O Estandarte Christão - 07/1896

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O Estandarte Christão - 07/1896

Revd. Wm. Cabell BrownRevd. Americo V CabralRevd. Lucien Lee KinsolvingF. G. S.1896

O ESTANDARTE CHRISTÃO

ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Arvorae o estandarte aos povos Isaias 62: 10

VOL. IV Assignatura: POR ANNO. 3$000 Rio Grande do Sul, Julho de 1896 Publicação UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ N' 7

EXPEDIENTE Toda a correspondencia deve-se dirigir á CAIXA DO CORREIO, N. 47 O escriptorio da redacção acha-se na casa n. 95, rua Yatahy.

REDACTORES: Revd. Wm. Cabell Brown Revd. Americo V. Cabral Revd. Lucien Lee Kinsolving

N'esta redacção dão-se todas as informações sobre tratados, e pu- blicações evangelicas. Todas as pes- soas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal der-se-hão ao en- commodo de nos remetter seu en- dereço, que serão immediatamente attendidas. Os pagamentos poderão ser feitos pelo cor.eio.

RELAÇÃO DAS EGREJAS

A Capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria n. 386 Porto Alegre Fastor: Rev. James W. Morris Junta Parochial: Raymundo José Pereira 1º Guardião. Alberto Wood 2º guardião. Bruno Mareco Thesoureiro. Carlos Hardegger Secretario. João Leirias

A Capella do Bom Pastor Rua Riachuelo n. 126 Porto Alégre Pastor Rev. W C. Brown Residencia Rua Garibaldi Diacono: Rev. V Brande. CAIXA DO CORREIO, N. 5 Junta Parochial: Antonio P. da Silva Thesoureiro Pinto do Leão 1º guardião José P. S. Norte 2º guardião.

A Capella do Calvario Rio dos Sinos Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga Junta Parochial: André Machado Fraga 1º guardião. Maurilio M. de Moraes Sarmento 2º guardião Ernesto Gomes P. Bastos Thesoureiro Affonso Antunes da Cunha Secretario João Francisco de Souza Lucas M. de M. Sarmento. Galdino Antonio de Souza Antonio Prates de M. Sarmento Antonio Machado de M. Sarmento Firmino Prates de M. Sarmento João Prases de M. Sarmento

Capella da Resurreição São José do Norte Congregação ainda não organi- sada.

A Capella do Redemptor Rua Felix da Cunha n. 61 Pelotas Pastor: Rev. John G. Meem CAIXA DO CORREIO N. 64 Junta Parochial: Manoel G. de Castro 1º guardião Pedro d'Alcantara 2º guardião Alberto Jarrys Thesourciro Feliciano d'Oliveira Registrador Raphael A. dos Santos Belmiro F. da Silva Joaquim A. Froes Trajano de Moraes Ribeiro

Capella do Espirito Santo Boa Vista Municipio de Pelotas Congregação ainda não orga- nisada.

A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villet Rio Grande Pastor: Rev. L. L. Kinsolving Residencia: 147 Rua Yatahy, n. 95 CAIXA DO CORREIO N. 47 Junta Parochial: Ernesto Alves de Castro Thesoureiro Angelo Catalane 1º guardião Antonio Alves Pinto 2º guardião João Vicente Romeu Secretario Antonio Gazzineo João Leonardo Germano. John Gay

A Capella da Graça Viamão Pastor: Rev. Americo V. Cabral José Luiz Ferreira Secretario José de Deus Rosa. Thesoureiro Amaro Pinto de Oliveira

