Estandarte Cristão - 07-08/2007

Versão Integral em Texto

Estandarte Cristão - 07-08/2007

Dom Maurício José Araújo de AndradeRev. Francisco de Assis da SilvaRev. Carlos Eduardo Brandão Calvani2007

ESTANDARTE CRISTÃO

Informativo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil Julho | Agosto | 2007 | Ano 114 n° 1803 Assinatura Anual R$ 25,00

Emoção e beleza na sagração de dom Roger Bird

Foi bela e concorrida a solenidade de sagração do rev. Roger Douglas Bird como bispo da Diocese Anglicana de São Paulo - Dasp. Seis bispos estavam na Catedral de São Paulo: o Primaz da IEAB, dom Maurício Andrade, dom Hiroshi Ito, dom Celso Franco, da Darj, dom Naudal Gomes, da DAC, dom Glauco Soares de Lima, bispo emérito e dom Nathan Baxter, da Diocese da Pensilvânia Central (EUA). Numa tarde linda, os passarinhos cantavam no pátio, acompanhando as vozes vibrantes que, no templo, entoavam hinos, inclusive o da Independência do Brasil: era 7 de Setembro. No final da solenidade, o novo bispo foi aplaudido por quase um minuto.

Leia mais nas páginas 12 e 13


Diálogo

Prezado leitor

Este é um espaço para diálogo. Pode ser usado por nós, do Grupo de Trabalho Comunicação ou por qualquer pessoa que deseje expressar, aqui, opinião, agradecimentos, comunicados, pedidos. Solicitamos que escreva textos pequenos.

Estandarte Cristão: matérias no prazo, revista em dia

Aos srs. bispos e responsáveis pela Comunicação nas Dioceses

Prezados irmãos Temos recebido um ótimo retorno a respeito da qualidade do Estandarte Cristão e iniciamos uma campanha para ampliar o número de assinaturas. É evidente que o processo de aperfeiçoamento continua em curso e estamos abertos a sugestões. Neste número já temos uma secção destinada à Umeab, dando assim visibilidade a um dos mais importantes sodalícios da Igreja. Outra novidade será um sumário em Inglês das principais matérias que será enviado como um encarte para nossos irmãos e irmãs da Comunhão Anglicana. Dessa forma, vamos construindo cada vez melhor nosso maior veículo de comunicação. Mas para que esses avanços aconteçam de forma coletiva é importante a colaboração de toda a Igreja. Como já devem saber, o trabalho do Estandarte Cristão é feito a várias mãos. A Zenaide recebe as matérias pelo e-mail (zenaide_barbosa@yahoo.com.br) e faz a edição jornalística. Em seguida remete para nosso diagramador, o André Fortes. O material é revisado pelo secretário-geral, para então seguir para a impressão. Portanto, é muito importante que cada parte busque cumprir os prazos de envio de matérias, edição, diagramação, revisão e publicação. Solicito encarecidamente que os responsáveis pela comunicação nas dioceses estejam atentos aos prazos de envio das matérias e o papel dos bispos é muito importante nesse processo. Já enviamos o calendário dos deadlines até o final do ano e temos tido alguns atrasos no envio das matérias. Qualquer dúvida que tenham peço a gentileza de contatar nossa jornalista Zenaide Barbosa no e-mail citado. Vamos fazer do EC um instrumento que atenda a toda a Igreja. Pontualidade e apoio dos assinantes são dois suportes interdependentes. A falha de um deles compromete o trabalho e isso não é o que desejamos. Conto com a colaboração dos senhores bispos e dos responsáveis pela comunicação diocesana. Rev. Côn. Francisco de Assis da Silva - Sec. Genal


Estandarte Cristão

Mais uma vez parabenizo pelo excelente trabalho do EC. Tenho ouvido muitos comentários, e quero passar um que recebi recentemente: "Quero em nossa simplicidade como membro da IEAB de longa data, parabenizar pela edição tão completa ilustrada de informações da visita da bispa dos Estados Unidos no Brasil. Neuza e Mongone - Diocese Meridional." Creio que vale a pena continuarmos afirmando os comentários. Dom Mauricio Andrade - Bispo Primaz

Caminhos Virtuais

Rev. Francisco Grato pela informação, com certeza encontraremos a solução esperada; sem dúvida a comunicação é fundamental para nossos propósitos. Revdo. Francisco, Bispo Filadelfo Oliveira

