O Estandarte Christão - 12/1895
O ESTANDARTE CHRISTÃO
ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
PUBLICAÇÃO: UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ Ν. 12.
VOL. III. ASSIGNATURA: POR ANNO . . .3$000
Expediente Toda a correspondencia deve-se dirigir á caixa do correio n. 5. O escriptorio da redacção acha-se no edi- ficio da Escola Americana n. 387 Rua Volun- tarios da Patria. J. W. Morris REDACTORES REVDOS. W. C. Brown A. V. Cabral
N'esta redacção dão-se todas as informa- ções sobre tratados, e publicações evangelicas. Todas as pessoas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal dar-se-hão ao encommodo de nos remetter seu endereço que serão imme- diatamente attendidas. Os pagamentos poderão ser feitos pelo cor-
PORTO ALEGRE, DEZEMBRO DE 1895
25 de Dezembro
Não pode passar desapercebido para nós christãos, nem para os povos que partici- pam indirectamente dos beneficios do Evan- gelho sem participarem de sua fé, o dia 25 de Dezembro, dia em que a Egreja de Christo commemora o nascimento do Sal- vador dos Homens.
«No momento, em que a unidade politi- ca do imperio quazi universal, sujeitava aos delirios e prepotencias de um só os delirios e os crimes de todos, quando o mundo entrava na primeira phase da gran- de decomposição, nascia na Judéa Jesus Christo; ao lado da gangrena, que subia incessantemente ao coração do Estado, bri- lhou logo a luz, e appareceu o remedio es- piritual da nova epocha. O rei promettido ao povo romano, o conquistador pacifico veiu encaminhar a alma e o futuro do ve- lho homem, e apontar-lhes o céo e a immor- talidade, como a verdadeira patria e des- tino da vida.
Poucos seculos depois o paganismo va- cillava; o estrepito dos passos dos barba- ros annunciava a hora da agonia á Baby- lonia do Tibre; e o mundo transformado cahia aos pés da cruz, arvorada como es- tandarte da civilisação que renascia!» *) O quadro do nascimento do grande Rei é bem simples.
<<E aconteceu n'aquelles dias, que saiu um edicto emanado de Cesar Augusto para que fosse alistado todo o mundo. Este primeiro alistamento foi feito por Cyrino governador da Syria. E iam todos alistar-se cada um á sua cidade. E subiu tambem José de Galiléa, da cidade de Nazareth á Judéa, á cidade de David, que se chamava Belém porque era da casa e familia de David, para se alistar com sua Maria, estava gravida. E aconteceu completarem-se os dias em que havia de dar a luz. E deu a luz a seu filho primogenito, e o enfachou, e o reclinou em uma mange- doura: porque não havia lugar para elles na estalagem. **)
E é assim n'uma linguagem tão inimi- tavelmente singela que o evangelista S. Lu- cas descreve o nascimento do Filho do Ho- mem, que foi o inicio de uma revolução a onda tremenda das paixões a con- tinuar o curso salutar de princi- pios puros e de costumes sãos. Essa revolução continúa sen curso após desenove seculos d'esse grande aconteci- mento. D'ahi para cá são poucos os pa- triotas que não se têm inflammado no in- cendio que o Christo veiu atear no mundo. Nós somos os herdeiros d'essa revolução... Ndos mostrar-vos-hemos dignos do legado? Não sei. Vejo os horisontes da patria entene- brecidos. Vejetamos, não vivemos. Imita- mos, não produzimos. Para continuar a Reforma que Jesus Christo iniciou é pre- ciso ter energia e isso é o que ha muito pouco. Deixamo-nos levar pela corrente dos pedantes que arrogam a si a posse da chave da sciencia, e lá se vão á garra a nossa crença, os nossos costumes, a educa- ção de nossos filhos, a nossa iniciativa in- dividual, o nosso enthusiasmo emfim. E' o desmoronamento d'um edificio ainda em construcção. Que fazer? Crusar os bra- ços? Não! Nunca! Fundemos escholas, edifiquemos Egrejas, estabelecemos institui- ções de charidade, doutrinemos, vivamos! Por entre os escombros das ruinas do Ro- manismo catemos o que ainda se póde aproveitar; deixemos isolado o pedantismo academico d'esses sabichões que vivem a elogiar-se mutuamente e que têm sempre um sorriso de mófa para os crentes no Evangelho. Marchemos avante, e á luz que dimana da Fé Christă celebremos a festa comme- morativa do Anniversario por excellencia. 25-12-95. Pro Veritate.
