Conferencia de Lambeth 1867 e outras

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Conferencia de Lambeth 1867 e outras

Data desconhecida

A 1ª Conferência de Lambeth

Na 1ª Conferência a preocupação gira em torno da eclesiologia, na organização diocesana e provincial com o sistema conciliar e sinodal. Diga-se de passagem que é nossa distinção entre concílio e sínodo. Em vá- rias Igrejas da Comunhão Anglicana, usa-se sínodo diocesano e geral ou provincial e convenção diocesana e geral como nos Estados Unidos.

É claro que a preocupação de quem se interessou mais na convocação de um Sínodo Geral da Comu- nhão Anglicana foi de ordem teológica, por exemplo, como penas eternas. O Bispo John Travers de Ontário, outrora bispo na África do Sul, muito abalado com o Livro Ensaios e Resenhas, e com o ensino do Bispo Co- lenso, naquele tempo considerado heterodoxo procurou por meio das leis eclesiásticas condenar o que lhe pare- cia erro na Igreja. Tudo indica que seus intentos apoiados pelo Concílio de sua diocese foram frustrados e saiu uma outra coisa que foi a Conferência sem nenhum poder legislativo, um encontro dos bispos para a adoração, consulta mútua por meio de estudos e produção de relatórios e resoluções que não obrigaram a nenhum cumpri- mento a não ser por meio de adoção sinodal. Essa tem sido a prática até hoje.

É bom observarmos que o modelo de Conferência e não um sínodo surgiu depois de um longo processo de ponderações. Entre os que desejavam a convocação de uma reunião dos bispos havia os que eram tomados de entusiasmo por um Sínodo Geral da Comunhão Anglicana.

Sob essa perspectiva é interessante lermos um trecho da resposta cautelosa do Arcebispo de Cantuária, Charles T. Longley, a uma carta dirigida pelo Bispo de Ontário, John Travers. "A reunião de tal Sínodo não é, de modo algum, estranho aos meus sentimentos"..."Não posso, todavia, dar qualquer passo em matéria tão gra- ve sem consultar meus irmãos do Episcopado da Igreja da Inglaterra e da Irlanda e das diferentes colônias e do- mínios do Império Britânico".

Em maio de 1866, o Arcebispo levou o pedido de convocação de uma reunião dos bispos a uma espécie de Sínodo (Convocation) da Cantuária. Houve muitas vozes falando sobre as dificuldades e perigos dessa natu- reza de reunião. No fim, a Câmara dos Presbíteros sugeriram que o Arcebispo convocasse todos os bispos que se encontravam em comunhão com a Igreja da Inglaterra para o "mútuo conselho sobre matérias que dizem res - peito ao bem estar da Igreja."

Foi muito mais difícil convencer a Câmara dos Bispos da importância de tal reunião episcopal. Tudo indica que os bispos foram cautelosos no sentido de que essa reunião viesse a ser um Sínodo Mundial dos an- glicanos.

Aqui há um dado que deve ser observado. Houve multiplicação rápida das dioceses fora da Inglaterra. Na época da 1ª Conferência havia 144 bispos no mundo anglicano. ¹ Nessa época, em 1841, inspirado pelo ser- mão do Bispo Doane, de Nova Jersey, nos Estados Unidos de que o bispo deve ser enviado na frente de todos como missionário, o Bispo de Londres, Bloomfield, talentoso em administração criou o Fundo para os Bispos das colônias, (Colonial Bishops' Fund). Esse fundo incentivou a criação de novas dioceses.²

É possível que os bispos ingleses tivessem certo receio de que a maioria de bispos fora da Inglaterra vi- esse influir nas decisões que poderiam ter conseqüências para a Igreja da Inglaterra. De fato, se for um sínodo geral da Comunhão Anglicana o que se legisla pela maioria torna-se obrigatória para os bispos da Igreja em qualquer parte na Comunhão Anglicana. Então, se isso pesou na resistência contra a convocação de um sínodo geral da Comunhão Anglicana, essas preocupações nos livraram do peso da criação de um organismo internaci- onal com o poder legislativo e ajudaram a Comunhão Anglicana criar um modelo de consulta mútua e fraterna para o governo da Igreja.

