Estandarte Cristão - 01-02/2008

Versão Integral em Texto

Estandarte Cristão - 01-02/2008

Dom Maurício José Araújo de AndradeRev. Cônego Francisco de A. da Silva2008

ESTANDARTE CRISTÃO

Informativo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Janeiro - Fevereiro | 2008 | Ano 115 | n° 1806 Assinatura Anual R$ 30,00


Primaz convida a reverenciar memória dos japoneses no aniversário da São João

Como parte das comemorações oficiais do Cen- tenário da imigração japonesa, a Paróquia de São João, da Dasp, celebrou, com a presença do bispo Primaz Maurício Andrade e do bispo Toshiaki Mori, da Diocese Central da Igreja Episcopal do Ja- pão, os seus 75 anos.

O belo templo projetado pelo famoso arquiteto Rui Othake estava lotado de brasileiros e japoneses, que ouviram a saudação do Primaz: "Precisamos re- verenciar a lembrança de todos os homens e mulhe-

res, clérigos e leigos desta comunidade japonesa que doaram suas vidas assumindo em terras brasileiras o desafio missionário de proclamar as boas novas do Reino de Deus".

O bispo japonês foi o pregador, com tradução de d. Hiroshi Ito. Ex-párocos da São João, como o rev. Flavio Irala (DAC) participaram da cele- bração, que tinha no altar muitos outros clérigos e clérigas.

Página 11


Palavra Primaz

Ressurreição e Vida

Eu sou a ressurreição e a vida, Quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá. João 11,25

Erguei os olhos e vede os campos, Pois já branquejam para a ceifa. João 4,35

Aproxima-se a Páscoa de Nosso Se- nhor Jesus Cristo, momento e opor- tunidade de (re) encontro, reconcili- ação e sempre renovação do compromis- so e fidelidade no serviço ao Cristo que nos liberta.

O caminho agora é pensar e refletir sobre a Ressurreição e vida, é Tempo de Páscoa, e a certeza de que o túmulo vazio expressa a pre- sença do Cristo vivo em nosso meio.

O caminho da Ressurreição e vida nos desafia a renovar a esperança, a exemplo da visão do profeta Ezequiel do vale dos ossos secos, "acaso poderão reviver esses ossos? Tu o sabes. "Ezequiel 37,3. A aparente desespe- rança pelo contexto de exílio, a ausência de vida é superada pelo sopro de Deus, e sentir novamente o Espírito em nós.

O caminho da Ressurreição e Vida nos desafia em nossa fé a viver e sentir a von- tade de Deus "quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá” João 11,25.

O caminho da Ressurreição e vida nos chama a renovar nosso compromisso e fi- delidade, e perceber que é preciso ir na di- reção do Reino "levanta-te e vem para o meio" Marcos 3,3. Somos chamados como Igreja a contemplar os campos que estão diante de nós "erguei os olhos e vede os cam-

pos" João 4,35.

Na Páscoa somos recordados que não basta viver somente na máxima do privilé- gio, é preciso responder com responsabili- dade missionária, porque privilégio gera responsabilidade. Temos visto os campos branquejando para ceifa, sentimos que vi- vemos novos momentos de paixão missionária, temos chegado em lugares antes distante de nossa visão.

Precisamos fazer algo, precisamos dar novos passo, precisamos caminhar na bus- ca de ver, ouvir e intervir na restauração da dignidade humana, e isso é possível quan- do oferecemos dignidade, quando vivemos a mensagem da Ressurreição e Vida.

Que nesse Tempo de Páscoa, Tempo Ressurreição e Vida, possamos como Igre- ja renovar nosso compromisso e fidelida- de, erguendo os olhos, saindo de nossas co- modidades e assumindo nossa responsabi- lidade na missão que é de Deus.

Aquele que semeia pouco, pouco tam- bém ceifará; E o que semeia com fartura com abun- dância também ceifard. II Coríntios 9, 6.

Do Vosso Primaz, Dom Maurício Andrade


Editorial

Um grande concerto a executar!

Acabo de chegar de uma intensa programação de visita à Diocese Anglicana de Pelotas.

Pude observar como as comunidades e pastorais desta querida diocese vivem um momento de expansão e alegria.

