Ministério do Acólito

Versão Integral em Texto

Ministério do Acólito

2003

OUTUBRO 2003 - MÊS DE VOCAÇÕES

Ministério do Acólito

Primeiros Passos para servir junto ao altar


"Em todas as celebrações litúrgicas, é apropriado que o Celebrante principal, Bispo ou Presbítero, seja assistido por outros presbíteros, Diáconos e Leigos." Livro de Oração Comum p.52, da Celebração da Santa Eucaristia

São Vicente de Saragossa, 304 AD

São Vicente de Saragossa Iluminura francesa do século XIV

Sejam a vida dos santos e santas exemplo de vida para nós hoje. São Vicente, Diácono e Mártir, foi um dos primeiros mártires da Igreja Cristã na Espanha. Ele é o patrono de todas as pessoas que servem junto ao altar. Sofreu martírio em 304 d.C. e em nosso calendário recordamos sua vida em 22 de Janeiro.

Coletas

São Vicente, 22 de janeiro

Todo-poderoso Deus, cujo diácono Vicente, foi sustentado e fortalecido por Ti nos momentos de terror e sofrimento, fortalece também a nós, para que possamos enfrentar toda adversidade com inabalável fé; mediante Jesus Cristo, nosso Senhor, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo hoje e eternamente. Amém.

Oração do Grupo de Acólitos

Amado Deus, que chamaste os Teus filhos e filhas à sagrada missão de acolitar em Tua Igreja, onde em vestidura branca ministram na Tua Presença. Pedimos-Te humildemente que, por Tua Grande misericórdia, nos guies, fortaleças e santifiques por Teu Santo Espírito, a fim de que, executando sempre a Tua vontade, tanto no serviço que Te prestamos em Tua Casa, como em nosso viver diário, nós te agrademos e glorifiquemos Teu Nome. Por Jesus Cristo nosso Senhor. Amém.

Textos Bíblicos sugeridos

  • Salmo 31:1-5 ou 116:10-17
  • Apocalipse 7:13-17
  • Lucas 12:4-12

Galheta Vazia e a Vela Apagada símbolos do Ministério do Acólito.

Sede Provincial da

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Departamento de Educação Cristã Departamento de Missão Rua Eng. Ludolfo Boehl, 256 - Teresópolis Cx. Postal 11510 CEP 90870-970 Porto Alegre - RS www.ieab.org.br


APRESENTAÇÃO

Prezados irmãos e irmãs, a cada ano o Mês de Vocações vem destacando um tema para ser desenvolvido e aprofundado no seio da Igreja. Neste ano de 2003 os nossos olhos voltam-se para um ministério não menos importante, o Ministério do Acólito.

Desde muito tempo, a liturgia cristã possui riquezas que ao longo dos séculos foram sendo esquecidas ou banalizadas. Diante da preocupação e da ânsia de manter a herança litúrgica, bem como a formação e a participação consciente de nosso povo no ato litúrgico é que estamos entregando a cada comunidade da igreja este material com passos metodológicos, bem como o cartaz para divulgação. Elaboramos quatro encontros para cada final de semana do mês, contendo material teórico e sugestões de atividades práticas. Este material, não tem a pretensão de ser um manual, mas sim, ser ponto de partida para o surgimento de grupos de acólitos.

O objetivo deste projeto é: "Que cada comunidade da igreja possua pessoas dedicadas ao Ministério do Acólito".

Nesta motivação, esperamos o apoio de toda a liderança (clerical e leiga) da IEAB, na certeza de resgatarmos esse ministério e envolvermos cada vez mais adolescentes, jovens e adultos leigos na liturgia da igreja.

Sede Provincial da

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

Departamento de Missão Departamento de Educação Cristã Apoio: CIN-UJAB


Dedicamos este material à Glória de Deus e in memorian de Zélia Rocha Dutra, que exerceu o ministério como acólita na Igreja de Cristo até o fim de seus dias, aos 78 anos.

