Manual do Acólito

Versão Integral em Texto

Manual do Acólito

Rev. Prof. Jubal Pereira Neves1983

MANUAL DO ACÓLITO

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil


ÍNDICE

Seção Página
Introdução 3
(1) Acólitos: síntese histórica 4
(2) Origem da palavra acólito 5
(3) Uma advertência geral 6
(4) Orientações gerais 6
Gráfico: acender / apagar velas 9
Gráfico: Alcançar no ofertório... 10
Gráfico: “montagem” do cálice para a Santa Comunhão 11
Gráfico: esquema de uma igreja 12
(5) Na Santa Comunhão 13
(6) Na oração matutina, vespertina, outros ofícios 16
(7) Em batizados, casamentos 16
(8) Preparo para a Santa Comunhão 16
(9) Orações 18
(10) Cruciferário (o que leva a cruz) 19
(11) Um leitor 20
(12) Grupo de acólitos: propósito, deveres... 20
(13) Uma "regra de vida" 22
(14) Minidicionário 23
(15) Ofício de iniciação 26
(16) Bibliografia 28

INTRODUÇÃO

Não há pretensão alguma com este trabalho, agora em sua ter- ceira edição. Antes, há o desejo de auxiliar e incentivar a criação de GRUPOS DE ACÓLITOS em todas as paróquias de nossa Diocese. E fi- camos agora mais contentes, porque este pequeno trabalho está sendo útil para outras Dioceses.

Por experiência própria, como acólito e diretor de Grupos de Acólitos, esta é uma atividade que ajuda bastante as pessoas envolvi- das. Inclusive as famílias dos Acólitos recebem salutar influência. E há um embelezamento do Culto, um enriquecimento de nossa liturgia.

Este Manual continua sendo provisório, pronto a ser revisado e atualizado para melhor servir. Agradecemos ao acólito José Newton Ca- nabarro pela capa e desenhos, utilizando-se dos modelos da primeira edição feitos pelo Rev. Orlando Santos de Oliveira.

Este trabalho, como os anteriores, é dedicado ao nosso primeiro pároco, Ven. Dr. Virgínio P. Neves, com quem fomos iniciados no acolita- to. Ao Rev. Marçal Lopes de Oliveira que incentivou a criação do Grupo de Acólitos da Catedral do Mediador (Santa Maria, RS) em 1959. Ao Deão Clóvis Erli Rodrigues que quando ainda Seminarista dirigiu e ori- entou o primeiro Festival de Acólitos de que participamos, em 1960. Aos acólitos que este Manual ajudar a preparar e despertar para este sagra- do serviço na igreja.

Sant'Ana do Livramento (RS), 21 de setembro de 1983, dia de São Mateus Apóstolo e Evangelista.

Rev. Prof. Jubal Pereira Neves Secretário Diocesano de Promoções

Publicado com autorização de D. Olavo Ventura Luiz, Bispo, da Diocese Sul-Ocidental da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil.


(1) ACÓLITOS: SÍNTESE HISTÓRICA

Quantas pessoas, de ambos os sexos, são hoje acólitos em nos- sas paróquias? Certamente que a maioria nem imagina que é parte de uma tradição muito antiga na Igreja Cristã. Cornélio, Bispo de Roma, menciona os “acólitos” numa carta escrita a Fábio da Antioquia (da Síria), no ano de 251 AD.

Todos aprendemos que há na Igreja três Ordens de Ministros: Bispos, Presbíteros e Diáconos (Livro de Oração Comum, 2º Ofício de Instrução). Este tríplice ministério existe desde os tempos apostólicos. Mas no fim do século II ou início do século III, apareceram as "Ordens Menores" que eram quatro: porteiros, leitores, exorcistas e acólitos. Como uma "ordem menor”, os acólitos tinham a função de auxiliar os Di- áconos em seu trabalho (ver LOC, pág. 533).

Na carta do Bispo Cornélio é mencionada a existência de 42 acólitos no Clero da cidade de Roma. São Cipriano, Bispo de Cartago (norte da África), também cita os “acólitos” em suas cartas (de 200 a 258 AD). Ο 4° Concílio de Cartago (398 AD) aprovou instruções específi- cas com respeito à ordenação de acólitos. Os símbolos de seu ofício eram "uma vela apagada" e "uma galheta vazia".

