O Estandarte Christão - 05/1895

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O Estandarte Christão - 05/1895

J. W. MorrisW. C. BrownA. V. Cabral1895

O ESTANDARTE CHRISTÃO

ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

VOL. III. POR ANNO ...3$000

Expediente

Toda a correspondencia deve-se dirigir á caixa do correio n. 5. O'escriptorio da redacção acha-se no edi- ficio da Escola Americana n. 387 Rua Volun- tarios da Patria.

REDACTORES REVDOS J. W. Morris W. C. Brown A. V. Cabral

Toda a correspondencia deve-se dirigir á caixa do correio n. 5. O'escriptorio da redacção acha-se no edi- ficio da Escola Americana n. 387 Rua Volun- tarios da Patria.

REDACTORES REVDOS J. W. Morris W. C. Brown A. V. Cabral

ASSIGNATURA: POR ANNO ...3$000

Expediente

Toda a correspondencia deve-se dirigir á caixa do correio n. 5. O'escriptorio da redacção acha-se no edi- ficio da Escola Americana n. 387 Rua Volun- tarios da Patria.

REDACTORES REVDOS J. W. Morris W. C. Brown A. V. Cabral

PORTO ALEGRE, MAIO DE 1895 Ν. 5.

CARTAS DA ROÇA

V Arvorae o estandarte aos povos Isaias 62:10. PUBLICAÇÃO: UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ

A reacção anti-jesuitica. Rapé para os estudantes de medicina. Quebra da Constituição?

Uma reacção começa a produzir-se no espirito rio-grandense. E essa reacção, violenta, é verdade, póde, no entanto, se for completada por uma orientação pre- cisa e firme, produzir os mais beneficos re- sultados. Não é de hoje que assignalamos os riscos que corre a liberdade de con- sciencia, se o povo se deixar dominar pe- los discipulos de Loyola; mas o povo ti- nha tanta cousa em que cuidar, que a vóz dos humildes prégoeiros de um christianis- mo são, ahi ficou, sem achar um echo nas consciencias adormecidas ou indifferentes dos homens eminentes e illustrados, de nosso paiz. Assim podemos conceber como a onda empolgadora da influencia jesuitica cresceu a olhos vistos, e, agora que a opinião pu- blica desperta, esta sente que os tentacu- los do romanismo são maiores e mais for- tes do que vulgarmente se pensava. A penna de um jornalista corajoso, que pro- fessa outras crenças que não as nossas, iniciou a reacção. Não devemos, nem que- remos ficar indifferentes ao combate, e, chamando-nos ao silencio, deixar que se di- ga que não estamos promptos a levar o contingente de nossas doutrinas ao theatro, da lucta quiça decisiva para para o futuro es- piritual do Rio Grande do Sul. Somos protestantes: isto é, arvoramos o estandarte de uma reivindicação do Chris- tianismo á sua primitiva simplicidade, ho- nestidade e força. A Historia de nosso passado é uma historia de perseguições soffridas por amor da verdade; e, a dura experiencia de quatro seculos de lucta, nos tem ensinado que não ha maior anti- doto, ás absorpções espirituaes do roma- nismo, do que a prégação constante das doutrinas de Christo. A profligação do attentado e do abuso póde produzir, du- rante algum tempo, uma parada, na in- fluencia da corrente jesuitica. Mas tudo isso é temporario. Passado o ruido que essa profligação produziu, a influencia re- começa, porque o jesuita sabe esperar, e seu trabalho é constante, paciente, e pode- roso. Elles sabem que o homem precisa de religião, e ninguem ainda utilisou-se d'este conhecimento, com tanta astucia e mundana sabedoria, como a chamada guarda papal. O que os incommoda seriamente é o progresso do protestantismo, porque este tende a derrocar-lhes a influencia, sem ti- rar aos homens a fé consoladora em Christo Jesus o Salvador dos homens. O que os incommoda é a comparação de seus meticulosos sophismas e arteiras inducções, com as doutrinas simples e sa- lutares do Evangelho. O que lhes faz verdadeiramente sombra, não é um attaque em que elles procuram sempre o papel de martyres, mas é o es- tabelecimento de uma Egreja que, Catho- lica em sua fé, é Protestante contra todos os erros dos homens. Por isso, resumindo nossas considerações, appellamos para um livre exame da ques- tão religiosa. Vae n'isso 0 futuro de um povo que precisa ser crente e livre para escapar aos abysmos da corrupção, da licenciosi- dade e do fanatismo. A Egreja de Roma não quer o livre exame; no entanto seu systhema, de fazer das cousas secundarias dogmas essenciaes, e divergencias do Protestantismo. Vejam-se os factos. Nos paizes protes- tantes as primeiras authoridades scientifi- cas constatam a genuinidade da Biblia, e a religião é professada e posta em practica pela maior parte dos homens em posição, a mór parte das ve-

