Estandarte Cristão - 07/1981
ESTANDARTE CRISTÃO
Ao Rev. Paulo Viana
jornal da Igreja Episcopal do Brasil - número 1638 ano 88 - julho-agosto de 1981 - diretor: Oswaldo Kickhöfel
Número avulso: 60,00
OS JOVENS ESTÃO FAZENDO MÚSICA DE LOUVOR
Pela segunda vez consecutiva os jovens são notícia de capa. E não é por menos. Eles estiveram reunidos no Colégio Cruzeiro do Sul para fazer um bonito show musical, em que participaram quatro conjuntos. Varias músicas cantadas são da autoria deles. O bispo diocesano e primaz Arthur R. Kratz prestigiou a programação dos jovens (embaixo, à esquerda). Maiores detalhes na página onze.
TEOLOGIA PASTORAL
UMA REFLEXÃO SOBRE OS OFÍCIOS FÚNEBRES
Não trato aqui dos serviços religiosos fúnebres em geral, mas apenas de um dos seus aspectos. Desejo falar do hiato que existe entre a exigência de reconfortar, de consolação de que carecem muitos enlutados e da atmosfera, ao contrário, fria e austera das nossas celebrações, a tal ponto que, as vezes, receio que o culto fúnebre seja uma provação suplementar que se ajunta a da separação.
SER CONSOLADO
Não é sempre fácil ouvir o que se esconde por trás da necessidade de se ser consolado. Há, por certo, uma demanda bem simples e profunda: a de ser cercado e apoiado. Estas próprias palavras exprimem bem o que querem dizer: são esperados gestos e atos ao invés de palavras. Em que medida, então, um ofício composto unicamente de palavras dá aos enlutados o sentido de ter sido incluído na sua necessidade?
Creio que há mais ainda: não se pode ser consolado se não se tem o sentimento de se ter sido incluído, reconhecido. O que se exige, me parece, de um oficiante, é que ele celebre nossa vida, dizendo-a de uma forma significativa. Dentro de tudo aquilo que ele poderá dizer do falecido, é a trama secreta de cada uma das nossas vidas que se quer descobrir, na esperança de que ele revelará o significado profundo de toda existência (um pedido que se torna particularmente premente numa época em que a vida de cada um é ameaçada de perder seu sentido).
ESTAR PRÓXIMO
Resta saber o que é possível fazer nos nossos ofícios, levando em conta o que acaba de ser evocado. Nossos serviços fúnebres sofrem, na maior parte do tempo, de querer dizer coisas demais. Na atual conjuntura, quando a maior parte das pessoas não estão familiarizadas com os rituais cristãos, não se é chamado a uma grande simplicidade e ainda a uma clareza ainda maior? Portanto, tempo, espaços entre cada momento da celebração, explicações para cada ato litúrgico.
Porém, partimos da exigência de se ser cercado. Concretamente! A afluência aos ofícios fúnebres resolve freqüentemente este problema... contudo, se não for este o caso, talvez seria bom que os membros da comunidade se colocassem bem perto da família; o próprio oficiante os pode convidar. Neste sentido, gosto demais de algumas orações do ritual católico, previstas para serem ditas por um dos participantes. Eis aí algo que exprime a proximidade de uns e de outros. Aprecio também a maneira pela qual tais preces reafirmam a situação de cada um nesse momento: "estamos dispersos por nosso trabalho, mas eis que tudo deixamos para nos abrir à dor dos outros..." Certamente há uma oração que parece se dirigir ao defunto, mas, no fundo, não fico embaraçado quando se diz: "eis-nos aqui com você no momento em que entras numa nova comunhão conosco... aqui termina seu caminho entre nós". Mais uma vez é significada uma proximidade.
TEMPO PARA TUDO
Estar cercado... estar incluído. Estudos recentes mostraram a importância das diferentes etapas do luto, estágios diferen-
ciados, etapas pelas quais passamos necessariamente. Na sua brevidade, o ofício fúnebre não pode percorrê-las todas. Talvez deva pertencer ao discernimento do pastor colocar uma ou outra em evidência, de acordo com aquilo que vivem os mais íntimos. Penso numa coisa bem simples: a expressão das lágrimas. A gente sabe quanto elas torturam. Não têm elas, portanto, sentido? Gosto da liturgia que diz: "E chegado o tempo das lágrimas", que lhes dá a permissão, de qualquer maneira e que lhes prepara um tempo. Aí está também uma pista para um uso renovado dos salmos.
