Estandarte Cristão - 06/1967
Estandarte Cristão
Arte Haitiana
Um artista norte-americano, DeWitt Peters, abriu, na década de quarenta, um centro de Artes em Port au Prince, capital da Haiti, surgindo de maneira exuberante uma arte nacional em pintura e escultura. O revmo. Bispo da Igreja Episcopal do Haiti, Dom Alfred Voegeli confiou à artistas haitianos, a decoração da Catedral da SS. Trindade, com murais representando cenas bíblicas, bem como outros exemplares de pintura e escultura. O clichê da obra do artista Seymor Bottex, da coleção particular do Bispo Voegeli, representa o Batismo de Cristo segundo a concepção haitiana. (DPS)
São Barnabé, Apóstolo
No segundo Domingo dêste mês estamos comemorando São Barnabé, Apóstolo e grande servo de Deus. A Coleta (Oração) foi escrita para o Livro de Oração de 1549 e está baseada no versículo 24 da Epístola para o dia (Atos 11.22-30): «...porque era um homem bom e cheio do Espírito Santo e de fé. Muita gente uniu-se ao Senhor». Seu nome original era José, mas os Apóstolos o chamaram de Barnabé (que significa «Filho da consolação»); era um levita, natural da ilha de Chipre. Tinha uma propriedade que vendeu e deu todo o dinheiro da venda para os Apóstolos (Atos 4.36-37). Era o pregador (profeta) principal da Igreja de Antioquia, pelo menos, o primeiro da lista e, após haver jejuado com os outros profetas e doutores daquela Igreja, foi escolhido pelo Espírito Santo para realizar viagens de evangelização com Saulo (São Paulo) Atos 13.1-4.
Após converter-se, São Paulo (Saule, de Tarso) teve dificuldades em ser aceito pelos cristãos de Jerusalém que tinham suas desconfianças a seu respeito, mas Barnabé o apresentou aos irmãos na fé e narrou o episódio da conversão de Paulo, o que garantiu a sua aceitação. (Atos 9.26-28). Dadas as suas qualidades, São Barnabé era a pessoa adequada para superintender as atividades da Igreja em Antioquia, principalmente a expansão do Evangelho entre os Gentios. Sob sua liderança o centro de movimento cristão se deslocou da Palestina para a Síria e marcou novos rumos para o Evangelho de Cristo. Em pouco tempo, a «missão» de Antioquia passou de beneficiária para benfeitora da Igreja de Jerusalém (Atos 11.28-30). O fato de que. «...em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos» é digno de nota. A palavra «cristão» é um têrmo latino, e o seu aparecimento no uso comum a esta altura, nos dá a impressão de ter sido usado pelo governo romano. É bem provável que a Igreja dirigida por Barnabé foi a primeira a ter atritos com as autoridades totalitárias do Império Romano e o início da luta de vida ou morte pelo reconhecimento dessa nova religião, luta essa que iria terminar três séculos depois, com a conversão do Imperador Constantino.
Embora não pertencesse ao número dos Doze escolhidos por Cristo para Apóstolos, tomou parte no Concílio de Jerusalém e, pela sua obra, mereceu o nome de Apóstolo. Diz-se que seu túmulo foi descoberto em Salamina, Chipre, no ano 478 da nossa era. No calendário de Beda a sua comemoração litúrgica data, pelo menos, do século VIII.
Editorial
ENTREVISTA
COMPANHEIRISMO: MOVIMENTO de LIDERANÇA
Muita gente nos tem perguntado sobre o movimento denominado Companheirismo. Não tem faltado até críticas sobre o trabalho por demais silencioso das pessoas envolvidas no referido movimento. Razão porque resolvemos entrevistar um dos líderes do Companheirismo no Brasil. Escolhemos propòsitadamente um leigo. Trata-se do Major Gelson Schuch Pinto, oficial da ativa das nossas fôrças armadas, lider na Paróquia do Redentor, do Rio de Janeiro, e que é um dos Coordenadores do Companheirismo em nossa Igreja. A entrevista foi concedida ao nosso Corres-pondente na Diocese Central, Ven. Arcediago G. Vergara dos Santos. Temos prazer em transmitir aos nossos leitores as respostas às perguntas que foram formuladas nessa oportunidade:
- MAJOR GELSON PINTO, SABEMOS DO SEU ENTUSIASMO PELO MOVIMENTO DE COMPANHEIRISMO ENTRE AS NOSSAS DIOCESES E ALGUMAS DIOCESES DA IGREJA EPISCOPAL DOS ESTADOS UNIDOS. GOSTARÍAMOS QUE NOS RESPONDESSE, DE MANEIRA SUCINTA, AS PERGUNTAS QUE A SEGUIR LHE FAREMOS.