A carta de convite do Arcebispo Longley levou em consideração as preocupações dos bispos, principal- mente, da província de York. De fato, eles sentiram-se impedidos de atender ao convite do Arcebispo e não vi- eram à Conferência, mesmo que a carta tivesse o seguinte teor.

  1. MOORMAN, John R.H. A History of the Church in England, pp.386-88 2 STEPHENSON, Alan M.G. Anglicanism and the Lambeth Conferences, p.11

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  1. O Arcebispo consultou as duas Câmaras de sua província. Naquele tempo ainda não havia a partici- pação leiga na Igreja da Inglaterra. (Como vimos, anteriormente, na Igreja nos Estados Unidos, na Nova Zelân- dia e mais em algumas outras havia a participação dos leigos.) E ouviu o conselho de ambas as Câmaras no sentido de que os bispos da Inglaterra e do exterior sejam convidados dos.

  2. Semelhante conselho ele recebeu dos irlandeses, das colônias e do bispo de Illinois, nos Estados Uni-

  3. O propósito principal deve ser, acima de tudo, (a) procurar a bênção de Deus unindo-se na expressão máxima da liturgia da Igreja, (b) e considerar mutuamente a unidade na obra missionária, (c) promover a intercomunhão anglicana.

  4. Tal reunião não será competente para definir alguns pontos de doutrina. Porém, unidos em adoração e nos conselhos fraternos é possível manter a unidade da fé.

De fato, o Arcebispo havia dito aos bispos ingleses que ele não convocaria uma reunião que tivesse pretensão de elaborar cânones e tomar decisões que obrigam às Igrejas o seu cumprimento. ³

Setenta e seis bispos aceitaram o convite. Tudo indica que as sessões da Conferência duraram quatro dias, mas houve muitas sessões preliminares para acertar a agenda. Pode-se imaginar a dificuldade em elaborar uma agenda que pudesse atender toda uma gama de problemas que os bispos de diferentes persuasões estavam levando para serem debatidos. Uns queriam a instituição de um tribunal superior a todas as instâncias nas Igre - jas da Comunhão Anglicana. Havia quem se interessasse pela confirmação da condenação do Colenso. A plena comunhão com a Igreja da Suécia era o desejo de alguns bispos. Outros queriam o diálogo com as Igrejas Ori - entais. Ainda outros queriam coibir o ritualismo. A revisão do Livro de Oração Comum e da Versão Autorizada da Bíblia. O papel do laicato e a aplicação social do Evangelho faziam parte dos debates preliminares para a elaboração da agenda. Jocosamente um grupo de coadjutores das paróquias de Londres fez chegar à Conferên- cia o pedido de debate sobre o salário deles.

E as comissões designadas ficaram em Londres trabalhando por meses até redigir os relatórios. Quem eram esses bispos? Havia teólogos e historiadores competentes e profissionais, peritos em leis, formados em medicina. Há indicações de que eles já haviam ocupado cadeiras nas Universidades de Cambridge, Oxford e outras. ⁴ Todos eles participavam das diferentes visões teológicas e eclesiais existentes na época.

A Conferência elaborou uma Carta Pastoral, tomou algumas decisões e publicou os relatórios. Este mo- delo persiste até agora.

Na saudação há indicação de autocompreensão anglicana que se completa com o que foi dito nas reso- luções que logo vamos examinar.

Aos fieis em Cristo Jesus, Presbíteros e Diáconos e membros leigos da Igreja de Cristo em comunhão com o Ramo Anglicano da Igreja Católica.

Que é essa compreensão do Ramo Anglicano da Igreja Católica? No preâmbulo das Resoluções os bis- pos disseram:

Nós, bispos da Igreja Santa Católica de Cristo em comunhão visível com a Igreja Unida da Inglaterra e da Irlanda, professando a Fé uma vez entregue na Santa Escritura, mantida pela Igreja Primitiva e pelos Pais da Reforma Inglesa, agora reunidos...

Foi isso que, em diferentes tempos, desde a Reforma do século XVI, os anglicanos têm dito. No entan- to, para chegar a essas marcas houve longos e calorosos debates.