Não falamos dos gestos. Seria bom que eles tivessem sua importância neste momento. Não obstante, parece inútil, por hora, introduzi-los neste tipo de celebração, uma vez que não são habituais aos outros. O que não quer dizer que isso não possa ser começado.
UM SOPRO DE LIBERDADE
Fico impressionado com a liberdade e a diversidade que reina em outras celebrações. Nossos cultos fúnebres são terrivelmente uniformes, o que os torna anônimos e distantes. E verdade que geralmente se tem o sentimento de que o que toca aos ritos religiosos nos escapa. "O Senhor sabe o que deve ser feito", dizemos ao pastor. Nada mais justo do que exprimir mos nossos desejos menores relativos a música, as flores ou a oferenda. A situação psicologi-ca do luto desempenha também um papel: não se está muito dispos-to para nada; antes, a gente es-ta com vontade de se descarre-gar ao menos dessa questão do ofício religioso. Mas, (experi-
Um ritual uniforme, por exem- plo, poderá ser recolocado em questão: a presença do féretro na Igreja. Ela pode ter um sen- tido, para o crente, de que é sua casa. Pode ser justificado isso de outros modos. Mas, por que mantê-la no caso de ser uma dor aumentada? E a propósito disto que se poderia marcar bem as etapas dos funerais: em casa ou no hospital; na igreja; no ce- mitério ou no crematório. E tam- bém: por que não suprimir, na o- casião, o culto fúnebre na Igre- ja? Em vez disso, após uma cele- bração em família, convidar pa- ra o culto dominical, no qual será feita menção especial e ha- verá oportunidade de cercar de afeto os enlutados?
Acho que foi Rilke quem dis- se: "Senhor, da a cada um sua própria morte, a morte que esta vida comporta, aonde a pessoa conheceu o amor, o sentido e a aflição". Pode-se já desejar que nossos serviços religiosos funebres tenham significado ma- ior do que "cada um a sua pro- pria morte".
Foram reflexões de ordem prá- tica. Um pequeno discurso de de- fesa para que também nos cultos funebres a liberdade sopre. Uma liberdade que seja sinal da fé. Pois, ficar preso a rituais sem significação não é dar a morte a última palavra?
publica há 40 anos na Suíça.
Ester, a rainha que salvou o seu povo
Escreve Rev. MARIO B. WEBER São Leopoldo. RS
Nos dias de Assuero, provavel- mente 450 anos antes de Cristo, os judeus estavam espalhados pe- las 127 províncias que compu- nham o reinado do monarca, es- tendendo-se da Índia até a Etió- pia.
Dentre os exilados, achava-se um homem de elevada estirpe, cha- mado Mordecai. Também na provin- cia de Susa residia uma moça chamada ESTER. Sendo órfã de pai e mãe e filha de um tio de Mordecai, este a levou para sua casa e cuidou dela.
Segundo o costume da época, Assuero deu um grande banquete e determinou que a rainha VASTI também comparecesse à festa. Vas- ti recusou-se a comparecer ao banquete. Indignado, o rei bai- xou decreto proibindo a Vasti de entrar no palácio real.
Assim, foi ela despojada do trono. Por ser em extremo formo- sa, Ester foi escolhida para su- ceder a Vasti. Diz o escritor do livro de Ester que o rei, quando viu a moça, a amou mais do que a todas as mulheres. Pôs- the na cabeça a coroa real e a fez rainha em lugar de Vasti. Ig- norava o poderoso monarca a li- nhagem da nova rainha. Morcai, seu primo e pai de criação, dia- riamente, procurava saber como estava Ester e lhe mandava notí- cias. Descobriu a conspiração de dois guardas para tirarem a vida do rei. Disso deu ele co- nhecimento a Ester. Hama, chefe dos guardas do rei, odiava
Mordecai, porque este não lhe prestava obediência como os de- mais. Odiando assim ao judeu Mordecai, conseguiu que o rei decretasse a morte de todos os judeus, e espalhados no seu do- mínio, e o decreto real, neste sentido não tardou. Mordecai su- plicou a Ester que intercedesse junto ao rei a favor de seu po- vo. A missão era por demais ar- riscada, pois quem aparecesse no pátio real, a não ser a chamado do próprio rei, teria sentença de morte. Mordecai insistiu, di- zendo: "quem sabe se para tal conjuntura como esta é que fos- te elevada a rainha?" Nesta al- tura é que se revelou o patrio- tismo e o desapego à vida da no-
bre rainha. Revelando grande destemor, disse: "Depois do je- jum, irei ter com o rei, ainda que é contra a lei; se perecer, pereci". Como consequencia, sua audacia conseguiu que o rei re- vogasse o decreto que determina- va a morte de todos os judeus residentes nas províncias por e- le governadas.
