Estandarte Cristão - 11-12/2009
ESTANDARTE CRISTÃO
Informativo da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil Novembro - Dezembro | 2009 | Ano 116 | n° 1816 Assinatura Anual R$ 35,00
ACOLHER E SERVIR 200 ANOS DE PRESENÇA ANGLICANA NO BRASIL
"200 anos de presença anglicana - capelanias inglesas"
Páginas 14 e 15
Palavra Primaz Um ano para Celebrar "Desistir? Eu já pensei seriamente nisso, mas nunca me levei realmente a sério. É que tem mais chão nos meus olhos do que cansaço nas minhas pernas, mais esperança nos meus passos do que tristezas nos meus ombros, mais estrada no meu coração do que medo na minha cabeça" Cora Coralina
"Os que esperam no Senhor Renovam suas forças, Sobem com asas como águias, Correm e não se cansam, Caminham e não se fadigam.
Isaías 40:31
O ano de 2010 é um ano para celebrar, e com certeza em cada canto deste nosso país, seja dos pampas, litoral, cerrado, ou Amazônia, teremos o que celebrar, basta abrir o bolso da memória e ver o que está guardado na vida de nosso povo e de nossas comunidades. Podemos começar recordando que em fevereiro de 2010 estaremos celebrando 200 anos da presença das Capelanias Britânicas no Brasil (Tratado de Comércio e Navegação-1810), e podemos recordar esse tempo na vida das comunidades que se formaram no Rio de Janeiro, São Paulo, Nova Lima/MG, Salvador, Recife e Belém. Em junho de 2010 celebraremos os 120 anos da
Editorial presença missionária da Igreja Episcopal no Brasil. Hoje em nossa IEAB, é o tempo de recordar os pioneiros e do que foi construído, e ainda celebrar o fato de sermos uma Igreja Nacional e com crescente senso provincial. Em maio de 2010 celebraremos os 50 anos da presença anglicana em Brasília, uma corajosa decisão missionária quando no final dos anos 50 a nova Capital começou a ser construída, e a IEAB através da Diocese Central (atualmente DARJ) iniciou a essa presença no Planalto Central. Ainda em maio de 2010 celebraremos os 25 anos da ordenação feminina. Desde 1985 a IEAB oferece o testemunho para a Comunhão Anglicana da presença das mulheres no ministério ordenado. Com certeza muitos caminhos foram difíceis e até pensou-se em desistir, mas como desistir se no coração de cada pessoa que fez e faz essa Igreja estava e continua cheio do Espírito Santo. Nesse ano de 2010 precisamos celebrar a vida, o testemunho e a dedicação de cada pessoa que veio para junto de nós. Em especial os nossos companheiros em missão, que vieram de diferentes contextos e culturas, e se envolveram conosco para servir e construir nossa Igreja no Brasil. Vamos continuar olhando todo esse caminhar e no contexto de todas as celebrações vamos renovar nosso compromisso, nossa força, e continuar voando nos sonhos da utopia e da missão com asas de águia sem se cansar e nem fadigar. É tempo de celebrar. Do Vosso Bispo Primaz D. Mauricio Andrade
Bicentenário da presença Anglicana no Brasil niciamos 2010 com um conjunto de celebra- ções que certamente serão motivo para darmos graças a Deus. A IEAB está em festa pelos seus 120 anos. Teremos um ano inteiro para tratar com carinho esse tema que servirá também para desenhar- mos o futuro da Igreja que queremos em nosso País. Também esse ano, estamos celebrando 200 anos da presença anglicana no Brasil e é sobre esse tema que me debruço neste número. Nos idos 1810, quando a família real portu- guesa fazia do Brasil um Vice-Reino de Portugal, causado pelo expansionismo napoleónico na Euro- pa, os aliados ingleses de Portugal ganharam o pri- vilégio de poderem celebrar em sua própria língua nas terras brasileiras. Uma conquista muito especial e nunca esten- dida a nenhuma outra nação que tivesse culto reli- gioso distinto da Igreja Católica Apostólica Roma- na. Através das capelanias inglesas, mediante acor- do celebrado entre os reinos de Portugal e Inglater- ra, os cidadãos ingleses podiam, mesmo longe de suas terras, celebrar com o uso da liturgia anglicana. Evidente que em um país marcado pela pre- sença oficial da Igreja Católica Romana, desde