Afirmando a Missão, Afirmando a Identidade- Diocese Anglicana do Recife , 2002

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Afirmando a Missão, Afirmando a Identidade- Diocese Anglicana do Recife , 2002

Diocese Anglicana do Recife2002

DOCUMENTO DE ESTUDO

2002: Ano Afirmativo

Afirmando a Missão, Afirmando a Identidade


I - PRELIMINAR

Os primeiros quatro anos do presente episcopado foram norteados pelos seguintes documentos: "O Projeto de Diocese que Queremos” (João Pessoa, dez., 1996), a "Carta de Paudalho" e a "Carta Compromisso” (Maio, 1997). Com todas as lutas e dificuldades os objetivos desses documentos foram alcançados, ou estão em fase de consolidação. Em decorrência, deliberamos no último Concílio (Paripueira (AL), 2001) que dedicaríamos este ano a uma reflexão ampla e profunda, envolvendo clérigos e leigos, visando um dia de Concílio extraordinário (João Pessoa (PB), próximo dezembro), quando deveremos aprovar um Plano de Metas para os próximos anos. Durante os próximos meses deveremos aprofundar este texto preliminar.


II – REALIZAÇÕES

2.1 - Nos últimos quatro anos podemos enumerar alguns alvos alcançados:

a) Criação do Centro Diocesano, informatização e reforma do espaço físico; b) Instituição da Igreja Catedral (SS. Trindade); c) Criação do Seminário Menor (IAT); d) Reformulação dos Cânones Diocesanos; e) Ampliação do Conselho Diocesano (componentes e atribuições); f) Criação dos Arcediagados; g) Criação do Secretariado; h) Criação do Diaconato Permanente; i) Criação do Ministério Local (Sênior); j) Instituição do Ministério Leigo; k) Instituição dos Acólitos; l) Instituição dos Evangelistas; m) Reformulação da Comissão de Ministério; n) Reformulação da Junta de Capelães Examinadores; o) Reorganização do SAET, como Seminário Maior: i) Reforma do espaço físico; ii) Reforma curricular; iii) Reforma no Corpo Docente; iv) Criação do Diretório Acadêmico; v) Criação da Secretaria; vi) Aumento do número de alunos; vii) Cursos de Bacharelado, Ministerial e Atualização em Anglicanismo (em módulos). p) Saneamento financeiro e administrativo da Diocese, reformulação da Comissão de Finanças, política uniforme de cotas diocesanas (10%); q) Criação do Distrito Missionário do Amazonas (DMA), entregue com a Escola Kennedy arrendada, com solução e/ou encaminhamento das ações pendentes na justiça; r) Criação de 22 Paróquias e Missões (+ 8 pontos missionários); s) Ordenação de 36 ministros (Presbíteros e Diáconos); t) Criação da Página Diocesana na Internet; u) Intercâmbio internacional com missões e dioceses companheiras; v) Reorganização da Comissão de Direitos Humanos “Desmond Tutu"; w) Abertura de novos projetos sociais, educacionais, de intercessão, do trabalho feminino (UMEAB), juvenil, editoriais e outros; x) Eleição do Bispo Sufragâneo.

2.2 - Alguns eventos podem ser destacados:

i) Visita do Arcebispo de Cantuária, George Carey; ii) Visita do Secretário Geral da Comunhão Anglicana, Côn. John Petterson; iii) Visita do Arcebispo da Irlanda, Robert Eames; iv) Visita do Bispo Diocesano de Fredricton (Canadá), Jack Lemmon; v) Visita do Bispo Diocesano da Pensilvânia Central, Michael Creighton; vi) Visita da Bispa Sufragânea de Massachusets, Bárbara Harris; vii) Presença do Bispo Diocesano à Conferência de Lambeth; viii) Festividades do Jubileu de Prata da Diocese; ix) Instituição da Ordem de Santo Estevão e de Capítulos da Ordem de São Francisco; x) Publicação dos livros: Anglicanismo - Uma Introdução (Rev. Jorge Aquino) e Diocese - Multidão Madura (do Bispo Diocesano), boletins, textos, CD-Room com material para Primeira Eucaristia, Confirmação e Escola Bíblica Dominical; xi) Cafés e retiros do Clero e Ministros Leigos; xii) Maior presença dos quadros diocesanos nas instâncias provinciais.