Há um documento conhecido como “Estatutos Antigos da Igreja" datado de mais ou menos 450 AD, de Arles (sul da França), que alguns estudiosos acham sejam decretos do 4º Concílio de Cartago. Este docu- mento menciona os deveres do acólito: ✓ transportar os candelabros (servir de Tocheiros); ✓ acender as luzes da igreja (velas); e ✓ alcançar o vinho e a água para a Eucaristia.

Na Igreja Anglicana, na Inglaterra, desde mais ou menos 767 AD até o século XVI, os acólitos foram mencionados e reconhecidos como pertencentes a uma “ordem menor”. Houve então um período de tempo em que eles não foram mais mencionados. No século XIX aconteceu o "Movimento de Oxford” (1833-1845), muito importante na história da vida da Igreja Anglicana: foi responsável pela defesa da Igreja Anglicana como instituição divina, da doutrina da Sucessão Apostólica, do Livro de Oração Comum como regra de fé e pela volta das comunidades religio- sas. Aconteceu então a restauração e redescoberta do exercício da fun-


dação do acólito na tradição anglicana. Entretanto, esta função passou a ser exercida por leigos, não se constituindo uma “ordem menor”.

(Para maior esclarecimento faz-se necessário um parêntesis: an- tigamente os acólitos, embora “ordenados”, não recebiam a "Sagrada Ordem" que se destinava somente aos Bispos, Presbíteros e Diáconos).

Nossa Igreja possui também “leitores leigos” (ver Cânone Geral número 26). E podemos afirmar que nossos acólitos e leitores leigos são remanescentes de uma “ordem menor”, constituindo hoje, ao invés de uma "ordem”, um ofício, um trabalho, uma função, um serviço.

Na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (no Brasil desde 1890) os leigos sempre exerceram funções que hoje os acólitos e leitores leigos estão exercendo. E, certamente, muito mais. Basta conhecermos esta história e verificaremos a existência dos “Catequistas”, leigos que aten- diam missões e capelas da Igreja — e ainda hoje os temos, embora em número muito menor e com funções bem menos abrangentes. Mas dei- xamos claro que “acólito” não é sinônimo de “leitor leigo” ainda que, na falta de leitores leigos, um acólito venha a desempenhar alguma de suas funções (especificadas pelo Cânone Geral número 26).

Os "Acólitos”, como os conhecemos agora, surgiram em nossa Igreja aproximadamente em 1950, em Porto Alegre (RS). E na década 1950-1960 existiram fortes “Grupos de Acólitos" em Porto Alegre (Cate- dral da Santíssima Trindade, Paróquia da Ascensão – Colégio Cruzeiro do Sul) e em Santa Maria (Catedral do Mediador), às vezes com o nome de "Ordem de Santo Estevão".


(2) ORIGEM DA PALAVRA ACÓLITO

ACÓLITO tem sua raiz na palavra grega “akolouthos” que signifi- ca "discípulo”, “aluno”, “acompanhante”.

ACÓLITO é aquele que serve junto ao Altar, representando a congregação, mas, quanto à origem da palavra, é “Aquele que acom- panha, assiste e ajuda".

Em síntese: acólito é aquele que ajuda um clérigo nos Ofícios da Igreja.


(3) UMA ADVERTÊNCIA GERAL

Há costumes que variam de paróquia para paróquia. São os cha- mados "costumes locais” ou “usos paroquiais”, e por isso queremos di- zer, inclusive, a maneira de se conduzir nos Ofícios, o que fazer, postu- ra, cerimônias, etc. O Pároco é a autoridade local final na direção dos Ofícios. O acólito deve consultá-lo sempre que tiver dúvidas.

Por exemplo, se aprendeu a acolitar em outra paróquia, não es- quecer que há usos e cerimônias que diferem. (Não confundir o rito parte escrita com a cerimônia ou cerimonial – o “como” você faz).

Entretanto, certos costumes como o "sinal da cruz”, a “reverên- cia” ou “vênia” ante a cruz, etc., tornam-se tão pessoais, ajudam tanto nossa devoção, que dentro da “maneira de ser anglicana" podemos fa- zer onde quer que estejamos. E dentro desta afirmação devemos lem- brar sempre São Paulo: evitar fazer aquilo que não edifica, antes preju- dica nossos irmãos ao nosso lado, e não é essencial. O acólito não deve pensar que o mínimo detalhe é necessário, imprescindível e essencial. As rubricas dos rituais são importantes e necessárias para que o Ofício seja feito corretamente conforme a aprovação e uso da Igreja toda, mas os demais refere-se ao buscar fazer tudo com “decência e ordem” (1 Coríntios 14.40), o que pode variar de uma paróquia para outra, de um pároco para outro.