Reforma dos costumes I Será talvez tarefa superior ás nossas forças o traçar artigos em pról de tão urgente necessidade. A importancia do assumpto vai, porém, dar o seu cunho a estas mal escriptas linhas. Se observarmos attentamente os factos que occorrem dia a dia, não escapará de certo aos nossos olhos, essa lucta, esse labutar constante dos que se batem pelo bem, repellindo o mal. E' uma lucta homerica, essa que se acham empenhados tambem os arautos do Evangelho; uma lucta, cujos brilhantes re- sultados serão apreciados, se não por nós, talvez por nossos poste- ros, por nossos filhos. Não importa, porém, que não venhamos a contemplar os fruc- tos do nosso trabalho, se temos a certeza que collaboramos na gran- de obra do futuro patrio, da feli- cidade vindoura de nosso paiz e de nossos concidadãos. Tão grandiosa obra não deve enfraquecer pela ausencia de nos- sos esforços, da nossa collabora- ção sincera e desinteressada. Ha barreiras a transpôr, obsta- culos a vencer, perigos a affron- tar; mas com tudo isso a nossa perseverança e fidelidade, no posto de soldados da boa causa, deve continuar a servir como o attestado, mais brilhante do nosso esposado. Encetando hoje uma série de artigos em pról da reforma dos costumes, não é nosso intuito li- mitar-nos a dizer que tal reforma é necessaria; mas indicar tam- bem o remedio, o lenitivo seguro mente o mal, sem prestarem o seu apoio sincero para a sua extirpa- ção. Si dizemos que a educação mo- ral está atrazada, dizemos tam- bem que é preciso eleval-a, e es- tamos promptos n'este posto, na imprensa, a collaborar para tão nobre empreza, Em subsequentes artigos am- pliaremos mais o assumpto, que julgamos de summa importancia e de elevado interesse para todos. Escusado é dizer, que não en- tendemos moral sem religião, mestre sinão a Deus, nem reconhecemos moral mais elevada do que aquella do mora- lista dos moralistas Jesus Christo Nosso Senhor. F. G. S.

O Advogado Christão E' este o nome de um novo pa- ladino da evangelisação brazilei- ra, que acaba de vir á luz na ca- pital do Estado do Rio Grande do Sul. Orgam da Egreja Methodista de Episcopal do Sul, o novo periodi- co resume seu programma nas seguintes palavras de seu edito- rial: Como orgam de nossa Missão e Egreja Methodista n'este Esta- do será nosso desejo e nosso pro- posito representar e propagar os princípios de uma doutrina sã, de- fender as prédicas de Christo e combater os erros e doutrinas de falsas da Egreja Romana, que é o representante do engano e da superstição n'estes paizes. >>> N'estes dias de lucta e de pro- paganda, a chegada ao campo de mais um companheiro não póde ser indifferente. Saudemol-o, pois, e seja bem vindo.

A fé que vence todos os obstaculos Dada venia, trasladamos para as nossas columnas o seguinte ar- tigo que deparamos n'A Opinião, o dedicado defensor dos interesses sociaes, publicado na cidade de S. Paulo: <<< Não chamamos a ninguem sinão a Deus, respeitando todavia a autoridade legalmente constituida, quando não excede os limites do poder que lhe conferiu a constituição. A fé religiosa tem uma força moral indispensavel à vida nacio- nal e privada, sem a qual a li- berdade é uma palavra sem sig- nificação pratica. O protestantismo tem contri- buido, desde 1868, para espalhar a semente de principios democra- ticos, que afinal se arraigavam na vida nacional e que só precisam fiel applicação para produzir os seus beneficos resultados. Foram os ministros protestantes norte-americanos que fundavam as egrejas protestantes do Brazil e que não obstante a perseguição, a calumnia e as contrariedades de tola a especie pregavam no campo espiritual e politico o Evangelho da liberdade que ensina que o ho- mem não nasceu para ser escravo de despotas ou do vicio, mas que, creado à imagem de Deus, tem um destino mais alto que aquelle que os mesmos anjos. cobiçam. A verdadeira fé não se allia com o Estado, e nos paizes protes- tantes, onde ha ainda religião offi- cial, grande párte da população tem se separado da Egreja do Es- tado e organisado Egrejas Livres ou Independentes, que voluntaria e alegremente tomaram sobre si a sustentação dos seus pastores e do culto e a evangelisação do mundo até onde seus recursos o permittem. O protestantismo entre nós tent diante de si uma carreira honro- sa, esplendida e cheia de esperan- ças se permanecer fiel aos seus princípios fundamentaes, se näd se deixar levar por questões pos- soaes, se respeitar as suas pro- prias leis e contribuir para que as leis politicas que actualmente nos regem, não sejam uma lettra mor- ta, ou nullificadas pela ambição


