O Estandarte Christão - 03/1895

Versão Integral em Texto

O Estandarte Christão - 03/1895

J. W. MorrisW. C. BrownA. V. CabralFrederico G. Schmidt1895

O ESTANDARTE CHRISTÃO

ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

VOL. III. ASSIGNATURA: POR ANNO 3$000 PUBLICAÇÃO: UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ N. 3.

Expediente Toda a correspondencia deve-se dirigir á caixa do correio n.º 5. O escriptorio da redacção acha-se no edi- ficio da Escola Americana n. 387 Rua Volun- tarios da Patria.

REDACTORES REVDOS. J. W. Morris W. C. Brown A. V. Cabral

N'esta redacção dão-se todas as informa- ções sobre tratados, e publicações evangelicas. Todas as pessoas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal dar-se-hão ao encommodo de nos remetter seu endereço que serão imme- diatamente attendidas. reio.


PORTO ALEGRE, MARÇO DE 1895

Aviso

De conformidade com as disposições da constituição e canones da Egreja Protes- tante Episcopal no Sul dos Estados Uni- dos do Brazil, e com authorisação do Rev. Snr. Presidente da convocação da mesma egreja faço conhecimento das diversas con- gregações que durante a ultima quinzena do mez de Abril deverão ter lugar as sessões da referida convocação, em Porto Alegre,

No «Estandarte Christão de março e abril de 1894 veem publicados a consti- tuição e os canones acima referidos e que serão de util consulta.

Chamo especialmente a attenção para o canon III que diz respeito aos Delegados leigos.

Entre outros assumptos que deverão ser examinados na proxima convocação have- rá, por excepção, a faculdade de alterar toda a constituição, pela maioria das suas ordens.

Viamão, 2 de março de 1895. O secretario da convocação A. V. Cabral.


Relação das Egrejas

A Capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria N. 386 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. James W. Morris. Junta Parochial: Gervasio M. de Moraes Sarmento, The- soureiro e 2.º Guardião; Carlos Hardegger, Registrador; Bruno M. Mareco, 1.º Guar- dião; João Leirias, Gabriel dos Santos.

A Capella do Bom Pastor Rua Riachuelo Nr. 126 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. W. C. Brown. Diacono: Rev. V. Brande. Junta Parochial: Antonio P. da Silva, Thesoureiro; Pinto de Leão, 1º Guardião; José do P. S. Norte, 2º Guardião.

A Capella do Calvario RIO DOS SINOS Pastor: Antonio M. de Fraga. Junta Parochial: Ernesto P. Bastos, Thesoureiro; André M. Fraga, 1.º Guardião; João Francisco de Souza, 2.º Guardião; Lucas Machado, Registrador; Odorico F. de Souza, Bernar- dino A. de Souza.

A Capella do Redemptor Rua Felix da Cunha Nr. 61 PELOTAS Pastor: Rev. J. G. Meem. Junta Parochial: Manoel G. de Castro, Thesoureiro; Aly- pio J. dos Santos, 1.º Guardião; Raphael A. dos Santos, 2.º Guardião; Joaquim Fróes, Registrador; Belmiro da Silva.

A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villete RIO GRANDE Pastor: Rev. L. L. Kinsolving. Junta Parochial: Rev. V. Brande, Thesoureiro; Thomaz d'Oliveira, 1.º Guardião; Antonio Gazzineo, 2.º Guardião; Rodrigo Lobo, Registrador; Angelo Catalan, Victor Pingret, Jacyntho Santa Anna.

Viamão (Congregação ainda não formada) Rev.: Americo V. Cabral.


Ensino moral.

Ao lançarmos nossa vista sobre essa multidão de jovens que diariamente cru- zam nossas ruas em caminho para a esco- la, não podemos deixar de fazer reflecções sobre o modo do ensino que actualmente existe entre nós.

Não quero referir-me ao ensino geral, que todavia, apezar de não ser completo, vai satisfazendo as exigencias. O ponto de que desejo tratar é ensino moral.

