O Estandarte Christão - 10/1895
O ESTANDARTE CHRISTÃO
ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
ASSIGNATURA: POR ANNO 3$000
Expediente
Toda a correspondencia deve-se dirigir à O escriptorio da redacção acha-se no edi- ficio da Escola Americana n. 387 Rua Volun- tarios da Patria. Caixa do correio n. 5.
REDACTORES REVDOS J. W. Morris W. C. Brown A. V. Cabral
N'esta redacção dão-se todas as informa- ções sobre tratados, e publicações evangelicas. Todas as pessoas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal dar-se-hão ao encommodo de nos remetter seu endereço que serão imme- diatamente attendidas. Os pagamentos poderão ser feitos pelo cor- reio.
Relação das Egrejas
A Capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria N. 386 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. James W. Morris. Junta Parochial: Raymundo José Pereira, 1.º Guardião João Leirias, 2.º Guardião; Gervasio M. de Moraes Sarmento, Thesoureiro; Major Jose Lopes de Oliveira, Secretario; Carlos Emil Hardegger; dos Santos.
A Capella do Bom Pastor Rua Riachuelo Nr. 126 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. W. C. Brown. Diacono: Rev. V. Brande. Junta Parochial: Antonio P. da Silva, Thesoureiro; Pinto de Leão, 1º Guardião; José P. S. Norte 2º Guardião.
A Capella do Calvario RIO DOS SINOS "Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga. Junta Parochial: André Machado Fraga, 1.° Guardião; Maurilio M. de M. Sarmento, 2.º Guardião, Ernesto Gomes de P. Bastos, Thesoureiro; Affonso Antonio da Cunha, Secretario; Odorico F. de Souza; Lucas M. de M. Sarmento.
A Capella do Redemptor Rua Felix da Cunha Nr. 61 PELOTAS Pastor: Rev. J. G. Meem. Junta Parochial: Belmiro F. da Silva, 1.º Guardião; Raphael A. dos Santos, 2.º Guardião; Amaro Pinto de Oliveira, Thesoureiro; Joaquim A. Fróes, Registrador; Manoel G. de Cas- tro; Alypio J. dos Santos.
A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villete RIO GRANDE Pastor: Rev. L. L. Kinsolving. Junta Parochial: Rodrigo da Costa de Almeida Lobo, Thesoureiro; Manoel Thomaz de Oliveira, 1.º Guardião; Angelo Catalan, 2.º Guar- dião João Vicente Romeu, Registrador; Antonio Gazzineo, Jacyntho de Santa Anna,
Viamão (Congregação ainda não formada) Rev.: Americo V. Cabral.
PORTO ALEGRE, OUTUBRO DE 1895
Momentoso
E' assumpto consignado na legislação ca- nonica da Egreja Protestante Episcopal no Sul dos Estados Unidos do Brazil, que uma collecta em beneficio dos pobres da paro- chia seja recolhida nos dias de Commu- nhão.
Tão sabia disposição da lei não póde ser desprezada por aquelles que tem sob sua responsabilidade os cargos pastoraes. Uma doença sem recursos, uma situação critica, uma orphandade real, nunca devem bater em vão á porta do presbyterio.
Quando ha tempos trocavamos o artigo «A Charidades que o «Mercantil» trans- creveu em suas columnas, animava-nos o desejo de revocar os esforços da Egreja para os arraiaes da practica onde os sen- timentos christãos vão encontrar um terre- no mais ubero, quiçá, do que o terreno da discussão e da logica.
Já vemos pois que o socorro que a Egreja Christa deve ministrar ao necessi- tado de um d'aquelles deveres, cujas paizes prendem-se sobejo ao sólo da propa- ganda evangelica para que o negligencie- mos peccaminosamente.
Na corrente das providencias particula- res que a Egreja precisa tomar estão os asylos e os hospitaes. Fraca, debil como é ainda a nossa Egreja ella approxima- se do gazophilacio e como a viuva de Jeru- salem deposita suas duas moedinhas para a construcção d'esse grande templo Chris- tão que se chama charidade.
Mas que esses mesmos ceitis não sejam recusados nos dias de Communhão, porque essa esmola irá alliviar a necessidade e, quiçá, algumas vezes evitar a deshonra. O digno presbytero que tem a seu car- go a Capella do Bom Pastor em Porto Alegre tenciona recolher no dia de Natal uma collecta especial para o fim de que tratamos. Que estas linhas mortas para assumpto tão vivo sirvam de aviso e de preparação áquelles que n'esse dia lá pos- sam levar seu obulo repassado de amor.
