Estandarte Cristão - 12/1955

Versão Integral em Texto

Estandarte Cristão - 12/1955

Mário Barreto FrançaEgmont Machado KrischkeFagundes VarellaLuiz Alves RolimGeorge U. Krischke1955

ESTANDARTE CRISTÃO

PERIÓDICO DA IGREJA EPISCOPAL BRASILEIRA

ARVORAI O ESTANDARTE AOS POVOS ISAÍAS 62:10 CAMPINAS ESTANDARTE CRISTÃO PERIÓDICO DA IGREJA EPISCOPAL BRASILEIRA


OFERENDA DO NATAL

Mario Barreto França

Na manjedoura, envolvido Por uma auréola de luz, Para a esperança do mundo Nasceu, sorrindo, Jesus.

E uma estrêla majestosa Surgiu no céu a indicar Que o Messias prometido Acabara de chegar.

Representantes das raças, Da riqueza e do poder, Régios e lindos presentes Vieram lhe oferecer.

E os rudes homens do campo Despertam sob o esplendor De um côro de anjos saudando O Natal do Salvador.

A alegria dos humildes, Dos pobres a adoração, Tudo transforma o presépio Num templo de gratidão.

Senhor! o incenso das preces, A mirra do nosso Ideal E o ouro das nossas posses Te ofertamos no Natal!


ESTANDARTE CRISTÃO 2 DEZEMBRO de 1955

Grupo de Bispos Missionários que compareceram à Convenção Geral, em Honolulú. Acham-se presentes os representantes da Igreja Brasileira Revmos. Melcher e Krischke.


Dr. Nathaniel Guimarães

Advogado

Ed. Chaves Andradas, 1155 14.º Andar Sala, 1.405 Expediente das 10 às 11 hs.

Residência Av. Belem, 325 Pôrto Alegre


OBREIRA

A Paróquia de Cristo, em Erechim, R. G. Sul, precisa de uma moça para lecionar no Curso primário e que seja or- ganista.

Hospedagem condigna e or- denado bom, podendo continuar os seus estudos.

Cartas para Revdo. Lauro Borba da Silva, Caixa Postal 27


ESTANDARTE CRISTÃO

PERIÓDICO DA IGREJA EPISCOPAL BRASILEIRA ARVORAI O ESTANDARTE AOS POVOS ISAÍAS 62:10 ANO LXI Pôrto Alegre, 25 de Dezembro de 1955 Número 1390

Deus na História

Egmont Machado Krischke

A fé cristã estriba-se em fa- tos. E' uma religião nitidamen- te histórica e experimental. Vi- ve, das manifestações e entre- vindas de Deus na vida dos homens.

Nenhuma outra religião pos- sui êste sentido histórico. Ne- nhuma envolve esta iniciativa de Deus com relação ao homem êste movimento do céu para a terra.

Basta-nos relancear retros- pectivamente para a experiên- cia espiritual da raça e have- mos logo de identificar os di- ferentes ciclos das manifesta- ções de Deus.

De um modo geral, verifica- mos a pressão do Espírito do Senhor no impulso religioso do homem. Tal impulso é univer- sal. Recorre nos mais diversos tipos e estágios de civilização, inclusive nas sociedades mais primitivas. Alberto Schweitzer, em seu diário, confessa o quan- to o surpreendeu a acuidade es- piritual dos habitantes das flo- restas africanas. Éste fenôme- no é tão constante e tão visí- vel, que a moderna antropolo- gia não o pode mais negar ho- nestamente.

Outro indício incontestável da interferência de Deus foi a seleção de homens como os pa- triarcas e os juízes num perío- do obscuro da história huma- na. Éles desempenharam papel decisivo e providencial. Naque- les tempos recuados, foram êles os precursores de um tipo mais nobre e mais puro de religião, num ambiente antagônico e re- trógado.

