Bênção dos Animais
BÊNÇÃO DOS ANIMAIS
"O justo olha pela vida de seus animais" (Pv. 12:10).
Recentemente lançado, o Manual de Ritos Ocasionais da Diocese Anglicana do Recife, vem trazendo as mais diversas reações (positivas em sua esmagadora maioria, graças a Deus!). Alguns ritos causam polêmica, outros questionamentos; o fato é que a maioria das reações negativas ocorre por desconhecimento histórico das tradições anglicanas e algumas cristãs muito antigas.
Caixa de texto: Fonte: Revista Isto É nº 1725, de 23/10/2002, p. 21
A atitude cristã perante a natureza revela a teologia adotada; os cristãos entendem que o Senhor lhes outorgou a tarefa de administrar a Criação. Esta tarefa deveria ser exercida com o mesmo amor com o qual o Autor da Criação o faz. Deste modo, o que chamamos de "Mandato Cultural" a outorga de Deus ao homem para que este administre a Criação – não deveria ser como o mandato de muitos políticos no Brasil, mas, um mandato de amor e cuidado para com toda a Criação, incluindo aí os seres vivos, vegetais e animais.
Alguns cristãos anglicanos têm a compreensão de que os animais de estimação irão acompanhar seus donos até à eternidade. Um destes ilustres cristãos é o escritor C. S. Lewis que crê na fixação da personalidade dos donos nos animais de estimação e que isto fará com que eles acompanhem seus donos (ou “criadores"). Ao mesmo tempo ele deixa claro que esta é sua posição pessoal sobre o assunto e que não há nenhum indício concreto de que isto seja assim.
O plano de Deus prevê uma convivência amistosa entre homens e animais conforme lemos em Isaías 11:5 e seguintes. Os animais são objeto do amor de Deus e deveria ser objeto do nosso amor também, pois “todo aquele que ama ao que o gerou também ama ao que dele é nascido" (I Jo.5:1). Embora o texto bíblico esteja falando de Jesus, podemos aplicá-los às mais diversas situações. Pois, de fato, se amamos a Deus deveríamos amar tudo aquilo que nasce dEle.
Infelizmente, a nossa sociedade materialista e pragmática que “ama as coisas e usa as pessoas" (e animais, bem como toda a criação) tem adotado uma forma de relacionamento destrutivo com a Criação; e o resultado disso é: animais em extinção, rios poluídos, ameaça de falta de água potável e outros males. No código penal brasileiro, por exemplo, um animal é “uma coisa" e se alguém mata o animal de outrem pode vir a indenizá-lo pecuniariamente. Ou seja, um animal tem um valor, um preço em dinheiro, é uma coisa.
O Rito Bênção dos Animais presente no Manual (p. 101) se, e quando utilizado, há de fazer-nos lembrar que somos responsáveis pela Criação e pela sua preservação. Ele nos ajudará a reeducar fugindo do “lugar comum" das atitudes e comportamentos adotados por não-cristãos como relação aos animais e à Criação como um todo. Oro para que Deus use este Rito para desenvolver nas pessoas sensibilidade pelos animais e pela Criação e, de forma particular, isto venha a contribuir para melhorar as relações entre as pessoas também.
No amor de Cristo,
Rev. Luiz Marcos Silva, OSE Secretário Diocesano de Educação