Na Pastoral, encontramos um outro aspecto da compreensão anglicana da Igreja. "O amor pelos san- tos". Os santos são membros da Igreja e têm uma dimensão inclusiva no sentido de abarcar os vivos e os mor-

  1. The Six Lambeth Conferences, SPCK, 1929 pp 5-8 4 STEPHENSON, Alan M.G. opus cit, pp 31ss.

tos. O que se destaca é o sentido fraterno e comunal e comunhão. "Pela expansão do conhecimento de Cristo entre as raças". Outra característica da catolicidade é a inclusividade racial. No entanto, a reunião era de ho- mens brancos. Havia um único bispo negro naquela época, o Bispo Samuel Adjai Crowther, ex-escravo, que não pode vir à Conferência e só pode vir em 1888.

Essa inclusividade é intencional e aberta para a sua expressão mais plena e não significa ausência de problemas e de pecado na Igreja. Tanto assim que a oração passa a ser uma súplica. "Com uma só boca supli - camos a Deus, o Pai que pelo poder do Espírito Santo nos fortaleça para emendarmos entre nós as coisas que estão fora de propósito, e para providenciar as coisas que estão faltando e chegarmos a adorar-te com máximo zelo". E, finalmente, a oração pede o restabelecimento do dom da unidade em toda a Igreja.

A Carta reflete, também, o conflito entre as Igrejas, principalmente, com a Sé Romana. A crítica se di- rige à área de

  1. Superstições e adendo de ensino discutível à Palavra.
  2. A pretensão da soberania universal sobre a herança de Deus por parte da Sé de Roma
  3. A exaltação prática da Bem-aventurada Virgem Maria como mediadora, que substitui o seu Divino Filho e as intercessões dirigidas a ela.

Também, o item 2 tinha um propósito bem específico, na véspera do Concílio de Trento (1870) onde foi promulgada a Infalibilidade Papal e onde não faltaram opositores como Newman, ex-anglicano e Döllinger, que deixou a Igreja Católica e começou a Igreja Vetero-Católica.

A Carta passou, também, por momentos difíceis, quando se referiu à morte de Cristo por nós, para re- conciliar o Pai conosco, de acordo com o 2º artigo dos XXXIX Artigos da Religião, porém não conforme a teo - logia paulina.

Verifica-se que a preocupação com a unidade da Igreja é bastante saliente. No preâmbulo das resolu- ções, a Conferência dá, em primeiro lugar, graças porque Deus os trouxe ao conselho mútuo e à unidade na adoração.

Em segundo lugar, expressa a profunda tristeza pela divisão do rebanho de Cristo pelo mundo e o dese- jo ardente de que se cumpra a oração do Senhor: para que seja um.

Em terceiro lugar, a Conferência registra que a unidade será mais eficientemente promovida pela ma- nutenção da Fé em sua pureza e integridade como é ensinada nas Santas Escrituras, resumida nos Credos, e afirmada pelos incontestes Concílios Gerais, e pela união de cada um com o Senhor comum, e pela doação de todos à oração e intercessões, e cultivo do amor.

Resoluções

São ao todo treze resoluções e giram em torno da autodisciplina que as Igrejas da Comunhão Anglicana devem manter e dos meios para a promoção da intercomunhão.

  1. Na eventual criação de novas dioceses e na sagração de novos bispos, os Arcebispos, Metropolitanos e Bispos Presidentes, isto é, os Primazes devem ser informados.

  2. Na eventual visita dos clérigos e leigos às outras dioceses, é recomendável que levem a carta de re- comendação.

Na opinião da Conferência a unidade na Fé e Disciplina se mantém pela subordinação dos Concílios aos Sínodos.

No que se refere à situação da Igreja em Natal, na África do Sul a Conferência lamentou profundamen- te e endossou a resolução da Convocação da Cantuária passada no dia 29/6/1866, que reza o seguinte.

Se se decidir a sagração de um novo bispo de Natal, é opinião desta Câmara que se elabore um instru- mento formal de assentimento à doutrina e disciplina da Igreja da Província da África do Sul, ao qual todo bis- po, presbítero e diácono se subscrevam.