QUE É COMPANHEIRISMO?
O Movimento de Companheirismo busca promover o relacionamento efetivo das Dioceses da IEB com as Dicceses norte-americanas de Ohio, Ohio do Sul, e Indianópolis e, indiretamente, daquelas e destas entre si.
O MOVIMENTO É RECENTE ENTRE NÓS?
O Movimento teve início por volta de 1960 por iniciativa de um grupo de leigos norte-americanos, apoiado por elementos do Clero da IEU, grupo êste que, juntamente com lideres da nossa Diocese, encetou o planejamento do programa então conhecido por «DIOCESES COMPANHEIRAS». Desde entã, nossos Bispos e algumas de nossas Paróquias e Instituições começaram a receber visitas de irmãos norte-americasos - leigos e clérigos - visando à concretização do ideal, ainda em fase embrionária. A partir de 1963, com o Congresso Anglicano de Toronto, surgiu a tese do MRI. Teve início então, um maior estreitamento das incipientes relações em busca da maneira de estabelecer tal companheirismo.
COMO PARTICIPAMOS DO MOVIMENTO?
- Recebemos visitas às nossas Paróquias urbanas e às nossas mais longinquas Missões; leigos e clérigos brasileiros participaram de Conferências e outros importantes conclaves realizados nas Dioceses Compa-nheiras norte-americanas; processaram-se trocas de estudantes entre os dois países; Instituições, Paróquias e Missões da IEB receberam auxílios financeiros para finalidades específicas; realizaram-se cursos de língua português na Diocese de Ohio, etc. Em junho de 1966, em Pôrto Alegre, tivemos importantes reuniões de elementos mais diretamente envolvidos no movimento. Estiveram presentes S. Revm. o Bispo Primaz da IEB, o Bispo da Diocese Sul-Ocidental, o representante do Departamento de Além-Mar da IEU, o Secretário de Ligação da Conferência de Bispos Anglicanos na América do Sul, os dois Coordenadores Inter-diocesanos do movimento no Brasil e nos Estados Unidos e mais de uma dezena de representantes das seis Comissões Diocesanas de Companheirismo.
QUE RESULTOU DÊSSES ENCONTROS?
- Brasileiros e norte-americanos inspirados por um real companheirismo, juntos procuraram encontrar o verdadeiro objetivo do movimento e traçar diretrizes gerais que a êle nos conduzam. Chegaram à conclusão que, em linhas gerais, o objetivo do movimento é a PROCURA DE NOVAS FORMAS DE MISSÃO PARA A IGREJA. Entre outras importantes decisões tomadas durante estas reuniões destaca-se a de transformar atual sistema de curtas visitas, que na maioria dos casos dão aos visitantes impressões superficiais, em projetos mais objetivos. Tais projetos poderão ser, por exemplo, estágios mais duradouros com finalidades de educação religiosa, cursos de treinamento de liderança, auxílios financeiros para empreendimentos de vulto, etc.
TAIS OBJETIVOS JA FORAM ALCANÇADOS?
- Se analizarmos com profundidade o movimento, concluiremos que, até o presente, os resultados não são de grande monta. Entretanto, o simples fato de um bom número de episcopais brasileiros e norte-ameri-canos, animados pelo sadio companheirismo e pelo espírito de mútua responsabilidade e interdependência em Jesus Cristo, estarem juntos, preocupados em encontrar novas formas de missão para a Igreja, já se evidencia como um promissor resultado dos objetivos do Companherismo. Entre outros já obtidos, cumpre ressaltar o melhor conhecimento da situação geral da nossa Igreja nos dois países, em particular de certas Paróquias e Instituições. Como conseqüência disto, alguns episcopalianos brasileiros já têm uma noção mais real da Igreja nos Estados Unidos e uma ponderável parcela de nossos irmãos do norte está tendo melhor compreensão de vários problemas que se nos apresentam e sentem sua quota de responsabilidade visto sermos todos membros do mesmo Corpo de Cristo. Para a Igreja Episcopal do Brasil, o Companheiris-mo representa uma grande experiência de relacionamento «adulto» com outra Província da Comunhão Anglicana.
