O Estandarte Christão - 05/1893

Versão Integral em Texto

O Estandarte Christão - 05/1893

J. W. MorrisW. C. BrownBishop ThompsonL. L. Kinsolving1893

O ESTANDARTE CHRISTÃO

ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

ASSIGNATURA: POR ANNO 3$000

PUBLICAÇÃO: UMA VEZ NO PRINCIPIO DE CADA MEZ

VOL. I. PORTO ALEGRE, MAIO DE 1893 Ν. 5.


Expediente

Toda a correspondencia deve-se dirigir á caixa do correio n. 5. O escriptorio da redacção acha-se no edi- ficio da Escola Americana n. 387 Rua Volun- tarios da Patria.

REDACTORES REVDOS. J. W. Morris e W. C. Brown

Os pagamentos poderão ser feitos pelo cor- reio.


Relação dos Missionarios

PORTO ALEGRE Revdos. J. W. Morris e W. C. Brown. Residencia: Rua Independencia Esquina, Silveira Martins. Catechista Sr. A. V. Cabral, Residencia: Escola Americana 387. Voluntarios da Patria, Caixa do Correio N.º 5.

RIO GRANDE Revdo. L. L. Kinsolving, Residencia: 147 Rua 16 de Julho 117. Catechista Sr. Vicente Brande. Resilencia: Rua Villeta 8. Caixa do Correio N.º 47.

PELOTAS Rev lo. J. G. Meem. Catechista Sr. Antonio M. de Fraga Residencia: N. 101 Rua Feliz da Cunha. Caixa do Correio N.º 114.

RIO DOS SINOS Catechista, Sr. Boaventura de Souza e Oliveira,


O Baluarte do erro

Não cabe no espaço exiguo de que dis- pomos assignalar de vez os males que es- piritualmente nos acabrunham. Comtudo se não recuaremos ao dever que a nós mes- mos nos impomos de chamar a attenção a aquillo que nos tem ultimamente lançado por vezes na senda do barbarismo a ignorancia. Innumeras são as difficulda- des que temos encontrado em nosso cami- nho e cuja causa está na ignorancia. Como é sabido o Christão precisa saber lér a Biblia e este dever é reconhecido pelas populações protestantes onde a porcenta- gem de pessoas añalphabetas é muito me- nore entre os povos de outras religiões, Poissoem: mas como vão os nossos cam- pozes ler a Biblia, os tratados, os jor- nais, emfim tudo aquillo que no mundo aristão são outras tantas fontes de luz, se pela maior parte não sabem lêr? Quan- tas e quantas casas não temos encontrado, aliás de homens abastados, onde não ha uma pessoa habilitada para ler o rotulo de um medicamento! Não precisamos ir muito longe de Porto Alegre para nos ca- pacítarmos d'estes factos que são bem co- nhecidos. Os resultados d'essa ignorancia são por demais lamentaveis, todos o saben, Quando a Republica triumphou no Brazil era expectação geral da pleiade republi- constitucionalmente consagrada. E de facto o foi, e ahi estão bem claras, em alguns paragraphos do art. 71 da Constituição de nosso Estado, as garantias a que temos direito. No entanto o que se dá? A cada passo as auctoridades de fóra, mal infor- madas queremos crêr, estão lançando vexa- torias prohibições aos nossos cultos e fa- zendo o que se costuma chamar vista gorda ás perseguições e injurias de nossos evan- gelistas. Bem sabemos as difficuldades com que têm luctado os differentes göver- nos para fazerem seus delegados compre- henderem o altruismo das intenções repu- blicanas, mas não será demais que as au- ctoridades superiores tornem bem patentes os direitos que nos assistem no exercicio de nossa propaganda puramente religiosa. Passemos adiante. A que devemos este estado de ignorancia? Ao Estado? Talvez a elle caiba uma parte da culpa, mas não toda. Todos os annos elle dispende umasomma considera-vel com a verba Instrucção é é sa maneira tem-se feito para que o povo re- ceba alguma luz. Nesta redacção dão-se todas as informa- ções sobre tratados, e publicações evangelicas, Todas as pessoas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal dar-se-hão ao encommodo de nos remetter seu endereço que serão imme- diatamente attendidas.


