Estandarte Christão - 10/1928

Versão Integral em Texto

Estandarte Christão - 10/1928

Laicus IgnotusHera1928

ESTANDARTE CHRISTÃO

Arvorae o estandarte aos povos - Isaias 62:10

Seminario Presbyteriano ~ Caixa 133-Campinas São Paulo BRAS Brazil &

PERIODICO DA IGREJA EPISCOPAL BASILEIRA

Anno XXXVI Pelotas, 10 de outubro de 1928 Num. 812

A IGREJA EM ACÇÃO

UMA INQUIETAÇÃO ENTRE OS LEIGOS. — PRECISAMOS PROGREDIR MAIS! UM APPELLO AOS LEIGOS. — O QUE OS LEIGOS JÁ FIZERAM NO PAS- SADO E FAZEM NO PRESENTE. O QUE PÓDEM AINDA FAZER, DEVI- DAMENTE TREINADOS. CADA PAROCHIA DEVERIA TER UM GRUPO DE LEIGOS PREPARADOS PARA A OBRA. CONGREGUEMOS O PODER LEIGO, E ENTREMOS EM ACÇÃO!

Disse ha pouco um articulista, numa das revistas de nossa Igre- ja-mãe, que se nota uma inquie- tação mais ou menos geral entre os leigos. Sente-se que a Igreja não está fazendo o progresso que devia, nem aproveitando-se de todas as opportunidades que se The offerecem.

Vem então uma sorte de ap- pello aos leigos e cita-se o fac- to de que ha pouco setenta lei- gos duma igreja foram, dois a dois, visitar cada familia da igre- ja em sua parochia.

Dinheiro uão foi o fim de sua visita, e o assumpto de finanças nem foi mencionado. Tão pouco foram as visitas méramente so- ciaes, num esforço para crear um sentimento de boa vontade. O fim capital foi fazer surgir e es- timular um interesse pela Igreja. Assim os visitantes, devidamen- te preparados, discutiram os ser- viços ecclesiasticos e as varias actividades da parochia, infor- mando os visitados sobre a obra que a Igreja estava fazendo e es- tava desejosa de fazer.

Diz ainda o escriptor que a igreja que levou a effeito aquel la campanha evangelistica, imi- tando o modo relatado na Es- criptura, é activa e seus mem- bros deleitam-se em assistir aos serviços divinos.

Quando nosso Senhor organi- sou o seu grupo apostolico, El- le- reuniu ao redor de si leigos com varias experiencias em sua vida rude e estrenua. E quando Elle quiz organisar sua obra, não foi procurar officiaes da igreja ju- daica.

Desde o tempo de Christo, o que nos ensina a Historia dos tempos dos grandes reavivamen- tos da Igreja? O prégador-leigo do primeiro seculo do Christia- nismo tornou a Asia christan. Os monges-leigos da igreja romana foram responsaveis pela victoria da Reforma. O reavivamento wes- leyano foi um reavivamento lei- go. João Calvino foi um leigo, Os movimentos de Wycliffe e Lollard foram movimentos leigos. Nos tempos modernos foi um leigo : Roberto Raikes que introduziu a Escola Dominical. Foi outro leigo: Williams que pensou na Associação Christan de Moços. Booth organisou o Exercito de Salvação.

O moderno Movimento Missio- nario foi inaugurado em 1806 por cinco leigos. E assim ha de con- tinuar. Quando os leigos vem pa- ra a linha de fogo algo vae suc- ceder!

Mas alguem perguntara: «Ο que podem os leigos fazer, hoje em dia, para augmentar a effi- ciencia da obra da Igreja? Numa pastoral recente o bispo canadia- no de Huron suggere a forma- ção em cada parochia bando de auxiliares pastoraes e que todos os membros sejam trei- nados, preparados, de fórma a servirem por turnos, sendo seu dever visitar toda a congrega- dum ção, e especialmente os enfermos, os afflictos, os desanimados.