A despeito de ser a menor das dioceses do ponto de vista geográfico, a DAP tem uma diversidade que salta aos olhos: contextos rurais e urbanos muito distintos, inclusive dentro mes- mo de cada um deles.

E tudo isso sem perder o tom. Falo em tom porque um dos pontos altos da caminhada diocesana é a música. O sonho de um grande concerto reunin- do vozes e instrumentos se tornou rea- lidade no final do ano passado, com uma belíssima apresentação de cerca de 150 vozes e instrumentistas, juntos, ce- lebrando o Natal.

E aí me pergunto: a IEAB quer exe- cutar um grande concerto? Instrumen- tos temos. Gente cheia de dons tam-

bém temos. O maestro, Jesus, também está a postos. O que falta então?

Dedicação e acolhimento. O tema para esse ano na Província pode ser um autêntico caminho para se reunir um grande grupo disposto a fazer a nossa Igreja se tornar cada vez mais relevante em nosso País. A melodia divina necessi- ta somente de nossa disposição em ser- mos parte dedicada desse concerto.

Cuidar da afinação é parte essencial tanto para os instrumentos quanto para as vozes. Quando nos preocupamos em aperfeiçoar nossos dons, o resultado é uma bela melodia. Assim como nosso Primaz afirma que é preciso dar no- vos passos, eu acrescento que precisamos ter novos compassos.

Que nesse 2008 a nossa Igreja avance na estrada da missão e do serviço. E que esse avanço seja harmónico para que aos ouvi- dos de Deus soe como uma bela música!

Rev. Cônego Francisco de A. da Silva Secretário Geral


ESTANDARTE CRISTÃO

Informativo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil "Adoração - Serviço - Compromisso"

Fundado em 1893

Produzido pela Secretaria Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) Av. Eng. Ludolfo Boehl, 256 - Teresópolis Caixa Postal 11.510 90870-970-Porto Alegre - RS - BRASIL Fone/Fax: (51)3318.6200 e-mail: comunicacao@icab.org.br site: www.ieab.org.br

Primaz da IEAB Dom Maurício José Araújo de Andrade e-mail: mandrade@ieab.org.br

Secretário-Geral da IEAB Rev. Francisco de Assis da Silva e-mail: fassis@ieab.org.br

Conselho de Publicações Rev. Carlos Eduardo Brandão Calvani Revda. Arlinda de Araújo Pereira Sra. Zenaide Barbosa Sr. André Machado Fortes Sr. Wagner Bandeira GT Comunicação

Fundadores Rev. James Watson Morris Rev. William Cabell Brown

Ex-diretores Rev. Américo Vespúcio Cabral Rev. William Cabell Brown Rev. João Mozart de Melo Rev. João Baptista Barcellos Cunha Rev. José Severo da Silva Dom Athalício Theodoro Pitham Rev. Henrique Todt Jr. Dom Artur Rodolpho Kratz Rev. Oswaldo Kickhöfel Rev. Flávio Augusto Borges Irala Rev. Renato da Cruz Raatz Sr. Claudio Simões de Oliveira

Assinaturas (vendas e circulação) Jeferson A. da Rosa Gerente da Livraria Anglicana Fone/Fax: (51)3318.6200 e-mail: livraria@icab.org.br Assinatura Anual R$ 30,00 Assinatura Exterior US$ 30,00

Diagramação André Machado Fortes AF

Revisão Jornalista Zenaide Barbosa e-mail:zenaide_barbosa@yahoo.com.br

Impressão e Acabamento Vallup Artes Gráficas Ltda. - São Leopoldo/RS

Foto da Capa Celebração dos 75 anos da Paróquia Anglicana de São joão, SP. Foto enviada pela Dasp.

Todos os direitos são reservados. É proibida a reprodu- ção integral ou parcial de qualquer edição do Estandar- te Cristão, em qualquer forma ou em qualquer meio, sem a autorização prévia da IEAB.

Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião da IEAB.


Palavra Primaz

Ressurreição e Vida

Eu sou a ressurreição e a vida, Quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá. João 11,25

Erguei os olhos e vede os campos, Pois já branquejam para a ceifa. João 4,35

Aproxima-se a Páscoa de Nosso Se- nhor Jesus Cristo, momento e opor- tunidade de (re) encontro, reconcili- ação e sempre renovação do compromis- so e fidelidade no serviço ao Cristo que nos liberta.