Dae e dar-se-vos-ha.
O que a Egreja precisa
De que precisa a Egreja? De dinheiro? Não. De bellos edificios? Não. O poder de uma Egreja consiste no di- nheiro? Não.
O que uma Egreja precisa é religião vital, espirito de abnegação, fé e caridade em seus membros. Se a Egreja fosse uma sociedade fundada por homens, para a sa- tisfacção dos gostos humanos, dependente do favor dos homens, então seus recursos materiaes representariam sua força real. Porém a Egreja é de Deus e para Deus. Se não é isto, não é nada. Se tiver toda a riqueza e toda a sabedoria e não tiver o Espirito de Deus então a Egreja é um desastre.
Um famoso papa recebeu uma vez Tho- maz de Aquino em Roma e estava mos- trando ao Santo as riquezas do thesouro papal. O Papa apontando para as pilhas de dinheiro disse: «Os successores de S. Pedro não podem mais dizer Ouro e prata não tenho, não é exacto ?> <<<Nem tão pouco», respondeu o santo, podem dizer: «levanta-te e anda.>>> (Bispo Gailor) Spirit of Missions.
Um exemplo para os ricos
Amos Lawrence era um homem de in- telligencia e energia. O Senhor prospe- rou-o em seus negocios. Quando este homem chegou á meia ida- de continuou a pensar em ganhar, porem muito mais em dar. Cinco sextos de seus lucros eram devotados ás obras de benefi- cencia christã e achava-se feliz levando a alegria aos outros. Quão rica, quão fructuosa, quão cheia de satisfação uma tal vida! Se não crêdes, lêde o testemunho d'este homem nobre e comparaee-o com as palavras dos ricos cu- jos entendimentos foram cégos pelo deus do mundo.
A terra é um logar de perigo. Ha al- mas que se despedaçam em horrivel nau- fragio ao redor de nós e isto simplesmente porque ellas não creem n'aquellas palavras do Salvador «Cousa mais bemaventurada é dar que receber.>>> Se o espirito de Amos Lawrence fosse possuido por um grande numero de ricos da Egreja de nossos dias, não se regatea- ria auxilio ás missões; as dividas da Egreja seriam pagas; o thesouro estaria cheio. «Mais campos a conquistar!» seria o grito e a Egreja brilharia com resplendor em toda a sua força e gloria, bella como Tir- zah, airosa como Jerusalem, terrivel como um exercito com bandeiras. (Parson's Outbook.)
O Papa de troça...
Transcrevemos esta noticia tal qual, foi publicada na cidade de Pelotas: Um despacho telegraphico de 14 do cor- rente de Roma diz que nos circulos do Va- ticano assegura-se que o papa Leão XIII, depois das festas officiaes do dia 20 de se- tembro, enviará uma nota ás grandes po- tencias estrangeiras, protestando contra a attitude do governo italiano. Elle dir-lhes- ha tambem que é necessario que o poder temporal the seja restituido, e isso o mais cedo possivel!? Com certeza as potencias, grandes e pequenas, vão se reunir para entregar ao prisioneiro do Vaticano o seu querido po- der temporal, e isto no mais breve praso possivel, como é o desejo do humilde servo dos servos de Deus. Tem graça, o Papa
Pela grande causa
Vitam impendere veros (consagrar sua vida á verdade)
D'estas palavras de Juvenal, aquelle ce- lebre poeta latino, que nas suas obras, mostrou tanta energia e indignação contra os vicios de Roma, J. J. Rousseau, o no- tavel prosador e philosopho, fez a sua di- visa.
Mas, quando recebemos um conselho, quando se nos faz uma exhortação, quando se nos repetem palavras, que forão a di- visa de homens eminentes, quando ellas en- cerrão, ao mesmo tempo, um conselho di- gno de ser aproveitado, não devemos limi- tar-nos simplesmente a admiral-as e ap- proval-as.
