O Estandarte Christão - 11/1896

Versão Integral em Texto

O Estandarte Christão - 11/1896

Revd. Wm. Cabell BrownRevd. Americo V CabralRevd. Lucien Lee Kinsolving1896

O ESTANDARTE CHRISTAO

ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

Arvorae o estandarte aos povos ~ Isaias 62 : 10

VOL. IV Assignatura: POR ANNO. 3$000

Rio Grande do Sul, Novembro de 1896

Publicação UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ

N. 11

EXPEDIENTE

REDACTORES: Revd. Wm. Cabell Brown Revd. Americo V Cabral Revd. Lucien Lee Kinsolving

N'esta redacção dão-se todas as informações sobre tratados, e pu- blicações evangelicas. N'esta redacção dão-se todas as informações sobre tratados, e pu- blicações evangelicas. Todas as pes- soas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal dar-se-hão ao encommodo de nos remetter seu en- dereço, que serão immediatamente attendidas. Os pagamentos poderão ser feitos pelo correio.

O TRABALHO

Passado e futuro

Sendo até bem pouco tempo a Egreja romana reconhecida como a Egreja do Estado, eramos obri- gados a dirigirmo-nos a ella para qualquer acto que necessitasse ser registrado officialmente. Com o tempo esta obrigação degenerou em habito e a maio- ria dos brazileiros acostumados desde a infancia a verem os ca- zamentos, baptisados e encom- mendações de seus parentes, rea- lizados na Egreja romana, conti- nuaram a seguir a mesma rotina, sem que a menor idéa de reli- gião influisse na quasi totalidade de pessoas, impulsionadas apenas pela força do habito, e pelo que ellas julgam ser o simples cum- primento de um dever e de uma praxe social.

A falta de um espirito verda- deiramente religioso é bem nota- vel em todas as festas e cerimo- nias da Egreja romana, onde quasi todos vão apenas para ex- hibirem-se, ou por simples curio- sidade mundana, por passatempo ou por distracção. Qual será porém a causa deste desrespeito e irreverencia nos templos catholicos romanos que mais devotos notam e deploram? Cremos que isso é devido ao uso d'uma lingua morta e portanto tão incomprehensivel para o povo em todos os serviços religiosos; á invariavel monotonia dos mes- mos serviços, que, apezar de bas- tante espalhafatosos e talvez mnito apropriados para impres- sionar o povo na idade média, tornam-se agora ridiculos e inu- teis; e á abundancia de imagens, mais ou menos bem pintadas e douradas, que se diz (com que razão não sabemos) representar certos santos, cuja historia igno- ramos. A estas razões provenientes de simples impressão exterior, deve- mos ajuntar aquellas que o ra- ciocinio nos mostra, taes como: o tenebroso passado da Egreja ro- mana, affastando-se pouco a pou- co do Christianismo primitivo pela creação successiva de novos dogmas; o abandono methodico das sagradas escripturas, até pro- hibindo formalmente a sua leitura pelo povo; o celibato obrigatorio que tem resultado n'um compor- tamento irregular de não poucos sacerdotes romanos; o confessio- nario, uma instituição hoje geral- mente reprovadas, que tem dado logar a tantos escandalos; e em- fim a negação practica das dou- trinas puras e simples que Jesus Christo ensinou aos seus discipu- los. Felizmente, porém, a reacção contra estes abusos vae appare- cendo, e o indifferentismo com que até agora tem sido observa- das estas absurdas praticas, mas- caradas com o nome da religião, está rapidamente se transforman- do em franca opposição pelas pes- soas sensatas e criteriosas. Não está longé o dia em que a Egreja romana, apezar de dirigida por um maravilhoso mechanismo oc- culto, apezar de suas fabulosas riquezas, accumuladas a seculos e extorquidas por todos os meios á credulidade do povo, apezar da maleabilidade de suas doutrinas que se adoptam a todas as cons- ciencias, apezar de arrogar-se o direito de perdoar os péccados e absolver os peccados em troca de concessões puramente temporaes, apezar de tudo isto, não está ainda longe o dia, repetimos, em que a egreja romana ou terá que des- pir-se das doutrinas contrarias á Palavra de Deus, as quaes tem sido introduzidas no correr dos seculos, e voltar francamente ás doutrinassimples e puras de Chris- to, ou terá que baquear perante o progresso intellectual do mun- do civilisado e a indignação dos homens de bem.