Não é mister encarecer o valor desta suggestão nem o incalcu- lavel serviço que poderia prestar esse grupo de leigos devidamen- te treinados, preparados. O au- tor da obra «Evangelismo na Igre- ja» relata que numa igreja 54 lei- gos, trabalhando em grupos, con- seguiram 1.194 membros em tres semanas. Outro autor, no seu li- vro «O Ministerio do Leigos» diz que uma sociedade parochial, com membros igualmente treinados, trouxe em um anno ao parocho 113 candidatos á confirmação, sendo que 62 delles nunca ha- viam sido baptizados!

A «Cruzada dos Bispos», rea- lisada pela nossa Igreja-mãe, fez um largo uso dos leigos. Falando da contribuição destes, naquelle grande movimento, escreve o bis- po Darst: «A Cruzada dos Bis- pos não mostrou apenas a neces- sidade do Evangelismo Leigo, mas revelou igualmente o facto significativo de que temos explen- didos leigos que estão desejosos e ansiosos de dedicar-se a tal serviço.

Descobriu-se tambem que nas dioceses onde se havia dado em- phase ao Evangelismo Leigo por varios annos, podia-se contar com um bom numero de leigos qua- lificados e desejosos de servirem na Cruzada dos Bispos. Tudo is- to prova a verdade de que temos nos leigos da Igreja Episcopal uma fonte de poder e a Igreja


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deve congregar este poder para os fins de Deus.>> Sim, saibamos congregar este poder, saibamos dirigil-o, e que assim toda a Igreja seja posta em acção!

LAICUS IGNOTUS

O goso da salvação

Pensam mui- tos que o chris- tão é uma creatura triste, que caminha curvado, com os olhos cravados na terra. Puro engano. O verdadeiro crente vive num mar de alegria intermina. Melancolico! Ha, por ventu- ra, alguma cousa no Evangelho que cause tristesa ? Pode alguem entristecer-se por saber que seus peccados são per- doados? Quem pode andar triste quan- do tem a segurança de que o aguarda uma eternidade de glo- ria na presença de Jesus? Fica triste o réo ao saber que foi indultado? O verdadeiro crente canta e gosa, jobiloso e agradecido, pois sabe estar livre da escravidão do peccado, do juizo e da morte eterna. Foi por isso que o doce psal- mista escreveu: «Bemaventurado é o povo cujo Deus é o Senhor». «Na tua presença ha fartura de alegria; á tua mão direita ha de- licias perpetuas».

Os estudantes e a religião

EUJONA Diz-se geralmente que os estudantes palmilham a estrada larga que guia á perdição. Mas, felizmente, nem sempre isso é verdadeiro. Temos aqui mais um exemplo. Os estudantes da Uni- versidade do Syracusa, Nova York, or- ganisaram sua propria igreja que se reune regularmente no mais vasto sa- lão da Universidade todos os domin- gos, á noite. Um questionario endereçado a 5.500 estudantes revelou que elles queriam: um bom sermão, boa musica, e ora- ções silenciosas. Arranjaram um pré. gador de föra que é pago pelos estu- dantes. Fez-se primeiro a experiencia com um serviço religioso mensal, mas de- pois de dois serviços os jovens, famin- tos espiritualmente, exigiram refeições mais frequentes.


ESTANDARTE CHRISTÃO Commissão Revisora do Livro de Oração Commum

(Continuação)

Pagina 90: Linha 1, leia-se: <nomeiem» Na 3 linha do Evangelho, leia- se: mas alguns>

Pagina 91: E' adoptada a seguinte versão da Collecta para o Quarto Domingo da Quaresma Concede, te rogamos, Deus omni- potente, que os que nos affligimos com o que merecem nossas acções, sejamos pelo conforto da tua graça misericor- diosamento alliviados; mediante nos- so Senhor e Salvador Jesus Christo. Amen.

Pagina 92: Linha 8, leia-se: mais que os E' adoptada a seguinte versão da Collecta para o Quinto Domingo da Quaresma «Omnipotente Deus, nós to suppli- camos que attendas propicio a tua familia, para que por tua direcção se- ja regida no corpo, e por tua protec- ção defendida na alma; mediante Je- sus-Christo nosso Senhor. Amen.