illustradas; a fé em Deus é muito pouca, a crença na immortalidade da alma é um mytho; o respeito à liberdade de conscien- cia, uma cousa muito duvidosa; e a cor- rupção, a libertinagem e o attentado á vida e á propriedade umas verdades duras de dizer, mas que nem por isso deixam de ser verdades.

Cahiu-me no gotto, como lá dizem, um pedacinho que encontrei no artigo „O Dar- winismo" do Sr. Hermann Gartner no „Boas Novas". Chegára a Londres um grande evangelista convidando os scepticos para uma discussão aberta. Ninguem, po- rem, appareceu! Então achou uma oppor- tunidade para se fazer rodear de alguns estudantes, que the disseram: „Temos estudado o corpo humano e até agora não nos foi possivel encontrar a tal alma humana," „Muito bem!" exclamou o evange- lista os senhores examinaram o corpo, analysando-o em todas as suas partes e nada encontraram; e isso era natural que acontecesse porque cadaveres não possuem alma."

Os circumstantes envergonhados com a licção, de si mesmos escarneceram n'uma gargalhada estrondosa.

Por pilheria se dizia antigamente que a Constituição não tinha subido a Serra de S. Francisco de Paula. Mas o que não é pilheria, segundo ouvi dizer, é que n'uma villa muito proxima a Porto Alegre, se prohibe officialmente a prégação do Evan- gelho isto contra as terminantes disposições de alguns paragraphos do Art. 71 da Con- stituição Politica do Estado do Rio Grande do Sul, que resam assim: § 7. Todos os individuos ou confis- sões religiosas podem exercer livremente o seu culto, associando-se para esse fim e ad- querindo bens, observadas as disposições do direito commum. § 11. Nenhum calto ou egreja go- zará de subvenção official, nem terá rela- ções de dependencia on alliança com o governo do Estado. § 16. Em qualquer assumpto é livre a manifestação do pensamento pela imprensa ou pela tribuna, respondendo cada um pe- los crimes communs que commetter no exer- cicio d'essa liberdade. Etc..." Melhor informado sobre a veracidade do facto, continuarei com as forças que Deus me dér, a examinar o assumpto. Desde pe- jà vos previno porém, que não se trata da nossa heroica Setembrina, onde tenho sido bem tratado por governados hospitaleiros e por governantes conhecedores da Con- stituição Republicana. E ponto por hoje. Viamão, Maio de 95. Americo V. Cabral.

Examinando bem o romance de hoje da moderna escola podemos ver que um grande numero de autores têm ado- ptado um systema que não pode ser appre- ciado. Não vim, do alto d'estas columnas, dis- cutir nem fallar sobre este assumpto que deve merecer especial cuidado por parte dos amantes da sā litteratura. Empregando algum tempo em examinar certos romances, vemos que o fito de al- guns autores é querer chegar á moralidade por meio da immoralidade, E infelizmente os livros que assim são escriptos, são os de maior leitura!!! Livros que envergonham o leitor e des- moralisam o escriptor que perde a sua re- putação entre os moralistas e 'amantes de uma litteratura să e proveitosa, Que va- lor, que beneficio póde haver ou trazer lei- tura d'essa qualidade? Não viria prender-vos a attenção nem pedir o vosso cuidado n'este assumpto, si eu não tivesse a plena certeza da veraci- dade do que deixo dito. Nós todos temos, uma propensão para o mal, e si não o procuramos evitar, cahi- mos no erro. Aquelles entes que não são dotados d'um. espirito christão, arrastados, impellidos por essa propensão ao mal, procuram essas elles um deleite, e oh! tristissima verdade, obras immoraes; sua leitura constitue para o mal aperfeiçoa-se, cresce, e em breve te- mos uma creatura perdida! E' necessario fazer com que cada um seja dotado d'um espirito christão, e assim elle saberá repellir e lançar fóra tudo o que o possa prejudicar. Trabalhemos pois para arrancar do mal tantas almas que podiam ser empregadas em trabalhar em pról do bem e da ver- dade, tratemos de aperfeiçoar e enrique- cer a litteratura christă, onde podemos en- contrar os mais bellos fructos de moral, uma leitura que nos deleita espiritual- mente, uma leitura proveitosa, emfim livros que tragam beneficios ao leitor e que di- gnifiquem o escriptor.

