[{"data":1,"prerenderedAt":-1},["ShallowReactive",2],{"document-text-artigo-ser-anglicano-2967":3},{"id":4,"title":5,"slug":6,"summary":7,"content_text":8,"file_url":9,"thumbnail_url":10,"type":11,"language":12,"publication_date":8,"category_id":13,"status":14,"downloads_count":15,"views_count":16,"created_at":17,"publication_year":18,"file_hash":19,"search_metadata":20,"search_vector":21,"content_markdown":22,"publication_id":8,"authors":23,"categories":29,"tags":33},"a6633792-3372-4e18-94dd-b8df1be815b5","Ser Anglicano, o que significa isto? História, teologia e identidade.","artigo-ser-anglicano-2967","O artigo discute o significado de ser anglicano a partir de três eixos principais: história, teologia e identidade. O autor parte da controvérsia em torno das origens do anglicanismo, contrapondo a narrativa que o associa a Henrique VIII e à ruptura com Roma à tradição anglicana que recua suas raízes às comunidades cristãs antigas nas Ilhas Britânicas.\n\nAlém da questão histórica, o texto apresenta elementos considerados centrais para a identidade anglicana, como a centralidade da Escritura, os sacramentos do Batismo e da Eucaristia, os credos históricos e o episcopado. Também aborda as tensões e cisões do anglicanismo contemporâneo, especialmente no Brasil, mostrando como disputas teológicas e eclesiológicas influenciam a compreensão do que significa ser anglicano.",null,"https://qejirbojbgooycglblkg.supabase.co/storage/v1/object/public/documents/uploads/1784372321930-h7dyq2.pdf","https://qejirbojbgooycglblkg.supabase.co/storage/v1/object/public/covers/covers/pdf-capture-1786382912317.jpg","Artigo","Português","f0903724-5d52-465e-a47e-30a957927f4c","published",0,16,"2026-07-18T10:58:44.068011+00:00",2026,"f4bad68f96d1f104a84b1be0886a00892446024981f9a238df44c9f071980d0e","Walace Alexsander Alves Cruz anglicanismo Igreja Anglicana história eclesiástica teologia anglicana identidade anglicana Reforma Inglesa Comunhão Anglicana","'abord':101 'alexsand':127 'alves':128 'além':68 'anglican':2,18,39,56,81,107,125,130,132,136,138,142 'antig':64 'apresent':74 'artig':12 'assoc':45 'autor':30 'batism':90 'brasil':111 'britân':67 'centr':77 'central':84 'cisõ':105 'compreensã':120 'comun':62 'comunhã':141 'consider':76 'contemporân':108 'contrapond':40 'controvérs':33 'cred':95 'cristãs':63 'cruz':129 'discut':13 'disput':114 'eclesiológ':117 'eclesiást':134 'eix':23 'element':75 'episcop':99 'escritur':86 'especial':109 'eucarist':93 'henriqu':47 'histór':7,25,71,96,133 'ident':10,28,80,137 'igrej':131 'ilhas':66 'influenc':118 'ingles':140 'mostr':112 'narrat':42 'origens':37 'part':20,31 'princip':24 'questã':70 'raíz':60 'recu':58 'reform':139 'rom':53 'ruptur':51 'sacrament':88 'ser':1,17,124 'signif':5,123 'signific':15 'tensõ':103 'teolog':8,26,135 'teológ':115 'text':73 'torn':35 'tradiçã':55 'três':22 'vii':48 'walac':126","# PNEUMA\n## REVISTA TEOLÓGICA\n\nCC\nLicença Creative Commons\nAtribuição - Não Comercial - Sem Derivações - 4.0 Internacional\nISSN: 2965-3177\n\n# SER ANGLICANO, O\n# QUE SIGNIFICA ISTO?\n# HISTÓRIA, TEOLOGIA E\n# IDENTIDADE.\n\nBEING AN ANGLICAN, WHAT DOES THIS MEAN? HISTORY, THEOLOGY\nAND IDENTITY.\n\nWalace Alexsander Alves Cruz¹\n\n¹ Doutorando em Teologia, regime de cotutela, pela Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia de Belo\nHorizonte (FAJE- Brasil), e pela Universidade Católica Portuguesa (UCP- Portugal). Bolsista CAPES/\nPROEX. Doutoramento Sanduíche PDSE 2024/2, na UCP Braga - Portugal. Mestre em Filosofia pela\nFAJE. Licenciado em História pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC MINAS-\nBrasil). Membro do Grupo de Pesquisa Teologia e Pastoral da FAJE/CNPq. Brasil. E-mail: professorwa-\nlacealexsander@yahoo.com\n\n---\n\n251\n\n## RESUMO\n\nA Igreja Anglicana tem uma história eivada de polêmicas e controvérsias.