Confiamos que os novos caminhos apontarão uma solução mais adequada à realidade e às necessidades da nossa Igreja. Conte com nosso apoio. Um grande abraço, Saulo Barres - Bispo da Diocese da Amazônia

Perda

Um dos esteios da Paróquia de São Tiago (Catedral), da Diocese Anglicana de Curitiba, à qual servia há 16 anos, Cláudio Martins faleceu no dia primeiro de julho, em Curitiba, depois de uma enfermidade que durou pouco mais de um ano. Tinha 74 anos. Cláudio estava casado com Zoé há 35 anos e seu ingresso oficial na IEAB, através da confirmação, ocorreu em 1974. Zoé, filha do rev. Jessé Appel, é de Livramento, no RS; Cláudio era de Porto Alegre. A família morou muitos anos em Brasília, onde Cláudio, cirurgião-dentista, era da Fundação Hospitalar do Distrito Federal e Zoé da Organização Pan-americana de Saúde. Aposentados, eles foram morar em Curitiba em 1991, onde a filha Mirian fez seu curso de Odontologia e assumiu o consultório junto com o pai. Pai e filha exerceram cargos na Junta Administrativa da Paróquia na qual Cláudio se destacou como Tesoureiro pela sua imensa dedicação, organização e cuidado.

E-mail

Informamos o novo e-mail do bispo Sebastião: sgameleira@gmail.com Grata, Giselle Gomes - Secretaria de Comunicação da DAR

Errata

A bispa presidente da Igreja Episcopal dos Estados Unidos, Katharine Schori, após sua visita ao Brasil voltou para a Califórnia e não para a Florida, como informou o EC.


ESTANDARTE CRISTÃO

Informativo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil "Adoração - Service - Compromisso"

Fundado em 1893

Produzido pela Secretaria Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) Av. Eng. Ludolfo Boehl, 256 - Teresópolis Caixa Postal 11.510 90870-970 - Porto Alegre - RS - BRASIL Fone/Fax: (51)3318.6200 e-mail: comunicacao@ieab.org.br site: www.ieab.org.br

Primaz da IEAB Dom Maurício José Araújo de Andrade e-mail: mandrade@ieab.org.br

Secretário-Geral da IEAB Rev. Francisco de Assis da Silva e-mail: fassis@ieab.org.br

Conselho de Publicações Rev. Carlos Eduardo Brandão Calvani Revda. Arlinda de Araújo Pereira Sra. Zenaide Barbosa Sr. André Machado Fortes Sr. Wagner Bandeira GT Comunicação

Fundadores Rev. James Watson Morris Rev. William Cabell Brown

Ex-diretores Rev. Américo Vespúcio Cabral Rev. William Cabell Brown Rev. João Mozart de Melo Rev. João Baptista Barcellos Cunha Rev. José Severo da Silva Dom Athalicio Theodoro Pitham Rev. Henrique Todt Jr. Dom Artur Rodolpho Kratz Rev. Oswaldo Kickhöfel Rev. Flávio Augusto Borges Irala Rev. Renato da Cruz Raatz Sr. Claudio Simões de Oliveira

Assinaturas (vendas e circulação) Sr. Jeferson A. da Rosa

Gerente da Livraria Anglicana Fone/Fax: (51)3318.6200 e-mail: livraria@ieab.org.br

Assinatura Anual R$ 25,00 Assinatura Exterior US$ 30,00

Diagramação André Machado Fortes AF

Revisão Jornalista Zenaide Barbosa

Impressão e Acabamento Vallup Artes Gráficas Ltda. - São Leopoldo/RS

Foto Capa Dom Roger Bird. Foto: divulgação.

Todos os direitos são reservados. É proibida a reprodu- ção integral ou parcial de qualquer edição do Estandar- te Cristão, em qualquer forma ou em qualquer meio, sem a autorização prévia da IEAB. Os artigos assinados são de inteira responsabilidade dos seus autores e não refletem, necessariamente, a opinião da IEAB. Solicitamos ás dioceses e paróquias que enviem regu- larmente seus boletins à Secretaria Geral da IEAB. O material pode ser enviado via correio ou e-mail.


Palavra do Primaz

Sonhos e desafios...

"Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, re- petindo todos os dias os mesmos caminhos, quem não muda, quem não se arrisca ou quem não conversa com quem não conhece. Morre lentamente quem evita uma paixão. Morre lentamente quem não arrisca o certo pelo incerto, para ir atrás de um sonho. Morre lentamente quem abandona um projeto antes de iniciá-lo. Evitemos a morte lentamente, recordando que estar vivo exige um esforço, exige perseverança, exige esperança".

Nesta vida sempre estamos entre sonhos e desafios. Neste mês de setembro sentimos e vivenciamos a realidade de um grande sonho, que vinha sendo tecido no coração da Igreja desde muito tempo. Falava-se em criar um Departamento de Diaconia (Sínodo de 1988), pensava-se e recomendava-se tecer uma ação mais efetiva e sistematizada da ação diaconal da IEAB. O desafio era como fazer, costurar e tecer todo esse sonho dentro de nossa realidade.

Mas é preciso arriscar, manter a paixão, correr atrás do sonho, construir novos projetos, e isso exige esforço, perseverança e, sobretudo, esperança. É o que nos ensina o extraordinário poeta chileno, um dos mais importantes poetas da língua castelhana do Século XX e Prêmio Nobel de Literatura em 1971, Pablo Neruda, no poema epigrafado. E com certeza "evitar a

Pablo Neruda

morte lentamente, recordando que estar vivo exige um esforço, exige perseverança, exige esperança".

Mas é preciso arriscar, manter a paixão, correr atrás do sonho, construir novos projetos, e isso exige esforço, perseverança e, sobretudo, esperança.

A Consulta realizada nos dias 19 a 21 de setembro passado foi um caminho concreto de que precisamos continuar tecendo no meio de nós a rede marcada pelo esforço, pela perseverança e pela

esperança que é de todos, e que será nesse fazer coletivo com todas as contribuições nas diferentes ações que a Igreja se fará presente pela ação transformadora, dando resposta ao chamado do Senhor: "Que practiques a justiça, ames a misericórdia, e andes humildemente com o teu Deus" (Miquéias 6,8).

O sonho continua, a paixão acesa e o desafio serão sempre um caminho para o encontro da transformação que viverá na Igreja, na consolidação do Serviço Anglicano de Diaconia.

"Não olhem para trás, temos muito ainda que fazer e até lá vamos viver" (Renato Russo).

Do vono Primaz Dom Mauricio Andrade


Editorial

Sinais de vitalidade

Entre a última edição do Estandarte Cristão e esta alguns eventos nos quais participei presencialmente me trouxeram uma enorme sensação de alegria. A visita ao Distrito Missionário do Oeste me fez sentir de perto a realidade daquela querida parte da Igreja do Brasil. Em meio a tantos desafios, o povo e o clero daquela região estão fazendo diferença e a Igreja é percebida com respeito e credibilidade no apoio aos necessitados. Tive a oportunidade de escrever que está em nossas mãos, de toda a Igreja a responsabilidade de apoiar cada vez mais aquela fronteira missionária da IEAB. A participação na Conferência de Secretários Gerais da Comunhão Anglicana me trouxe uma ampliada visão de como somos parte de um corpo de várias cores e línguas, mas unidos pelo mesmo desejo de ser uma expressão do Reino de Deus em nosso conturbado mundo. Pude ver nos meus colegas o desejo de aprofundar mais e mais os laços que nos unem mesmo em meio aos conflitos teológicos que estão presentes hoje no Anglicanismo mundial. Foi bom ouvir os relatos das Províncias e descobrir forças e fraquezas que podem ser compartilhadas entre nós. Saí renovado por ter agora irmãos e irmãs que se conhecem, se respeitam e estão dispostos a ajudar-se mutuamente no importante papel de administrar as Províncias da Comunhão. Finalmente, estive há poucos dias na sagração do novo Bispo da Diocese Anglicana de São Paulo. Pude sentir no rosto de cada pessoa que encontrei o desejo de aprofundar seu compromisso batismal. Conforme o Bispo Nathan Baxter testemunhou em seu sermão, nos sentimos tocados quando a Igreja se faz presente nas periferias trazendo a luz para aqueles que vivem em meio a tanta injustiça. A beleza da celebração de sagração do novo Bispo foi apenas um sintoma do testemunho de serviço que aquela diocese dá ao mundo. Muitas vezes, nós que enfrentamos os desafios da administração, somos tentados a fixar os olhos apenas nos números e nas dificuldades. É preciso enxergar adiante. Lá fora podemos encontrar pessoas que se en-

