Estandarte Cristão - 05-06/2007

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Estandarte Cristão - 05-06/2007

Igreja Episcopal Anglicana do BrasilSecretaria Geral da IEABGT Comunicação2007

ESTANDARTE CRISTÃO

Informativo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil Maio | Junho | 2007 | Ano 114 | n° 1802 Assinatura Anual R$ 25,00

Bispa norte-americana leva do Brasil

lições de fraternidade e ecumenismo

Foi uma visita e tanto a da bispa Presidente da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, Katharine Schori, ao Brasil. Em Brasília, início da viagem, ela e a comitiva - o marido, Richard Schori, o cônego Juan Márquez e o jornalista Bob Williams - foram recebidos pelo bispo Primaz da IEAB, dom Mauricio Andrade e um grande número de anglicanos. No salão paroquial da Catedral ela conheceu, através do Power Point e da explanação dos respectivos bispos, as Dioceses de Brasília, Amazônia, Recife e Distrito Missionário do Oeste. Visitou, em Pedregal, o trabalho com crianças realizado pela Paróquia do Espírito Santo; conversou com a ministra Marina Silva, do meio ambiente e foi recepcionada pela Embaixada da República da Guiana (antiga Guiana Inglesa, de maioria anglicana). Em Porto Alegre, onde foi recebida pelos bispos Orlando Oliveira, Jubal Neves, Naudal Gomes e Renato Raatz e inúmeras outras pessoas, teve encontro com mulheres e lideranças leigas e conheceu, da mesma forma que em Brasília, os trabalhos e problemas das Dioceses do Sul: Meridional, Sul-Ocidental, de Curitiba e de Pelotas. No Rio, deslumbrou-se com as belezas naturais e teve encontro com a comunidade anglicana chefiada pelo bispo Celso Franco. A bispa Presidente, primeira mulher, no mundo, a ser eleita para cargo tão alto na Igreja Episcopal (Anglicana, para os brasileiros), o que a torna guia espiritual de mais 2 milhões de pessoas, disse levar lições importantes da Igreja no Brasil, especialmente nos campos da fraternidade, oportunidades de crescimento e desenvolvimento dos dons, da participação dos jovens e do espírito ecumênico, do qual teve mostras.

Leia mais nas páginas 3 a 11 e Contracapa


Diálogo

Prezado leitor Este é um espaço para diálogo. Pode ser usado por nós, do Grupo de Trabalho Comunicação ou por qualquer pessoa que deseje expressar, aqui, opinião, agradecimentos, comunicados, pedidos. Solicitamos que escreva textos pequenos.

Começamos com uma "mea culpa" e um pe- dido de desculpas. Na edição passada, a primeira que o GT Comunicação realizou, recebemos e não publicamos o belo material da Diocese Meridio- nal que está neste numero: notícias do Concilio e do Coro de Concerto Promusicata. Em Porto Alegre pedimos desculpas pessoal- mente ao bispo Orlando Oliveira, que nos rece- beu com a sua conhecida cordialidade e de modo educado e cristão aceitou nossas desculpas. Deste número estão ausentes as Dioceses de São Paulo e do Rio de Janeiro. Até o fechamento da revista um fechamento mais do que tardio, pois esperamos o material da visita da arcebispa Katharine ao Brasil, que ocorreu de 6 a 11 de ju- lho nada recebemos dos nossos irmãos de lá. Esperamos que a comunicação seja restabelecida no próximo número. Damos início, então, ao nosso Diálogo com a publicação da carta do novo bispo Roger Bird, re- cém eleito para a Diocese de São Paulo.