\nA começar pela historiografia sobre suas origens. Para considerável parte\ndos historiadores, principalmente os não-cristãos, a Igreja Anglicana é uma\ninvenção de Henrique VIII, o monarca inglês que no século XVI rompeu com\nRoma, por ter seu pedido de divórcio rejeitado. Por outro lado, a historiografia\noficial da Igreja Anglicana remete suas origens às comunidades cristãs celtas\ndos séculos II-III. O anglicanismo se consolidou como um dos maiores\nmatizes cristãos do mundo, na casa dos 70-85 milhões. Todavia, no Brasil, o\nanglicanismo ainda é amplamente desconhecido e/ou, causa estranhamento.\nAssim, nosso artigo objetiva: a) chegar a uma história credível quanto às\norigens do anglicanismo, considerando as divergentes historiografias, b)\nidentificar quais elementos caracterizam o fazer teológico anglicano e, por\nfim, c) refletir sobre o ethos que define a identidade anglicana. Logo, nosso\ntrabalho busca respostas à pergunta: o que significa ser anglicano?\n\nPalavras-chave: Igreja da Inglaterra. Henrique VIII. Tomás Cranmer.\nReforma Inglesa.\n\n## ABSTRACT\n\nThe Anglican Church has a history steeped in controversy. Starting with\nthe historiography of its origins. Many historians, especially non-Christians,\nthe Anglican Church is an invention of Henry VIII, the English monarch\nwho broke with Rome in the 16th century after having his divorce petition\nrejected. On the other hand, the official historiography of the Anglican Church\ntraces its origins back to the Celtic Christian communities of the 2nd-3rd\ncenturies. Anglicanism has established itself as one of the largest Christian\ndenominations in the world, numbering 70-85 million. However Anglicanism\nis still largely unknown and/or strange in Brazil. Thus, our article aims to\na) arrive at a credible history of the origins of Anglicanism, considering the\ndivergent historiographies, b) identify which elements characterize Anglican\ntheological doing and, finally, c) reflect on the ethos that defines Anglican\nidentity. Our work therefore seeks answers to the question: what does it mean\nto be Anglican?\n\nKeywords: Church of England. Henry VIII. Thomas Cranmer. English\nReformation.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 05, n. 01, 2026 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n252\n\n## 1 INTRODUÇÃO OU NOTAS\n## SOBRE UMA HISTÓRIA DO\n## ANGLICANISMO\n\nAs origens modernas da Igreja Anglicana são objeto de controvérsia,\nsobretudo por envolverem questões de ordem pessoal – como o desejo\nde Henrique VIII de anular seu matrimônio com Catarina de Aragão\npara desposar Ana Bolena – bem como complexas dinâmicas políticas,\neconômicas e sociais características do conturbado século XVI. Nesse\ncontexto, é igualmente fundamental considerar as tensões latentes\nno âmbito eclesial e teológico, intensificadas pelo fervoroso cenário\nda Reforma Protestante. Considere-se: a cisão luterana com Roma, as\nnovas teologias que destoam e desafiam a teologia romana oficial, em\nsuma, estão em voga processos de reorganização social de um novo\nmundo emergente (moderno). No encalço de identificar a gênese\nda Igreja Anglicana, se torna ainda mais complexo o fato de que as\nhistoriografias anglicanas sequer reconhecem a gênese do anglicanismo\nna modernidade.\n\nChamamos a atenção: O que se entende por \"anglicanismo, atualmente,\ntem dimensões amplas, heterogêneas e, por vezes, complexas, quiçá\ncontraditórias. Isso se explica porque a Igreja da Inglaterra, onde está\na cátedra do Arcebispo de Cantuária, personagem que historicamente\nsimboliza a unidade anglicana global, não detém mais hegemonia.\nDiversas cisões têm ocorrido a nível mundial, sobretudo, após a\nadesão de Cantuária a pautas controversas no seio do anglicanismo,\nprincipalmente, a ordenação de pessoas de orientação homossexual.