Zélia Rocha Dutra ✩02 de maio de 1925 +03 de junho de 2003

Observação: Gostaríamos de destacar que na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil todas as pessoas vocacionadas para as Ordens Sagradas ou outro ministério ligado a liturgia, independente do gênero, tem o direito de exercê-lo (cumprindo o processo canônico). Ou seja, neste caso, homens e mulheres podem tornar-se acólitos e acólitas. Este material foi elaborado dentro desta perspectiva; ainda que apresente a linguagem gramatical ao invés da linguagem inclusiva.


30 DICAS PARA O ACÓLITO NA LITURGIA

  1. Cruciferário:

    • Usar preferencialmente alva.
    • Nunca carregar a cruz inclinada, sempre na vertical, com ombros relaxados. Mão direita acima da esquerda.
    • Ao chegar no santuário, durante a procissão de entrada, aguardar que todos ocupem seus lugares e somente após colocar a Cruz Processional no local adequado.
    • Cruciferário e tocheiros, nem acólito algum deveriam caminhar apressadamente, ou mover-se bruscamente, pois a pressa denota falta de concentração no que está acontecendo no Ofício.
  2. Tocheiros:

    • Carregar sempre consigo uma caixa de fósforos.
    • Durante o canto Gloria ti bi (Glória te seja dada, ó Senhor) e o Laus ti bi (Louvado sejas, ó Cristo) na proclamação do Evangelho elevar as tochas.
    • O Tocheiro é responsável pelas tochas/velas que carrega. Portanto, não se descuide, mantenha-se atento.
  3. Todos os acólitos:

    • A função do acólito está estritamente ligada a liturgia, ou seja, não é função do acólito, por exemplo, usar máquinas fotográficas durante a celebração, nem sair para atender a Escola Dominical.
    • Na igreja anglicana ficamos em pé para cantar, para a leitura do Santo Evangelho no contexto eucarístico, ao recitar o Credo voltados para o altar e, quando não estiver de joelhos orando poderá fazê-lo em pé.
    • Aproveitar o tempo que precede o início do culto para meditar e preparar-se espiritualmente para a adoração a Deus.
    • O ideal é que quando não há festas especiais, seja criada uma escala de acólitos para que o Grupo de Acólitos possa participar em todos os domingos do mês, sem que todos do grupo tenham que estar em todos os domingos.
    • Evite comentários desnecessários durante a celebração, você terá todo o tempo do mundo para fazê-los após o culto.
    • Existem formas de conversar com Deus, use, pois, a oração pessoal e individual. Exercite-a ao: 1. entrar na igreja, 2. antes de receber a eucaristia, 3. imediatamente após receber a eucaristia, 4. ao final do culto.
    • Aconselhamos, também, o estudo da liturgia e do LOC (Livro de Oração Comum) para melhor desempenho das funções do acólito.

AS 5 VIRTUDES DO BOM ACÓLITO

  1. Ser participante: O bom acólito é um participante ativo na liturgia, proferindo os responsos, os cânticos, os hinos e orações comunitárias. Ele deve ser um exemplo para a comunidade reunida.
  2. Ser discreto: seu dever não se sobressai dos demais. Mas, seu trabalho humilde enriquece a liturgia.
  3. Ser responsável: saber bem quais as suas atribuições.
  4. Ser atento: regra básica para todas as pessoas que são acólitas. Estar em contato com o santuário, com o presbitério e com a nave, sendo ponte entre um e outro quando necessário.
  5. Orar continuamente para crescer em santidade diante de Deus.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GENT, Barbara and STURGES, Betty. The Altar Guild Book. Morehouse-Barlow, Wilton, Connecticut, USA, 1982. MICHNO, Dennis G. A Manual for Acolytes. The Duties of Server At Liturgical Celebrations. 3ª ed., Morehouse-Barlow, Wilton, Connecticut, USA, 1981. NEVES, Jubal Pereira. Manual do Acólito. 3ª ed., Diocese Sul-Ocidental. 1983.