O Arrependimento

  1. Quando os Apostolos do Salvador sahiram proclamando livramento a todo o mundo, os homens perguntaram, „Que fa- remos nós para nos salvar (Actos 2:37; 16:30). E a resposta foi, „Arrependei-vos." 2.º Arrependei-vos". mudae de vida, alterae vossos propositos, transtornae vos- sos entendimentos: „convertei-vos" (Actos 3:19). „Salvae-vos d'esta geração depra- vada" (Actos 2:40). Subvertei vossos alvos, vossos motivos, vossas vidas. E' esta a significação da comprehensiva palavra grega que traduz-se por „Arrependei-vos." A tristeza, pois, não é arrependimento; contrição profunda, e a angustia de co- ração não são o arrependimento. Nem o soffrimento, nem a afflicção physica ainda que impostas pela errada auctoridade eccle- siastica, são o arrependimento. Um homem pode procurar, como Esau, tum logar de arrependimento, solicitado com lagrimas (Hebrens 12:17), e pode como elle deixar de achal-o. Isto é, o arrependimento não é meramente um gráo intensissimo de caral- contrição, Qual é o arrependimento en- tão? E' a renuncia do peccado. 3.º Um homem segue o caminho da rui- na. E' eséravo do peccado que lhe róe o coração como um insecto insidioso. Dorme ou está cego ou surdo em mera escravidão ao mundo, ao demonio, ou a sua propria carne. A um tal homem vem o evangelho. Em primeiro logar mostra a ruina em que o homem está; em seguida, a vereda da sal- vação d'essa ruina. Mostra-lhe quão cegos, estupidos, e vis são a vida e os propositos do homem. Este evangelho lhe manifesta a separação de Deus como a uma e unica maldição penosissima, o peccado como um unico mal contra o qual elle e todos os homens devem pelejar. Diz-lhe cómo pode pelejar com successo agora como pode pelo auxilio promittido, ter esperança da victoria e do triumpho. 4.º E, claramente, não é uma cousa feita uma vez para sempre, e acabada. O ar- rependimento da natureza do homem não é um acto, porém um estado. Continua, como a fé, pela vida. O caminho Chris- tão principia, continua, e finaliza no arre- pendimento. O arrrependimento acompa- nha todo o acto de culto, é uma necessa- ria preparação para cada meio de graça. O moço recruta, entrando no exercito de Jesus Christo, professa o arrependimento ao atravessar o limiar da casa da fé. O mais velho bispo, envelhecido pelo conflicto Christão o professa, as palmas e a co- rõa perante os olhos moribundos. S. A- gostinho, Athanasio e outros homens de- distinctos firme e claro, calmo, severo e esses se reimprimem de auno em anno. e intrepido, como um dos archanjos arma- dos ora como um, penitente todos os cincoenta annos durante os quaes pelejava contra o mundo em nome do Senhor. E todos os grandes e justos, todos os heroes do Christianismo, todos os puros nomes que alumiam a historia da Egreja Santa Ca- tbolica em todas as terras e em todos os seculos todos viviam e morreram peni- tentes. O arrependimento e a fé foram seus companheiros até o fim. 5.º Desde seu encetar até seu triumpho perfeito, o arrependimento vemo Evan- gelho declara como dom de Deus. To- da a illiminação do entendimento que o precede, o convencimento de peccado e de rectidão e d'um juizo vindouro é obra do Espirito Santo. O poder de ter segura até o fim essa convieção, a luz para ver o rosto de nosso iuimigo, o poder de en- caral-o armado, são dons do mesmo Es- pirito. O homem que procura o arrependimento tem de encarar seu peccado e pelo menos, luctar incessantemente e, se for preciso, morrer no combate, sabendo que este é o unico recurso de salvação para elle on qualquer outro ser feito na similhança de Deus e não do diabo, n'este ou em outro qualquer mundo onde o Senhor é Rei. BISHOP THOMPSON. (Traduzido por L. L. K.).