contram para celebrar e sorrir. A vida está pulsando apesar das dificuldades. E ai sentimos como vale a pena lutar para que as coisas aconteçam. A IEAB tem recebido elogios de tanta gente que chega de outras partes da Comunhão e nos damos conta de que somos muito exigentes conosco mesmos a ponto de não enxergarmos que nossa Igreja tem dado incontestáveis sinais de vitalidade. Como diz um nosso querido irmão reverendo da Diocese Anglicana do Recife: precisamos ampliar a enxergåncia! Quem assim procede per-cebe que a despeito de todas as dificul-dades que temos enfrentado é possível sentir que há uma vitalidade que depen-de única e exclusivamente da força do Espírito Santo. Rev. Conego Francisco de Assis da Silva - Secretário Geral da IEAB


Artigos

Igrejas abertas e liturgia

Jaci Maraschin

Em nosso último concilio diocesano (Diocese de São Paulo) realizado em setembro deste ano, o tema "missão e evangelização" foi bastante considerado. O novo bispo insistiu perante o clero e os leigos na importância de se abrirem as igrejas para que sejam portas sempre acolhedoras. Nada mais pertinente. Embora o apelo episcopal pareça óbvio, chega em boa hora. Sabemos, no entanto, que enfrentamos em nosso país sérios problemas de segurança e que não se podem deixar as portas abertas sem vigilância. Mas há duas coisas que o bispo não disse, não porque não quisesse, mas porque o tempo era curto para percorrer num só dia a congestionada agenda do concílio.

Em primeiro lugar, que a igreja (templo) é lugar litúrgico por excelência. No pórtico da Igreja de Nossa Senhora Auxiliadora, em Bagé, cidade onde nasci, sempre me intrigou a expressão escrita em latim, Domus Dei [Casa de Deus]. Sabemos todos, por outro lado, que Deus não habita em casas feitas pelos homens. Mas, também sabemos que as igrejas são símbolos de sua onipresença e lugares de adoração. A liturgia é, em primeiro lugar, a expressão simbólica do reconhecimento dessa presença.

Em segundo lugar, o lugar litúrgico precisa conter as marcas simbólicas dessa presença que, afinal, torna possível a reunião do povo no culto. Mas, de que maneira o templo poderia manifestar continuamente que acontece de forma concentrada durante os ofícios religiosos? Lembro-me das conversas que tinha com o saudoso reverendo Todt, então deão da catedral da Santíssima Trindade em Porto Alegre. Ele dizia que a igreja aberta precisa oferecer elementos para envolver as pessoas. Os que já visitaram algumas de nossas igrejas em outros países, principalmente na Inglaterra e nos Estados Unidos, sabem do que estou falando. As igrejas abertas oferecem diariamente inúmeras possi-bilidades de participação para os que chegam, desde recitais de música, celebrações dos ofícios diários, aconselhamento ou confissões, e exposição de obras de arte com temas bíblicos. Lembro-me que em nossa catedral em Porto Alegre havia agradável programa de gravações de músicas intercaladas com leituras bíblicas e pequenas meditações, transmitido por eficiente sis-tema de alto-falantes.

Nossas igrejas brasileiras poderiam permanecer abertas mediante o sistema de voluntariado, chamando pessoas para oferecer parte de seu tempo como acolhedoras e vigilantes, em rodízio. Poderíamos, também, explorar a riqueza de nossos ofícios diários, oferecendo-os ao povo, em horários convenientes à comunidade como, por exemplo, Oração Matutina, antes do almoço, seguida ou não da eucaristia diária, e Oração Vespertina no final do dia. Em alguns lugares, a prática da reserva dos elementos consagrados do pão e do vinho, ajuda muita gente a se prostrar diante desses símbolos em adoração ao Deus que se dá a nós dessa forma.

Os leitores que têm acesso à Internet e possuem o programa Windows Media Player e som em seus computadores podem participar dos ofícios diários cantados pelo coro de meninos e homens da Saint Thomas Church em Nova York, no seguinte endereço: www.saintthomaschurch.org/stream.html. Trata-se de exemplo do que pode ser a nossa liturgia.