Pagina 94: Linha 12, leia-se; «Disseram en- tão os judeos :> Linha 14, leia-se: e os prophe- tas morreram> Linha 15, leia-se: «nunca prova- rá a morte» Na sessão do dia 27 de agosto fo- ram consideradas ad referendum do plenario da Commissão as seguintes emendas:

Pagina 94: Ao titulo da Collecta accrescen- te-se: ou Domingo de Ramos:>

Pagina 95: Linha 3, leia-se: eque o genero humano delle imitasse a grande> Linha 6, leia-se:

Pagina 97: Linha 13, supprima-se a virgula depois da palavra «diz>

Pagina 98: Linha 17, leia-se: «Segunda-feira da Semana Santa

Pagina 99: quo não rém Linha 8, leia-o: «São meu povo Linha 13, leia-se: «Mas el'es>>> Linha 16, leia-se: «Onde está pc- Linha 28, ao fim, leinse: «Mas» Linha 35, leia-se: «Só por» Linda 36, leia-se: «os nossos»

Pagina 100: Linha 21, leia-se: <antecipou-se Pagina 101: Linha 9, leia-se: Elle, porém.. Linha 12, omittir «homem>

Pagina 102: Linha 12, leia-se que lhe res- ponder

Pagina 104: Linha 3, leia-se «Terça-feira da Semana Santa.>

Pagina 105: rém Linha 19, leia-se: «Pilatos po-

Pagina 107: Linha 3, leia-se: hyssope Linhas 10 e 11, leiase: coisas celestiaes fossem purificadas com taes sacrificios>

Pagina 110: elle -Linha 20, ao fim, leia-se: «mas Linha 23, leia-se: Pedro, po Linba 31, leia-se: «retirando-se : rém,» Pedro

Pagina 111: Linha 7, leia-se: Vós o dizeis» Linha 10, leia-se: «Quinta-feira da Semana Santa ou da Ceia do Se- nhor.» monte. Linha 20, leia-se: antecipada- Linha 30, leia-se: >>

Pagina 112: rém, Linha 13, leia-se: outros; po- a seu respei- Linha 33, leia-se to ouvia muitas referencias»

Pagina 113: Linha 33, omittir «de» antes da palavra Jesus.»

Pagina 115: E' adoptada a seguinte versão da 3a. Collecta para a Sexta-feira da Paixão «O' Misericordioso Deus: que criaste a todo o genero humano e não abor- reces cousa alguma do que fizeste, nem queres que alguem pereça, porém que todos se convertam e se venham a salvar; estende o manto de tua mi- sericordia, sobre os Israelitas, sobre os Mahometanos e sobre quantos se acha- rem immersos nas trevas da infideli. dade e da heresia; expurga-os de to- da. teu rebanho, de Pagina 116: ৪০ Linha 21, leia-se: <a tua vonta- Ultima linha, leia-se: «dos seus peccados e das suas iniquidades.>

Pagina 117:

  • Linha 6 do Evangelho, leia-ce: «Eis aqui> (Continua na pagina 8)

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Servi ao Senhor com alegria

Alegrei-me quando me disse- ram: vamos á casa do Senhor. Quão feliz é aquelle que sen- te no seu coração a alegria de se achar na casa de oração, e que para ella se dirige com a alma ansiosa de receber a força não só material mas a espiritual, de- pois duma semana de lutas, no trabalho quotidiano. Christo prometteu: Onde esti- verem dois ou tres reunidos em meu nome ahi estarei no meio delles. Quem irá perder a opportuni- dade que Deus dá, da folga do- minical, e não và unir-se aquel- les que estão dirigindo seus lou- vores ao Todo Poderoso, na cer- teza de que a presença do Se- nhor nos encherá do se gozo ? Cantae ao Senhor um cantico novo, e o seu louvor na congre- gação dos santos. Louvae ao Se- nhor no sea santuario, louvae-o no firmamento do seu poder. Tudo quanto tem folego louve ao Senhor. O psalmista nos desperta a can- tar louvores ao Senhor, a servil- o com alegria, a entrar diante delle com hymnos. Si Deus nos dá o privilegio de não sermos mudos, é natural que para agradecermos esta gran- de bencam, louvemos com mais enthusiasmo o seu Nome. A igreja que tem todos os seus membros em actividade é uma igreja florescente, é como o cor- po humano cheio de saude por- que todos os orgãos funccionam bem. Sejamos servos leaes e dedi- cados, aproveitando todos as op- portunidades para glorificar e ser- vir nosso Mestre. Nós, os crentes, somos os ser- vos de Jesus a quem Elle tem dado a responsabilidade de dar contas do trabalho do seu reino. E' obrigação do crente empre- gar os meios que tem para a evangelisação. Deus dá a uns o geito de pre- gar publicamente, a outros o de conversar sobre o Evangelho, a outros de ganhar dinheiro para auxiliar a causa, a outros de orar, distribuir folhetos, etc. De modo que cada crente recebendo de Deus o seu talento deve nego- ciar com elle, porque, ai do ser- vo que quando o Senhor voltar não puder mostrar-lhe o que fez. O talento da maior parte das