\nNesse sentido, os anos de 2004-2005 demarcam uma página importante\nna história do anglicanismo, com acento para o Brasil. A Diocese do\nRecife, sob a liderança de Dom Robinson Cavalcanti, rompe com a Igreja\nEpiscopal Anglicana do Brasil (IEAB) – única ligada à Sé de Cantuária. A\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 04, n. 01, 2025 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n253\n\n## Igreja Anglicana no Brasil (IAB), uma das organizações que se formaram\n## a partir da cisão, narra sua história e justifica a cisão:\n\nA igreja Anglicana no Brasil é uma igreja de tradição anglicana, que\nnasce a partir das comunidades, pastores e pastoras que foram\nexcomungadas da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil em 2005, por\nestarem em desacordo com essa denominação no que diz respeito à\nnormalidade da prática homossexual e a ordenação de pessoas dela\npraticantes ao sagrado ministério pastoral. À época, o então Bispo\nDiocesano, Robinson Cavalcanti, liderou sua diocese na direção de\nconscientemente concordar em obedecer à Resolução 1.10 da Confe-\nrência de Lambeth de 1998 (Conferência de todos os bispos anglicanos\ndo globo que ocorre a cada dez anos), onde se lê:\n\nRESOLUÇÃO 1.10 – Sexualidade Humana Esta Conferência:\na) recomenda à igreja o relatório da subseção sobre sexualidade\nhumana;\nd) ao mesmo tempo em que rejeita a prática homossexual como in-\ncompatível com as Escrituras, solicita a todas as pessoas que auxiliem,\nde maneira sensível e pastoral, todas as pessoas, independente [sic.] de\nsua orientação sexual, escondem o medo irracional aos homossexuais,\na violência no casamento e toda banalização e comercialização do\nsexo;\ne) não pode recomendar a legitimidade ou a bênção de uniões do\nmesmo sexo, nem ordenar aqueles que estão envolvidos em uniões do\nmesmo gênero;\nf) solicita aos Bispos Primazes e ao Conselho Consultivo Anglicano\nque estabeleçam meios para monitorar o trabalho realizado sobre a\nsexualidade humana na Comunhão Anglicana e compartilhar infor-\nmes e recursos entre nós².\n\nPor sua vez, a IEAB rejeita tanto a IAB quanto outros grupos recentes,\nclassificando-os como cismáticos e fora da Comunhão Anglicana, cujo\nprincipal símbolo é o arcebispo de Cantuária. Para além das divergências\n\n² Disponível em: https://www.anglicananobrasil.com/on/quem-somos/. Acesso em: 12. Jun. 2025.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 05, n. 01, 2026 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n254\n\nteológicas, os conflitos também se desenrolaram na esfera judicial³.\nDesde então, têm surgido novas províncias, dioceses, redes e missões que\nreivindicam a identidade “anglicana, especialmente a partir do Nordeste\nbrasileiro, onde o anglicanismo tem sua maior expressão. Não obstante\nas tensões, cisões e polêmicas no interior do anglicanismo brasileiro, é\nminimamente consensual, entre os que se entendem como anglicanos,\nque sua identidade está balizada em 4 declarações de fé: na Sagrada\nEscritura, nos dois Sacramentos, a saber, do Batismo e da Eucaristia,\nnos Credos Apostólico e de Nicéia (acrescenta-se, comumente, o Credo\nAtanasiano), e no Episcopado Histórico. A síntese da doutrina anglicana\nestá de modo enxuto nos “39 Artigos da Religião, e de modo mais\npormenorizado, no Livro de Oração Comum (LOC)⁴. Outro elemento\ncomum aos anglicanos brasileiros, é a narrativa quanto à sua gênese\nhistórica.\n\nAs raízes da Igreja Anglicana estão na primitiva igreja cristã surgida na\nInglaterra desde os tempos dos Pais da Igreja. Foram eles que disse-\nminaram a mensagem do evangelho aos mais diferentes e longínquos\nlugares do mundo. Um desses lugares foram as Ilhas Britânicas, onde o\ncristianismo chegou por volta do final do segundo e início do terceiro\nséculo da era cristã. Ali, se desenvolveu de maneira local e indepen-\ndente (a chamada Igreja Celta). No final do século VI, um grupo de\n40 monges, chefiados por Santo Agostinho de Cantuária, chegou ao\nReino de Kent – localizado no atual Sul da Inglaterra – para converter\nos anglo-saxões. Ao chegar lá, ele foi recebido por cristãos celtas da\nIgreja de São Martinho (a qual recebeu esse nome em homenagem a\nSão Martinho de Tours), em Cantuária. Em 603 d. C., Santo Agostinho\nchamou representantes da Igreja Celta numa tentativa de convencê-los\na se submeter às práticas e disciplinas romanas, mas eles se recusaram.\nSanto Agostinho morreu em 605, mas a questão das diferenças entre a\nIgreja Britânica e a Igreja Romana continuou sendo motivo de contro-\nvérsias. Finalmente, em 664, em Whitby, na Nortúmbria, a questão foi\nresolvida em Concílio, por votação, e através do decreto do rei Oswy.