Devemos tambem tomal-as como nossa divisato commandement de para a nossa batalha, onde se os pistas é uma data em que elles só se lem- bram de ira e de vingança !! E', pois com estas palavras de Juvenal que eu quero hoje dirigir-me aos moços, e especialmente aos que tem o desejo de se tornarem arautos do Evangelho. E' para vós mancebos que estas pala- vras: Vitam impendere vero devem ser como aquelle toque do clarim que dá o si- gnal de avançar. Elle vos causará primei- ro certo abalo, porque sois voluntarios, soldados inexperientes, mas a vossa divisa não pode ser abandonada! Vos tendes alistado nas fileiras do exers cito que peleja em pról da mais santa das causas, em pról da verdade, e portanto o vosso posto não póde, nem deve ser aban- donado! A divisa que J. J. Rousseau adoptou, é a mesma de todo o soldado fiel de Jesus Christo, do General dos Generaes. Mas ella deve ser ainda, de maior valor, para aquelles mancebos que tem o ardente desejo de poderem algum dia annunciar a seus irmãos as boas novas de salvação. Nada! deve arredal-os d'essa divisa! e quando seja d'aquella ajuntando fe que ou foi tirando uma vez alguma por todos cousa da doente, eu estava, pediu e quando mendenderbe soube que eu es da aos santos. Pilatos perguntou «O que disseram tomou nota n'um papel. A a verdades est Chronousso Beme elle veiu ver-me dito Mestre responden «Eu sou a verdade Nossa contenção não é que Roma tenha Si trago este facto, esta noticia, para as negado a unica eterna satisfação pelo pec- columnas do Estandarte, não é movido pe- cado, mas por ter ella exigido que se de la raiva, nem pelo jubilo de ver destruida aqui ou no purgatorio satisfação pelos a propriedade d'aquelles que lanção mil in- sultos aos evangelistas. Não! pelo contrario, o acto praticado por alguns cidadãos italianos, e do qual peccados peccados que se commettem depois do ba- ptismo. Não negamos que a Egreja de Nosso Senhor como Rei de Justiça e juizo, Roma crê na unica mediação de Christo <<E o que elle fez?» perguntou o vig <<Lia para mim um pouco da Bibl fazia oração. foi a resposta. Uma viva esperança nós o fazemos. Para o estimado E Nossos paes leram Leighton mais do não deve ser responsavel toda a laboriosa porem não podemos admittir, pois a Biblia Payne, de Africa, as obras de Leig colonia italiana da capital do Estado, é não nol-o ensina, a deificação que a Egreja eram as mais devotas e proveitosas sem duvida, reprovavel. Trazendo á vossa apreciação o facto que ora relato, levo sómente a idéa de mos- trar-vos, de fazer-vos vêr, que os jesuitas não são como apregoam por ahi, discipu- los do Divino Christo soffreu mil affrontas porém nun- ca tratou mal, nem reagio contra aquelles que o maltratavam. E mais uma prova temos no artigo que o Volksblatt dirigio aos italianos, em ge- ral, chamando-os de ladrões, homens sem moral etc. de Roma tem feito da Virgem Maria a ducções humanas. misericordia e compaixão. ponto de adoral-a como dispensadora de N'estas cousas e em muitas outras se- Podemdes por grade mais devel melhantes a Egreja de Roma não é velha um de seus erros. O Papa foi por mui- tos seculos um humilde e fiel Bispo. Por- que agora elle se exalta a si mesmo? Porém, as gerações mudam os hyu a musica e os livros, do grande homem, com proveito. No entanto podemos ler um paragia O que diz elle, por exemplo, sobre «viva esperança em Deus? Uma viva esperança, que vive mesm morte! Porque elle não se contém dentro de suas O mundo não pôde dizer mais do q medidas? Se Leão XIII quizesse retirar Dum spiro spero (emquanto vivo, espe Bispo dos Bispos, á supremacia e a infal- em virtude de sua viva libilidade, e repudiasse todas as addições expiro spero (emquanto morro, espero.) ao Credo Niceno como necessarias á sal- Si o 20 de setembro é para o jesuitismo uma data fatal, si elle sente-se ferido por vêr n'essa data, um inicio do enfraqueci- vação, poderia e faria mais para a unifica- mento do poder dos papas, não é direito, fraqueci-ção da Christandade, do que qualquer ou- que homens que se dizem discipulos de Christo, que fallão contra nós, que préga- mos a verdadeira religião dêem assim uma mostra da raiva que se aninha dentro de si. Não! queridos leitores, como já vos dis- se acima, Christo soffreu muito, mas nunca tratou acremente aquelles que o injuriavam. tro homem sobre a terra. A Egreja pode tornar-se uma, porem como Republica e não como Monarchia. (Ex.) E' prudente que um homem saiba, ao menos, tres cousas: Primeira, onde está; As provas contra o jesuitismo augmen- segunda, para onde está indo; terceira, o tão de dia em dia, a reacção parece não tardar, e dia virá em que a luz brilhante que elle pode melhor fazer em suas cir- do Evangelho penetrará em cada lar, co- nhecendo-se então que os jesuitas não são discípulos de Nosso Senhor, mas apenas adeptos d'uma religião falsa que não en- sina Nazareno ensinou. ellas doutrinas puras, tal qual o cumstancias. (Ruskin.) viva esperança L Triste cousa é quando o homem e to as suas esperanças perecem juntas. Assim disse Salomão, dos mãos, «Qua elle morre, então perecem suas esperanç (Prov. XI: 7) Porem os justos tem ca rança na morte (Prov. XV:32) A morte, que separa os peccadores suas esperanças, e retira o homem de s heranças, ella cumpre a esperança do ch tão e termina-a em gozo; como uma m sageira enviada para introduzir os fill de Deus na posse de sua herança.>> (Southern Churchman.)
