Estandarte Cristão - 06-08/2008

Versão Integral em Texto

Estandarte Cristão - 06-08/2008

Oswaldo KickhofelClovis Erly RodriguesDom Maurício José Araújo de Andrade2008

ESTANDARTE CRISTÃO

Informativo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil Junho - Agosto | 2008 | Ano 115 | n° 1809 Assinatura Anual R$ 30,00

Darj tem novo bispo

Foi na Paróquia de São Lucas, em 29 de agosto, a instalação de dom Filadelfo de Olivei-ra como bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janei-ro. O bispo Primaz, dom Maurício de Andrade, presidiu a solenidade que teve como pregador o bis-po Orlando Oliveira e con-tou com as presenças dos bispos Naudal Gomes, Roger Bird, do secretário-geral, rev. Francisco de Assis e do coordenador do CEA, rev. Carlos Calvani. Dom Filadelfo re-cebeu o báculo das mãos do seu antecessor, dom Celso Fran-co de Oliveira. Os dois, com as esposas Dulcy e Luciene, res-pectivamente, foram homenageados pela Umeab. Página 20


Artigos

Igreja estrangeira

Oswaldo Kickhofel

A idéia de uma igreja nacional e independente nasceu com a própria igreja. O bispo George William Peterkin, por ocasião de sua visita ao Brasil em 1893, registrou em seu relatório de viagem que os missionários deviam contemplar o desenvol-vimento de igrejas nacionais livres e não manter mis-sões dependentes. Os ministros brasileiros deviam ser sustentados por seu próprio povo, porque só assim seria possível desenvolver uma igreja verdadeiramen-te nacional e independente. Esse sonho inicial só se concretizou parcialmente com a proclamação da au-tonomia em 1965. Ao longo da história, entretanto, esse desafio tinha um contexto diferente para alguns clérigos. O Rev. Júlio de Almeida Coelho (1864-1936), por exemplo, concebeu o conceito de igreja nacional num contexto de oposição a Igreja Católica Roma. Veja o que ele escreveu quando era pároco em São Gabriel:

"A igreja deve ser nacional. O fim da religião, em sua propaganda, não é conquistar, mas evangelizar e doutrinar as almas para a salvação. Não há maior ano-malia do que uma igreja estrangeira existir no seio do país. A igreja, qualquer que seja ela, representa a reli-gião de um povo, e a religião é a promessa de seu cre-do na formação do caráter nacional. Da religião professada decore a moral da família, a educação pa-triótica e social, a política e o governo da nação. As-sim sendo, deve-se concluir que a igreja estrangeira no país não é somente grande atraso como também um perigo aos mais altos interesses da nação. Nesse caso está, sem dúvida, a Igreja Católica Romana. Ape-sar de ser a mais antiga neste país, é ainda romana e jamais deixara de ser romana, a menos que o Vaticano fosse transferido para o Brasil."

"No entanto, a Igreja Presbiteriana, que conta ape-nas sessenta e poucos anos nesta parte da América, há muito que fez sua independência da igreja-mater, sendo agora uma igreja nacional. A Igreja Episcopal Brasileira, que trabalha para o mesmo fim, declara em seus cânones que será independente logo que te-nha três bispos nacionais."

"O Brasil carece de igrejas brasileiras, igrejas es-sencialmente nacionais, tanto em liturgia como em política. Igreja católica apostólica sim, porém, não romana. O caráter do povo brasileiro deve ter o cu-nho do verdadeiro patriotismo, que deriva de con-vicções íntimas arraigadas pela fé e pelo amor da fa-mília, inculcado na Palavra de Deus e firmado na prática de um culto que não sanciona os vícios nem os crimes imanentes da idolatria e da incredulidade os dois escolhos extremos do Romanismo. Porque o Romanismo é estrangeiro tanto em língua como em ação, que atenta contra a família, contra a Pátria e contra Deus, é que eu, brasileiro, filho deste Esta-do, que tanto tem sabido pugnar por sua indepen-dência e liberdade a outros respeitos, considero o Romanismo o cancro desta nação. Não é livre uma nação tributária de potência estrangeira, mormente quando esse tributo importa na exploração da credu-lidade do povo, educado no erro de um sistema de religião invertida, como é sem contradição o Romanismo." (Estandarte Cristão, 15 de setembro de 1913, p. 1)

Oswaldo Kickhofel é ministro anglicano e escritor


Dom Daniel - um amigo da IEAB

Clóvis Erly Rodrigues

Posso querido irmão entregou sua alma ao Criador, dia 23 de junho de 2008, na cidade do Porto, Portugal. Daniel Pereira dos Santos de Pina Cabral tem seu nome inscrito na galeria dos bispos mais importantes de fala portuguesa. Sua ação estendeu-se a três continentes: África, Brasil, Europa.