2 O ESTANDARTE CHRISTÃO de ser. O Protestantismo não é somen- te um credo é vida, poder mo- ral, força espiritual, que da que pensar aos despotas e que fazer va estreitamente ligada ás aspi- rações nacionaes e o protestantis- mo floresceu e extendeu-se de modo espantoso, não obstante seus ministros serem estrangeiros que fallavam mal o portuguez. São sempre os principios que impressionam e arrebatam o povo, na sua lucta con- tra a Abyssinta tem the chama- do as criticas de alguns e a sym- pathia de grandə numero A minoria evangelica foi a aica a instituir um domingo de humilhação e de orações. Diante do divorcio que se esta- beleceu na Italia entre o espirito religioso, os protestantes não per- dem nenhuma occasião de mos- trar que se podem e se devem unir os sentimentos de bom cida- dão com os de bom christão. E o coração nos sangra quan- quando proclamados em de primeira intuição, é esta; grammatica rum. A Biblia aberta é que salva uma nação do despotismo e que conserva uma Egreja fiel à sua missão, mesmo se por um ou ou- tro motivo ella torna-se fria e in- tolerante je commette actos que a deshonram. << A palavra de Deus é viva e efficaz e mais penetrante do que toda a espada de dous gumes e que chega até ao intimo da alma e do espirito, tambem ás juntas e medullas e descernindo os pensa- mentos e intenções do coração », que afinal purifica uma Egreja dos seus erros e excessos, porque o protestantismo tem em si a for- ça necessaria para effectual-a e tem de fazel-o emquanto o povo lê a Biblia, que não permitte que os verdadeiros crentes sejam es- cravisados por homens ambicio- sos e sem escrupulo dentro ou fóra da Egreja. A liberdade ecclesiastica e a li- berdade politica têm a mesma origem e os mesmos recursos para defender-se e sustentar-se, isto é, a fidelidade a Palavra de Deus. E' sublime a ideia da liberda- de social, politica e individual que nos dá a religião de Christo; é tão superior ás concepções hu- manas, que o homem compenetra- se em corrigir taes abusos, o que não têm feito até hoje os ultimos. Na fabrica de tecidos do Bangú, isto é, ás portas da Capital Fede- ral e ás barbas do Presidente da Republica, operarios christãos ou protestantes, viram-se no anno passado cruelmente persegui los por um dos directores do estabe- lecimento, por motivo somente de crença. Alguns chegaram a ser offendidos physicamente. O respectivo Pastor recorreu immediatamente as antoridades competentes, mas teve de reco- nhecer que o ministro já não era um João Alfredo, nem o chefe de policia um Dr. Siqueira, de hon- rada e saudosa memoria. Nenhum meio foi tomado para punição dos delinquentes e pro- tecção às pobres victimas ! de ser. O Protestantismo não é somen- te um credo é vida, poder mo- ral, força espiritual, que da que pensar aos despotas e que fazer va estreitamente ligada ás aspi- rações nacionaes e o protestantis- mo floresceu e extendeu-se de modo espantoso, não obstante seus ministros serem estrangeiros que fallavam mal o portuguez. São sempre os principios que impressionam e arrebatam o povo, na sua lucta con- tra a Abyssinta tem the chama- do as criticas de alguns e a sym- pathia de grandə numero A minoria evangelica foi a aica a instituir um domingo de humilhação e de orações. Diante do divorcio que se esta- beleceu na Italia entre o espirito religioso, os protestantes não per- dem nenhuma occasião de mos- trar que se podem e se devem unir os sentimentos de bom cida- dão com os de bom christão. E o coração nos sangra quan- quando proclamados em de primeira intuição, é esta; grammatica rum. A Biblia aberta é que salva uma nação do despotismo e que conserva uma Egreja fiel à sua missão, mesmo se por um ou ou- tro motivo ella torna-se fria e in- tolerante je commette actos que a deshonram. << A palavra de Deus é viva e efficaz e mais penetrante do que toda a espada de dous gumes e que chega até ao intimo da