O Estandarte Christão - 08/1896

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O Estandarte Christão - 08/1896

Revd. Americo V CabralRevd. Wm. Cabell BrownRevd. Lucien Lee Kinsolving1896

O ESTANDARTE CHRISTÃO

ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

VOL. IV

Assignatura: POR ANNO. $000

EXPEDIENTE

Toda a correspondencia deve-se dirigir á CAIXA DO CORREIO, N. 47 O escriptorio da redacção acha-se na casa n. 95, rua Yatahy.

REDACTORES: Revd. Wm. Cabell Brown Revd. Americo V. Cabral Revd, Lucien Lee Kinsolving

N'esta redacção dão-se todas as informações sobre tratados, e pu- blicações evangelicas. Todas as pes- soas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal dar-se-hão ao en- commodo de nos remetter seu en- dereço, que serão immediatamente attendidas. Os pagamentos poderão ser feitos sobretudo, por pelo correio

RELAÇÃO DAS EGREJAS

A capella da Trindade

Rua dos Voluntarios da Patria n. 386 Porto Alegre Fastor: Rev. James W. Morris Nos Estados Unidos Junta Parochial: Raymundo José Pereira 1º Guardião. Alberto Wood 2º guardião. Bruno Mareco Thesoureiro. Carlos Hardegger Secretario. João Leirias

A capella do Bom Pastor

Rua Riachuelo n. 126 Porto Alegre Pastor Rev. W C. Brown Residencia Rua Garibaldi Diacono: Rev. V Brande. CAIXA DO CORREIO, N. 5 Junta Parochial: Antonio P. da Silva Thesoureiro Pinto do Leão 1° guardião José P. S. Norte 2º guardião.

A capella do Calvario

Rio dos Sinos Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga Junta Parochial: André Machado Fraga 1º guardião. Maurilio M. de Moraes Sarmento 2º guardião Ernesto Gomes P. Bastos Thesoureiro Affonso Antunes da Cunha Secretario João Francisco de Souza Lucas M. de M. Sarmento. Galdino Antonio de Souza Antonio Prates de M. Sarmento Antonio Machado de M. Sarmento Firmino Prates de M. Sarmento João Prases de M. Sarmento

A capella da Resurreição

Congregação ainda não organi- sada.

A capella do Redemptor

Rua Felix da Cunha n. 61 Pelotas Pastor: Rev. John G. Meem CAIXA DO CORREIO N. 64 Junta Parochial: Manoel G. de Castro 1º guardião Pedro d'Alcantara 2º guardião Alberto Jarrys Thesoureiro Feliciano d'Oliveira Registrador Raphael A. dos Santos Belmiro F. da Silva Joaquim A. Froes Trajano de Moraes Ribeiro

Capella do Espirito Santo

Boa Vista Municipio de Pelotas Congregação ainda não orga- nisada.

A Capella do Salvador

Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villet Rio Grande Pastor: Rev. L. L. Kinsolving Residencia: 147 Rua Yatahy, n. 95 CAIXA DO CORREIO N. 47 Junta Parochial: Ernesto Alves de Castro Thesoureiro Angelo Catalane 1º guardião Antonio Alves Pinto 2º guardião João Vicente Romeu Secretario Antonio Gazzineo João Leonardo Germano. John Gay

A Capella da Graça

Viamão Pastor: Rev. Americo V. Cabral José Luiz Ferreira Secretario José de Deus Rosa. Thesoureiro Amaro Pinto de Oliveira,


Factos indiscutiveis

Principiamos hoje a publicar um estudo social comparativo en- tre o progresso das nações que adoptaram o protestantismo e aquellas que seguem a religião Catholica Romana.