Ao Povo da Diocese Anglicana de São Paulo. Que a graça e paz de novo Senbor Jesus Cristo estejam contigo! Ontem, no Concílio Extraordinário da Diocese, vocês, através do seu clero e represen- tantes leigos, me elegeram para ser seu próximo Bispo. Gostaria de compartilhar com todos vocês os meus sentimentos sobre esta eleição. Em primeiro lugar, fiquei surpreso com o número de votos em meu nome. Inicialmente foi até muito bom receber uma votação tão maciça, porém logo senti a responsabilidade que isto co- loca sobre meus ombros. Fui eleito para ser o li- der espiritual desta Diocese. Sei, melhor do que qualquer outro, que sozinho não sou digno desta tarefa, mas também sei que não estou sozinho neste ministério, contanto que eu me entregue totalmente ao Nosso Senhor Jesus Cristo. Por- tanto, esta "vitória" somente será concretizada se conseguir me render completamente àquele "que era, que é, e que há de vir". Portanto, peço a cada um de vocês, minhas irmās e meus irmãos em Cristo, que orem para que eu tenha a fé e a coragem necessárias para me entregar plenamente a Ele. Fiquei muito contente com o clima que pre- valeceu no Concilio. Realmente foi um Concilio Cristão onde senti a presença do Espírito Santo. Todos que participaram sabiam que nossa Diocese está frágil e tem muitos problemas para enfren- tar, mas acho que todos saíram sentindo que po- demos superar estes desafios se caminharmos jun- tos nos caminhos de nosso Deus Todo-poderoso. Finalmente, senti muito orgulho de ser Anglicano. Ser Anglicano não quer dizer que to- dos precisam pensar igual. Muito pelo contrário, ser Anglicano é viver unidos na diversidade. Nossa Diocese é bastante diversificada: é composta de indivíduos descendentes de origens diversas, de pessoas das mais variadas classes sociais e econô- micas. Porém, como este concilio demonstrou, nós somos unidos por uma coisa muito maior do que nossas diferenças que é nossa fé em nosso Deus triuno. Que Deus guie nossos corações e pensamentos. Teu servo em Cristo, Revdo. Roger


Sobre o Estandarte

Acabo de receber o Estandarte Cristão e devo confessar que foi uma grata surpresa. O novo formato, além de trazer o elemento da "novidade" - depois de tantos anos recebendo a mes- ma diagramação corresponde a uma concepção mais atualizada de composição gráfica. Isso se nota também na disposição das fotos e matérias... Ainda as chamadas para cada artigo estão mais interessantes e melhor elaboradas, com certeza a mão experiente de Zenaide Barbosa. Isso sem levar em consideração os custos, que segundo soube foi muito baixo se compararmos com tudo que se investia no passado! Também prova que o sistema de grupos de tra- balho funciona se houver pessoas responsáveis e comprometidas. Vocês todos estão de parabéns. Um grande e fraterno abraço, Bispo Saulo Mauricio de Barros


Com alegria registro a minha satisfação ao re- ceber o último número do nosso Estandarte Cris- tão. Congratulo-me com a Equipe da Secretaria-Ge- ral, com o GT de Comunicação e com o Conselho de Publicação pelo excelente trabalho. Gostei mui- to das notícias, do novo layout e da nitidez das fo- tos. Vejo esse Informativo como um instrumento a serviço da Missão da IEAB. E, sobretudo, por oca- sião do Mês de Missão é um estímulo à nossa cami- nhada provincial. Havia escrito sobre a minha alegria ao receber a última edição do Estandarte Cristão. Agora escre- vo para partilhar a alegria ao adquirir a publicação "Encontros de Educação Crista", de autoria de nos- sa querida irmă Revda. Lúcia Dal Pont Sirtoli, da Diocese Sul-Ocidental. O material está excelente! Muitíssimo bem ela- borado teológica e pedagogicamente. Quem ainda não adquiriu, vale a pena fazê-lo o quanto antes! Lúcia, minha irmā, parabéns e muito obrigada! Em Cristo, Revda. Lilian Conceição da Silva Pessoa de Lira