E' forçoso confessar que é simplesmente vergonhoso o que se passa nas escolas a este respeito. Mal o menino começa a soletrar, já o professor está dando noções de positivis- mo, atheismo, romanismo etc.

E' um cumulo! Das escolas donde devia jorrar uma fonte da mais limpida moral e santas doutri- nas, jorra um ensino, que em vez de ele- var o nivel moral do homem avilta-o e envergonha-o!

Para que fim servem então escolas desta natureza? Será acaso ahi que se preparará um bom cidadão ou um bom Christão? Por certo que não.

Pelo que se vê commummente parece que os senhores pais, não tem comprehendido qual a educação que devem ministrar a seus filhos.

Vejamos: Quando um rapaz entra para a escola, o pai faz a seguinte recommendação ao professor: «Espero que V. S.ª cuidará de meu filho, instruindo-o devidamente, afim de que algum dia seja util á patria delle partidos seus e á sua cidadão.>>>

O erro resalta logo aos nossos olhos. Querem preparar a mocidade para que haja bons cidadãos, porém não se lembrão que só d'um bom christão pode nascer um bom cidadão.

Oh! em vão procurão a chave d'um ver- dadeiro ensino moral, a sua mola real, sem conseguir encontral-a!

A chave d'um ensino em que se encerre uma moral sa, acha-se n'uma verdadeira religião.

O problema não se acha resolvido si pensarmos que preparando um bom cida- dão, elle forçosamente ha de ser um bom christão. E' um erro!

O que aspiramos? Que a nossa patria tenha bons patriotas, bons cidadãos. Pois bem, poderemos tornar essa aspiração numa realidade si prepararmos os nossos moços, instruindo-os nas santas Escripturas, ensi- nando-os a serem bons Christãos.

Um bom Christão ha de ser forçosa- mente um bom cidadão, um bom amigo, um bom esposo e um filho exemplar. Elle conhecerá seus deveres para com Deus, para com sua patria, para com seus concidadãos e para com sua familia.

Aquele que se diz bom cidadão sem velha historia de Jesus e seu amor. Elle conhecerá seus deveres para com Deus, para com sua patria, para com seus concidadãos e para com sua familia. O bom Christão é bom cidadão, porque embora não receba recompensa alguma, alegra-se porque cumpre o seu dever.

Pelas breves exposições que faço, verão os leitores, que uma moral que não se funda em Jesus Christo, é uma moral toda falsa e sem proveito!

Não devemos deixar de protestar contra esse ensino a que dão o falso nome de moral, e que é ministrado actualmente em nossas escolas.

Poderá ser bom cidadão, um homem que desde a mais tenra idade foi educado sem o temor de Deus? Não. Esse será desres- peitador da lei, da familia e até do pro- prio Creador!

Cada um deve conhecer os innumeros beneficios que nos traz o Evangelho de nosso Senhor Jesus Christo.

Temos raciocinio, temos direito de esco- lher, de differençar o bom e o máo. Ahi fica o meu fraco protesto sobre o actual estado de cousas.

E' á vós, oh pais, que almejais uma să educação para filhos, que eu me dirijo. Vos de este protesto occasião de pensar sobre este magno assumpto, e capacitar- vos que só em Jesus Christo achareis uma moral perfeita.

Frederico G. Schmidt. Rio Grande, Março de 1895.


Irado com um espelho

Ha alguns annos teve lugar n'uma ci- dade Christa uma kermesse em favor das Missões Africanas. Alguns artigos ficaram não vendidos, e foi resolvido a mandal-os para o uso da Missão. Entre elles era uma caixa de espelhou de mão que um negociante tinha contribuido á kermesse. Espelhos não pareciam muito proprios para uma Missão estrangeira; comtudo, foram mandados e tornaram a ser as cousas mais uteis. Attrahiram o povo, e a fama delles se espalhos muito além da estação missionaria, e afinal che- gou aos ouvidos de uma princeza de uma tribu distante e poderosa. Ella tinha visto seu rosto escuro, senão nas aguas d'um lago placido, e desejava muito a ver a sua belleza, porque sendo prin- ceza, todos a chamaram bonita, ainda que fosse uma das mais feias. Então ella man- dou buscar um espelho e quando o rece- beu, não contemplou immediatamente a sua physionomia, mas retirou-se com ella para satisfazer a sua curiosidade sósinha, Quando, porém, ella viu o seu rosto, com uma pancada fez em pedaços o espelho, e mandou um edicto prohibindo a intro- ducção delles no seu paiz.