Este trabalho recommenda-se, ser baseado em factos incontestaveis e conheci- dos por todos os que estudam um pouco a historia contemporanea, ou melhor ainda, por aquelles que teem visitado os lugares citados. O seu auctor, o Sr. Emilio La- veleye, correspondente do Insti- tuto de França, é tão conhecido, que se torna desnecessario dizer o valor que se dá ás obras assig- nadas com o seu nome. Esta pu- blicação do sabio professor de Liege tem uma importancia con- sideravel, pois que trata de um dos mais graves assumptos que pódem preoccupar a opinião pu- blica em nosso paiz. As palavras do Sr. de Laveleye são sérias, mas estranhas ao espi- rito de partido, porque veem de um sábio cujas obras fazem auto- ridade. Se julga com severidade o Ul- tramontanismo, declarando-o um perigo social, nem por isso deve- mos consideral-o como sob a in- fluencia de um odio sectario, pois que é cathelico e um dos mais es- timados e honrados chefes do par- tido liberal na Belgica. Julgamos, portanto, a publica- ção deste trabalho, de grande va- lor para a causa que defendemos, e assim o recommendamos aos nossos leitores para que o leiam com a maxima attenção.


Reforma dos costumes

II

A formação d'um caracter rec- to e são, é o primeiro passo im- portante para uma efficaz refor- ma dos cost imes. Sentimos dizel-o, que salvo as honrosas excepções, é a elevação do caracter um assumpto que não tem merecido bastante attenção de parte do nosso povo. Provam sobejamente esta nossa asserção, os innumeros exemplos, que dia a dia presenciamos e cuja reproducção devemosevitar quan- to antes. E' facto indiscutivel que uma nação, onde a educação moral for descuidada, ha de forçosamente tornar-se atrazada e pobre, porque é necessario que o cidadão seja dotado de um caracter elevado para bem comprehender os altos dictames de integridade e de mo- ral, capazes de fazer prospera qualquer instituição, qualquer nação onde os cidadãos os ponham em pratica.

O orador falla em igualdade catholica, Egreja », « Evan- gelho », Religião Christă », Catholicismo, porém não acha- mos na reproducção da sexta con- ferencia dito uma unica vez A Egreja Romana. >> De duas uma. Ou o orador pretende dar sómente à sua seita uma denominação que compete ao todo, ao Christianismo Universal, ou então o orador, fiel aos dictames da razão, não quiz excluir da Obra do Evangelho o numeroso corpo das egrejas dissidentes. As referencias que S. Ex. Rev. conhecidas faz mais adiante ao protestantis- mo, nos levam a crêr que o velho systema de insinuar aos ignoran- tes que a egreja de Roma é a uni- ca egreja catholica, foi por S, Ex. usado com cautelosa destre- za. Porém, caro Dr., é preciso admittir que os tempos, em que essa insinuação que condemna tantas vidas piedosas do protes- tantismo com a marca da heresia, já vão passando. O povo já se vai cançando de receber tudo de segunda mão, e quer examinar por si mesmo. O Evangelho é uma herança universal, não pode ser o privile- gio de uma seita O trabalho da evangelisação iniciado por nossa Egreja, começa a estender-se, e não está longe o dia em que novos campos recla- marão novos trabalhadores. Onde houver fieis ao Evange- lho, seja qual for sua denomina- ção, ahi está a Egreja de Deus. A catholicidade de uma egreja não está adstricta a lugares, nem a tempos. A Egreja militante aqui neste mundo, por isso mesmo que é des- te mundo, é susceptivel de cor- rupção e de reforma. Admittido este principio, a pre- tenção que Roma nutre de ser a unica Egreja Catholica, por sua antiguidade e tradicções, preten- ção que se traduz na excommu- nhão de todo o immenso gremio das outras egrejas, é uma pre- tenção que já não supporta a luz dos tempos que correm, tempos em que já o povo conquistou a li- berdade de examinar por si mesmo estas questões. Como se harmonisam as pala- vras que o orador proferio sobre igualdade, com praticas da Egreja de Roma ? A recusa que muitas vezes a Egreja de Roma tem mostrado para sepultar os mortos em terre- no sagrado, o facto ultimamente acontecido com o Grão-Mestre da Maçonaria Brazileira, tudo isso muito depõe contra as affirmações do orador ácerca de igualdade na Egreja de Roma. Não teremos nada a perder por Abjurações S. Desligou-se da egreja catholica e filiou-se ao christianismo dissi- dente em Roma, o Rev. Dr. Fe- lippe de Lorenzi. Semelhante facto, aliás inespe- rado, produziu certa sensação, um pouco semelhante a que se deu por occasião de proceder de modo identico o ex-conego Campello. Seguio-se com a palavra o Sr. F. G. Schmidt que tomou como thema para seu discurso o mis- sionario-, exaltando os serviços que elle presta ás nações, quando representante de uma religião Rio-Grandense, cuja missão bem males presentes em nossa patria. importante, de diffundir a ins- Não basta, porém, clarameute trucção, será devidamente re- dizer isto é preciso ainda que compensada pelos brilhantes re- cada um com seu exemplo, com sultado de seus esforços. suas acções nobres, mostre aos seus proximos o valor inestimavel d'um caracter elevado, e a neces- sidade palpitante d'uma regene- ração, d'uma reforma de costu- mes, que será a unica cousa que evitarà o cahirmos no abysmo da desgraça è da miseria. Para a formação d'um bom ca- racter ha a grande esoola da familia. Sobre este assumpto constituiremos o nosso proximo artigo. Ao terminar, por hoje, estas li- nhas, queremos dizer que embora seja o lar domestico uma esco- la, si ahi não forem praticados os sábios ensinos do Grande Mes- tre Jesus Christo, será uma d'es- sas escolas imperfeitas, porque onde não houver o amor e o temor de Deus, como póde haver o amor e o respeito para com os nossog semelhantes? F. G. S.