\n\n³ Conferir: https://psj.org.br/2018/05/15/palavra-do-bispo-primaz-da-ieab-sobre-a-nova-provincia-\n-anglicana-do-brasil/. Acesso em: 12. Jun. 2025.\n⁴ Conferir: https://www.igrejaanglicana.com.br/. Acesso em: 12 jun. 2025.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 04, n. 01, 2025 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n255\n\nA obra missionária iniciada por Santo Agostinho foi consolidada por\nTeodoro de Tarso, monge grego que foi enviado pelo Papa em 669\npara tornar-se o sucessor de Agostinho como o segundo arcebispo de\nCantuária. Ele foi enviado para remover as características peculiares do\ncristianismo céltico e convocar o primeiro Sínodo nacional da Igreja na\nInglaterra: o Concílio de Hertford (673). Durante toda a Idade Média\na Igreja Inglesa estava submetida à Igreja Romana. A Inglaterra, como\nos demais países da Europa, fazia parte e dava sustento ao sistema\npapal vigente. Contudo, devido à distância que a separava de Roma,\ndesenvolveu-se desde muito cedo uma Igreja com características\nestatais e nacionalistas. A Igreja na Inglaterra sempre reclamou a sua\nindependência histórica, e mesmo que durante 850 anos ela tenha sido\nnominalmente romana, a sua relação com o papado sempre foi confli-\ntuosa. Henrique VIII apenas separou a igreja autônoma que lá existia\nda tutela de Roma.⁵\n\nDa narrativa apresentada pela IEAB, destacamos alguns elementos\nimportantes: a) é contestado que a Igreja Anglicana tenha sua origem\nou fundação em 1534 por Henrique VIII, b) é reconhecido nos Pais\nda Igreja (Apostólicos e Apologistas) – os discípulos de primeira\nou segunda geração dos próprios apóstolos —, os fundadores\ndas comunidades cristãs nas Ilhas Britânicas, c) é negado uma\nessência romana da Igreja Anglicana, pelo contrário, é defendido\numa singularidade ou, se preferir, um ethos anglicano, d) Henrique\nVIII, portanto, não fundou uma “nova igreja, apenas, ainda que\ncom seus interesses e motivos pessoais, realizou a separação de\numa Igreja que já era autônoma e que havia muito, reclamava sua\nautonomia/independência. Uma evidência documental de que já\nhaviam comunidades cristãs formadas entre os antigos celtas é de\nTertuliano, um dos Pais da Igreja. No texto Adversus Ludaeos, ao\nexaltar a soberania de Jesus Cristo cujo domínio se estende por todas\nas nações, é citado que o evangelho já havia chegado, dentre outros\npovos, aos bretões.\n\n⁵ Conferir: https://ieab.org.br/anglicanismo/. Acesso em: 12 jun. 2025.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 05, n. 01, 2026 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n256\n\nPara quem mais todas as nações creram, exceto em Cristo que já veio?\nEm quem as nações acreditaram, os partos, os medos e os elamitas,\ne aqueles que moram na Mesopotâmia, Armênia, Frígia, Capadócia,\nos romanos e os habitantes que moravam no Ponto e na Ásia, e os\nhabitantes da Panfília, permanecendo no Egito e as regiões da África\nalém de Cirene, depois, também em Jerusalém, os judeus e outras\nnações, como já muitos territórios da Gaetuliana e dos Mouros, todas\nas fronteiras da Espanha e da Gália, diversas nações e bretões, lugares\ninacessíveis aos romanos; desconhecidos para nós, e que podemos\ncontar menos? ⁶\n\nRuan Isnardi observa que “São Patrício e Santa Brígida nasceram\nno século V, são Columba e Columbano no século VI. Quando os\nsantos evangelizadores chegaram nas Ilhas, assim como santo\nAgostinho, eles também encontraram uma Igreja que já estava lá\"⁷.\nNão há, todavia, um consenso histórico quanto a quem teria levado\no cristianismo até os celtas, às Ilhas Britânicas. Vera Lúcia pondera\nque, “ninguém sabe, comprovadamente, quem levou o cristianismo\nàs Ilhas Britânicas”. Entretanto, corrobora com a perspectiva\nhistoriográfica de que um anglo- cristianismo, precede em séculos,\nao evento envolvendo Henrique VIII, no século XVI. Vera Lúcia\nreflete, “particularmente, acho bem provável a teoria dos mercadores\ncristãos gauleses ou judeus, devido à proximidade geográfica e ao\nfato das perseguições”. Ou seja, para a historiadora, seria plausível\nacreditar que o cristianismo tenha chegado às Ilhas Britânicas via\njudeus convertidos ao cristianismo que eram mercadores. A meu\nver, também é possível que o evangelho tenha chegado aos celtas via\n\n⁶ TERTULLIANI liber Adversus Iudaeos.