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O caminho da Ressurreição e Vida nos desafia em nossa fé a viver e sentir a von- tade de Deus "quem crê em mim, ainda que esteja morto viverá” João 11,25.

O caminho da Ressurreição e vida nos chama a renovar nosso compromisso e fi- delidade, e perceber que é preciso ir na di- reção do Reino "levanta-te e vem para o meio" Marcos 3,3. Somos chamados como Igreja a contemplar os campos que estão diante de nós "erguei os olhos e vede os cam-

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Precisamos fazer algo, precisamos dar novos passo, precisamos caminhar na bus- ca de ver, ouvir e intervir na restauração da dignidade humana, e isso é possível quan- do oferecemos dignidade, quando vivemos a mensagem da Ressurreição e Vida.

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Do Vosso Primaz, Dom Maurício Andrade


Editorial

Um grande concerto a executar!

Acabo de chegar de uma intensa programação de visita à Diocese Anglicana de Pelotas.

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A despeito de ser a menor das dioceses do ponto de vista geográfico, a DAP tem uma diversidade que salta aos olhos: contextos rurais e urbanos muito distintos, inclusive dentro mes- mo de cada um deles.

E tudo isso sem perder o tom. Falo em tom porque um dos pontos altos da caminhada diocesana é a música. O sonho de um grande concerto reunin- do vozes e instrumentos se tornou rea- lidade no final do ano passado, com uma belíssima apresentação de cerca de 150 vozes e instrumentistas, juntos, ce- lebrando o Natal.

E aí me pergunto: a IEAB quer exe- cutar um grande concerto? Instrumen- tos temos. Gente cheia de dons tam-

bém temos. O maestro, Jesus, também está a postos. O que falta então?

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Que nesse 2008 a nossa Igreja avance na estrada da missão e do serviço. E que esse avanço seja harmónico para que aos ouvi- dos de Deus soe como uma bela música!

Rev. Cônego Francisco de A. da Silva Secretário Geral


ESTANDARTE CRISTÃO

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Diagramação André Machado Fortes AF

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Foto da Capa Celebração dos 75 anos da Paróquia Anglicana de São joão, SP. Foto enviada pela Dasp.

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Igreja em Montevidéu - Aniversário (3)

Clovis Erly Rodrigues

Batel

Desde o começo procurei envolver toda a Igreja do Brasil no Projeto Montevidéu. Pedi e me enviaram endereços de fa- miliares e amigos em Monte- vidéu. Solicitei ajuda financei- ra e fui atendido. A Matriz do Crucificado, em Bagé (RS) foi a primeira a contribuir, na épo- ca, com 3 mil reais, seguida de Porto Alegre e Canoas.

Meus parentes

Foram a primeiros a ser procurados e corresponderam com uma ajuda em todos os sentidos.

Colegas

Alguns colegas motivados foram a Montevidéu. Como, por exemplo, a visita de 27 de agosto de 1977, composta pe- los então revs. Jubal e Orlando e os jovens Naudal e Carmen Etel. E sempre na retaguarda, os membros da Matriz do Nazareno, em Livramento (RS) ficavam em vigília de oração.

I Cor. 9.16 Obrigação

Dividia o meu tempo entre duas escolas, pois lecionava no Estadual e no Instituto Livra- mento, dirigia o orfanato Cida- de de Meninos, além de minhas atribuições como pároco da Matriz do Nazareno. Mas, pela graça de Deus e apoiado pelas orações, o tempo surgia.

Templo inglês

Para a população local era um museu que se situava no centro de Montevidéu. As esco- las o visitavam regularmente. No primeiro banco da frente uma placa de prata indica onde se sentou o então jornalista W. Churchill. Também guardada como relíquia a primeira ban- deira da Inglaterra a ser desfraldada em solo latino-ame- ricano. Alguns ingleses e descen- dentes lá se reuniam para ado- ração, quando havia capelão. Um período atendia um cape- lão anglicano e no período se- guinte um metodista, mas a co- munidade era a mesma. Quan- do cheguei, havia um impasse: a dificuldade em vir um clérigo anglicano. Então, o templo, ou passaria de vez para a Igreja Metodista ou para o Estado.