Cumprir o dever, impelida pe- lo mais são patriotismo, para Ester era mais importante que a própria vida. O povo de sua linhagem conseguiu sobrevivên- cia pelo seu desprendimento. Na história de Ester encontramos bravura e altruismo grandemente recompensados. Pela sua intrepidez, não somente ela, mas todos os seus patrícios conseguiram sobreviver.
NOTA DA REDAÇÃO: Este artigo a- pareceu pela primeira vez no se- manário VIDA PROTESTANTE que se publica há 40 anos na Suíça.
ECristão página 2
ESTANDARTE CRISTÃO
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ESTANDARTE CRISTÃO é uma publicação mensal da Igreja Episcopal do Brasil, XIX Provín- cia Autônoma da Comunhão Anglicana. Redação e administração: av. eng. Ludolfo Boehl no 254, Teresópolis, Porto Alegre, RS, Brasil. Impressão: Empresa Gráfica Metropole Socie- dade Anônima, av. eng. Ludolfo Boehl 729, Teresópolis, Porto Alegre, Rs, Brasil.
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É MUITO CEDO AINDA PARA O MINISTÉRIO ORDENADO FEMININO
Escreve CORDY SANVICENTE SS. Trindade, Porto Alegre, RS
A cerimônia acima já acontece em algumas igrejas anglicanas. No Brasil, o Sinodo da Igreja Episcopal rejeitou por duas vezes consecutivas a ordenação de mulheres, embora cinco dos seis bispos brasileiros sejam favoráveis a essa nova forma de ministério. Os leigos são os que mais se opõem à medida.
Lendo o artigo intitulado "EM LOUVOR DA METADE DOS SANTOS" re- centemente publicado no "Estan- darte Cristão", constatei vez mais que ha quase uma obses- são para que seja permitida na Igreja Episcopal do Brasil a "or- denação feminina". Ainda não com- preendo esse repentino desejo e essa ânsia tão grande que se vem observando ultimamente no seio da Igreja no que se refere a esse assunto. Não estaremos todos nós, simpatizantes ou não, nos precipitando quando quere- mos impor a nossa vontade, pro- vocando discussões e ressenti- mentos entre irmãos? Por que não dobramos com humildade OS nos- sos joelhos, pedindo que o Espi- rito Santo, "essa força miste- riosa", nos oriente e realize a sua missão? Por que precipitar- mos os acontecimentos? Oremos irmãos, oremos sem ces- sar, e submissos, aguardemos a resposta que o Senhor tem para nos dar.
A ordem que recebemos foi de ir- mos por todo o mundo e pregar- mos o evangelho a toda criatura. Este é um privilégio que não es- tá restrito somente aqueles que recebem as Sagradas Ordens, no Ministério, mas a toda criatura, independentemente de sua "anato- mia", grau de instrução e sabe- doria.
Quem já recebeu o Espirito Santo em seu coração, vive o Evange- lho de Cristo, que é simples, puro e está ao alcance de todos. Que maravilhoso é sabermos que existem mulheres dispostas a se consagrarem mais especificamen- te a Cristo e Sua Igreja. Gra- ças a Deus que estão aí as or- dens monásticas, dando oportuni- dade a que elas realizem sua as- piração.
HOMEM e MULHER, obras primas do Criador, têm características e funções próprias, específicas e nenhum é superior ou inferior ao outro eles se completam.
Se homens e mulheres insistirem em realizar as mesmas coisas, e- les não mais estarão se comple- tando, mas simplesmente COMPE- TINDO... e de competições o mun- do anda cheio! Nós não necessi- tamos de competidores, mas de VERDADEIROS ADORADORES a Deus Pai, Filho e Espirito Santo.
Participei do último Sinodo rea- lizado em Porto Alegre, como re- presentante leiga pela Diocese Meridional. Foi uma experiência nova, e agradeço a Deus por ha- ver me concedido a oportunidade de votar na decisão de tão polê- mico assunto, qual seja, a da "Ordenação Feminina". Os que lá estiveram, sabem que não simpatizo com essa idéia e que meu voto não lhe foi favorá- vel. Justamente por ser mulher, e estar plenamente satisfeita de o ser, não me sentindo nada inferior ao homem, sinto-me mui- to à vontade para abordar esse assunto. O resultado da votação no Sinodo de 1980 foi muito sin- tomático!