\n⁷ ISNARDI, R. da S., A Igreja Anglicana, dos pais católicos até a mãe protestante, p. 19.\n⁸ CALVANI, C. E. B.; OLIVEIRA, V. L. S. de., Nossa Identidade, p. 28.\n⁹ CALVANI, C. E. B.; OLIVEIRA, V. L. S. de., Nossa Identidade, p. 29.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 04, n. 01, 2025 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n257\n\ncristãos perseguidos nos séculos I-II, que se espalharam pelo mundo.\nTemos o fato histórico da diáspora judaica no ano 70 d.C., mas não\npodemos nos esquecer do que denomino de diáspora cristã¹⁰.\n\nOutra testemunha documental da existência de uma comunidade\ncristã nas Ilhas Britânicas é a ata de um Concílio Regional realizado\nem 314, em Arles, na Gália, convocado pelo imperador Constantino.\nVera Lúcia observa que este evento, “contou com a presença de\ntrês bispos britânicos, provavelmente de três dioceses sediadas\nem cidades muito antigas [...] as suas assinaturas constam dos\ndocumentos do mencionado Concílio”. Assim, conclui a historiadora,\n“isso comprova que já havia, então, no século IV, uma igreja\norganizada entre os celtas [...] já que existiam, pelo menos três\ndioceses\"¹¹. Robinson Cavalcanti comunga com a mesma perspectiva.\nPara o autor, é factual a antiguidade do anglo-cristianismo, “os\nanglicanos formam o ramo do Cristianismo histórico que têm suas\nraízes na Grã-Bretanha, onde se situa a Inglaterra, cuja região central\né denominada de Anglia, a terra dos anglos\"¹². O autor pondera:\n\nNão houve nenhum esforço missionário formal, nem das Igrejas do\nOriente, nem da Igreja do Ocidente, para evangelizar as Ilhas Britânicas.\nEla foi o resultado do esforço dos leigos. Soldados, funcionários civis\ne comerciantes cristãos romanos levaram o Evangelho para aquelas\nilhas. Também, no ano 70 d.C., dentre os escravos perseguidos nas\nGálias (França) que fugiram para o litoral inglês, estavam grupos de\ncristãos. Uma tradição atribui à presença de José de Arimatéia, no\nprimeiro século. Há sítios arqueológicos desse período, como uma\n\n¹⁰ São Lucas em Atos dos Apóstolos discorre sobre \"uma grande perseguição contra a Igreja de\nJerusalém. Todos com exceção dos apóstolos, dispersaram-se” (At 8. 1), no desenrolar deste livro que\npretende ser uma narrativa histórica da gênese da Igreja Cristã, lidamos com a dispersão dos cristãos,\ninclusive, com as viagens apostólicas (At 13-28) que significaram a grande disseminação do evangelho\naos gentios, isto é, não-cristãos. Não seria, portanto, nenhuma incoerência histórica acreditar na vera-\ncidade do cristianismo germinado na maior parte do mundo conhecido de então, inclusive, as Ilhas\nBritânicas.\n¹¹ CALVANI, C. E. B.; OLIVEIRA, V. L. S. de., Nossa Identidade, p. 29.\n¹² CAVALCANTI, R., Anglicanismo, p. 9.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 05, n. 01, 2026 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n258\n\nCapela em Kent, uma Igreja em Silchester e a presença, em vários luga-\nres, de símbolos cristãos, como o XP. Tertuliano afirma a existência da\ncomunidade cristã britânica no ano 200. Três bispos ingleses estiveram\npresentes no Concílio de Arles, no sul da França, em 314. Não se sabe\nse estiveram no Concílio de Nicéia (325), mas Atanásio informa que a\nIgreja inglesa se submeteu às suas deliberações”.\n\nConsideramos plausível a perspectiva historiográfica que sustenta\na existência de comunidades cristãs nas Ilhas Celtas por volta dos\nséculos II e III. A documentação disponível, bem como os testemunhos\nhistóricos, oferece respaldo consistente a essa hipótese. Não obstante,\ncumpre-nos assinalar dois elementos que não devem ser negligenciados.