Jaci Maraschin é clérigo anglicano, teólogo e professor


Auroras

Dom Glauco Soares de Lima

O escritor Luiz Fernando Veríssimo outro dia escreveu na Folha uma crônica com o título acima. Ele inicia o artigo dizendo que em inglês há uma expressão bonita para dar-se conta, ter uma revelação, entender, que é "It dawned on me". Amanheceu em mim. Aquilo que era obscuro tornou-se uma aurora interior. Assim também acontece com a fé. Quando a gente tem um toque de algo que estava ai, ou dentro de nós e que nós não nos dávamos conta. Isto pode acontecer em qualquer época de nossa estória pessoal, tenha sido durante uma crise, ou num momento de dor, ou num éxtase de profunda alegria. Aliás, a verdadeira alegria encerra-se no mais profundo de nossas experiências existenciais, porque ela é final para quem descobre a perspectiva da fé. A fé é um dom gratuito que é oferecido a todos, mas que muitos (mesmo dentro da igreja) não captam. Aqueles que a conseguem captar sentem-se invadidos por uma paz de espírito que é indescritível. E isto funciona como uma bela aurora em nossas vidas. No entanto, a aurora pressupõe um dia em que vamos viver situações esperadas e situações inesperadas. Poderemos ter rotinas e surpresas. Todo o dia pressupõe uma noite quando, cansados pelo que vivemos no dia, vamos experimentar o torpor do sono e também sonhos que desde tempos primevos os homens procuram explicar. Mas a noite traz-nos situações desconhecidas que não podem ser explicadas pela nossa limitada razão, ape-sar dos protestos dos fundamentalistas e daqueles que querem explicar tudo. Quando vem o fim do dia, que noite está por vir, ninguém sabe. Nesta hora o que pode nos ajudar é a luz que vem da fé, que não pretendendo explicar, ilumina o nosso caminho e nos convence que depois virá uma nova aurora.

Dom Glauco Soares de Lima é bispo emérito


Sinais de Esperança

Dom Clóvis Erly Rodrigues

Após a tempestade... Diocese da Amazônia, Diocese do Uruguai Tempos difíceis - Tempos ruins. No Sul, o Colégio Santa Margarida é fechado. Conseqüências: causas trabalhistas milionárias, embargos de contas bancárias, arresto de bens, grande perda de patrimônio. No Nordeste, apro-priação do mais importante e histórico templo anglicano da IEAB, no Recife; posteriormente, outra apropriação de templos construídos no meu epis-copado no Recife, em Olinda e em João Pessoa, na Paraíba. Bons tempos a Diocese da Amazônia é o contraponto. É a bonança. Quando bispo do Norte-Nordeste, comecei visitando Manaus, além de Belém e antevi a criação da Diocese da Amazônia. Inclusive, em minhas viagens ao exterior, levava esta idéia comigo e diversos irmãos estavam prontos a apoiar. Dei os primeiros passos. Hoje, com alegria, vejo que sob a liderança e esforço de dom Saulo e sua equipe, no Sínodo de Curitiba, em junho de 2006, a Diocese da Amazônia foi criada. É um sinal de Deus. Um sinal de esperança. Diocese do Uruguai - Na década de 70 fui servir à igreja em Sant'Ana do Livramento, RS, cidade fronteira a Rivera, Uruguai. Soube, na época, que não havia trabalho anglicano para os uruguaios. Pensei: atravessei oceanos com Suleni, minha esposa, e meus filhos pequenos Elizah e Daniel para ser-mos missionários em Moçambique, África, uma colônia portuguesa em ple-na guerra pela independência. Por que não... agora que vivemos ao lado do Uruguai, nesta situação? Em Montevidéu havia e há um templo conhecido por Templo Inglês, na "Rambla del Peru" que muitos achavam tratar-se de um museu. Naquela ocasião os anglicanos estavam abrindo mão desse templo para os metodistas ou para o Estado. E estando nós separados de Montevidéu, por ônibus, uma noite. Em oração, resolvemos iniciar o trabalho lá. E, no dia 19 de junho de 1977 empreendemos nossa primeira viagem, acompanhado pelo então reve-rendo Jubal. Ficamos sabendo que o templo servia como capelania a um pequeno número de anglicanos de fala inglesa. Durante dois anos fui a Mon-tevidéu praticamente uma vez por mês. Fui muito apoiado com ofertas de toda a IEAB e colegas do ministério da Diocese Sul-Ocidental e leigos muito fiéis. Mas isso é assunto para um outro artigo. Uma grande festa em Montevidéu, em novembro, comemorará o 30° aniversário da hoje Diocese Anglicana do Uruguai. Dom Clóvis Erly Rodrigues é bispo emérito (cerlyrodrigues@uol.com.br)