„Não matarás" EXODO XX: 18
Talvez vá parecer a muitos ocioso tratar da prohibição que a Lei de Deus consigna n'este mandamento. Mas infelizmente as- sim não é. Ha paizes no mundo onde apezar dos vicios e de provocações que a todos são communs existe na alma do povo um alto respeito pela vida humana. O nosso povo em sua maior parte não dá importancia ao mandamento divino e ás vezes considera a vida de um homem tão importante como a de um passaro. Esses monstros de perversidade que tem existido em nosso paiz e acêrca dos quaes muita cousa temos lido e ouvido dizer, não são um povo aparte. Elles tem nas veias o sangue de nossa nacionalidade, fo- ram criados em nossas fazendas, educados em nossos collegios, conviveram comnosco emfim.
Mas não sómente n'esses individuos, po- demos notar a nenhuma importancia que o cidadão liga á vida de seu semelhante. Diz-nos este facto que a consciencia nacio- nal preciza ser accordada pela voz forte do mandamento divino. As leis humanas são importantes para attingir ao coração do individuo modificando-lhe o tempera- mento e o habito. A lei póde castigar o assassino mas quasi nunca impedir o as- sassinato. Só Deus tem o poder, e o in- dividuo só muda as suas más disposições quando abraça a lei divina.
Não matarás. Meditar sobre o enorme crime que commette aquelle que tira a vi- da de seu semelhante. Elle mata um ente que foi creado á imagem e semelhança do seu Deus. Mata seu irmão, como Caim matou Abel. Torna-se maldicto e tem so- bre si uma responsabilidade tremenda da qual elle não pode dar a Deus uma satis- facção. E' esta a alta ideia que Deus nos ensina ácerca da vida do nosso semelhante, Nos paizes evangelicos o respeito pela vida é maior que em nenhum dos outros paizes que professam religião differente, E' que este sentimento terno e delicado que se chama amor do proximo só pode ser infundido no coração do homem pelos principios salutares do Evangelho.
O homem natural é escravo das cir- cumstancias.
Os dois jarros
Na terra distante de Palestina, n'aquella
mesma terra em que Nosso Senhor andava
de aldeia para aldeia fazendo bem, um olei-
ro estava trabalhando. Elle poz uma massa
de barro na roda, e virando-a devagar a
formava com habilidade até que se tornas-
se n'um jarro. Elle fez dois, um com mui-
to cuidado, adornando-o com figuras bonitas
em côres vivas, mas o outro deixou bruto
e tôsco, porque a noite approximava-se e
tinha pouco tempo.
Dois meninos emquanto elle trabalhava,
o vigiavam. Um erecto e bonito ficava
em frente da officina com os creados em
redor d'elle, porque era principe. Olhando
este para o primeiro jarro disse: Manda-
rei buscar aquelle quando ficar prompto.>
O outro estava atraz da officina espi-
ando n'um buraco d'ella o trabalho do olei-
ro, porque não podia chegaram poste
lá, e disse a si mesmo ao respeito do se-
gundo jarro: «Vou comprar aquelle se eu
puder.>>
O sol se pôz e os meninos voltaram pa-
ra as suas casas. O dia seguinte os jarros
estavam postos no fôrno para serem calci-
nados. Sahiram bem e o oleiro ficou sa-
tisfeito com a obra de suas mãos. O pri-
meiro era elegante e proprio para o pala-
cio do rei, o segundo mbe
mais barato, foi bom e util para guardar
fresca a agua. Um criado levou o jarro
mais bonito para o principe, o qual disse.