Em vista dos factos que tenho exposto, a fundação de bibliothecas evangelicas, nos pontos de trabalho, é uma necessidade que se vai tornando imprescindivel. Isto é uma cousa se- Dirão muitos: cundaria e que vai accarretar grandes des- Secundaria não é. E' este um as- sumpto importantissimo e para chegarmos ao nosso desideratum, devemos empregar todos os nossos esforços, Quanto ao ser dispendioso, creio que não o será muito. Um appello aos nossos irmãos e amigos não deixaria de ser correspondido. A nossa boa vontade havia de dar bons fructos. E que mais queremos sinão o auxilio de Deus? A idéa é nobre, os fins são bel- los, porque não contaremos com o auxilio do Omnipotente? Os irmãos e amigos por seu torno, não haviam de fazer ouvidos uvidos de mercador á um appello dirigido para a consecução de nobres fins. Pensemos n'este magno assumpto e dis- ponhamo-nos a empregar todas as nossas forças para que a ideia seja um facto.

Agora um brado em favor da infancia Precisamos lançar a semente do Evan- gelho n'esses corações ainda novos, O tempo corre. Hoje são crianças ainda, amanhã serão homens. A evangelisação da infancia é tambem um assumpto que deve merecer muitissima attenção. Trabalhemos em nossas escolas, funde- mos mais estabelecimentos de instrucção, onde a par de ensino geral, sejam as or- ganças instruidasno Evangelho, preparemlo- as e guiemol-as pelo caminho do bem e sem proveito.

Notas e reflexões

Summario: Litteratura christä; sua con- dição; livros de leitura prejudicial: a fundação de bibliothecas torna-se uma ne- cessidade imprescindivel; pela infancia; o progresso do Evangelho no Brazil; esperança de um bello futuro.

Venho hoje pedir a attenção de todos os leitores para os varios pontos de que de- sejo tratar. Em primeiro lugar quero fazer algumas reflexões sobre a litteratura christä. E' forçoso confessar que a litteratura christa é mui pobre. Percorrendo nossas bibliothecas publi- cas podemos ter um attestado do que acabo de dizer. As estantes acham-se cheias, porém os romances constituem a maioria, e são o de- leite da mocidade que parece querer devo- rar aquella leitura, a mór parte das ve-


A Capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria N. 386 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. James W. Morris. Junta Parochial: Raymundo José Pereira, 1.º Guardião; João Leirias, 2.º Guardião; Gervasio M. de Moraes Sarmento, Thesoureiro; Major José Lopes de Oliveira, Secretario; Carlos Emil Hardegger; Gabriel dos Santos.

A Capella do Bom Pastor Rua Riachuelo Nr. 126 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. W. C. Brown. Diacono: Rev. V. Brande. Junta Parochial: Antonio P. da Silva, Thesoureiro; Pinto de Leão, 1º Guardião; José P. S. Norte 2º Guardião.

A Capella do Calvario RIO DOS SINOS Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga. Junta Parochial: André Machado Fraga, 1.º Guardião; Maurilio M. de M. Sarmento, 2.º Guardião; Ernesto Gomes de P. Bastos, Thesoureiro; Affonso Antonio da Cunha, Secretario; Odorico F. de Souza; Lucas M. de M. Sarmento.

