Estandarte Christão - 11/1952

Versão Integral em Texto

Estandarte Christão - 11/1952

J. Mozart de MelloRev. D. Bueno1952

ESTANDARTE CRISTÃO

PERIÓDICO DA IGREJA EPISCOPAL BRASILEIRA ARVORAIO ESTANDARTE AOS POVOS. ISAIAS 62:10

ANO LIX Pôrto Alegre, segunda quinzena de novembro de 1952 Número 1324

Pela extensão do Reino !

A fotografia que ilustra a presente página reproduz ato que se repete com frequência em nossos cultos públicos. E' o momento em que ofertas do povo são apresentadas a Deus, perante Seu Altar. Elas são parte da vida dos próprios doadores, e falam de seu trabalho, de seu suor, de seu cansaço. Já que os dias são difíceis, há mais beleza nas ofertas que se fazem hoje, pois poucos são aquêles que abrem suas bolsas por mera ostentação. O amor a Deus, ao lado da certeza de que integram uma comunidade eterna, que nem a morte consegue destruir, é que faz que homens contribuam, de coração alegre, para a Igreja de Cristo, Igreja que é da terra e também do céu. Por ser assim, a campanha a favor de novos recursos materiais para a mesma Igreja, e que ora se processa em nossas paróquias, de norte a sul, e de conseqüências decisivas para o seu futuro, há de encontrar a mais viva repercussão na alma de quantos realmente crêem no estabelecimento do Reino de Deus, no meio dos homens !


ESTANDARTE CRISTÃO 2 NOVEMBRO de 1952

EDITORIAIS

NATAL à vista

Volte a circular nosso quinzenário, e já será em magnífica edição especial, comemorativa ao nascimento de N. S. Jesus Cristo. A data magna da Cristandade é sempre esperada com alegria, pois encerra o dom maravilhoso de renovar esperanças. Cremos em sua mensagem de amor e de boa vontade. Passados quase dois milênios do primeiro Natal, humildes de coração encontram sempre nêle a primitiva beleza. Tenta, porém, o mundanismo apoderar-se de sua poesia, e transformá-la em motivo de lucro e ostentação. Se há justo lugar no dia do Natal para festejos em família, não deixemos que tais preocupações nos roubem a capacidade de fruir seu verdadeiro significado. Não nos encontre êle exaustos, nervosos, irritadiços, por havermos esbanjado o melhor de nossas energias em preparativos de um faustoso Natal em nada condizente com a pobreza de Belém. Mas, se nos fôr difícil romper costumes enraizados, tomemos, em devido tempo, providências que se fizerem necessárias e que evitem seja a véspera do Natal um lufa-lufa enervante para nós, já que semelhante fadiga nos torna surdos e cegos para a mensagem que nos vem do Céu.

Laicato e Revivescência

Nas condições atuais, não poderá a Igreja cumprir sua verdadeira missão, caso não contar com um Laicato ativo e consagrado. Acertadamente, a Igreja tem exaltado o valor do ministério leigo, e nêle se funda grande parte de suas melhores esperanças. Sucedem-se os congressos de atividades leigas, e nêles se percebe o interêsse do laicato em bem cumprir a tarefa que dêle espera a Igreja. Ainda agora, reuniu-se em Grand Island, na Diocese de Nebraska, mais uma destas convenções. Em certo momento, um de seus componentes levantou a seguinte questão: «Quais os principais obstáculos que impede verdadeira revivescência em nossas paróquias?» A pergunta era clara, e do plenário surgiram quatro opiniões:

  1. Apatia dos leigos
  2. Falta de evangelização
  3. O povo é espiritualmente iletrado
  4. Ausência de articulação Todos êstes pontos merecem ser considerados também em nossas paróquias. Sem que nos animemos a dizer qual das quatro opiniões encerra maior dose de realismo, temos que a última delas, a ausência de uma justa articulação tem muito de verdade. Há leigos desejosos de formar na vanguarda dos batalhões de Cristo, mas sentem a falta de quem os convoque e arregimente. Em Nebraska, éles mesmos expuseram essa falha. E não existirá ela em todas as dioceses, paróquias e missões?

ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS NA ISLÂNDIA

Três candidatos estiveram competindo à presidência da Islândia; não obstante, qualquer que fosse o vencedor, as igrejas estariam satisfeitas, pois todos os três são crentes ativos. A escolha recaiu sôbre Asgeir Asgeirson, estudante de teologia e presidente de Banco, o qual por 30 anos vem sendo membro do parlamento. Seus rivais foram Gisli Sveinsson e o Bispo Bjarni Jónsson. Sveinsson tinha servido como presidente da reunião eclesiástica geral e como membro do concilio das Igrejas, antes de se tornar embaixador à Noruega, cujo pôsto deixou no ano passado; também foi membro do parlamento através de 20 anos. O Bispo Jónsson ganhou a estima de seus patrícios durante os muitos anos de trabalho na Igreja (Luterana), porém, sua idade (71 anos) militou contra sua eleição. S. N. A.

Número de Natal

Como de costume, o «Estandarte Cristão não sairá na primeira quinzena de dezembro, para reaparecer, em bela edição ilustrada, no Dia de Natal. Pedimos a nossos distintos colaboradores nos remetam, o mais tardar, até 25 do fluente, os originais para a referida edição. Pedidos de números avulsos, a Cr$ 2,00 o exemplar, devem de ser encaminhados à gerência até 10 de dezembro.


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ESTANDARTE CRISTÃO

A Psicanálise e a Religião

J. Mozart de Mello.

A religião é tão velha como o mundo. Segundo os psicanalistas teve a sua origem no ciúme do chefe da horda. Darwin deu-lhes o mote com a denúncia duma tragédia familiar que notou entre os símios, em que o macaco-pai afugentava aos macacos-filhos, privando a êstes da natural sociedade do sexo oposto. Freud glosa o mote darwiniano, afirmando que entre certas tribos da Pre-história se dera o mesmo, como ainda se dá entre algumas tribos selvagens atuais. Daí a exogomia. Exponhamos, primeiro, o assunto, psicanaliticamente: O patriarca do cla, 0 Urvater de Freud, era excessivamente ciumento. Mas êsse tirano era amado e execrado ao mesmo tempo. Dessa ambivalencia, dêsse amor-ódio é que nasceu o totemismo, fruto, portanto, dum verdadeiro «complexo paterno». Em plena revolta contra a ditadura patriarcal, a juventude da horda (cla ou tribo) tôda ou em parte assassinou o sujeito-objeto dêsse complexo. Perpètrado o parricídio, puderam dar livre curso á libido até aí recalcada. Com a sociedade, veio, todavia a reflexão e com ela o remordimento. Tiveram saudade ou sentiram falta do pai egoísta. Impôs-se, então, a idéia de expiação, que era a fuga da realidade para a idealização das tendências afetivas, que fazem parte do estroma, da alma humana. Foi como surgiu o Totem. Este era representado por um animal manso ou feroz (raras vezes por uma planta ou fôrças da natureza) que não era outro que não o antepassado da tribo vitimado ou seu espírito protetor. Escolhido o totem, e adotado como nume tutelar, eram todos os componentes da horda obrigados a respeitar a sua vida; respeito êsse que se transmitia por hereditariedade, quer pela linha paterna quer pela materna. A quebra ou violação dessa instituição acarretava severos castigos, entre os quais se contava a expulsão do seio da agre-miação. Seguiu-se assim o tabu, que foi o primeiro código de proibições portanto, a origem das leis. Era o totem, nem mais nem menos, o protetor natural da tribo. Aconteceu que o remorso da morte do pai egoísta trouxe a necessidade de comemoração expiatória do crime coletivo. Tôdas as cerimônias teriam por alvo ou centro o animal totêmico, pois o totemismo simbolizava o princípio religioso. Uma vez por ano, reproduzia a tribo liturgicamente o assassinato do ente amado e execrado, durante uma festa caracterizada por danças e ritos, ato êsse que Freud denomina de identificação. O totem, isto é, o animal sagrado, era, então, ritualmente morto, comido e chorado. O fim dessa solenidade era, sem dúvida alguma, adquirir a qualidade sacrossanta do totem, que representava o chefe da horda temido mas, ao mesmo tempo, amado. Dêsse modo e dessa maneira, identificavam-se com o morto, redimindo o sentimento de culpa: talvez a forma mais antiga de <<<consciência moral». Nisto é que constituia o «complexo paterno>> - melhormente a gênese do «Complexo de Edipo>>> - os filhos matavam o pai com o escopo de se livrarem duma tirania odiosa e anti-natural, para, posteriormente, arrependidos, cultivavam a sua memória na encarnação de um animal, que era respeitado como protetor da tribo. Esse animal personificava o antepassado sacrificado. Deduz-se, pois, que no pecado é que se funda a religião, melhormente no sentimento de culpabilidade. Conclue Freud e seus discípulos que foi o ciúme do macho-chefe a origem ou causa do totemismo. O que não deixa dúvidas, porém, é que o homem tem precisão de se defender contra a cólera e prepotência da natureza crúa e cega. Constitui o «complexo paterno um método de defeza. A religião torna-se um escudo protetor para o homem inerme e desprotegido, no emaranhado do cipoal da jangla. Apareceu, então o totemismo como uma regressão ao desejo de proteção e auxílio que possúi a criança em face do Destino misterioso e inflexivel. Agora quanto á Religião Cristã: Diz Freud que a Igreja Cristã é a melhor aplicação do totemismo. No Cristiánismo há o pecado original e o mesmo sentimento de culpa. A Comunhão é uma comida totêmica, com a variante de que nela o Pai é. substituido pelo Filho, mas a identificação é a mesma. Na Santa Ceia há a comemoração da morte do Filho e a transmissão da graça ou poder aos que dela participem, tal qual nos ritos totêmicos. Os Apóstolos formariam nesse caso uma horda meramente fraternal. Já se deixa ver que Freud devia referir-se mais à Igreja Romana que ao Protestantismo. Na verdade, ás religiões, inclusive a judo-cristã, notabilizam-se pelo simbolismo de animais, a começar pela serpente e a terminar pela pomba. O cordeiro (Agnus Dei) ocupa lugar especial nesta hagiozoologia. Sacrifícios de animais, e até de sêres humanos, sempre tem havido; pois, é idéia antiqüíssima que não há remissão de pecados sem derramamento de sangue. (Continua à página 9)