Uma outra resolução diz respeito ao padrão de fé e doutrina em uso na Igreja que deve ser recebida da Igreja-mãe pelas Igrejas novas em formação pelo trabalho missionário. Nessa recepção haverá sempre o direito de fazer a adaptação de acordo com as exigências das circunstâncias locais, contanto que não esteja inconsisten- te com o princípio do Livro de Oração Comum.

Relatórios

Vários assuntos foram tratados pelas comissões, mas o que se destaca é o relatório sobre o sistema si- nodal e um outro sobre a eleição de bispos.

  1. A comissão encarregada de tratar do sistema sinodal julgou que era necessário pensar mais abstrata- mente num princípio que pudesse ser adaptado conforme as circunstâncias e as leis já herdadas.

1.a. No sistema sinodal o concílio diocesano é a forma principal e mais simples de tal sistema. Por meio de concílio obtém-se a cooperação de todos os membros da Igreja em ação e assegura-se a aceitação das leis da Igreja, que obrigam o seu cumprimento por parte dos que expressamente ou pela implicação deram o consentimento.

1.b. O concílio deve consistir de bispo, clérigo jurisdicionado e de representantes do laicato. A consti- tuição do sínodo diocesano (i.e., concílio em nossa nomenclatura) pode ser determinada pelos regulamentos es- tabelecidos pelo sínodo da Província ou pelo consentimento geral da diocese ad referendum do sínodo provinci- al.

1.c. No que se refere à organização do concílio, sugere-se a forma unicameral com votação separada em duas ordens, em casos que assim exigem.

1.d. É interessante observar que a Igreja, nesse período, não estava consciente do ensino evangélico e paulino de que em Cristo não há homem, nem mulher,mas uma nova criação, por isso, todos são iguais. (Gl 3.28). E isso redundou em afirmar que os representantes do laicato devem ser homens.

  1. O Sínodo provincial ou Sínodo Geral como é denominado na Nova Zelândia, ou Convenção Geral, nos Estados Unidos, diz o relatório, provê duas coisas: (1) um método de assegurar a unidade entre as dioce- ses, (2) o elo entre essas dioceses com outras Igrejas da Comunhão Anglicana.

  2. Sem questionar o direito dos bispos de uma Província se reunir quando e onde quiserem, o relatório sugere que a reunião sinodal seja de bispos, clérigos e leigos representantes de cada diocese.

  3. Cada Província deve resolver se deve ou não, ou em que circunstâncias, todos devem se reunir numa só Câmara ou separadamente. Quanto à votação o relatório sugere que seja feita separadamente por ordens. Pa- ra fins legislativos é preciso que o consentimento seja obtido nas três ordens: bispos, clérigos e leigos. As fun- ções e poderes que não envolvam a legislação sejam reservados aos bispos, em virtude de seus ofícios.

  4. Para evitar os conflitos entre Sínodo diocesano e Sínodo geral (ou em nossa nomenclatura, concílio e sínodo), o Sínodo geral deve tratar de questões de interesse geral de toda a Igreja (P.EX, IEAB) e daquelas que afetam a comunhão entre as dioceses e a comunhão com o resto da Igreja, e deve deixar que o sínodo diocesano (em nosso caso, concílio) trate de seus negócios.

Sob essa perspectiva, o relatório sugere que as alterações litúrgicas (LOC), o regulamento da disciplina do Clero, o regulamento concernente ao julgamento do Clérigo são da alçada do Sínodo Geral. Do mesmo mo- do, a criação de uma diocese é da competência do Sínodo Geral.

Num outro relatório, as sugestões quanto à eleição de um bispo foram alinhavadas do seguinte modo: A. Deve-se levar em consideração a necessidade de se ter ação concomitante de duas partes: clero e lai- cato, sendo os bispos da Província responsáveis pela sagração. B. Em princípio, de acordo com a prática da Igreja Antiga, a diocese deve eleger o seu bispo e os bis- pos da Província devem confirmar a eleição. Também, o relatório opina que é consistente com esse princípio a diocese enviar dois ou mais nomes à Câmara dos Bispos para a escolha de um. Ou ainda é possível que a dio -

cese delegue a um órgão ou pessoas para escolher o seu bispo. Ou ainda é consistente com aquele princípio acima exposto que a Câmara dos Bispos sugira dois ou mais nomes para que a Diocese eleja um deles.