A Capella do Redemptor Rua Felix da Cunha Nr. 61 PELOTAS Pastor: Rev. J. G. Meem. Junta Parochial: Belmiro F. da Silva, 1.º Guardião; RaphaelA. dos Santos, 2.º Guardião; Amaro Pinto de Oliveira, Thesoureiro; Joaquim A. Froes, Registrador; Manoel G. de Cas- tro; Alypio J. dos Santos.

A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villete RIO GRANDE Pastor: Rev. L. L. Kinsolving. Junta Parochial: Rev. V. Brande, Thesoureiro; Thomaz d'Oliveira, 1.º Guardião; Antonio Gazzineo, 2.º Guardião; Rodrigo Lobo, Registrador; Angelo Catalan, Victor Pingret, Jacyntho Santa Anna.

Viamão (Congregação ainda não formada) Rev.: Americo V. Cabral.


O ESTANDARTE CHRISTÃO

PORTO ALEGRE, MAIO DE 1895 Ν. 5.

CARTAS DA ROÇA

V Arvorae o estandarte aos povos Isaias 62:10. PUBLICAÇÃO: UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ

A reacção anti-jesuitica. Rapé para os estudantes de medicina. Quebra da Constituição?

Uma reacção começa a produzir-se no espirito rio-grandense. E essa reacção, violenta, é verdade, póde, no entanto, se for completada por uma orientação pre- cisa e firme, produzir os mais beneficos re- sultados. Não é de hoje que assignalamos os riscos que corre a liberdade de con- sciencia, se o povo se deixar dominar pe- los discipulos de Loyola; mas o povo ti- nha tanta cousa em que cuidar, que a vóz dos humildes prégoeiros de um christianis- mo são, ahi ficou, sem achar um echo nas consciencias adormecidas ou indifferentes dos homens eminentes e illustrados, de nosso paiz. Assim podemos conceber como a onda empolgadora da influencia jesuitica cresceu a olhos vistos, e, agora que a opinião pu- blica desperta, esta sente que os tentacu- los do romanismo são maiores e mais for- tes do que vulgarmente se pensava. A penna de um jornalista corajoso, que pro- fessa outras crenças que não as nossas, iniciou a reacção. Não devemos, nem que- remos ficar indifferentes ao combate, e, chamando-nos ao silencio, deixar que se di- ga que não estamos promptos a levar o contingente de nossas doutrinas ao theatro, da lucta quiça decisiva para para o futuro es- piritual do Rio Grande do Sul. Somos protestantes: isto é, arvoramos o estandarte de uma reivindicação do Chris- tianismo á sua primitiva simplicidade, ho- nestidade e força. A Historia de nosso passado é uma historia de perseguições soffridas por amor da verdade; e, a dura experiencia de quatro seculos de lucta, nos tem ensinado que não ha maior anti- doto, ás absorpções espirituaes do roma- nismo, do que a prégação constante das doutrinas de Christo. A profligação do attentado e do abuso póde produzir, du- rante algum tempo, uma parada, na in- fluencia da corrente jesuitica. Mas tudo isso é temporario. Passado o ruido que essa profligação produziu, a influencia re- começa, porque o jesuita sabe esperar, e seu trabalho é constante, paciente, e pode- roso. Elles sabem que o homem precisa de religião, e ninguem ainda utilisou-se d'este conhecimento, com tanta astucia e mundana sabedoria, como a chamada guarda papal. O que os incommoda seriamente é o progresso do protestantismo, porque este tende a derrocar-lhes a influencia, sem ti- rar aos homens a fé consoladora em Christo Jesus o Salvador dos homens. O que os incommoda é a comparação de seus meticulosos sophismas e arteiras inducções, com as doutrinas simples e sa- lutares do Evangelho. O que lhes faz verdadeiramente sombra, não é um attaque em que elles procuram sempre o papel de martyres, mas é o es- tabelecimento de uma Egreja que, Catho- lica em sua fé, é Protestante contra todos os erros dos homens. Por isso, resumindo nossas considerações, appellamos para um livre exame da ques- tão religiosa. Vae n'isso 0 futuro de um povo que precisa ser crente e livre para escapar aos abysmos da corrupção, da licenciosi- dade e do fanatismo. A Egreja de Roma não quer o livre exame; no entanto seu systhema, de fazer das cousas secundarias dogmas essenciaes, e divergencias do Protestantismo. Vejam-se os factos. Nos paizes protes- tantes as primeiras authoridades scientifi- cas constatam a genuinidade da Biblia, e a religião é professada e posta em practica pela maior parte dos homens em posição, a mór parte das ve-