Umeab

União das Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil

Mulheres querem ajuda para crescer nas paróquias

Texto Zenaide Barbosa | Fotos Revda. Magda Guedes

Esta página da Umeab, que já foi vitrine de grandes realizações de grupos de mulheres anglicanas em todo o País e estava desaparecida há algum tempo, volta hoje ao Estandarte Cristão graças ao entusiasmo que tomou conta da reunião promovida pela Diocese Anglicana de Curitiba - DAC, realizada na Catedral de São Tiago (Curitiba) em 28 de agosto passado. Com a presença da presidente nacional Eunice Ramos e da presidente da Umeab Dasp, Christina Winnischofer como convidadas especiais, a reunião contou com a representante diocesana Selma Rosa e repre-sentantes de quase todas as paróquias da DAC. A presidente nacional Eunice Ramos divulgou as metas da Umeab, convocando todas a dar sua parcela de contribuição. Den-tre as metas, destacam-se a organização de grupos de mulheres nas paróquias aonde elas ainda não estão organizadas, grupos de ora-ção, pastorais e reuniões ecumênicas; parti-cipação em estudos bíblicos; reforço na co-municação através de jornal, informativo, cartões, folders, cartas e correio eletrônico; possibilitar o crescimento cultural dos diver-sos grupos. A presidente destacou o que faz falta à mulher na igreja: "Apoio dos clérigos para termos uma só meta; evangelização de crianças e jovens; comunicação, eventos cul-turais e fundo financeiro, entre outros. A reunião contou com as reverendas Carmen Etel Gomes, que dirigiu a devocional; Magda Guedes, que coordenou o encontro e Maria das Graças Bernardino, pároca em Cândido Rondon, que trouxe sua experiência como mulher e clériga. Além da coordenadora Selma Rosa (São Lucas Lon-drina), compareceram ao encontro Maria Lucia (São Lucas Cascavel), Palmira Duarte (Ascensão Cascavel), Shigueko Murakami (Foz do Iguaçu), Alzira Periolo (Marechal Cândido Rondon), Ester Ono, Zenaide Bar-bosa, Elenita Teixeira e Elísia Cabral, da Ca-

Reunião na Catedral de São Tiago, em Curitiba tedral de São Tiago, Curitiba. De quebra, três homens participaram das reuniões: o bispo Naudal Gomes, o reverendo-cônego Odilon Silva o e advogado João Carlos Ramos. Pelo menos uma homenagem eles prestaram às mulheres: todas participaram de um gostoso carreteiro preparado inteiramente pelo bis-po Naudal e por João Carlos Ramos. Carmen Regina Gomes, responsável pelo planejamento estratégico da DAC, dirigiu es-tudo a partir das colocações: "Como é a mi-nha igreja? Como desejo que seja a minha igreja? A partir daí, quase todas chegaram a conclusões que podem ser assim resumidas: Falta engajamento e sobra timidez. Falta tam-bém apoio de muitos párocos. "Somos comissionadas a fazer o trabalho crescer a partir de qualquer número de sócias", disse Carmen Regina depois de exibir um filme sobre estímulo, partilha e metas de trabalho. No domingo, a convite da revda Carmen Etel, as presidentes Eunice Ramos e Christina Winnischofer participaram da celebração na Missão de São Pedro Apóstolo, bairro curitibano do Cajuru e falaram sobre os pla-nos de reorgnaização da Umeab. Na Cate-dral, Carmen Regina, Éster Ono e Zenaide Barbosa fizeram um relato do que havia sido acordado e, com apoio do deão Jerson Darif Palhano em breve ali reinstalarão o trabalho feminino.