<
Ocupa-se da Capella do Redemptor Rua Felix da Cunha Nr. 61 PELOTAS Pastor: Rev. J. G. Meem. Junta Parochial: Belmiro F. da Silva, 1.º Guardião; Raphael A. dos Santos, 2.º Guardião; Amaro Pinto de Oliveira, Thesoureiro; Joaquim A. Frões, Registrador; Manoel G. de Cas- tro; Alypio J. dos Santos.
A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villete RIO GRANDE Pastor: Rev. L. L. Kinsolving. Junta Parochial: Rodrigo da Costa de Almeida Lobo, Thesoureiro; Manoel Thomaz de Oliveira,
- Guardião; Angelo Catalan, 2.º Guar- dião; João Vicente Romeu, Registrador; Antonio Gazzineo, Jacyntho de Santa Anna.
Viamão (Congregação ainda não formada) Rev.: Americo V. Cabral.
A Capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria N. 386 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. James W. Morris. Junta Parochial: Raymundo José Pereira, 1.º Guardião; João Leirias, 2.º Guardião; Gervasio M. de Moraes Sarmento, Thesoureiro; Major José Lopes de Oliveira, Secretario; Carlos Emil Hardegger; Gabriel dos Santos.
A Capella do Bom Pastor Rua Riachuelo Nr. 126 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. W. C. Brown. Diacono: Rev. V. Brande. Junta Parochial: Antonio P. da Silva, Thesoureiro; Pinto de Leão, 1º Guardião; José P. S. Norte 2º Guardião.
A Capella do Calvario RIO DOS SINOS Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga, Junta Parochial: André Machado Fraga, 1.º Guardião. Maurilio M. de M. Sarmento, 2.º Guardião; Ernesto Gomes P. Bastos, Thesoureiro; Affonso Antunes da Cunha, Secretario; Odorico F. de Souza; Lucas M. de M. Sarmento.
„Cartas do Sul"
Meu amigo Redactor! Não ha ninguem que nao tenha uma pa- lavra de reprovação para aquelles que justos, examinai os assumptos vendo o perigo approximar-se, não cuidão conscencio- de evital-o e de avisar aos incautos da si- samente, amai a verdade, aborrecei a men- tuação critica em que se achão. O amor que devemos ter para com nos- sos proximos, nos impellirá certamente a proceder d'uma forma correcta e digna de encomios, nos impellirá a cuidarmos dos nossos concidadãos, dos nossos amigos, apontando aos desviados, o caminho da re- tidão, da justiça, avizando-os dos prejuizos que lhes pode causar o indifferentismo, esse mal a que se deve tantas desgraças, e que figura muitas vezes como um dos principaes factores da ruina de muitos entes.
A attitude primitiva da imprensa rio- grandense, com relação ao jesuitismo foi por certo reprovavel. Exceptuando algumas folhas, redigidas por pennas luminosas, que combateram brilhantemente o mal que nos ia causar, e que effectivamente causou, tantas desgra- ças, a attitude do resto da imprensa, po- derá dizer-se, da maior parte, não foi nada louvavel. Agora porém é que ella parece desper- tar da lethargia prejudicial em que jazia. Parecerá a muitos, um pouco dura, esta nossa asserção mas: Dura veritas, sed ve- ritas dizem os latinos, e n'este caso tam- bem podemos dizel-o. Infelizmente, so agora depois que o lar domestico tem passado por situações tris- tissimas, depois que a capital do Estado tem sido o theatro, escolhido para os es- pectaculos do jesuitismo, é que a parte in- differente da imprensa, desperta! Quando feria-se a batalha, quando um jornalista imminente iniciou a campanha activa contra os intitulados discipulos do Divino Mestre, que dia a dia avançavam mais um passo, apoderando-se de moças incautas, invadindo o lar domestico, seme- ando a tristeza e a afflicção alli onde outr'ora reinava a alegria, viamos uma grande parte da nossa imprensa rio-gran- dense, muda e indifferente! E essa attitude se explicaria pela covar- dia ou pelo indifferentismo? Não nos é dado saber.. Mas passa por certo por covarde aqnelle que vendo ferir-se uma batalha em pról do bem da sociedade, em pról da verdade conserva-se indifferente mudo, indeciso!!! Agora depois que temos presenciado as scenas mais tristes e desconsoladoras é que uma parte de nossa imprensa desperta! Depois que o perigo veio, depois que o mal trouxe os seus prejuizos, depois disto tudo, desperta uma parte indifferente do jornalismo que devia ter sido o primeiro em avisar a situação perigosa que se ap- proximava! E' o caso de dizermos em linguagem vulgar: «Depois da porta arrombada tranca de ferro...»