Fotos utilizadas na Campanha de Vocações: Folder: Álvaro Sasso e Lívia dos Santos Quadros, acólita da Paróquia da Transfiguração, Rosário do Sul – RS, 2000, Cartaz: Processional na Paróquia da Redenção, São Gabriel -RS, 1998. Processional na Paróquia Santa Maria, Belém - PA, 2003. Festival de Acólitos em São Gabriel - RS, 1998. Zélia Dutra, acólita da Paróquia de Jesus Cristo, Erechim - RS. Encontro Nacional da UJAB EM São Paulo, 2002. Processional na Catedral do Mediador, Santa Maria - RS, 1997.


O ESPAÇO LITÚRGICO

Norte Estalas Banco Púlpito Credência

Leste lado do Evangelho lado da Epístola Presbitério Atril Bancos da Congregação NAVE Bancos da Congregação Oeste Pia Batismal

Santuário Estalas Banco Sul


1º ENCONTRO

MÊS DE VOCAÇÕES - OUTUBRO - 2003

ACÓLITOS E ACÓLITAS A SERVICO DE DEUS

1. HISTÓRICO E IMPORTÂNCIA (ESPIRITUALIDADE)

Quantas pessoas, de ambos os sexos e diferentes gerações, são hoje acólitos e acólitas em nossas comunidades da igreja?

Certamente que a maioria nem imagina que é parte de uma tradição muito antiga na Igreja Cristã. Cornélio, Bispo de Roma, menciona os acólitos numa carta escrita a Fábio de Antioquia (da Síria), no ano de 251 AD.

Todos aprendemos que há na Igreja três Ordens de Ministros: Episcopado (bispos e bispas), o Presbiterado (sacerdócio) e o Diaconato (serviço). Este tríplice ministério existe desde os tempos apostólicos. Porém, no final do século II ou início do século III surgiram Ordens Menores, das quais os acólitos faziam parte. Naquele tempo, como "Ordem Menor" a função dos acólitos era auxiliar os Diáconos em seu trabalho.

Na carta do bispo Cornélio é mencionada a existência de 42 acólitos no Clero da cidade de Roma. São Cipriano, Bispo de Cartago (norte da África), também cita os "acólitos" em suas cartas (de 200 a 258 d.C.). O 4º Concílio de Cartago (398 d.C.) aprovou instruções específicas com relação à ordenação de acólitos. Os símbolos de seu ofício eram: uma vela apagada e uma galheta vazia.

Existe um documento conhecido como "Estatutos Antigos da Igreja" datado de mais ou menos 450 d.C. de Arles (região do sul da França), que alguns estudiosos acham sejam decretos do 4º Concílio de Cartago. Este documento menciona os deveres do acólito:

  • transportar candelabros (servir de tocheiros);
  • acender as luzes da igreja (velas);
  • alcançar o vinho e a água para a Eucaristia.

Na Igreja Anglicana, na Inglaterra, desde mais ou menos 767 d.C. até o século XVI, os acólitos foram mencionados e reconhecidos como pertencentes a uma "ordem menor". Houve então um período de tempo em que eles não foram mais mencionados. No século XIX aconteceu o "Movimento de Oxford" (1833-1845), muito importante na vida de nossa igreja; movimento responsável pela defesa da Igreja Anglicana como instituição divina, da doutrina da Sucessão Apostólica, do LOC (Livro de Oração Comum) como regra de fé e pela volta das comunidades religiosas. Aconteceu então a restauração e redescoberta do exercício da função do acólito na tradição anglicana. Entretanto, esta função passou a ser exercida por leigos, não se constituindo uma "ordem menor". (Para um maior esclarecimento, devemos destacar que na antigüidade os acólitos eram "ordenados", porém, não recebiam a "Sagrada Ordem", que se destinava somente aos bispos, presbíteros e diáconos.)

Em nossa igreja atualmente temos pessoas leigas que desenvolvem diferentes ministérios, como por exemplo, o Ministério Leigo. Assim que, atualmente dizemos que acólitos e ministros leigos são remanescentes de uma ordem menor, constituindo hoje, ao invés de uma "ordem", um ofício, um trabalho, uma função, um ministério na liturgia da igreja.