O LIVRO IMMORTAL.

Disse um certo escriptor: «Os livros como os homens, são mortaes, Demon- strando a verdade d'estas palavras em ge- ral, elle prova tambem que ha um livro que não é mortal. Começa medir as cousas conforme seu valor real, entender a vaidade das cou- sas temporaes, a realidade das cousas eter- nas. Nunca mais le para traz o enigma da vida. Principia ao começo. Resolve viver á nova luz e andar pelo novo co- nhecimento em que crê e assim d'esta maneira arrepende-se. O arrependimento, pois, é o pôr-se as avessas, o transtornar a posição d'um ho- mem para com Deus, o alterar toda a sua opinião de si mesmo, do seu Creador, e do universo, o fazer mudar de vida e de ca- minho.

Accrescentae ao numero d'estes os pu- blicados em Lisboa, Allemanha, França, e outros logares, e o total attinge a mais de 5,000,000 (cinco milhões) de exemplares publicados n'um anno, 1884. Desde aquelle anno a circulação tem se augmentado anno após anno. Não precisa philosopho para dizer que um tal livro tem em si os principios da immortalidade, visto que imprime-se cada anno em nume- ro cujos algarismos são admirabilissimos. Cada paiz tem seus livros nacionaes, isto é, seus livros vivos n'aquelle paiz, mas que não estão bem conhecidos em outras linguagens. Por exemplo, as obras de Shakespeare, o mais afamado entre os poetas inglezes, estão bem conhecidas em outras linguagens. Por exemplo, as obras de Shakespeare, o mais afamado entre os poetas inglezes, estão traduzidas em outras linguas, mas o nume- ro das traducções não excede talvez de uma duzia. Tambem as obras do illustre poeta Camões estão traduzidas. Mas tanto Shakespeare como Camões, fóra de sua propria linguagem, perdem muito de sua inspiração e espirito. Assim, pois, as obras d'estes, tanto como de, outros escriptores nacionaes são livros vivos unicamente em suas respectivas linguagens. A tristeza, pois, não é arrependimento; contrição profunda, e a angustia de co- ração não são o arrependimento. Nem o soffrimento, nem a afflicção physica ainda que impostas pela errada auctoridade eccle- siastica, são o arrependimento. Um homem pode procurar, como Esau, tum logar de arrependimento, solicitado com lagrimas (Hebrens 12:17), e pode como elle deixar de achal-o. Isto é, o arrependimento não é meramente um gráo intensissimo de caral- contrição, Qual é o arrependimento en- tão? E' a renuncia do peccado. 3.º Um homem segue o caminho da rui- na. E' eséravo do peccado que lhe róe o coração como um insecto insidioso. Dorme ou está cego ou surdo em mera escravidão ao mundo, ao demonio, ou a sua propria carne. A um tal homem vem o evangelho. Em primeiro logar mostra a ruina em que o homem está; em seguida, a vereda da sal- vação d'essa ruina. Mostra-lhe quão cegos, estupidos, e vis são a vida e os propositos do homem. Este evangelho lhe manifesta a separação de Deus como a uma e unica maldição penosissima, o peccado como um unico mal contra o qual elle e todos os homens devem pelejar. Diz-lhe cómo pode pelejar com successo agora como pode pelo auxilio promittido, ter esperança da victoria e do triumpho. 4.º E, claramente, não é uma cousa feita uma vez para sempre, e acabada. O ar- rependimento da natureza do homem não é um acto, porém um estado. Continua, como a fé, pela vida. O caminho Chris- tão principia, continua, e finaliza no arre- pendimento. O arrrependimento acompa- nha todo o acto de culto, é uma necessa- ria preparação para cada meio de graça. O moço recruta, entrando no exercito de Jesus Christo, professa o arrependimento ao atravessar o limiar da casa da fé. O mais velho bispo, envelhecido pelo conflicto Christão o professa, as palmas e a co- rõa perante os olhos moribundos. S. A- gostinho, Athanasio e outros homens de- distinctos firme e claro, calmo, severo e esses se reimprimem de auno em anno. e intrepido, como um dos archanjos arma- dos ora como um, penitente todos os cincoenta annos durante os quaes pelejava contra o mundo em nome do Senhor. E todos os grandes e justos, todos os heroes do Christianismo, todos os puros nomes que alumiam a historia da Egreja Santa Ca- tbolica em todas as terras e em todos os seculos todos viviam e morreram peni- tentes. O arrependimento e a fé foram seus companheiros até o fim. 5.º Desde seu encetar até seu triumpho perfeito, o arrependimento vemo Evan- gelho declara como dom de Deus. To- da a illiminação do entendimento que o precede, o convencimento de peccado e de rectidão e d'um juizo vindouro é obra do Espirito Santo. O poder de ter segura até o fim essa convieção, a luz para ver o rosto de nosso iuimigo, o poder de en- caral-o armado, são dons do mesmo Es- pirito. O homem que procura o arrependimento tem de encarar seu peccado e pelo menos, luctar incessantemente e, se for preciso, morrer no combate, sabendo que este é o unico recurso de salvação para elle on qualquer outro ser feito na similhança de Deus e não do diabo, n'este ou em outro qualquer mundo onde o Senhor é Rei. BISHOP THOMPSON. (Traduzido por L. L. K.).