Mas deixemos o passado. Presentemente a imprensa parece que começa a comprehender que o indifferen- tismo com que encarava as questões reli- giosas é devéras prejudicial. E agora, que são unanimes em reprovar o fanatismo e a superstição, oxalá que com- prehendão tambem que este e aquelle são fructos d'uma religião adulterada, semeada entre o nosso povo. A imprensa, agora é prompta a repellir o jesuitismo, e qualifica-o de: «perigo á sociedade.>>> Mas é triste, que ella repellindo o mal, não trate de apontar o caminho do bem e da verdade! Não queremos dizer, que a imprensa aliste-se comnosco, que pelejamos pela San- ta Causa de Jesus Christo. Reconhecemos perfcitamente que d'ahi não virião ião beneficios, porque os nossos ini- migos a considerariam suspeita. Mas o que está ao alcance dos nossos homens de imprensa é ensinar so povo que se acostume a examinar conscenciosamente os assumptos, que trilhe os bons caminhos, emfim promover a elevação do caracter.
Em vez de se occuparem com a narra- ção de historias phantasticas, romances, que só tem a utilidade de matar o tempo, era muito mais util e mais louvavel que se escrevesse: Sêde bons cidadãos, bons filhos, bons pais, bons esposos, sêde rectos, tira, o erro, o vicio! D'esta maneira a imprensa prestaria inolvidaveis serviços á causa do bem, da verdade, da justiça, á patria, e até ao lar domestico!
Muitos, pessimistas talvez, ou apreciado- res d'esses brilhos ficticios do mundo, nos chamarão de mestres, ou nos criticarão por escrevermos como temos escripto acima. Não importa! Cumprimos O nosso dever de dizer o que a sinceridade e amor ao proximo nos ditão.
Rio Grande, Dezembro 1895.
FRITZ.
«Abre tu os meus olhos, para que veja as maravilhas da tua lei !» Psalmo 119,18.
Lista apresentada pelo Sr. Angelo Cata- lane, membro da commissão de angariar donativos para as obras da Capella do Sal- vador, na cidade do Rio Grande: José Gonçalves Ribeiro. José Gonçalves Ribeiro Jr. Arthur Luiz Machado Antonio F. das Neves João das Neves. Manoel Roiz Pinto José Roiz Pinto Antonio Pereira Gonçalves. José Francisco Figueira. Joaquim Tavares d'Oliveira João Tavares d'Oliveira. Maximiano Christiano da Silva Alfredo Oliveira Abilio Tavares d'Oliveira João de Almeida Florentino João Baptista Furtado João de Deus Furtado Fransisco Furtado Gomes Luiz de Almeida Florentino Virissimo Ribeiro da Silva. Joaquim Mendes. Belmiro Ferreira José Nunes Garcia. Abilio Ferreira da Silva José Ferreira Albino Penna José Antunes da Conceição. Antonio Ferreira de Freitas Jacintho Thomaz Lima José Neves Manoel Dionizio. Um Anonymo Heleodoro Lorena Quintiano Capitão Sarjo Rodrigues Abrão Salis. Braga F. Lamas Antonio Telles da Silva. 10$000 5$000 35000 5$000 5$000 58000 5$000 68000 63000 6$000 3$000 68000 63000 5$000 3$000 58000 5$000 3$000 38000 3$000 15000 8$000 10$000 3$000 25000 28000 2$000 2$000 58000 Rs. 156$000
O nome de Deus
Deus, misericordioso e clemente, O Qual passando por diante vosso apoio. d'elle disse: Dominador, Senhor soffredor e de muita compaixão, e verdadeiro, que guardas mise- ricordia em milhares de gerações, que tiras a iniquidade e as mal- dades e os peccados; diante do qual nenhum é innocente por si mesmo.> (Ex. XXXIV-6 e 7.)