Carta de PHILADELPHIA
Hoje, um dia antes da Sexta-Feira da Paixão, escuto, em antecipação, a cantata de Bach "Jesus, Alegria do Mundo". Fora a primavera começou: está nevando... Nas casas, as mulheres certamente se ocupam em pré-preparativos para a grande ceia da Páscoa. Os super-mercados estão super-cheios de mercadorias especiais para a Páscoa e super-cheios de gente gastando dinheiro especialmente para a Páscoa. O mesmo ritual se repete para o dia de Ação de Graças e o Natal. Jesus? Sei lá. Esquecido num canto, o mais crucificado de todos os crucificados.
Este é um país sem paz. Quero dizer, onde há paz atualmente? Talvez em alguma tribo isolada, ainda intocada pela civilização. Jesus veio para dar paz ao mundo. Quantas guerras já foram guerreadas sob o pretexto de consagrar o Seu nome? Este é um país supostamente cristão. Super-cristão, super-democrático, super-bom, super-protestante (e outros supers). Tão protestante que Norman Vincent Peale, evangelista famoso que escreve receitas de otimismo, foi contra a eleição de Kennedy para a presidência por ser êste um Ca-tó-li-co! Agora certamente tudo vai bem na presidência. Temos um Episcopal (??) em Washington que, com sua nifalível cara compungida de quem sofre de prisão de ventre, "salva as aparências" bombardeando milhares de vilas indefesas, trazendo sofrimentos incalculáveis e indescritíveis para tôda a gente do VietNam, norte e sul.
Penso em Jesus. Penso que se Ele continuar chorando pelos pecados do mundo, Ele, dôce Jesus, vai morrer de tanto chorar. Este é um país em guerra. "Éste é um tempo de guerra, é um tempo sem paz", disse um poeta alguns anos atrás. O mesmo para hoje. A guerra está nos jornais, na televisão, nas marchas de protesto contra ela, nos jovens vestidos de militar, nos jovens que lutam para salvar-se dela, nos jovens que voltam inválidos, nos jovens, nas casas, na gente, nos super-mercados, nos U. S. Saving Bonds ("Buy U. S. Saving Bonds! They work in VietNam!" assim descarada é a propaganda), em tudo. Este é um país que sofre da neurose do mêdo, um mêdo vago, indefinido, profundo, que procura esconder-se, fantasiar-se, mascarar se mas que está presente na proporção crescente de assassinatos, alcoolismo, delinqüência juvenil, suicídios, divórcios, etc. Esta é uma sociedade que sofre em orgia de noite de carnaval. É uma sociedade cheia de um câncer incurável chamado por vários nomes, uns verdadeiros, outros falsos e entre êles estão: complexo de superioridade, democracia, anti-comunismo, cristianismo, amor à pátria, Pepsi, "Yankee go home", máquinas modernas, anti-humanismo, Coca-cola, etc. A neurose do anti-comunismo corrée as entranhas dêste país.
TEM ALGUMA MENSAGEM AOS LEITORES DO EC RELACIONADA COM O MOVIMENTO?
- Apenas a seguinte: Vivemos num mundo que evolui dia a dia, de forma a praticamente arular as distâncias entre continentes e hemisférios. Pertencemos a uma Igreja que acaba de ingressar na fase adulta, emancipada. Portanto, não seria justo restringir nossas relações ao âmbito regional. Temos muito a dar e a receber de outras Igrejas da Comunhão Anglicana e dos demais ramos do Cristianismo. Concitamos, pois, aos Revs. Reitores, Párocos, Ministros-Encarregados, Diretores de Instituições, Líderes Leigos, a todos os eclesianos da Diocese - enfim, aqueles que se sentem chamados para serem instrumentos nas mãos de Deus - que meditem sobre o enriquecimento espiritual que poderemos obter através do companheirismo com cristãos de outras partes do mundo. Conclamamos a todos que participem dêste movimento que poderá ser um veículo de afirmação da IEB como já está se tornando um instrumento para encontramos novas formas de missão para a Igreja neste mundo em que, cada vez mais, nos tornamos interdependentes na medida em que vamos compreendendo que todos somos um em Cristo.