Em resumo, o acólito deverá obedecer ao pároco quanto ao que, quando e onde fazer. Presume-se que o pároco tenha tido uma boa pre- paração teológica e litúrgica.

O "servir junto ao altar de Deus” é um privilégio e uma responsa- bilidade. O acólito deve orar para que possa ser cada vez mais digno deste santo serviço.


(4) ORIENTAÇÕES GERAIS

4.1 Roupa: ao acolitar, vá à igreja com sapatos pretos ou o mais es- curos possíveis, bem limpos. O colarinho da camisa deverá estar abotoado. Cuidar para estar bem penteado, com mãos e unhas limpas.

4.2 Antes do Culto: Chegar no mínimo com 15 minutos de antece- dência. Colocar imediatamente as vestes (batina), verificando se tudo está em ordem para o trabalho (examinar velas, credência,


livros, acendedor, mostrador dos hinos, etc.). Aguardar instruções do pároco. Acender as velas 5 minutos antes da hora do Ofício (mais adiante será explicada a maneira correta).

4.3 No Culto: Comportar-se com reverência e dignidade. Evitar apa- rentar pressa. Caminhar devagar. Não sentar-se desajeitadamen- te, e da mesma forma quando ajoelhar-se ou estiver em pé. O acólito não deve cochichar ou bisbilhotar. Acompanhar todas os Ofícios em livros próprios, fazendo os responsos em voz audível e clara. Os livros devem ser levados sempre marcados. Ao sen- tar-se não cruzar as pernas, ficar sempre atento. Se tiver que le- var algum pedido ou recado de última hora da congregação ao pároco, fale discretamente junto ao ouvido dele, mas não durante uma oração.

4.4 Após o Culto: Apagar as velas de modo que este ato coincida mais ou menos com o "amém" do hino final. Guardar zelosamen- te as vestes no armário apropriado, bem como as do pároco se ele o solicitar.

4.5 Em qualquer momento: Estar sempre pronto a eventualmente auxiliar o pároco em algum imprevisto, consumir alguma Hóstia que tenha caído da Pátena, levar ou receber mensagens, ajudar a colocar uma veste (a Casula, por exemplo), acompanhar o Mi- nistro se necessário for.

4.6 Escala: O Pároco ou o Diretor do Grupo de Acólitos poderá fazer uma "escala” designando antecipadamente os acólitos para os ofícios previstos no mês, trimestre ou semestre. A função de acólito deve ser incentivada na Paróquia de modo que diversas pessoas possam optar e serem treinadas. Assim, aconselhamos que a escala nunca ultrapasse três meses. Na escala deverá constar a data do mês, dia da semana, data litúrgica, horário e o nome do designado para tarefas como: cruciferário, tocheiros, acólito da Santa Comunhão (alcançar os elementos ao Celebran- te), coleta (receber os “pratos” da coleta na “salva”, entregando-a ao Celebrante), leitor do Salmo ou Intercessão, leitor das Lições Bíblicas ou Leitura do Antigo Testamento e Epístola, velas (acen- der/apagar), sino (início e término do Ofício), ou outras. Quere- mos deixar claro quanto à função do “leitor” que é privilégio pri-


meiro dos Leitores leigos, pelo que o Acólito poderá ser leitor de lições bíblicas, epístolas, intercessões.

4.7 Como acender as velas: observe atentamente o desenho da pág. 9. Se houver o “círio pascal”, usado desde a Páscoa até a Ascensão (aceso na Vigília Pascal ou Domingo de Páscoa pela primeira vez e apagado pela última vez na leitura do Evangelho da festa da Ascensão), será a primeira vela a ser acesa e a últi- ma a ser apagada.

4.8 Alcançar os elementos da Santa Comunhão: Observar o dese- nho da pág. 10 Lembrar que as galhetas são entregues sempre com a mão direita e recebidas de volta com a mão esquerda. En- quanto estiver esperando, a mão esquerda fica sobre o peito. Após entregar o pão, as galhetas e o lavabo, responder ao agra- decimento do Ministro curvando levemente a cabeça.