O LIVRO IMMORTAL.

Disse um certo escriptor: «Os livros como os homens, são mortaes, Demon- strando a verdade d'estas palavras em ge- ral, elle prova tambem que ha um livro que não é mortal. Começa medir as cousas conforme seu valor real, entender a vaidade das cou- sas temporaes, a realidade das cousas eter- nas. Nunca mais le para traz o enigma da vida. Principia ao começo. Resolve viver á nova luz e andar pelo novo co- nhecimento em que crê e assim d'esta maneira arrepende-se. O arrependimento, pois, é o pôr-se as avessas, o transtornar a posição d'um ho- mem para com Deus, o alterar toda a sua opinião de si mesmo, do seu Creador, e do universo, o fazer mudar de vida e de ca- minho.

Accrescentae ao numero d'estes os pu- blicados em Lisboa, Allemanha, França, e outros logares, e o total attinge a mais de 5,000,000 (cinco milhões) de exemplares publicados n'um anno, 1884. Desde aquelle anno a circulação tem se augmentado anno após anno. Não precisa Mas que differença se dá com a Biblia! Aqui achamos um livro não somente rivo, mas tambem internacional, porque a Bi- blia está traduzida em 296 linguagens e dialectos. Não ha duvida nenhuma que a Biblia é o livro para todas as nações, Ja temos noticiado a circulação admiravel, e agora vemos que ella não é um livro limitado a uma duzia de linguas, mas lé-se e estuda-se em quasi vinte e cinco duzias! Como é, que ella tem chegado a tal po- pularidade? Sempre pelo favor e auxilio de todos os homens? Respondemos que não. Porque a Biblia teve de luctar contra per- seguições tão violentas que podemos dizer que sómente o poder de Deus a preservou. E ainda mais ella sobreviven «aquelles seculos de trevas em que estava escondida nas bibliothecas bolorentas, durante a igno- rancia e superstição da Edade-Media. Sua circulação enorme deve-se ao facto que a Biblia destina-se não sómente para os sacerdotes e ministros, mas tambem para o povo, Ella trata de assumptos os mais sublimes e conhecidos dos homens, e ao mesmo tempo falla ao coração individual com voz de terno amor. Narra-nos o principio de todas as cousas feitas, e falla tambem com certeza acerca de seu fim. Sobre tudo ella mostra o unico modo, pelo qual o homem pode achar reconcilia- ção e salvação em Deus, por meio da Sal- vador, Jesus Christo, o Filho de Deus, O homem pode oppor-se a Palavra de Deus se elle quizer; tambem elle pode levantar um chapéo de sól contra o sól. Mas nem deixa este de resplandecer, nem a Biblia de ser lida e espalhada. Melhor agora do que nunca antes, re- conhecemos a grande verdade das palavras do A do Apostolo São Pedro, A palavra do Senhor permanece eternamente; e esta pa- lavra é o que vos foi annunciada pelo evangelho. (S. Pedon 1:25.)