Não ha muitos em outros paizes que fazem o mesmo no que diz respeito a suas almas? Quando levados a contemplar no espelho de Deus a fealdade de seus pec- cados, elles querem destruil-o afim de que possam pensar que não são tão feios como appareceram lá.

E' um grande facto que a vida é sómen- te um serviço. A unica pergunta é, « A quem vamos dar o nosso amor?>>>>


O CHRISTIANISMO salvou e renovou o mundo

Jesus Christo póde em toda a verdade ser chamado dos senticomateria o sentido Mundo, é no cimento que teve lugar entre os homens, pois á partir da pregação do Evangelho, a face do mundo foi renovada.

O momento da vinda do Filho do ho- mem é bem notavel um pouco mais cedo, sua moral não seria absolutamente neces- saria; os povos se mantinhão ainda pelas antigas leis; um pouco mais tarde, este Divino Mestre não teria apparecido, senão depois do naufragio da sociedade.

Nós nos escandalizamos de philosophia n'este seculo; mas certamente a leviandade com que nos tratamos as instituições Chris- tās, não é nada menos que philosophico.

O Evangelho, sob todos os pontos de vista, mudou os homens; elle lhes fez dar uma nova vida, e uma nova esperança.


Reservada nos Céos para vós

Um rapaz que tinha occupado a posi- ção de porteiro num theatro e que não tinha outra educação senão aquella que se dava em taes logares, recebeu uma inju- ria mortal n'um panico que aconteceu em- quanto se dava o espectaculo. Foi levado ao hospital para morrer e lá, pela primei- ra vez ouviu viu dos labios do capellão a velha historia de Jesus e seu amor. A thema embora que fosse simples, cus- tou-lhe entender. A enormidade de seus peccados tocou-lhe profundamente, e tudo que salva, não lhe deu conforto. Não po- dia realizar que era lugar para elle na cidade celestial. Elle calculou que sómente os bons e os puros tinham direito de en- trar lá, não um rapaz que tinha gastado toda a sua vida em ignorancia e peccado.

Um dia, quando a sua morte evidente- mente approximava-se, o ministro, depois de experimentar varios methodos de per- suadir o coitado a deixar os seus pecca- dos e abraçar a Christo, tomou a Biblia e começou a ler devagar passagem após passagem. Ainda ficou o mesmo desesperado no rosto pallido do moço. Porém, antes de fechar o livro, o capellão leu da primeira Epistola de São Pedro, versos 3 e 4: «Bemdito seja o Deus e Pae de nosso Senhor Jesus Christo, que segun- do a grandeza de sua misericordia nos re- generou para a esperança da vida, pela resurreição de Jesus Christo d'entre os mortos, para uma herança incorruptivel, e que não pode contaminar-se, nem murchar- se reservada nos Céus para vós.» O rapaz escutou ás palavras «reservada nos Céos para vós», e seus olhos ganharam lustro, e levantando-se no seu braço, repetiu: «Reservada nos Céos para vós». Passando um momento, elle disse: «Posso entender estas palavras. E' exacto que Deus tem reservado um logar nos Céos para mim?» «Sim, meu filho», respondeu o capellão. «Ha muitas moradas na casa de nosso Pae nos Céos, e Elle disse que se assim não fora, Elle no-lo teria dito. Se tiver dado o vosso coração a Jesus, haverá uma herança reservada para vós nos Céos». «E nenhum outro pode tiral-o de mim. Tenho vendido muitos «bancos reservados>>> no theatro, e sei que elles sempre são guardados para a gente que os compra, ate que elles venham. Jesus tem um logar para mim que comprou com seu sangue ha centenas de annos. Agora entendo. Elle o guardará para mim até que eu chegue lá».