Somente hoje conheci a nova paginação do Estandarte Cristão e fiquei alegre pela nova apre- sentação. Bem diagramado e textos claros para a leitura. Para mim isto é um avanço significativo para o Depto de Comunicação da IEAB. Agradeço pelos títulos empregados nos textos do Distrito Missionário do Oeste - DMO e o desta- que que tivemos nesta edição. Agora eu preciso de um grande favor. Meses atrás solicitei o auxílio da Paróquia São João, da DASP referente à aquisição de Bíblias, LOCs e Hinários. Pois bem, nos chegou na manhã de hoje (23/6) a doação de 25 Bíblias e gostaríamos que fosse publicada uma nota de agradecimento da Pa- róquia Anglicana da Santíssima Trindade (DMO) ao reverendo Francisco Cézar, reitor da São João, e aos membros da Junta Paroquial da São João. Trata-se de uma doação importante para que pos- samos realizar nossos estudos bíblicos com jovens e adultos de nossa comunidade, além de utilizar- mos em nossos novos pontos de trabalho missio- nário, entre eles, a missão com os acampados do MST "Florestan Fernandes". Seremos gratos por esta publicação no EC. Abraços fraternos, Em Cristo, ML Carlos Lima - DMO


ESTANDARTE CRISTÃO

Informativo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil "Adoração - Serviço - Compromisso"

Fundado em 1893 Produzido pela Secretaria Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) Av. Eng. Ludolfo Boehl, 256 - Teresópolis Caixa Postal 11.510 90870-970 - Porto Alegre - RS - BRASIL Fone/Fax: (51) 3318.6200 e-mail: comunicacao@ieab.org.br site: www.ieab.org.br

Primaz da IEAB Dom Maurício José Araújo de Andrade e-mail: mandrade@ieab.org.br

Secretário-Geral da IEAB Rev. Francisco de Assis da Silva e-mail: fassis@ieab.org.br

Conselho de Publicações Rev. Carlos Eduardo Brandão Calvani Revda. Arlinda de Araújo Pereira Sra. Zenaide Barbosa Sr. André Machado Fortes Sr. Wagner Bandeira

GT Comunicação Fundadores Rev. James Watson Morris Rev. William Cabell Brown

Ex-diretores Rev. Américo Vespácio Cabral Rev. William Cabell Brown Rev. João Mozart de Melo Rev. João Baptista Barcellos Cunha Rev. José Severo da Silva Dom Athalício Theodoro Pitham Rev. Henrique Todt Jr. Dom Artur Rodolpho Kratz Rev. Oswaldo Kickhöfel Rev. Flávio Augusto Borges Irala Rev. Renato da Cruz Raatz Sr. Claudio Simões de Oliveira

Assinaturas (vendas e circulação) Sr. Jeferson A. da Rosa Gerente da Livraria Anglicana Fone/Fax: (51) 3318.6200 e-mail: livraria@ieab.org.br Assinatura Anual R$ 25,00 Assinatura Exterior US$ 30,00

Diagramação André Machado Fortes AF

Revisão Jornalista Zenaide Barbosa

Impressão e Acabamento Vallup Artes Gráficas Ltda. - São Leopoldo/RS

Foto Capa A bispa Katharine e o bispo Primaz apresentam ao povo os cálices mutuamente presenteados. Foto: Paulo Bassoto.

*Todos os direitos são reservados. É proibida a reprodu- ção integral ou parcial de qualquer edição do Estandar- te Cristão, em qualquer forma ou em qualquer meio, sem a autorização prévia da IEAB. *Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião da IEAB. *Solicitamos às dioceses e paróquias que enviem regu- larmente seus boletins à Secretaria Geral da IEAB. O material pode ser enviado via correio ou e-mail.


Palavra do Primaz

"Não tenho um caminho novo. O que eu tenho de novo é um jeito de caminhar". Thiago de Melo

Nesses dias temos vivido momentos históricos na vida da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. A visita da 26° Bispa Presidente da Igreja dos Estados Unidos, Katharine Jefferts Schori, ao Brasil foi a oportunidade de vivermos momentos de eternidade. Na presença marcante de uma mulher que é forte em sua ternura, na solidariedade e no companheirismo. Com certeza a IEAB ficará marcada por essa visita que traz consigo o signifi- cado de ser o Brasil a primeira Província fora dos Esta- dos Unidos a ser visitada oficialmente pela Bispa Presi- dente, nesse mandato que se inciou em novembro passa- do.