os seus primórdios, tal permissão viria cheia de regras especiais, com a determinação, inclusive de que os locais de culto não tivessem exteriormente a apa- rência de Igrejas. Em 1819, foi inaugurado o primeiro templo não católico romano no Brasil: a capela Christ Church, na Rua Real Grandeza, em Botafogo, Rio de Janeiro. A partir daí, outras capelas foram cria- das em cidades como São Paulo, Recife, Salvador, Santos, Belém, Niterói e São João Del Rey. Algu mas dessas comunidades tornaram-se, após a pro- clamação da República e com o surgimento da Igreja Episcopal Brazileira (assim se escrevia), em espaços 2 ESTANDARTE CRISTÃO | NOVEMBRO-DEZEMBRO | 2009
onde brasileiros também foram acolhidos. Em razão de limitações politico-culturais, essas comunidades foram sempre marcadas como capelanias. Não tinham caráter missionário e desti- navam-se exclusivamente a manter o atendimento pastoral e litúrgico de cidadãos britânicos radicados ou em passagem pelo Brasil devido a compromissos de trabalho. Mesmo em uma conjuntura de tamanhas limi- tações, a presença inglesa no Brasil e sua compo- nente religiosa, deixaram importantes contribuições no campo da cultura e da economia. Após a criação da Igreja Episcopal do Brasil, como Província autó- noma da Comunhão Anglicana, as comunidades das capelanias britânicas passaram a interagir em seus templos com comunidades brasileiras e dessa forma ajudaram a consolidar o trabalho missionário em alguns pontos do país. Nossa gratidão aos cidadãos britânicos que con- seguiram abrir espaços numa sociedade politicamen- te monolítica em termos de religião. Nossa gratidão aos capelães e cidadãos britânicos que abriram seus espaços para que comunidades de língua portugue- sa encontrassem o caminho da missão no meio do povo brasileiro. Fica a homenagem para os 200 anos da presença anglicana no Brasil, especialmente da- queles missionários como Richard Holden, que pa- garam o preço com o risco das perseguições - do fervor missionário. Outros missionários ingleses e americanos que vieram como capeläes de língua inglesa também fo- ram importantes pilastras da missão da própria IEAB. Amaram nossa terra e nosso povo, se inculturaram e deixaram marcas. Marcas de missão e de serviço! por Rev. Conego Francisco de Assis da Silva Secretário Geral da IEAB
ESTANDARTE CRISTÃO Informative da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil "Adoração - Serviço - Compromisso"
Fundado em 1893 Produzido pela Secretaria Geral da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) Av. Eng. Ludolfo Boehl, 256 - Teresópolis Caixa Postal 11.510 90870-970-Porto Alegre - RS - BRASIL Fone/Fax: (51)3318.6200 site: www.ieab.org.br e-mail: estandartecristao@ieab.org.br
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Diagramação André Machado Fortes AF
Revisão Jornalista Josué Soares Flores e-mail: josuka_arquivos@yahoo.com.br
Impressão e Acabamento Gráfica Editora Pallotti - Santa Maria/RS
Fotos da Capa
- St. Mary Church - Belém/PA
- Antigo templo da Holy Trinity - Recife/PE
- All Saints Church - Santos/SP
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Em Foco Paróquia de Todos os Santos Na Paróquia de Todos os Santos no dia 13 de Dezembro, nos cultos em inglês e em portu- guês, D. Roger Bird presidiu a Santa Eucaristia e celebrou o Chistingle. Qua- tro novos membros foram recebidos na Comunhão Anglicana: Sérgio, Rubens, Elias e Geralda. Foi oferecido lazer para crianças atendidas pela pastoral da Cri- ança do M. do José Menino com salão de beleza, lanches e bolo, e no final das atividades o Papai Noel e suas ajudan-
tes presentearam mais de 50 crianças que contaram com a solidariedade dos membros, familiares e amigos do San- tuário Anglicano de Santos. Dia 18 de Dezembro encerrou-se o ano letivo do Centro Sociocultural David Davies que conta com cerca de 350 alunos nos cursos de inglês, fran- cês e espanhol, período marcado pelas provas de final de semestre das confra- ternizações entre alunos e professores voluntários.
