Carta Aberta da Câmara dos Bispos da IEAB ao Arcebispo de Cantuária, Dr. Rowan Williams
Carta Aberta da Câmara dos Bispos da IEAB ao Arcebispo de Cantuária, Dr. Rowan Williams
Carta Aberta da Câmara dos Bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil ao Arcebispo de Cantuária, Dr. Rowan Williams
Câmara dos Bispos da IEAB em frente à Catedral da Ressurreição, Brasília - DF
Brasília, 14 de novembro de 2005.
À Sua Graça Reverendíssima, Dr. Rowan Williams, Arcebispo de Cantuária Palácio de Lambeth, Londres, UK
Como Câmara dos Bispos da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil - IEAB, queremos expressar nossa solidariedade ao nosso Primaz quanto a todos os acontecimentos que têm causado tanto dano à nossa Comunhão Anglicana.
- O caso de Robinson Cavalcanti passou por um longo processo de julgamento pelo Superior Tribunal de Justiça de nossa Província. Esse Tribunal considerou inúmeros atos de desacato aos colegas bispos e outros setores da IEAB, inclusive ao nosso Primaz, além de se envolver irregularmente na jurisdição de outras Províncias (Confirmações clandestinas). Temos comprovações de vários casos envolvendo situações que violam seus votos de ordenação. Inclusive denúncias referentes ao seu comportamento moral, o que, intencionalmente, deixamos de arrolar ao processo, visando proteger a sua pessoa e a própria, IEAB. A Câmara dos Bispos, em diversas reuniões, em espírito de oração e discernimento, acatou e homologou unanimemente a decisão do Tribunal, que agiu de acordo com nossos Cânones e Constituição-Geral.
É a primeira vez na história da IEAB que isso acontece. Lamentamos muito os resultados, e reafirmamos que o pano de fundo do processo nunca foi de caráter ideológico ou teológico, mas disciplinar, pois que na nossa Província temos, graças a Deus, clérigos e leigos de todas as tendências ideológicas e teológicas. Nunca foi cortada a possibilidade de defesa de Robinson Cavalcanti.
Quanto aos 32 clérigos que foram alegadamente condenados sem julgamento prévio, alertamos para o fato de que nossos Cânones Provinciais prevêem o abandono da comunhão da Igreja. Houve várias tentativas de diálogo e chamado; todos receberam por escrito manifestação da Autoridade Eclesiástica solicitando que se manifestassem quanto à conformidade a doutrina, culto e disciplina da IEAB, conforme a Promessa de Ordenação, devidamente assinada. Finalmente, foi concedido um prazo legal para sua manisfestação.. Recebemos uma resposta coletiva de que todos estavam solidários com a atitude de Robinson Cavalcanti.
De parte do Arcebispo da Província Anglicana do Cone Sul, Gregory Venables, ficamos sabendo de sua ingerência na Província do Brasil recebendo Robinson Cavalcanti e os 32 clérigos dissidentes, de forma unilateral. Isso contraria o princípio católico da territorialidade das Províncias. É uma tentativa de estruturar a Comunhão Anglicana em bases ideológicas e não territoriais. E viola o princípio Anglicano, trabalhado por Richard Hooker, da soberania de cada Igreja (Província) Anglicana.
Da Sociedade da Missão para a América do Sul - GB, recebemos correspondência oficial onde a entidade se posiciona de maneira a interferir na vida da nossa Província, querendo impor-nos a re-aceitação de Robinson Cavalcanti à Província. Esse não é o papel de uma agência missionária, e lembra muito certos fatos da História da Humanidade, quando da interferência de potências européias nas decisões das ex-colônias.
Realizou-se em outubro p.p. o 3º South to South Encounter, no Egito. Trata-se de um evento sugerido pela Conferência Anglicana de Missão de 1986, em Brisbane. Aprovado pelas instâncias maiores da Comunhão Anglicana, vem se realizando desde o início da década de 90, também com recursos do Conselho Consultivo Anglicano - ACC. Em agosto p.p. o Arcebispo Peter Akinola enviou correspon- dência à IEAB nos excluindo de participação no evento. O Arcebispo de Cantuária lá compareceu, como convidado oficial, e certa- mente que lá encontrou Robinson Cavalcanti e Miguel Uchôa, “em nome” da IEAB. E aqui pensamos encontrar a maior razão para termos sido excluídos, embora membros do Sul, e participantes da organização do I Encontro em Limuru, Quênia e do II Encontro em Kuala Lumpur, Malásia. Não podemos compreender por que nosso Arcebispo de Cantuária nada comentou publicamente em relação a nossa arbitrária exclusão, tendo ainda, com sua presença e fala, legitimado todas aquelas declarações que pretendem re- inventar a Comunhão Anglicana, fazendo com que se torne uma federação de igrejas através da assinatura de uma declaração confessional. Expressamos nosso profundo lamento pela descaracterização do nosso Ethos.
Temos buscado contato com Sua Graça, esperando de sua parte um juízo a respeito disso tudo, desde que nos sentimos vilipendi- ados e desrespeitados como Província Anglicana do Brasil (1965). Mas observamos a ausência de uma atitude firme quanto à integri- dade da nossa Comunhão, bem como de nossa autonomia provincial. Há, pelo contrário, procedimentos parciais, como o recebimento em audiência especial do bispo deposto, não tendo nós, até hoje, a marcação de uma data para uma audiência pessoal com três representantes desta Casa de Bispos, solicitada há quase trinta dias. Pelo contrário, recebemos a informação de que essa situação alegada por Robinson Cavalcanti e grupos que o apóiam está sendo enviada equivocadamente ao Painel de Referência, e a nós se oferece o envio de um mediador, o que consideramos totalmente equivocado..
Frente a isso, nossa Câmara dos Bispos manifesta a todas as instâncias da Comunhão Anglicana nossa unânime solidariedade ao nosso Primaz, Dom Orlando Santos de Oliveira. Já os 26 bispos latino-americanos, presentes ao Congresso de Teologia do Panamá, solidarizaram-se conosco, com plena aprovação da assembléia de 150 pessoas oriundas da América Afrolatíndia, (América Latina e Caribe), clérigos e leigos de quase trinta dioceses anglicanas, conforme a Declaração amplamente distribuída ao mundo anglicano, na primeira quinzena de outubro p.p., com a reativação do CALA (Conselho Anglicano Latino Americano).
Esta Província respeita o Quadrilátero de Lambeth, e procura continuar parte integrante da Comunhão Anglicana, através de laços de afeição que se expressam pelo comungar juntos, e juntos permanecer apesar das diferenças. E o maior sinal e instrumento de nossa comunhão é Sua Graça, o Arcebispo de Cantuária.
Nossa atitude se coloca sob o julgamento de Deus, e desejamos toda a sua imparcialidade e coerência com os princípios Anglicanos, dos quais comungamos há tantos séculos. Assinam:
Dom Orlando Santos de Oliveira, Primaz; Dom Clovis Erly Rodrigues; Dom Luiz Osório Pires Prado; Dom Almir dos Santos; Dom Glauco Soares de Lima; Dom Jubal Pereira Neves; Dom Celso Franco de Oliveira; Dom Naudal Alves Gomes; Dom Sebastião Armando Gameleira Soares; Dom Filadelfo Oliveira Neto; Dom Hiroshi Ito; Dom Maurício Andrade
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