ESTANDARTE CRISTÃO

Frases de um sermão Rev. D. Bueno

Dentre muitas, o «Domingo de Comunhão Universal» é mais uma esplendida inspiração de fonte protestante. É por meio de comemorações desta natureza que os cristãos estão procurando cimentar os laços universais de sua união. Ainda estamos longe do grandioso dia em que «todos sejam um» mas, é para lá que caminhamos na melhor das intenções. Os percalços de hoje não influirão na majestosa harmonia do futuro. .Χ.Χ.Χ.Χ.Χ.Χ. «Domingo de Comunhão Uni-versal» está destinado a exercer a mais benéfica influência para a coordenação dos ideais cristãos. Jamais poderemos pensar numa união concreta sem estarmos de corpo e alma integrados no pensamento de Nosso Senhor. E onde acharemos no Cristianismo outra fonte mais inspiradora que a Sagrada Eucaristia? Através dos Elementos Consagrados, seja qual fôr a forma por que es distribuam os sacerdotes, teremos a Presença Real do Filho de Deus, alimentando espiritualmente com energia para todas as lutas, e inspirando os mais elevados propósitos. .Χ.Χ.Χ.Χ.Χ.Χ. O mundo moderno não comporta mais a estreita mentalidade de alguns nossos antepassados. O homem é livre, e tem o direito de fazer uso de sua liberdade dentro dos princípios cristãos como fora dê-les. O aforismo das pequenas coisas não pode ser contado em prejuízo da união do grande todo. .Χ.Χ.Χ.Χ.Χ.Χ. A visão do Reino do Céu, que é espiritualmente concreto e dinamicamente real, não nos permite entrever uma coletividade dividida. Os «santos», os «remidos» ou que outro nome tenham prefiguram aquela perfeição por que lutamos tanto e que não pode existir sem a união vinculada pelos mais fortes laços de comunhão. «Eu e o Pai somos Um». .Χ.Χ.Χ.Χ.Χ.Χ. A união entre todos os homens prevê a base de um futuro edênico. A mesma base que deve ser a estrutura individual de todo cristão. A fé como ponto de partida em tudo o que disser respeito a suas experiências no campo espiritual; o amor como ponto de partida em tudo o que disser respeito a suas experiências no campo social. Fé e Amor encampam a vida. São os postulados que, a nosso ver, resumem a existência. Através dêles podemos descortinar todas as atividades humanas em todos os seus setores e manifestações. E como tal devem ser os elementos inspiradores e norteadores da vida de cada um na direção de um futuro melhor. .Χ.Χ.Χ.Χ.Χ.Χ. «Comunhão dos Santos» significa identidade de sentimentos cristãos entre todos aqueles que confessam e confessaram a Cristo como seu Único Salvador.