Mais impressionante ainda foi, no âmbito internacional, a escolha do povo hebreu. A sua fé monoteista, o seu sistema sacerdotal com a noção do culto coletivo e das oferendas sacrificiais e principalmente o fervor indômito dos seus pro- fetas constituiram, sem dúvida, a mais decisiva contribuição ao preparo do mundo para a vinda do Messias, o Príncipe da Paz.

E, quando Êle veiu, foi Deus quem veiu. Foi o climax da ini- ciativa divina em relação aos homens. Foi o empreendimen- to supremo de Deus por amor de nós.

A Encarnação não represen- ta já o impato do Espírito do Senhor sobre certos indivíduos ou comunidades, selecionando- os para testificar as vindicações morais e espirituais do Criador. Agora, é o mesmo Verbo de Deus quem, "por nós, homens, e pela nossa salvação, desceu do céu". E' o próprio Senhor da história humana quem se achega a nós, para viver co- nosco o capítulo mais dramá- tico dessa mesma história.

Pois a Encarnação tem um propósito - um propósito ge- rado na mente criadora de Deus, um propósito de reden- ção. O mais comum dos nasci- mentos, nos confins da Judéia, no tempo do rei Heródes! E, contudo, Aquêle que assim nas- ceu, não foi gerado segundo "a vontade do homem", nem "se-

Conclusão na pag. 5


ESTANDARTE CRISTÃO 4 DEZEMBRO de 1955

Vimos a sua Estrela

FAGUNDES VARELLA

Milagre!... nos sidéreos climas Uma formosa Estrêla, пипса [vista Fulgurante apareceu...

Foi a impávida declaração, feita, pelos Magos do Oriente, ao chegarem a Jerusalém, ca- pital da Palestina, então sob o domínio do cruél rei Herodes, o Grande, preposto do Império Romano.

Quem seriam aquêles cultos e piedosos homens, que de lon- ge, talvez, a Caldéia, a India, a Arábia, se abalaram a vir prestar homenagens, altamente significativas, a um Menino, de mãe modestíssima, e de pou- cos dias, ou meses de idade?

A fora, o título de Magos, ti- dos na conta de homens de muito saber, em especial, co- nhecimento do sidereo espaço, a mais desenvolvida ciência da- quêles primeiros dias. Era também, aplicado a interpretes de sonhos, qual o jovem Da- niel, na côrte de Nabucodono- zor, tanto como a feiticeiros e homens possuidores dos dons de curar.

Eram, não há negar, pessoas de alto coturno e influência nos tempos de antanho.

De caminho, não será impró- prio lembrar que, desde os dias do Cativeiro Babilônico, 6º sé- culo anterior a Cristo, eram muitas das expectações hebrái- cas, com respeito ao Messias (o Ungido, o Cristo), por meio dos livros proféticos e históri- cos do Velho Testamento, co- nhecidos dos cultores da ciên- cia e da literatura oriental.

A predominante crença no aparecimento de inusitados si- nais no céu, ao nascer pessoa de invulgar valor, era, então, lugar comum, afirmam os his- toriadores Filo, Joséfus e Taci- to.

-0-

No que respeita a essa ra- diante Estrêla, temos a abali- zada opinião do famoso astrô- nomo germânico João Kepler (século 16) que, pelo ano 1º A. C., deu-se notável conjunção dos planetas Júpiter, Saturno e Marte (o que ocorre cada 800 anos) e que, logo empós esse fato extraordinário, deve ter aparecido uma estrêla colorida de caráter evanescente. Seria essa a Estrêla a que os Ma- gos se referiam?

Para quem não pode, intele- tualmente, aceitar a idéia de uma intervenção miraculosa na ordem da natureza, parece não ser despicienda, a explicação de Kepler. De quando em quan- do, assinalam os astrônomos a espetacular explosão de uma estrêla e o seu posterior desa- parecimento.