O convite - Fins da década de sessenta, em visita à IEAB, nos en-controu em plena atividade pastoral e paroquial em Bagé /RS. Nessa ocasião nos convida para trabalharmos com ele em Moçambique, África. Convite aceito. Suleni, os filhos Elizah e Daniel e eu rumamos para esse continente, na ocasião tão misterioso quanto desconhecido para tantos brasileiros.

Compromisso - Iniciar a preparação teológica do clero local. O que fiz, e me gratificou muito quando soube que a primeira turma de formandos levou o meu nome. Registre-se que assim como dei inicio, ou fundei o ensino teológico em Moçambique, o mesmo fiz no Recife fundando o Naet, que veio a se tornar um seminário nacional.

Simples com os simples - Dom Daniel, homem culto, polido, amável, um cavalheiro com formação teológica na Inglaterra, no London College Divinity e Direito em Portugal. Como clérigo serviu em diversas paróquias ao norte de Portugal. Ao mesmo tempo também era um dos diretores de um Banco de onde provinha seu sustento e servia à Igreja lusitana sem remunera-ção. Eleito bispo da Diocese dos Libombos, Moçambique, desliga-se de suas funções seculares e com sua famí-lia - dona Anita sua esposa e seus qua-tro filhos, J. Paulo 13 anos, A. Izabel 11, José, 5 e Joana 3 - chega em Moçambique num tempo conturbado pela guerra entre Portugal e os nacionalistas de Moçambique. Inúmeras vezes serviu de mediador, apa-ziguador. Ele sabia ser simples com os simples e falar de igual para igual com as autoridades.

Construção de uma diocese - Tudo estava por fazer na diocese. Ele, com sabedoria, foi construindo passo a passo. Busca e forma lideranças na igreja local. Por falar e escrever fluentemente o inglês, serve de ponte entre a província eclesiástica do Sul da África e Inglaterra, EUA e Cana-dá. Com visão prepara clérigos até no exterior para que, quando da independência do país, a igreja não sofresse solução de continuidade. Pois estaria estruturada. Inserida no ethos universal e católico da Igreja Anglicana. Um bispo moçambicano, que estudou na Inglaterra, o subs-titui - dom Diniz Sengulane - que está até hoje à frente da diocese dos Libombos. Ainda no tempo de d. Daniel era criada mais uma diocese, a do Norte de Moçambique a Diocese do Niassa, sob a liderança de um bispo moçambicano, Paulo Litumbe.

Um verdadeiro pai em Deus - Em minhas funções, além de pároco e supervisor distrital na hoje Maputo, também como responsável pela formação teológica do clero, viajava muito por todo Moçambique e para países limítrofes em busca de recursos e isto acarretava muita ausência de casa. Mas minha família, nessas ocasiões, era incansavelmente assistida por dom Daniel. Reconhecido, posso afirmar que ele realmen-te era um pai em Deus. Nossa convivência estendia-se aos nossos filhos. Seus filhos viajavam conosco em nossas curtas temporadas de férias.

Sua influência - Em meu episcopado no Nordeste brasileiro, me vali muito do aprendizado que foi a convivência com ele. Sua ação, a qual partilhava comigo no dia-a-dia, serviu de exemplo e inspiração. Exerceu seu episcopado em toda plenitude, sempre com o apoio de sua valorosa esposa, dona Anita.

Toda a Comunhão Anglicana reconhecidamente lhe é devedora. Principalmente sua igreja de berço, a Igreja lusitana, à qual sempre ser-viu até ao final de sua vida. Ressalto a elaboração do Livro de Liturgia da Igreja Lusitana que lhe tomou dez anos de trabalho meticuloso e com competência, aprovado pelo Sínodo de 1991.

(P.S. Agradeço a Joana, atual secretária da Igreja lusitana, sua filha, que me propiciou subsídios para este artigo-homenagem.)