SOBRE A 2ª CONFERÊNCIA.

Preocupou-se mais pela manutenção da unidade entre as Igrejas da Comunhão Anglicana. Foram reafirmados os padrões de doutrina, disciplina e liturgia anteriormente aceitos.

Os títulos dos Relatórios I. A melhor Forma de Manter a Unidade entre as Várias Igrejas da Comunhão Anglicana. I.1-4. II. Unidade e Diversidade A inviabilidade do Sínodo Geral da Comunhão Anglicana e método de consulta (pp 82-3)

  1. Organização eclesial
  2. Obra comum
  3. Carta de recomendação do clero que viaja
  4. comunicação entre as Igrejas
  5. Dia de Intercessão
  6. Diversidade nas formas de adoração Relatório sobre o Tribunal Superior de Apelação III. A Relação entre os Bispos Missionários e Missionários de Vários Ramos da Comunhão Anglicana atuando no mesmo país. IV. Posição das Capelanias Anglicanas na Europa Continental

[A idéia do patriarcado anglicano não se vingou e em 1897 ficou muito mais patente de que esse não é desejo anglicano. STEPHENSON, PP100-101, 51-2,54]

3ª Conferência (1888) I. II. III. IV. V. VI. VII. VIII. IX Χ. XI. XII. Relatório sobre o dever da Igreja em relação à intemperança Relatórios sobre a pureza Divórcio Poligamia Observação do domingo Socialismo Pastoral dos Emigrantes Relações Mútuas entre as Dioceses e Províncias Reunião da Comunhão Anglicana com outras Igrejas de origem inglesa Relação com as Igrejas Escandinavas e VeteroCatólica Igrejas Orientais Padrões de Doutrina

4ª Conferência (1897) I. Organização da Comunhão Anglicana

  1. Organismo central consultivo
  2. Tribunal de Referência
  3. Relação dos Primazes e Metropolitanos fora da Inglaterra com a Cantuária
  4. Posição e Função da Conferência de Lambeth II. Relação das Comunidades Religiosas com o Episcopado dentro da Igreja (sobre a diaconisa, p.217) III. Estudo Crítico das Escrituras IV. Missão Estrangeira (a) Dever da Igreja para com os seguidores
  5. das religiões étnicas
  6. do judaísmo
  7. do islamismo (b) Desenvolvimento das Igrejas indígenas (nativas) (c) Relação dos Bispos e Clérigos Missionários e com as sociedades missionárias V. VI. VII. VIII. IX. Χ. XI. Sobre os Movimentos de Reforma na Europa e Alhures
  8. A Igreja Vetero-Católica na Alemanha

na Suíça 3. A Igreja Cristã Católica da Suíça anterior à Reforma 4. A Igreja Episcopal Mexicana 5. Igrejas Latinas 6. Austria 7. A Igreja Episcopal no Brasil Sobre a Unidade da Igreja em relação 1.com Igrejas Orientais 2.com a Comunhão Latina 3.com outras organizações Cristãs Tribunal Internacional Questões Industriais Livro de Oração Comum, Ofícios Adicionais e Adaptações Locais Deveres da Igreja para com as Colônias Diplomas de Teologia

5ª Conferência (1908) I. II. III. IV. Carta (ver o espírito da...) Fé e Pensamento Moderno Provisão e Treinamento do Clero Educação LOC Santa Comunhão (problema do cálice e o receio) Ministério da Cura Casamento e seus problemas O testemunho moral da Igreja Organização anglicana Reunião Relatórios sobre a Fé e Pensamento Moderno (dar atenção pp 344ss) Provisão (Supply) e Treinamento do Clero e o intercâmbio entre as Igrejas da CA