No início do uso do templo

Após um ano, mais ou me- nos, de ter iniciado o trabalho, comecei a usar o templo e por mais de uma vez tive de me des- locar do santuário, mesmo com a liturgia em andamento, até a porta da entrada para abri-la, pois o porteiro seguia uma instrução que recebera: após o inicio do cul- to ninguém mais entra, era a ori- entação dos ingleses. Isto até hoje me faz pensar: facilitamos ou di- ficultamos a entrada?

Entrega do trabalho com

congregação

Após ter formado um nú- cleo de anglicanos uruguaios, conseguimos junto à USPG uma bênção: veio da Inglater- ra, para assumir o trabalho, o rev. Andrew Couch. Por ocasião de sua instalação e entrega do trabalho à Diocese Argentina veio um ônibus com anglicanos do Brasil. Junto, o coral da Matriz do Nazareno. No oficio solene só nos foi permitido can- tar um hino e a mim coube uma leitura, que não era o Evange- lho. Apenas o registro. Seguiu- se na residência uma festa (pa- lácio em frente à Kibom) e nes- sa ocasião entrego ao bispo R. Cutts a soma de todas as doa- ções em dinheiro para o traba- lho em Montevidéu. Dois anos decorreram - de 1977 a 1979 - do começo à instalação do rev. Andrew Couch, graças a Deus.

Mate e Parrilla

Foi imediata a adaptação do rev. Andrew Couch ao povo uruguaio: empatia, humildade e amor ao trabalho. Logo co- meça a tomar mate, comparti- lha com naturalidade dos mo- mentos familiares com seu povo. Isto explica a solidez do começo da Igreja no Uruguai. Segue-se a ele Dom Godfrey, outro out dedicado, humilde e fiel servo de Deus. Entenderam que o Evangelho não anula a cultura, mas a perpassa. Ven- ceram obstáculos enormes. Mostraram um Evangelho com a cara uruguaia, sem haver a ruptura com o universal anglicanismo.

Minha gratidão a Deus e aos pioneiros por testemu- nhar aquela paróquia inicial tornar-se uma Diocese e eu estar participando do seu 30° aniversário.

Dom Clovis Erly Rodrigues é bispo emérito da IEAB cerlyrodrigues@uol.com.br


Artigos

Breves notas sobre comunicação na

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (Final)

Oswaldo Kickhöfel

A Imprensa Episcopal

A extensão do trabalho da igreja exigia uma aproximação mais estreita entre as várias unidades paroquiais. Uma decisão importan- te foi tomada pelo Concílio de 1929, ao criar a Imprensa Episcopal, em Pelotas, que ficou sob a direção do rev. José Severo da Silva. Além do Estandarte Cristão, publicava panfletos, livros e impressos em geral, preenchendo uma lacuna que não podia ser subestimada no trabalho missionário. Sem conhecimento da fé que passavam a professar, os novos convertidos ficavam na posição de pessoas aban- donadas. Não podiam entrar numa nova vida sem alimentar seus corações e espíritos com os ensinos do Evangelho. Isso exigia uma imprensa nova e ágil para auxiliar a tarefa evangelizadora. O jornal estabelecia um vínculo efetivo que fortalecia a fé, instruía os fiéis e estreitava o senso de unidade entre as paróquias.

O Clarim (o segundo)

Apareceu em junho de 1929, fundado pelo rev. José Severo da Silva, em Pelotas. Surgiu como uma publicação da Catedral do Re- dentor. Era impresso nas oficinas da Imprensa Episcopal, que o rev. José Severo da Silva havia fundado em maio daquele mesmo ano. Severo queria que as atividades da paróquia não ficassem circuns- critas aos limites de seu edificio e departamentos, mas que ultrapas- sassem essas estreitas fronteiras. E isso devia ser feito por meio da palavra escrita, "esse poderoso instrumento que encurta distâncias, leva luz e inspiração aos habitantes das vilas e aldeias e consola os posteiros isolados em seus ranchos na imensidão do pampa." (O Clarim, 10 de junho de 1929, p. 1) O conteúdo, formato e aspecto gráfico eram semelhantes aos do Estandarte Cristão, que então pas- sou a ser publicado em Porto Alegre por uma junta redatorial, alivi- ando assim as oficinas da Imprensa Episcopal. O Clarim circulou até dezembro de 1930, quando o Estandarte Cristão passou nova- mente a ser publicado em Pelotas.