D. Clovis Erly Rodrigues é bispo emérito da IEAB


ESTANDARTE CRISTÃO

Informativo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil “Adoração - Serviço - Compromisso"

Fundado em 1893

Produzido pela Secretaria Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) Av. Eng. Ludolfo Boehl, 256 - Teresópolis Caixa Postal 11.510 90870-970-Porto Alegre - RS - BRASIL Fone/Fax: (51)3318.6200 e-mail: comunicacao@ieab.org.br site: www.ieab.org.br

Primaz da IEAB Dom Maurício José Araújo de Andrade e-mail: mandrade@ieab.org.br

Secretário-Geral da IEAB Rev. Francisco de Assis da Silva e-mail: fassis@ieab.org.br

Conselho de Publicações Rev. Carlos Eduardo Brandão Calvani Revda. Arlinda de Araújo Pereira Sra. Zenaide Barbosa Sr. André Machado Fortes Sr. Wagner Bandeira

GT Comunicação

Fundadores Rev. James Watson Morris Rev. William Cabell Brown

Ex-diretores Rev. Américo Vespúcio Cabral Rev. William Cabell Brown Rev. João Mozart de Melo Rev. João Baptista Barcellos Cunha Rev. José Severo da Silva Dom Athalício Theodoro Pitham Rev. Henrique Todt Jr. Dom Artur Rodolpho Kratz Rev. Oswaldo Kickhöfel Rev. Flávio Augusto Borges Irala Rev. Renato da Cruz Raatz Sr. Claudio Simões de Oliveira

Assinaturas (vendas e circulação) Jeferson A. da Rosa Gerente da Livraria Anglicana Fone/Fax: (51)3318.6200 e-mail / msn: livrarianglicana@gmail.com http://livrarianglicana.blogspot.com

Assinatura Anual R$ 30,00 Assinatura Exterior US$ 30,00

Diagramação André Machado Fortes

Revisão Jornalista Zenaide Barbosa e-mail: zenaide_barbosa@yahoo.com.br

Impressão e Acabamento Gráfica Editora Pallotti - Santa Maria/RS

Fotos da Capa Instalação de dom Filadelfo de Oliveira como bispo da Diocese Anglicana do Rio de Janei- ro, na Paróquia de São Lucas, em 29 de agos- to de 2008.

Todos os direitos são reservados. É proibida a reprodu- ção integral ou parcial de qualquer edição do Estandar- te Cristão, em qualquer forma ou em qualquer meio, sem a autorização prévia da IEAB. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião da IEAB.


Palavra Primaz

A Vida em Primeiro Lugar....

"Esse é o nosso Pais, Essa é a nossa Bandeira". "Eu o Senhor já te disse o que é bom, E o que desejo de ti Que defendas o direito e ames a lealdade". Miquéias 6,8

Nesses dias vivenciei duas grandes ex- periências, ambas impactantes e que nos ajudam a pensar e refletir recor- dando a letra da música "...que estou fazen- do se sou cristão, se Cristo deu-me o seu per- dão..." (P. João Dias de Araújo).

A primeira foi acompanhar e participar da Marcha do Grito dos Excluídos em Goiás. Essa foi a 14ª edição da Marcha dos Excluí- dos que iniciou em 1997, como resultado do compromisso de ser um espaço de denun- cia e profecia. O tema desse ano foi A Vida em Primeiro Lugar, Direitos e Participação Popular, movimentou a periferia da cidade de Aparecida de Goiânia. A moradia mais uma vez foi o grito mais forte.

A outra experiência foi assistir a 11º Cara- vana da Anistia realizada em Brasília, no Audi- tório Dom Helder Câmara, na CNBB. A Co- missão de Anistia do Ministério da Justiça deci- diu, depois de analisar a documentação, repa- rar, indenizar e pedir escusas aos 13 religiosos ou pessoas ligadas a instituições eclesiais que so- freram perseguição política, foram presas e tor- turadas durante o período de exceção no Brasil.

Essas duas experiências nos mostram para onde caminha o nosso país, e com cer- teza nos chama a defender o direito e assu- mir o compromisso de transformação a par-


Editorial

Construindo pontes

Estivemos recentemente na reunião da Comissão Bilateral IEAB-ECUSA, re- alizada em New Bern, na Carolina do Norte.

Foi um encontro muito produtivo e com im- plicações que podem ampliar a visibilidade da IEAB no contexto da Igreja dos Estados Unidos. Discutimos os desafios comuns que ambas as Provincias enfrentam e tratamos de cons- truir laços mais fortes de conhecimento pes- soal entre os membros das duas Igrejas, pra- ticamente a maioria deles completamen- te novos no processo.