-0-

A nós, porém não nos admi- ra que o mais extraordinário acontecimento registado no uni- verso, após o pré-histórico "Je- hi Ôr" - haja luz, o parte- nogenético nascimento de Je- sus, a quem o proféta Mala- quias chama "Sol da Justiça", e Êle, apropriadamente, a Si mesmo, se denomina, “Luz do Mundo", fosse assinalado com maravilhoso aparecimento, na abóbada celeste, de um as- tro de 1ª grandeza, ainda que de efêmera duração.

0

A narrativa de S. Mateus: "Eis que a Estrêla que êles (os magos) tinham visto no Oriente, ia adiante dêles, até que, chegando, se deteve sôbre o lugar, onde o Menino esta- va" enquadra-se, perfeitamen- te, a essa última suposição.

De que êles (os Magos) fôs- sem reis, não existe o menor abono histórico. O terem sido tres, partiu, por que duvidar?, da tríplice natureza de suas principescas oferendas: ouro, incenso e mirra, simbolizando a Sua Realeza, Divindade e Hu- manidade.

-0-

Merece, ainda, notado que, enquanto os Judeus procura- ram ignorar o alcance da pre- sença do Messias Prometido, no meio dêles, uns estrangeiros de outras terras e crenças, Lhe viessem prestar merecida ho- menagem e reverência.

-0-

Pondo remate a estas consi- derações, nos seja lícito salien- tar a verdadeira relação entre a ciência e a religião.

Nas pessoas dos Magos, os cientistas de então, prestou a ciência a sua homenagem à re- ligião. A sua ciência os trouxe à presença de Jesus Cristo.

Urge, não esqueçamos, mo- vem-se à religião e a ciência em planos diferentes. Avançam, porém, sem conflito, de mãos dadas, e as suas relações são de mútuo respeito e cordial coo- peração. George U. Krischke


ESTANDARTE CRISTÃO 5 DEZEMBRO DE 1955

Sublime NATAL

A Igreja cristã está comemorando com alegria o nasci- mento de seu fundador divino, Nosso Senhor Jesus Cristo. E' a grande festa da Cristandade, o Sublime Natal, o evento grandioso do aparecimento do excelso Mestre, o Sal- vador da humanidade.

Parece até que cada Natal é uma ressurreição moral e espiritual do mundo; é uma ascenção para as alturas de um mundo melhor, mais pacífico, mais humano e mais fraterno.

Repicam os sinos das casas de Deus, os santuários e os presbitérios florejam, cânticos e aleluias, salmos e hinos re- boam nas catedrais e nos templos singelos.

A juventude desperta e canta, a mocidade vibra, e até a velhice sorri e reza a oração ungida da fé e da esperança.

Neste planeta tormentoso, de sofrimentos e dores, o dia do Natal é um Oasis de descanço, é um lenitivo das almas, é um bálsamo para os corações e uma irradiação de bençãos.

O Natal é a festa da família cristã por excelência no convívio fraternal, no despertar de sentimentos de nobreza, na concordia social da vida, no amplexo da bondade e nos re- flexos da simpatia e do amor cristão.

E como não ser assim, si neste dia de tantas emoções santificadoras, de tanta evocação religiosa, a alma piedosa e cristã sente os dulsores de uma fé santificada por um evento tão cheio de encantos, de beleza, de sublimidades espirituais.

Bendita a festa de Natal, o Sublime Natal da nossa fé, da nossa esperança e do nosso amor.

Bendita pelos séculos e pelos mistérios a obra da civili- zação cristã que se iniciou num estábulo e culminou na Cruz do Gólgota.

Bendito seja sempre o Natal de Jesus Cristo, o Mestre Excelso, o divino Salvador do mundo!

Natal Sublime traze uma benção para o Brasil! Luiz Alves Rolim


Para Todo o Sempre

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ESTANDARTE CRISTÃO

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(Deus na História)

gundo a vontade da carne", mas participa, desde a eterni- dade, da própria natureza de Deus, que é Amor.