John G. Meem.


Pensamentos

O temor do Senhor é o principio da sa- bedoria. O filho prodigo cabin em si, antes de vir a seu рас.

Cada momento é mna parabola da bon- dade de Deus.

Mão é tão importante o não saber quando virá Christo como o estar prompto a re- cebel-o.

Os homens que escarnecem do Christia- nismo não reconhecem quanto devem ao Evangelho por tudo o que tem, e por tu- do o que são.


Precauções

Emquanto atravessais o primeiro capitulo, petindo mais uma vez aquellas palavras acharam o Shintoismo e vosso caracter, jamais léde um máo livro. tão doces que ella, havia muitos annos, Se deparardes com as pegadas o demonio tentára mil vezes gravar no coração e na com elle. Podeis rasgar yosso casaco, que- pulverisados por um temperamento irasci- brar um vaso, e reparal-os depois, porem vel e prompto; porem verso após verso a o lugar do rasgão e da quebra, será sem- acudiam-lhe a memoria e ella repetiu: pre evidente. Esta leitura em uma hora dá ao vosso coração tal prejuizo que o tempo nunca mais reparará inteiramente. * Quasi todos os que perecem, o fazem pensando que estão no caminho da salva- ção.


Fallae com ternura!

(Do inglez.) <<Oh! desmazelada, estupida, imprestavel», disse Joanna Hopkins com voz aspera e cheia de cólera á sua pequena Alice, quan- do esta veiu de cosinha chorando a gritar <<Ai! mama! quebrei um copo grande.>>> «Eu nunca vi uma criança assim, ac- crescentou ella com impaciencia. «Passa já d'aqui para fóral que eu não te veja mais!» «Mas, mama, não foi por querer! eu não pude agarrar o copo em tempo! Estou triste! Queres dar-me um beijo, perdoar me e deixar que eu continue a ajudar-te no arranjo da casa?», pergunton ella suffo- cada em pranto. «Não, eu não quero ter mais paciencia comtigo, descuidosa! Sahe d'aqui e vai brin- car com as tuas bonecas ou com o que quizeres, comtanto que não me aborre- ças.» Assim dirigiu-se tristemente Alice para o jardim como se fosse culpada de crime e horrendo e não de um simples accidente que ninguem podia evitar. Sua mãe porem não imaginou como estava ferindo o cora- ção da filha com uma tristeza que quazi fazia desesperar a pequena. Se aquella senhora tivesse attendido aos rogos da creança ou perisado na impruden- cia que commettera em dar-lhe um copo para lavar, ella teria sido levada a proce- der de differente modo. Porem, Joanna Hopkins não pensava. A religião de que nós peccadores pre- cisamos, deve ser bascada no que Christo tem feito por nós, e no que obra em nós pelo seu Espirito. A maior parte dos er- ros procedem da separação d'estes dois elementos necessarios. * O reino da gloria está egualmente aber- to para todos os verdadeiros discipulos de Christo, ricos ou pobres; porque o que de- terminará nossa condição no mundo vin- douro, não é o estado que occupamos aqui, quer alto ou humilde, mas o uso que fa- zemos d'elle. * Para as crianças a Biblia é leite que lhes apenas precisa ser recebido. E' carne que para homens vigorosos, requerendo a ma- dura reflexão, e mel que deve ser onthe- sourado nas cellas da memoria. E' agua que reflecte o rosto e ao mesmo tempo fornece os meios de purificação; é maná que é mister colher diariamente ao ama- nhecer, emquanto o orvalho ainda pousa sobre elle. Tres são os nomes com que se designa o Salvador O Ungido; Emmanuel, «Deus comnosco; e Jesus, «Que salva, Estes nomes definem as grandes doutrinas do Evangelho. Como Christo Elle faz ex- piação pelo passado, como Emmanuel acom- panha-nos no prosente, e como Jesus nos livra do poder do peccado agora, e da cul- pa d'elle na vida que de vir. As palavras, tudo está cumprido, são boas noticias para o mundo inteiro. N'estas palavras quero confiar; no que foi feito sobre a cruz do Calvario quero por toda a minha esperança. Sim, «tudo está cum- prido, acabada é a obra da minha ex- piação, porque Christo morreu para me livrar e salvar. Aquelle, pois, que espe- ram a sua salvação não somente da morte por um poder extermal, mas de suas boas obras, claramente estão desprezando as palavras d'Elle, «tudo está cumprido.>>> A fé faz o Christão; a vida o patenteia; a tentação o prova, e a morte o premeia,