Na apresentação que fizemos naquela opor- tunidade, destacamos a importância de cons- truirmos pontes e isso é algo que está intima- mente ligado à missão cristã. Deus, desde o prin- cípio tratou de construir as pontes para superar o vazio e a distância que seu povo mesmo cau- sou, pela desobediència. O próprio Cristo é iden- tificado como uma ponte que uniu o que antes estava separado por um profundo abismo.

Assim somos nós no nosso dia a dia. Como podem observar nessa edição do EC, a Con- ferência de Lambeth também buscou cons- truir pontes entre as pessoas que lá estive- ram. As conversas, os estudos bíblicos, os grupos indaba foram momentos de constru- ção de pontes entre as pessoas que estavam separadas por perspectivas teológicas, mui- tas vezes sem se conhecerem pessoalmente.

Pontes facilitam a comunicação. Pontes encurtam distâncias. E é isso que a IEAB está tentando fazer em todas as partes do Brasil. Aproximar, acolher - como diz o lema desse ano de nossa Província - e, sobretudo encur- tar as distâncias entre as pessoas, são partes essenciais da missão.

Um mundo fraturado e dividido por abis- mos culturais, sociais e conômicos precisa de construtores de pontes. Precisa de reconciliadores. Muitas vezes tem gente que prioriza sua teologia, sua visão de mundo e se isola, criando abismos e conflitos com ir- mãos e irmãs de fé. Por essa razão, o minis- tério da reconciliação (construção de pon- tes) é necessário ser assumido por todos.

Que os ventos da Conferência realmente sejam benéficos para toda a Comunhão Anglicana, gerando confiança e eliminando abismos. Que nossa Provincia experimente também esses ventos e que aqui onde hou- ver uma comunidade que se denomine epis- copal anglicana seja uma comunidade de re- conciliação e de construtores de pontes. Que nossa Igreja continue na trilha correta de construir pontes mais largas cada vez mais com nossos parceiros internacionais. Tudo isso na busca de um testemunho missioná- rio coerente com a vontade de Deus.

Rev. Cônego Francisco de Assis da Silva Secretário Geral da IEAB


Diocese Meridional

Visita do bispo diocesano à área pastoral da Paróquia de São Mateus

Liliam Pereira Ramos

O bispo Orlando Oliveira esteve, nos dias 21, 22 e 23 de junho, vi-sitando a Paróquia de São Mateus e as missões. Realizando grande celebra-ção e confirmação de nove jovens na Paró-quia. O bispo também realizou, na sexta-feira e no sábado, visita à Missão do Ad-vento e Ponto Missionário Emanuel, (onde, uma vez por mês realiza-se um cul-to com os paroquianos e moradores do asi-lo) e realizando o culto de corpo presente da senhora Martina, uma das mais antigas paroquianas do local, no sábado pela manhã. No domingo após o culto, o bispo almoçou com a comunidade no salão pa-roquial, onde realizaram um delicioso al-moço comunitário.

"Lar do Nono"

Todas as quintas-feiras à tarde um gru-po de paroquianos visita o "Lar do Nono", onde os moradores já os esperam com ansi-

Paroquianos visitam Lar do Nono

edade. O grupo se mistura aos moradores com os laudates e violão e durante uma hora cantam diversos cantos de louvor e ação de graças. Os moradores do asilo participam com alegria deste momento e têm a liber- dade de solicitar os cantos de que mais gos-

tam para cantarem juntos. Este trabalho se iniciou há cerca de três meses e vem se ex- pandindo. Com a participação do rev. Marino Reis e a iniciativa do 1º guardião Odemar Machado Ramos, a igreja está sen- do levada àqueles que a ela não podem ir.


Umeab São Lucas recebe a Diretoria Diocesana

Gilnei de Oliveira

No sábado, 12 de julho, as mulheres da Paróquia São Lucas, lideradas por sua pre- sidente Levi Maria Meneghetti, receberam a visita da Diretoria Diocesana da Umeab. Em torno de vinte mulheres debateram o tema: "Acolhida e Espiritualidade", com a assessoria do seu capelão, rev. Hermes Daniel Rodriges, da Paróquia da Benção Di- vina de São Francisco de Paula. O pároco, rev. Jorge Alberto da Rosa, acompanhou os trabalhos, que se iniciaram às 9h e se esten- deram até às 15h.