alma e do espirito, tambem ás juntas e medullas e descernindo os pensa- mentos e intenções do coração », que afinal purifica uma Egreja dos seus erros e excessos, porque o protestantismo tem em si a for- ça necessaria para effectual-a e tem de fazel-o emquanto o povo lê a Biblia, que não permitte que os verdadeiros crentes sejam es- cravisados por homens ambicio- sos e sem escrupulo dentro ou fóra da Egreja. A liberdade ecclesiastica e a li- berdade politica têm a mesma origem e os mesmos recursos para defender-se e sustentar-se, isto é, a fidelidade a Palavra de Deus. E' sublime a ideia da liberda- de social, politica e individual que nos dá a religião de Christo; é tão superior ás concepções hu- manas, que o homem compenetra- se em corrigir taes abusos, o que não têm feito até hoje os ultimos. Na fabrica de tecidos do Bangú, isto é, ás portas da Capital Fede- ral e ás barbas do Presidente da Republica, operarios christãos ou protestantes, viram-se no anno passado cruelmente persegui los por um dos directores do estabe- lecimento, por motivo somente de crença. Alguns chegaram a ser offendidos physicamente. O respectivo Pastor recorreu immediatamente as antoridades competentes, mas teve de reco- nhecer que o ministro já não era um João Alfredo, nem o chefe de policia um Dr. Siqueira, de hon- rada e saudosa memoria. Nenhum meio foi tomado para punição dos delinquentes e pro- tecção às pobres victimas ! Evangelisação da Italia Do nosso bem collaborado col- lega paulista, O Estandarte, ex- trahimos o seguinte ? N'estes ultimos mezes, disse M. de uns e relaxamento de outros. nião publica em novas veredas de le lhes désse abundantes fructos da homens que nos governam quizerem abrir os olhos ? Somente quando o protestantis- justiça e rectidão que as circum terra. mo permanece fiel aos seus pro-stancias especiaes da hora exi- prios principios é que tem rasão gem. Antes da proclamação da Re- publica hasteou a bandeira do ca- samento civil, da separação da Egreja do Estado, da instrucção publica, e adversario da oppres- são ecclesiastica, an- tigos tyrannos. Mas esta ultima doutrina esta a Quem não sabe que Seneca com- De nada serve confessar a su- poz um tratado sobre a Providen- perioridade do Evangelho de Je- cia? sus-Christo, comparado com a re- Xenophonte e Aristoteles ad- ligião papal, e mais tarde, quan- mittem a influencia divina nos do si é elevado ás culminancias acontecimentos da monarchia da do poder, deixar que a Constitui- Persia. Si o Taygete (2) sente-se ção seja ferida nos artigos que es- abalado por um terremoto que ro- tatuem a liberdade de consciencia luz Lacedemonia a completas rui- e estabelecem a separação da nas; si a peste faz da gloriosa Egreja e do Estado. Athenas um verdadeiro deserto, surgem immediatamente escripto- res que cedendo à força irresis- tivel do bom senso, explicam taes calamidades como verdadeiros castigos com que o céo punia vicios, sobretudo a crueldade e a perfidia daquelles povos. Si ha, com effeito, uma verda- deira causa para que os povos, sendo Deus a fonte unica de vida, não poderão de modo algum viver, isto é, conservar-se e pros- perar as nações que delle te apar- tarem pela pratica do erro, ou pela perpetração do crime. Vêde o que actualmente se pas- sa nos paizes em que a antiga ido- latria paga foi substituida pela idolatria moderaa a adoração das imagens e do papa. Aprofunde quem puder a igno- rancia do povo, a immoralidade das classes elevadas e, mais que tudo, as injustiças e crueldades dos governos, embora se jactem de civilisados e liberaes. Quem conterà lagrimas amar- gas ouvindo os horrores que a Hespanha está commettendo con- tra um povo que pugna apenas pela sua independencia? Ah! o instincto sanguinario dos governos fanaticos jamais amor- tece em seus corações. Que satisfação seria a nossa, si podessemos deixar de incluir no numero dessas nações o nosso