III – REDIMENCIONAMENTO GEOGRÁFICO

3.1 - Com a criação dos Distritos Missionários Provinciais a Diocese Anglicana do Recife ficou reduzida aos nove (9) Estados do nordeste legal. Temos Paróquias e Missões nos Estados de: Alagoas, Bahia, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte. Estamos iniciando pontos missionários no Ceará e em Sergipe. Estamos ainda ausentes no Maranhão e Piauí.

3.2 - Tivemos a redução de 11 clérigos:

a) Diocese Anglicana de Pelotas: Revds. Marcos, Lílian; b) Diocese Anglicana do Rio de Janeiro: Rev. Stephen Taylor; c) Diocese Anglicana de São Paulo: Rev. Mitsuo Noyama; d) Diocese Meridional: Rev. Francisco de Assis; e) Distrito Missionário da Amazônia: Revds. Lobato, Nonato, Abimael, Daniel e Poçadilha; f) Igreja Episcopal Carismática: Rev. Antônio Carlos.

3.3 - Para o futuro se estuda a possibilidade de se criar:

i) Diocese Anglicana de João Pessoa ("Diocese Tabajaras"), autônoma: CE – MA –PI – PB – RN; ii) Diocese Anglicana do Salvador ("Diocese do São Francisco"), missionária: AL - BA – SE;


IV - CENÁRIO ATUAL

4.1 Afirmando a Missão:

ü Tendo a Conferência de Lambeth oficializado o conceito de Missão Integral da Igreja proposto pelo Conselho Consultivo Anglicano (ACC), que se expressa em cinco avenidas, a nós, na DAR, cabe buscar implementá-las e, principalmente, verificarmos as nossas fragilidades, procurando superá-las:

a) Evangelismo: “Proclamar o Evangelho do Reino". (Kerigma): i) Temos Paróquias e Missões sem programas ou estratégias evangelísticas, e índice reduzido anual de confirmações; ii) Temos Paróquias e Missões com alto índice anual de confirmações, mas com programas e estratégias evangelísticas com riscos de gerar adesões no lugar de conversões.

b) Edificação: “Batizar, ensinar e integrar os convertidos a uma comunidade de fé". (Didaké, Koinonia) i) Temos promovido batismos, mas, ainda, não temos deixado o batizando à vontade quanto a forma; ii) Ausência de classes ou cursos para novos convertidos, com um conteúdo básico sistemático, tem resultado em preocupante desconhecimento das doutrinas básicas da fé cristã e do manejo adequado das Sagradas Escrituras; iii) Nem sempre temos tido formas afetivas e efetivas de integração comunitária dos vários tipos de pessoa (classe, raça, nível de instrução, estado civil etc.), e o desabrochar das vocações e dons, no respeito à singularidade e privacidade dos fiéis.

c) Serviço: "Despertar no coração dos fiéis respostas de misericórdia às necessidades humanas". (Diakonia): i) Esse ensino deve ser enfatizado como essencial e não como opcional ou complementar, como evidencia da fé; ii) Não atingimos, em todas as nossas comunidades, um dos alvos propostos por este episcopado: "Nenhuma igreja sem projeto social; nenhum projeto social sem igreja". iii) Quando os projetos sociais existem, apenas uma parcela minoritária das comunidades com eles se envolvem.

d) Profetismo: "Denunciar as estruturas injustas da sociedade". i) Falta ensino bíblico, ensino histórico, programas e exemplos proféticos, que suscitem a "ira santa" nos fiéis diante de estruturas iníquas e práticas iníquas dos poderes e poderosos deste mundo; ii) Distorções teológicas, medo, interesses, vínculos familiares e de classes inibem a obediência a esse preceito bíblico; iii) Líderes temem perder ovelhas e ofertas se forem além de uma fé privatizada, subjetiva, individualista e metafísica.

e) Compromisso com a Criação: "Defesa da vida e da integridade da criação” i) O ensino bíblico de uma ecoteologia tem implicações sobre o estilo de vida (inclusive econômico) dos fiéis; ii) Temas como aborto, eutanásia, tortura, fome, cidadania, lazer, prazer, qualidade de vida, relacionados com a doutrina do mandato cultural ou mordomia cristã raramente são tratados.