Segundo a sra. Ciloé Menezes de Souza, esta visita faz parte do Programa de Trabalho da Diretoria Diocesana da Umeab, da qual é a presidente. Destaca que foram momentos de muita inspiração porque a participação foi muito empolgante, pela manifestação do grupo e interesse no assunto desenvolvido. Disse ela: "Tivemos partilhas na música, na oração e nos devocionais. Agra- decemos a Deus pela acolhida das irmās e a graça de podermos compartilhar desses momen- tos, envolvidas pelo mesmo espírito do amor de Nosso Senhor Jesus Cristo, buscando sem- pre viver sob a sua Luz".


Promoção Fraterna: Mocotó 2008

Rev. Jerry Andrei

Aconteceu no domingo, dia 22 de junho, na Paróquia da Ressurreição, mais uma promoção, com fins de le- vantamento de fundos para as ativi- dades da paróquia. O evento tem se revestido, na realidade, de uma ótima oportunidade de convívio e trabalho, com um espírito de grande amizade e alegria. Todos os envolvidos ao final do evento tiveram a certeza do dever cumprido. Num domingo frio, o gos- toso Mocotó aqueceu e muito nossas vidas. Ao Grupo Clave de Fé e cola- boradores o reconhecimento de mais esta etapa vencida. Que Deus aben- çoe a todos!

Mocotó aqueceu participantes

São Lucas recebe Umeab


Falecimento do "Titio" Homero

Paula Kazue Suzuki

Comunicador, atuou em diversas emis- soras de rádio da cidade, desde os anos 1970, e tinha 77 anos. Titio Homero, como ele se popu- larizou, morreu de parada cardíaca na cidade que ado- tou aos 26 anos. A morte ocorreu em casa. O sepulta- mento foi no Cemitério Par- que de Caxias do Sul. Titio Homero comandava o pro- grama Rodeio Grande do Sul, na Rádio Viva, desde 1998. O cabo Homero, an- tes de se dedicar à comuni- cação fez carreira na Briga- da Militar. Como dos cinco anos até metade da adoles- cência morou em Cacequi, no Centro do Estado, era vizinho de um destacamento da corporação. A paixão pela farda veio também com a convivência com o pai, João Manoel da Trindade, segundo tenente do Exército. Homero entrou para a corporação aos 17 anos. Seu primeiro posto no policiamento foi no 2º Regimento de Cavalaria da BM, em Santana do Livra- mento. Depois, atuou no 5º Batalhão de Caçadores, em Montenegro, cidade onde casou com Alicia Laiser, em 1954, morta em dezembro de 2005. Em 1974, aos 44 anos, se aposentou como 2º sargento da BM, sem nunca ter utilizado o revólver no exercício da profissão, segundo ele. Homero contava que fazia o policiamento sem cassetete e sem arma. Chegava para trabalhar e, quando precisava sair do pos- to, ia sem os instrumentos de trabalho. Depois de passar pela Escola Militar, em Porto Alegre, em 1948, trabalhou em ci- dades como Estrela, Bento Gonçalves, Ar- roio do Meio, Lajeado, Santa Cruz do Sul e Venâncio Aires. Aos 26 anos, em 1956, veio para Caxias trabalhar na Delegacia de Polícia e Trânsito. Em Caxias viu crescer os filhos Maria Salete, 58, Carlos, 54, Giselda, 54, Paula Cristina, 35, e Homero

Titio Homero fundou templo anglicano

Junior, 33. Na época, o comandante da BM, tenente Cícero Siqueira de Barcelos, apostou na comunicação das ocorrências, porque o cabo Homero era um bom dati- lógrafo. Com isso, bi-sema- nalmente, ele realizava uma transmissão de 15 minutos na Rádio Caxias e foi con- siderado o primeiro relações públicas da BM na cidade. Paralelamente ao trabalho na corporação, Homero era baterista e cantava no con- junto musical Irmãos Guer- ra, do programa de auditó- rio Gente Nossa Divertin- do Nossa Gente. O progra- ma era feito no auditório do Sindicato dos Reunidos, hoje Sindicato dos Metalúrgicos, e transmitido até 1960 pela Rádio Independência, hoje Rádio Mãe de Deus. Cabeleira contou, há dois anos, que o apelido nasceu porque Homero se auto-intitulava Titio, chaman- do as pessoas ao palco e aconselhando-as como se fossem da família. Na década de 1970, foi trabalhar na Rádio São Francisco. Em 1972, tornou-se apresentador de pro- gramas de auditório. Por causa do espaço pequeno, teve que transferir o estúdio para uma sala no prédio em que funcionava a rádio. Até o final da década, o programa co- meçou a ser feito no auditório do colégio Santo Antônio. Em jornais da época, du- plas como Chitãozinho e Xororó e o grupo Os Serranos foram alguns dos apontados como presenças no programa. De 1974 a 1981, já aposentado da BM, apresentava o Domingo na Querência, programa de au- ditório na TV Caxias. Na década de 1980, Titio tentou uma candidatura ao Legislativo de Caxias. Mesmo com a popularidade, "era conhecido mais que parteira de campanha", segundo o próprio, Titio Homero não fez mais que 200 votos. Umas das justificati- vas, é que não tinha coragem de contar que era candidato, muito menos pedir votos. Em 2008, Titio Homero incentivou a publica-

