia, aprendi que o amor, tanto a Deus como ao próximo exige dizer que estou arrependido. Isto significa uma dor profunda de saber que você quebrou uma relação por meio do seu pecado. O arrependimento não é bater na cabeça. É reconhecimento do fracasso do amor, é fracasso em dar e receber. A adoração me mostrou, pouco a pouco, como meu pecado, e meu fracasso em amar podem ser erguidos para dentro do amor mais profundo de Deus em Cristo. Estava sendo mostrado a mim alguma coisa de responsabilidade de dizer que tenho a dor profunda e do perdão como aceitação da responsabilidade pelo fracasso pessoal, aceitação possibilitada, porque é amado.
Como teria eu falado sobre todas essas questões, naquela época, não sei. Falo apenas sobre elas agora com a percepção tardia e com o vocabulário que cresceu com o tempo. No entanto, posso dizer com certeza que o que começou comigo na eucaristia quando jovem permaneceu comigo até aqui. À medida que continuo adorando Deus numa comunidade cristão que se reúne para a eucaristia, acredito que tenho crescido no “conhecimento e amor de Deus", de modo que as doutrinas que aprendi sobre Deus por meio do ensino da Igreja e por meio de minha leitura e estudo começaram fazer sentido. Para mim, como tem sido para muitos outros, a adoração a Deus pela celebração da eucaristia tem levado à fé e ao entendimento.
Também, descobri alguma coisa a mais, embora levasse mais tempo para aprecia-la e encontrar palavras para a expressar, aprendi que, na adoração, eu não estava apenas recebendo alguma coisa de Deus. Eu estava, também, oferecendo ou dando alguma coisa de mim para Deus em Jesus Cristo. Este foi o passo principal na descoberta de uma verdade que se tornou importante para mim, cada vez mais, à medida que caminhava com Deus, isto é, o que eu sou todas as minhas emoções complexas, conflitos, esperanças e temores tudo isso tem a ver com Deus. Ainda posso lembrar-me do impacto que isso teve sobre mim para a compreensão de que o dinheiro, o pão, o vinho trazido para o altar para a eucaristia eram a oferenda de mim mesmo para Deus. Por assim dizer, eu estava sobre o altar sendo transformado em oração eucarística. Parafraseando Agostinho de Hipona, comecei a ver que, no que oferecia, eu mesmo estava sendo oferecido. A oração eucarística do Livro de Oração Comum de 1928 que usamos naqueles dias (ainda em uso no Rito I) ensinou-me muito sobre Deus e a mim mesmo:
E aqui oferecemos e apresentamos a ti, ó Senhor, nossos corpos e almas, em sacrifício racional, vivo e santo; rogando-te humildemente que nós, bem como todos quantos participarem desta Santa Comunhão, recebamos dignamente preciosíssimo Corpo e Sangue de teu Filho Jesus Cristo, sejamos cheios de tua graça e bênção celestial e feitos um só corpo com ele, para que ele habite em nós e nós nele. (LOC antigo, p.81)
Apresentar, participar, receber e ser feito um só corpo, Isto era a celebração eucarística. Isso me levou a perceber que não só tinha de dar atenção somente a Deus, mas também tinha de dar atenção a mim mesmo. Par um jovem como eu era dar atenção para si não é muito difícil, mas dar atenção a si mesmo enquanto dá atenção a Deus exige muito trabalho.
Assim, a eucaristia foi de mão dada com 0 meu desenvolvimento emocional e intelectual. O que acontecia nos domingos de manhã na eucaristia e o que acontecia durante a semana na escola, em relação com amigos e família e na descoberta de mim mesmo gradual e até, às vezes, dolorosa, acontecia a mesma pessoa. Com freqüência, fiz o máximo esforço para deixar Deus separado lá e a mim aqui, não permitindo que a minha mão direita ficasse sabendo do que a mão esquerda fazia como estamos acostumados a dizer. Mas a eucaristia estava me empurrando para compreender que a pessoa real que era e que estava lutando para ser era a pessoa que estava em relação com Deus, isto é, eu era a pessoa que Deus amou e desejou, não alguém mais elegante, mais santo e mais puro ou mais obediente e menos levado pelo “orgulho, vaidade e presunção”, mas a mim mesmo.