4.9 Lados da Epístola e do Evangelho na igreja: Observar o dese- nho da pág. 12. Ali poderá o acólito ainda verificar o nome de cer- tas partes e móveis da igreja.

4.10 Preparação do Cálice, Pátena, etc.: Verificar atentamente o de- senho da pág. 11, embora seja esse um trabalho do “Sodalício do Altar". No "Manual do Sodalício do Altar" está claramente coloca- da a finalidade do grupo: preparar o santuário para os Ofícios da Igreja, prover, ornamentar e cuidar do altar, suprir os paramentos, zelar pela Pia Batismal, superintender a limpeza geral da Igreja, etc.

4.11 Uma observação sobre o desenho da pág. 12: Nos séculos Il e III, os cristãos costumavam voltar-se para o leste (oriente) para orar. Este símbolo referia-se a Cristo como o sol que surge para iluminar o mundo. No século IV as igrejas começaram a ser cons- truídas com o altar ao leste. Esta prática foi também seguida na Inglaterra. Depois, mesmo sem estar no leste geográfico, consi- derava-se o lado do altar como lado leste. A leitura do evangelho desde tempos antigos foi feita à Direita do altar, pelo que este lado norte é chamado “lado do Evangelho”. O “lado da Epístola” é o sul, pela mesma razão. A Pia Batismal está no oeste, próximo à entrada do Templo, simbolizando a maneira pela qual entramos na Igreja. "Nave” simboliza "Igreja” (nave ou navio entre as ondas


Diagrama de acender e apagar velas

Diagrama de ofertório e lavabo


Diagrama de preparação do cálice

Esquema de uma igreja


turbulentas do mundo) que navega rumo às “margens” ou “prai- as" da eternidade. Desde o Batismo passamos em peregrinação pelo mundo tendo como busca e objetivo final um caminhar em direção a Deus (Altar e Cruz simbolizando a presença de Deus).

Nos móveis de sua igreja certamente existem alguns símbolos, assim como nos antipêndios bordados: diversos modelos de cruz, o Alfa e Ômega, um peixe, um “XP”, um triângulo, um “IHS”, etc. Pergunte ao pároco o seu significado.


(5) NA SANTA COMUNHÃO

5.1 Velas: Acenda-as 5 minutos antes da hora do Ofício. Primeiro acenda as duas velas da Santa Comunhão (sobre a Santa Mesa), etc. A numeração colocada no desenho da pág. 9 é bas- tante clara ao indicar a ordem. Aliás, sugerimos colocar uma có- pia dos desenhos das págs. 9 e 10 atrás da porta que dá acesso da vestiaria ao santuário ou presbitério. Mas aqui queremos es- clarecer que o acender primeiro a vela da direita (lado da epísto- la) - que será a última a ser apagada – é simbolismo e não ape- nas costume: esse é o lado dos “gentios” (não cristãos a serem convertidos, mundo não cristão) e é aí que a luz de Cristo deve brilhar antes e depois do Culto. Da mesma forma, quando exis- tem três velas de cada lado da cruz, há o simbolismo da luz e presença de Cristo que se espalha.

5.2 Oração: Na Vestiaria ou Sacristia é sempre feita uma oração. Após a oração, o acólito precede o pároco ao entrar, ficando pre- ferencialmente do lado da epístola. Se houver mais de um acóli- to, o mais moço vai sempre na frente do mais velho.

5.3 Posturas

5.3.1 Fique em pé: para cantar (exceto durante hino que precede a Santa Comunhão, que pode ser de joelhos), durante leitura dos Salmos (em algumas paróquias é costume todos perma- necerem sentados), para ouvir o Evangelho (voltar-se para o leitor do Evangelho), ao recitar o Credo (voltado para a cruz), para orar quando não estiver de joelhos (por exemplo, é cos- tume em muitas paróquias ficar em pé durante a intercessão).

5.3.2 Fique ajoelhado: nas orações, na Consagração (embora em algumas paróquias costume-se permanecer em pé), para co- mungar (embora em algumas paróquias costume-se receber a Santa Comunhão em pé), para a confissão e absolvição, para receber a bênção.

5.3.3 Fique sentado: para ouvir leituras bíblicas (exceto leitura do evangelho), durante o sermão, anúncios, enquanto o povo co- munga (aproveitando para meditação, leitura, oração) embora em algumas paróquias seja costume que o acólito fique ajoe- Ihado.