O Evangelho no Japão
O Rev. Henry Loomis, de Japão, escre de Coréa: «Uma cousa me impressiona especia do Japão, o Conde Inonge, foi enviado Coréa para auxiliar a inauguração da no va ordem de cousas e tomou como se ajudantes dous homens Christãos, o Cond Herosavva e Saito Shinchiro. Isto signi fica que a Religião de Jesus Christo sera d'aqui em diante não somente tolerada po- rém conquistará a estima dos que estão em poder.
O Sr. Coelho Rodrigues, senador pelo Piauhy, embirron com a seita de Comte, e não perde vasa para atacal-a e expol-a ao ridiculo.
Abstemo-nos de analysar os principios positivistas, mas podemos ver que elles não serão o remedio para nossa patria, n'esta época em que ella necessita d'um lenitivo.
Precisamos de bons cidadãos, e estes, sendo educados n'aquelles principios salu- tares do Evangelho, serão certamente filhos. A causa d'isto é facil de achar. Somos todos dotados d'um certo egoismo, e este se accentua justamente mais n'aquelles que desconhecem os ensinos christãos. E, aquella mocidade, que vê dia a dia, os progressos admiraveis da sciencia, mer- gulhada em estudos profundos, impellida pelo egoismo, despreza aquelles ensinos pu- ros e simples do Nazareno para abraçar um ensino que nunca lhes será provei- toso.
O egoismo, este orgulho, esta opinião de si mesmo, é um dos grandes males da humanidade.
Elle é o principal motor d'esse desprezo, que muitos dão ao Evangelho.
Christo nos ensina humildade e mostra- nos nossa condição peccaminosa, por isso nós, impellidos pelo egoismo desprezamos os bellos e regeneradores ensinos do „Di- vino Mestre."
Mas, encarando bem o assumpto, exami- nando-o, vemos que, se d'um lado, o Evan- gelho nos aponta nossa triste condição, se sentimo-nos feridos no nosso amor proprio, ao mesmo tempo somos elevados. E a prova é patente n'estas palavras do Bemdito Salvador.
<<<Sêde perfeitos como tambem VOSSO „Pai Celestial" é perfeito.>>>
Perfeição! haverá uma cousa que eleve mais o homem? Jesus Christo da-vos n'a- quellas palavras uma brilhante idéa de or- dem e de progresso. Sim; porque onde ha perfeição ha ordem, ha progresso.
Um ente que se esforça por ser perfei to, marcha pela senda do progresso moral e religioso, e entra no caminho da ordem porque esta não póde existir onde não ha perfeição.
Abstemo-nos de analysar os principios positivistas, mas podemos ver que elles não serão o remedio para nossa patria, n'esta época em que ella necessita d'um lenitivo.
Precisamos de bons cidadãos, e estes, sendo educados n'aquelles principios salu- tares do Evangelho, serão certamente filhos. A causa d'isto é facil de achar. Somos todos dotados d'um certo egoismo, e este se accentua justamente mais n'aquelles que desconhecem os ensinos christãos. E, aquella mocidade, que vê dia a dia, os progressos admiraveis da sciencia, mer- gulhada em estudos profundos, impellida pelo egoismo, despreza aquelles ensinos pu- ros e simples do Nazareno para abraçar um ensino que nunca lhes será provei- toso.
O egoismo, este orgulho, esta opinião de si mesmo, é um dos grandes males da humanidade.
Elle é o principal motor d'esse desprezo, que muitos dão ao Evangelho.