Sendo a concretização histó- rica das mais sublimes aspira- ções da humanidade, Cristo é, com efeito, muito mais que is- so. Ele nos revela, na Sua pes- soa, a origem divina dessas as- pirações. Mais ainda, a Sua vi- da, morte e ressurreição nos atestam que os nossos mais ca- ros ideais findariam no desas- tre e na frustração moral, se do Senhor não partisse a ini- ciativa de socorrer-nos.

A Encarnação nos proclama em têrmos da nossa humana experiência, que Deus não se- ria Amor, se, ao inocular em nosso espírito a ânsia da liber- tação, não entrasse Ele mesmo na história da nossa vida co- mo Libertador vitorioso. "O Filho do homem veiu salvar o que estava perdido.


ESTANDARTE CRISTÃO 6 DEZEMBRO de 1955

Mensagem de Natal

G. Vespúcio Cabral

Face à singular importância que o nascimento de Cristo as- sume na história da humanida- de, a comemoração do Natal, anualmente, oferece ao mundo um novo ensejo para que se dê sentido verdadeiro à Nata- vidade, à Encarnação do Filho de Deus.

Ao tempo do glorioso Even- to, o piíssimo Simeão ansiava pela "consolação de Israel". E teve-a com o Menino-Deus aos braços, no Santuário judaico: "Luz aos gentios e Glória para seu povo". Hoje, as almas cris- tãs anseiam pela consolação da humanidade. O velho mundo continua aflito, contendo OS germens dos ódios insaciaveis, das incompreensões e das injus- tiças. E não há quem não so- fra os efeitos dêsse ambiente saturado de cobiça, de orgulho e de vaidade. Daí a constante espectativa humana.

Mas o espírito de Cristo pa- rece ter desertado desta gera- ção trabalhada pelo materia- lismo, pela descrença e pela ini- quidade, e voltado, no tempo, às bucólicas campinas da Ga- liléia, às estreitas ruas de Je- rusalém, e às praias macias de Tiberiades, no regresso ao pas- sado, lamentando a insânia da família humana. Para felicida- de nossa, porém, isso não acon- tece. Cristo ainda é o mesmo. E' o mesmo ontem, hoje e eter- namente.

Cale-se, pois, a humana cria- tura e, neste inigualável Dia de Natal, ouça serena e confiada- mente, a voz do Salvador: "Vinde a mim, todos os que es- tais cançados e oprimidos, e eu vos aliviarei". S. Mateus 11:

  1. O grande poder divino, po- rém, terá que operar nas al- mas, sublimando-as; só assim poderão apreciar a majestade da Encarnação e a doçura da Natividade de Jesus.

Neste alegre Natal, possa- mos encontrar o Salvador, pal- pitante, dentro do nosso cora- ção, dando-nos um pouco da- quela pureza do Menino Deus de Belém da Judéia.

Nêste alegre Natal; lance- mos à margem tôdas as angús- tias, todo pessimismo que nos estiola a alma, que nos aflige e entristece.

Nesse alegre Natal, afinemos nossas almas pelo diapasão dos Anjos: "Glória a Deus nas maiores alturas, e paz na terra entre os homens, a quem êle quer bem".