A 6ª conferencia do Dr. Julio Maria,

em Porto Alegre II

Reportando-nos ainda á repro- ducção stenographica da 6ª con- ferencia, publicada no Jornal do Commercio de 18 de Junho, não podemos deixar de notar o se- guinte trecho logo após ao que ficou considerado em o primeiro artigo O orador mostra tambem que não ha nem póde haver maior igualdade do que a igualdade catholica, que sujeita todos os ri- cos e pobres, grandes e pequenos ao mesmo Deus, reúne as orações de todos no mesmo templo, tem. para todos o mesmo symbolo, os mesmos sacramentos e as mes- mas obrigações moraes. A este respeito precisamos fa- zer uma consideração prelimi- nar. O orador falla em igualdade catholica, Egreja », « Evan- gelho », Religião Christă », Catholicismo, porém não acha- mos na reproducção da sexta con- ferencia dito uma unica vez A Egreja Romana. >> De duas uma. Ou o orador pretende dar sómente à sua seita uma denominação que compete ao todo, ao Christianismo Universal, ou então o orador, fiel aos dictames da razão, não quiz excluir da Obra do Evangelho o numeroso corpo das egrejas dissidentes. As referencias que S. Ex. Rev. conhecidas faz mais adiante ao protestantis- mo, nos levam a crêr que o velho systema de insinuar aos ignoran- tes que a egreja de Roma é a uni- ca egreja catholica, foi por S, Ex. usado com cautelosa destre- za. Porém, caro Dr., é preciso admittir que os tempos, em que essa insinuação que condemna tantas vidas piedosas do protes- tantismo com a marca da heresia, já vão passando. O povo já se vai cançando de receber tudo de segunda mão, e quer examinar por si mesmo. O Evangelho é uma herança universal, não pode ser o privile- gio de uma seita O trabalho da evangelisação iniciado por nossa Egreja, começa a estender-se, e não está longe o dia em que novos campos recla- marão novos trabalhadores. Onde houver fieis ao Evange- lho, seja qual for sua denomina- ção, ahi está a Egreja de Deus. A catholicidade de uma egreja não está adstricta a lugares, nem a tempos. A Egreja militante aqui neste mundo, por isso mesmo que é des- te mundo, é susceptivel de cor- rupção e de reforma. Admittido este principio, a pre- tenção que Roma nutre de ser a unica Egreja Catholica, por sua antiguidade e tradicções, preten- ção que se traduz na excommu- nhão de todo o immenso gremio das outras egrejas, é uma pre- tenção que já não supporta a luz dos tempos que correm, tempos em que já o povo conquistou a li- berdade de examinar por si mesmo estas questões. Como se harmonisam as pala- vras que o orador proferio sobre igualdade, com praticas da Egreja de Roma ? A recusa que muitas vezes a Egreja de Roma tem mostrado para sepultar os mortos em terre- no sagrado, o facto ultimamente acontecido com o Grão-Mestre da Maçonaria Brazileira, tudo isso muito depõe contra as affirmações do orador ácerca de igualdade na Egreja de Roma. Não teremos nada a perder por Abjurações S. Desligou-se da egreja catholica e filiou-se ao christianismo dissi- dente em Roma, o Rev. Dr. Fe- lippe de Lorenzi. Semelhante facto, aliás inespe- rado, produziu certa sensação, um pouco semelhante a que se deu por occasião de proceder de modo identico o ex-conego Campello. Seguio-se com a palavra o Sr. F. G. Schmidt que tomou como thema para seu discurso o mis- sionario-, exaltando os serviços que elle presta ás nações, quando representante de uma religião << A prosperidade de uma nação depende mais do numero de seus cidadãos cultos, de boa educação, illustrados e de CARACTER, do que da importancia de suas ren- das, da perfeição de suas fortifi- cações ou da belleza de seus monu- mentos; n'aquelles funda-se o seu verdadeiro interesse, a sua força principal, o seu poder real. >>> Não é necessario dizer-vos que estas palavras do reformador en- cerram uma grande verdade. Como patriotas, sentimos, ao presenciar o actual estado de cou- sas entre nós. E' tempo irmãos de trabalharmos em pról do fu- turo patrio, em pról d'uma rege- neração. Mas como esperar a efficacia de nossos esforços? Por escrever estirados artigos cheios de rhetorica, cheios de ar- dentes desejos, sómente? Não ! Digamos claramente que a ele- vação do caracter, como passo pre- liminar para a reforma dos costu- mes, é o remedio seguro para os


