O Estandarte Christão - 01/1895

Versão Integral em Texto

O Estandarte Christão - 01/1895

J. W. MorrisW. C. BrownA. V. CabralFrederico G. SchmidtPro Veritate1895

O ESTANDARTE CHRISTÃO

ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

VOL. III. ASSIGNATURA: POR ANNO 3$000

Expediente

Toda a correspondencia deve-se dirigir á caixa do correio n.º 5. O escriptorio da redacção acha-se no edi- ficio da Escola Americana n. 387 Rua Volun- tarios da Patria. J. W. Morris REDACTORES REVDOS. W. C. Brown A. V. Cabral

N'essa redacção dão-se todas as informa- ções sobre tratados, e publicações evangelicas. Todas as pessoas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal dar-se-hão ao encommodo de nos remetter seu endereço que serão imme- diatamente attendidas. Os pagamentos poderão ser feitos pelo cor- reio.


Relação das Egrejas

A Capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria N. 386 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. James W. Morris. Junta Parochial: Gervasio M. de Moraes Sarmento, The- soureiro e 2.º Guardião; Carlos Hardegger, Registrador; Bruno M. Mareco, 1.º Guar- dião; João Leirias, Gabriel dos Santos.

A Capella do Bom Pastor Rua Riachuelo Nr. 126 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. W. C. Brown. Junta Parochial: Antonio P. da Silva, Thesoureiro; Pinto de Leão, 1º Guardião; José do Norte, 2º Guardião.

A Capella do Calvario RIO DOS SINOS Pastor: Antonio M. de Fraga. Junta Parochial: Ernesto P. Bastos, Thesoureiro; André M. Fraga, 1.° Guardião; João Francisco de Souza, 2. Guardião; Lucas Machado, Registrador; Adorico F. de Souza, Bernar- dino A. de Souza.

A Capella do Redemptor Rua Felix da Cunha Nr. 64 PELOTAS Pastor: Rev. J. G. Meem. Junta Parochial: Manoel G. de Castro, Thesoureiro; Aly- pio J. dos Santos, 1.º Guardião; Raphael A. dos Santos, 2.º Guardião; Joaquim Fróes, Registrador; Belmiro da Silva.

A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villete RIO GRANDE Pastor: Rev. L. L. Kinsolving. Diacono: Rev. V. Brande. Junta Parochial: Rev. V. Brande, Thesoureiro; Thomaz d'Oliveira, 1,º Guardião; Antonio Gazzineo, 2. Guardião; Rodrigo Lobo, Registrador; Angelo Catalan, Victor Pingret, Jacyntho Santa Anna.


APPELLO

Deus, o grande governador de todas as cousas, ao designar Guttemberg, á ser o descobridor da imprensa, d'essa maravilha do secule quinze, fel-o para servirmo-nos d'ella como uma arma poderosa para defe- za da sua Santa Palavra. Temos pois a imprensa; agora cabe-nos o dever de utilizal-a efficazmente na defe- za da mais santa das causas. Mostremos ao mundo esse grande amor d'um Deus que morreu por nós, feito ho- mem; façamos conhecer esse bello ensino moral de Jesus Christo; demonstremos que pelejamos por uma causa verdadeira, justa e santa. Eis ahi, o modo de colloborar-mos para a grande obra da evangelisação do nosso povo. Felizmente temos o alto privilegio de possuirmos um jornal para a defeza e pro- clamação do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Christo. Venho, hoje, do alto d'estas columnas, pedir o vosso apoio, e vosso interesse, pelo Estandarte Christão. E' forçoso confessar, e vós sois testemu- nhas, que elle tem sido um dos mais assi- duos campeões do Evangelho. Sendo, portanto digno do vosso apoio, creio que attendereis ao meu appello. Ao entrar este novo anno, cheio de in- certezas, cheio de esperanças, firmes no nosso posto, como soldados de Christo, con- tinuaremos como até aqui defendendo com todo o ardor a causa do Grande Mestre, e envolto com este appello, dirijo aos amigos e benevolos leitores um sincero aperto de mão, com os melhores desejos para o novo anno. Attendei a este appello e «Arvorae o Estandarte aos povos. Isaias 62:10. Frederico G. Schmidt. Rio Grande, Janeiro 1895.