ü O objetivo missionário é converter de e converter para.

ü Somos afetados pelas teologias e denominações que nos rodeiam: os fundamentalistas que reduzem a missão ao evangelismo e à edificação, deixando o serviço para os governos, e os liberais (+ teologia da libertação), que reduzem a missão ao profetismo e ao compromisso com a criação, julgando todo serviço assistencialista e paternalista.

ü O compromisso anglicano é tanto com a Grande Comissão quanto com o Grande Mandamento, tanto com o "ide" quanto com o “amai".

ü É preciso discernir as lacunas e enfrentá-las corajosamente em obediência ao Senhor, na promoção do Seu Reino.

4.2 Afirmando a Identidade:

i) O nosso compromisso bíblico é com o Evangelho e o Reino de Deus. Nossa ênfase é no novo nascimento e na sã doutrina. Como seres sociais, históricos e culturais vivemos, inevitavelmente, em organizações (Diocese), com normas (Cânones, Estatutos), autoridade (Bispo, Concílio) e uma identidade (o Anglicanismo). Devemos reconhecer a fragilidade da nossa organização, a não rotinização das normas e autoridades e o desconhecimento ou resistência às nossas marcas denominacionais. Há uma identidade ainda a ser construída. ii) A maior parte dos nossos clérigos e leigos é oriunda de outras confissões religiosas, e (consciente ou inconscientemente) trazem para o anglicanismo “saudades” do passado. De um lado Roma, do outro as igrejas da segunda, terceira, quarta e quinta reformas (que sempre atacaram a primeira reforma) com sua grama aparentemente "mais verde". Há a constante tentação de imita-las. Vive-se, tantas vezes, um “anglicanismo encabulado" ou um “anglicanismo complexado". Livros e programas de rádio e televisão, com suas teologias confundem a cabeça dos nossos fiéis. Práticas congregacionais e lideranças personalistas resistem ao modelo episcopal. iii) Uma forte presença das marcas da primeira reforma é uma necessidade urgente para o confuso e extremado quadro religioso brasileiro. Uma Diocese Anglicana e Evangélica trará um impacto no futuro da Província (IEAB) e na vida religiosa nacional.