Pequenos Grupos: Catedral de S. Maria Por D. Saulo Barros
Nos dias 13 a 15 de novembro de 2009 acon- teceu o "1º Encontro de Preparação de Lideran- ças dos Pequenos Grupos", promovido pela Diocese Anglicana da Amazônia. O encontro aconteceu na Catedral de Sta. Maria, em Belém, e contou com a participação de 15 pessoas. Esse encontro na verdade é resultado de um longo processo de reflexão e discussão que já vem acontecendo por mais de quatro anos. Um dos principais eixos dessa reflexão é a ne- cessidade que temos de criar novas estruturas na nossa diocese que sejam mais leves e dinâmicas, e principalmente que valorizem o ministério dos leigos. A proposta de criar os pequenos grupos vem ao encontro dessa reflexão, além de possibi- litar maior convívio entre os seus membros e tam- bém refletir uma forma de organização que re- monta ao cristianismo dos primeiros dias. Nesse processo a diocese ouviu pessoas de di- versas denominações que tem experimentado mo- delos de pequenos grupos, sejam eles denomina- dos de comunidade eclesial de base, de grupos fa- miliares, de células. A partir desse ponto ficou cla- ro que devíamos buscar um modelo próprio, que se identificasse com a nossa forma de ser Igreja. A proposta passou então, a fazer parte do pla- nejamento diocesano para o triênio 2007-2009. Foi também criado um grupo de trabalho que sofreu algumas alterações durante o período. Fi- nalmente, no dia 09 de setembro, o grupo de tra- balho apresentou o rascunho da proposta aos clé- rigos e seminaristas da região metropolitana de Belém. Acatamos a palavra desse grupo e amplia- mos e fizemos algumas alterações no projeto e, então, marcamos o primeiro encontro de prepa- ração de lideranças. O grupo de trabalho também produziu dois livrinhos que deverão ser à base dos estudos dos primeiros grupos intitulados: "O Deus amoroso" e "Vivendo o amor". Os estudos seguintes serão preparados a partir do lecionário dominical. Em janeiro terá início o funcionamento dos primeiros grupos. Sabemos que estamos diante de um desafio muito grande, pois não queremos apenas criar grupos novos dentro das Paróquias e Missões, mas transformar a própria maneira de- las se organizarem, abrindo um largo espaço para o ministério dos leigos, na perspectiva do sacer- dócio de todos os cristãos.
Alunos da turma de Inglês
Ordenação na S. Lucas Expressamos a nossa gratidão ao Eterno por suas bênçãos incontáveis sobre a sua Igreja e em particular sobre a Diocese Anglicana do Rio de Janeiro, pela ordenação ao Presbiterado do Rev. Ivaldo da Silva Correia, que aconteceu no último dia 6 de dezembro na Paróquia S. Lucas. Um grande número de clérigos e leigos estiveram pre- sentes testemunhando este momento tão significativo. O Rev. Ivaldo foi ordenado diácono ainda no episcopado de D. Cel- so e durante cinco anos esteve à frente do Pto. Missionário em Nova Friburgo. No início de 2009 foi designado para auxili- ar o Rev. Eduardo Grillo na Paróquia S. Lucas, onde atualmente é o seu coadjutor. Atualmente acumula também a função de secretário administrativo diocesano. Nota: é na Paróquia de S. Lucas que também funciona a Capelania Inglesa Christ Church.