A terra deve muito ás supplicas dos santos; abundantes cearas teem sido co- lhidas de uma pequena sementeira de ora- ções. Vemos aqui uma oração. Uma ar- vore magestosa eleva a sua copa; seus ra- mos innumeraveis servem de benefico abrigo a multidões de todas as edades. Qual foi a sua origem? Uma oração do intimo do coração havia sido pronunciada; e a nobre planta brotou. Christãos, em todos os logares, em todas as circumstancias semeae orações; a colheita se fará depois que ti- ver passado a vossa curta existencia. O supplicante aqui foi Moysés. Elle es- tava avido de possuir um conhecimento que mais claro do seu Deus. Elle já tinha visto muita cousa e por essa razão tinha desejo de ver mais; e exclama: «Mostra- me a tua gloria!» (Ex. XXXIII-18). Era um desejo ambicioso; mas aquelles que amam a Deus, pedem-lhe tudo o que Elle póde dar. Era um pedido ambicioso; mas aquelles pedidos exaltam o Doador e são exal- tados por Elle. Por isso a resposta que a- teve Moysés foi esta: «Eu te mostrarei todo o bem e pronunciarei o nome do Senhor diante de ti.» (Ex. XXXIII-19). Sua glo- ria é a sua bondade: sua bondade é a sua gloria. O seu nome é a pagina na qual brilham todas estas maravilhas. Leitor, tereis tambem este santo desejo de Moysés? Aspiraes tambem a ver essa gloria? a experimentar essa bondade? a vos felicitar n'esse divino banquete? Ah! vinde; vinde guiado pela fé; vinde com humildade e confiança. O Senhor vae passando; Elle falla; oiçamos a sua voz: «O Eterno, Dominador, o Deus forte, mi- sericordioso, clemente, lento na colera, abun- dante em graça, e em verdade, guardando a compaixão, até milhares de gerações, ti- rando a iniquidade, o crime, o peccado e diante do qual nenhum é innocente por si mesmo. Foi uma série de glorias que desceu da côrte dos ceus; cada imagem é um reflexo d'Aquelle cuja vista sómente cegaria o misero mortal. O primeiro termo é Jehovah, o Eterno! Palavra maravilhosa que transporta a nos- sa imaginação ás edades da eternidade fu- tura; que proclama em voz alta que pe- rante o passado, o presente e o futuro, ha um ente que é, que era e que será ainda depois que o tempo tiver cessado de ser. Essa palavra o reveste de toda a mages- tade, de toda a dignidade, de toda a gran- deza, e da infinita extensão de uma uni- dade immutavel; ella pinta-o como a uni- ca e grande nascente de cada rio da vida. Oh! minha alma! assim é o teu Senhor Pensamento grave e elevado, poder vasto incommensuravel da vista humana, impene- travel para o espirito do homem! Mas d'esse throno altissimo, os seus olhos se fixaram eternamente sobre vós; atravez de todas as infinidades a vossa imagem enche o seu coração. Sua edade é a immortali- dade, e Elle vos concede a mesma vanta- gem. Porventura não querereis adoral-o, veneral-o, abençoal-o, amal-o, louv louval-o e servil-o? <<<O Eterno, Dominador!» Esta palavra nos ensina que os nossos pensamentos constantemente devem sondar os mysterios do grande «Eu Sou procurando elevar-se cada vez mais para o alto; e os nossos louvores não se devem deter senão para recomeçar. O Eterno, o Deus Forte. O titulo de Deus forte é agora accrescentado, para assignalar o seu poder, a sua força, a sua illimitada sabedoria. Com effeito, Deus está assentado sobre o throno da omnipo- tencia; tem na mão o sceptro