Na Igreja Episcopal Anglicana do Brasil os leigos, desde longa data, exerceram funções que hoje os acólitos e ministros leigos estão exercendo. Porém, é bom deixar bem claro que "acólito” não é sinônimo de ministro leigo, e que, sua função está estritamente ligada a liturgia; ainda que na falta de um ministro leigo o acólito venha a desempenhar alguma de suas funções.

Os "Acólitos" como os conhecemos hoje, surgiram em nossa igreja brasileira em torno de 1950, em Porto Alegre, RS. E na década de 1950-1960 existiram fortes "Grupos de Acólitos" nessa região, especialmente na Catedral da SS. Trindade, Paróquia da Ascensão - Colégio Cruzeiro do Sul; e em Santa Maria, RS, na Catedral do Mediador (às vezes sob o nome de "Ordem de Santo Estevão)".

Origem da palavra "ACÓLITO"

Acólito tem sua raiz na palavra grega "akolouthos" que significa "discípulo", "aluno", "acompanhante".

Acólito é a pessoa que serve junto ao Altar, representando a congregação, mas, quanto à origem da palavra, é Aquele que acompanha, assiste e ajuda.

Em síntese, acólito é toda pessoa que ajuda o responsável pela liturgia. (É sempre bom lembrar que o acólito exerce sua função não somente no culto dominical ou eucarístico, porém, sempre que necessário em outros ofícios da igreja, por exemplo, Santo Matrimônio, cultos matutinos e vespertinos e etc).

Importância de um caminho espiritual

O ser humano é essencialmente religioso. Se analisarmos bem, veremos que está cercado de símbolos e gestos que norteiam sua vida, quase que, para dar-lhe significado. Não há brasileiro que fique indiferente ao ver, nas olimpíadas mundiais, a bandeira do Brasil fazendo-se presente entre tantas outras. E qual a mãe que não se sente feliz quando seu filho lhe oferece uma flor como símbolo de seu amor?

Assim símbolos e ritos nos falam de uma realidade invisível. Participar de um grupo de acólitos é mais um caminho que podemos encontrar para alcançar a maturidade da fé e uma espiritualidade viva. O acólito é aquela pessoa que está junto à mesa do Altar, local onde Deus se faz presente desde a antiguidade; local de partilha e de bênção.

Sugestão de atividade para este 1º encontro: Análise das possibilidades de vestes para o acólito.

Obs: O termo Cruciferário pode ser substituído por Crucifero., bem como no caso do termo Turiferário, por Turibulário.


1. Sobrepeliz (Cota) e 2a. Batina Transversa

  1. Sobrepeliz ou Cota é conhecida como Veste Coral. Ela é indiscutivelmente da cor branca. Usada desde o início do ofício juntamente com a batina. Excetuando-se o momento de acender e apagar as velas do altar.
  2. Batina é uma veste para ofícios ditos não-eucarísticos. Apesar de que é possível usá-la em outros ofícios. Suas cores variam entre vermelha, preta, azul e roxa (esta última, no caso do acólito servir em uma Catedral). Existem diferentes tipos de batina. O modelo mais tradicional aos acólitos é o da batina transversa. A batina romana(2b) e a batina anglicana(2c) são usualmente destinadas aos ministros e ministras.

2b. Batina Romana 2c. Batina Anglicana

Dicas: Uma das palavras-chaves para definir um bom acólito ou uma boa acolita é Discrição. Portanto, a apresentação deve ser boa, ou seja, cabelos bem penteados, mãos limpas e calçados escuros (evitar tênis ou calçados coloridos que chamem muito a atenção). Nem cruciferário, nem tocheiros ou acólitos é permitido o uso do típete azul, o qual é restrito ao ministério leigo.