Rev. Ivaldo da Silva Correia
Encontro de Diaconia na SSma. Trindade De 26 a 29 de novembro, estiveram no Recife, representantes da Área Provincial III, da IEAB. Foram mais de trinta pessoas oriundas das dioceses da Amazônia, de Brasília, do Distrito Missionário e de nossa Diocese. O encontro aconteceu nas dependências da Catedral Anglicana da SSma. Trindade e teve como objetivo partilhar as experiências de ação social da Igreja, aprofundar a visão teológica da Diaconia Social e Política como di- mensão essencial da fé cristă e da missão da Igreja, e capacitar lideranças para assumirem essa importante tarefa de serviço da Igreja à sociedade em nome de Cristo. A organização esteve a cargo da Equipe Provincial do SAAD, sob a coordenação de Sandra Andrade, de Brasília, com a colaboração de nossa Secretaria Diocesana de Direitos Humanos e Diaconia Social, coor- denada por Ilcélia Alves Soares. D. Sebastião Armando, nosso Bispo Diocesano, assessorou a reflexão teológica, numa das manhãs. A conclusão dos trabalhos aconteceu na cele- bração eucarística de domingo, também na Catedral, com a presença dos membros da congregação e das representações das dioceses e do Distrito, do Revmo. Deão Sérgio Andrade e do Coadjutor Revdo. Teodorico Leite, sob a presidência do Bispo Dioce-sano. O pregador foi o Revmo. D. Saulo Maurício de Bar- ros, Bispo Dio- cesano da Amazô- nia.
Participantes da oficina
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CEXEC Deliberações do Conselho Executivo do Sínodo, da reunião realizada entre os dias 19 e 21 de novembro:
- Definição do local do próximo Sínodo e Confelider em São Paulo, entre os dias 02 a 06 de junho de
- Transferência do Rev. Carlos Eduar- do Brandão Calvani, Diretor do Centro de Estudos Anglicanos (CEA), para Campo Grande/MS, dando inicio à missão anglicana na- quela cidade.
- Recomendação à JUNET para rea- lização de nova consulta provincial sobre educação teológica em 2011 antecedida de pré-consultas regio- nais a serem realizadas em 2010. Ο Centro de Estudos Anglicanos co- ordenará o processo.
- Aprovação de uma campanha espe- cial para alcançar 1.200 novos assi- nantes em 2010 para o jornal Estan- darte Cristão.
- Aprovação do cartaz para a Confelider e Sínodo. A arte aprova- da, com sugestões, pelo Conselho foi a do sem. Luiz Coelho, da DARJ.
- Aprovação do Orçamento Financei- ro para 2010, recomendando: a) equilibrar o orçamento, b) buscar al- ternativas para aumentar a receita e diminuir a despesa, c) aumentar as cotas diocesanas em 50%, (exceto do Distrito Missionário), d) refor- mar o escritório provincial para alu- guel comercial, e) transformar a Li- vraria Anglicana em sociedade co- mercial limitada.
- Campanha da Fraternidade 2010. Foi recomendado que 60% dos re- cursos auferidos fiquem com as dioceses e 40% com o fundo ecumênico de solidariedade.
- A Catedral da SSma. Trindade, em Porto Alegre/RS, da Diocese Meri- dional, berço histórico da IEAB, foi oficialmente agraciada com o título honorífico de Catedral Nacional da IEAB.
- Aprovada a proposta do encontro de bispos anglicanos e pastores luteranos nos dias 10, 11 e 12 de agosto de 2010, em São Leopoldo/ RS.
- Designação de três membros do Conselho Executivo Dr. Edgar Quintana (DM), o Rev. Luiz Alberto Barbosa (DAB) e o Rev. Francisco Cesar Fernandes Alves (DASP) para auxiliar a Comissão de Constituição e Cânones no tra- balho de sistematização das propos- tas a serem apresentadas no próxi- mo Sínodo.
- Confirmação das reuniões nacio- nais para o primeiro semestre de 2010: Câmara dos Bispos (22-25 de março) e Comitê Permanente do CEXEC (26-27).
Liturgia O LOC: como lidar com um tesouro? Pe. Enrique Illarze, oasb.* ma característica seus primórdios tem sido a de ter uma liturgia uni- forme, e isso foi possível através do LOC, que nas palavras de J. Seldom (1584-1654) "t a forma através da qual a Igreja da Inglaterra serve a Deus, sendo seu supremo referencial". É, pois, para nós, um verdadeiro tesouro, que contém as seguintes notas: fidelidade às Escrituras, vinculação com as primitivas liturgias, pro- motor da unidade da Igreja, alicerçar o culto comunitário e a vida pessoal de fé de seus membros e ser a fonte normativa da fé eclesial: "Lex orandi legem statuat credendi." Uma vi- são tão ampla de um livro fez dele um mara- vilhoso dom de Deus. Como lidar com ele? Vários caminhos abrem-se diante de nós.