Se orações foram feitas (e real- mente foram), se houve troca de opiniões entre as pessoas ali congregadas, se o assunto foi de- batido e combatido por clérigos e leigos e a idéia não foi a- provada resta-nos admitir que, pelo menos por enquanto, ainda não é a hora apropriada para que a Igreja aceite o "MINISTÉRIO OR- DENADO FEMININO".
Continuemos orando e que o Espi- rito Santo nos aconselhe e ins- pire sempre.
As forças das trevas e do inferno não permanecerão para sempre
Escreve Côn. JOSUE BEZERRA Circuito Missionário de Pelotas, PS
Pelos sinais que os nossos olhos contemplam, Deus está cha- mando seu povo para um ministe- rio, diríamos, peculiar, desti- nado a um período todo especial da história da humanidade.
A incapacidade do homem de usar todos os imensos recursos da ciência e da técnica para re- solver vitais necessidades huma- nas, principalmente aquelas que se referem à extrema pobreza de muitos e à excessiva riqueza de poucos, tende, cada vez mais, a conduzir todos os povos da ter- ra a dias profundamente inquie- tantes, para não dizer extrema- mente perigosos.
Que irá acontecer, por exemplo, quando houver aumentado muito mais, dobrado talvez, a popula- ção da terra, enquanto os meios de produção de alimentos diminu- em, pela fuga dos homens para os grandes centros consumido- res? Acrescente-se a isso o fa- to de que os meios de produção cada vez mais tendem a se con-
centrar em poucas mãos, mãos de grupos quase sempre poderosos, que, dia a dia, demonstram que- rer manipular tudo em benefício próprio, sem levar em conta ne- cessidades que, seguramente, são vitais para que todas as pesso- as possam viver e ser felizes!
Se não houver uma profunda transformação na mente, coração e sistema de vida dos homens, com toda a certeza as futuras gerações, que nos irão suceder, viverão dias dolorosos e tremen- damente amargos. Os sinais dos tempos estão a mostrar isso e é lamentável que muitos não este- jam vendo!
Parece que está sendo esta a vi- são da Igreja Universal. Como serva do Senhor, parece que a I- greja Universal toma consciên- cia cada vez mais, em meio à cri- se do mundo, para a realização de uma imensa tarefa que, em úl- tima análise, significará a sal- vação do mundo de um cataclismo que poderá ser fatal para a vi- da de todos os homens e todos os povos.
A Igreja Universal, interpretan- do os sinais oriundos do Divino Salvador, está clamando aos ou- vidos de cada homem e de todos os homens, no sentido de que ou- çam a Palavra de Deus, sejam salvos e "venham tempos de re- frigerio", para TODOS e não pa- ra ALGUNS.
O divino chamado é para uma lu- ta muito séria, que não irá ces- sar até que resulte na vitória da vida, da justiça e da paz pa- ra TODOS. Luta que cada vez mais se fortalecerá na certeza do divino chamado e na confian- ça inabalável no glorioso da vitória do Senhor. As forças das trevas e do inferno não pre- valecerão para sempre sobre Plano de Deus! "Do Senhor é TERRA e TUDO O QUE NELA EXISTE, o MUNDO e os que NELE HABITAM". (Sal.24:1) Deus é o Senhor, não os homens!
Ampla é então a mensagem da sal- vação que a Igreja Universal proclama. Muito mais ampla e en- volvente do que talvez possam muitos imaginar! Ela visa atin- gir TUDO o que envolve os ho- mens. E assim será feito, porque Deus o quer.
E a força da Igreja, para reali- zar tão imensa tarefa em prol de todos os homens, vem da sua Fé no Divino Salvador. Não irá ser, então, através da violên- cia, mas da pregação, da cate- quese, do ensino, do testemu- nho, são OS instrumentos que canalizam o fermento para o seio da massa.
OS Que todos os homens tenham olhos de ver e ouvidos de ouvir. Mais do que isto, que todos os homens procurem facilitar a a- ção do Espirito do Senhor, ao in- vés de tentar impedi-la! Porque o novo céu e a nova terra não tardarão a despontar no horizon- te para todos. Isto terá de a- contecer e os homens não conse- guirão impedir.