ESTANDARTE CHRISTAO pessoas não está limitado nestas cousas que mencionei, mas ha muitos talentos escondidos na igreja de Christo. Uns escondem por acanhamen- to, outros por negligencia, ou- tros por falta de amor; seja qual for a razão é bom investigarmos onde estão os talentos escondi- dos em nossas igrejas. Aquelle que usa bem o que tem, pussuirá mais, porem o que não usa uma qualquer bençam, material ou espiritual perdel-a-ha. O Mestre está murmurando aos nossos ouvidos: Morri, morri na cruz por ti, que fazes tu por mim?

Hera

Para animar e levantar

a Igreja

De vez em quando apparecem publi- cadas «Regras para matar a Igreja,» em que se regista uma porção de cou- sas que deixamos de fazer, cooperando assim para a decadencia e para a mor- te da igreja a que pertencemos. Taes Regras são, entretanto, nega- tivas, fornecendo suggestões que nada têm de constructivas. Offerecemos, pois, hoje aos leitores, e especialmente aos membros da Igre- ja, algumas regras positivas, registan- do o que devemos fazer para animar e levantar a igreja de que fazemos parte, que, em varios casos, necessita urgentemente que seus membros adop- tem sinceramente as suggestões aqui contidas, praticando o que ellas lem- bram:

  1. Assisti regularmente nos servi- ços divinos. O serviço é variado e interessante. Não vos preoc- cupeis com o tamanho ou a fór- ma do sermão; procurae antes apropriar o que elle tiver de util e de proveitoso.
  2. Não tenhaes receio do frio, do calor ou da chuva. Occupaе о vosso logar na Igreja todos os domingos.
  3. Falando ao parocho, dizei-lhe que seus esforços e trabalhos são apreciados.
  4. Tendo uma classe na Escola Do- minical, sêde sempre pontuaes. Estae em vosso posto, á hora marcada, todo os domingos.
  5. Quando houver reuniões das so- ciedades parochiaes, de que fa- zeis parte, procurae sempre as- sistir.
  6. Quando pessoas estranhas vie rem assistir aos serviços divinos, séde cortezes, offerecei-lhes li- vros de oração ou de hymnos.
  7. Tende sempre vossos livros de oração e de hymnos e usae-os intelligentemente.
  8. Tomae parte nos serviços divi- nos, acompanhando as orações e os hymnos. Essa parte não pertence só ao ministro, mas tambem aos leigos. Sois um delles !

EXPEDIENTE DIRECTOR REV. JOSÉ SEVERO DA SILVA Endereço: CAIXA 7- Pelotas RIO GRANDE DO SUL. BRASIL Redacção : Rua General Osorio n. 553 ASSIGNATURA ANNUAL : Para o Brasil. . . . 10$000 Para o estrangeiro . 12$000