- A canonização. Podemos esquecer que ele é só um caminho para chegar a Deus, mas não é Deus. É fruto de humanos numa época determinada. O excesso desta posi- ção pode nos levar a uma idolatria do livro. Achamos que ele é perfeito, imutável, com- pleto, e para um ser humano acultural, atemporal e sem geografia. É um tipo de fundamentalismo.
- A dissolução. É o extremo oposto, com a completa relativização e como uma rea- ção à posição anterior. O LOC é converti- do em algo tão amorfo e difuso que perde totalmente suas notas distintivas. É só um manual de conselhos mais ou menos úteis e gerais. Se o anterior era o bosque petrifi- cado, este é o desmatamento da floresta, sob a justificativa da adequação à cultura con- temporânea. É mais outro tipo de fundamentalismo.
- O desafio. Anglicanos gostamos de "terceiras vias", de viver na aventura do de- safio. Não é fácil. Em muitas de nossas co- munidades, temos de diferentes formas, a presença das posições anteriores. O desafio é como preservar as idéias da Reforma de Cranmer (acima expressos) e que são a es- trutura "dssea" do LOC e como revesti-la de carne e roupagem que tenham significa- do para nós, neste mundo globalizado e pós- moderno, que cultua a transitoriedade, a adaptabilidade e a criatividade, e isso num país pluricultural e emergente como nosso Brasil. Nosso LOC fala português-brasilei- ro, mas tem feições ianques. Deveríamos re- fletir a respeito e na partilha ver como lidar com essa situação, com amor e paixão. *Presbitero, uruguaio, membro da Congregação dos Oblatos Anglicanos de São Bento, Reitor da Paróquia da Ascensão, na Diocese Meridional da IEAB. Formado em Direito e Ciências Sociais pela Universidad de la República (Uruguai), Mestre em Teologia (Liturgia) pelo IEPG/EST e Pós-Graduado em Espaço Litúrgico e Arte Sacra pela PUC/RS.
Missão Encontro do SADD De 26 a 29 de novembro, estiveram no Recife, representantes da Área Provincial III, da IEAB. Foram mais de trinta pessoas oriundas das dioceses da Amazônia, de Brasília, do Distrito Missionário e de nossa Diocese. O encontro aconteceu nas dependênci- as da Catedral Anglicana da SSma. Trinda- de e teve como objetivo partilhar as experi- ências de ação social da Igreja, aprofundar a visão teológica da Diaconia Social e Polí- tica como dimensão essencial da fé cristă e da missão da Igreja, e capacitar lideranças para assumirem essa importante tarefa de serviço da Igreja à sociedade em nome de Cristo. A organização esteve a cargo da Equipe Provincial do SAAD, sob a coorde- nação de Sandra Andrade, de Brasília, com a colaboração de nossa Secretaria Diocesana de Direitos Humanos e Diaconia Social, co- ordenada por Ilcélia Alves Soares. D. Sebastião Armando, nosso Bispo Diocesano, assessorou a reflexão teológica, numa das manhãs. A conclusão dos traba- lhos aconteceu na celebração eucarística de domingo, também na Catedral, com a pre- sença dos membros da congregação e das representações das dioceses e do Distrito, do Revmo. Deão Sérgio Andrade e do Coadjutor Revdo. Teodorico Leite, sob a presidência do Bispo Diocesano. O prega- dor foi o Revmo. D. Saulo Maurício de Barros, Bispo Diocesano da Amazônia.