Nestor.

Não ha, com effeito, no mundo, cousa mais commum do que o tra- balho. A lei do trabalho está de tal modo identificada com a natureza humana, que bem podemos dizer, parodiando as mais tocantes pala- vras do paciente Job, que o ho- mem nasce para o cançaço. Desde muito antes do alvorecer já ouvimos por toda a parte de nossas cidades o movimento sem- pre crescente do trabalho. Não temos, pois, intenção de encarecer os innumeros benefi- cios que resultam do trabalho ho- nesto, porque todos estamos con- vencidos da sua imperiosa neces- sidade e importancia. Porque tambem não pensamos como certo preguiçoso que, ao deitar-se, costumava dizer: <<< Deus dê o Reino da Gloria a quem creou o descanço. >>> Ouvindo alguem, disse-the: «Tu és um nescio; pois, não sabes que não haveria descanço, se não houvesse trabalho e can- çaço. >> Logo, quem creou o des- canço, creou tambem o cançaço do que te não deves agastar. Sim, Deus creou o trabalho, porque deu ao homem esta neces- sidade, e deu-lhe, além disso, o mandamento da sua santa lei para trabalhar seis dias descançar av setimo, e não sómente descançar, mas santificar este dia. Desde que Adão, o primeiro pai dos homens, foi expulso do Pa- raiso, deu-lhe Deus o trabalho, não simplesmente como um casti- go a sua infidelidade, mas como um meio de rehabilitação. O trabalho é pois, um dos gran- des factores da nossa actividade e do aperfeiçoamento do nosso ca- racter. Porém, o mesmo que succede com tudo o que é bom em si mes- mo e util ao homem, succede igualmente com o trabalho, o qual pode servir tanto para o bem como para o mal. segundo o uso que d'elle fizermos. Porque o trabalho que é verdadeiramen- te util ao homem, não é aquelle cujo objectivo é o méro lucro ou ganho, posto que as vezes logre resultados immediatos por isso mesmo que são transitorios; mas, sim, o trabalho regrado pela lei de Deus, constante, paciente e des- tinado a uma benção do Altis- simo.


RELAÇÃO DAS EGREJAS

A capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria n. 386 Porto Alegre Diacono: Rev. V Brande. Junta Parochial: Raymundo José Pereira 1º Guardião Alberto Wood 2º guardião. Bruno Mareco Thesoureiro. Carlos Hardegger Secretario. João Leirias

A capella do Bom Pastor Porto Alegre Pastor: Rev. James W. Morris CAIXA DO CORREIO, N.5 Junta Parochial: Antonio P. da Silva Thesoureiro Pinto do Leão 1º guardião José P. S. Norte 2º guardião.

A capella do Calvario Rio dos Sinos Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga Junta Parochial: André Machado Fraga 1° guardião. Maurilio M. de Moraes Sarmento 2º guardião Ernesto Gomes P. Bastos Thesoureiro Affonso Antunes da Cunha Secretario João Francisco de Souza Lucas M. de M. Sarmento. Galdino Antonio de Souza Antonio Prates de M. Sarmento Antonio Machado de M. Sarmento Firmino Prates de M. Sarmento João Prases de M. Sarmento

A capella da Resurreição São José do Norte Congregação ainda não organi- sada.

A capella do Redemptor Rua Felix da Cunha n. 61 Pelotas Pastor: Rev. John G. Meem CAIXA DO CORREIO N. 64 Junta Parochial: Manoel G. de Castro 1° guardião Pedro d'Alcantara 2º guardião Alberto Jarrys Thesourciro Feliciano d'Oliveira Registrador Raphael A. dos Santos Belmiro F. da Silva Joaquim A. Froes Trajano de Moraes Ribeiro

Capella do Espirito Santo Boa Vista Municipio de Pelotas Congregação ainda não orga- nisada.

