O Bispo Robinson Cavalcanti e o Homossexualismo
O Bispo Robinson Cavalcanti e o Homossexualismo
Rev. Filadelfo Oliveira Neto, OSE
Quanto a posição do nosso Bispo sobre tema tão controvertido quanto atual, vale esclarecer:
1. Aspecto Moral
Em seus livros “Uma Bênção Chamada Sexo" e "Libertação e Sexualidade", o Bispo Robinson Cavalcanti expressamente afirma ser a heterossexualidade o padrão de Deus para a humanidade. Ele foi o único bispo anglicano brasileiro que votou na última Conferência de Lambeth (1998) na proposta amplamente vitoriosa, que considera a prática homossexual como “incompatível com as Escrituras". No último Concílio (1999) o bispo coerente com o seu voto em Lambeth - baixou uma Resolução Diocesana onde proíbe a ordenação de homossexuais praticantes ou de defensores da normalidade da opção homoerótica (única Diocese do Brasil com tal norma);
2. Aspecto Teológico
Como protestante que é, o Bispo Robinson rejeita a noção de pecados "mortais" e "veniais", maiores e menores. Segundo a Bíblia "todos pecaram” e “não há um justo". A Teologia Cristã considera todas as expressões de pecado - por pensamento, palavras, obras ou omissões como sintomas da natureza caída. Em decorrência dessa posição, os homossexuais não podem ser tratados diferentemente dos maledicentes, dos mentirosos ou dos egoístas. A homofobia (ódio aos gays e lésbicas) também é um pecado (como o ódio aos negros, aos judeus, etc.), além de revelar uma insegurança quanto à própria identidade sexual. Essa leitura teológica foi consensual entre os bispos anglicanos em Lambeth.
Essa posição implica em dois desdobramentos:
a) Eclesiástica
Sem nenhum voto em contrário os bispos anglicanos de todo o mundo deliberaram que os homossexuais podem ser membros da igreja, em virtude do batismo e da confirmação. Para excluí-los, teríamos que excluir outros pecadores. Os bispos em Lambeth seguiram a posição dos Reformadores como Lutero, para quem todos os cristãos, como pecadores, expostos ao ensino da Palavra e aos Sacramentos, vão sendo reconstruídos por Deus, no processo de santificação, e apenas Deus pode separar o joio do trigo;
b) Pastoral
A não concordância com a opção homoerótica não nos deve impedir de expressarmos o amor de Cristo para todas as pessoas. Esse amor é colocado no coração dos cristãos pelo Espírito Santo. Ter amigos homossexuais não significa concordar com eles em tudo. Para Lambeth os pastores devem dar exemplo desse amor ao ministrar a suas ovelhas, visando o seu crescimento espiritual.
3. Aspecto Jurídico
O Protestantismo lutou para que chegássemos ao estágio atual de separação entre Igreja e Estado, de Estado Laico (sem religião oficial) no Brasil, onde todos devem ser considerados iguais perante a Lei, e respeitados como pessoas, como cidadãos e como profissionais. A esse nível, o bispo Robinson tem defendido os direitos civis dos discriminados (inclusive dos homossexuais), favorecendo uma legislação que proteja os seus direitos patrimoniais e trabalhistas. O bispo afirma que não vivemos em uma teocracia, e que nenhuma religião pode usar o Estado para impor os seus pontos de vista, e que somente Deus é que tem o poder de mudar as pessoas por dentro, procurando transformá-las à imagem de Cristo.
O pensamento do Bispo sobre esse tema tem sido claro, estável e coerente. Afirmar o contrário seria leviandade ou má fé.
O Rev. Filadelfo Oliveira Neto, OSE, presbítero, é Secretário Executivo Diocesano e professor do SAET.