Fallae com ternura!

Não quebrem do bem o lustre, o esplendor! Fallae oom ternura! da fragil criança O amor com certeza assim ganhareis! O que ensinardes com vóz terna e mansa P'ra sempre em su'alma assim gravareis! Fallae com ternura! aos moços, porque elles Luctas bastantes sempre teem a encontrar! Adoçai-lhes da vida a senda asperosa Tão cheia de anceios, de amargo lidar!


O homem que procura o arrependimento

Levantando-se immediatamente tomou um candieiro e resolveu subir a ver se Alice já dormia. Branda e cautelosamente approximou-se do leito da criança, viva- mente excitada em todos os seus instinctos maternaes e prompta a fazer todo o pos- sivel para evitar qualquer perigo imi- nente. N'esse momento Alice notára a face de sua mãe á branda luz da candeia e algu- ma cousa a preveniu da mudança que se operára, porque levantando-se no leito ex- clamou cheia de confiança «Oh, querida mamă, en sinto ter-te magoado. Beija-me e diz-me que me perdoas, sim?» «Não, minha filha; en é que venho pedir-te per- dão por ter sido tão rude, tão aspera para comtigo. Eu estou triste por ter feito tanto barulho por causa d'aquillo, meu anjo. Se eu soubesse que tu ias sentir tanto eu não teria dito a metade do que eu disse. Dae-me um beijo e Deus te abençõe. Eu estou bem sentida por te fazer chorar tanto.>>> A loura creança abraçou-se ao pescoço de sua mãe e bei- jou-a uma vez e outra e outra com a fa- cesinha banhada em lagrimas de conten- tamento. «Agora queridinha vae dormir e não penses mais n'isto. Eu vou fazer ser mais paciente no futuro e tu não terás tanto desgosto. Vamos pedir a Deus que nos ajude a sermos melhores uma para a outra. Ajoelhando então junto ao leito orou por si e por sua filha como ella nunca tinha feito antes e quando ella pediu es- pecialmente o auxilio de Deus para vencer seu temperamento impetuoso é governar sua lingua, grossas lagrimas de tristeza rebentaram de seus olhos e novas resolu- ções foram am formad formadas, resoluções cujo cum- primento os dias posteriores se encarre- garam de mostrar. Quando seu marido voltou, e depois de terem tomado chá, ella francamente contou- lhe o que tinha acontecido. Elle ouviu-a com alegre attenção e com grande satis facção de sua esposa observou tambem o quanto é conveniente dirigirmo-nos a todos