3. Alva e o 4.Cíngulo

  1. A Alva é uma veste eucarística de cor branca. Aos acólitos ela está ligada a função do Cruciferário, Tocheiro e Turiferário. Ela pode ser usada com Amito(5), caso ela não possua capuz.
  2. O Cíngulo é o cordão que vai amarrado na cintura. Serve para dar o ajuste da alva. Recorda-nos também da via-sacra, o cordão que fora amarrado na cintura de Jesus em direção ao Calvário.

5. Amito

  1. A palavra amito quer dizer embrulhar, agasalhar, abrigar. O amito é um retângulo de tecido branco com faixas que são amarradas ao longo do peito. Sua função é basicamente cobrir qualquer peça de roupa que fique exposta junto ao pescoço e ao peito.

6. Dalmática

  1. A dalmática é uma veste inspirada nos armamentos do Império Romano, como, por exemplo, o escapulário. Ela é usada pela ordem diaconal, bem como pelos Cruciferários em celebrações solenes.

2º ENCONTRO

MÊS DE VOCAÇÕES - OUTUBRO - 2003

ACÓLITOS E ACÓLITAS A SERVICO DE DEUS

1. FUNÇÕES, ATITUDES, POSTURA

É importante também que todo bom acólito tenha consciência das suas atribuições, bem como a postura que deve ter.

As responsabilidades do acólito envolvem desde o momento anterior ao início do culto até o momento de encerrar as atividades da celebração litúrgica. Aqui veremos algumas destas atribuições:

Antes do Ofício - o acólito deve chegar sempre cedo, em torno de 30 minutos antes do culto começar, evitando assim qualquer atraso ou ansiedade. Após orar ao entrar no templo, procurar o responsável pela liturgia para saber qual as suas tarefas naquele dia. Auxiliar o clero ou os demais a paramentarem-se.

Durante o Ofício - Havendo procissão de entrada com Turíbulo, Cruz Processional e Tochas, rever com os responsáveis se está tudo em ordem (é aconselhável que um dos tocheiros leve consigo uma caixa de fósforos no bolso). Poderá haver então, procissão para a leitura do Santo Evangelho (se for celebração eucarística), e o uso do incenso nos momentos destinados para tal (de acordo com o responsável pela liturgia). Outros momentos poderão ser solicitados a Cruz Processional, como por exemplo, uma Procissão das Oferendas (momento do Ofertório).

Ao retornar para a sacristia os acólitos deverão orar com o clero e ministros e, imediatamente a oração apagar as velas do altar.

Não havendo Processional com estes elementos, os acólitos irão adiante do clero e dos outros Ministros. Ao chegar diante do altar todos farão a vênia como sinal de reverência diante do Altar de Deus.

No momento do ofertório, dois acólitos (se houver) levantam-se: um para pegar a Salva da Coleta (prato das ofertas); e o outro para acolitar o Celebrante (ou seja, alcançar os elementos da Santa Comunhão). Após a elevação das ofertas o acólito, responsável pelo material da Credência, lavará as mãos do Celebrante e de todos(as) os que irão manusear a Patena(pequeno prato sobre o Cálice) e o Cálice (pão e vinho).

Na maioria das vezes os acólitos recebem a Eucaristia juntamente com o clero e com os ministros leigos antes da congregação.

Após a distribuição da Eucaristia o acólito dirige-se à credência para iniciar as Abluções (ou seja, a limpeza do Cálice e do Vinho), juntamente com o Celebrante.

Caso se faça necessário, o Celebrante poderá pedir ao acólito que o ajude a consumir os elementos consagrados que restaram. Por fim, durante o Hino Final ou recessional, os acólitos puxam a procissão de saída. Dirigindo-se a sacristia. (Dependendo da tradição da comunidade, poder-se-á fazer ou não a vênia diante do altar antes de retirar-se).

QUANDO HOUVER ORAÇÃO MATUTINA OU VESPERTINA

As funções do acólito se restringem: ficar responsável pelas velas do altar, e pelo recebimento da Salva da Coleta (ofertas).