O ESTANDARTE CHRISTÃO

UM SEMINARIO

O amarrava. Um appello fazemos tambem aos algum, tendo sido cortada a cor- bræck, notavel jesuita allemão e Voltou à ao conjuncto de individuos que, autor do Der Hirchenstaat e a conterraneos para que sigam a da que einen Protestanten; Christo. villa e vendo que Henrique já muito embora separados por di- visões secundarias, concordam Entre as varias lacunas que nos requisitos essenciaes e indis- merecem nossa attenção, destaca- pensaveis do Christianismo; ou se a da fundação d'um seminario. a Para muitos não será de accor- Passaram-se annos e George da razão, não quiz excluir da pezares, tornou-se um homem crescido, Obra do Evangelho o numeroso cheio de amor para com Deus, corpo das egrejas dissidentes. porque nunca esqueceu-se d'aquel- As referencias que S. Ex. Rev. la hora de perigo, e muitas vezes conhecidas fallava d'ella como uma prova de faz mais adiante ao protestantis- que Deus ouve as orações de seu mo, nos levam a crêr que o velho povo. systema de insinuar aos ignoran- Porém, nunca pensava que sua tes que a egreja de Roma é a uni- fé firme e palavras fervorosas se- ca egreja catholica, foi por S, riamente. Ex. usado com cautelosa destre- Porém, nunca pensava que sua za. Porém, caro Dr., é preciso fé firme e palavras fervorosas se- admittir que os tempos, em que riamente. essa insinuação que condemna tantas vidas piedosas do protes- tantismo com a marca da heresia, já vão passando. O povo já se vai cançando de receber tudo de segunda mão, e quer examinar por si mesmo. O Evangelho é uma herança universal, não pode ser o privile- gio de uma seita O trabalho da evangelisação iniciado por nossa Egreja, começa a estender-se, e não está longe o dia em que novos campos recla- marão novos trabalhadores. Onde houver fieis ao Evange- lho, seja qual for sua denomina- ção, ahi está a Egreja de Deus. A catholicidade de uma egreja não está adstricta a lugares, nem a tempos. A Egreja militante aqui neste mundo, por isso mesmo que é des- te mundo, é susceptivel de cor- rupção e de reforma. Admittido este principio, a pre- tenção que Roma nutre de ser a unica Egreja Catholica, por sua antiguidade e tradicções, preten- ção que se traduz na excommu- nhão de todo o immenso gremio das outras egrejas, é uma pre- tenção que já não supporta a luz dos tempos que correm, tempos em que já o povo conquistou a li- berdade de examinar por si mesmo estas questões. Como se harmonisam as pala- vras que o orador proferio sobre igualdade, com praticas da Egreja de Roma ? A recusa que muitas vezes a Egreja de Roma tem mostrado para sepultar os mortos em terre- no sagrado, o facto ultimamente acontecido com o Grão-Mestre da Maçonaria Brazileira, tudo isso muito depõe contra as affirmações do orador ácerca de igualdade na Egreja de Roma. Não teremos nada a perder por Abjurações S. Desligou-se da egreja catholica e filiou-se ao christianismo dissi- dente em Roma, o Rev. Dr. Fe- lippe de Lorenzi. Semelhante facto, aliás inespe- rado, produziu certa sensação, um pouco semelhante a que se deu por occasião de proceder de modo identico o ex-conego Campello. Seguio-se com a palavra o Sr. F. G. Schmidt que tomou como thema para seu discurso o mis- sionario-, exaltando os serviços que elle presta ás nações, quando representante de uma religião Briefe an André