A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villet Rio Grande Pastor Rev. W C. Brown Residencia: Rua Yatahy, n. 95 CAIXA DO CORREIO N. 47 Junta Parochial: Ernesto Alves de Castro Thesoureiro Angelo Catalane 1º guardião Antonio Alves Pinto 2. guardião João Vicente Romeu Secretario Antonio Gazzineo João Leonardo Germano. John Gay

A Capella da Graça Viamão Pastor: Rev. Americo V. Cabral José Luiz Ferreira Secretario João de Deus Rosa.

Leguas de livros

Em o museu brittanico, os li- vros que tratam da Biblia occu- pam muitas leguas das pratelei- ras. Um homem lendo oito horas por dia, levaria cem annos para ler todos os livros que versam so- bre a Biblia e o christianismo! E esta é só uma das muitas gran- des bibliothecas no mundo. Não ha outro assumpto que te- nha attrahido tantos escriptores. Esta multidão dos livaos é prova de que a Biblia não é livro qual- quer.

Pode ser que a razão que os sermões de nosso ministro pare- çam compridos de mais é que nos- sas orações são poucas e breves demais.


Trabalho entre padres francezes

PELO PROFESSOR L. J. BERTRAND, Paris (Continuação)

Oh! si tivessemos padres bem convertidos que conhecessem am- bos os shibboleths protestante e catholico, que conhecessem a Egreja não escravizada em re- ligião, que conhecessem a alma do povo, e que soubessem falar a linguagem do povo, então po- deriamos revolucionar a França. Na ver- dade, se temos obtido successos, devemol-os aos proselytos. Em St. Aubin de Blaye, o correge- dor, antigamente um catholico romano, deu o signal da reforma, e muitas estações da missão Pro- testante em Pas de Calais, Mon- teynard, Soubran, Tonnay-Bou- tonne, etc. foram fundadas por ex-catholicos e ex-padres. Como? Méramente porque el- les conhecem e entendem estes povos, e nós não, porque somos protestantes de nascimento. Quando Jesus quiz evangelisar os humildes, Elle escolheu Seus discipulos entre os humildes; po- rém para evangelisar os Phari- seus, Elle quiz um Phariseu; para os Gregos, Elle quiz um discipulo Grego; para evitar cilia. mediatamente elle poz-se a cami- nho para a visinha cidade de Pa- ris, onde residia um pastor pro- testante, M. Robert. O pastor foi surprehendido ao principio da sua coragem e ale- gre piedade. Quando elle tinha ouvido sua historia e comprehendeu o cruel estado em que elle se achava, M. Robert disse: < Se vossa consciencia recusa obedecer, dizei a vossos parochia- nos que no proximo domingo pre- gareis sobre este assumpto: «Mi- nhas razões para deixar a Egre- ja de Roma». Então, como nos dias da Reforma, ficai em St. Pa- lais entre vosso rebanho. Eu alu- garei uma sala de reunião, de uma ou d'outra maneira, onde pregareis o que acreditaes ser verdade, e a Missão para Padres dereis tel-o animado com estas pa- lavras, accrescentou M. Ro- bert, porém eu sabia, de algum modo que já tinha resolvido. A luta tinha sido dolorosa, porém, triumphante. » Com effeito, no Domingo se- guinte M. Bonhomme pregou um sermão sobre os erros e abusos que tinham sido a causa da sua ruptura com Roma. A egreja parochial de St. Pa- lais cra demasiadamente pequena para conter a multidão. E o dis- curso foi tão penetrante, tão pa- thetico e fervoroso, que todos aquelles catholicos pensavam: «Não devemos nós proceder da mesma fórma!» Quando Mr. Bonhomme deixou a egreja para despojar-se da so- taina, que elle tinha usado pela ultima vez na sua vida, muitos do povo, homens e mulheres, se guiram-n'o a sua casa para aper- tar-lhe a mão e felicital-o. Sua heroica decisão tinha ganho para elle o respeito e admiração de to- dos, Porém, o bispo estava tão indignado que mandou a toda a car o santuario aspergindo-o com agua benta. Com excepção de umas poucas mulheres velhas os habitantes de St. Palais recusa- ram comparecer a cerimonia que elles chamavam uma farça pa- pal». « Nosso cura Bonhommes, diziam elles, é muito mais pio e consciencioso do que aquelles homens. >> Quando eu ouvi a respeito que d'estes factos, me apressei a ir a St. Palais para abrir a nova sala de reunião. Emquanto o novo cura, o que succedeu M. Bonhomt me, tinha pouco mais de uma du- zia de ovvintes, nossa reunião foi tão concorrida que eu tive de di- zer aos homens para ceder seus lugares ás senhoras, e contenta- rem-se em ouvir das janellas e portas, as quaes foram abertas de par em par. Todos estavam fallando de Bon- homme a vinte milhas em redor, e todos desejavam ouvil-o e apren- der alguma cousa a respeito dos Protestantes. Depois da minha partida, o pas- tor Robert, o padre Bonhomme e dois outros conférenciers vieram de Paris e foram todos pela cam- panha dando leituras em vinte villas. De cinco ou seis paro- chias levantou-se o grito: Mandem-nos um ex-padre para ensinar-nos o Evangelho de Chris- to! Nossa junta sentio que a demora não era mais possivel e decidio satisfazer esse pedido de algum modo. Emquanto estavamos discutin- do aquella questão em Paris, M. Bonhomme foi chamado ao lon- ge para Bourg du Bose para dar uma leitura. No proximo dia o maire, o Conselho Municipal e a melhor metade dos habitantes re- solveram tornar-se protestantes e supplicaram-nos para dar-lhes um padre convertido para pastor. Agora que um segundo padre, o Abbade Corneloup, está estabe- lecido n'estas partes, a obra está estendendo-se mais e mais, e pas- tor Robert pede-nos para mandar- lhes um terceiro padre. Infeliz- mente, nossos fundos não nos per- mittem responder, como agora, na affirmativa. Porém a conversão d'um padre não tem sido sómente a maneira de levar o Evangelho a vinte vil- las, isto tambem despertou a pe- quena egreja de Pons, perfeita- mente adormecida até então. Agora os membros da egreja vão pela campanha ajudando nos- sos padres convertidos em pregar com elles o Evangelho aos cam- poneses. Deste torrão generoso hão de sahir um dia, por sua vez, arau- tos intemeratos do Evangelho que levem por todo o Estado e quem sabe se fora d'elle a mensagem cru- da Redempção! E quando talvez nós já tivermos beijados com os labios frios pela morte o pó d'esta terra que tanto amámos, a cruz de nosso templo erguer-se-ha, como uma memoria da fé que um dia alentou-nos os peitos ao juntar aquellas pedras ! Em nome de Deus, Amen. Viamão, Novembro de 96. Americo V. Cabral.