O dia da provança

Dolorosos, espiritualmente dolorosos os tempos de agora, para o trabalho da Egreja. Um mal-estar inexplicavel sentia-se ha pou- co; eram as nuvens de provança que se accumulavam e que não tardariam a des- encadear-se com sinistra furia sobre nós. Para quem calma e reflectidamente con- siderasse o estado espiritual da obra, as cousas estavam bem patentes. O fervor primitivo tinha esmorecido. A leitura da Biblia, leitura que devera ser humilde e fervorosa, tinha practica- mente sido supprimida. O motivo o mais futil afastava o cren- te do comparecimento ao culto publico. A emulação nascera nas differentes congre- gações produzindo dous resultados funes- tos: um falso motivo para o progresso ma- terial e espiritual e uma desunião practi- ca das congregações. Na familia christā irrompiam por sua vez as intrigas, os despeitos e as injusti- ças humanas, sem que os chefes podessem impedir a explosão de taes sentimentos. Por tantas portas que nós mesmos abri- ramos era impossivel que o demonio não entrasse. Entrou, e entrou sinistramente. A Egreja consternada apanha ainda ba- tegas do temporal e que oxalá sejam as ultimas. Mas com a graça de Deus, ella hade ser fiel no cumprimento de seus deveres e hade sahir-se com dignidade dos transes por que a fazem passar filhos indignos. Que nós todos façamos como diz o vul- go na sua pictoresca porem significativa linguagem: Ponhamos a nossa barba de molho quando virmos a do visinho arder, ou como diz o Apostolo: "O" tu que es tás em pé vejas não caias.>>>


AVANTE!

Formosa e risonha despontou essa ma- nhã. Em a noite anterior, n'um breve ins- tante, passamos de um a outro dominio. O anno findo guarda em seu seio tantos prazeres e gozos que, como elle, não vol- tam mais. Foi n'elle que nossos olhos ver- teram abundantes lagrimas, nossos peitos soltaram agudos e dolorosos suspiros. Foi n'elle que entes os mais queridos foram d'entre nós ceifados. Desappareceu de nós como um relampa- go o anno de 1894. Deslisou vagarosamente pela sombra do tempo até que os seculos o sorveram n'um instante. Pelas fendas de seus dias vimos desap- parecer entes queridos, pessoas țidolatradas seu sol por mais d'uma vez arrancou de nossos olhos torrentes de sentidas la- grimas, e de nossos corações dolorosos sus- piros. Tambem levou saudosas recordações, inau- ditos prazeres, deixando-nos apenas ternas lembranças, profundos sentimentos, dos quaes para mim é o de termos visto cei- fados do campo dos vivos tantas e tantas almas sem lhes termos estendido o braço para as amparar, sem termos acceso o fa- cho luminoso do Evangelho de Christo o qual lhes marcasse o canal do porto celes- te, sem lhes termos dado o balsamo refri- gerante da esperança futura, ou a barca salvadora da fé christa. Estou certo que todo o crente verdadei- ro deve estar bastante impressionado e tris- te ao lembrar-se das opportunidades que tem perdido de chamar almas a Jesus, do pouco caso que fez d'aquelle tempo pre- cioso que jamais voltará, d'essas occasiões que, como o anno velho, desppareceram para sempre. Onde foram os dias de tua felicidade, caro leitor? Onde encontrarás os teus ami- gos e conhecidos que partiram d'este mun- do? Com quantos d'elles esperas encontrar no gozo futuro, a quantos d'elles ensinaste o caminho da gloria, e a quantos escan- dalizaste com o teu viver? Devem ser estas as perguntas que cada um faz a si mesmo; e se a resposta não fôr satisfactoria, não te desanimes. Lem- bra-te que podes desforçar n'este tudo quanto perdeste n'aquelle, que ainda não estás fóra do tempo de agir. Sirva-te o passado por estimulo no fu- turo, pois assim como Deus renova as ho- ras, dias, mezes, e annos, Elle tem poder de renovar as opportunidades em que podes tes- tificar seu amor, e tuas orações se podem of- ferecer pela graça para cumprir com a sua santa vontade. Que Deus nos ajude, esquecendo-nos das cousas que que atrás ficam, e avançando para as que estão diante de nós, a proseguir para o alvo, ao premio da soberana voca- ção de Deus em Christo Jesus. Pequenos sacrificios, pequenas acções de bondade, pequenas palavras de sympathia, pequenas victorias sobre as tentações mais attractivas, são os fios que brilham no pa- drão da vida. subiremos aos paços dos ricos ou desce- remos aos albergues da pobresa, penetra- remos nos templos da virtude ou descere- mos ás masmorras do vicio para pregar- mos a Regeneração e a Vida que ha no Bendito Evangelho. N'essa romagem por caminhos impervios aggregam-se a Egreja, mal grado nosso. espiritos fracos como o moço-rico, espiritos traiçoeiros como Judas Iscariotes. Mas, com a ajuda de Deus, a Egreja Protestante Episcopal se desembaraçará de taes elementos. Assim seja. Janeiro de 95. Pro Veritate.