Bascos y Font, pregador hespanhol; Lazaro de Freitas, capellão da Sé do Funchal; Paulé Roland, redemptorista francez; frei Fernando Pego, commissario dos capuchinhos na Venezuela; Vanoli, missionario em Constanti- nopla; A. Lambert, redemptoris ta belga. Uns allegaram as divergencias no modo de inter- pretar a biblia e outros, motivos politicos, como o conde de Hoens- bræck. Os Revrs. Kinsolving e Brown Manda a justiça, e deve cum- prir-se a imperativa ordem, de- clarar-se que o reverendo pres- bytero L. L. Kinsolving muito fez em pról da Egreja Evangelica, n'esta cidade. Um seminario seria incontesta- velmente um passo importantissi- mo, seria um avanço enorme e cooperaria fortemente para o maior progresso da nossa Egreja no Brazil. Mas ha ainda outra objecção que muitos acham. Onde estão os moços? Onde os candidatos ao ministerio? São muito poucos, é verdade; mas, esse pequeno numero ha de augmentar logo que o seminario esteja em via de realisação. Temos esperança que o Senhor enviará. trabalhadores à sua co- missão, e desde que nos esforcemos, Elle nas ajudará certamente. Augmentou o numero de fieis que vieram a nós e em nossa com- panhia seguem o Redemptor. Praticou a caridade, modesta- mente, occultamente. Mas a violeta tambem é modes- ta e occulta-se sob a propria fo- lhagem para que não a vejam. Seu perfume a denuncia, entre- tanto; seu perfume evola-se das pequeninas pétalas e é a delicada flor colhida pela virgem que en- feita-se com ella. Assim tambem, a Caridade rasga o véo em que tentaram envolvel-a e vae oscu- lar a fronte do bemfeitor, apezar de sua modestia d'elle, que é aliás apreciada virtude. O reverendo Kinsolving, ausen- tando-se do seio dos seus irmãos Theita; o Senhor deparará » e desde que nos esforcemos, Elle nas ajudará certamente. Oxalá sirvam estas linhas sim- ples, de algum incentivo para a realisação de uma ideia tão gran- diosa. Como dissemos acima, ao me- tãos. Nas férias visitaram as suas riam meios para trazer á salvação o homem que queria matal-o. Este miseravel, tendo-se dado a uma vida peccaminosa, tornou- se cada vez peior, e afinal achou- se n'uma celula da cadêa senten- ciado ao exilio de sua patria por toda a vida. Um dia, o capellão da cadeia que o visitava frequentemente, com o desejo de offerecer a luz do Evangelho ao seu entendimento obscuro e coração desesperado, es- tava lendo a epistola de São Thia- go e chegou ás palavras: A ora- ção do justo, sendo fervorosa, póde muito. >>> << Ah, exclamou o pobre homem, uma luz de repente brilhando em seus olhos, se elle pudesse vir e fazer oração por mim, talvez hou- vesse esperança ! >> << De quem falla? perguntou o capellão?. Do moço que eu queria ma- tar no matto, mas por causa da oração que offereceu, achei-me sem coragem a fazel-o. >> E contou toda a historia ao ca- pellão e disse: <<< Nunca esqueci-me d'aquelle mocinho e do modo com que olhou para os céos, como se estivesse certo que suas orações eram ouvi- das. Julgais que elle viria cả, se The pedisseis? Sei onde mora, se quizerdes escrever para elle. >>> De certo o capellão escreveu, e de certo George obedeceu à cha- mada, embora lhe causasse sur- preza. Ficou algum tempo na cidade, e diariamente visitou e fez oração com o miseravel ladrão; pouco a pouco a luz penetrou em su'alma, e elle deu evidencia de uma