ANGLICANISMO EM MISSÃO
ANGLICANISMO EM MISSÃO
ANGLICANISMO EM MISSÃO
Balanço de um Episcopado
Rev. Côn. Washington Franco, OSE
Como amigo e admirador de longa data, tive a honra, muito antes do Concílio de junho de 97, de sugerir o nome do então rev. Robinson Cavalcanti para suceder Dom Clóvis E. Rodrigues como bispo do Recife. Juntamente com o Rev. Miguel Uchoa, formalizamos essa indicação no processo Sucessório, posteriormente apoiados pelos Rev. Souza e Revm. Paulo Garcia. Votei em seu nome em todos os escrutíneos.
Assim o fiz, movido pela visão do momento histórico que estávamos vivendo, e pelas qualidades daquele indicado para responder aos inúmeros desafios da nova Diocese. Estava convencido de que necessitávamos fazer uma travessia segura em direção à construção de uma verdadeira Diocese, de uma identidade Anglicana, e de um dinamismo carismático do nosso povo.
Participei da elaboração coletiva do “Pacto de Paudálho", para vê-lo fielmente cumprido por nosso bispo, bem como sua adicional “Carta Compromisso”. Não podemos minimizar a sua sinceridade e transparência, sintetizados nas palavras proferidas quando de sua sagração: “Chego com a única biografia e a única biografia que tenho, e não se esqueçam do que escrevi".
Testemunhamos a montagem de sua equipe, e como ela foi sendo ampliada e aperfeiçoada. Todo um legado de problemas nas áreas administrativas, legais e financeiros foram sendo enfrentados com êxito.
Nossos Cânones Diocesanos foram redigidos. O Secretariado e os Arcediagos foram implantados. Os seminários reorganizados e ampliados. O Ministério Leigo instituído, bem como o Diaconato Permanente e o Ministério Local (Sênior). Novas paróquias e missões foram organizadas. Dezenas de novos diáconos e presbíteros foram ordenados, sem discriminação e correntes dentro do Anglicanismo..
Instruções Normativas do bispo preencheram lacunas e emitiram seguras orientações quanto a vocações e ordenações, a liturgia e os símbolos, as relações ecumênicas, e ética e disciplinas, e outros temas relevantes.
As ações sociais e os direitos humanos foram apoiados.
Ordens Religiosas foram estabelicidas.
Os órgãos colegiados (concílios, comissões, juntas) trabalham com autonomia.
Vive-se sem sombra de dívidas, um episcopado participativo, ministros e leigos têm facil acesso ao bispo, levando suas reivindicações e sugestões.
Creio que a presença entre nós do Arcebispo de Cantuária, do secretário geral do ACC, do Arcebispo da Irlanda, da bispa sufragânea de Massachussets, bem como os convênios com Fredericton, Boston e Pensilvânia Central, além da presença do nosso bispo em vários eventos internacionais, atestam a valorização da nossa diocese no conjunto do anglicanismo.
Apesar desse intenso e profícuo trabalho e da valoroza atuação dos seus colaboradores, todos nós sabemos que o bispo Robinson tem-se gastado (inclusiva em termos de saúde) em virtude de incompreenções, falta de apoio, oposições inexplicáveis e críticas injustificadas, apenas reveladoras de um espírito de rebeldia, lamentavelmente ainda presentes em setores minoritários de nossas lideranças.
O bispo apenas cumpre seu dever quando enfatiza a necessidade de maior cultura bíblica, doutrinária e denominacional dos nossos eclesianos, a necessidade de fiel observância dos nossos cânones e da nossa liturgia, do nosso ethos e do modo anglicano de fazer teologia, a necessidade de implantarmos as reflexões e recomendações de Lambeth no que diz respeito à ética pessoal e social.
O que leva, então, pessoas a reagirem a essas recomendações, bem como ao urgente e necessário disciplinamento dos nossos movimentos de evangelização, aperfeiçoando-os e corrigindo os seus excessos ou distorções?
Às rebeldias, conspirações e acusações, o nosso bispo tem respondido com trabalho, firmeza de idéias, um projeto de igreja, uma concepção de missão integral, uma resistência aos extremismos e à importação de ensinos e práticas alheias ao anglicanismo, com o respeito à individualidade, à privacidade e a inclusividade.
Em três anos a nossa diocese mudou. Quem teria o desplante de negar que ela mudou para melhor, e que poderia ter avançado muito mais se houvesse mais unidade entre nós e maior apoio à orientação do nosso Pastor?
Sou pessoalmente grato por sua amizade, sua afetividade, sua lealdade e suas sensatas orientações pastorais em momento particularmente difícil de minha vida pessoal e ministerial.
Sejamos todos gratos a Deus por este tempo. Penitenciemo-nos por nossas faltas. Consideremos nossos laços de afeição. Acreditemos no valor do anglicanismo. Colaboremos com o nosso bispo em sua árdua tarefa.
Apesar de tudo, e no poder do Espírito Santo, estamos vivendo, na diocese do Recife, um Anglicanismo em Missão.