Avante Dia a Dia

Era uma tradução do livreto americano Forward Day by Day, que circulou entre 1937 e 1967. Era um devocionário de medita- ções diárias, destinado a nutrir a vida espiritual dos eclesianos. Em 1980, apareceu Sementes, uma versão brasileira do livrete america- no, escrito agora por autores nossos, que ainda está sendo publica- do pelo Departamento de Comunicação.

Flåmula

Em 1946, surgiu a revista Flåmula, fundada pelo rev. Virgínio Pereira Neves e depois dirigida e publicada pelos e para os próprios jovens. Circulou até 1966. Era o órgão da União da Mocidade Episcopal (UME). Depois de circular onze vezes, a revista sofreu uma interrupção temporária por causa de dificulda- des financeiras e falta de apoio. Voltou a circular em 1949, quando os jovens Josef Gress e João Assis dos Reis eram secretári- os da região Sul e da região Norte, respectivamente, da UME. (Gress era um jovem imigrante alemão que havia chegado ao Brasil em 1938. Filiou-se à Igreja Episcopal em 1940) Era sonho deles voltar a publicar a revista. Gress era sócio da gráfica de seu pai que imprimia a revista. Não era mais um simples suplemento do Estandarte Cristão, mas uma revista com vida própria.

Outras tentativas na área da comunicação foram feitas. Em 1964, o Concílio da Diocese Meridional tratou da compra da Rádio Camaqua e dos programas radiofônicos, especialmente o culto pelo rádio. Mas a compra nunca foi efetuada. Nessa época, apareceu o livro Sermonário, publicado para ajudar os leitores leigos e catequistas nas suas atividades missionárias. Era uma coleção de pequenos ser- mões escritos para uso em púlpitos e programas de rádio.

Em 1936, os andrelinos da Paróquia da Ascensão de Porto Alegre mantiveram, durante seis anos, um programa de rádio de 15 minutos na Rádio Farroupilha, a mais ouvida na época. Em 1938, o maestro Marcus Vinicius Seelig, um ex-seminarista, levou para o culto do rá- dio um grupo de 50 coralistas, formado por membros das paróquias da SS. Trindade e da Ascensão. Cantaram o Aleluia de Haendel. O programa era muito ouvido. Nas décadas de 50 e 60, a maioria das paróquias tinha um programa de rádio. Nessa época, depois do jor- nal, o rádio era o principal meio de comunicação social.

Oswaldo Kickhöfel é ministro da IEAB e historiador

JANEIRO-FEVEREIRO | 2008 | ESTANDARTE CRISTÃO 3


Umeab

União das Mulheres Episcopais

Anglicanas do Brasil

Umeab-Coordenação editorial de Zenaide Barbosa

O Caminho de 2008

Eunice Ramos

Esta época de Quaresma, quando nos preparamos para fazermos cultos nas casas, retiros espirituais, faz-nos re- fletir sobre os caminhos, os rumos a serem tomados, os fatos e o impacto.

Os fatos relativos ao nascimento, à vida, à morte e à ressurreição de Cristo consti- tuem a base da redenção do homem e do mundo, como disse o apóstolo Paulo, "Deus estava em Cristo reconciliando con- sigo o mundo, não imputando aos homens os seus pecados" (2 cor. 5: 9) e como disse Pedro: "Debaixo do céu não existe outro nome dado entre os homens pelo qual im- porta que sejamos salvos." (Atos 4:12).

Assim que, a Pessoa e a obra de Cristo constituem os fatos centrais da vida. Como disse João: "Quem crê n'Ele tem a vida eterna, mas quem não crê está conde- nado". (João 5:24 e 3:19).

O Cristianismo não é mais uma op- ção, mais um caminho para Deus: Jesus é o caminho, e o único.

O Caminho que foi aberto pelo seu sacrifício sumário e perfeito, conforme prometido por Deus desde o principio (Gen. 3:15) e profetizado por Isaías (53:4 a 6)." Ele foi ferido por causa dos nossos pecados, seu corpo maltratado por causa de nossas desobediências. Ele foi castiga- do para nós termos paz; Ele foi chicotea- do e nós fomos curados. Nós abando- namos os caminhos de Deus e seguimos nossos próprios caminhos; apesar disso, Deus jogou sobre Ele as nossas culpas e os pecados de cada um de nós".