Novo Ponto de Missão no Distrito por Rev. Paulo Masakazu Tamaki O Rev. Tamaki foi convidado pela sra. Lorenilce e sr. Hilário Bender, que residem em Lucas do Rio Verde/MT, para realizar a celebração e o batismo do neto deles, o me- nino Heitor. O Rev. Tamaki viajou junto com o ca- sale o ministro leigo da Paróquia da Anunciação, M.L. Léo e sua esposa Marines representando a comunidade. No dia 24, eles preparam para o batis- mo os pais do batizado, sra. Renata e sr. Christian Bender e os padrinhos. Foi cele- brada a Santa Comunhão e o Batismo do menino Heitor Bender com a presença de quarenta pessoas. Estamos muito felizes em conhecer mais Anglicanos em MT. Fots Hermes G. dos Sanser Junior Batizado do menino Heitor Bender
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Por M.L. Ruth Barros (Missionária da USPG) Im agosto deste ano resolvi fazer uma visita a minha mãe, na Inglaterra, pois está bastante enferma com "Mal de Parkinson". Queria oferecer um apoio es- piritual. Passei apenas quinze dias lá, mas al- gumas paróquias já ficaram sabendo, e fui con- vidada para falar na Paróquia de Sta. Maria em Sawston, Cambridge que, por coinci- dência, estava organizando um churrasco para arrecadar fundos para o meu trabalho. Esta paróquia tem mais de 100 anos, feita de pedra. Hoje a maioria dos paro- quianos que participa mora perto, na pe- quena vila de Sawston. A minha família toda veio pela primeira vez me ver falar do meu trabalho que para mim foi muito importante. São muito raras as oportuni- dades que tenho para compartilhar o meu trabalho com eles. Esta comunidade vem apoiando o nosso trabalho desde 1994 e acompanhou nossas viagens no Sul, Nor- deste e agora aqui em Belém. É uma co- munidade de pessoas idosas na maioria, e cheias de vontade. Falei com eles sobre a importância da missão de cada um. Todos nós somos cha- mados, mas nem sempre percebemos qual é a nossa missão. Eu me emocionei ao ver a minha irmā ir até o altar receber a benção (nenhum dos meus irmãos é cristão). Do meu lado tinha uma senhora que também começou a chorar. Depois me falou que ela se identificou com aquele momento, pois ela, francesa, também deixou o seu país para atender o chamado de Deus e morre de sau- dade da sua irmã. A Janet Marven, com quem eu mantenho contato por carta e e- mail nesses últimos 15 anos, também con- versou comigo depois. Ela disse. "Eu tenho orado todas as noites a Deus pedindo que Ele me mostre a minha missão e não tenho acha- do a resposta. Pois agora, quando você falou da importância de todo o nosso trabalho, per- cebo que já estou cumprindo a minha mis- são". E é verdade! A Janet é muita ativa na igreja. Ela faz o culto em família com catequese com as crianças, está na Comis- são de Missão, e ajuda organizar as rifas - o que mais quer? Às vezes procuramos coisas grandiosas para dizer que somos missioná- rios, mas é também nas coisas pequenas que Deus age. A Janet usou a imagem do tapete persa. O que primeiro chama atenção são as cores vermelhas fortes e os desenhos lin- dos. Mas quando você olha bem de perto
M.L. Ruth Barros à direita
você percebe que tem um pequeno fio dou- rado entrelaçado no tapete todo. Sem esse fio, que mal se percebe, o tapete não seria nada. Assim é a comunidade de fé. Todos nós somos importantes, não só quem está no altar, ou quem canta, ou faz grandes obras sociais. Onde estaríamos sem o sodalício? Sem a visitação? Sem a UMEAB? Sem aque- le delicioso cafezinho que recebe as pessoas quando chegam? Como diz Beto Guedes "vamos precisar de todo o mundo". Que pos- samos todos fazer parte deste tapete, seja o que for o nosso chamado.