5.4 Participação: o acólito deve participar sempre do ofício nos res- ponsos, cânticos e orações comunitárias. O acólito, neste aspec- to, é um exemplo vivo para muitas pessoas.

5.5 Vênia (reverência): O curvar levemente a cabeça perante a cruz, ao ser pronunciado o nome de Jesus, para responder o agradeci- mento do clérigo que recebeu os elementos de suas mãos.

5.6 Sinal da Cruz: sugerimos que o faça ao ser pronunciado o Nome da Santíssima Trindade, ao final do Credo, ao receber a SC, ao receber a Absolvição e a Bênção. Mas é devoção pessoal que cada acólito pode ou não utilizar. Se desejar, converse com seu pároco a respeito. O "Sinal da Cruz” é um dos gestos de devoção mais antigos da Igreja. Nos dias em que ser cristão era considerado fora da lei, nas horas amargas da perseguição, servia de sinal de identifica- ção para os fiéis. É o sinal que todos recebemos em nossa fronte no Batismo. Traçamo-lo hoje como sinal externo de que recebe- mos interiormente a Graça de nossa Redenção.

5.7 Genuflexão: A genuflexão ante o Sacramento, no “incarnatus” do Credo Niceno (“encarnou por obra do Espírito Santo”) – onde é também comum usar-se apenas a “vênia". Ela baseia-se, ou me- Ihor, inspira-se no texto de Filipenses 2.10. Mas é bom observar o costume da paróquia. Como toda devoção pessoal voltamos a enfatizar! cada um só deve praticar quando ajudar na vivência devocional e litúrgica, conhecendo-se o significado do gesto.


5.8 "Tríplice Cruz”: É o sinal de uma pequena cruz feito com o pole- gar da mão direita sobre a testa, boca e coração. É feito no anún- cio do Evangelho, significando “crer no pensar, falar (agir) e sentir (querer)". É também tradição dos primeiros séculos da Igreja Cristã. Observar o que foi dito nos itens 5.6 e 5.7.

5.9 Rubricas: As rubricas são orientações do ritual que o acólito deve sempre ler e observar com atenção, Para todos os ofícios da Igreja isso é importante!

5.10 Ofertório: Após a sentença do ofertório (que pode ser “Lembrai as palavras do Senhor Jesus: coisa mais bem-aventurada é dar do que receber”, ou “Apresentemos ao Senhor a oferta de nossa vida e do nosso trabalho”, ou outra ainda) o acólito deve alcançar ao Celebrante o Cálice, o pão (dando uma estimativa do número de comungantes presentes), vinho e água (com as galhetas já sem as tampas). O desenho da pág. 10 é um gráfico que pode ajudar a gravar a ordem. Não esquecer: entregar as galhetas com a mão direita e recebê-las de volta com a esquerda; enquan- to se espera a devolução, a mão esquerda fica sobre o peito. Após a “salva” ser entregue com os “pratos da coleta” ao Cele- brante (que a colocará sobre o altar, ou a devolverá ao acólito a fim de que a guarde sobre a credência) virá o Lavabo. Sobre o braço esquerdo ficará pendurado o “manustérgio” (toalha), na palma da mão esquerda o "lavabo” (bacia) e com a mão direita será derramada água sobre os dedos do Celebrante (e outros clérigos que participarem da Consagração). Na Consagração o acólito deverá permanecer ajoelhado devotamente ao lado do Celebrante ou em sua própria estala, até comungar.

Nas paróquias em que a Santa Comunhão é administrada "por in- tinção", se faltar outro clérigo ou algum leitor leigo, o Celebrante poderá solicitar ao acólito que segure o Cálice. Este serviço de- verá ser feito com muita reverência, cuidando o acólito para não ficar "encarando" os comungantes. Se alguma hóstia cair da Pá- tena, compete ao acólito levantá-la e consumi-la.

5.11 Abluções Ao término da administração da Santa Comunhão virão as “abluções” (em algumas paróquias isto é feito após a bênção final). O próprio acólito derramará um pouco de vinho no cálice, e depois vinho e água sobre os dedos do Celebrante no


cálice (alguns clérigos solicitam diretamente um pouco de vinho e água sobre seus dedos no cálice). Depois de consumidos os Ele- mentos que sobraram e limpos os Vasos, o Ministro poderá al- cançar ao acólito o cálice e pátena para serem guardados sobre a credência.