Nossa fé em Cristo não é baseada numa filosofia, mas em fatos concretos, como dis- se Lucas, o médico evangelista: "Relatando todas as coisas que Jesus fez e ensinou até o dia em que foi elevado às alturas,...de- pois de ter padecido apresentou-se vivo com muitas provas incontestáveis durante 40 dias, falando das cousas concernentes ao Reino de Deus" (Atos 1:1 a 3).

A fé é a resposta adequada, o impacto positivo e revolucionário capaz de produ- zir um efeito extraordinário, que promove

uma transformação mental e moral no ser humano e que lhe confere uma paz perfei- ta e duradoura, extinguindo a culpa e re- novando-nos à imagem de Deus.

Também nos leva à experiência de uma comunhão íntima com Deus, adquirin- do uma capacidade sobrenatural de amar a Deus e ao nosso semelhante, como tam- bém um poder divino para administrar as necessidades humanas e prevalecer so- bre o mal e seu poder.

A Páscoa traz de volta a nossa memó- ria os sofrimentos do Calvário, onde o Cordeiro de Deus deu a sua vida por nós, mas também nos lembra a sua vitória so- bre o mal, sua ressurreição e a salvação que Ele conquistou por nós e para nós. Essa salvação consiste em Paz com Deus, nova vida em Cristo e uma esperança imorredoura de uma vida plena e perfei- ta com Deus na eternidade.

Que seja esse o impacto dos fatos re- lativos a Jesus Cristo em nossas vidas! Que Deus abençoe a todos nesta Páscoa.

Eunice Ramos é presidente nacional da Umeab


Umeab vai elaborar plano de ação

em assembléia nacional em abril

Está marcada para 26 de abril, em Porto Alegre, a Assembléia Nacional da Umeab. A informação é da presidente Eunice Ramos, que em janeiro passado se reuniu com o secretário Geral da IEAB, Francisco de Assis Silva e juntos decidiram a data. A Assembléia vai ele- ger o Plano de Ação 2008/2009, anali- sar a aprovação dos projetos sociais en- viados pelas Umeabs diocesanas e esco- lher os que receberão financiamento das Caixinhas Azuis (método de contribui- ção financeira que as Umeabs utilizam durante o ano) e estudar a aplicação do lema provincial "Acolher é um Ministé- rio". Ainda neste mês de fevereiro todas as dioceses estarão recebendo os formu- lários para inscrever seus projetos.

Os meses de férias foram animados para a presidente Eunice Ramos: ela par- ticipou de uma caravana de Bagé, Santana do Livramento e Pinheiro Ma- chado que foi até Dom Pedrito reunir- se com outros irmãos para discutir as festividades do centenário da Paróquia do Nazareno, que acontecerá no fim do ano. Em janeiro, ela participou das ho- menagens de despedida do rev. Abimael Rodrigues, em Santana do Livramento (leia na página 7, da DSO).

A presidente Eunice e o rev. Francisco: Assembléia

4 ESTANDARTE CRISTÃO | JANEIRO-FEVEREIRO | 2008


Encontro de Jaguarão

prega o cuidado com a natureza

Desde a implantação do Anglica- nismo no Brasil as mulheres têm pre- sença marcante e decisiva. Não é dife- rente na Diocese Anglicana de Pelotas. Anualmente promovem dois encontros diocesanos motivadas pelo projeto "Com a Palavra, as Mulheres".

No encontro do final de 2007, na Paróquia de Cristo, em Jaguarão, mais de cem mulheres refletiram sobre o am- biente, salientando o cuidado que se deve ter com a preservação da natureza, a criação de Deus. Os núcleo, ao longo do ano, preparam estudos bíblicos e re- flexões sobre o tema. No encontro apre- sentaram dramatizações e cartazes, cha- mando a atenção para o cuidado que se deve ter para com a natureza que está, de maneira crescente, sendo degradada pelo ser humano. Acumula-se lixo, joga- se agrotóxico na terra, poluem-se os rios, provoca-se o desmatamento, extinguem- se a flora e a fauna. Isso tem que parar. Somos responsáveis pelo mundo que te- mos. Conscientizar é preciso.


Umeab de Ariquemes vive

Projeto Cantuária • Biblioteca Digital Anglicana