Noticias de Pelotas

Temos tido entre nós o irmão evangelico Sr. Maximiano das Chagas Carvalho, ex-padre da Egreja Romana. O irmão tem aberto uma aula particular, e está com intenções de fixar residencia aqui, se conseguir um numero de sufficiente de alumnos. Tambem tivemos o prazer de vér em nossa congregação os ir- mãos da Egreja Presbyteriana da Capital Federal, o major do exer- cito, Sr. Frederico Lisboa de Mára e sua Exma. Senhora. Um outro irmão, cuja presen- ça, tem-nos animado, é o digno moço Sr. Frederico Gaertner Ju- nior, membro da Egreja Evange- lica Allemă de Curityba. Todos estes irmãos são muito bem vindos. Desde o mez de Setembro p. p- o irmão na nossa Egreja, Sr. Al. berto Jarrys, tem ajudado bas- tante no orgão, tocando em todos os serviços divinos nas quartas- feiras e ultimamente nos domin- gos de noite. E não se diga que essa cons- trucção é só em beneficio de nos- sa Egreja. Não! E' tambem a contribuição material de mais um edificio para esta villa, edificio catholico! Então, poderiamos attestará ao viandante, que as tradições de liberdade do povo Viamonense não estão de todo mortas ou esquecidas. Attestará ao viandante o nosso progresso espiritual e dir-lhe-ha que aqui em Viamão ha um logar para to- dos, ha liberdade de cultos e ha verdadeiro respeito ás garantias constitucionaes da Republica. Viamonenses! a aurora do Evangelho já vem surgindo após periodo tenebroso dos vossos ul- timos cincoenta annos! Este sólo que tem sido nos ultimos tempos o proverbio das gentes, hade tor- nar-se outra vez o orgulho do Rio Grande do Sul !