5.12 Hino recessional — Ao finai do último hino o acólito precederá o Ministro na volta para a sacristia, na mesma ordem da entrada. Logo após a oração deverá providenciar em apagar as velas, na ordem inversa do acender (rever gráfico da pág. 9). Voltar à sa- cristia e aguardar devidamente os paramentos.


(6) NA ORAÇÃO MATUTINA, VESPERTINA,

OUTROS OFÍCIOS

As funções do acólito poderão ser: acender e apagar velas, fazer leituras, receber a coleta, etc.


(7) EM BATIZADOS, CASAMENTOS

O acólito sempre acompanha o Ministro. Acende/apaga velas, no Batismo acenderá a vela e a alcançará ao Ministro que a entregará aos padrinhos, enfim, ficará sempre em prontidão para prestar algum auxílio.


(8) PREPARO PARA A SANTA COMUNHÃO

8.1 A Igreja aconselha um preparo adequado para recebermos a Eu- caristia, onde Cristo está presente: o Corpo e o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Devemos nos aproximar confiantes no per- dão de Deus, arrependidos, decididos a levar uma vida nova. Uma preparação do nosso coração, mente e vontade é importan- te. Devemos nos concentrar, evitando toda e qualquer distração. O acólito pode fazer este preparo na véspera da Celebração, du- rante o Ofício e mesmo após comungar, preparando-se para ser presença de Cristo no mundo. Aqui desejamos dar algum auxílio para este preparo.

8.2 Exame de Consciência: o acólito pode utilizar os Dez Manda- mentos e/ou o Sumário da Lei em relação a sua vida, o que fez na última semana e pretende fazer na semana que inicia. O LOC pág. 288 ajuda.


8.3 Pense na bondade de Deus em relação aos seus pensamentos impuros, desejos indignos, hábitos errados, omissões em relação aos fracos e oprimidos, indiferença frente aos problemas sociais que o cercam, colaboração com situações injustas que negam ou caricaturam Cristo e Seu Evangelho.

8.4 Uso do LOC, por exemplo, pág. 75 (convite à Santa Comunhão e confissão geral), o Evangelho para o Dia de Todos os Santos (pág. 257), a epístola para o 1º Domingo depois da Epifania (pág. 110), a epístola para o domingo da Quinquagésima (pág. 122) е о Salmo 139.

8.5 A meditação pode ser encerrada com o folheto “Devoções Parti- culares" ou com estas orações: ✓ Concede-me, Senhor, o espírito de pensar e fazer coisas que são justas; que eu, que não posso fazer o que é bom sem Ti, possa ser fortalecido por Ti e capacitado para viver conforme Tua vontade. ✓ Inclina meu coração, ó Senhor, de modo que, pelo poder do Teu Espírito Santo, eu possa dignamente aproximar-me dos Sagra- dos Mistérios do Teu Corpo e Sangue, e oferecer-te minha vida toda em resposta sincera ao Teu grande amor. Pai Nosso... ✓ A Graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo, seja com todos nós para sempre. Amém. Observação: No Item 9 deste Manual poderão ser encontradas ora- ções diversas, mas é bom lembrar que a Igreja oferece o li- vreto "Intercessões” que o acólito poderá ter sempre à mão.

8.6 Se o acólito desejar utilizar orações diárias, além do livreto “In- tercessões” mencionado anteriormente, o LOC poderá ser utiliza- do: pela manhã na pág. 587 e pela tarde ou noite na pág. 589. Seria interessante convidar a família para acompanhar as ora- ções. A oração diária faz parte de uma regra de vida! Teremos coragem de experimentar?


(9) ORAÇÕES

  • ANTES DO OFÍCIO “Ó Eterno Deus, ajuda-me a manter meus pensamentos em Ti; que eu possa experimentar a Tua presença e ouvir Tua voz falan- do em meu coração. Abençoa aqueles que ministram a todos os que adoram em Teu Santo Templo, permitindo que tudo o que fi- zermos aqui seja feito para Tua honra e glória, e para a vinda de Teu Reino na Terra. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém”.