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ESTANDARTE CRISTÃO

Sexagenário da IGREJA DO REDENTOR, DE PELOTAS

Pregadores especialmente convidados - Valiosa aquisição - Mais de Cr$ 30.000,00 recebidos no decorrer da semana

De 12 a 19 de outubro último, foi comemorada, condignamente, a passagem do sexagenário da Igreja do Redentor, da cidade de Pelotas. Há cêrca de um ano, vinham sendo tomadas todas as providências no sentido de que essa grande efeméride ficasse assinalada, de forma marcante, na história da Igreja de Pelotas. A benemérita Sociedade Auxiliadora de Senhoras, a cuja frente se encontra a esforçada presidente Da. Elizabeth P. Del Nero, bem auxiliada por toda a diretoria e também por Da. Mary Lucas Hugaud, Diretora do Departamento de Trabalhos, vinha confeccionando, faz muitos meses, trabalhos manuais, em cuja confecção tomou parte a maioria de suas sócias, para serem vendidos durante esta semana de festejos. E o resultado foi dos mais animadores possíveis, pois o produto da venda desses trabalhos alcançou bela soma. É de justiça ressaltar também a cooperação emprestada pela veterana Milicia Cristã, que organizou dois recitais radiofônicos, patrocinados por cerca de 20 firmas, e pêla U. M. E. e S. A. Jor. que, em conjunto, apresentaram, primeiramente, a 18 do referido mês a bem ensaiada e montada peça «A pupila dos meus olhos, comédia em 3 atos, original de Joracy Camargo, que agradou em cheio a todos os que assistiram, tanto é que, atendendo a muitos pedidos, esta peça veltou a ser apresentada na noite de 28 de outubro, sempre sob agrado geral. Também já há alguns meses vinham os ministros da paróquia alertando a todos os eclesianos de que deveriam cooperar para o maior brilhantismo dessas comemorações. Um extenso programa foi elaborado, com bastante antecedência e com todos os pormenores, para que tudo transcorresse como era desejo, e o lema para o nosso glorioso Sexagenário foi «Morte à Morte», e sôb êste lema todos trabalharam, sem esmorecimento, para ser alcançado êste objetivo. Foi intensificado o trabalho missionário, com o fim de serem trazidas novas almas ao redil do Senhor, e no solene Culto Vespertino, de 19, foram recebidos, pêlo Rito Apostólico da Imposição das Mães, em nossa igreja mais de 15 membros. Queremos salientar, de passagem, que durante os primeiros dez meses do corrente ano, foram confirmadas em nossa paróquia 68 pessoas. A paróquia também teve a satisfação de receber a visita, por vários dias, da Snrha. Carmen Wolff, missionária em nosso país, que falou duas vezes perante à congregação, sendo a última em a noite de 16, como parte do programa de nosso sexagenário. Ministrou ainda várias aulas às componentes e sócias da S. A. S., cujas aulas muito agradaram. Faz pouco mais de dois meses, apresentou-se a oportunidade para a Igreja do Redentor adquirir um prédio localizado junto à igreja, medindo 13 metros de frente pêla rua 15 de Novembro, com 51 metros de fundos, tendo ainda uma saída pêla rua Gal. Telles, com cerca de 2 metros, formando, assim, um cotovélo em tôrno de nosso templo. Além de sua ótima localização, êste prédio virá dar mais frente e mais fundos a nossa atual exedra, que futuramente pretendemos aumentar, uma vez que já está pequena, não preenchendo mais as nossas necessidades. O custo desta propriedade, incluindo despesas de escrituras, pequenas reformas, etc., montará aproximadamente a Cr$ 470.000,00. A Junta Paroquial, durante quase dois meses, em sucessivas reuniões bastante animadas aliás, debateu maduramente o assunto, pesando os prós e os contras, para, finalmente, aprovar por unanimidade a compra dêste prédio, muito embora reconhecesse a grande responsabilidade que estava sendo tomada, pois que não possuia esta paróquia, nem 15% da importância necessária a de tal transação. Considerando, entretanto, o valor inestimável que representará para esta paróquia, para a Igreja Episcopal Brasileira, a aquisição desta propriedade, que virá enriquecer o seu patrimônio e possibilitará futuramente a expansão de seu trabalho, foi que a Junta Paroquial tomou tal deliberação, e lançou mão de empréstimos para cobrir a grande diferença existente, e está certa de que, com a graça de Deus e com o apoio de todos os paroquianos desta cidade, que sempre estão dispostos a lutar pela boa causa, será vencida mais esta batalha. Mister se faz que ressaltemos também o papel saliente desempenhado pelo nosso amado Bispo Diocesano Dr. Athalício T. Pithan que aprovou os nossos planos, desde que dêles tomou conhecimento, e insistiu para que levassemos a bom têrmo as negociações, tendo ainda sido intermediário num dos empréstimo que contraimos, empréstimo êste obtido em condições vantajosas, excepcionais mesmo, para nós. Foi lançado um apêlo aos dizimistas da paróquia no sentido de que, no mês de outubro, fossem dizimistas duas vezes, e a aquêles que ainda não o fôssem, que se tornassem dizimistas ao menos neste mês. Ficou ainda deliberado que tô-