  1. decrescimento do número de vocações na Inglaterra
  2. resultado sentido na Inglaterra
  3. em outras Províncias
  4. causas do declínio
  5. provisão
  6. Treinamento a) Treinamento preliminar b) Treinamento universitário c) Treinamento especial
  7. Intercâmbio de serviço
  8. Apêndice: estatística Educação Religiosa nas Escolas Missão estrangeira A. crescimento nas linhas raciais e nacionais na África, Ásia, América
  9. Batismo
  10. LOC 3..Casamento
  11. Adaptação aos costumes nativos
  12. Autonomia financeira e política
  13. Problemas raciais B. correlação e cooperação entre agências missionárias tradução do Nome de NS Jesus Cristo nos paises sob a influência islâmica Sobre o LOC e sua adaptação e enriquecimento Saltério, Lecionário, Quicunque vult Sobre condições exigidas para a ministração da Santa Comunhão V. VI. VII. Sobre o Ministério da Cura (a) Unção, (b) em relação à Ciência Cristã VIII.. Casamento (a) Divórcio, (b) Graus de parentesco proibidos, (c) Controle de Natalidade. IX. Χ. XI. XII. Sobre o testemunho ético da Igreja em relação ao ideal democrático e questões sociais e econômicas Sobre a organização interna da Comunhão Anglicana Sobre Reunião e Intercomunhão (a) Igrejas Episcopais (b) Não-episcopais (c) Unitas Fratrum Comunidades religiosas

6ª Conferência (1920) Relatórios

  1. Cristianismo e Relações Internacionais (Liga das Nações)
  2. Oportunidade e Dever da Igreja em Relação aos Problemas Sociais e da Indústria
  3. Desenvolvimento das Províncias na Comunhão Anglicana
  4. Chamada Missionária
  5. Posição das Mulheres nos Concílios e Conselhos (inclusive ordenação ao Presbiterado) (diaconisa em 1897 e 1908, pp 215ss; 440ss.)
  6. Casamento e Moralidade sexual
  7. Espiritismo, Ciência Cristã e Teosofia
  8. Reunião e Relação com outras Igrejas: Episcopais, não-Episcopais, Reconhecimento dos Ministérios, "Vali- dade" dos Sacramentos

A agenda acima indicada mostra-nos que a 2ª Conferência trabalhou em torno daquelas coisas que pro- porcionassem às Igrejas a unidade na diversidade.

Quais são essas coisas? Primeiro, a questão da unidade. Existe a unidade na comunhão numa só Cabe- ça Divina. Como a Conferência entendeu essa comunhão? Ela reiterou o que se disse anteriormente com pe- quenas variações: de uma só Igreja Católica e Apostólica, que mantém uma só Fé revelada na Sagrada Escritu- ra, definida nos Credos, mantida pela Igreja Primitiva, que recebe as mesmas Escrituras Canônicas do Antigo Testamento e do Novo Testamento contendo todas as coisas necessárias para a salvação. Estas Igrejas ensinam a mesma Palavra de Deus, participam dos mesmos Sacramentos divinamente ordenados, por meio do ministério das mesmas ordens apostólicas e adora um só Deus e Pai pelo mesmo Senhor Jesus Cristo, pelo mesmo Espírito Santo e Divino, o qual é dado aos que crêem, para guia-los em toda a verdade.

Sempre que se fala na unidade surge a questão da diversidade. De fato, se quiser levar a sério a realida- de da vida e, acima de tudo, a realidade de Deus revelada como o Deus Triuno, é preciso que se leve em consi- deração a diversidade. Como foi considerada a diversidade? Nas Igrejas em comunhão numa só Cabeça divina houve sempre variedade de costumes, disciplinas e formas de adoração, em conseqüência do exercício dos di- reitos "por parte das Igrejas particulares e nacionais de instituir, alterar, e abolir cerimônias ou ritos da Igreja ordenados pela autoridade humana, de modo que tudo seja feito para a edificação”.(Art XXIV dos 39 Artigos)

Por outro lado, a Conferência entendeu que, na Comunhão Anglicana, não havia questões efervescentes na área da diversidade.