Natal de 1955


= Religião - Religar =

Glauco S. de Lima

As origens da expressão "Re- ligião" sugerem-nos imediata- te relação com o têrmo "Reli- gar". Porque será isto? Será por mero acaso? Não. Há um significado profundo nesta re- lação de têrmos. Significado ês- te que nos evoca mais uma vez o caráter paradoxal da religião, e em particular da mais lídima das expressões religiosas da humanidade que é o Cristianis- mo. Na verdade o têrmo "Re- ligião" evoca para o cristão a realidade básica e paradoxal de sua fé, que é a de um Deus que era onipotente e que se despiu de sua onipotência para que o fruto mais acabado de Sua Criação ou o Homem, pudesse livremente escolher on criar sua historicidade. E por causa disto o homem que antes da Queda estava diretamente liga- do ao Criador, se desligou vi- sando estabelecer uma histori- cidade em que êle Homem de- veria ser o centro. Mas Deus sendo Pai e vendo a isensatez do homem não quiz compelí-lo forçosamente, mas quiz dar-lhe outra oportunidade, outra "chance” para que o homem reconstruisse os planos de sua historicidade. Esta oportunida- de foi dada ao homem pela En- carnação do Verbo de Deus, isto é, Deus vindo diretamente habitar como Homem a face da Terra e atestando aos ho- mens que nem tudo estava per- dido. E então o sentido da re- ligião é plenamente estabeleci- do. Jesus Cristo Nosso Senhor vem "religar" o homem.com Deus dando para isto sua pró- pria vida. Eis em poucas pa- lavras o drama da Redenção, o drama fundamental da histó-

Cont. na pág. 7


ESTANDARTE CRISTÃO 7 DEZEMBRO DE 1955

CARTA ABERTA

<<<Eu dar-te-ei graças no meio da grande congregação, entre um poderoso povo eu te louvarei». Salmo 35:16.

Meu estimado co-eclesiano:

O versículo que encima estas linhas é um dos muitos que merecem nos detenhamos por mais tempo meditando sobre os seus dizeres.

Acaso já te deparaste com êle alguma outra vez que não esta? Meditaste acerca de suas palavras? Elas encerram principios vitais.

O salmista resalta aqui dois pontos de suma importância para ti que devem ser considerados em tôda tua existência.

O primeiro, a necessidade de dar graças a Deus. De agra- deceres por tudo o que tens recebido de Sua parte.

O segundo, o lugar onde, de preferência, deves render gra- ças. Ele diz: “No meio da grande congregação”. Em outras palavras: na Igreja.

Quem de nós não tem recebido bênçãos de Deus?

Talvez alegues que muitas ocasiões tens rogado Seu auxí- lio e não tens sido ouvido. Mas te direi que Ele te ouviu e te respondeu, tu é que não procuraste sentir a Sua ação, ob- servar a interferência benéfica em tua vida.

nar. Lembra-te que Deus age de muitas formas e, para conos- co, emprega a que mais frutos espirituais nos pode proporcio- Procura notar que as coisas terrenas têm duração limi- tada e que tantas vezes, quando satisfeitas, acarretam graves conseqüências. Quando imploramos algum auxilio a Deus, Ele sempre nos atende pela forma que o Seu amor paternal dita e que corresponde a duradouros efeitos.

Quantas ocasiões tens agradecido a Deus no meio da con- gregação? ou melhor, quantas vezes tens elevado as tuas ora- ções de agradecimento na Igreja, entre teus irmãos na fé em Jesus Cristo?

De quando em vez tenho notado tua ausência nos ofícios religiosos e lembro-me que tens perdido preciosas oportunida- des de agradecer as graças recebidas e de receber as bênçãos que Deus nos lança por intermédio do Ministro no fim do ofi- cio. Além de não participares do sermão, que é, sempre, ali- mento espiritual.

O salmista não só agradecia no meio da congregação, co- mo também, louvava a Deus.

E' um dever que temos o de louvar ao Doador de tudo o

  • que possuimos:nossa vida, nossa família, nossos bens, tudo en- fim que no mundo existe de belo e perfeito, obra de Sua ca- rinhosa mão.

No próximo domingo, tua Igreja, como sempre, estará de portas abertas a te esperar.

Procura tomar parte ativa no oficio, cantando os hinos de louvor, acompanhando as orações. Ouve com atenção a mensagem do Evangélho, porque ela encerra o que te pode ser- vir de bordão, de arrimo, no caminho ascensório que tens de realizar.

Eu te afianço que no seguir da semana terás mais ener- gia, mais ânimo nas tuas muitas tarefas e mais alegria no vi- ver, porque já não serás tu quem vive, mas Cristo que vive- rá em ti.