ASPECTOS DA DOUTRINA SOCIAL DE LAMBETH (III)
A crítica, na prática, do sistema econômico capitalista levou desde cêdo a Igreja a considerar as suas manifestações no nível internacional do imperialismo colonialista, bem como o fenômeno correlato do subdesenvolvimento das nações dominadas. Já a Comissão sobre «Cristianismo e relações internacionais, da Conferência reunida em Lambeth em 1920, repetia a advertência de Cristo contra o abuso do poder: «Que ninguém despreze êsses pequeninos... melhor seria que lhe pusessem ao pescoço uma pedra de moinho e fosse lançado ao mar. Isto se aplica com indubitável clareza às relações dos povos poderosos com aquêles mais fracos e menos desenvolvidos. Verificamos com gratidão a tendência atual da opinião pública a opôr-se firmemente à exploração dos povos mais fracos pelos poderosos. Mas a responsabilidade das nações poderosas envolve mais do que isso: inclui o encorajamento ao sentimento nacional das nações jovens; o seu desejo de escapar à tutela (...)» (Lambeth Conferences, 1867-1930, SPCK, p. 56).
Essa definição veio fundamentar a Resolução oficial, adotada pela Conferência do mesmo ano: «A Igreja se compromete a exercer a sua influência na remoção de condições opressivas e desumanas (...) em todas as partes do mundo, e especialmente entre os povos mais fracos (...)» (Rescl. Nº 78, Idem, p. 52).
A Conferência de 1958, numa Resolução intitulada «Partilha dos bens materiais» viria enfatizar o mesmo ponto: «A Conferência reclama a atenção de todos os povos para a pobreza disseminada em largas partes do mundo, e reconhece com gratidão as medidas tomadas para apoiar os países subdesenvol-vidos na sua busca da auto-sufici-ência,» (Resol. Nº 105, Lambeth Conference 1958, SPCK, parte 1, p. 54) (Os grifos são sempre do articulista).
Pode-se encontrar embasamento para a decisão formal acima no Relatório da Comissão sobre «Reconciliação de conflitos nacionais e internacionais, da mesma Conferência: «Grande parte dos povos é abrigada e alimentada de modo insuficiente, e entre êles a pobreza é demasiado comum. Muitos povos têm estado sob o governo de outras nações, e tudo o mais desaparece face ao seu fervoroso anseio por completa liberdade e emancipação nacional. As nações emergentes percebem que os poderes coloniais são desalojados a contragôsto, palmo a palmo, de suas posições privilegiadas. E exigem elas que se as considere em nada inferiores (...) (Idem, parte 2, p. 119).
Éste sentimento anti-colonialista viria encontrar abrigo, ainda nessa mesma Conferência, na Resolução que defende a soberania de todos os povos, e que leva o título significativo: «Direitos do Homem e das Nações»: «A Conferência declara que a Igreja não se identifica com nenhum sistema político ou social, em particular, e conclama todos os cristãos a que encorajem os seus governos ao respeito da liberdade e dignidade do povo em suas próprias nações, e do direito dos povos de outras nações a se governarem a si mesmos». (Resol. Nº 104, Idem, parte 1, p. 54). Vemos, portanto, que a Conferência estende a sua defesa das prerrogativas do homem em cada nação — assumida com base nos princípios cristãos e na sua doutrina do homem (como vimos anteriormente) — aos direitos dos povos no concêrto internacional.
COLONIALISMO
Estes direitos incluem expressamente, nas declarações acima, a soberania nacional e a auto-sufici-ência econômica, condenando-se implicitamente o colonialismo e os seus efeitos no subdesenvolvimento.