O Preço da Fidelidade

Ela custou: Para Abraão - a oferenda de seu próprio filho. Para Daniel - o ser lançado à Cova dos Leões. Para Shadrac e seus amigos - o fogo da fornalha. Para Ester - o risco da própria vida. Para Estêvão - a morte por apedrejamento. Para Pedro - o martírio. Para Cristo - Getsemane e tudo que sofreu na Cruz. E para ti? Que te está custando a fidelidade a teu Senhor e Rei?

da a receita dêste nosso glorioso sexagenário será empregada para a amortização da dívida assumida com esta vultosa transação, e parece que os apelos do Pároco foram ouvidos, por que o resultado até o momento conhecido auferido com estas festividades foi bastante compensador, conforme passaremos a discriminar: Coletas, Cr$ 7.903,40; Ofertas especiais, Cr$8.000,00; Recitais radiofônicos, Cr$ 2.100,00; Quermesses, Cr$ 3.800,00; Trabalhos manuais, Cr$ 5.840,00; Churrasco, Cr$ 1.410,00; Festivais da UME e SAJ., Cr$ 2.394,00; Recital Sta. Margarida, Cr$ 2.343,00. TOTAL Cr$ 33.790,40. Durante esta semana, em que não fci esquecida a parte espiritual, pois foram convidados clérigos de outras paróquias, especialmente para pregarem nestes dias, e recebida ainda a visita, sempre tão apreciada e aguardada, de S. Revdma. Dr. Athalício T. Pithan, foi observado o seguinte programa: Dia 12, domingo As 7,00 hs., Celebração Eucarística. As 10,00 hs., Culto Solene de abertura das comemorações, em que tivemos uma congregação de 311 pessoas, pregando o Rev. Henrique Todt Jor., m. d. Secretário Geral da Diocese. As 15,00 hs., Romaria ao cemitério, tendo sido depositadas flores no túmulo do saudoso Rev. (Conclui na página 10)


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ESTANDARTE CRISTÃO

WILLIAM CABELL BROWN

(A 26 de Outubro passado transcorreu o 61º aniversário da organização do trabalho Episcopal na cidade do Rio Grande. O presente artigo é uma homenagem ao 1º pároco riograndino.)