A escrava Romana

Era Blandina uma escrava romana: per- tencia áquella raça desprezada, para a qual a vida se passava sem amor e muito menos prazer. Que maravilha quando então ella conheceu a historia do amor de Jesus, como Elle enchen seu coração, e inundon-o de gratidão! Que! é possivel que o pro- prio Deus incarnado a amasse? Que Elle se tivesse humilhado para redimir da mor- te uma escrava, e abençoal-a? Incompara- vel graça! Para sen coração o nome de Christo tornava-se preciosissimo; porém sua fidelidade estava para ser fortemente experimentada. N'aquelle tempo rebentou uma fera per- seguição contra os Christãos em Roma. Blandina foi presa; a delicada donzella de dezescis annos foi torturada, açoutada e seu corpo despedaçado com unhas de ferro para fazel-a negar seu Redemptor; mas em vão. Tudo o que poderam conseguir d'ella por meio da tortura foi esta decla- ração, «Sou christa, Sou Christa; pala- vras que pareciam supportal-a maravilho- samente. Quando afinal foi a ser despe- daçada pelas feras, um calmo e doce sor- riso pairou em sua face, e com o nome de Christo em seus labios, a pobre da escrava


O ESTANDARTE CHRISTÃO

ração, «Sou christa, Sou Christa; pala- vras que pareciam supportal-a maravilho- samente. Quando afinal foi a ser despe- daçada pelas feras, um calmo e doce sor- riso pairou em sua face, e com o nome de Christo em seus labios, a pobre da escrava


A Empreza Missionaria M Africa

10 Sociedades americanas, 12 brinicas e 13 continentaes trabalham ago em Africa. Ha cerca de 620 estaçõees 710 missionarios ordenados, 7500 predores africanos; 175,000 commungantes, 350,000 pre- dos baptismos annualmente é cerca de 17,000! As cartas e artigos publicados da- queles 700 missionarios americanos, in- glezes, francezes, allemães, noruegos e suis- sos e os livros que Elles, Shaw, Rowley, Moffatt, Livingstone, Wilson e outros tem produzido, despertaram muito o interesse pela Africa, interesse que foi augmentado pelas explorações e escriptas dos modernos viajantes, Speke, Cameron, Stanley, Bart, e Schweinfurth.


Presidente Cleveland

No dia 4 de Março assumiu pela segunda vez a presidencia dos Estados Unidos, Mr. Grover Cleveland. Em seu discurso inau- gural pronunciou-se o digno presidente pela seguinte forma: <<<Meus compatriotas: Eis-me em obedien- cia ao mandato de meus concidadãos che- gado ao ponto de dedicar-me a servil-os e bem-estar daquelles que me honraram.>>> Profundamente commovido pela expressão de confiança e sympathia pessoal que me chamou a este cargo, estou certo de que tenho procurado arranjar para os pobres africanos, tem sido os bons &ficios dos Christãos. Foi devido ao sen appello ardente que a Sociedade Missionaria da Egreja Anglicana começou seus trabalhos em Uganda. O Dr. Christlieb, distincto professor em Bonn, Allemanha, muito bem diz: Hoje os portuguezes não podem mais sustentar que os Hottentotes são uma raça de macacos, incapazes de receberem o christianismo. Os representantes afri- canos e afro-americanos tomarão parte nas deliberações, que não pódem deixar de ser muito interessantes e instructivas.