A Igreja não é menos lúcida no exame das origens dessa situação internacional que condena. A Conferência de 1930, ao examinar as causas prováveis da guerra, declarou através de uma de suas Comissões («Vida e Testemunho da Comunidade cristã»): «Uma causa possível da guerra é a competição econômica, e especialmente a competição pelo contrôle das matérias-primas para a indústria. O comércio nem sempre é o laço de união que deveria ser entre os povos, e a competição irrestrita, em especial quando envolve a exploração das nações mais fracas, pode ser causa de guerras (...)» (Lam. Conf. 1867-1930, p. 208).
E as Comissões da Conferência de 1958 constataram objetivamente os efeitos da expansão industrial na agudização do subdesenvolvimento mundial: «A expansão industrial criou agudas tensões e problemas de difícil solução. Basta que constatemos (...) o surgimento de grandes populações urbanas em todos os centros industriais (...) o êxodo rural (...) em países sub-desenvolvidos, nos quais o acelerado índice de industrialização está ocasionando problemas inusitados e ate-radores». (Relatório da Comissão sobre «Reconciliação de conflitos nacionais e internacionais», Lam. Conf. 1958, parte 2, ps. 135 e 136). E: «O rápido crescimento econômico em uma nação, através da industrialização, vem inevitàvelmente romper a ordem social tradicional, criando perigoso vácuo (...)» (Relatório da Comissão sobre «A Família na Sociedade contemporânea», Idem, p. 168).
Mas é importante que reconheçamos, a exemplo da Conferência de 1930, que: «Uma coisa é certa: o tema, em sua totalidade, é de escôpo internacional. A instabilidade econômica, em qualquer de suas partes, afeta o mundo todo (...) A industrialização do ocidente invadiu o oriente (...) e infeccionou a Índia, a China e o Japão com uma enfermidade que não é menos perigosa para a paz mundial do que para a estabilidade nacional (...) A desapiedada exploração econômica dos povos mais fracos não é, de modo algum, evento do passado». (Relatório da Comissão sobre «Vida e Testemunho da Comunidade cristã», Lam Conf. 1867-1930, p. 208).
Evidentemente, não foi apenas no oriente que a expansão industrial dos países desenvolvidos do nosso hemisfério fomentou o terrível desequilíbrio econômico que é a característica central do subdesenvolvimento das nações mais fracas. Justifica-se historicamente o interesse de Lambeth pelas nações da Ásia e da África, face à maior e mais antiga expansão do Anglicanismo naquelas áreas, sendo de se esperar que as próximas Conferências dediquem uma parcela maior da sua atenção aos prementes problemas da América Latina, que, aliás, são bàsicamente os mesmos.
O drama crescente do subdesenvolvimento mundial decorre diretamente dessa industrialização atrelada a interesses alienígenas, que «rompe a ordem social tradicional», fornecer meios para a formação de uma nova ordem autônoma, e que a nada mais conduz que ao agravamento de uma situação de dependência e «desapirdada exploração econômica dos povos mais fracos» (veja-se, por exemplo, a obra já clássica do padre L. J. Lebret: «Suicídio ou Sobrevivência do Ocidente?», em especial a 2a. parte e o capítulo VI da la. parte).
O pronunciamento das Comissões acima citadas deixa clara não apenas a denúncia do colonialismo do passado, mas também do neocolonialismo dêste século, que se coloca como fator principal de opressão econômica e política, em âmbito planetário.
Problema de tal extensão clama por solução igualmente planetária. O solene «Pronunciamento sobre a Paz>>, da última Conferência, em 1958, declara: «Ο simples banimento da guerra não significa a conquista da paz. A verdadeira paz consiste numa ordem em que os homens são livres para viver sob a justiça e conforme a retidão; na qual os recursos do mundo são desenvolvidos e distribuídos em benefício de todos; na qual a única guerra é contra a pobreza, a enfermidade e a opressão; na qual os resultados do progresso e da ciência humana são usados não para a destruição mas para a promoção do homem». (Lam. Conf. 1958, parte 1, p. 63).
E já a Conferência de 1948 lançava o seguinte apêlo: «A Conferência insta todos os povos e estadistas do mundo a que se dediquem a uma política mundial que vise ao pleno desenvolvimento e à repartição justa dos recursos econômicos da terra, a fim de satisfazer às necessidades humanas em todas as nações». (Resolução Nº 14, Lam Conf. 1948, SPCK, p. 170).