V - UM PROGRAMA DE METAS

  1. Cada Paróquia e Missão deve estabelecer atividades evangelísticas. Confirmações todos os anos. Métodos evangelísticos diversificados e criativos a serviço do crescimento quantitativo, e cuidados com os movimentos com místicas e lealdades próprias a-denominacionais. As atividades evangeliíticas devem transmitir o Plano de Salvação, e conduzir ao novo nascimento, à conversão e não apenas à adesão.
  2. Cada Paróquia e Missão deve estar sempre envolvida na abertura de novos pontos missionários, com o apoio da liderança leiga e dos seminaristas. Lançar mão da nova figura canônica de evangelista.
  3. Cada Paróquia e Missão deve estabelecer programas de doutrinação, fortalecendo a Escola Bíblica Dominical para todas as idades, cursos temáticos, conferências e grupos de discipulado, tendo como base teológica as doutrinas contidas nos Credos Apostólico e Niceno, nos XXXIX Artigos de Religião e nos pontos convergentes das Confissões de Fé da Reforma do século XVI. Deve-se enfatizar o conhecimento das Sagradas Escrituras e a maneira anglicana de sua leitura (à luz da Tradição, Razão e Experiência); o conhecimento doutrinário não deve se resumir ao acúmulo de novas informações, mas à formação do novo temperamento, do novo caráter e da ética do Reino (novas criaturas, santificação, cristificação).
  4. Cada Paróquia e Missão deve estabelecer programas de ação social, emergenciais, assistenciais e de promoção humana, como expressão concreta do amor cristão, procurando minorar o sofrimento espiritual, emocional e físico do nosso próximo. Expor nossas comunidades ao ensino social das Escrituras e da História da Igreja, gerando pessoas misericordiosas.
  5. Cada Paróquia e Missão deve ensinar, a partir da doutrina da Criação, da santidade da vida, e do mandato cultural (mordomia da criação) o compromisso cristão da promoção histórica possível de sinais do Reino de Deus, que passa por uma cidadania responsável, e a defesa dos direitos humanos e do ecossistema. Os anglicanos, com séculos de ensino social, não podem compartilhar (desobedecendo as Sagradas Escrituras) da alienação ou do reacionarismo de outros grupos religiosos. Documentos da Conferência de Lambeth e do Conselho Consultivo Anglicano (ACC) devem ser estudados pelos líderes e ensinados ao conjunto dos fiéis.
  6. As atividades locais devem ser feitas visando a ação regional (arcediagados) e eclesial (diocese). Fortalecer os arcediagados e as secretarias diocesanas segundo dispõem os Cânones Diocesanos aprovados em Concílio.
  7. Realização anual de reuniões de líderes e da assembléia do Povo de Deus em cada Arcediagado, visando a fraternidade e a ação conjunta. Ação dos arcediagos como primeira instância pastoral regional da Diocese.
  8. Criação em todas as Paróquias e Missões de núcleos da UMEAB.
  9. A partir de núcleos já existentes, criar a nível diocesano a UHEAB (União de Homens Episcopais Anglicanos). Criação de uma secretaria do trabalho masculino.
  10. Fortalecimento e expansão do movimento diocesano de juventude.
  11. Realização anual de Encontros Diocesanos de cada secretaria. Fortalecimento e participação do laicato.
  12. Campanha permanente de despertamento vocacional. Fortalecimento do SAET como espaço de preparação do clero e do IAT como espaço de preparação dos leigos.
  13. Manutenção em dia do pagamento das cotas diocesanas.
  14. Ensino sobre Anglicanismo (História, Doutrina, Governo, Teologia, Liturgia etc.) em classes e grupos de novos convertidos, escola dominical, boletins, e nas atividades rotineiras das Paróquias e Missões, procurando construir uma identidade. Aproximação dos bispos com as comunidades (visitação episcopal e outros contatos), como pastores da Diocese. Implementação do papel histórico da Igreja Catedral como cátedra simbólica e docente dos bispos.
  15. Fortalecimento dos cafés e mini-retiros do clero como ocasiões de estudo, troca de idéias e fortalecimento dos laços de afeição.
  16. Promover a circulação de idéias por meio de boletins paroquiais, de secretarias, da página eletrônica, estimulando a criatividade, a relação da fé com a realidade, dentro do marco de uma “inclusividade com princípios", e do respeito mútuo.
  17. Promover uma consciência participativa, a nível paroquial, arcediagal e diocesano, na vida da Província, no intercâmbio anglicano internacional, em eventos ecumênicos, no diálogo inter-religioso e em ações governamentais e não-governamentais que visem o Bem-Comum.
  18. Dinamização dos Concílios como o grande Fórum e espaço de confraternização da comunidade diocesana, não só com a presença dos delegados clericais e laicos, mas do maior número de observadores dentre os nossos líderes.
  19. Comunicação ao Sínodo de 2003 e oficialização no Sínodo de 2006 da criação da Diocese Anglicana de João Pessoa ("Diocese Tabajara"), autônoma, incluindo os Estados do CE, PI, PB, MA e RN.
  20. Estudos preliminares da criação da Diocese Anglicana do Salvador ("Diocese do São Francisco"), missionária, formada pelos Estados de AL, BA e SE. À Diocese Anglicana do Recife (“mãe e mestra") caberia hospedar o Seminário regional e encetar a sua “marcha para o Oeste" (Recife-Petrolina).

VI - CONCLUSÕES

Este texto preliminar deverá circular por todos os segmentos da Diocese, ser estudado e aperfeiçoado até a redação final no próximo Concílio. Vamos construir juntos a nossa Diocese Anglicana do Recife, “Afirmando a Missão. Afirmando a Identidade".

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