Bra- zil, transformado em republica! Porém, não; quando esperava- mos que a mudança de forma de governo trouxesse à sociedade brazileira novos e grandes bene- ficios, principalmente na esphera religiosa, temos apenas podido constatar que o dominio da super- stição continúa e, talvez, com mais rigor; que a impiedade, sob a mascara da uma sciencia que nada tam de scientifica o po- de ser. O Protestantismo não é somen- te um credo é vida, poder mo- ral, força espiritual, que da que pensar aos despotas e que fazer va estreitamente ligada ás aspi- rações nacionaes e o protestantis- mo floresceu e extendeu-se de modo espantoso, não obstante seus ministros serem estrangeiros que fallavam mal o portuguez. São sempre os principios que impressionam e arrebatam o povo, na sua lucta con- tra a Abyssinta tem the chama- do as criticas de alguns e a sym- pathia de grandə numero A minoria evangelica foi a aica a instituir um domingo de humilhação e de orações. Diante do divorcio que se esta- beleceu na Italia entre o espirito religioso, os protestantes não per- dem nenhuma occasião de mos- trar que se podem e se devem unir os sentimentos de bom cida- dão com os de bom christão. E o coração nos sangra quan- quando proclamados em de primeira intuição, é esta; grammatica rum. A Biblia aberta é que salva uma nação do despotismo e que conserva uma Egreja fiel à sua missão, mesmo se por um ou ou- tro motivo ella torna-se fria e in- tolerante je commette actos que a deshonram. << A palavra de Deus é viva e efficaz e mais penetrante do que toda a espada de dous gumes e que chega até ao intimo da alma e do espirito, tambem ás juntas e medullas e descernindo os pensa- mentos e intenções do coração », que afinal purifica uma Egreja dos seus erros e excessos, porque o protestantismo tem em si a for- ça necessaria para effectual-a e tem de fazel-o emquanto o povo lê a Biblia, que não permitte que os verdadeiros crentes sejam es- cravisados por homens ambicio- sos e sem escrupulo dentro ou fóra da Egreja. A liberdade ecclesiastica e a li- berdade politica têm a mesma origem e os mesmos recursos para defender-se e sustentar-se, isto é, a fidelidade a Palavra de Deus. E' sublime a ideia da liberda- de social, politica e individual que nos dá a religião de Christo; é tão superior ás concepções hu- manas, que o homem compenetra- se em corrigir taes abusos, o que não têm feito até hoje os ultimos. Na fabrica de tecidos do Bangú, isto é, ás portas da Capital Fede- ral e ás barbas do Presidente da Republica, operarios christãos ou protestantes, viram-se no anno passado cruelmente persegui los por um dos directores do estabe- lecimento, por motivo somente de crença. Alguns chegaram a ser offendidos physicamente. O respectivo Pastor recorreu immediatamente as antoridades competentes, mas teve de reco- nhecer que o ministro já não era um João Alfredo, nem o chefe de policia um Dr. Siqueira, de hon- rada e saudosa memoria. Nenhum meio foi tomado para punição dos delinquentes e pro- tecção às pobres victimas ! Quem não tem continuado a lér em importantes organ, da nossa imprensa as perseguições e vio- *cias com que tem sido tratados em alguns Estados Ministrosevan- gelicos, cújo crime unico é prega- rem a verdade e combaterem o erro e o peccado ? Emquanto a Hespanha, a Aus- tria e a França sacrificavam vi- das preciosas e montões de di- nheiro em extinguir a heresia, a Inglaterra, a Hollanda e a Alle- manha o fizeram em prol da liber- dade individual no campo reli- gioso e politico. Hoje o protestantismo está meio parado e precisa nova vida para não sómente conservar o terreno occupado, mas extender-se em todas as direcções. Qual é a doutrina biblica que precisa ser annunciada com voz de trovão hoje em dia, doutrina que é a unica que póde salvar a Republica de uma quéda desas- trosa e mortal? A obediencia á lei. Quando estudamos a vida dos dive 'sos