DOM ROBINSON CAVALCANTI E OS MINISTÉRIOS DE EVANGELIZAÇÃO

Versão Integral em Texto

DOM ROBINSON CAVALCANTI E OS MINISTÉRIOS DE EVANGELIZAÇÃO

Rev. Manoel AlmeidaOSE2003

DOM ROBINSON CAVALCANTI E OS MINISTÉRIOS DE EVANGELIZAÇÃO

Rev. Manoel Almeida, ose

Como pentecostal por formação e convicção, percebo que o nosso bispo tem dado a máxima prioridade ao evangelismo. É fácil compreender essa ênfase quando atentamos para sua biografia como evangelista, pregando em praças públicas e igrejas de periferias ou dedicando mais de 10 anos ao anúncio do evangelho no mundo estudantil - ABU, ABS - cujos vínculos ele mantém até hoje, como posso testemunhar, como ex-dirigente daquele movimento. Por sete anos ele se integrou aos “Gideões Internacionais", na dedicação à disseminação da Bíblia, além do evangelismo por meio do rádio, da televisão e dos jornais.

Como evangelista (com filhos e filhas na fé por esse Brasil a fora), o nosso bispo tem tido, em seu episcopado, todo o interesse em apoiar os esforços evangelísticos, sempre vendo a DAR como uma diocese em missão. Uma leitura cuidadosa dos seus documentos e pronunciamentos jamais poderia levar à conclusão equivocada de que "o bispo é contra os movimentos".

Sabemos, é parte do ministério de um bispo a sua tarefa docente, procurando orientar os fieis no caminho maturidade. E, o que podemos deduzir dos ensinamentos do nosso bispo sobre esse tema?

  1. O estímulo a todos os movimentos de evangelização;

  2. A necessidade de uma contínua avaliação e aperfeiçoamento, ajustando-os às condições e necessidades locais e aos desafios do momento. Os movimentos, assim, não devem ser considerados como sagrados, padronizados, estáticos, "imexíveis". Devemos sempre manter uma mente aberta, buscando a orientação do Santo Espírito;

  3. O apoio à criação de novos movimentos, com outras ênfases e métodos, apliando-se, em decorrência, os espaços evangelísticos, oferecendo-se aos fieis uma maior diversidade de opções, com os que melhor venha se identificar;

  4. A necessidade de se respeitar os membros das paróquias e missões em sua opção por esse ou aquele movimento, ou por nenhum movimento, evitando-se pressões ou constrangimentos;

  5. A advertência para que fique claro que, além da adesão voluntária, os pontos de vista dos movimentos ( alguns de origem não anglicana), são apenas os seus respeitáveis pontos de vista, não representando, necessariamente, posições oficias da Comunhão Anglicana ou da IEAB, recordando-nos sempre, para o caráter inclusivo de nossa denominação. É a inclusividade - nos limites do Quadrilátero de Lambeth - que nos caracteriza como Igreja e não como uma seita;

  6. A advertência para que se evite o monopólio político de qualquer movimento sobre uma Paróquia ou missão, com a ocupação de todos os cargos dirigentes, o que resulta na marginalização dos não integrantes desse(s) movimento(s), em discriminação em razão de idade, sexo, estado civil, classe social, ideologia ou corrente teológica;

  7. A lembrança de que qualquer movimento (evangelístico ou não) para ser verdadeiramente anglicano deve buscar respeitar a liderança do seu pároco ou ministro encarregado, e a orientação do seu bispo, pastor da Igreja Local, que é a Diocese;

  8. O estímulo para que, em virtude de fatores como tempo e custos (humano e financeiros) e maior dependência da Palavra e do Espírito Santo, sejam estimulados movimentos evangelísticos compactos, centrados no plano de salvação, que busque conduzir à conversão, deixando-se outros temas para os programas de doutrinação e discipulado;

  9. O nosso bispo tem concordado com o sábio posicionamento do Arcebispo Católico Romano de Porto Alegre, para quem, após ter participado de um movimento, e trabalhando, no máximo em dois eventos, o novo convertido deve dele se afastar, e canalizar seus dons para as diversas atividades regulares da igreja. Evita-se, assim, o grupismo e a possibilidade negativa de alguns participantes se tornarem “profissionais de movimentos“, sem aprofundarem o seu vínculo e a sua lealdade para com a denominação, passando a percorrer durante todo ano, um circuito de encontros dos mais variadas igrejas, dificultando o seu amadurecimento e a sábia edificação do corpo de Cristo;

  10. O nosso bispo crê, com razão, que, aos domingos, “lugar de crente é na igreja": para adoração, o estudo da palavra, a vida sacramental e comunitária e o evangelismo". Ele concorda com a sensata orientação do Arcebispo Católico Romano de Maceió, para quem, todos os movimentos devem concluir seus eventos nos sábados à noite, e excepcionalmente, nos domingos pela manhã, e que os encerramentos devem sempre se dar nos templos das paróquias e missões, para onde devem ser convidados os familiares e amigos dos participantes.

Além desses ensinos, o bispo Robinson tem recomendado que se evite a celebração dos sacramentos do batismo ou eucaristia em eventos de movimentos, pelos riscos de que a participação dos mesmos possam ser conseqüências do clima emocional do movimento, ou que venham neles incluir os que ainda não conseguem discernir o Corpo ou a ele são estranhos.

É importante frisar que o bispo nunca fez qualquer condenação a esse ou aquele movimento, como tal, nunca usou de suas prerrogativas e autoridade canônica para impedir, dificultar, intervir ou demitir movimentos ou dirigentes. O que ele tem procurado fazer, à luz da experiência histórica e ensinar, orientar, advertir, exortar, sugerir, sempre visando o aperfeiçoamento e a correção de distorções, exageros e impropriedades, que possam resultar em danos ou riscos para a vida eclesial.

Deve ser mais que óbvio, que o verdadeiro anglicano respeite o seu bispo, e procure com atenção, estudar suas orientações, e nunca fomentar o espírito de rebeldia, a veiculação de falsas informações ou calúnias contra seu pastor.

Como pessoa, e dentro da inclusividade anglicana, os nossos bispos tem direito a gostos, preferências e opiniões próprias. O nosso bispo, como teólogo e cientista social, tem pontos de vista sobre o conteúdo e métodos dos vários movimentos, identificando-se ou não com eles. Ele não deve ser constrangido a participar de movimentos com os quais tenha discordância ou questões de consciência. Ele respeita e deve ser respeitado, dentro do clima de fraternidade que deve caracterizar o povo de Deus. O bispo não deve censurar a circulação de idéias, nem pode ter as suas censuradas. Os cristãos tem o direito ao livre exame e a livre opção nos aspectos não credais da fé.

Se essa for atitude de todos a nossa diocese continuará crescendo, em quantidade e qualidade, a partir do anúncio das boas novas.

O Rev. Manoel Almeida, ose, é Cientista Social, Secretário Diocesano de Direitos Humanos e Professor do SAET.

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