  1. Quando estiverdes doentes, fazei que vosso parocho o saiba. Ao mesmo tempo, nunca faleis mal delle, dizendo que elle não sa- be das afflicções de seu povo, que não visita os enfermos, etc. etc.
  2. Procurae contribuir para a Igre- ja na medida de vossas forças, de accordo com vossos meios, mas honestamente. Em vez de queixar-vos quando justos appellos são feitos, não fugi de attendel-os sempre que puderdes. A Igreja depende das offertas voluntarias, para enfren- tar suas despezas regulares.
  3. Nunca faleis mal do sermão. Pro- curae antes aproveitar as lições e a lmoestações que elle encerra.
  4. Esforçae-vos para que vossos companheiros na fé os outros membros da Igreja, assistam tambem regularmente aos servi- ços divinos. Cultivae todos, em- penhadamente, esse excellente habito de assistir. Estae todos em vosso logar na Igreja! A Assistencia regular ve ser una sorte de lemma que cumpre ter sempre presente. de-

Hospital Evangelico

O exmo. dr. Washington Luis, dig- nissimo presidente da Republica, este- ve em demorada visita ao Hospital Evangelico, no Rio de Janeiro, mani- festando-se agradavelmente impressio- nado com tudo quauto viu. O chefe da Nação, à porta do Hos- pital, deixou-se retratar, rodeado pelo corpo clinico do Hospital e numero- sas familias evangelicas.

Despedida duma actriz

Ellen Terry, a famosa actriz ingle- za, falleceu na edade de oitenta annos. Vendo que sua morte estava proxima, a notavel artista escreveu seus ulti- mos desejos numa folha dum volume da "Imitação de Christo", de Thomas á Kempis, fazendo-o em seis linhas de verso. Na impossibilidade de fazer uma tra- ducção assim, vamos dar o pensamen- to, que é bello. Disse ella: Não tris- tezas funeraes, meus caros, eu vou-me, nem lagrimas, nem vestidos negros, nem sepultura triste; pensae de mim como uma que se retira na obscuri- dão, vossa ainda, e vós meus. Lem- brae-vos do melhor dos nossos momen tos passados, esquecei o resto. E' pa ra lá, onde espero, vinde tambem gen- tilmente."


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Chronica medica

Intolerancia religiosa nos hos- pitaes brasileiros

O artigo abaixo é extrahido da "Ga- zeta Medica", de São Paulo, de 1 de agosto:

A cousa mais estupida no Brasil, que tanto depõe dos nossos creditos de paiz civilizado, é a intolencia religio- sa reinante nos hospitaes de caridade denominados de Santa Casa de Mise- ricordia, que tratam os doentes com miseria e corda, ou melhor com a fa- ca na garganta, aproveitando da mise- ria duns, da afflicção doutros, da per- turbação psychica especial dos enfer- mos graves, em vespera de operações melindrosas, para obrigarem a abjurar de suas crenças religiosas à força, of- fendendo os direitos do homem os mais sagrados, ferindo os no seu cora- ção e na sua consciencia, direitos que por uma ironia perfida são garantidos pola nossa Constituição, numa Repu- blica em que a igreja é separada do Estado!

Depois disso, desta selvageria dos tempos infames da Santa Inquisição, em que se queimavam vivos os que não eram catholicos romanos na bella intenção de lhes dar o paraizo celes tial, ainda proclamam que o Brasil se civiliza! E' um progresso a moda de rabo de cavallo, como dizem os caipi- ras, para baixo...