Brown foi inegavelmente, um dos missionários mais operosos e cultos que já trabalhou em nossa Igreja Episcopal. Filho dos Estados Unidos, identificou-se de tal maneira com o Brasil e os brasileiros que os largos anos que entre nós viveu criaram-lhe um halo de admiração e saudade. Meu pai, que foi seu discípulo, sempre que a êle se referia era em têrmos de profundo respeito e amor. Brown veio para nossa pátria como componente do segundo grupo de missionários e aqui aportou, em companhia de sua exma. esposa, em 1891. Já era homem feito, pois contava 29 anos de idade. Penetrou o Rio Grande do Sul, sede da Igreja, pela cidade do Rio Grande e nessa cidade encontrou o trabalho episcopal em franco funcionamento, sob os cuidados do então catequista snr. Vicente Brande. Quase nada conhecendo de nossa língua, sua nomeação como pároco do referido trabalho a 26 de outubro de 1891 foi, na realidade, mais simbólica que outra coisa. No mês de maio do ano seguinte passou a residir em Pôrto Alegre. Na capital gaúcha foi que o culto missionário se dedicou com grande afinco ao estudo da língua portuguesa. Seu primeiro mestre do idioma cameneano foi o jovem e dinâmico catequista Américo Vespúcio Cabral. Estudou a lingua nacional com tal cuidado o Rev. Brown que chegou a ser conhecedor profundo da mesma, manejando-a com grande elegância e precisão. Em Pôrto Alegre, junto com o venerando Rev. Dr. Morris, fundou o «Estandarte Cristão, fazendo publicar o primeiro número em janeiro de 1893. Mais tarde tornou-se seu único redator, tendo-o trazido para o Rio Grande, quando pastoreou aquela igreja da cidade marítima. Éle realmente o consolidou e, quando o jornal enfrentava situação financeira grave, era o Dr. Brown que o salvava. Quando ainda em Pôrto Alegre, tocou ao recém chegado presbítero a tarefa de organizar a nascente Igreja da Trindade, aquela que viria a ser a maior e mais importante paróquia episcopal entre nós. Entanto, não ficou só nisso o seu trabalho na capital riograndense. Acompanhado sempre pelo jovem Cabral, empreendeu a tradução do Livro de Oração Comum para o vernáculo. Foi uma tarefa árdua, mas que os dois cumpriram com elogiável galhardia e boa vontade. Essa preciosa contribuição à Igreja não poderá nunca ser esquecida, dado O valor e o significado que o nosso devocionário tem na vida religiosa de cada eclesiano. Em 1896 Brown voltou ao Rio Grande. Agora manejando a língua portuguesa com maestria invulgar, aquí ficou, com pequenas interrupções, até dezembro de 1905. Seu pastorado nessa cidade foi abençoado por Deus. A antiga capela de São João (primitiva designação da hoje Igreja do Salvador) se desenvolveu sobremaneira. O zêlo, a piedade, a bondade de seu nobre coração fizeram verdadeiros prodigios. Numa ocasião de epidemia seu desprendimento e coragem empolgaram as almas. Socorria os doentes necessitados com os seus próprios recursos pecuniários, chegando mesmo, duma feita, a dar tudo o que tinha de modo que, ao fim do mês, se viu em tremenda dificuldade para atender seus compromissos. Mas, como qualquer outro ser humano, êle pagou, em Rio Grande, o seu tributo à dor. Terrível enfermidade vitimou um de seus filhos, cujo túmulo ainda pode ser visto no Cemitério Protestante daquela cidade. Foi assim que êle deixou na cidade de sua paróquia também um pedaço do seu coração de pai. Quando a Igreja que se estabelecia resolveu fundar um Seminário para a preparação de clérigos, Brown foi escolhido para deão. E assim nasceu em Rio Grande a primeira Escola de Profetas que tivemos. A importância dessa instituição na vida da Igreja naqueles primitivos tempos foi extraordinária. Foi dela que recebemos os primeiros ministros com preparo teológico regular, clérigos êsses que vieram a ser os consolidadores da obra iniciada pelos primeiros missionários. O trabalho de Brown era tão importante e de tamanha repercussão que a Igreja-Mãe começou a notá-lo. Em breve, a Câmara dos Bispos o elegeu para bispo de Pôrto Rico. Mas êle recusou. Cria que seu lugar era no Brasil, para o qual viera cheio de fé e entusiasmo. Algum tempo depois nova eleição lhe foi comunicada. Queriam-no como antis-te de Cuba. Novamente Brown disse que não. Ainda tinha o que fazer na Igreja brasileira. Não era movido por vaidades e, porisso, empolgava-o o trabalho na pequenina missão da terra de Santa Cruz. Entrementes, as Sociedades Bíblicas então existentes no Brasil resolveram patrocinar uma nova versão para o português das Santas Escrituras. As duas versões que haviam não satisfaziam. Importante co-