illustradas; a fé em Deus é muito pouca, a crença na immortalidade da alma é um mytho; o respeito à liberdade de conscien- cia, uma cousa muito duvidosa; e a cor- rupção, a libertinagem e o attentado á vida e á propriedade umas verdades duras de dizer, mas que nem por isso deixam de ser verdades.

Cahiu-me no gotto, como lá dizem, um pedacinho que encontrei no artigo „O Dar- winismo" do Sr. Hermann Gartner no „Boas Novas". Chegára a Londres um grande evangelista convidando os scepticos para uma discussão aberta. Ninguem, po- rem, appareceu! Então achou uma oppor- tunidade para se fazer rodear de alguns estudantes, que the disseram: „Temos estudado o corpo humano e até agora não nos foi possivel encontrar a tal alma humana," „Muito bem!" exclamou o evange- lista os senhores examinaram o corpo, analysando-o em todas as suas partes e nada encontraram; e isso era natural que acontecesse porque cadaveres não possuem alma."

Os circumstantes envergonhados com a licção, de si mesmos escarneceram n'uma gargalhada estrondosa.

Por pilheria se dizia antigamente que a Constituição não tinha subido a Serra de S. Francisco de Paula. Mas o que não é pilheria, segundo ouvi dizer, é que n'uma villa muito proxima a Porto Alegre, se prohibe officialmente a prégação do Evan- gelho isto contra as terminantes disposições de alguns paragraphos do Art. 71 da Con- stituição Politica do Estado do Rio Grande do Sul, que resam assim: § 7. Todos os individuos ou confis- sões religiosas podem exercer livremente o seu culto, associando-se para esse fim e ad- querindo bens, observadas as disposições do direito commum. § 11. Nenhum calto ou egreja go- zará de subvenção official, nem terá rela- ções de dependencia on alliança com o governo do Estado. § 16. Em qualquer assumpto é livre a manifestação do pensamento pela imprensa ou pela tribuna, respondendo cada um pe- los crimes communs que commetter no exer- cicio d'essa liberdade. Etc..." Melhor informado sobre a veracidade do facto, continuarei com as forças que Deus me dér, a examinar o assumpto. Desde pe- jà vos previno porém, que não se trata da nossa heroica Setembrina, onde tenho sido bem tratado por governados hospitaleiros e por governantes conhecedores da Con- stituição Republicana. E ponto por hoje. Viamão, Maio de 95. Americo V. Cabral.

Examinando bem o romance de hoje da moderna escola podemos ver que um grande numero de autores têm ado- ptado um systema que não pode ser appre- ciado. Não vim, do alto d'estas columnas, dis- cutir nem fallar sobre este assumpto que deve merecer especial cuidado por parte dos amantes da sā litteratura. Empregando algum tempo em examinar certos romances, vemos que o fito de al- guns autores é querer chegar á moralidade por meio da immoralidade, E infelizmente os livros que assim são escriptos, são os de maior leitura!!! Livros que envergonham o leitor e des- moralisam o escriptor que perde a sua re- putação entre os moralistas e 'amantes de uma litteratura să e proveitosa, Que va- lor, que beneficio póde haver ou trazer lei- tura d'essa qualidade? Não viria prender-vos a attenção nem pedir o vosso cuidado n'este assumpto, si eu não tivesse a plena certeza da veraci- dade do que deixo dito. Nós todos temos, uma propensão para o mal, e si não o procuramos evitar, cahi- mos no erro. Aquelles entes que não são dotados d'um. espirito christão, arrastados, impellidos por essa propensão ao mal, procuram essas elles um deleite, e oh! tristissima verdade, obras immoraes; sua leitura constitue para o mal aperfeiçoa-se, cresce, e em breve te- mos uma creatura perdida! E' necessario fazer com que cada um seja dotado d'um espirito christão, e assim elle saberá repellir e lançar fóra tudo o que o possa prejudicar. Trabalhemos pois para arrancar do mal tantas almas que podiam ser empregadas em trabalhar em pról do bem e da ver- dade, tratemos de aperfeiçoar e enrique- cer a litteratura christă, onde podemos en- contrar os mais bellos fructos de moral, uma leitura que nos deleita espiritual- mente, uma leitura proveitosa, emfim livros que tragam beneficios ao leitor e que di- gnifiquem o escriptor.