Saudo-te com amplexo muito fraternal. JANUARIO DE CASTELA


Calendário Episcopal 1956

Ótima Apresentação Fácil Manuseio

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(Religião - Religar)

ria humana e que precisa sem- pre ser revivido por cada um de nós em particular e por to- dos nós como coletividade por- que tal drama é inerente à es- pécie humana. Nêle há a beleza e a profundeza do símbolo e do paradoxo: de um lado um Deus onipotente e infinito de ou- tro um Deus que se despe de Sua onipotência e se torna fini- to, de um lado um Homem exer- cendo altaneira e livremente uma escolha de outro um Homem básicamente limitado e que precisa de um Redentor. Eis a situação das realidades Divina e humana que é parado- xal assim como a vida é para- doxal.

O momento próprio de sem- pre começarmos a reviver tudo isto é o em que se ouve o repicar dos sinos anunciando o nascimento de Belém. Portanto no Natal não nos esqueçamos disto, não percamos o sentido do Natal, não substituamos o seu significado por mundanis- mos vulgares, não vulgarizemos a Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo.


ESTANDARTE CRISTÃO 8 DEZEMBRO DE 1955

Que Mundo Herdarão Nossos Filhos?

Mário Fernandes Gomes

Nos dias difíceis vividos pe- -la humanidade, em que a sub- versão dos valores humanos é um triste fato, não há quem, medianamente equilibrado, não faça, no íntimo de seu sêr, a pergunta: "Que mundo trans- mitiremos aos nossos filhos?"

Que pai não treme diante dessa pergunta, maximé con- templando tanta miséria que vai mundo a fóra?

Sem dúvida, a humanidade enfrenta uma fase histórica de extrema gravidade. Divisa-se, em tôda parte, o debilitar con- tínuo e progressivo dos valores morais, intelectuais e espiri- tuais que nobilitam o gênero humano.

O dinheiro vem solapando in- tensivamente a base moral de nossa estrutura social. Homens que deveriam ser legítimos pa- radigmas de dignidade e de no- breza, pelo conjunto de predi- cados que os integram, aviltam as suas consciências diante de um prato de lentilhas...

Que de lutas se ferem em busca de projeção social e eco- nômica! Que dizer do que vai no campo da política, tão ava- ro em autênticos valores pes- soais e de alevantados ideais?

Por vêzes, são articulados movimentos que visam não os altos interêsses da nação, mas sim satisfazer o capricho, a vaidade, o egoismo ea am- bição de poucos. Sob o abrigo dos altos designios da naciona- lidade, não se vacila em ultra- jar a pátria e o povo.

Que de atos que se pro- cura afanosamente resguardar debaixo da objetivação do bem comum não contém senão o interêsse de alguns ou de gru- pos. Eles não resistem a um exame imparcial, desapaixona- do, porque mostram, de ime- diato, a pobreza de seu conteú- do.

E' a posição, o mando, a au- toridade outra coisa senão o móvel de apregoados e acendra- dos propósitos. Miséria huma- na; realidade abjecta.

Quem não se deixa arrebatar pelo brilho de uma inteligência iluminada pelo saber? Verda- deiramente é impressionante a inteligência quando a serviço de uma cultura vigorosa. Sen- timo-nos pigmeus perante majestade e o fulgor da huma- na inteligência, que arrebata e encanta. Simplesmente exta- siante é aproximarmo-nos de quem, sendo inteligente, sabe ser erudito. Incontestàvelmen- te é uma das coisas mais fas- cinantes que é dado conhecer nêste mundo.

Mas... a que serve a inteli- gência, a cultura quando a sol- do do mal ou de mesquinhos interêsses?

Quando se medita em tôrno da hora presente por que pas- sa o mundo - não se pode re- primir um certo temor pelo fu- turo da humanidade. E mais nos perturbamos quando sabe- mos que no mundo de amanhã viverão os nossos filhos. Que herança lhes transmitiremos?