Qual será o nosso papel diante dêste desafio mundial?
(A seguir: «Um desafio para nós!»)
ENCARNAÇÃO
<<O qual por nós homens e pela nossa salvação desceu do céu...» Esta frase do Credo Niceno, sempre me impressionou, deixando me o cérebro querendo saber mais do assunto. Isso acontece sempre quando pensamos nas coisas de Deus. Como custa ao cristão, por mais sincero que seja, ater-se à idéia e ao fato da Encarnação! Daí uma das maiores necessidades da vida do crente: perseverança na fé. Não é fácil. O desgaste moral é constante e impede a visão da realidade, face à Redenção.
O artigo de D. Edmund K. Sherrill, publicado nesta revista, no Natal de 1965, focaliza um dos mais importantes aspectos da situação humana: a negação do Cristo, que os homens conheceram, em sua passagem terena, pior que a negação de um Deus que os próprios apóstolos dizem que ninguém jamais viu». O imperativo, pois, da vivência com a redenção em Cristo, é êste. Cristo aceito Cristo vivendo em nós e nós nêle. E isto, de momento em momento. Porque se tal ocontecer, então surgirá fatalmente, em nossa vida, não apenas Cristo, mas o Cristo da Cruz, o Cristo morto, o Cristo ressuscitado, o Cristo glorificado, reinando nos céus e na terra. Não foi algo sem sentido, quando Êle afirmou: «Eu sou o caminho, a verdade, e a vida; ninguém vem ao pai senão por mim». João, 14:6.
A Encarnação, no entanto, além de seu aspecto histórico, se projeta no tempo e no espaço, na eucaristia de almas e corpos humanos que vêm morrendo, ressuscitando e revivendo numa nova humanidade, o Corpo Místico de Cristo na Terra, a sua Santa Igreja, embora tal fenômeno se processe individualmente, com a regeneração de cada um. Pelo poder de Deus (Espírito Santo), o homem aceita Cristo (pela fé):- «Não por obras de justiça praticadas por nós, mas segundo a sua misericórdia, Êle nos salvou mediante o lavar regenerador e renovador do Espírito Santo. Tito, 3:5. E assim se desenvolve, experimentalmente, na vida do crente, aquilo que Cristo perpetrou na História, na sua Morte de Cruz. Entrega-se o homem a Cristo e morre na Cruz (identificação experimental), isto é, seu «eu», sua natureza carnal o velho homem. «Porque eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum: porque o querer o bem está em mim; não, porém, o efetuá-lo». Romanos, 7:18. Isto é um fenômeno-processo: não pára, enquanto estivermos aqui nêste mundo, deve-se operar, conforme vai fluindo a vida. É a nova vida, mediante o arrependimento dos pecados. Isto é reinar em vida, no estado de alma com Deus, em Cristo Paz. Gôzo. Segurança. Vida Eterna. «Porque se pela ofensa de um só, a morte reinou por êste um, muito mais os que recebem a abundância da graça, e o dom da justiça, reinarão em vida, por um só que é Jesus Cristo». Romanos, 5:17.
O CRISTO
<<Mas, o que para mim era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus meu Senhor.» Fil. 3: 7-8. «Perto está o Senhor!» Fil. 4: 5. Tenhamos coragem, irmãos, de reconhecer que, se a hora presente é de angústias e de receios, é, sobretudo, de falência espiritual. Mas, Jesus Cristo em quem cremos está ainda bem perto de nós. Cristo ainda nos fala, nos estimula, «tenho pena desta gente» «Ajuntai para vós outros tescuros no céu, onde traça nem ferrugem corrói, e onde ladrões não escavam nem roubam». Mt. 6: 20. Advertidos ou convidados para a Igreja e para os Cultos, muitos cristãos de hoje negam a Deus o que dão com prodigalidade ao mundo, a qualquer entidade social, a qualquer amigo. Aos chamados do Evangelho, muitos respondem: Não temos tempo, e vão, e embrenham-se no mundo a procura daquela paz que o mundo não lhes pode da. «Não compreendeis que a amizade do mundo é inimiga de Deus? Aquêle, pois, que quiser ser amigo do mundo, constitui-se inimigo de Deus». Tiago 4: 4. Muitos já se entristecem quando lhes é dito: Vamos à casa do Senhor. E, enquanto isto, empoeiram-se os bancos da Igreja e aquêle lugar que é o nosso lugar, permanece vazio e silencioso. O mandamento de Deus: «Lembra-te de santificar o dia do descanso, já não é para muitos, preceito de amor...» O mundo moderno, com muitos cristãos, já não sabe mais conceituar pecado, morte espiritual.