  • AO ENTRARMOS NA IGREJA (INDIVIDUAL) "ó Senhor, eu me acho em Teu Santo Templo. Auxilia-me a man- ter o pensamento concentrado em Ti, para que eu Te ouça falan- do para minha vida. Por Jesus Cristo. Amém”.

  • AO ENTRARMOS NA IGREJA (COLETIVA) "Permite, nós te suplicamos, ó Deus Onipotente, que as palavras ouvidas hoje sejam pela Tua Graça de tal modo enxertadas em nossos corações, que produzam em nós o fruto de uma vida boa e Santa, à honra e louvor do Teu Nome. Mediante Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém".

  • ANTES DA SANTA COMUNHÃO "Purifica os pensamentos de nossos corações, ó Senhor, quando vimos participar de Teu Santo Sacramento. Ilumina nossos espíri- tos pelo Teu Espírito Santo, para que nos livremos de toda falsi- dade, de egoísmo e de falta de conhecimento, e vejamos quão grande é nossa necessidade de Tua Graça. Pedimos-te isto por amor de teu excelso Nome, Amém”.

  • DEPOIS DA SANTA COMUNHÃO “Ó Senhor, que neste maravilhoso Sacramento vens a nós em Tua Presença Real. Permite-nos de tal modo venerar os Sagra- dos Mistérios do Teu Corpo e Sangue, que sempre percebamos dentro de nós os frutos da Tua Redenção. Tu que vives e reinas com o Pai e o Espirito Santo, um só Deus, pelos séculos sem fim. Amém".


  • APÓS O ATO LITÚRGICO (INDIVIDUAL) "Permite, ó Deus, que tudo quanto disseram meus lábios o creia no coração, pratique e comprove em minha vida, para glória do Teu grande Nome. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém”.

  • APÓS O ATO LITÚRGICO (COLETIVA) "Santifica, ó Senhor, todos os nossos caminhos e permite que ao deixarmos Tua Casa não deixemos Tua presença. Antes, sê Tu sempre junto a nós e guarda-nos sempre junto a Ti. Mediante Je- sus Cristo Nosso Senhor. Amém".

  • ORAÇÃO DO GRUPO DE ACÓLITOS "Deus todo-poderoso, que convocaste os Teus servos à sagrada missão de acolitar em Tua Igreja, onde em vestidura branca mi- nistram na Tua presença. Rogamos-Te humildemente que, por Tua Grande misericórdia, nos guies, fortaleças e santifiques por Teu Santo Espírito, a fim de que, executando sempre a Tua von- tade, tanto no serviço que Te prestamos em Tua Casa, como em nosso viver diário, nós Te agrademos e glorifiquemos Teu Nome. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém".

  • ORAÇÃO DO ACÓLITO “Ó Deus Onipotente, a quem o menino Samuel ministrou perante Eli, o Sacerdote, togado com os sagrados paramentos. Dá aos Teus servos a graça de Teu Santo Espírito, para que, à seme- Ihança daquele menino acólito, nós também Te sirvamos nos Teus átrios santos, plenos de reverência, com amorosa dedica- ção e zelo. Por Jesus Cristo Nosso Senhor. Amém”.


(10) CRUCIFERÁRIO (O QUE LEVA A CRUZ)

Recomendações: ✓ Usar preferencialmente alva; ✓ Ir à frente da procissão, ladeado por dois tocheiros, caminhando vagarosamente; ✓ Cruz acima da cabeça, nunca inclinada; mão direita acima da es- querda, ombros mantidos normalmente, sem buscar pose espe- cial;


✓ Chegando ao santuário da igreja (ou presbitério, depende da igreja), esperar que todos ocupem seus lugares para então colo- car a cruz no local apropriado (onde a cruz possa ser fixada); ✓ Quando houver procissão do evangelho, preceder o leitor junto com os tocheiros até o meio da nave da igreja; os tocheiros er- guerão os castiçais quando do “glória tibi", baixando-os à posi- ção normal no “laus tibi”; ✓ Na procissão do ofertório poderão participar também cruciferário e tocheiros; ✓ As primeiras notas do hino recessional, tomar a cruz e ficar de frente para o altar, bem no centro, ladeado pelos tocheiros, inici- ando então o retorno à sacristia (seguindo roteiro previamente estabelecido pelo pároco) quando os demais participantes da procissão estiverem prontos a segui-lo.


(11) UM LEITOR

Recomendações: ✓ Procurar saber man

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