\na) seria ingênuo acreditar em um tipo de anglo-cristianismo puro,\nquer dizer, cuja essência fosse inteiramente britânica. Por dois\nmotivos básicos, o primeiro, que o próprio cristianismo que chega\nàs Ilhas Britânicas nos séculos II-III, vem perpassado por outras\nculturalidades; segundo que no transcorrer da história, sobretudo,\nquando da submissão da Anglia à autoridade de Roma, houve\ndigamos uma romanização do anglo-cristianismo;\nb) no século XVI, a Igreja que Henrique VIII proclama livre de\nRoma, era mais romana que propriamente anglicana. Nesse ínte-\nrim, emerge uma questão de salutar importância, no contexto deste\namálgama de transculturalidade que pervade o anglicanismo, é\npossível falarmos de uma teologia (propriamente) anglicana?\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 04, n. 01, 2025 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n259\n\n## 2. O COMPLEXO (OU NÃO)\n## QUEFAZER TEOLÓGICO\n## ANGLICANO\n\nNa contemporaneidade é impossível falarmos de teologia anglicana,\nno singular. Já observamos que o anglicanismo hoje é um horizonte\ncomplexo, com variadas teologias, pressupostos e perspectivas.\nCitamos, por exemplo, as que partem do anglo-catolicismo,\nanglo-protestantismo, ou anglo-evangelicalismo etc. Lidamos\nnas encruzilhadas do pensamento anglicano, com teologias que\narrogam para si o locus ortodoxo àquelas cujo locus é liberal. Mas a\ndespeito dessa pluralidade propomos identificar alguns elementos\nque são fundamentais para a caracterização de um quefazer\nteológico anglicano, especialmente, considerando sua tentativa de\nsistematização/clarificação nos séculos XVI-XVIII.\n\n### 2.1. Marcos iniciais: LOC e os 39 Artigos de\n### Religião\n\nÀ época do rompimento de Henrique VIII a Igreja na Inglaterra era\nteológica e sacramentalmente católico-romana. A Reforma Protestante\nque eclodiu na Alemanha de Martinho Lutero, se espalhava por toda\na Europa, e havia chegado na Inglaterra. Todavia, durante o reinado de\nHenrique VIII, a despeito do divórcio duplo: com Catarina e com Roma,\npraticamente nada de substancial foi alterado na Igreja, agora sob sua\nchefia. Alister McGrath observa que, “o modo como a Reforma se deu\nna Inglaterra, a princípio, tornava desnecessária qualquer definição\nem termos doutrinários, pelo fato de a igreja naquele país encontrar-se\nsocialmente definida nos mesmos termos anteriores à Reforma\"¹³. Carlos\n\n¹³ MACGRATH, A., Teologia Sistemática, Histórica e Filosófica р. 114.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 05, n. 01, 2026 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n260\n\nCalvani pontua que na Inglaterra de Henrique VIII, “não foi uma reforma\ndoutrinal ou dogmática, como na Alemanha e na Suíça, e em outros\npaíses que aderiram ao protestantismo” ¹⁴. Todavia, o que podemos\ndenominar de Reforma Inglesa se deu, de fato, após a morte de Henrique\nVIII, que até o leito de morte, permaneceu católico-romano em sua\nconfissão de fé. Faleceu aos 56 anos, em 1547. Sucedido pelo menino\nEduardo VI, de nove anos, que teve um Conselho de Regência para\ngovernar o país, até sua maioridade. Segundo Carlos Calvani:\n\nO arcebispo Cranmer, junto com o tutor real, tomou a reforma protes-\ntante em suas mãos, como desejava fazer desde o tempo de Henrique.\nEm 1549 foi editado, pela primeira vez, o Livro de Oração Comum\n(LOC) e reeditado três anos depois (1552). O primeiro LOC ainda\nconserva características um pouco romanas, para o espírito protestante\nradical da época, com clara influência calvinista [...] Também foram\nlançados neste ano, os 42 Artigos de Fé, que seriam uma plataforma\ndoutrinária da Igreja da Inglaterra\"¹⁵.\n\nÉ neste primeiro momento que notamos as evidências de uma\nfermentação protestante na Igreja da Inglaterra, em sua teologia e liturgia.\nTemos dois marcos iniciais que se põem como balizadores da teologia\nanglicana: o Livro de Oração Comum (LOC), que permanece sendo,\nainda que com variáveis sofridas, o parâmetro cultual e litúrgico das\nigrejas anglicanas. E os 39 Artigos de Religião os 42 foram ajustados\npara 39 durante o reinado elisabetano —, que contemporaneamente\né admitido de modo crítico, reinterpretado e, não assumido na\nintegralidade por todas as comunidades anglicanas, mas se mantém uma\ndeclaração de fé que sintetiza a fé anglicana.\n\n¹⁴ CALVANI, C. E. B.; OLIVEIRA, V. L. S. de., Nossa Identidade, p. 45.