Perante essa situação, qual tem sido a nossa atitude? De simples espectadores? Temos mèramente contemplado o de- sencadear dos acontecimentos sem esboçar o menor gesto no sentido de impedir a avalanche, a derrocada dos valores positi- vos da humanidade? Para êsse estado de coisas, qual tem si- do a nossa participação?

Forçoso se faz que os “ho- mens de bôa vontade" se deci- dam a tomar atitude face a tanto descalabro. Necessário é que tomem posição antes que a situação mais se agrave. Es- tá em jogo o mundo de ama- nhã, em que viverão os nossos filhos.

Impeçamos o envilecimento dos valores pessoais; fortaleça- mos o caráter humano sôbre o qual repousam os verdadeiros fundamentos do edifício políti- co-social; incentivemos o tra- balho honesto e empreendedor, propulsor do progresso econô-

mico; desenvolvamos a nossa inteligência e cultura e colo- quemo-las a serviço do bem e da ciência.

O momento presente está a exigir a nossa definição e o fu- turo de nossos filhos está a re- clamá-la. Não cuidemos em for- mar grandes reservas mate- riais, pretendendo com tal ini- ciativa resguardar a situação econômico-social de nossos des- cendentes. Que esperar de um mundo se carente de moral e pobre de ideal?

A hora presente está a clamar a Igreja de Cristo a contender mais intensa e ener- gicamente contra o mal, con- tra o amolecimento e destrui- ção das virtudes humanas. A humanidade enfrenta hoje gra- ve situação em que a ajuda da Igreja se faz indispensável e imperiosa.

Tiremos a religião de dentro dos Templos, onde Cristo é re- verenciado e incensado, e colo- quemo-la em nossas vidas.

Honremos a Divina Pessoa de Jesus não com gestos, mas com atos que afirmem a nossa fé. E que a prática de nosso cris- tianismo conduza a humanida- de ao aprisco de Deus.

Que êste Natal seja a ratifi- cação de nossos compromissos assumidos perante Deus e que coloquemos as nossas vidas a serviço de Jesus, garantia úni- ca de Salvação do Mundo.

Cristo deve ser o nosso Nor- te e a nossa Inspiração. Que seja Ele quem ilumine as nos- sas inteligências e aqueça os nossos corações. Que dêle pro- ceda tôda a nossa energia e vi- gor na prática do bem.

Envidemos esforços no sen- tido de que seja legado aos

Continua na página 11


DEZEMBRO DE 1955 9 ESTANDARTE CRISTÃO

Página Infantil

Natal

Meus amiguinhos:

Há cêrca de 2.000 anos atrás na cidade de Belém de Judá, nascia o Menino Jesus.

Foi na época do recensea- mento. Todos os judeus tinham de se alistar na cidade em que nasceram. Era êsse o costume do povo. Grande era o movi- mento nas cidades e vilas. Os hotéis quase não davam conta de seus inúmeros hóspedes. Pessoas havia que, dificilmente encontravam lugar nas hospe- darias. Entre essas famílias, achava-se um casal que tam- bém procurava hospedagem.

Chamavam-se José e Maria. Vinham da cidade de Nazaré. Já haviam andado muito e es- tavam bastante cansados.

Nos diversos hotéis em que estiveram, ouviram a mesma resposta: "Não há mais lugar".

Finalmente chegaram a uma hospedaria, na qual encontra- ram lugar. Não um aposento fi- no e bem arrumado mas uma simples estrebaria. O hoteleiro disse-lhes: "Lugar, só na estre- baria. Se quizerem, poderão fi- car lá".

Mesmo assim, com esta res- posta pouco agradável, o casal ficou muito contente e para lá se dirigiram.

Naturalmente, lá estavam os animais: boi, jumento, ovelhi- nhas.

As estrêlas, pouco a pouco, começavam a surgir no firma- mento. Uma aqui, outra alí, ou- tra acolá, mais outra, e o céu foi se enchendo de estrêlas.

Mas, que coisa extraordiná-