ESTANDARTE CRISTÃO

Da Convenção Geral

  1. A Câmara dos Bispos rejeitou a proposta feita da Câmara dos Deputados pela qual uma Diocese Missionária com seis paróquias autônomas poderia enviar a indicação de três nomes quan-do ccorresse vaga no episcopa-do.
  2. A Convenção recusou reduzir o número dos seus deputados, bem como a proposta pela qual a Convenção pagaria as despe-sas de viagem dos delegados.
  3. Foi autorizada uma grande campanha para levantar fun-dos especiais para construções e melhoramentos nas proprie-dades.
  4. A Convenção pediu à Igreja a realização duma campanha intensiva de Evangelismo.
  5. A Câmara dos Bispos emitiu sua opinião sobre a participa-ção do Clero na Santa Comu-nhão em reuniões ecumênicas, em que dizendo: (1) O Cléro não deve oficiar em celebrações mistas. (2) Com a permissão do Bispo, em qualquer reunião que haja uma celebração de acôr-do com o rito episcopal, mem-bros de outras denominações poderão participar se antes do ato houver um ofício de prepa-ração. (3) A Igreja não apro-va, ainda que não negue aos leigos participarem da Santa Comunhão celebrada por outras Igrejas em reuniões ecumêni-cas.
  6. A Convenção instruiu o Clero a prégar, pelo menos uma vez por ano, sôbre vocações, recomen-dando as orações dos fiéis a fa-vor do aumento do ministério.
  7. A Convenção manteve a provi-são do Canone 45, que especi-fica a aposentadoria compulsó-ria dos ministros aos 72 anos de idade, a partir de 1957.

IGREJA DESMONTÁVEIS

Pequenas igrejas desmontá-veis estão sendo usadas com vantagens. Medindo geralmen-te 10 metros de cumprimento e 6 de largura, acomodam 80 pessoas, e são utilizadas para os ofícios divinos, escola domini-cal e quaisquer outras ativi-dades religiosas, onde faltem prédios permanentes.


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ESTANDARTE CRISTÃO

Os irmãos de JESUS

M. B. WEBER

Diz-nos a Bíblia que Jesus Cris-to era filho da virgem Maria e de José, seu espôso. Seria Éle o único filho da bendita Virgem, ou teria ela outros filhos? O Evangelista S. Mateus nos fala nos irmãos e nas irmãs de Jesus, nos versículos 55 e 56 do capitulo 13: «Não é êste o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos não são Tiago, José, Simão e Ju-das? E não vivem entre nós tô-das as suas irmãs»? Pensam al-guns, entretanto, que os nomes mencionados eram dos primos e não dos irmãos de Jesus, porém, as outras passagens das Sagradas Escri-turas que nos falam na família de Jesus nos mostram que os «irmãos» referidos acompanhavam sempre a virgem Maria e estavam tão inte-ressados na vida de Jesus que de-veriam ser seus irmãos e não sim-plesmente seus primos. Vejamos es-tas passagens: Não é éste o car-pinteiro, filho de Maria, irmão de Tiage, de José, de Judas e de Si-mão? e suas irmãs não estão aqui entre nós? S. Marcos 6:3. «Enquanto ûle ainda falava à multidão, achavam-se da parte de fóra sua mãe e seus irmãos, рго-curando falar-lhe. E alguém lhe disse: «Tua mãe e teus irmãos estão lá fóra e procuram falar-te. S. Mateus 12:46 47. <<<Vieram ter com Ele sua mãe e seus irmãos, e não podiam aproxi-mar-se d'êle por causa da multi-dão. S. Lucas 8:19.