\n¹⁵ CALVANI, C. E. B.; OLIVEIRA, V. L. S. de., Nossa Identidade, p. 47.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 04, n. 01, 2025 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n261\n\n## 2.2. Sagrada Escritura\n\nUm axioma caro à tradição protestante é o famoso Sola Scriptura, que\nrelega à Sagrada Escritura um lugar fulcral no seu locus teológico.\nPortanto, admite-se como regra de fé, apenas aquilo que emerge\nda Sagrada Escritura ou, que tem nela sua sólida fundamentação.\nNo processo de fermentação dos ideais protestantes na Igreja da\nInglaterra, nota-se, de modo explícito, as evidências desse princípio.\nNos 39 Artigos de Religião, nº VI, se afirma:\n\nAs Escrituras Sagradas contêm todas as coisas necessárias para a\nsalvação; de modo que tudo o que nela não se lê, nem por ela se pode\nprovar, não deve ser exigido de pessoa alguma que seja crido como\nartigo de fé ou julgado como exigido ou necessário para a salvação.\nPelo nome de Escrituras Sagradas entendemos os livros canônicos do\nAntigo e Novo Testamentos, de cuja autoridade jamais houve qualquer\ndúvida na Igreja¹⁶.\n\nA teologia anglicana, em sua gênese, como teologia que se\nsistematiza, no século XVI, abraça o princípio protestante que\nrelega às Sagradas Escrituras um lugar de — digamos assim\nautoridade absoluta. Portanto, a) a autoridade da Sagrada Escritura\né tida por inquestionável, b) nela está contido a totalidade daquilo\nque é necessário para a salvação da pessoa humana¹⁷, portanto, se\ndispensa, como autoritativo, no quesito soteriológico, bulas papais,\nindulgências etc., c) a Sagrada Escritura torna-se, a rigor, a regra de\nfé, logo, somente o que nela está declarado deve ser obedecido, em\ncontrapartida, o que nela não tem sua sustentação, não se sustenta.\nA autoridade e a singularidade das Sagradas Escrituras no quefazer\nteológico anglicano ficam cristalizados no transcorrer dos demais\n\n¹⁶ LIVRO DE ORAÇÃO COMUM CONTEMPORÂNEO, p. 93.\n¹⁷ Notemos que neste Artigo há, no contexto do embate catolicismo-protestantismo, uma explícita\nopção pelo princípio protestante que nega bulas papais, indulgências ou documentos eclesiais como\nelementos autoritativos e/ou “determinantes” — direta ou indiretamente – para o mistério da salvação\nhumana.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 05, n. 01, 2026 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n262\n\nartigos. No Artigo VIII está afirmado a concordância com o que se\nconfessa nos três credos, “Niceno, Atanasiano e o que normalmente\nse chama Credo ou Símbolo dos Apóstolos\" e se justifica, \"devem\nser inteiramente recebidos e cridos; porque se podem provar com\nautoridades inegáveis das Sagradas Escrituras\" ¹⁸. Na esteira desta\nconstatação, observamos que, na teologia anglicana é a Sagrada\nEscritura que ilumina e define a eclesiologia. Quanto à Autoridade da\nIgreja, o Artigo XX dos 39, declara:\n\nA Igreja tem poder de decretar Ritos ou Cerimônias e autoridade nas\nControvérsias da Fé; todavia não é lícito à Igreja ordenar coisa alguma\ncontrária à Palavra de Deus escrita [...] Portanto, mesmo que a Igreja\nseja testemunha e guarda das Escrituras Sagradas, todavia, assim\ncomo não é lícito decretar coisa alguma contra elas, também não deve\nobrigar que seja acreditada coisa alguma que nelas não se encontra,\ncomo necessária para a salvação” ¹⁹.\n\nA teologia anglicana defende e acentua a autoridade da Igreja,\ntodavia, como autoridade subordinada, quer dizer, é uma autoridade\nexercida dentro dos limites da Sagrada Escritura. Aqui se contesta\numa dupla infalibilidade²⁰ do Papa, e também, da Igreja. Ou\nseja, tanto clérigos, quanto a Igreja como um todo é suscetível\nde erro, corrigíveis pela Sagrada Escritura. Chamamos, todavia,\na atenção aqui para a especificidade da temática em questão, a\nsaber, a soteriologia. Assim, parece-me anacrônico afirmar, no\n\n¹⁸ LIVRO DE ORAÇÃO COMUM CONTEMPORÂNEO, p. 95.\n¹⁹ LIVRO DE ORAÇÃO COMUM CONTEMPORÂNEO, p. 99.