Depois d'isto descançou na confiança que seus peccados foram perdoados e que era um logar reservado nos Céos para elle. As suas ultimas palavras, quando a morte desceu no valle da sombre da morte foram: «Reservada nos Céos para mim»,


CARTAS DA ROÇA

111 Leitor amigo! Vós, que não pertenceis ao numero da- quelles que jogam para um canto da se- cretaria o nosso jornalsinho, quereis, de certo, saber alguma cousa do nosso tra- balho, em Viamão, este mez. Vou satisfa- zer-vos dizendo tudo o que sei, que é mui- to pouco, ao mesmo tempo que, por estas columnas, procuro discutir certos pontos, cujo conl conhecimento julgo de imprescindivel necessidade. Ainda hontem diziam-me: Todo o exercito tem um general, todo o corpo tem uma cabeça, toda a egreja tem um chefe; os romanos tem um papa; os protestantes a quem tem por chefe? A isto responderemos: os verdadeiros christãos não devem considerar como chefe, Cabeça, unico Mestre e unico Pontifice a um ho- mem peccador e mortal mas a Jesus Chris- to, nosso Senhor. Não costumamos nós, os protestantes, argumentar com a Biblia, e por isso citaremos immediatamente as pas- sagens della em abono do que deixamos dicto.

Christo é o Summo Pontifice.

«Visto que temos um grande Summo Pontifice, Jesus, Filho de Deus, que pene- trou nos Céos, retenhamos firmemente esta profissão. Porque não temos um Summo Pontifice que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; antes um, que, como nós, em tudo foi tentado, excepto no peccado. Cheguemos pois com confiança ao thrôno da graça para que possamos alcançar mi- sericordia e achar graça para sermos aju- dados em tempo opportuno.» (4:14-16). (S. Paulo aos Hebreus).

«Ora a summa do que temos dito é que temos um tal Summo Pontifice que está assentado nos Céos á dextra da thrôno da magestade, ministro do Sanctuario e ver- dadeiro tabernaculo, o qual Senhor fundou e não o homem».

«Olhando para Jesus Principe e con- summador da fé, o qual pelo goso que lhe estava proposto, supportou a Cruz, despre- zando a affronta e assentou-se a dextra do thrôno de Deus. (Hebreus 12:2).

Christo o Cabeça da Egreja.

«...e sujeitou todas as cousas a seus pés e sobre todas as cousas o constituiu por Cabeça da Egreja. (S. Paulo aos Ephesios 1:22).

«...e Elle é a cabeça do corpo da Egre- ja; que é primogenito dentre os mortos, para que entre todos tenha o primado. (Col. 1:18).

Muitos outros argumentos eu poderia adduzir para corroborar a posição das Egrejas Protestantes, mas fallecendo-me o espaço direi, para terminar o assumpto que a superioridade do Pontifice, por nós reconhecido, é incontestavel sobre o da Egreja Romana. Os Papas mudam-se de vez em quando, Jesus Christo é o mesmo hontem, hoje e eternamente. Os Papas peccam, Jesus Christo foi tentado em tudo excepto o peccado. O Papa não pode sa- ber as necessidades de todos os crentes e attendel-as; Jesus Christo póde tudo e sabe tudo. Reconheçamos pois Nosso Senhor Jesus Christo como nosso Summo Pontifice, unico Cabeça.

No dia 14 de março parti, em compa- nhia de um amigo, com destino a S. Rita do Rio dos Sinos. Depois de caminharmos perto de 8 legõas, chegamos a uma hora da tarde mais ou menos, á casa de nosso irmão Major Lucas M. de M. Sarmento, onde fomos agasalhados durante o tempo de nossa visita. No dia 15 esperavamos assistir ao lançamento da primeira pedra de nosso templo, mas este acto tendo sido transferido para o dia 18 e, sendo nos im- possivel, por motivos imperiosos, esperar mais tempo, contentamo-nos em ir ver o local, onde o habil artista, Snr. Quintilia- no, estava pondo em ordem os materiaes para a edificação. Durante nossa ausen- cia tinha peiorado de seus encommodos nosso presado amigo João de Deus Rosa, da Estancia Grande. Felizmente tem expe- rimentado algumas melhoras, e creio que breve estará restabelecido para satisfacção de quantos o estimam e auxilio da causa do Evangelho.