A concepção da Comunhão na unidade e diversidade em missão requer um método que corresponda a essa concepção e viabilize seus objetivos. Esse método, entenderam os membros da Conferência, deve ser aquele que originou da inspiração dos Apóstolos e serviu para manter as Igrejas de Cristo em comunhão visível e indivisa. Tal método é o concílio disseram eles. E pode-se dizer que o coração do Concílio é a consulta. Por isso, reconheceram a importância do Concílio ou Sínodo Geral, e, também, da sua inviabilidade nas condições reais das Igrejas. Por essa razão, eles descartaram o Sínodo Geral das Igrejas da Comunhão Anglicana e o Tri- bunal Superior de Apelação da Comunhão Anglicana. Essa questão sempre voltou nas Conferências. Na Con- ferência de 1897 a maioria dos bispos pronunciou que não era a intenção deles ter um Sínodo Geral da Comu- nhão Anglicana nem transformar a Cantuária num Patriarcado Anglicano.⁵

Estabelecida essa visão católica da Igreja como a Comunhão Anglicana entendeu passaram a tratar da relação entre os bispos, dioceses e clérigos. Um desses princípios que abarca a unidade e diversidade é o respei- to a um agrupamento do povo de Deus numa área geográfica e sua relação com outras num outro agrupamento, isto é, Diocese e Província.

Conforme esse princípio, estabelecida uma diocese nenhum bispo nenhum clérigo pode atuar nela sem o consentimento do bispo da diocese. Baseado, também, nesse princípio nenhum clérigo será transferido para uma outra diocese sem o seu consentimento e do seu bispo e do bispo da diocese, à qual se pretende ser transfe- rido. Como foi dito anteriormente, esse princípio era importante para manter a unidade e diversidade entre as Igrejas da Comunhão Anglicana. Esse princípio está em vigor até hoje.

Na verdade, havia a necessidade de "ecumenismo" interno das Igrejas da Comunhão Anglicana. As di- ferentes sociedades missionárias de diversas Igrejas como a da Inglaterra, dos Estados Unidos e do Canadá, por exemplo, estavam operando num só país como Japão. Na África e na Índia as sociedades missionárias tiveram a dificuldade de cooperação e deixaram certas cicatrizes que foram difíceis de sanar. Atualmente, elas estão co- operando. A formação das Províncias ou Igrejas autônomas facilitou a cooperação, porque as dioceses e as Pro - víncias não ficaram atreladas a uma só sociedade, embora em alguns lugares tal coisa tivesse acontecido, porém mais cedo ou mais tarde o cordão umbilical teve de ser cortado.

Não se mantém a unidade só com o arranjo das estruturas e organização. A unidade requer ação con- junta. Por isso, procuraram unir-se em ação, cooperação. Descobriram que uma das necessidades das Igrejas mais jovens estava na esfera da educação, da formação dos clérigos.

5 STEPHENSON,Alan M.G Opus cit pp 100-1


Um outro meio de promover a unidade proposta foi a intercessão. De fato, a intercessão pela Missão implica na participação na Missão do Filho enviado pelo Pai e leva a Igreja ampliar os sinais do Reino sob um só Pastor, Jesus Cristo. Naquela época a intercessão ficou limitada a determinado período do ano cristão, por exemplo, na semana que precede ao Pentecostes. Hoje, todos os dias há orações por mais de uma diocese na Comunhão Anglicana.

Como nas futuras Conferências foi tratada a questão da unidade e diversidade na adoração. No entanto, a dimensão da unidade recebeu mais ênfase.

Havia, sem dúvida, problemas decorrentes de várias sociedades missionárias de mais do que uma Igreja em operação. Por isso, houve recomendação de que não se introduzissem vários Livros de Oração Comum aos conversos do paganismo. Mas, ao mesmo tempo, a recomendação deu espaço à adaptação da Liturgia, de um lado, e de outro, a preservação do padrão do Livro de oração Comum.

Como se pode observar nas duas primeiras Conferências a preocupação dos bispos estava voltada mais para a organização da Igreja e sua relação com outras Igrejas. Já na segunda Conferência começou despontar as preocupações relativas à ética. Os temas do dia foram discutidos: temperança, a santidade do matrimônio, di- vórcio, e assistência aos emigrantes britânicos, e a questão da poligamia e do socialismo.