povos que têm existido. desde o antigo povo de Israel até hoje, e procuramos descobrir a causa da decadencia de cada um delles, em vez de acceitarmos as conclusões da escola fatalista, so- mos forçados a reconhecer que ella não é sinão uma consequen- cia necessaria, fatal dos seus vi- cios. A Sagrada Escriptura affirma que o peccado faz miseraveis OS povos; (1) e a historia demonstra a cada passo que o Deus na ções as tem julgado sempre se- gundo as suas obras. E si houvesse quem se lembras- se de corrigir taes abusos, o que não têm feito até hoje os ultimos. E' preciso pensar na instrucção e na educação do povo viamonen- se, pois que talvez tres quartas partes da população não sabem ler. Muito espero para esse fim da reorganisação que se pretende dar ao ensino publico. Os filhos dos agricultores via- monenses muito lucrariam rece- bando instrucção technica, como a que é proporcionado na Escola Agricola de Taquary. Nas escolas publicas ruraes de- via-se dar noções dos aperfeiçoa- mentos que a sciencia tem trazi- do agricultura, à industria e à criação de gado vaccum, caval- lar, suino, lanigero, etc. A ignorancia em que estão nos- sos patricios será motivo para abandonal-os? Não. E motivo tão somente para desculpal-os, para instruil-os e para fornecer-lhes os meios de adiantamento e de progresso. Em San Remo, o pastor fundou escholas que contam 110 alumnos catholicos de nascimento e que foram honradas com elogios do inspector official. Disso temos todos os dias pro- gressos. As biblias que espalhamos são meditadas com fructo por um bom numero de pessoas da classe su- perior. A leitura de nossos trata- dos, o exemplo dos proselytos, a influencia de nossas orações e de nossos cantos, são meios de que Deus usa cada dia para trazer almas à verdade e a vida. L. A novidade da vida Nunca tendes imaginado como a menina, a qual o Senhor Jesus culdades são muitas. sólo generoso. Mas tudo isso exi- ge prompta e decidida cooperação tem ninguem a ensinal-as, e ellas cebendo as aprendido a lêr a Biblia e a amar Somma a Deus antes de adoecer. Fic) tão No proximo numero continua- triste vendo tantas crianças que remos a publicar não sabem nada de Jesus e não tivos à proporção que formos re- têm medo de approximar-se de mim. » os diversos dona- importancias. Desde já cumpre-nos agradecer os esforços das dignas pessoas que nos teem coadjuvado para conse- guir.nos a edificação de uma Egreja Evangelica. E que os christãos em particular nos ve- nham auxiliar, pois que as diffi- cultades são muitas. Em Viamão consorciaram-se, em casa particular, o nosso amigo Illm. Sr. Tolentino Maia com a Exma. Sia. D. Francisca Pereira de Mattos. Após o casamento civil reali- sado pelo digno juiz districtal, Illm. Sr. Joaquim Duarte, teve a lugar, ás 41/2 horas da tarde, a ceremonia religiosa segundo ori- A Egreja Protestante Viamo- nense ha de pois, continuar a ba- ter com humilde firmeza á porta de quantos se interessam pela cau- sa sacrosanta do Bem e da Ver- dade. E' assim que aquelle momento derradeiro não é de horror, mas simplesmente a hora de nossa partida para a Patria Celestial. Consideremos, pois, este impor- tante assumpto da morte, e vós, atheus e indifferentes, ficai certos que a morte não é simplesmente cessação das forças vitaes; mas, é uma porta, um caminho que nos guiará à uma vida mais pura, mais santa, mais conforta- vel, que é a vida eterna. O ANNO CHRISTÃO O Domingo do Advento é o Dia do Anno Novo do anno christão. A Egreja regula o tem- po pelo curso da vida de Nosso Senhor. Elle é o Sol da Justiça. 