QUANDO HOUVER OUTROS RITOS SACRAMENTAIS

O acólito poderá ser convocado para participar em outros ritos sacramentais, como por exemplo, o do Santo Batismo ou Santo Matrimônio.

Alguns Gestuais

Costumamos dizer que há diferentes formas de relacionar-se com o Sagrado. Uma destas formas é através de sinais, símbolos e gestos. Assim que, as realidades invisíveis e/ou espirituais dos ritos litúrgicos podem ser também expressadas por gestos e sinais. Porém, somente faremos sinais que tenham sentido para nossa vida pessoal e para fé comunitária.

A Vênia é um gesto de reverência diante da mesa do Altar de Deus, bem como quando o nome de Jesus é mencionado na liturgia; ao receber os Elementos das mãos do Celebrante. Observe os diferentes tipos de vênia:

  1. Vênia
  2. Vênia Profunda
  3. Genuflexão

O Sinal da Cruz pode ser feito quando o nome SS. Trindade é pronunciada, ao final do Credo, ao receber a Absolvição dos Pecados, a Eucaristia e a Bênção. Ele é o sinal externo que recebemos em nossa fronte no dia do Batismo, traçá-lo hoje é reafirmar a Graça recebida de nossa Redenção.

Uma variação é a Tríplice Cruz, é o desenhar com o polegar da mão direita, de uma pequena cruz sobre a testa, a boca e o coração. É feito na proclamação do Santo Evangelho no contexto da Celebração Eucarística. Significa que cremos que a Palavra de Deus estará em nosso pensar, em nosso falar (agir) e em nosso sentir (querer).


É aconselhável que toda pessoa que serve junto ao altar, tenha a disciplina de oração, como expressão do seu amor e louvor a Deus. Sugere-se que os momentos sejam: 1. Ao entrarmos na igreja/templo (individual); 2. Na Sacristia juntamente com os que irão participar da liturgia dominical (comunitária); 3. Antes de comungarmos (individual); 4. Depois de comungar (individual); 5. Novamente na sacristia ao final da celebração (individual ou comunitária).

Acolitando junto a Mesa Eucarística

Neste item veremos a função da pessoa que acolita na preparação da mesa eucarística. Sabemos, pela tradição da igreja cristã, que é privilégio do(a) diácono(a) presente preparar a mesa, pois, a pessoa que o auxiliará alcançando os elementos será o acólito.

No momento do ofertório um dos acólitos estará se preparando para receber a coleta, enquanto outro estará levando à mesa os seguintes elementos: 1º Pão; 2º Galhetas com vinho e água; 3º (este é após elevar as ofertas) o lavabo, manustérgio (pequena toalha) e a água. Vejamos como é procedimento.

1º - Entregar o pão, que poderá estar dentro de um cibório, de uma caixa de obréias ou hostiário como é mais conhecido. O recipiente deverá ser entregue já sem a tampa. É neste momento que o acólito dirá a pessoa que prepara a mesa o número aproximado de comungantes presentes.

2º - Entrega das galhetas. As galhetas são entregues com a alça voltada para quem as recebe. Primeiramente a do vinho, depois a da água. A entrega é sempre feita com a mão direita e o recebimento pela mão esquerda. Ao receber de volta cada um dos utensílios poder-se-á agradecer ao que prepara mesa curvando levemente a cabeça.

3º - O uso do Lavabo. O uso do lavabo resgata o sentido de preparação e purificação daquele ou daquela que irá manusear os elementos do pão e do vinho. Portanto, terão as mãos lavadas o Celebrante e as pessoas que irão distribuir os elementos eucarísticos à congregação. O lavar as mãos terá início após a elevação das oferendas/ofertas. Como mostra a figura a seguir.

4º - Após a distribuição da Santa Comunhão temos o que chamamos de Abluções, ou seja, a limpeza e organização dos materiais utilizados. Aqui poderá se utilizar o seguinte procedimento: a) Se o Celebrante estender apenas o Cálice: o acólito derramará vinho dentro do mesmo. b) Se o Celebrante estender o Cálice com os dedos sobre: o acólito derramará vinho e água (ou somente água) sobre os dedos e dentro do Cálice, evitando assim que partícula alguma de hóstia seja perdida.