Eunice Ramos dá à Umeab o "tempo do amor"

A expressão "quando se quer alguma coisa, consegue-se tempo" pode até ser um lugar-comum, mas é muito em empregada quando se trata de Eunice Ramos. Tempo, essa coisa indefinida, invisível e imprecisa, a cuja ausência costumamos creditar todas as nossas mazelas, não é problema para ela, que tem marido, cinco filhos e vários netos, além de emprego fixo, mas está tocando a Umeab nacional com muita raça, achando tempo, inclusive, para viajar. "Quando se tem amor pelo que se faz, sempre se arranja tempo", justifica. A próxima viagem de peso será em novembro, para Montevidéu, onde será realizado o II Encontro Binacional de Mulheres, para o qual ela está mobilizando a Umeab, pois deseja que seja melhor, ou pelo menos igual ao primeiro, que ocorreu em 2006 em Santana do Livramento, no Rio Grande do Sul e contou com expressiva partici-pação feminina. Em novembro de 2008 todos os esforços estarão concentrados na realização do Encontro Nacional, no qual haverá análise dos projetos de trabalhos enviados pelas Umeabs diocesanas e escolha daqueles que serão contemplados com recursos das caixinhas azuis. Neste momento, Eunice está entregando às paróquias cópias do planejamento estraté-gico que elaborou para ser implantado em todas as organizações de mulheres anglicanas e cuja síntese é a seguinte: Fortalecer a senso da família anglicana e aprofundar a missão e o trabalho pastoral. Sugestões de temas: vida emocional, fisi-ca e profissional da mulher; motivação - permitindo uma avaliação do relacio-namento das mulheres, incentivando o trabalho em grupo através de di-nâmicas, nas quais deve predomi-nar o respeito, a aceitação do

Eunice Ramos, presidente nacional da Umeab

outro como ele é, através de temas de espiritualidade, práticas de evangelização e doutrina. Divulgar o estatuto para que todas tenham conhecimento. Criar espaços que permitam a frutificação dos talentos pessoais. (Orientar, promover, implantar). Participar de programas ecumênicos. Incentivar a participação para viver em união, apesar de todas as nossas diferenças. Experimen-tar a pluralidade e diversidade como fontes de riqueza e crescimento. Incentivar o compromisso comunitário em todas as dioceses, com a participação ativa em ações de caráter social, visando a promoção humana, incentivando a caminhada evangélica.

Eunice Ramos foi eleita presidente nacional da Umeab no Sínodo da IEAB que ocorreu em Curitiba, ano passado. Ela não era candidata, nem pensava na hipótese, pois havia já uma chapa elaborada. De re-pente, o cargo lhe caiu no colo. "Foi coisa de Deus", ela diz, já que nem ao menos se achava preparada para o cargo. Sua experiência, de fato, era pequena: fora presidente da Umeab diocesana (Diocese Sul-Ocidental) e presidente local (Paróquia da Crucifixão). Em Porto Ale-gre, ela e o marido, o ad- vogado João Carlos Ra- mos, foram coordenadores do movimento Encontro de Casais. Mas, como ta- lento e competência não se medem, necessariamente, pelo número de cargos exercidos, ei-la de braços dados com centenas de mulheres no País à frente do movimento que, no di- zer do bispo Orlando Oli- veira (Diocese Meridional) é "a alma da IEAB".

Diretoria Nacional da Umeab

Presidente - Eunice Ramos Rua São João, 254 - Getulio Vargas 9641.2500 - Bagé RS Telefones (53) 3242.5711 e 9976.1905 Vice presidente - Nelci Kielling Telefones (54) 3522.2666 e 91730308 Tesoureira - Vilna Morales Telefone (53) 3242.5862 Secretaria - Marinez Santos de Oliveira Telefone (55) 9104.8221 Coordenadora - Mary Helena Halberg Luiz Telefone (55) 9984.3688