0 mundo conta o tempo pelo sol do mundo e tem um differente dia de Anno Novo; porém o anno da Egreja começa com os primeiros raios do Sol da Justiça », com a vinda de nosso Salvador n'este mundo. Advento significa a vinda. Dezembro 25, dia de Nalat, mento de nosso Senhor e Salvador Jesus Christo. Janeiro, 1-E' a festa da Cir- cumcisde, quando nosso Salvador na idade de oito dias foi feito membro da antiga Egreja de Deos. Este dia lembra-nos como perfeitamente Elle obedeceu á lei de Deus desde o principio da sua vida terrena, sendo assim & O Se- nhor da nossa Justiça », porque, se pertencemos a Elle, havemos de ter parte no que é seu. Epiphania Janeiro 6 é a festa da Epipha nia. Epiphania significa « mos tra», ou « manifestação ». Ella commemora a manifesta- ção de nosso Salvador aos ma- gos gentios que seguiam a estrella e trouxeram presentes ao nosso infante Salvador. Todos aquelles que não eram Hebreus eram gentios. Dous tinha-se mos- trado somente aos hebreus até alli; agora mostrou-se manifesta- mente aos gentios e desde então nós gentios temos participado das bençãos da sua Palavra e Egroja; e assim por quadras, mais ou me- nos prolongadas, nossa Egreja sa- tisfaz a mesma necessidade que as outras satisfazem por semanas longos serviços de reanimação. A Egreja Episcopal procura pelo curso regular do anno chris- tão corrigir esta má tendencia; procura, recorrendo regularmen- te os dias acima mencionados e designando para eltes serviços es- peciaes, relembrar e illustrar os acontecimentos que elles comme- moram e expor mui distinctamen- te as doutrinas que n'elles se on- volvem. Ella procura, por este modo, não somente nutrir a pie- dade de seus filhos, mas tambem guardar uma devida proporção e equilibrio em suas vistas religio- sas. Emquanto seguirmos os servi- ços por ella prescriptos, a Egreja não consentirá que isolemos nossos factos e doutrinas escolhidos, po- rém ella derrama a historia do Evangelho em toda a sua pleni- tude pela superficie do anno sa- tejo... Os outros veem tambem que, se o homem compenetra-se em corrigir taes abusos, o que não têm feito até hoje os ultimos. Na fabrica de tecidos do Bangú, isto é, ás portas da Capital Fede- ral e ás barbas do Presidente da Republica, operarios christãos ou protestantes, viram-se no anno passado cruelmente persegui los por um dos directores do estabe- lecimento, por motivo somente de crença. Alguns chegaram a ser offendidos physicamente. O respectivo Pastor recorreu immediatamente as antoridades competentes, mas teve de reco- nhecer que o ministro já não era um João Alfredo, nem o chefe de policia um Dr. Siqueira, de hon- rada e saudosa memoria. Nenhum meio foi tomado para punição dos delinquentes e pro- tecção às pobres victimas ! A Egreja Episcopal procura pelo curso regular do anno chris- tão corrigir esta má tendencia; procura, recorrendo regularmen- te os dias acima mencionados e designando para eltes serviços es- peciaes, relembrar e illustrar os acontecimentos que elles comme- moram e expor mui distinctamen- te as doutrinas que n'elles se on- volvem. Ella procura, por este modo, não somente nutrir a pie- dade de seus filhos, mas tambem guardar uma devida proporção e equilibrio em suas vistas religio- sas. Emquanto seguirmos os servi- ços por ella prescriptos, a Egreja não consentirá que isolemos nossos factos e doutrinas escolhidos, po- rém ella derrama a historia do Evangelho em toda a sua pleni- tude pela superficie do anno sa- tejo... Os outros veem tambem que, se o homem compenetra-se em corrigir taes abusos, o que não têm feito até hoje os ultimos. Na fabrica de tecidos do Bangú, isto é, ás portas da Capital Fede- ral e ás barbas do Presidente da Republica, operarios christãos ou protestantes, viram-se no anno passado cruelmente persegui los por um dos directores do estabe- lecimento, por motivo somente de crença. Alguns chegaram a ser offendidos physicamente. O respectivo Pastor recorreu immediatamente as antoridades competentes, mas teve de reco- nhecer que o ministro já não era um João Alfredo, nem o chefe de policia um Dr. Siqueira, de hon- rada e saudosa memoria. Nenhum meio foi tomado para punição dos delinqu

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