ECristão página 5
Cartas
"Assinante e assíduo leitor do Estandarte Cristão, causou-me espécie o sexto tópico da colu- na "Dos boletins paroquiais", es- tampado na edição de maio últi- mo. Tal se deveu não ao texto da citação pois, cristãos democratas, que queremos o me- lhor para nossa gente e nossa terra, todos pensamos como o au- tor mas à propaganda politi- co-partidária ali inserida, a- dredemente preparada.
e Faz poucos dias, segundo se viu na imprensa, repercutiram nega- tivamente por todo o Pais decla- rações de conhecido prelado da Igreja Católica Romana, tomando publicamente posição por este ou aquele partido, excluindo ou tros, que têm legiões de cris- tãos em suas fileiras. O topico e as declarações acima referi- dos conduzem a acreditar que, na verdade, neste ano pré-elei- toral, o que se objetiva é indu- zir ou influenciar o eleitor cristão.
Ninguém pretende que a Igreja não intervenha na realidade que a cerca, cumprindo o seu papel evangelizador e de humanização do mundo, participando na solu- ção pacífica dos problemas so- ciais. Mas fazer propaganda po- litica, com citação de sigla partidária, é querer misturar os negócios da Igreja com os ne- gócios dos politicos.
"Todas as coisas me são lici- tas, mas nem todas convém", a- firma São Paulo em sua primeira carta aos Corintios. Seja de que religião for, é licito a qual- quer pessoa participar da vida politica, escolher o partido que quiser, fazer até mesmo propa- ganda politica (e há muito pa- dre, por aí, fazendo isso, mis- turando, inclusive, religião com politica), mas, parece-me, não convém nem à Igreja nem ao Es- tandarte Cristão.
Nada há de pessoal contra o au- tor da frase, mas entendo que, no momento em que se alude à de- terminada sigla partidária se está chamando a atenção do lei- tor para a respectiva agremia- ção. Penso que os episcopais, sejam de que partido forem, vão concordar em que não é essa a missão da nossa Igreja, nem es- se o objetivo do Estandarte Cris- tão.
Por tudo isso, manifesto minha inconformidade em ver que esse tipo de orientação norteia o or- gão oficial da Igreja a que per- tenço. Seria conveniente que os responsáveis lembrassem que é necessário saber o tipo certo de semente a plantar para o que queremos colher".
Dr. ZIVER RITTA Porto Alegre, RS
ESTANDARTE CRISTÃO
DIOCESE MERIDIONAL TERA PLANO DE AÇÃO NO PROXIMO
POR UM MAIOR NUMERO DE ASSINATURAS
Em circular enviada a todos os núcleos, a presidente da SAE da Diocese Sul Central, Enilda Rodrigues Palma, fez um veemente apelo no sentido de que haja um "maior número de assinantes do Estandarte Cristão, visando a campanha "um Estandarte em cada lar", visto que agora, mais do que nunca, nosso Estandarte Cristão está atualizado e divulgando o Guia de Estudos Bíblicos".
Novo preço a partir de outubro
O Estandarte Cristão terá um novo preço de assinaturas a partir de primeiro de outubro, medida que teve de adotar pa- ra enfrentar a inflação. Só para se ter uma idéia da necessi- dade desse aumento, o preço dos fotolitos subiu 145% em maio e as tarifas postais subiram 71% em julho. Uma edição está custando, ao preço atual, cerca de 50 mil cruzeiros. Os no- vos preços a partir de 1º de outubro são os seguintes:
Assinatura anual Cr$ 500,00 Número avulso 100,00 Número atrasado 100,00 Assinatura exterior 1.000,00
• A presente edição, que deveria ser relativa ao mês de ju- lho, teve também de ser estendida até agosto, a fim de evi- tar o surgimento de um deficit na receita e despesa. Não é nossa intenção publicar uma edição para cada dois meses. De- pendendo da situação financeira, esperamos voltar já em se- tembro a publicar edições mensais. A solução é aumentar o nú- mero de assinaturas nas paróquias. O Estandarte Cristão con- ta com esse trabalho, que é eminentemente local, para sobre- viver e cumprir sua missão.
MENSAGEM AS IGREJAS
Queridos amigos da Igreja de Jesus Cristo.
Vocês já sabem porque as Sociedades Bíblicas existem. Nosso ministério é colocar a Palavra de Deus ao alcance de todos. Nós traduzimos, publicamos e distri- buímos as Escrituras Sagradas.
Olhando à frente para a década de 80, percebemos a imensidão de nosso trabalho. Há milhões de pessoas cuja fome espiritual é até maior do que as suas necessidades físicas. Há pessoas ainda não alcançadas, tanto dentro como fora de nossas comunidades. Há pessoas desorientadas à procura de luz em seus caminhos. Há lugares, onde a Bíblia ainda não chegou. Contudo, nosso Deus deseja que Sua Palavra seja ouvida por todos. À luz desta necessidade e da grande incumbência dada por Deus, lhes enviamos esta mensagem.