Baptisados

Na Capella do Espirito-Santo, Boa-Vista, no dia 13 de Agosto, Rosalina, filha do Sr. João Mar- tiniano Teixeira. Os padrinhos foram o Sr. Mar- ciano Gonçalves da Silva e sua Exma. esposa D. Anna Gonçal- ves da Silva. e sua filha D. Lu- cia.

Na Capella do Redemptor, Pe- lotas, no dia 11 de Outubro, Ri- cardina, filha de D. Feliciana Lucas. Padrinhos: Sr. Lourenço Soto- riva e a Sra. D. Alice Dias Ra- mos.

Na mesma Capella, no dia 23 de Outubro Tobias Santos, meni- no de onze annos. Foram padri- nhos: Sr. Raphael Archanjo dos Santos e D. Magdalena Ama- rante.

Falleceu no dia 16 de Outubro a Sra. D. Luiza Belchior Montei- ro Martins, esposa do Sr. José Martins, e sobrinha de nossa irma na fé D. Alexandrína Go- mes. A todos os parentes da fina- da nossos sinceros pezames por este infausto acontecimento.


Notas

Mais um padre conver- tido

De uma carta do Pastor Pech- manu de Hamburgerberg para o Rev. Cabral extrahimos, com a devida venia o seguinte topico que não será sem interesse para esses leitores: <<< Ha algumas semañas está em minha casa um ex-padre catholi- co e jesnita, o qual entrou para a Egreja Evangelica e é um moço muito educado e que sabe prégar naturalmente. Quando do seio do jesuitismo allemão estão sahindo conversos para a Egreja Evangelica é sig- nal de que a onda da propaganda christä avoluma-se com incalcu- lavel impetuosidade- E quantos padres não haverá, mesmo aqui em nosso Estado, que sentem sua consciencia revoltada contra os erros da Egreja de Ro- ma mas que não tem coragem para quebrar com as cadeias des- te, porque elle tinha declarado aberta - mente que Jesus Christo é o uni- co Mediador entre Deus e os ho- mens. O padre sahio da França e veio para o Brazil; porém, quando voltou foi accusado mais uma vez de ter usado linguagem impru- dente», porque elle tinha prega- do que o Evangelho era o tudo dos christãos. Comtudo, elle foi nomeado cura da pequena villa St. Palais, ao oeste da França. Elle não estava lá muito tem- po quando um outro cura ouvio-o declarar publicamente suas du- vidas sobre purgatorio e confes- siónario; e pela terceira vez elle foi accusado de ter usado «lin- guagem imprudente. >>> Seu bispo ordenou-lhe de re- tractar-se publicamente ou re- signar. O pobre padre ficou as- sombrado. Elle sentio-se obrigado a pre- gar o que elle acreditava ser a verdade, porém amava tanto seus parochianos que elle sentio o co- ração despedaçado com o méro pensamento de abandonal-os. Eles por outro lado, não po- diam supportar o pensamento da separação do seu cura, e forma- ram uma petição pedindo ao bis- po de deixal-o em St. Palais. <<< E então te maltrataram? > disse Mr. Lloyd <<Não sabem o que fazem res- pondeu o moço, não são muito culpados. N'este momento as fei- ções d'elle contrahiram-se com a intensidade das dores que soffria, e o missionario depois de dar-lhes um restorativo examinou com todo o cuidado as suas feridas. As suas costas foram pisadas e cor- tadas evidentemente pelo açoite, e uma perna estava deslocada. Fez tudo qua era possivel para alliviar os soffrimentos do rapaz, este então disse: «Preciso voltar antes da madrugada, ou vós sof- frereis por minha causa. Porém, temos ainda tempo de fallar do Filho de Deus que fez tanto por mim. >> Ninguem pode imaginar a in- finencia que tenham as pequenas cousas. E Eduardo Lloyd assentado ao lado d'elle e ouvindo as suas pa- lavras tão cheias da maravilho- sa luz» deu graças a Deus que ti- nha feito uma tal mudança n'a- quella alma. Parecia que o unico desejo do moço era glorificar a Deus, porque quando Mr. Lloyd The perguntou : «Não podemos es- conder-te ou ajudar-tea escapar?» elle