Em vista dos factos que tenho exposto, a fundação de bibliothecas evangelicas, nos pontos de trabalho, é uma necessidade que se vai tornando imprescindivel. Isto é uma cousa se- Dirão muitos: cundaria e que vai accarretar grandes des- Secundaria não é. E' este um as- sumpto importantissimo e para chegarmos ao nosso desideratum, devemos empregar todos os nossos esforços, Quanto ao ser dispendioso, creio que não o será muito. Um appello aos nossos irmãos e amigos não deixaria de ser correspondido. A nossa boa vontade havia de dar bons fructos. E que mais queremos sinão o auxilio de Deus? A idéa é nobre, os fins são bel- los, porque não contaremos com o auxilio do Omnipotente? Os irmãos e amigos por seu torno, não haviam de fazer ouvidos uvidos de mercador á um appello dirigido para a consecução de nobres fins. Pensemos n'este magno assumpto e dis- ponhamo-nos a empregar todas as nossas forças para que a ideia seja um facto.

Agora um brado em favor da infancia Precisamos lançar a semente do Evan- gelho n'esses corações ainda novos, O tempo corre. Hoje são crianças ainda, amanhã serão homens. A evangelisação da infancia é tambem um assumpto que deve merecer muitissima attenção. Trabalhemos em nossas escolas, funde- mos mais estabelecimentos de instrucção, onde a par de ensino geral, sejam as or- ganças instruidasno Evangelho, preparemlo- as e guiemol-as pelo caminho do bem e sem proveito.

Notas e reflexões

Summario: Litteratura christä; sua con- dição; livros de leitura prejudicial: a fundação de bibliothecas torna-se uma ne- cessidade imprescindivel; pela infancia; o progresso do Evangelho no Brazil; esperança de um bello futuro.

Venho hoje pedir a attenção de todos os leitores para os varios pontos de que de- sejo tratar. Em primeiro lugar quero fazer algumas reflexões sobre a litteratura christä. E' forçoso confessar que a litteratura christa é mui pobre. Percorrendo nossas bibliothecas publi- cas podemos ter um attestado do que acabo de dizer. As estantes acham-se cheias, porém os romances constituem a maioria, e são o de- leite da mocidade que parece querer devo- rar aquella leitura, a mór parte das ve-


A Capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria N. 386 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. James W. Morris. Junta Parochial: Raymundo José Pereira, 1.º Guardião; João Leirias, 2.º Guardião; Gervasio M. de Moraes Sarmento, Thesoureiro; Major José Lopes de Oliveira, Secretario; Carlos Emil Hardegger; Gabriel dos Santos.

A Capella do Bom Pastor Rua Riachuelo Nr. 126 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. W. C. Brown. Diacono: Rev. V. Brande. Junta Parochial: Antonio P. da Silva, Thesoureiro; Pinto de Leão, 1º Guardião; José P. S. Norte 2º Guardião.

A Capella do Calvario RIO DOS SINOS Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga. Junta Parochial: André Machado Fraga, 1.º Guardião; Maurilio M. de M. Sarmento, 2.º Guardião; Ernesto Gomes de P. Bastos, Thesoureiro; Affonso Antonio da Cunha, Secretario; Odorico F. de Souza; Lucas M. de M. Sarmento.