O evangelho em Pelotas

N'estas plagas espiritualmente aridas como são quasi todas as d'este mundo, encon- tram-se sempre aqui e acolá, verdejantes oasis, onde se póde, com o auxilio do eter- no Deus, lançar as sementes vivificantes e regeneradoras das doutrinas de Jesus Christo. Deus, em sua infinita bondade, está sem- pre prompto para animar seus fracos pré- gadores, que, com os olhos lacrimosos, vão cobertos por uma chuva de desprezos e escarneos. Aqui, em Pelotas, temos um desses oasis, em que podemos lançar as sementes da Palavra Divina. E' um pequeno numero em relação aos habitantes d'esta cidade. Nossos cultos tem uma frequencia que varia de 60 a 125 pessoas mais ou menos, Houve um dia de culto, na sexta-feira da Paixão, em que a sala e as escadas fica- ram repletas a ponto nto de algumas familisa se retirarem de porta por não poderem penetrar no recinto. O pequeno numero que frequenta nossos cultos nos tem animado bastante, e faz-nos lembrar de Maria, irmã de Martha, que assentada aos pés do Divino Mestre ouvia as exhortações que de seus labios sacro- santos jorravam e iam se diffundir n'aquelle coração; ao passo que a maior parte dos habitantes imitam Martha. Sempre occupados com os labores mundanos, elles esquecem-se da salvação de suas almas, a mais importante e pre- ciosa das cousas do mundo.


Lowell e os scepticos.

James Russell Lowell, ex-ministro ame- ricano em Inglaterra, pouco antes de dei- xar este paiz para voltar aos Estades Uni- dos achou-se presente em uma reunião da- da em Londres em honra do poeta Brown- g. Entre as pessoas presentes algumas pronunciaram discursos em que fizeram muito pismo dizia que podiam deixar os seus paes, amigos e patria para escolher o humero bem sem religião nenhuma. Assim disseram, se bem que conhecessem a offensa que faziam a muitos dos que lá estavam. Mr. Lowell, tendo a coragem de suas convicções, não as deixou sem res- posta e entre outras cousas, disse: «O peor genero de religião é não ter nenhuma; e estes homens que vivem no meio dos de- leites e do luxo, felicitando-se a si mesmos por não terem religião nenhuma podem dar graças por viverem em terras onde o Evan- gelho que elles desprezam tem domado a bestialidade e fereza dos homens que, sem o Christianismo, teriam ha muito de- ram repletas a ponto de algumas familisa se retirarem de porta por não poderem penetrar no recinto. Mr. Lowell, tendo a coragem de suas convicções, não as deixou sem res- posta e entre outras cousas, disse: «O peor genero de religião é não ter nenhuma; e estes homens que vivem no meio dos de- leites e do luxo, felicitando-se a si mesmos por não terem religião nenhuma podem dar graças por viverem em terras onde o Evan- gelho que elles desprezam tem domado a bestialidade e fereza dos homens que, sem o Christianismo, teriam ha muito de- verado seus corpos como fazem os habi- tantes das ilhas South Sea, ou cortado suas cabeças como os monstros da revolu- ção franzeza. Quando a microscopica in- dagação do sceptico, que tem procurado as estrelas e sondado os mares para atacar a existencia de um Creador, volver sua attenção para a sociedade humana e achar onde um homem tarde fará a regeneração de nosso paiz.»


J. W. MORRIS.


Porto Alegre

Alegramos de ouvir que o Rev. Dr. Peter kin, actualmente Bispo da diocese de West Virginia dos Estados Unidos do Norte, tem assumido cargo de nossa missão aqui em Rio Grande do Sul. Com grande sa- tisfação somos infórmados que elle preten- sahir de Nova York no mez de Julho, e portanto deve estar comnosco no mez de Agosto. A sua visita é de alta importancia para nossa pequena egreja, devemos prepa- rar-nos, irmãos. Pedimos as fervorosas preces de todos os irmãos e amigos por um abundante der- ramamento das bençãos de Deus. E' uma opportunidade para a Missão e a obra do Evangelho receber em novo impulso.


São José do Norte.

As conferencias sobre o evangelho n'esta cidade tem to- mado novo impulso. O Rev. Kinsolving de faz visitas regulares ao logar, a sala dos serviços tem sido consideravelmente aug- mentada, e o povo esta manifestando re- novado interesse no Evangelho. O Rev. Kinsolving espera em breve completar os arranjos de uma linda e attractiva sala para os cultos publicos. A Junta Parochial. No dia

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