Tenho repetido as sábias palavras do poeta maranhense Thiago de Melo: "Não tenho um caminho novo. O que eu tenho de novo é um jeito de caminhar", com certeza, nesse caminhar precisamos unir todas as nossas forças e sentir o caminhar junto e solidário.

Nesse jeito de caminhar é preciso expressar justiça, pois esse é um dos mandados da Igreja: "Abri-me as por- tas da justiça e eu entrarei por elas, louvando ao Senhor" Salmo 118,19. O caminho é de proclamar a justiça e a esperança realizada por Deus no meio do seu povo.

No caminho da justiça e da esperança renovada é pre- ciso dar passos e fazer gestos concretos de solidariedade e de serviço. Ao ouvirmos e ver- mos as apresen- tações diocesanas e distrital nesses dias da visita da Bispa Presidente, tanto em Brasília, como Porto Alegre e Rio de Janeiro, reanimamo-nos ao ver uma Igreja firmada na proclamação da transformação, de uma Igreja fincada junto às pessoas necessitadas, de uma Igreja que faz e que tem uma presença definida pelo serviço, vivendo a utopia de cantar um cântico novo (Sal- mo 96,1). E esse é o caminho do gesto concreto operibus credit et non verbis (acredite nas obras e não nas pala- vras).

Esse jeito de caminhar deverá sempre ser renovado na humildade de servir e da excelência do poder de Deus: "Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós" (II Corintios 4,7).

Que possamos nos unir como Igreja no caminhar jun- to e solidário, celebrando as vitórias e vivendo a esperan- ça renovada.

Do Vosso Primaz Dom Mauricio Andrade


Editorial

IEAB: mostra tua cara!

Parodiando uma música popular que convida o Brasil a mostrar a cara, gostaria de destacar que, sem som- bra de dúvidas, a visita da bispa Presidente da Igreja Epis- copal dos Estados Unidos nos trouxe a sensação de auto- estima de que muitos de nós andávamos precisando.

A Igreja do Brasil está em alta aos olhos da Comu- nhão. Fomos a primeira Província a ser visitada pela bispa Katharine e isso com apenas oito meses de instituição nas suas funções. Como sabemos, a agenda da bispa Presi- dente está muito pressionada pelas demandas que têm sido constantes a partir do restante da Comunhão Anglicana. No entanto, o gesto de aceitar o convite de nosso Primaz, feito a ela em fevereiro, quando da reunião dos Primazes na Tanzânia, foi uma demonstração de apre- ço e solidariedade.

O povo das dioceses de Brasília, Porto Alegre e Rio de Janeiro conviveu com uma mulher que mistura firmeza com afeto. Olhos e mente atentos. Sensibilidade para ler situações. Firmeza e convicção teológicas. Palavras ade- quadas para cada contexto. Capacidade para dialogar com uma criança da periferia de Pedregal e também na con- fortável sala de uma Ministra de Estado.

Suas palavras de agradecimento expressam com muita clareza a hu- mildade de quem não veio dizer a nós como se faz missão. Pelo contrário, afirmou que a Igreja dos Estados Unidos tem muito a aprender com nosso jeito e com nossa experiência.

O que revelamos a ela foi também de muita franqueza. Nossas dificuldades e nossas potencialidades. Nossos sonhos também foram partilhados e isso é o que é capaz de nos mover para o futuro. Mas o que mais me marcou foi o ges- to de partilha dos cálices. Aí é o começo de qualquer missão efetiva!

A mesa e a partilha sacramental constituem o alicerce de qualquer companheirismo. Os bispos, o clero e o povo da IEAB podem estar certos de que podemos e devemos ter orgulho de mostrar a nossa cara. Katharine gostou dela!

Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva - Secretário Geral


Visita

Arcebispa Katharine "passeia" pelo

Brasil e conhece trabalho anglicano

Na sua primeira reunião em Brasília, com os bispos da região, da Amazônia e do Recife, a arcebispa Katharine Schori e sua comitiva, que ali iniciavam sua visita de 6 dias ao Brasil, deram um verdadeiro "passeio" pelo País. Através dos recursos da informática, o bispo Primaz Mauricio Andrade, anfitrião, mostrou-lhes as árvores, frutos, flores, monumentos e praias que são o orgulho dos brasilei- ros. Começando pelos parques e cate- dral metropolitana de Brasília, passan- do pelo Cristo Redentor, no Rio, o Brasília (de Zenaide Barbosa, enviada especial) Palácio de Cristal e as Cataratas do Iguaçu, no Paraná, a Sé e a Estação da Luz, em São Paulo, os rios e praias do Recife, a floresta amazônica, até o Pan- tanal. Com a arcebispa norte-america- na estavam seu marido, Richard Schori, o reverendo cônego Juan Márquez e o jornalista Robert Williams, diretor de Comunicação da Igreja Episcopal dos Estados Unidos - Ecusa. As reuniões em Brasília contaram com dois intér- pretes: o rev. Luiz Alberto Barbosa e a sra. Ruth Barros. A seguir, os bispos começaram a falar de suas Dioceses.

D. Mauricio "mostra" o Brasil

Dificuldades na Amazônia

Dom Saulo Mauricio de Barros, da recém instalada Diocese Missionária da Amazônia (Antes, Distrito Missioná- rio), mostrou que ali a Igreja padece de dificuldades desde o nascimento. Em 1912, depois de duas tentativas frustradas por perseguições, o missionário inglês Arthur Boss fincou o templo anglicano no terreno de um cemitério (inglês). Quase um século depois, a região tem seis paróquias e alguns pontos missionários que enfrentam toda sorte de dificuldade: prosti- tuição infantil, tráfico de crianças, pouco cuidado do gover- no, uma região de fronteira e exploração. O transporte é um Deus me acuda. Para ficar em um só exemplo: a Diocese cui- da de uma comunidade quilombola e são necessárias 30 ho- ras de navio, mais duas horas de barco para chegar no meio da floresta, estão está o quilombo. Poucos recursos humanos e financeiros completam o cenário. Em compensação, há um ótimo relacionamento ecumênico entre os que se sentem cha- mados a construir o Reino de Deus numa região tão inóspita.

DMO - parto difícil

Dom Almir dos Santos é encarregado do Distrito Missionário do Oeste. Orde- nado há 40 anos, e bispo desde 1989, de- pois de renunciar à Diocese Anglicana de Brasília em 2002, continua no batente, junto com a mulher, Noely. Ele explicou, na sua exposição, que o DMO nasceu em 2002, de um parto difícil, já que a Provín- cia, então, era contra a idéia. "A nova dire- ção - disse - está dando mais leite à crian- ça". O trabalho anglicano havia começa- do, ali, em 1985, com a chegada de imi- grantes do Sul. Hoje há duas paróquias, dois clérigos e seis pontos missionários, um deles no acampamento de sem-terras Florestan Fernandes (em Ariquemes) onde o rev. Hugo Armando Sanchez recente- mente batizou vários jovens e crianças. A maior concentração de anglicanos está em Cuiabá, Campo Grande e Porto Velho. As paróquias atendem a uma população de índios, imigrantes nordestinos, madeirei- ros e garimpeiros. O bispo Almir tra- balha há seis anos com essas comuni- dades.

Dom Saulo: locomoção difícil na Amazónia

Recife: reconciliação

e reconstrução

Dom Sebastião Gameleira, bispo do Recife, fez um resumo dos recentes movimentos separatistas que fundiram ao meio a então exuberante Diocese Anglicana, que perdeu membros, tem- plos e instituições. Até a Catedral fi- cou nas mãos dos que saíram. Por isso, sua divisa de trabalho é reconciliação. A Catedral já foi reconstruída e as de- mais comunidades, que ainda não têm sede própria, trabalham com esperan- ça de que chegarão à vitória. Enquan- to aguarda o almejado crescimento, a DAR enfrenta a explosão de violência do Reci- fe, as crianças de rua, os sem teto. A diocese tem paróquias em Pernambuco, Bahia, Paraíba, Ceará e Rio Grande do Norte. E tem o Seminário Anglicano de Educação Teológica - Saet. Continua realizando mo- vimentos de crescimento espiritual e evangelização, como cursilhos e encontros de casais.