Para além das fronteiras eclesiais e religiosas (1897 e 1908) Os passos para além das questões eclesiais internas para área social e econômica foram dados paulati- namente. A caminhada para a conversação com outras Igrejas que não da Comunhão Anglicana foi iniciada na 1ª e 2ª Conferências. Isto não significou que as Igrejas representadas pelos bispos não tivessem preocupações com as questões sociais.

Na Inglaterra, a classe média e a elite viviam na prosperidade. Era o período do triunfalismo comercial. Muitos clérigos vinham da classe média embora houvesse exceções. Eles não tiveram a experiência da pobreza. Gozavam de rendimentos do patrimônio da família.

Nesse contexto, os evangélicos eram orientados por uma pastoral do assistencialismo e da reforma dos indivíduos. Os panfletários tiveram uma outra proposta: a ação da Igreja nas favelas para levar aos oprimidos uma nova esperança.

Nesse clima houve um grupo inspirado por F.D.Maurice, (1805-72), professor na Universidade de Lon- dres, na College de Londres e por J.M. Ludlow (1821-1911), jurista que, na França, estudou a revolução france- sa e Charles Kingsley, pároco de uma aldeia com facilidade de comunicação. Estes se consideraram socialistas cristãos, preocupados com as injustiças sociais e interessados na transformação social. Pois a prática social des- se período foi dominada pelo individualismo e pelo descontroladas leis do comércio. E as leis do comércio eram consideradas leis da natureza e de Deus. Por isso, os indivíduos devem ser deixados livres para buscar o seu interesse.

Alec Vidler observa numa preleção Bampton, em Oxford em 1825 a filosofia do dia contra a qual um grupo de cristão reagia.

Conhecemos a tendência caritativa, no seu amplo significado, para humanizar a sociedade, para adoçar a vida simples, para mitigar, para quase anular todas as calamidades que afligem a natureza.

E Vidler comenta Estes sentimentos piedosos constituíam uma resposta inadequada à imensa desumanidade da sociedade na qual viviam multidões de ingleses, ou à amargura da vida simples das choças onde tinham de viver e nas fábricas e minas onde mulheres e crianças, tal como os homens, tinham de trabalhar durante horas em condi- ções intoleráveis. 6 A Igreja Numa Era de Revolução, p. 92

Por outro lado, havia Thomas Spencer, clérigo da Igreja e tio do Herbert Spencer, que, na visão de seu sobrinho, era mais semelhante aos profetas do Antigo Testamento, que denunciavam os erros, tanto do povo quanto dos governantes. Como tal se diferia da maioria do clero que pensava que o seu ministério consistia em fazer cerimônias, fazer orações e dar ordens que não ofendiam os membros influentes do seu rebanho.⁷

No contexto dessa natureza a denominação socialismo cristão tinha sentido provocativo, e, no dizer de Maurice, o alvo era cristianizar o socialismo e socializar o cristianismo. Ludlow e Kingsley e Maurice fizeram circular panfletos com o nome de Política para o Povo, Socialismo Cristão e Socialista Cristão.

Este movimento teve seu recesso em 1854 e retomado uns vinte anos depois. Entrementes, houve mo- vimentos de pequenas reformas em favor dos pobres, movimento de "ambulância", assistência para os alcoóla- tras. Houve clérigos que foram morar nas favelas para estar com os pobres já mencionado anteriormente. Essas questões de ordem assistencialista foram consideradas nas 3ª Conferência sob rubrica de Intemperança e Socia- lismo Cristão.

Por volta de 1873 houve um tipo de Encontro ou Congresso da Igreja, que se dedicou aos temas como a legitimidade das greves e indagavam pode-se conceber que S.Tiago ou S.Paulo ficasse do lado da elite contra os trabalhadores? Havia um bispo em Manchester com o nome de James Frazer respeitado por várias classes, considerado líder no movimento da justiça social e fez várias mediações nas vindicações trabalhistas.

Foi nesse período que o socialismo cristão foi retomado por aqueles que foram inspirados por Maurice, Kingsley e Ludlow. Estes foram Thomas Hancock e Stewart Headlam que consideravam o Magnificat como "Hino da Revolução Social" publicou panfletos como "a Bandeira de

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