Deus e eu, Deus e todos os outros seres humano como eu, oferecendo a si mesmo e sendo oferecido em Cristo. Isto é crer na Encarnação. É o que aprendi no coração e mente, à medida que a eucaristia de oferenda e de ser oferecido tornou-se a estrutura básica de minha fé e prática como cristão.
Em conseqüência do crescimento para a eucaristia, a adoração me possibilitou crer em Deus como quem posso amar, bem como quem posso conhece-lo intelectualmente. Há uma diferença considerável entre conhecer e amar, embora ambos devam ser uma coisa só, em última instância. Mas para quem como eu, que tende a intelectualizar a fé, tem sido importante ser mostrado repetidamente que a fé em Deus significa conhecer o que amamos e amamos o que conhecemos como escreveu Agostinho sobre seu próprio crescimento para Deus. A celebração eucarística mostra-me a necessidade de encontrar a unidade do amor e conhecimento. Sendo chamado para a relação pessoal com Deus santo e eterno, ficou revelado para mim que a minha crença em Deus é mais do que crer em certas proposições sobre Deus e mais do que sou capaz de imaginar sobre Deus. Como expressa o Evangelho de João, “e a Palavra se fez carne habitou entre nós e vimos a sua glória, a glória como a do unigênito Filho, cheio de graça e verdade”, (Jo 1.14). Tentei como pude e, às vezes, tentei muito, na verdade, mas não posso intelectualizar Jesus. Ele é alguém que devo continuamente buscar como a Palavra do eterno Deus e, na “carne”..
Portanto, por meio de todo esse crescimento, a adoração eucarística me propiciou a chegar ao maior conhecimento e compreensão de mim mesmo. Foi-me dado a coragem, em outras palavras, para oferecer a mim mesmo a Deus, conhecer a mim mesmo em comunhão com Deus por meio de Jesus Cristo. A palavra “coragem” não é inadequada neste ponto. Toma-se a coragem para se oferecer a Deus, pois Deus é um fogo vivo, sarça ardente, mas, no Cristo da eucaristia, aprendi que posso me oferecer porque o próprio Cristo como um ser humano como sou ofereceu a si mesmo. Não tinha de me esconder de Deus como Adão e Eva no jardim, nem me desesperar do que fui e sou. Pude ter a coragem de oferecer a mim mesmo, porque o Deus que vem a nós em Cristo me receberia e desejoso de entrar em comunhão comigo, “simplesmente como sou, sem nenhum pretexto, mas porque teu sangue foi derramado por mim" como expressa um antigo hino.
Estas duas dimensões da eucaristia, isto é, o que significa crer em Deus e ter a coragem de me oferecer a Deus, foram importantes para mim como jovem adulto. Elas se tornaram cada vez mais importante para mim como adulto. Agora eu diria que eu estava, então, aprendendo o que significa engajar-me numa forma de adoração, que surge da encarnação de Deus em Cristo, o culto, que encontra a sua fonte na encarnação, isto é, que Deus está pessoalmente conosco em tudo que acontece.
Creio que o que aconteceu a mim, na minha própria jornada com Deus, desde a adolescência para a maturidade na Igreja Episcopal aconteceu e continua acontecer para muitas pessoas que "chegam para a casa” ou encontra a casa nesta comunidade de crentes. Comecei com atração à adoração litúrgica, “odores e sinos” como costumávamos dizer. À medida que continuo nesta comunidade, tenho encontrado muito mais coisas. Descobri a vida sacramental de adoração, em que a minha vida pessoal tem sido formada entrando na estória cristã e Deus transformando a minha vida. A vida sacramental do culto está se tornando, na vida de crentes, o que a definição de Calcedônia procurou expressar em palavras sobe a encarnação: em Jesus, que é um conosco e um com Deus, somos transformados.