Domingo, 17 de março, foi installada em Viamão mais uma escola dominical, cem a assistencia de 6 crianças.


3 Chegaram-me aqui e tenho sobre a meza O Rev. Fraga principiou o serviço, de pessoas, que certamente não conhecem a dois interessantes jornaes: «O Infantil», pois o Rev. Brown dirigiu as orações, a afi- Biblia. Se a conhecessem, lançarião os orgam do Collegio Camargo, em S. Paulo nal o Rev. Morris leu a parte apontada olhos para aquelles versiculos 19 e 20 e «As Boas Novas», orgam da Egreja para a collocação da pedra. arte apontada de las que dizem quando Baptista, em Campos. Bemvindos sejam. foram depositados os seguintes objectos: vos disserem: Consultae os Pythões e os Durante o mez de março, os cultos tive- 1) a Biblia Sagrada, 2) o Livro de Ora- advinhos que murmuram em segredo nos ram uma concurrencia diminuta em Via-ção, 3) um exemplar do «Estandarte Chris- seus encantamentos, acaso não consultará o mão e o trabalho na E. Grande foi inter- tão», 4) uma lista dos membros da Ca-povo ao seu Deus, ha de ir fallar com os rompido por causa da doença de nosso pella do Calvario, 5) uma lista da classe mortos acerca dos vívos? Antes à lei e amigo Snr. João de Deus, em cuja casa Biblica da Egreja da Ascenção na cidade ao testemunho é que se deve recorrer». temos nossos serviços divinos. Que Deus Nosso Pae seja servido con- siderar nossas circumstancias e dar-nos novas opportunidades. Viamão, março de 95. A. V. C.

Contribuições para a Capella do Calvario em S. Rita do Rio dos Sinos Quantia ja publicada.. 760$500 De Depositada na Collecta 105000 Um Crente 25000 D. Prudencia Rosa da Silva 55000 Dr. Carlos Wallau. 50$000 Rev. Kinsolving... 203000 D. Maria Joaq 25000 D. Antonia Fraga 105000 D. Florisbella Ferreira. 2$000 Joaquina da Cunha.. 861$500


Lançamento da primeira Pedra da Capella do Calvario

O 18 de Março foi dia assignalado na historia da egreja do Rio dos Sinos. Na semana antecedente, distribuiu-se por toda a visinhança o seguinte convite. «A Egreja Protestante Episcopal tem a honra de convidar a V. D. e sua Exma. Familia para assistirem ao serviço do lançamento da pedra fundamental d'um templo o qual terá logar em D. Rita do Rio dos Sinos no dia 18 do corrente ás 2 horas da tar- de. (assignado) Antonio M. de Fraga.>>>

Cedo de manhã no dia apentado, uma zelosa banda dos irmãos da egreja prin- cipiaram a fazer os necessarios arranjos para a festa. Dentro da Capella as seguin- tes senhoras, D. Angelica Silveira, D. Cor- doca Silveira, D. Antonia Fraga e D. Estel- la Morris, trabalharam com tão bom ani- mo, que o presbyterio ficou, em pouco tempo ornada com bellas flores e verdes. Por fôra o Rev. Fraga, auxiliado pelos Senhores Lucas Gervasio Sarmento, Prudencio, Camillo, João Maria, Jesuino, Raphael e Izidoro, levantaram em pouco tempo lindissimos arcos, feitos de palha jerivo e outras folhas. Estes extende- ram da Capella até o logar da pedra. O pulpito era bonito. Panno de algodão co- brindo as caixões velhas e todo gostosa- mente adornado com flores e verdes, deu a idea de pureza. O Rev. Morris com o auxilio das senhoras consegiu fazer um texto de folhas de laranjeira, o qual foi prégado em uma talha branca e pendu- rado perto do pulpito. O texto foi o se- guinte: «O nosso auxilio é no Senhor.>>> Este attrahiu muita attenção. Os Revs. Brown e Morris tomaram par- te na ceremonia. Foram esperados os Revs. Cabral e Brande, porém não podiam assis- tir, um por ter enganado o dia, e o outro por motivo de saude.