do mundo. Elle falla e tudo obedece: Elle ordena, e quem póde pôr-lhe embaraços? O seu so- pro simplesmente é capaz de anniquilar mundos; o seu pé póde reduzir a poeira todos os habitantes da terra e do inferno, E' possivel que o homem se atreva a resistir a Deus? como poderá fazel-o, se Deus se ri da sua colera? Peccador re- flecte, emquanto é tempo; approxima-se o dia da vingança; é irresistivel. Crê n'elle antes que seja tarde; convence-te de que não ha refugio senão na cruz do Calvario. crente, é d'esse throno que dimana a paz. Reconhecei o grande poder que é o vosso apoio. Esse Dens forte é o rosso escudo; quaes são os inintigos que vos pó- dem causar damno? Elle é a vossa espa- da, quem vos póde atacar? Elle é a vos- sa fortaleza; podereis ficar em perigo? Elle é a muralha de fogo em torno de vós; quem vos poderá tirar a vida? Elle vos prometteu por herança a vida eterna; quem póde embaraçar a vossa marcha pa- ra o céu? Elle vos toma nos braços para levar-nos para o Pae; quem poderá arran- car-vos de seus braços? Esse Deus é a vossa completa salvação. «O Eterno, o Deus forte, o misericor- dioso. O coração de Jehovah é a mesma misericordia. Assim como o sol abunda em raios de luz, o mar em gotas de agua, o ceu em astros brilhantes, Deus tambem abunda em misericordia. lia. Essa qualidade é a mais fulgurante joia da sua coroa; excede os céus em altura; sobrevive & to- dos os tempos; brilha com a reunião de todas as perfeições; é a riqueza das ri- quezas. E o que é misericordia? E' este terno e doce amor que tem uma lagrima para todos os infortunios; que se afflige com os afflictos; que chora com aquelles que cho- ram; que não vive senão para curar feri- das, acalmar dores e transformar pranto em lagrimas de prazer. E' ella queranto a queda, e procura para elle o reme- dio perfeito na vida e na morte do Deus homem. O Pae é a mesma misericordia; e a pro- va está no Salvador chamado, no Salvador enviado á terra, no Salvador acceite. O Filho é a mesma misericordia; assim o proclamam, o presepe, o horto, a cruz, o seu sangue, a sua justiça, as suas incessan- tes orações. O Espirito é a propria mi- sericordia; assim o testemunham os seus esforços para penetrar em nosso coração, a sua luminosa presença, as suas ternas consolações, os ricos dons da sua graça re- generadora. Qualquer que seja leitor, a vossa mise- ria, vinde procurar o abrigo d'este Deus e a misericordia vos reanimará. Paulo conheceu o fardo formidavel do peccado, mas obteve misericordia. O publicano ex- clamava com humildade (Luc. XVIII-13): Meu Deus, sê propicio a mim peccador» e o cego gritou (Math. IX-27): «Jesus, filho de David, tem misericordia de mim.» Jesus, a principio surdo, disse-lhe pouco depois (Math. IX-29): *«Faça-se-vos segun- do a vossa fé. A misericordia reina ain- da nos céus; trazei, pois, os vossos pecca- dos e elles serão perdoados; as vossas la- grimas e ellas ficarão enxutas; as feridas de vossa consciencia e ellas serão curadas; as vossas necessidades e ellas serão satis- feitas; os vossos suspiros e elles serão alliviados; as vossas difficuldades e ellas serão desfeitas. <<<Misericordioso e clemente. A paisa- gem mudou de aspecto: a graça apresenta agora as suas bellas fórmas. Assim como a misericordia se compadece da miseria, a graça vale a