Dom Sebastião: o lema é reconciliação


Crianças cantam para a

visitante em Pedregal

No segundo dia de sua visita ao Brasil, a arcebispa norte-americana Katharine Schori visitou, em Pedregal (Novo Gama), trabalho com crianças realizado por jo- vens da Paróquia Anglicana do Espírito Santo. Na Vila União localiza-se a Missão do Pentecostes, que congrega 50 crianças carentes. Elas recebem ensino bíblico e as- sistência sob a coordenação dos irmãos gêmeos Ruty e Ruy da Costa e Silva. Logo no início da visita as crianças cantaram, dança- ram e declamaram versículos bíblicos junto com o bispo Primaz Mauricio Andrade. Depois, elas ofereceram aos visitantes salgadinhos e refrigerantes. Na paróquia, a arcebispa e sua comitiva tomaram lanche com frutas, sucos e pão de queijo. O bispo Mau- ricio Andrade apresentou à comunidade os visitantes americanos e brasileiros e depois chamou à frente a Jun- ta Paroquial, responsável pela recepção à comitiva. Além do Primaz, estavam presentes os bispos Almir dos San- tos, do Distrito Missionário do Oeste, Saulo Barros, da Diocese da Amazônia, Sebastião Gameleira e Filadelfo Oliveira, da Diocese do Recife; o rev. Francisco de Assis Silva, secretário geral da IEAB e o rev. Luiz Alberto Bar- bosa e Sandra Andrade de Brasília e Ruth Barros. A Paróquia do Espírito Santo tem 25 anos de funci- onamento e possui templo próprio, que atualmente está sendo reformado com dinheiro da própria comunidade. O trabalho na Paróquia existe desde 1982.

Arcebispa com as crianças

D. Mauricio dirige crianças nas canções


Ministra pede oração a bispos anglicanos

Ao receber, em seu gabinete, uma delegação de bispos anglicanos que acompanhavam a Arcebispa Katharine Schori, a ministra Marina Silva, do Meio Ambiente, pediu uma ora- ção; os bispos deram-se as mãos enquanto o bispo Primaz, d. Mauricio Andrade, dirigiu a prece e, de quebra, administrou a Marina a Bênção da Saúde. Antes, a ministra havia pedido que os religiosos orassem pela saúde do vice-presidente José Alencar. Ele devia ter recebido a Arcebispa em nome do pre- sidente Lula, que estava ausente, e não pôde fazê-lo por estar doente. A Arcebispa americana, que faz parte de um grupo ecumênico dedicado à pregação contra o aquecimento glo- bal, preocupa-se muito com a maneira pela qual o desenvol- vimento afeta a criação de Deus e parabenizou a ministra, dizendo-se comovida com o cuidado que ela demonstrou ter pelo desenvolvimento sustentável.

Marina Silva fez aos visitantes uma explanação sobre o pro- grama de defesa do meio ambiente desenvolvido pelo governo e mostrou dados que comprovam a diminuição do desmatamento e da poluição, bem como do envolvimento dos mais diversos segmentos da sociedade nas políticas educacionais. "Já existe gente, no Brasil, que não quer cometer os mesmos erros que se cometem nos países desenvolvidos", disse a ministra. Quando a Arcebispa disse que os cristãos têm de fazer o resgate da terra, a ministra citou os Salmos, o Eclesiastes e o Apocalipse para mostrar que "Deus quer que sejamos resga- tados com toda criação e podemos ajudar nesse resgate". Katharine Schori, a quem estão subordinados mais de dois milhões de anglicanos nas 16 dioceses que compõem a Igreja Episcopal dos Estados Unidos, quis conversar com a minis- tra do Meio Ambiente porque se interessa vivamente pelo desenvolvimento sustentável.