É pena!... É pena que o homem, que o cristão de hoje, vivendo em tantos setores de sociabilidade, já não queira mais encontrar-se e falar com Deus. É pena que o cristão de hoje, tão preocupado, procurando tanto, precisando de tanto, esqueça-se das palavras tão claras e tão incisivas de Cristo: «Sem mim, nada podeis fazer!» Jo. 15:5. É pena estarmos perdendo a fé, é pena não terem mais esperança. É pena, é muita pena, estarmos sofrendo, definhando, com angústias e com fome, e tão perto da casa de nosso Pai, que é Senhor ds céus e da terra. É pena sofrermos sêde, tão perto das Águas da Vida. É pena muitos cristãos viverem hoje tão distanciados do Evangelho da salvação, apáticos à Luz, à Verdade e à Vida que é Cristo Jesus, Redentor nosso, que continua a fazer Suas as nossas preocupações e angústias, repetindo com infinito amor, sem que muitos O possam ouvir: «Tenho pena desta gente». Mas, irmãos, tenhamos ainda esperança, pois realmente, nem tudo está perdido: voltarei a meu Pai. Volta comigo, leitor amigo! «Quantos trabalhadores de meu Pai têm pão com fartura e, eu aqui a morrer de fome. Levantar-me-ei irei ter com meu Pai» Lc. 17: 18. É hora, irmãos, de voltarmos a Deus, de procurarmos onde poderemos encontrar, de pedirmos a quem nos pode socorrer e dar. Tenhamos esperança, confiemos em Deus, peis Ele, é bom Pai. «Não retarda o Senhor a Sua promessa». 2. Pedro 3: 9. «Vai alta a noite e vem chegando o dia. Deixemos, pois, as obras das trevas, e revistāmo-nos das armas da luz». Romanos 13: 12. «Quando lá chegando, vendo a cidade chou» Lc. 19:41. Despertemos, irmãos para que Cristo não venha a chorar também sõbre as nossas carências e miséria espiritual, para que Cristo não tenha que chorar sôbre o nosso silêncio e apatia, sôbre nossos iuramentos esquecidos ou desfeitos, sôbre o gêlo de nossas almas, sobre as ruínas de nossa vida cristã. O cristão, irmãos, pode se abate por momentos, mas jamais é vencido, podendo sempre, se quiser, oferecer a Deus, ainda que vazio ou eivado de misérias, seu coração. Se dermos oportunidade a Deus, se voltarmos a aceitar o Cristo, Êle pode ainda nos salvar. «Perto está o Senhor» Fil. 4: 5. Mas, «Hoje, se ouvirdes a Sua voz, não endurçais os vossos corações» Hebreus 4: 7. «Para a liberdade foi que Cristo nos libertou» Gal. 5: 1. Ergamos a fronte, irmãos, pois Cristo vive e nós viveremos também nêle. com Êle e por Ele. Tenhamos coragem, tenhamos esperança e vol-Deus. «Esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.>>> Fil. 3: 13-14. «Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois, quem fēz a promessa é fiel» Hebreus 10: 23. Avante, irmão, levanta-te, não olhes para trás! «Sê fiel até à morte e dar-te-ei a coroa da vida>>> Apo. 2:10.
NOTÍCIAS
Bispo português para a Diocese de Libombo, África
Pelo Sinodo da respectiva diocese, foi eleito bispo sufragâneo dos Libombos o Revmo. Dr. Daniel de Pina Cabral, Arcipreste do Norte da Igreja Lusitana, Católica, Apostólica, Evangélica. O nôvo Bispo eleito, que conta 43 anos, pertence a uma família de dedicados membros desta Igreja, que desde o tempo de Diogo Cassels - virtuoso Presbitero e grande apóstolo da instrução em Vila Nova de Gaia se tem distinguido pelo seu zêlo e fidelidade às tradições deste ramo evangélico de nosso país.