ver- dadeira mudança de coração. Suas ultimas palavras a George que o acompanhou a bordo do na- vio, foram: << Sei que mereci a morte, e só espero que a minha vida seja uma vida renovada pela graça de Deus, por meio de Jesus Christo, que não quer a morte do impio, mas sim que o impio se converta e viva. > Devemos notar que a Escola Dominical principiará d'ora em dianto ás 9 1/2 horas em ponto. Por nossa parte declaramos: Fazemos votos pela sempre cres- cente prosperidade da Bibliotheca Rio-Grandense, cuja missão bem importante, de diffundir a ins- trucção, será devidamente re- compensada pelos brilhantes re- sultado de seus esforços. A formação d'um caracter rec- to e são, é o primeiro passo im- portante para uma efficaz refor- ma dos cost imes. Sentimos dizel-o, que salvo as honrosas excepções, é a elevação do caracter um assumpto que não tem merecido bastante attenção de parte do nosso povo. Provam sobejamente esta nossa asserção, os innumeros exemplos, que dia a dia presenciamos e cuja reproducção devemosevitar quan- to antes. E' facto indiscutivel que uma nação, onde a educação moral for descuidada, ha de forçosamente tornar-se atrazada e pobre, porque é necessario que o cidadão seja dotado de um caracter elevado para bem comprehender os altos dictames de integridade e de mo- ral, capazes de fazer prospera qualquer instituição, qualquer nação onde os cidadãos os ponham em pratica. O orador falla em igualdade catholica, Egreja », « Evan- gelho », Religião Christă », Catholicismo, porém não acha- mos na reproducção da sexta con- ferencia dito uma unica vez A Egreja Romana. >> De duas uma. Ou o orador pretende dar sómente à sua seita uma denominação que compete ao todo, ao Christianismo Universal, ou então o orador, fiel aos dictames da razão, não quiz excluir da Obra do Evangelho o numeroso corpo das egrejas dissidentes. As referencias que S. Ex. Rev. conhecidas faz mais adiante ao protestantis- mo, nos levam a crêr que o velho systema de insinuar aos ignoran- tes que a egreja de Roma é a uni- ca egreja catholica, foi por S, Ex. usado com cautelosa destre- za. Porém, caro Dr., é preciso admittir que os tempos, em que essa insinuação que condemna tantas vidas piedosas do protes- tantismo com a marca da heresia, já vão passando. O povo já se vai cançando de receber tudo de segunda mão, e quer examinar por si mesmo. O Evangelho é uma herança universal, não pode ser o privile- gio de uma seita O trabalho da evangelisação iniciado por nossa Egreja, começa a estender-se, e não está longe o dia em que novos campos recla- marão novos trabalhadores. Onde houver fieis ao Evange- lho, seja qual for sua denomina- ção, ahi está a Egreja de Deus. A catholicidade de uma egreja não está adstricta a lugares, nem a tempos. A Egreja militante aqui neste mundo, por isso mesmo que é des- te mundo, é susceptivel de cor- rupção e de reforma. Admittido este principio, a pre- tenção que Roma nutre de ser a unica Egreja Catholica, por sua antiguidade e tradicções, preten- ção que se traduz na excommu- nhão de todo o immenso gremio das outras egrejas, é uma pre- tenção que já não supporta a luz dos tempos que correm, tempos em que já o povo conquistou a li- berdade de examinar por si mesmo estas questões. Como se harmonisam as pala- vras que o orador proferio sobre igualdade, com praticas