ção do jornal Janela Anglicana, da Paróquia Virgem Maria, da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, da qual foi um dos fun- dadores, em 1965. Ele foi um dos motivadores e também um dos fundadores da Irmandade de Santo André (Capítulo Mater Dei), dedicada a propagar o evange- lho entre os homens.

Batismo

Domingo, dia 06 de julho, foi realizado o batizado da pequena Anna Luiza, filha de Tatiana e Sidney. Acompanhados de toda a comunidade que reafirmou seus votos batismais e testemunhou o ato litúrgico, fazendo também seus votos do batismo de Anna. O batismo foi presidido por d. Pra- do num domingo muito especial, pois tam- bém fizemos a primeira coleta da Oferta Unida de Gratidão. Que Deus abençoe esta família e especialmente a pequena Anna, que é bem-vinda ao corpo de Cristo.

D. Prado batizou Anna


Lançamento do livro "Espiritualidade e Compromisso"

Sônia Mota

Na noite de 02 de julho, cerca de 70 pessoas reuniram-se na Paróquia da Trin- dade da Igreja Episcopal Anglicana do Bra- sil, em São Leopoldo, para participar do lançamento do livro "Espiritualidade e Compromisso", do teólogo, biblista e pas- tor luterano Nelson Kilpp, editado pela Editora Sinodal. O evento foi promovido pelo Seleo Serviço Ecumênico Leopoldense e contou com o coral do Movimento dos Focolares e a participação de um violeiro do Cebi, numa rica demons- tração de convivência e caminhada ecumênicas em São Leopoldo.

Através do livro "Espiritualidade e Com- promisso o terceiro da série intitulada: "Dez boas razões para..." o autor, que também é professor das Faculdades EST, nos apresenta dez razões para: Orar, prati- car a justiça, cuidar da criação, acolher o outro e compartilhar. Tratam-se de estímu- los para a vida e atuação da comunidade de fé ancorada no testemunho bíblico e comprometida com a promoção da justiça e a preservação da paz num mundo solidá- rio que pertence a todos.

As pessoas presentes, representando di- versas denominações, experimentaram a ca- lorosa acolhida, o diálogo franco e, acima de tudo, o espírito ecumênico que pairava no ambiente e que ajudou a transformar a noite fria e úmida de inverno em um mo- mento de convivência fraterna, harmoni- osa, alegre e aconchegante. Foi uma real

Livro fala de paz e justiça

demonstração da espiritualidade e do com- promisso ecumênico da comunidade reli- giosa leopoldense.

Sônia Mota é pastora da Igreja Presbiteriana


Diocese Sul-Ocidental

Paróquia prepara quatro acólitos

Rev. Silvio Freitas

A Paróquia Matriz do Nazareno recebeu com muito carinho, em culto festivo, quatro novos acólitos: Natanael Perei- ra, Gabriel Pereira, Rafael Pereira e Lais Duarte. Após um período de formação com a diretora do Grupo de Acólitos, Débora Soares, as crianças se sentiram chamadas e motivadas para o Serviço do Altar. A Umeab/Dorcas - grupo de mulhe- res de nossa paróquia - de imediato apoiou a vocação dos pequeninos, promovendo campanhas para confecção das vestes. A ce- rimônia de iniciação foi inspiradora. O evento motivou outras crianças que já ma- nifestaram o seu desejo para este ministé- rio.