de Washington, 6) uns numeros do <<Re- view», jornal publicado por esta classe. Em seguida, o Rev. Morris fallou por poucos minutos sobre as palavras: «Se o Senhor não edificar a casa, em vão tra- balham os que a edificam. Depois o Rev. Sr. Brown contou o principio do interesse neste edificio entre os irmãos dos Estados Unidos do Norte.

Frederico Uber era moço illustrado e piedoso, morador na cidade de Washing- ton. Interessou-se de tal maneira na obra evangelica no Brazil, que resolveu a sua vida. Elle era membro d'uma classe Biblica, composta de moças e moços a qual cada domingo reuniu-se para estudar as Escripturas sagradas. O zelo do snr. Uber iufluenciou toda a classe; todos trabalha- ram energicamente pela missão no Brazil. Porém na mysteriosa dispensão da Provi- dencia divina, morreu este bello e santo moço afogado no rio Potomac, aonde foi tomar banho com seus amigos. A classe então resolveu unanimemente ajuntar di- nheiro para fazer um templo no Brazil, em memoria do Frederico Uber. O resul- tado é esta obra no Rio dos Sinos. Uma outra exemplificação das palavras da Escrip- tura: «Elle sendo morto, ainda falla».

Depois o Rev. Snr. Fraga proferiu uma fervorosa pratica dizendo que a capel- la alli principiada não era propriedade d'uma só familia e sociedade só, mas perten- cia a todos os que desejaram ouvir o Evan- gelho e servir a Christo. Terminou ex- hortando a todos que abracem a salvação a qual sómente se acha em Jesus Christo.

Muita oração foi offerecida a Deus por pequenos e grandes pelo bom exito da fes- tividade, e Deus attendeu as supplicas do seu povo. O dia foi tudo que se podia desejar. Amanheceu fresco e sombrio, perfeitamente proprio para um serviço no ar livre. Os dias antes tinham sido ex- traordinariamente quentes-porém o nosso dia era tão bom que todo o povo podia assistir com a maior conveniencia. Mais que 300 pessoas compareceram em respos- ta aos convites, todos tomando parte se- ria e attenciosa na bonita ceremonia.

O Ten. Coronel Zephyrino José de Fra- ga, deu uma gorda rez, a qual foi car- neada e assada em casa do snr. Francisco Ignacio da Silveira. Foi em grande parte devida ao valoroso auxilio deste ultimo senhor, que a festa teve tão bom exito. D. Maria Packard, estimada professora da Escola Americana de Porto Alegre, e D. Estella Morris, esposa do Rev. J. W. Morris, tomaram parte na festa. Ellas fo- ram hospedadas em casa do Rev. Antonio Fraga: emquanto o Rev. Brown foi hos- pede do snr. Francisco Ignacio da Silveira. Pede-se que todos os irmãos se lembrem desta egreja em oração, muitos ouviram o Evangelho, pela primeira vez nesta occa- sião. Peçamos que todos sejam influencja- dos a examinar e a seguir a verdade em Jesus Christo. A festa teve o melhor suc- cesso: os irmãos da capella do Calvario devem ser cheios de alegria nesta respos- ta de muitas orações.


As consequencias ou os fructos do spi- ritismo todos os conhecem. Não desejo fallar acremente dos adeptos do spiritismo, quero apenas observar-lhes que a Biblia nos prohibe o invocarmos os espiritos. E' nos como bons christãos de- vemos obedecer ao que a Biblia nos or- dena. Sendo a Biblia, a palavra de Deus, e sendo nós filhos delle, devemos esforçar- nos por sermos bons filhos, procurando cumprir tudo que o nosso Pai nos ordena. Alexandre Dumas diz: «E inutil com- dal-a bater as opiniões dos outros; podem ven- cer-se n'uma discussão, mas convencel-os nunca.