respondeu: «Não, creio que esta não é a vontade de Deus pa- ra commigo. Meu pae e meu ir- mão estão esperando para ver se meu Deus pode sustentar-me. E parece que Elle está dizendo : «Eu que estava com Daniel, estou comtigo. Devo então ter medo?» << De certo que não. Mas receio que vão matar-te disse o missio- nario. <<<E se assim fizerem,» respon- deu o outro, «Elle que tem estado commigo estes dois dias passados estará tambem até o fim. Meus parentes sabem que sou timido por natureza, e admiram-se que tenho coragem de resistil-os. Mas um que elles não conhecem me da esta força.>>> Antes do amanhecer o missio- nario voltou com o moço à sua casa e là deixou, recommendan- do-o ao cuidado do «Pae nos céus» Hora após hora, passou, e só po- dia fazer oração por elle, e espe- rar algumas noticias a seu res- peito. A' meia noite do seguinte dia ouviu bater na porta, e esta vez entrou um Chinez velho, que, fallando em voz baixa disse ao jovem mestre. «Como vae elle, e onde está?>>> perguntou anciosamente o missio- nario. <<< Elie mandou-me dizer-vos, >>> respondeu o Chinez, que foi ter com seu Pae nos Céus, e que, tudo era bom. Estas foram as suas ul- timas palavras. >> Por alguns momentos houve silencio no quarto, e então Mr. Lloyd perguntou: «Soffreu? Cas- tigaram-no outra vez ? >>> O Chinez respondeu somente com um suspiro, e pondo os dedos nos labios, sahiu tão silenciosa- mente como entrou. O homem que agrada a Deus terá desgostos dos homens. Brazileiros, que vos intitulaes ministros de Deus, se vossa cons- ciencia repelle as practicas de vossa Egreja, não deveis conti- nuar por mais tempo n'ella, рог- que tudo que é contra a conscien- cia é peccado, diz a Escriptura. Sacerdotes catholicos, não de- veis esquecer que perante a Bi- blia são insustentaveis as doutri- nas da missa, do purzatorio, da confissão auricular, da infallibi- lidade do papa, do celibato do clero, do culto n'uma lingua inin- telligivel para o povo! Ponde cuidado especial nas se- guintes passagens da Palavra de Deus E assim como está decre- tado aos homens, que morram uma só vez, e depois disto se siga o juizo, assim tambem Christo foi uma só vez immolado para esgo- tar os peccados de muitos (He- breus IX: 27-28). «Porque o que fala uma lin- gua desconhecida, não fala a ho- mens senão a Deus porque ne- nhum o ouve... mas eu antes de no quero fallar na Igreja cinco pala- vrasda minha intelligencia para instruir tambem aos outros, do que dez mil palavras em lingua estranha (1 cor. XIV: 2e 19). Ao Senhor teu Deus adorarás e a Elle só servirás (S. Matheus IV: 10). Vós sabeis que os que teem autho- ridade entre os povos, esses são os que os dominam e que os seus principes tem poder sobre elles. Porém, entre vós não deve ser assim: mas todo o que quizer ser o maior, esse deve ser o que vos ministre, e todo o que entre vós primeiro, esse deve fazer-se servo de todos. Porque o mesmo filho do homem não veio-a ser servido, mas a servire a dar sua vida para redempção de mui- tos. (S. Marcos, X: 42-45). Estas e muitas outras passagens desferem golpes mortaes nos en- sinos e praticas da Egreja de Ro- ma. Sacerdotes da Egreja Romana! Lêde a Biblia autorisada pelos vossos Bispos e lá mesmo encon- trareis muita cousa que vossa Egreja já não observa; haveis de ficar convencidos de que a Egreja de Roma tem adulterado o Evangelho e já está muito longe do que foi em tempos idos. Refor- mar-se ella não quer, e o que resta para vós sacerdotes cons- cienciosos? Abraçar Evangelho, venha o que vier, e publicar a mensagem de Jesus Christo Unico Salvador dos Homens. Assim seja. Em nossosarraiaes vos esperamos de braços abertos!