Ao final da Celebração todos os materiais que foram usados na eucaristia deverão retornar a pequena mesa do santuário denominada Credência.

Algumas dicas:

  • Ficar sempre atento durante a eucaristia, pois o Celebrante poderá precisar de mais hóstias consagradas que estarão no sacrário, ou qualquer outro auxílio.
  • O Celebrante poderá pedir ao acólito para segurar o Cálice do vinho no momento da distribuição da Eucaristia. Caso aconteça, segure o Cálice com firmeza, sem ter medo de tocá-lo, pois, se pegá-lo com temor corre-se o risco de deixa-lo cair. Ele deve ficar levemente inclinado, tendo o purificador junto ao mesmo.
  • Evite ficar conversando durante a distribuição da Eucaristia; lembre-se que você está junto ao altar e está em evidência. Guarde seus comentários para depois da celebração.
  • Cruciferário e Tocheiros nunca fazem vênia quando estão com os instrumentos da procissão (Cruz e Tochas).

Sugestão de atividade prática para este 2º encontro: Ensaio da preparação da Mesa Eucarística.


3º ENCONTRO

MÊS DE VOCAÇÕES - OUTUBRO - 2003

ACÓLITOS E ACÓLITAS A SERVICO DE DEUS

2. FUNÇÕES, ATITUDES, POSTURA (continuação)

No encontro passado vimos um pouco sobre Ofício Eucarístico, as funções do acólito e como se portar durante a liturgia. Hoje nosso foco será a preparação das velas do altar e os processionais.

Acendendo e apagando as Velas do Altar

A tradição e o uso de velas na igreja cristã vem de muito tempo atrás. Com diversos simbolismos e significados escolheremos hoje a imagem de que Deus enviou a Sua Luz ao mundo. "Eu sou a Luz do mundo disse Jesus - quem me segue não andará nas trevas." João 8,12

As velas do templo serão acesas em torno de 5 minutos antes do início do culto e apagadas ao final do último hino. O acólito (ou acólitos) que for exercer esta função (acender/apagar) deverá estar usando somente a batina sem a sobrepeliz, pois o ofício ainda não teve início. Observe os passos que seguem:

Se for apenas um acólito

O acendimento das velas começa sempre pelo lado direito (chamado de Lado da Epístola, pois este seria o lado apropriado para estar a estante bíblica):

E, para apagar usa-se o processo inverso; iniciando-se pelo lado esquerdo, conhecido pela tradição dos cristãos dos primeiros séculos como Lado do Evangelho:

ou, apaga-se desta outra forma:

Se forem dois acólitos

Parte-se do princípio que a Luz de Deus vem do centro da mesa do altar (eucarístico). Assim que, se dois acólitos executarem a tarefa, deverão fazê-lo da seguinte forma:

  1. Acender
  2. Apagar

Importante: Durante o tempo da Páscoa até o domingo da Ascensão o Círio Pascal é aceso. Ela é a vela mais importante da liturgia e, simboliza o próprio Cristo Ressurreto. Portanto, durante este tempo (acendimento na Vigília Pascal até ser extinto durante a leitura do Santo Evangelho na festa da Ascensão) ele deverá ser a primeira vela a ser acesa e a última a ser apagada.


Os Processionais

Em nossa igreja brasileira temos experimentado apenas algumas formas processionais:

  1. Processional de entrada e saída nos Ofícios Solenes;
  2. Procissão das Oferendas, no momento do Ofertório;
  3. Processional da Proclamação do Santo Evangelho.
  4. Processional da Via Sacra, na Sexta-feira da Paixão.

Neste 3º encontro vamos destacar apenas dois processionais, o de Entrada e Saída, e, o da Proclamação do Santo Evangelho no contexto eucarístico.