A ministra Marina com Katharine Schori

O Primaz Mauricio Andrade dá a Benção da Saúde à ministra


Visita

Arcebispa tem homenagem na

Embaixada da Guiana

Nos belos salões da Embaixada da República da Guiana, a embaixadora Marlyn Miles recebeu a comunidade anglicana de língua inglesa e membros do Corpo Diplomático da capital federal em homenagem à arcebispa Katharine Schori e sua comitiva; o bispo Pri- maz Mauricio Andrade com Sandra e os filhos Lucas, Pedro e Tiago, além de membros da Catedral Anglicana, como o rev. Luiz Alberto Barbosa, que dirige o culto em inglês. Pre- sentes também os bispos Almir dos Santos, com Noely; Saulo de Barros, com Ruth; Se- bastião Gameleira e Filadelfo de Oliveira e a jornalista Zenaide Barbosa. Da comitiva da bispa, o marido, Richard Schori, o cônego Juan Márquez e o jornalista Bob Williams. Lá estavam os embaixadores de Gana, Samuel Dadey, do Equador, Eduardo Mora, do Zimbábue, Thomas Bvuma, do Marrocos, Farida Jaidi, da Nova Zelândia, Alison Mann, do Suriname, Mavis Daemon-Belgraef e de Trinidad-Tobago, Mônica Clement. Alguns casais usavam os belos trajes típicos de seus países, como o representante da Nigéria e sua esposa. Da comunidade guianense estavam lá Roy Lucas e esposa; Priscila e Suzie e as jovens Oral e Olga. Um coral de jovens interpre- tou músicas em inglês, acompanha- das por vários dos convidados. O bufè era todo de comidas típicas guianenses, com destaque para as sobremesas, dentre as quais brilhava, impávido, um bolo que apenas trocava de nome, mas era, nada mais nada menos, que o brasileiríssimo "bolo de aipim". Na categoria de "special invitees" estavam lá os padres católicos José Aleixo e Gabrielle Cipriani, o pastor Winston Lages, Said Akhavan, Michael e Lourdes Kain, David Chadler e Cida, Rejane Xavier, Palmerinda Donato, John Landers e Martins Nichol, com Verônica; Aubrey Sue e Sheila; Gloria e Inaldo Noronha. Houve discursos de lado a lado e música da melhor qualidade, interpretada ao vivo por um conjunto de violinos. A arcebispa recebeu flores da embaixadora.

Juventude na recepção

Diplomata oferece flores

Balé sacro e jovens americanos no culto

da Catedral, em Brasília

O culto na Catedral da Ressurreição, em Brasília, foi uma ocasião muito especial de louvor a Deus, congraçamento entre os irmãos, boas-vindas à arcebispa e sua comitiva, aos visitantes da cidade e também a um grupo de jovens norte-americanos que haviam chegado pela madrugada, em programa de companheirismo com a Diocese de Brasília. Jovens de casa apresentaram um balé sacro com coreografia que encantou a todos. As leituras bíblicas que precedem o Evangelho foram feitas por Sandra Andrade e pelo jornalista Bob Williams, da comitiva da bispa. O oficio foi dirigido pelo bispo Primaz da IEAB, que também é bispo de Brasília, dom Mauricio Andrade. A arcebispa foi a pregadora; falou em inglês, com tradução de Ruth de Barros. A procissão de bispos e de clérigos chamava a atenção pela quantidade de participantes. No altar, ficaram à direita os cônegos Guilherme Luz e Juan Márquez, o deão Aubry Ecotem e os revs. Josias Alves Conserva, Luiz Alberto Barbosa, Lucia Borges, Israel Cardoso, Brás Rodrigues da Costa e Jorge Aquino, da Diocese do Recife. À Esquerda, os bispos Almir dos Santos, Saulo Barros, Filadelfo de Oliveira e Sebastião Gameleira. A Catedral recebeu muitos visitantes da terra nessa noite. A começar por um grande grupo de Pedregal. Havia também pessoas da comunidade anglicana de língua inglesa, dentre elas a embaixadora Marlyn Miles, da República da Guiana e o casal de nigerianos Stephen e Charity Edozie, com a filhinha Isabela.