A Capella do Redemptor Rua Felix da Cunha Nr. 61 PELOTAS Pastor: Rev. J. G. Meem. Junta Parochial: Belmiro F. da Silva, 1.º Guardião; RaphaelA. dos Santos, 2.º Guardião; Amaro Pinto de Oliveira, Thesoureiro; Joaquim A. Froes, Registrador; Manoel G. de Cas- tro; Alypio J. dos Santos.

A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villete RIO GRANDE Pastor: Rev. L. L. Kinsolving. Junta Parochial: Rev. V. Brande, Thesoureiro; Thomaz d'Oliveira, 1.º Guardião; Antonio Gazzineo, 2.º Guardião; Rodrigo Lobo, Registrador; Angelo Catalan, Victor Pingret, Jacyntho Santa Anna.

Viamão (Congregação ainda não formada) Rev.: Americo V. Cabral.


O ESTANDARTE CHRISTÃO

PORTO ALEGRE, MAIO DE 1895 Ν. 5.

CARTAS DA ROÇA

V Arvorae o estandarte aos povos Isaias 62:10. PUBLICAÇÃO: UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ

A reacção anti-jesuitica. Rapé para os estudantes de medicina. Quebra da Constituição?

Uma reacção começa a produzir-se no espirito rio-grandense. E essa reacção, violenta, é verdade, póde, no entanto, se for completada por uma orientação pre- cisa e firme, produzir os mais beneficos re- sultados. Não é de hoje que assignalamos os riscos que corre a liberdade de con- sciencia, se o povo se deixar dominar pe- los discipulos de Loyola; mas o povo ti- nha tanta cousa em que cuidar, que a vóz dos humildes prégoeiros de um christianis- mo são, ahi ficou, sem achar um echo nas consciencias adormecidas ou indifferentes dos homens eminentes e illustrados, de nosso paiz. Assim podemos conceber como a onda empolgadora da influencia jesuitica cresceu a olhos vistos, e, agora que a opinião pu- blica desperta, esta sente que os tentacu- los do romanismo são maiores e mais for- tes do que vulgarmente se pensava. A penna de um jornalista corajoso, que pro- fessa outras crenças que não as nossas, iniciou a reacção. Não devemos, nem que- remos ficar indifferentes ao combate, e, chamando-nos ao silencio, deixar que se di- ga que não estamos promptos a levar o contingente de nossas doutrinas ao theatro, da lucta quiça decisiva para para o futuro es- piritual do Rio Grande do Sul. Somos protestantes: isto é, arvoramos o estandarte de uma reivindicação do Chris- tianismo á sua primitiva simplicidade, ho- nestidade e força. A Historia de nosso passado é uma historia de perseguições soffridas por amor da verdade; e, a dura experiencia de quatro seculos de lucta, nos tem ensinado que não ha maior anti- doto, ás absorpções espirituaes do roma- nismo, do que a prégação constante das doutrinas de Christo. A profligação do attentado e do abuso póde produzir, du- rante algum tempo, uma parada, na in- fluencia da corrente jesuitica. Mas tudo isso é temporario. Passado o ruido que essa profligação produziu, a influencia re- começa, porque o jesuita sabe esperar, e seu trabalho é constante, paciente, e pode- roso. Elles sabem que o homem precisa de religião, e ninguem ainda utilisou-se d'este conhecimento, com tanta astucia e mundana sabedoria, como a chamada guarda papal. O que os incommoda seriamente é o progresso do protestantismo, porque este tende a derrocar-lhes a influencia, sem ti- rar aos homens a fé consoladora em Christo Jesus o Salvador dos homens. O que os incommoda é a comparação de seus meticulosos sophismas e arteiras inducções, com as doutrinas simples e sa- lutares do Evangelho. O que lhes faz verdadeiramente sombra, não é um attaque em que elles procuram sempre o papel de martyres, mas é o es- tabelecimento de uma Egreja que, Catho- lica em sua fé, é Protestante contra todos os erros dos homens. Por isso, resumindo nossas considerações, appellamos para um livre exame da ques- tão religiosa. Vae n'isso 0 futuro de um povo que precisa ser crente e livre para escapar aos abysmos da corrupção, da licenciosi- dade e do fanatismo. A Egreja de Roma não quer o livre exame; no

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