Diocese Meridional

Clero discute espiritualidade e aconselhamento pastoral

No dia 28 de agosto, o clero diocesano esteve reunido sob a coordenação dos reverendos Joel da Silva Soares e Paulo Ricardo Chiechelski. Como sempre, tivemos momentos de celebração, espiritualidade, informações e debates de questões teológicas e da vida diocesana. Após a celebração eucarística presidida pelo bispo diocesano, d. Orlando Oliveira, na Capela do Setek, tivemos um momento de espiritualidade e estudo bíblico, coordenado pelo rev. Dessórdi Peres Leite, onde pudemos refletir sobre o nosso lugar como membros do Corpo de Cristo, a Igreja. Num segundo momento, d. Orlando Oliveira apresentou e comentou um texto sobre "Culto e Aconselhamento Pastoral", de autoria do Prof. Julio César Adam, teólogo reformado. O centro da reflexão e do debate foi que o culto cristão hoje é mais do que um local e um momento de informações teológicas, escuta da Palavra de Deus, exercício da liturgia e partilha da Mesa Eucarística. Num tempo de insegurança e angústia, o culto é um espaço de cuidado pastoral das pessoas. Na parte da tarde trocamos informações sobre a vida das paróquias e da diocese. Ouvimos informações sobre as atividades e propostas do Ceat, da Comissão de Planeja-mento Pastoral e Missão, da presidente diocesana da Umeab e seu planejamento trienal e, finalmente, do Grupo Administrativo Diocesano sobre as questões orçamentárias, finan-ceiras e propostas de reformulação da política salarial do clero.

Juan Oliver fala de Liturgia no Setek

De 13 a 17 de agosto aconteceu no Seminário Teológico D. Egmont Machado Krischke (Setek) a já tradicional Semana Acadêmica. O tema principal da Semana foi a Liturgia da Igreja, com ênfase no anglicanismo. O palestrante principal foi o reverendo Juan Oliver, porto-riquenho de nascimento, mas hoje professor adjunto de Liturgia e coordenador do Programa Latino/Hispânico do Seminário Teológico Geral da Igreja Episcopal dos Estados Unido, em Nova Iorque. Contamos com a presença de cerca de 30 participantes das Dioceses de Porto Alegre, Santa Maria, Pelotas, Curitiba e São Paulo. A cada dia após e celebração Eucarística foram apresentados e discutidos os temas: O que é formação Litúrgica, Formando Novos Membros do Corpo de Cristo; O que é Liturgia Anglicana, Liturgia e Unidade na Comunhão Anglicana e, por último, um painel apresentado pelo rev. Oliver e dom Orlando sobre "Liturgia anglicana hoje e o papel do Livro de Oração Comum". Encerrando a semana, o prof. Inácio Pinzetta, do Setek e da Unisinos discor-reu sobre: "Aprender: Níveis de Conhecimento na Experiência Acadêmica". Foi um tempo muito rico de aprofundamento acadêmico no estudo da Liturgia e da diversidade que vive hoje a Comunhão Anglicana.


Umeab planeja trabalhos para três próximos anos

A diretoria diocesana da Umeab tem se reunido mensalmente, prepa-rando o plano trienal de ação para o trabalho feminino na Diocese. A diretoria tem se reunido sob a coordenação da presidente, Ciloć Menezes, nas dependências da sede provincial. Estas reuniões têm cons-tado de momentos de formação, re-flexão, oração e planejamento. A cada reunião um palestrante convidado apresenta um tema importante. Já ti-vemos a presença do rev. Enrique Illarze, coordenador da Comissão Diocesana de Ecumenismo, que falou sobre os avanços e dificuldades da ca-minhada ecumênica atual. Também o capelão diocesano da Umeab, rev. Dessórdi Peres Leite tem coordenado estudos bíblicos e momentos de espiritualidade. A presidente Ciloé apresentou na última reunião do clero diocesano a proposta para os próximos três nos e solicitou o apoio dos párocos e párocas.

Ceat lança livro sobre responsabilidade cristã

A Diocese, por intermédio do Ceat (Centro de Estudos Anglicanos de Teo-logia) lançou ao final do mês de agosto um livro chamado "Responsabilidade Cristã e Missão". O mesmo está sendo custeado por um projeto da Comissão de Educação Teológica da América Lati-na e Caribe (Cetalc). O tema faz parte das prioridades diocesanas para os pró-ximos dois anos. O autor do livro é o rev. Humberto Maiztegui, coordenador do Ceat. Trata-se de um material com subsídios para a compre-ensão teológica, avaliação e pla-nejamento do exercício da Responsabi-lidade Cristă e Missão em nível local. Nele vamos encontrar breve reflexão so-bre as cinco marcas da Missão; como fa-zer estudos bíblicos comunitários sobre o tema; a responsabilidade cristã e missão na comunidade local e, ao final, pistas para elaboração de um planejamento comuni-tário. Este livro é o primeiro de uma série que será publicada pelo Ceat. O segundo já está no prelo

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