Processional de Entrada e Saída - Dá-se geralmente em ofícios especiais e/ou solenes. Nestas ocasiões podemos ver na procissão diferentes ministérios da igreja representados, ou seja, as três ordens sagradas, ministros e ministras leigas, acólitos, tocheiros, cruciferário e turiferário.

O roteiro que segue nos mostra a disposição mais indicada na procissão: TURIFERÁRIO CRUCIFERÁRIO 2 TOCHEIROS (CORAL) ACÓLITOS MINISTROS LEIGOS DIÁCONOS PRESBÍTEROS BISPOS

Neste processional podemos ter um diácono como Cruciferário, usando a veste que conhecemos por Dalmática. Quando houver este processional os diáconos e presbíteros se colocam de acordo com a data de ordenação, ou seja, os ordenados recentemente à frente e aqueles com maior tempo de ordenação mais ao final da procissão.

Processional da Proclamação do Santo Evangelho - é um dos processionais mais comuns em nossa igreja brasileira. Enquanto o povo canta o hino gradual a procissão sai do santuário em direção ao centro da nave da igreja. Neste momento, dependendo da tradição de cada diocese, o bispo poderá abençoar o Evangelho e a pessoa que irá ler.

A procissão segue a ordem: 1º Turiferário, 2º Cruciferário, 3º tocheiros e 4º Diácono. (Existe, também, a possibilidade de um acólito carregar a Bíblia ou o Evangeliário diante do Diácono, e o sustentará diante de seu leitor). Observe que a procissão sempre segue este ordem, tanto na ida quanto na volta.

Chegando no centro da nave o Cruciferário e Tocheiros voltam-se para o Evangelho. Havendo uso de turíbulo, o Turiferário incensa o leitor do Evangelho.

A disposição no centro da nave fica assim: Cruciferário Tocheiro Tocheiro Diácono(a) Turiferário

É bom lembrar que neste momento chegamos ao ponto alto da Liturgia da Palavra, e, agora toda congregação se volta para o Evangelho.

O USO DO INCENSO

Gostaríamos de destacar aqui o uso do incenso na tradição cristã e resgatar o seu valor dentro do contexto da celebração (eucarística ou não), levando em consideração a riqueza litúrgica presente na Comunhão Anglicana.

O uso do incenso remonta desde os tempos bíblicos. Presente no Êxodo 30,1: "Farás também um altar de madeira e nele queimarás o incenso...", sendo mencionado ao longo da Bíblia, até chegarmos no Apocalipse que nos fala: "Um outro anjo veio junto ao altar, com um incensário de ouro. E, foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono do Cordeiro. E, subiu à presença de Deus a fumaça do incenso, com a oração dos santos." (Ap 8,3ss).

O turíbulo fumegante é oração em ação, é perfume agradável a Deus (Livro de Oração Comum p.23), é a entrega de nossos dons nas mãos de Deus, é a própria Glória de Deus que se eleva, e finalmente, é Purificação.

O uso que a liturgia faz do incenso indica a atitude oblativa da comunidade: da plenitude do coração nasce a oração da comunidade.

Sugestão de atividade prática para este 3º encontro: Ensaio do que foi estudado neste encontro.


4º ENCONTRO

MÊS DE VOCAÇÕES - OUTUBRO - 2003

ACÓLITOS E ACÓLITAS A SERVICO DE DEUS

Aqui temos uma proposta de Rito de Iniciação e Comissionamento de acólitos baseada no "The Book of Occasional Services, publicado por The Church Hymnal Corporation, na ECUSA.

Rito de Iniciação ou Comissionamento de Acólitos

  • Esta forma pode ser usada após o sermão ou do Credo quando for Oração Eucarística, ou, antes das orações na liturgia Matutina ou Vespertina. Porém, aconselha-se que seja feita no contexto eucarístico, no ofício da família.
  • Pode-se utilizar símbolos apropriados ao ministério do acólito.

O EXAME DOS CANDIDATOS

  • Estando a congregação sentada, os candidatos com seu apresentador estarão em pé diante do genuflexório, voltados para o Celebrante: CELEBRANTE - Irm

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