Rev. Silvio Freitas é pároco da Matriz do Nazareno


Cristo, o tesouro

Os jovens escolheram Cristo

Os novos acólitos da Paróquia

Nos dias 25, 26 e 27 foi realizado o en- contro jovem da Paróquia Matriz do Nazareno, nas dependências do Centro So- cial Anglicano - Cidade de Meninos. O en- contro teve como tema: "Em Busca do Ver- dadeiro Tesouro". Contamos com a parti- cipação de 40 jovens. Toda igreja esteve en- volvida no evento. A programação girou em torno do tema: os devocionais; dinâmicas de grupo; palestras; um animado caça ao tesouro com técnicas de orientação, com bússola e mapa; uma noite de testemunhos à beira de uma fogueira; e fechamento com uma celebração em nossa Paróquia, onde foram apresentadas, como oferta, a vida dos jovens participantes, bem como as produ- ções dos grupos de trabalho. Depois de três dias de busca os nossos jovens foram unânimes: Cristo é o Ver- dadeiro Tesouro!


Uma vida dedicada ao povo de Deus

Revdas. Tatiana Ribeiro e Vera Almeida

Faleceu no dia 07 de agosto de 2008, em São Gabriel, a revda. Dione Guindo dos Santos, aos 90 anos de idade. A ceri- mônia fúnebre ocorreu em São Gabriel, seguida do sepultamento às 11h do dia 08, tendo como oficiante a revda. Vera Lúcia Almeida, pároca da Paróquia da Redenção.

A revda. Dione Guindo dos Santos nasceu em 11 de janeiro de 1918, foi casada com o sr. Breno dos Santos, com quem teve três filhos: Breno Sérgio, Rosane e Carlos Augusto.

Ela viveu entre a sua casa e a Paró- quia da Redenção. Esposa dedicada, cui- dou com desvelo e paciência do marido durante uma longa e penosa enfermida- de. Mãe extremada, educou seus filhos na fé cristă e à sua mesa sempre havia um lugar para quem ali chegasse. Torna- se impossível lembrar da centenária Pa-

A revda. Dione, alma consagrada

róquia da Redenção sem recordar da reve- renda Dione. Depois de cursar teologia, já com mais de setenta anos de idade, foi ordenada diácona pelo bispo Olavo Ven- tura Luiz e, como diácona permaneceu o resto de sua vida, dizendo que não era digna de receber a elevação ao presbiterado. Durante muitos anos visi- tou os doentes, confortando-os e oran- do com eles e também organizava a Ora- ção Matutina e/ou Vespertina na sua Paróquia. Assumiu os cuidados com as alfaias sagradas, mantendo todas de um branco imaculado; os vasos sagrados lim- pos e reluzentes e os antipêndios sempre bem conservados. Esses cuidados com os objetos litúrgicos dão o testemunho de uma alma consagrada que viveu à som- bra do altar. Assim foi a revda. Dione, fiel na oração e no testemunho, mansa, humilde e terna - uma vida dedicada à Igreja e ao seu povo.

A revda Dione era clériga na Diocese Sul-Ocidental desde 1990 quando, aos 72 anos de idade, foi ordenada diácona da Igreja de Cristo.


Atividades animam mês de Agosto em Bagé

Revda. Ana Maria Esvael Lopes

Mulheres

Dia 2 de agosto de 2008, realizou-se o En- contro das Mulheres Anglicanas de Bagé com a Umeab Diocesana. O encontro con- tou com a participação de 23 mulheres. O encontro se realizou na Paróquia do Cruci- ficado, nas dependências da capela de São João Batista.

Brique

No dia 7 de agosto de 2008 realizamos um brique na Paróquia do Crucificado, em con- junto com a Paróquia da Crucifixão.

Advogados

Aconteceu, no dia 11 de agosto de 2008, uma Celebração em ação de graças pelo dia do advogado, na OAB seccional Bagé.

Bernard Lane

Estiveram nos visitando em Bagé, depois de dez anos passados, o rev. Bernard Lane e família. Chegaram em Bagé dia 08 de agos- to, à noite e ficaram até terça-feira, dia 12, quando rumaram para São Gabriel. O rev. Bernard e família conviveram com os paro- quianos e amigos que fizeram durante os cin- co anos em que ele trabalhou em Bagé. Pre- gou na celebração da manhã, na Matriz do Crucificado, e à tarde na Capela de São Mar- cos; logo após, foi servido um chá de confra- ternização e recepção aos nossos visitantes.


Diocese Anglicana de São Paulo

Igreja em Manga Larga comemora 79

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