iniquidade. Se a misericor- deza, e da infinita extensão de uma uni- dade immutavel; ella pinta-o como a uni- ca e grande nascente de cada rio da vida. Oh! minha alma! assim é o teu Senhor Pensamento grave e elevado, poder vasto incommensuravel da vista humana, impene- travel para o espirito do homem! Mas d'esse throno altissimo, os seus olhos se fixaram eternamente sobre vós; atravez de todas as infinidades a vossa imagem enche o seu coração. Sua edade é a immortali- dade, e Elle vos concede a mesma vanta- gem. Porventura não querereis adoral-o, veneral-o, abençoal-o, amal-o, louv louval-o e servil-o? <<<O Eterno, Dominador!» Esta palavra nos ensina que os nossos pensamentos constantemente devem sondar os mysterios do grande «Eu Sou procurando elevar-se cada vez mais para o alto; e os nossos louvores não se devem deter senão para recomeçar. O Eterno, o Deus Forte. O titulo de Deus forte é agora accrescentado, para assignalar o seu poder, a sua força, a sua illimitada sabedoria. Com effeito, Deus está assentado sobre o throno da omnipo- tencia; tem na mão o sceptro do mundo. Elle falla e tudo obedece: Elle ordena, e quem póde pôr-lhe embaraços? O seu so- pro simplesmente é capaz de anniquilar mundos; o seu pé póde reduzir a poeira todos os habitantes da terra e do inferno, E' possivel que o homem se atreva a resistir a Deus? como poderá fazel-o, se Deus se ri da sua colera? Peccador re- flecte, emquanto é tempo; approxima-se o dia da vingança; é irresistivel. Crê n'elle antes que seja tarde; convence-te de que não ha refugio senão na cruz do Calvario. dia ministra balsamo para as feridas, a graça traz o soccorro para o culpado. A misericordia se exerce na desgraça do ho- mem, a graça só de Deus recebe a sua impulsão. O mundo ostenta a hediondez de sua fronte; todo elle é um vasto cam- po de rebellião; n'elle não ha vergonha, nem arrependimento, nem coração contricto, nem passos para obter perdão, nem gritos para alcançar misericordia. Mas sobrevem a graça, livre como a liberalidade de Deus, immensa como a immensidade de Deus, e var, porque quero salvar; quero resgatar do poder do inferno, porque é essa a mi- nha vontade. Ella nasceu no proprio co- ração de Deus; teve origem no proprio plano de Deus. Ella é um fructo sagrado d'aquella arvore sagrada. Ella se cinge para realisar uma obra maravilhosa; ella quer destruir o plano perverso de Satanaz, e para esse fim envia o Chefe da salvação. Ella colloca a primeira e a ultima pedra, e só descançará quando o grito de graça cessar de ouvir-se. Leitor, a vossa unica propriedade é o peccado; entretanto podeis brilhar na glo- ria, porque Deus é graça. Apressae-vos a buscal-o! Recebi o perdão como um dom livre da graça. Porém se o vosso orgulho regeitar a graça livre, os vossos mesmos O Pae é a mesma misericordia; e a pro- va está no Salvador chamado, no Salvador enviado á terra, no Salvador acceite. O Filho é a mesma misericordia; assim o proclamam, o presepe, o horto, a cruz, o seu sangue, a sua justiça, as suas incessan- tes orações. O Espirito é a propria mi- sericordia; assim o testemunham os seus esforços para penetrar em nosso coração, a sua luminosa presença, as suas ternas consolações, os ricos dons da sua graça re- generadora. Qualquer que seja leitor, a vossa mise- ria, vinde procurar