Companheiros da Califórnia Por Revda. Carmen Etel Coordenadora do Companheirismo
Novembro foi especial para a DAC, pois teve o prazer de receber seis visitan- tes da Diocese Companheira da Califórnia, o que trouxe para nós, uma grande alegria. Os irmãos e irmãs Revda. Nancy e seu esposo John; Melissa, Dé- bora, Revda. Kate e Revda. Amber (co- ordenadora), fazem parte da Comissão de Companheirismo. Todos estão de al- guma forma, envolvidos em projetos da Diocese - cuja sede fica em São Francis- co e também em atividades profissio- nais. Diversas atividades fizeram parte da programação: 1. visita à Associação de Bairro - lugar de muitas crianças que são apoiadas pela Fundação de Ação Social do Paraná (FAS) e pela Igreja S. Pedro; 2. encontro com a diretora do Projeto com as crianças e com o presidente da associação de bairro; 3. reuniões com partilha da experiência da Economia So- lidária juntamente com a sra. Irene, en- carregada da padaria da comunidade; 4.visita à Missão S. Pedro, S. João Crisostomo, Sta. Isabel e Catedral de S. Tiago; 5. uma tarde junto aos morado- res de rua, do Projeto Emanuel; 6. Tour pela cidade de Curitiba acompanhados dos membros da S. Pedro. No Projeto Emanuel, os moradores de rua foram presenteados com uma cruz, símbolo do trabalho com moradores de rua, realiza-
Visitantes da Diocese da Califórnia com Moradores de Rua
do nas dioceses dos Estados Unidos, Boston e outras. Foram apresentados tam- bém elementos da cultura brasileira. Os irmãos e irmãs da Califórnia foram re- cebidos com alegria, cânticos de louvor e, no momento de confraternização, com um bom samba! Na catedral, o grupo partici- pou de um jantar, e foi presenteado com um CD de músicas de Jaci Maraschin. Os visitantes da Califórnia trouxeram consi- go um símbolo: um bonito labirinto, feito de madeira. Trata-se de uma técnica de espiritualidade, muito atrativa nos EUA, e que pode, também, ser um auxílio para nós. Nossa esperança com essa importan- te visita é de reforçarmos os laços de companheirismo, partilharmos dons e ta- lentos e ampliarmos a visão de que somos um corpo. Companheirismo significa partilhar, orar junto e ser solidário. É essa caminhada que, certamente, con- tribuirá para o crescimento de nossas dioceses. O companheirismo é graça que vem de Deus; é fruto de troca de dons e talentos; é aprendizado, confi- ança que é possível realizar pequenas coisas feitas com o coração. Essa visita nos leva a buscar maior conhecimento da nossa realidade brasileira, no Paraná. Realidade de grandes desafios sociais, e espirituais. Os visitantes estarão viajan- do para as outras regiões da Diocese, começando em Londrina e seguindo para Cascavel, Palotina, e Foz de Iguaçu. Que Deus abençoe esses irmãos e irmãs e a todos nós.
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Missão Semana Missionária em Cascavel Por Revdo. Marialvo Rodrigues
A Celebração de Abertura desta se- mana aconteceu no dia 28 de outu- bro. Estiveram presentes 40 pesso- as. Foi uma programação muito anima- da, inspiradora e fortalecedora para todos que lá estavam. Contamos com a parti- cipação do nosso Bispo D. Naudal, da Revda. Graça e Rev. Marialvo. Foi con- feccionado um painel onde foram colo- cadas as palavras chaves (Adoração, Mi- nistério e Missão) que completaram o di- agrama que simboliza a Missão. Cada cír- culo representa uma dimensão da missão que é proclamar o evangelho, criar uma sociedade baseada em princípios evangé- licos e renovar a igreja. A Celebração de Encerramento da Semana Missionária foi muito alegre e emocionante, teve a parti- cipação expressiva dos membros da Paró- quia e seus convidados. A direção e orga- nização foram de todas as Equipes de Liturgia. O Louvor e a música estiveram a cargo de Tiago e Reginaldo. Tivemos a participação especial de Nataniel Soares, que deu testemunho sobre a cura de sua enfermidade. Em sua homilia, D. Naudal destacou o contexto do manda- mento do amor. No encerramento da programação da Semana Missionária, ti- vemos um almoço no Salão Paroquial, onde a tônica foi a descontração e ale- gria entre os presentes.
O CENTRO DA MISSÃO DOAS NOVAS
Participantes ao lado do diagrama da Missão
Encontro Anglicano da Serra Gaúcha Por