Desejamos ressaltar o seguinte:
As Sociedades Bíblicas estão prontas para produzir edições das Escrituras que fortalecerão a vida espiritual e a missão de todos os ramos da Igreja Cristã. A Bí- blia era, é e será sempre a base da adoração e do trabalho da Igreja de Deus. Hoje, muitas igrejas estão reexaminando o uso das Escrituras tanto na vida de sua própria comunidade como na sua tarefa evangelizante e missionária. Nós, as So- ciedades Bíblicas, firmamos nossa disposição de auxiliar cada Igreja Crista com publicações das Escrituras que apóiem, profunda e intensamente, a vida e missão da Igreja.
Somente através de bastante e freqüente consulta, as Sociedades Bíblicas saberão como servi-los melhor. Novas traduções podem se tornar necessárias. Talvez Escri- turas em diferentes formatos sejam necessárias a fim de alcançar grupos especí- ficos. Novos caminhos e métodos de distribuição devam ser estabelecidos. Por fa- vor, informem sua Sociedade Bíblica.
O trabalho que nos foi confiado não é missão especial de poucos. Cremos que ele seja da responsabilidade de todos os cristãos e de toda a Igreja de Jesus Cristo. É por isto que lhes escrevemos esta carta. A Sociedade Bíblica em seu país existe para servi-los com esta Palavra, através da qual Deus alcança e salva Seu povo.
Em Cristo.
Dr. Donald Coggan Presidente de Honra Ex-Arcebispo de Cantuária
Dr. Oswald Hoffmam Presidente Locutor da Hora Luterana
ESTANDARTE CRISTÃO
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Ex-diretores: REV. AMERICO VESPUCIO CABRAL REV. WILLIAM CABELL BROWN REV. DR. JOÃO MOZART DE MELLO REV. JOÃO BAPTISTA BARCELLOS DA CUNHA REV. JOSE SEVERO DA SILVA REVMO. ATHALICIO THEODORO PITHAN REV. DR. HENRIQUE TODT JUNIOR REVMO. ARTHUR RODOPLHO KRATZ
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Rosa de Lima
(1586-1617)
RUTH DEL NERO SILVA SS. Trindade, SP
Rosa de Lima era natural de Lima, Peru, e foi a primeira mu- lher nascida no hemisfério oci- dental a ser canonizada. A Igre- ja Católica Romana declarou-a padroeira da América do Sul, on- de ela é altamente considerada. Filha de um espanhol, Gaspar de Flores, e de uma índia inca, Ma- ria D'Olivia, não obstante ter sido batizada com o nome de Isabel, em homenagem à avó materna Isabel de Herrera, era de bele- za tão exuberante que sua mãe a tratava por Rosa, pois mais se parecia com uma flor. Sua vida assemelhava-se, em vários senti- dos, com a de Catarina de Sena. Como esta, ela era a mais nova de uma grande família. Tinha o hábito de orar muito e se peni- tenciava constantemente, apesar dos obstáculos levantados pela familia. No jardim de sua resi- dência, ela construiu um orato- rio, para retiro espiritual, tornando-o um lugar de suave be- leza, rodeado por tão maravilho- sas flores que ela bem poderia ter sido cognominada a padroei- ra das flores. Não somente ela as fazia crescer em profusão no seu jardim como, também, com sua habilidade em bordados, Rosa con- feccionava flores em damasco, seda e veludo. Irmã laica da Ter- ceira Ordem Dominicana, Rosa foi enterrada, primeiramente, no Convento Dominicano de Lima. Pos- teriormente, seu corpo foi remo- vido para a Igreja de São Domin- gos, em Lima.
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PALAVRAS DO BISPO PRIMAZ XCII
RENOVAÇÃO NÃO É ALIENAÇÃO
O assunto renovação espiritual é um dos assuntos do momento em todas as Igrejas cristãs. Damos louvores a Deus por isso. O mo- vimento renovador da vida ecle- sial se intensifica e reacende as brasas da fé e do amor, por vezes quase apagadas em muitos membros da Igreja. Significati- va e animadora é a participação da juventude na renovação. Fe- lizmente, já vai indo para o passado o tempo em que a maio- ria dos nossos núcleos da UME achavam que reunião da mocidade era com brincadeiras de salão, baile e ambiente enfumaçado pe