PUBLICAÇÃO: UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ Ν. 1.


O Credo CAPITULO X, O Nono Artigo.

A Santa Egreja Catholica; A Communhão dos Santos

II A Communhão dos Santos

I. O primeiro dos quatro grandes pri- vilegios da Egreja Christão é o da Commu- nhão dos Santos, e se bem que esta clau- sula foi entre as ultimas accrescentadas ao Credo Occidental, comtudo relativamente á certeza da sua verdade é de nenhum modo inferior ás outras.

II. Santos. A palavra "Santos" é mui- tas vezes applicada em o Novo Testamento ao corpo inteiro dos christãos baptizados n'uma cidade ou districto, assim como os israelitas são chamados pelos prophetas "uma nação santa", isto é, um povo sepa- rado do mundo e dedicado ao serviço de Deus. Assim lemos que o apostolo S. Pedro "veiu aos Santos que habitavam em Lydda" (Actos 9:32. Assim S. Paulo falla d'uma contribuição para os pobres d'entre os San- tos em Jerusalem (Rom. 15: 26), e escreve a todos os Santos que estão em toda a Achaia (II Cor. 1: 1), a todos os Santos em Christo Jesus, que estão em Philippos (Phil. 1: 1), e aos Santos que estão em Efeso (Efes. 1: 1). Assim tambem o apostolo S. Judas es- creve da fé, que uma vez foi entregue aos Santos (S. Judas: 3. Em cada uma d'estas passagens a palavra é applicada a todos os que professam o nome de Christo, e portan- to são convidados a andar em santidade. Porém como nem todos os que são de Israel são Israel, (Rom. 9:6), nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céos; mas aquelle que faz a von- tade de meu Pae, que está nos céos (S. Matt. 7:21), assim a palavra «Santos», é appli- cada tambem n'um sentido mais limitado áquelles que sabem que Deus os tem cha- mado para a santificação (1 Thess. 4:7), e que procuram, tanto que puderem n'esta vida mortal, reconhecer sua alta vocação, e querem ser Santos como é Santo aquelle que os chamou (I Ped. 1:15).

III. Communhão dos Santos. Os verdadeiros membros da Egreja militante aqui na terra podem ser, e são espalhados um do outro tanto pelo tempo como pelo espaço. Mas qualquer que seja a nação ou paiz em que se acharem, cremos que elles tem a communhão com o Pae, com o Filho, com o Espirito Santo, e com os Santos Anjos, que se deleitam em servir ao fa- vor d'elles (I João 1:3; S. João 14:23; I Cor. 1:9; Rom. 6:3-8; Heb. 1:14). E cremos que por mais espalhados que sejam agora, são unidos em communhão um com o outro (Hob. 12: 22). Elles são todos mem- bros incorporados no mesmo Corpo mystico, são todos unidos á mesma Cabeça (Efes. 4: 15, 16), e todos tem um Senhor, uma fé, um baptismo, e uma esperança da sua vo- cação Efes. 4: 4, 5)..

IV. A palavra, "Santos", tambem in- clue todos os que tem sahido d'esta vida na verdadeira fé e amor de Deus, os quaes, tendo acabado a sua carreira (2 Tim. 4: 7), já se acham livres dos trabalhos e afflic- ções e estão em gozo e felicidade. O autor da Epistola aos Hebreos diz aos crentes, aos quaes escrevem, que chegaram á uni- versal congregação e egreja dos primoge- nitos que estão éscriptos nos céos.. aos espiritos dos justos aperfeiçoados (Heb. 12:23). D'aqui concluimos que a commu- nhão que os membros da Egreja tem com o Senhor, e um com o outro não é dissol- vida pela morte de alguns d'elles. A mor- te, que não é mais que a separação da alma do corpo não separa os mortos do amor de Deus (Rom. 8:39), para quem vi- vem todos (S. Lucas 20:38), nem do amor de Christo, que não deixa de ser a sua cabeça, porque são removidos dos nossos

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