As opiniões são como os pregos, quanto mais se lhes bate, mais elles se introduzem.» Perfeitamente. O illustre escriptor não quer ser contrariado. O que elle diz sobre as opiniões adapta-se perfeitamente a elle. Nos diz S. Ex. que as opiniões são como os pregos, que quanto mais se lhes bate, mais elles se introduzem. Opinando elle dessa fórma, em vão po- demos advertir-lhe que muitas e muitas vezes, os pregos em vez de se introduzi- rem, entortam ou quebram ao golpe d'um martello. Assim tambem a pessoa que quer con- servar de pé a sua opinião. Ella acha-se vencida, então procura meios de enredar a questão. Falla, falla, desvia-se do assumpto, procura mil artifi- cios para atrapalhar o vencedor. Quanto ao convencer uma pessoa, deve- mos confessar que é tarefa difficil. Porém que á força de provas exhuberantes se o consegue. Aqui é applicavel o dictado que diz: «Agua molle em pedra dura tanto bate até que fura.» Quando proclamamos o Evangelho, e apontamos os erros dos desviados, acha- mos mil obstaculos. Opiniões, ignorancia, superstição, tudo se junta para cortar-nos o passo. «As opiniões são como os pregos», diz- nos o esciptor. O Evangelho é o martello poderoso, que quebra esses pregos; isto é as opiniões falsas e absurdas. Temos a Biblia como arma poderosa, Jesus Christo como nosso general, o que tememos? Se formos unidos, a nossa victoria será certo, porque temos a nossa frente o ge- neral dos generaes, e somos senhores duma arma que não fere physicamente, porém e espiritual.

Fazendo ponto final, despeço-me dos amaveis leitores e do amigo Redactor. Até breve. O Diacono Rio-Grandense Fritz.


O Diacono Rio-Grandense

No dia 10 de Março, justamente quando completava 3 annos e 5 mezes de minis- terio, na cidade do Rio Grande, despedio- se da congregação d'alli, o Snr. Rev. Vi- cente Brande, que segue para a cidade de Porto Alegre, onde continuará a tra- balhar pelo Evangelho, aproveitando ao mesmo tempo mais alguns estudos naquella capital.

Por occasião de sua despedida pronun- ciou o Sr. Diacono, um eloquente sermão. Cumprindo o encargo que tomei, de fa- zer nestas minhas missivas um regis- tro de factos - venho hoje pela segun- da vez importunar os benevolos leitores. Este nosso Rio Grande é uma terra de maravilhas. Não imaginam o que descobri ha dias.

Passando por uma rua, não muito fre- quentada, vi á porta d'uma casa um gru- pinho de pessoas. Uns consultavam os re- logios, outros iam entrando pouco a pou- co n'um salão, onde se achavam dispostas cadeiras em roda. No centro havia uma meza. Despertando-me a curiosidade, pergun- tei ao meu companheiro de passeio, o que significava aquillo. Soube então que era um «Centro Spi- ritas. Ora vejam lá o que fui descobrir casualmente: Um logar, aonde se reunem

O thema foi tirado de Deuteronomio, cap. IV, v. 5 e 6 que diz: «Sabeis que vos tenho ensinado os preceitos e juizos, con- forme o Senhor meu Deus me mandou: assim os praticareis pois na terra, que ha- veis de possuir, e os observareis e cum- prireis effectivamente. Porque nisto mos- trareis a vossa sabedoria e intelligencia aos povos, para que ouvindo estes precei- tos: Eis aqui um povo sabio e entendido, uma nação grande.>>

Cheio dos mais bellos conselhos foi aquelle sermão. Elle pediu o apoio de todos, afim de ajudarem o pastor na sua ardua tarefa, supplicou que orassem a Deus uns pelos outros; não pedia as orações a favor de si por não saber si era digno dellas. Fallou da rudeza de seus sermões, de-














































































































































































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