Formado em Direito pela Universidade de Lisboa, o Dr. Pina Cabral, que também cursou o London College of Divinity, agregado à Universidade de Londres, foi ordenado diácono em 1947 e presbítero em 1949. Nomeado coadjutor da Paróquia de S. João Evangelista, ao Torne, foi em seguida, designado ministro auxiliar da Paróquia do Salvador do Mundo, no Prado, e depois pároco da Igreja do Bom Pastor no Candal - Vila Nova de Gaia. Nestas duas paróquias, durante mais de uma dezena de anos desenvolveu ação notável, renovando as duas igrejas, que hoje são templos modernos e atraentes da Igreja Lusitana.
Exerceu ainda outros honrosos cargos, onde conquistou estima e consideração, pela maneira como se consagrou ao trabalho pastoral. Nomeado pelo respectivo Sínodo, em 1960, secretário administrativo da Igreja, afirmou raros dotes de organização, desenvolvendo uma ação produtiva e fecunda. Tôda a sua atividade pastoral foi sempre norteada por um elevado espírito de isenção, servindo desinteressadamente como um autêntico e voluntário padre operário.
Na sua vida secular, o Dr. Daniel de Pinal Cabral exerceu durante largos anos lugares de chefia nesta cidade, granjeando prestigio pelos seus dotes de inteligência e de caráter, lhaneza de trato e distinção de maneiras, subindo não só em categoria hierárquica, mas também na estima e respeito daqueles com quem trabalhava. Para se dedicar inteiramente ao seu múnus e exercer o cargo para que foi escolhido e nomeado, abandonou recentemente toda a atividade secular para viver exclusivamente a sua vocação sacerdotal.
O nôvo Bispo, que é um orador brilhante, vai dirigir a diocese dos Libombos, que tem pertencido à província Anglicana da África do Sul, mas que está situada na nossa província de Moçambique. A catedral é em Maciene, perto de João Belo. Tem cêrca de quarenta mil membros batizados, um seminário, dois hospitais e muitas escolas. A eleição do Dr. Pina Cabral a bispo sufragâneo dos Liombos, foi feita tendo já em vista ascender em breve a diocesano e dentro de algum tempo e diocese se separar canônicamente da atual província para vir a constituir a diocese ultramarina da Igreja Lusitana, de pleno acordo com os Sínodos interessados acontecimento de grande transcendência para a referida Igreja, que já mantém também um trabalho missionário em Angola.
O nôvo Bispo foi sagrado na catedral da Igreja Lusitana, Católica, Apostólica, Evangélica de São Paulo, em Lisboa, As cerimônias efetuaram-se no dia 25 de maio, sob a presidência do Arcebispo da Cidade do Cabo. Participaram no solene ato, além do atual Bispo Diocesano da Igreja Lusitana, Revmo. Dom Luís C. R. Pereira, vários Bispos Anglicanos e um Bispo Velho-Católico. Após a cerimônia de Sagração, o nôvo Bispo partiu com sua família para Moçambique. (O Primeiro de Janeiro - 23.IV.67).
Novos Legionários do Lar Alice Kinsolving
Prossegue com entusiasmo a campanha pró construção da sede do abrigo de velhinhas de Viamão, RS, sob a liderança dinâmica da sra. Ely Krebs Appel, membro da Catedral da SS. Trindade, em Pôrto Alegre. Além dos nomes já divulgados em nossas edições anteriores, temos mais as seguintes pessoas e organizações que últimamente aderiram à nobre iniciativa, comprometendo-se a contribuir mensalmente, durante um ano, com a quantia de dez cruzeiros novos: Carlos Bopp Sobrinho, Willy Palmquist, Dr. Vasco Melo Feijó, Maria Florisda Garcia Pinheiro, Henriqueta Cabal Pickering, Dr. Wenceslau Rocha Vieira, Talita Müller Santos Rocha, Wilmar Ferreira, Malvina Appel Schiavon, Edgar Gonçalves, Yedda Krebs Pereira e Sociedade Auxiliadora da Igreja da Ascensão, Pôrto Alegre.
São Francisco de Paula: Igreja na inauguração de Escola de Comércio
No dia 28 de abril