William C. Brown

missão foi organizada para executar o trabalho planejado. Brown foi es-colhido para dela fazer parte, notável helenista e hebraista que era. E assim, em 1907, seguiu para o Rio de Janeiro. Sua contribuição à que nós hoje chamamos Versão Brasileira foi muito grande. Sua erudição impressionou Rui Barbosa, também membro da referida comissão. No Rio de Janeiro, Brown iniciou o trabalho de nossa Igreja, lan-çando os alicerces da hoje Diocese do Brasil Central. Por fim, novamente o elegeram para o episcopado, desta vez como coadjutor da Diocese de Virgínia. Era a terceira vez que a Câmara dos Bispos o chamava para o mais alto cargo na Igreja. Cumprira bem a missão para que fôra enviado ao Brasil e só então concordou em coo-perar numa das mais importantes dioceses da igreja americana. No so-leníssimo ofício de sua sagração foi pregador o Revmo. Kinsolving, que fôra seu antiste no Brasil. Esteve presente, como representante da igreja brasileira o então Rev. Lindau Ferreira. Pouco depois o Bispo Brown passou a dirigir a diocese. Em 1925, quando o Revmo. Bispo Thomas foi sagrado bispo sufra-gâneo do Brasil, o saudoso missionário pregou o sermão. Dois anos após, em 1927, em Londres, faleceu aquêle que já foi considerado um dos mais completos missionários enviados ao estrangei-ro. Havia ide à capital inglesa em busca de saúde e lá entregou a al-ma ao Criador. Encerrava-se, assim, uma das mais brilhantes e aben-çoadas carreiras ministeriais na Igreja Episcopal. Ao completar a Igreja do Salvador, em Rio Grande, 60 anos de vi-da organizada, em 26 de outubro de 1951, sua fotografia foi inaugu-rada na vestiaria do templo. Estavam presentes os componentes da Junta Paroquial, antigos membros daquela igreja, que conheceram pessoalmente o Bispo Brown e o Revmo. Bispo Egmont M. Krischke. Foi uma significativa homenagem à memória do valoroso servo de Deus, que tanto e tão belos exemplos deixou no Brasil. A Igreja Episcopal Brasileira, como um todo, porém, tem uma dí-vida sagrada com a sua inolvidável obra e só a saldará perpetuando no mármore ou no bronze o seu nome impoluto. NATANIEL DUVAL DA SILVA

Todos sabem que numa família, o filho mais velho é chamado o primogênito e, se há um só filho, êsse é chamado unigenito. Pois bem: Jesus, segundo a sua natureza humana, era filho de Maria, e segundo a sua natureza divina era filho de Deus. O escritor sagrado. nos diz que Jesus era o unigênito filho de Deus, mas o primogênito da bendita vir-gem, o que nos leva a crêr que de-peis do nascimento de Jesus a vir-gem Maria teve outros filhos. Vejamos estas passagens: «Por-que assim amou Deus ao mundo que deu seu Filho unigênito, para que todo o que n'èle crê não pere-ça, mas tenha a vida eterna. Quem n'êle crê, não é julgado; o que não crê, já está julgado, porque não crê no nome do Filho unigênito de Deus. S. João: 16-18. «E não a conheceu até que deu à luz seu filho, o primogênito, e pôs-lhe por nome Jesus.>> S. Mateus 1:25. E deu à luz seu filho primogêni-to, e envolveu-o em panos, e dei-tou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para êles na estala-gem. S. Lucas 2:7. Em vista do exposto, somos inclinados a pensar, como Helvidius, que os irmãos de Jesus, menciona-dos no

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