NOTICIAS

Durante o corrente mez os ir- mãos: D. Manoela da Silva, Sr. João Alberto da Silveira e Sr. Arthur Balmelly, tem estado gravemente doentes, os primeiros com pneumonia. Comtudo, no momento actual, é nosso previlegio noticiar, com grato reconhecimento ao Altissi- mo, que D. Manoela e Sr. Bal- melly jå se acham em convales- cença, emquanto o Sr. João Sil- veira tem obtido melhoras. Fazemos votos a Deus pelo completo restabelecimento de todos estes irmãos. Regosijamo-nos com todos os membros da familia do Sr. alferes Francisco da Silveira Rosa, pela feliz chegada aqui, após ausencia de muitos annos, de seu filho e ir- mão, o sargento Sr. Epiphanio Fe- da Silveira Rosa.

Tres visitas de noite

Era noite n'uma grande cida- de, e um servo de Deus ajoelhava-se em sua casa com a Biblia aberta em frente d'elle. Por quatro annos este homem, Eduardo Lloyd por nome, traba- lhára com um missionario n'a- quella provincia porém os seus serviços ainda não deram muito fructo. Agora elle estava fazendo oração a Deus em favor das almas afogadas nas trevas do paganis- mo. De repente ouviu uma batida bem leve na porta de seu quarto. Abriu-a cautelosamente porque era meia noute. Com difficuldade percebeu um objecto escuro no chão, do qual sahiu uma voz bai- xa dizendo: <<< Tenha a bondade de permittir- me uma palavra com o Sr. Lloyd <<< Entre, respondeu cordial- mente o missionario, reconhecen- do um moço que tinha com- prado d'elle, havia pouco tempo, uma Biblia. Mas quando offere- ceu uma cadeira a seu hospede fi- cou admirado em ver que não po- dia chegar a ella a pé, mas arras- tava-se pelo chão. <<< Estás soffrendo:>>> exclamou. <<<Que aconteceu? Diga-me» E ao mesmo tempo poz um colchão perto do coitado moço e ajudou-o a levantar-se e deitar-se sobre elle. <<<Vim pedir-vos que oreis com- migo. Quero que tomeis minha mão em vossa para que possamos fallar juntos ao nosso pae nos çéus». Pois, e emquanto fallava um sorriso celestial brilhou no seu rosto pallido, Elle me mos- trou o seu amor, e derramou paz no meu coração. Faz um anno que ouvi-vos fallar d'estas cousas, porém meus amigos disseram que eram mentiras. Mas comprei o proprio livro do grande Pae, e seu Espirito entrou nos versos e fal- lou a meu coração, e meu cora- ção respondeu a Elle. >> << E teus parentes, o que di- zem? perguntou o missionario apertando a mão ao moço. << Elles não o entendem, res- pondeu elle, «dizem que é mister expellir de mim estas novas idéas. > <<< E então te maltrataram? > disse Mr. Lloyd <<Não sabem o que fazem res- pondeu o moço, não são muito culpados. N'este momento as fei- ções d'elle contrahiram-se com a intensidade das dores que soffria, e o missionario depois de dar-lhes um restorativo examinou com todo o cuidado as suas feridas. As suas costas foram pisadas e cor- tadas evidentemente pelo açoite, e uma perna estava deslocada. Fez tudo qua era possivel para alliviar os soffrimentos do rapaz, este então disse: «Preciso voltar antes da madrugada, ou vós sof- frereis por minha causa. Porém, temos ainda tempo de fallar do Filho de Deus que fez tanto por mim. >> Ninguem pode imaginar a in- finencia que tenham as pequenas cousas. E Eduardo Lloyd assentado ao

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