da Egreja de Roma ? A recusa que muitas vezes a Egreja de Roma tem mostrado para sepultar os mortos em terre- no sagrado, o facto ultimamente acontecido com o Grão-Mestre da Maçonaria Brazileira, tudo isso muito depõe contra as affirmações do orador ácerca de igualdade na Egreja de Roma. Não teremos nada a perder por Abjurações S. Desligou-se da egreja catholica e filiou-se ao christianismo dissi- dente em Roma, o Rev. Dr. Fe- lippe de Lorenzi. Semelhante facto, aliás inespe- rado, produziu certa sensação, um pouco semelhante a que se deu por occasião de proceder de modo identico o ex-conego Campello. Seguio-se com a palavra o Sr. F. G. Schmidt que tomou como thema para seu discurso o mis- sionario-, exaltando os serviços que elle presta ás nações, quando representante de uma religião George Payne e Henrique Lin- ten eram pensionistas do mesmo collegio, e amigos de muito tem- po, porque vieram da mesma al- deia e ambos tinham paes chris- tãos. Manda a justiça, e deve cum- prir-se a imperativa ordem, de- clarar-se que o reverendo pres- bytero L. L. Kinsolving muito fez em pról da Egreja Evangelica, n'esta cidade. Um seminario seria incontesta- velmente um passo importantissi- mo, seria um avanço enorme e cooperaria fortemente para o maior progresso da nossa Egreja no Brazil. Mas ha ainda outra objecção que muitos acham. Onde estão os moços? Onde os candidatos ao ministerio? São muito poucos, é verdade; mas, esse pequeno numero ha de augmentar logo que o seminario esteja em via de realisação. Temos esperança que o Senhor enviará. trabalhadores à sua co- missão, e desde que nos esforcemos, Elle nas ajudará certamente. Augmentou o numero de fieis que vieram a nós e em nossa com- panhia seguem o Redemptor. Praticou a caridade, modesta- mente, occultamente. Mas a violeta tambem é modes- ta e occulta-se sob a propria fo- lhagem para que não a vejam. Seu perfume a denuncia, entre- tanto; seu perfume evola-se das pequeninas pétalas e é a delicada flor colhida pela virgem que en- feita-se com ella. Assim tambem, a Caridade rasga o véo em que tentaram envolvel-a e vae oscu- lar a fronte do bemfeitor, apezar de sua modestia d'elle, que é aliás apreciada virtude. O reverendo Kinsolving, ausen- tando-se do seio dos seus irmãos Theita; o Senhor deparará » e desde que nos esforcemos, Elle nas ajudará certamente. Oxalá sirvam estas linhas sim- ples, de algum incentivo para a realisação de uma ideia tão gran- diosa. Como dissemos acima, ao me- tãos. Nas férias visitaram as suas casas, e agora estavam voltando à escola a pé, porque a estrada de ferro ainda não tinha penetrado no seu districto. Porém, eram moços e vigoro- sos, e conversando entre si, cami- nharam ligeiramente. Chegaram a uma villa, oude Henrique tinha um recado a dar por seu pae, e emquanto elle pa- rou, George foi adiante esperando que seu amigo logo o alcançasse. Comtudo, Henrique demorou e George indo sem pensar tomou um caminho errado que o guiou para um bosque, e antes que pudesse determinar se seria melhor conti- nuar por meio do bosque, ou vol- tar. tres homens, armados com paos grossos, atacaram-no e o le- varam para a sombra das arvores. Alli tiraram d'elle seu dinheiro e sua mala, e depois de atarem- no seguramente a uma arvore, o deixaram. George

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