Tenho 26 annos de formado e mais 4 de frequencia de hospitaes como es- tudante, são 30 annos de experiencia, de testemunha desta intolerancia re- ligiosa que existe nos hospitaes de mi- seria e corda na Bahia, no Rio e S. Paulo, cada vez mais odiosa e repug- nante, baixa e estupida, promovida pe- las freiras, irmans de caridade, capel- lães, e cousa inacreditavel, com a cum- plicidade tacita e covarde dos medi- cos, na sua maioria. São perseguições tão crueis e deshumanas junto ao lei- to dos desherdados da sorte que con- tadas parecem scenas vergonhosas dos tempos de outrora, onde os sinos ale- gres das cathedraes de Pariz badala- vam alegremente annunciando a hora da matança dos protestantes na noite de S. Bartholomeu onde mulheres, creanças, velhos eram degollados, cha- cinados, porque não queriam adorar Nossa Senhora e o Papa, uma simples questão de controversia de theologia. Na Bahia, quando estudante, eu vi freiras estrangeiras prohibirem que os maridos casados apenas no civil visi- tassem as suas esposas no hospital, porque, diziam ellas, o casamento ci- vil brasileiro era uma mancebia, sim- ples amigação não reconhecida pela Igreja Romana. No Rio, em 1903, vi o dr. Carvalho de Azevedo protestar energicamente contra a prohibição duma freira es- trangeira a um esposo de visitar a sua senhora pelo simples facto de estarem ligados pelo matrimonio apenas pelas leis civis. E estes escarros atirados por estrangeiras ás nossas leis são en- gulidos pelos medicos brasileiros em sua maioria para não perderem as po- sições, pois as taes freiras se acham com as costas quentes pela direcção das Fataes Casas de Miseria e Corda, como diz o povo. Uma vez, ha cerca de 30 annos, um professor meu, na Bahia, ficou tão in-

ESTANDARTE CHRISTÃO dignado com a prepotencia e intole- rancia duma destas freiras, que lhe atirou na cara uma bandeija de arroz cozido da dieta terceira. Só depois des- te escandalo é que as cousas melhora- ram um pouco; mas esta raça de me- dicos conscientes de seu dever de bra- sileiros, e humanos para seus doentes, parece que já acabou; hoje só resta gente de espinha molle, pois ninguem reage no meio deste avaccalhamento innominavel. Então os protestantes, coitados, quan- do caem nos hospitaes do Rio e de S. Paulo, é um horror, soffrem um dadeiro martyrio, e é uma belleza ver o estoicismo desta genta resignada e soffredora na mão destes phariseus, re- cebendo tudo com o perdão nos labios, imitando o Mestre, satisfeitos com o privilegio de soffrer por causa sua, pois elle disse: "Bemaventurados os que soffrerem perseguições por mou no- me, que delles será o reino do céo". Entra um protestante ou espirita no hospital, fareja a doce irman com sou sorriso de sogra manhosa e arrelienta, que o typo não é romano, eil-a logo enrolando amuletos no pescoço do tal, pondo junto delle idolos e imagens de metal ou de madeira, obrigando-o logo a confessar e tomar Nosso Senhor. Ora, quem quizer ver protestante virar bi- cho, obrigue-o a adorar imagens de es- culptura e outros deuses que não se- jam o Pae Celestial, pois na sua lei, que é a Biblia, está escripto como o primeiro dos mandamentos de Deus: Não adorar imagens de esculptura, não lhes dar culto, etc., sob pena de mal- dição. Como é que se fere no coração esta pobre gente que não faz mal a ninguem, arrancando-lhe na sua mise- ria a unica felicidade, o seu unico bem, que é a fé em seu Deus vivo e mise- ricordioso? Por causa destes factos os medicos protestantes reunidos com os pastores da diversas igrejas evangelicas do Rio, com sacrificios enormes, conseguiram fundar um bello Hospital do Bom Pas- tor, instituição que honra ao protes- tantismo brasileiro, onde o serviço ci- rurgico é modelar, já tendo alcançado um renome merecido mesmo no meio catholico. Em S. Paulo está se fazendo a mes- ma cousa, e o Hospital Evangelico em breve será uma realidade. Os pobres espiritas enfermos nas taes espeluncas, vulgo Santa Casa, não são tratados melhor que os protestan- tes; como elles já conhecem este fac- to, que o hospital para elles é co- mo o inferno de Dante, que vão virar, mesmo antes de morrer, cachorro de pobre ou vacca leiteira de portuguez, têm verdadeiros rictus de terror, quando se lhes fala ser necessario o internamento nestas casas malditas. Porque estas freiras, e frades e me- dicos catholicos e hypocritas exercem tanta crueldade contra aquelles que não são de sua religião? Porventura o hospital é delles? O governo não subvenciona estas casas para dar assis- tencia gratis aos pobres sem distinc- ção de crenças que a lei e o governo não reconhecem ? As subvenções que o governo dá, não são producto do im- posto que os protestantes, espiritas e materialistas pagam como os catholi- cos fanaticos e hypocritas? Conhecem elles a parabola do Bom Samaritano? Dizem os intolerantes como uma ra- zão forte: nós catholicos somos a maio- ria e portanto mandamos, grite quem gritar. Estão errados: basta uma sim-

