Bispo Robinson Cavalcanti, um Evangélico
BISPO ROBINSON CAVALCANTI, UM EVANGÉLICO
Rev. Jorge Aquino, OSE
Quando estudante de Teologia, no Seminário Presbiteriano do Norte, tinha o hábito de freqüentar o gabinete do então coadjutor da Paróquia (hoje Catedral) da SS. Trindade, Rev. Robinson Cavalcanti, já então uma referência, para gerações (inclusive a minha) como evangélico progressista. Protestante-Evangélico-Anglicano, assim tem sido a sua identidade ao longo de 35 anos de vida pública e ministério.
Em seus livros, artigos e conferências, estão sempre presentes: a defesa da autoridade das Sagradas Escrituras, a necessidade de conversão, a ortodoxia (credos e confissões de fé), a piedade e a tarefa missionária da Igreja.
Convertido em Colégio Presbiteriano (1960), professo na Igreja Luterana (IELB - teologicamente conservadora, 1963), onde foi do conselho paroquial, evangelista e postulante, obreiro da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (Comunidade Internacional de Estudantes Evangélicos), 1978-88, membro-fundador e dirigente da Fraternidade Teológica Latino-americana (FTL, 1970), membro dos comitês de convocação e de continuação do Congresso de Lausanne (1974-78), da Comissão Teológica (Unidade Ética & Sociedade) da Aliança Evangélica Mundial (76-80), membro-fundador da ABAE - Associação Brasileira dos Anglicanos Evangélicos, tem integrado, por 15 anos, a diretoria da EFAC - Associação dos Evangélicos na Comunhão Anglicana, hoje seu vice-presidente.
Publicou 10 livros. Escreveu por 10 anos a coluna "Evangelismo” no Jornal do Commércio (Recife - PE), e atuou por 3 anos em programas evangélicos de televisão. Escreveu durante os 5 anos de circulação no Jornal “Kairós" e na revista "Kerigma". Há 13 anos é colaborador regular da revista "Ultimato". Participou dos principais congressos evangélicos, nacionais e internacionais, de sua geração: Lausanne I e II, CLADE II e III, Amsterdã 83, geração 79 e 90, VINDE 85, 86, 89. Participou das consultas teológicas que produziram alguns dos mais importantes documentos evangélicos na Segunda metade do Século XX: “Estilo de Vida Simples" (Haddsdon), “Responsabilidade Social dos Cristãos" (Grand Rapids), "Evangelho e Cultura" (Bermudas), "Evangelização dos Cristãos Nominais" (Pattaya), “Os Cristãos e a Ação Política" (Jarabacoa), dentre outros.
Como pregador ou conferencista ministrou em 25 Estados da Federação, e no exterior, nas seguintes denominações: Assembléia de Deus, Presbiteriana (IPB, IPI, IPU, IPR, IPF), Batista (CBB, CNB, СВІ, СВA, CBS), Metodista, Luterana (IECLB e IELB), Congregacional (União & Aliança), O Brasil para Cristo, Igreja de Cristo, Igreja de Cristo Pentecostal, Casa da Bênção (ITEJ), Cristã Evangélica, Comunidade de Jesus, Adventista do Sétimo Dia e Católica Romana.
Como evangélico progressista, o bispo Robinson sofreu fortes críticas, ao longo do seu ministério, dos dois extremos: os fundamentalistas e os liberais. O evangelicalismo progressista, como se sabe, procura aliar a piedade e a ortodoxia com a responsabilidade social, o profetismo político, o emprego das Ciências Humanas como ferramentas auxiliares no trabalho teológico e a participação co-beligerante no processo histórico.
Evangélico, mas anglicano, o bispo Robinson tem defendido a liturgia oficial da igreja (com criatividade), o modo anglicano de fazer Teologia (A Bíblia à luz da Tradição, da Razão e da Experiência) e os ensinos de Lambeth sobre Ética, Usos e Costumes.
Creio que o Evangelicalismo Progressista e a concepção de uma Missão Integral da Igreja, corrente do pensamento a que se filiam o bispo Robinson Cavalcanti e este autor, expressam a maturidade e o equilíbrio entre tradição e inovação, bom senso e questionamento, ortodoxia e criatividade, de forma plural e inclusiva, virtudes tão necessárias nestes tempos de intolerância e fanatismo.
O Rev. Jorge Luiz Freire de Aquino, OSE, presbítero, é reitor do SAET.