\n²⁰ Observamos que o dogma da infalibilidade papal, em assuntos de fé, foi proclamado em 1870, no\ndocumento Pastor Aeternus, sob o pontificado de Pio IX. Entrementes, pragmaticamente, à época em\nanálise, sobretudo nos países católicos, o papado já era tido como infalível.\n\nPneuma: Revista Teológica, Curitiba, v. 04, n. 01, 2025 | ISSN: 2965-3177\nPNEUMA\nREVISTA TEOLOGICA\n\n---\n\n263\n\ncontexto histórico-teológico dos 39 Artigos, uma inerrância²¹ das\nSagradas Escrituras, sobretudo, como este conceito é entendido no\nfundamentalismo evangélico. Evidência disto, é o valor atribuído pela\nteologia anglicana à Tradição.\n\n### 2.3. O Tripé de Hooker e a via-média: por um\n### ethos anglicano\n\nO período de ouro de consolidação da Reforma Inglesa e da\nsistematização da teologia anglicana, se deu no reinado de Elizabeth I\n(1533-1603), filha de Ana Bolena com Henrique VIII. Dois teólogos se\ndestacaram e deram o colorido da Reforma na Inglaterra elisabetana:\nJohn Jewell e seu pupilo, Richard Hooker. Carlos Calvani pontua: “a\ntese central de Jewell era a de que não estava sendo criada uma 'nova\nigreja, mas sim que a Igreja da Inglaterra estava retornando às suas\norigens e aos primeiros séculos do cristianismo\" ²². Assim, não se\npretendia uma ruptura drástica e/ou radical com a tradição católica,\nherdada pela igreja inglesa. Pelo contrário, se prezava e incentiva a\npreservação de tudo que era bom²³ na Tradição da Igreja, é o caso,\np.ex., dos escritos dos Pais da Igreja. Portanto, ao contrário de um\nradicalismo luterano (na Alemanha) ou, calvinista (em Genebra), o\nanglicanismo não aderiu a uma cisão intransigente com a tradição\ncatólico-romana. Aliás, Richard Hooker contribui profundamente na\n\n²¹ Segundo o Dicionário de Apologética e filosofia da religião, por inerrância entende-se “a doutrina\nde que a Bíblia é completamente confiável e isenta de erros” (EVANS, S., Dicionário de Apologética\ne filosofia da religião, p. 72). Todavia, essa categoria se desdobra em duas categorias, a) a inerrância\nilimitada, grosso modo, aquela que acredita que a bíblia está isenta de erros em qualquer temática\nabordada, p.ex., cosmologia, geologia, biologia, etc. E, b) inerrância limitada, aquela que crê que a bíblia\nestá isenta de erros, “em matéria de fé e prática” (EVANS, S., Dicionário de Apologética e filosofia da\nreligião, p. 73). Considerando estes dois aspectos, seria correto dizer que, na definição do LOC, se tem\nno horizonte, a inerrância limitada. Como enuncia o supracitado Artigo VI, “as Escrituras Sagradas con-\ntêm todas as coisas necessárias para a salvação” (LIVRO DE ORAÇÃO COMUM, p. 93).\n²² CALVANI, C. E. B.; OLIVEIRA, V. L. S. de., Nossa Identidade, p. 12",[24],{"id":25,"bio":8,"name":26,"slug":27,"born_year":8,"died_year":8,"photo_url":8,"created_at":28},"e550d599-eb41-4287-8d92-e531fc1791ab","Walace Alexsander Alves Cruz","walace-alexsander-alves-cruz","2026-08-10T17:30:05.193809+00:00",{"id":13,"name":30,"slug":31,"created_at":32,"description":8},"Artigo teológico","artigo-teologico","2026-08-10T17:30:04.253298+00:00",[34,39,44,49,54,59,64],{"id":35,"name":36,"slug":37,"created_at":38},"c068bb4d-0562-43eb-95aa-69bcf07019c3","Anglicanismo","anglicanismo","2026-02-19T22:47:08.173931+00:00",{"id":40,"name":41,"slug":42,"created_at":43},"08002e2b-915e-40fe-9a64-071b322a65f7","Igreja Anglicana","igreja-anglicana","2026-02-19T23:39:45.587343+00:00",{"id":45,"name":46,"slug":47,"created_at":48},"8afcf9a8-e7e5-45c1-b0a3-2b148ad2d001","história eclesiástica","historia-eclesiastica","2026-02-20T02:49:52.79347+00:00",{"id":50,"name":51,"slug":52,"created_at":53},"7e9d0d84-3d93-4401-8cee-0ad8d78e205c","teologia anglicana","teologia-anglicana","2026-02-23T15:27:58.934247+00:00",{"id":55,"name":56,"slug":57,"created_at":58},"c06ba6b6-dd5f-4cb6-830a-bc4edd758f55","identidade anglicana","identidade-anglicana","2026-02-19T23:41:29.860747+00:00",{"id":60,"name":61,"slug":62,"created_at":63},"0a7d6fa2-c2d0-41ab-9eab-1aa4b66a76bd","Reforma Inglesa","reforma-inglesa","2026-02-20T00:10:14.647519+00:00",{"id":65,"name":66,"slug":67,"created_at":68},"52f53a58-5376-44fe-ba1b-39a15125a244","Comunhão Anglicana","comunhao-anglicana","2026-02-19T23:39:48.083484+00:00"]