Milicia Christan

Convocação

Por ordem do sr. presidente, e de accordo com o capitulo VI, ar- tigo 12, letra A, dos nossos Esta- tutos, convoco todos os socios da Milicia Christan para uma sessão de assembléa geral, a qual se rea- lisará na noite de 13 do corrente, ás 21 horas, na Exedra do Tem- plo do Redemptor. Essa Assembléa reune-se para eleger a directoria que regerá os destinos da Milicia Christan de 15 de novembro do corrente anno a igual data do anno vindouro. De accordo com os artigos 13 e 15, não havendo numero, fica feita a 2. convocação para 19 do corrente, ás mesmas horas, func- cionando com o numero que com- parecer. Pelotas, 10 de outubro de 1928. Court Antonio Moura de Castro 1.° secretario

ples estatistica. O Brasil tem um mi- lhão de protestantes, outro tanto de espiritas e positivistas, 10 milhões de fitichistas, 10 milhões que não têm religião nenhuma, sommam 22 milhões; a nossa população é de quasi 40 mi- lhões, logo não ha esta tão decantada maioria. Mesmo que a tivessem, o di- reito das minorias não é reconhecido pela Sociedade das Nações? E' por isto que estão prosperando as casas de Saude, os Hospitaes particu- lares onde não existem estas famige- radas irmans... de Phariseus, raça de viboras como disse Jesus. O interessante é quando pedem es- mola para as Santas Casas: o dinhei- ro do protestante, do espirita, do ma- terialista, do maçon, serve; mas ca- hindo lá tem de ver o diabo em figu- ra de gente com saia. Se estes costumes fossem acabando pouco a pouco, bem, iriamos suppor- tando a cousa até vel-a desapparecer; mas tivemos uma noticia de Piracica- ba, do que se passou na Santa Casa de Misericordia, muito curioso. Um clinico daquella cidade foi tratar dum amigo ferido a bala, posto em quarto particular, com direito portanto de ter o medico de sua vontade. Pois bem, as freiras recusaram aviar as suas re- ceitas e seguir os seus conselhos, por- que o tal era protestante, e Deus, di- ziam ellas, não abençoava os remedios dos protestantes, e de tal maneira agi- ram que convenceram a mãe do pobre moço, que nem na hora da morte pô- de satisfazer a sua vontade, ter o me- dico de sua escolha. No mesmo hospi- tal ha poucos dias uma protestante que foi operada, foi a força mudada de re- ligião... E o interessante é que os me- dicos daquelle estabelecimento, mesmo os atheus, gosam; gosam como creança no chocolate Se a cousa rende... Como orgam da Classe Medica pro- testamos junto ao governo contra es tes abusos destas casas hospitalares subvencionadas, que insultam as nos- sas leis, a nossa Constituição, offen-


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dendo a crença, violentando a concien- cia dos brasileiros miseraveis, que não têm mais nem o direito de dormir o ultimo somno confiantes no seu Deus para uma vida melhor onde não haja tanta infamia, tanta lagrima, tanta dor Dr. X.

Pelas Parochias

PELOTAS

Igreja do Redemptor Parocho: rev. José Severo da Silva

Baptizados Em setembro o rev. parocho administrou as aguas lustraes do baptismo a 17 crean- ças. Aos padrinhos e outras pessoas que acompanhavamos baptizan- dos foram entregues evangelhos e folhetos de edificação espiri- tual. Auxiliadora de Senhoras-Con- tinua em franca actividade a So- ciedade Auxiliadora de Senhoras. Sua classe biblica funcciona regularmente, bem como a clas- se de bordados. No dia 12 de outubro haverá um cha musical, dirigido pela di- rectoria. Nessa occasião começará a ven- da das permanentes para a pro- xima kermesse. As senhoras prestimosas que trabalham com talentos, no dia 1.º, levaram á exedra

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