A arcebispa e Ruth durante o sermão

A dança sacra

A beleza do altar

Sandra: leitura


Beleza da celebração foi

destaque em Porto Alegre

Porto Alegre (de Zenaide Barbosa, enviada especial)

Um dos pontos altos da visita da arcebispa Katharine Schori foi sem dúvi- da o belíssimo culto na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade. Lotado, ornamentado e cheio de música, o templo estava deslumbrante. O oficio, no qual foi pregadora a própria arcebispa, não fez por menos. A procissão de bispos e clérigos tinha pelo menos 50 pessoas e a procissão de leigos, trazendo os elementos para a Ceia, foi também notável: algumas pessoas portavam estandartes dos vários movi- mentos da paróquia e de instituições da Igreja, como Umeab e Ujab. Dom Orlando Oliveira, bispo da Diocese Meridional, fez a acolhida, e o bispo Primaz, d. Mauricio Andrade presidiu a Eucaristia junto com os bispos da Região: dom Orlando Santos de Oliveira, dom Jubal Neves, Diocese Sul-Ocidental; dom Naudal Gomes, Diocese de Curitiba e dom Renato Raatz, Diocese de Pelotas. Havia muitos visitantes, dentre eles o arcebispo Dadeus, da Igreja Católica Romana em Porto Alegre eo Pastor Walter Altmann, Pastor Presidente a IECLB e Moderador do Conselho Mundial de Igrejas. Havia também visitantes das Dioceses de Brasília, do Recife, do Rio e do Uruguai. As flores que embelezavam o templo por todo canto foram ofertadas por Vera Oliveira, esposa do bispo Orlando. A música vinha do Coral Promusicata, da própria Catedral e a liturgia foi do rev. Dessórdi.

Arcebispa foi pregadora

UMEAB

Bispos e clérigos no altar

A procissão dos leigos


Reunião com mulheres foi animada e proveitosa

O Salão Paroquial estava primorosamente arrumado para re- ceber a arcebispa na reunião que teve com mulheres ordenadas, esposas de bispos e algumas leigas. A revda. Carmen Etel Gomes, primeira mulher anglicana ordenada no Brasil, há 20 anos, falou da sua luta para motivar as autoridades da Igreja a dizer Sim à ordenação feminina, ela que foi para o Seminário quando ainda era proibido às mulheres o acesso à Ordem; falou também sobre o crescimento da vocação sacerdotal entre as anglicanas, que já são dezenas de diáconas e presbíteras em todo o País. Depois, uma a uma as clérigas se apresentaram e disseram de sua alegria no ministério ordenado. Algumas leigas também fala- ram, como Eunice, presidente nacional da Umeab, Sandra Duarte, da Diocese do Uruguai e esposa do rev. Paulo Duarte, que des- creveu o trabalho anglicano naquele país, Carmen Duarte Go- mes, da DAC, Vera Lucia Simões de Oliveira, Elecy Neves e Ali- ce Raatz, esposas dos bispos Naudal Gomes, Orlando Oliveira, Jubal Neves e Renato Raatz, respectivamente. Todas descreveram os movimentos liderados por mulheres nas suas paróquias. Lygia, de Pelotas, descreveu o projeto de Fitoterapia desenvolvido na Diocese, no qual se plantam as ervas medicinais e se elaboram os medicamentos. Ela ofereceu à arcebispa um kit com três remédi- os: uma pomada para afecções cutâneas, um xarope para tosse e uma tintura para problemas no fígado. A arcebispa Katharine se disse impressionada com o trabalho desenvolvido pelas mulheres. Nesta reunião, foi intérprete a sra. Mara Luz.

Muitas mulheres estavam na reunião


Visita

Bispos apresentam à visitante

as Dioceses da Região Sul

Dom Orlando Oliveira, bispo da Diocese Meridional, hospedeira da arcebispa ame- ricana e sua comitiva, foi quem abriu o encontro dela com os bispos do Sul do Brasil. Começou sua exposição falando sobre o Seminário Teológico, atualmente com 18 can- didatos ao Ministério Ordenado; falou do Ceat - Centro Anglicano de Estudos Teoló- gicos, que coordena o programa de formação

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