Christo nos ensina humildade e mostra- nos nossa condição peccaminosa, por isso nós, impellidos pelo egoismo desprezamos os bellos e regeneradores ensinos do „Di- vino Mestre."
Mas, encarando bem o assumpto, exami- nando-o, vemos que, se d'um lado, o Evan- gelho nos aponta nossa triste condição, se sentimo-nos feridos no nosso amor proprio, ao mesmo tempo somos elevados. E a prova é patente n'estas palavras do Bemdito Salvador.
<<<Sêde perfeitos como tambem VOSSO „Pai Celestial" é perfeito.>>>
Perfeição! haverá uma cousa que eleve mais o homem? Jesus Christo da-vos n'a- quellas palavras uma brilhante idéa de or- dem e de progresso. Sim; porque onde ha perfeição ha ordem, ha progresso.
Um ente que se esforça por ser perfei to, marcha pela senda do progresso moral e religioso, e entra no caminho da ordem porque esta não póde existir onde não ha perfeição.
Miss Eliza Wesley
Miss Eliza Wesley a neta de Carlos e sobrinha-neta de John Wesley falleceu re- centemente em Londres, na idade de seten- ta e seis annos. Era organista, como seu pai, e dous de seus irmãos. Seu pai, Samuel Wesley com- pôs o Oratorio de Ruth em 1774 treze annos antes de Mozart ter escripto Dona Giovanna, e quando Beethoven era ainda um rapaz de quatro annos. Mendelson, Braham, o poeta Rogers, o deão Millmane e muitas outras celebridades, foram seus amigos!
O Positivismo
O Sr. Coelho Rodrigues, senador pelo Piauhy, embirron com a seita de Comte, e não perde vasa para atacal-a e expol-a ao ridiculo.
Abstemo-nos de analysar os principios positivistas, mas podemos ver que elles não serão o remedio para nossa patria, n'esta época em que ella necessita d'um lenitivo.
Precisamos de bons cidadãos, e estes, sendo educados n'aquelles principios salu- tares do Evangelho, serão certamente filhos. A causa d'isto é facil de achar. Somos todos dotados d'um certo egoismo, e este se accentua justamente mais n'aquelles que desconhecem os ensinos christãos. E, aquella mocidade, que vê dia a dia, os progressos admiraveis da sciencia, mer- gulhada em estudos profundos, impellida pelo egoismo, despreza aquelles ensinos pu- ros e simples do Nazareno para abraçar um ensino que nunca lhes será provei- toso.
O egoismo, este orgulho, esta opinião de si mesmo, é um dos grandes males da humanidade.
Elle é o principal motor d'esse desprezo, que muitos dão ao Evangelho.
Christo nos ensina humildade e mostra- nos nossa condição peccaminosa, por isso nós, impellidos pelo egoismo desprezamos os bellos e regeneradores ensinos do „Di- vino Mestre."
Mas, encarando bem o assumpto, exami- nando-o, vemos que, se d'um lado, o Evan- gelho nos aponta nossa triste condição, se sentimo-nos feridos no nosso amor proprio, ao mesmo tempo somos elevados. E a prova é patente n'estas palavras do Bemdito Salvador.
<<<Sêde perfeitos como tambem VOSSO „Pai Celestial" é perfeito.>>>
Perfeição! haverá uma cousa que eleve mais o homem? Jesus Christo da-vos n'a- quellas palavras uma brilhante idéa de or- dem e de progresso. Sim; porque onde ha perfeição ha ordem, ha progresso.
Um ente que se esforça por ser perfei to, marcha pela senda do progresso moral e religioso, e entra no caminho da ordem porque esta não póde existir onde não ha perfeição.
Pela grande causa
Vitam impendere veros (consagrar sua vida á verdade)
D'estas palavras de Juvenal, aquelle ce- lebre poeta latino, que nas suas obras, mostrou tanta energia e indignação contra os vicios de Roma, J. J. Rousseau, o no- tavel prosador e philosopho, fez a sua di- visa.
Mas, quando recebemos um conselho, quando se nos faz uma exhortação, quando se nos repetem palavras, que forão a di- visa de homens eminentes, quando ellas en- cerrão, ao mesmo tempo, um conselho di- gno de ser aproveitado, não devemos limi- tar-nos simplesmente a admiral-as e ap- proval-as.
Devemos tambem tomal-as como nossa divisato commandement de para a nossa batalha, onde se os pistas é uma data em que elles só se lem- bram de ira e de vingança !! E', pois com estas palavras de Juvenal que eu quero hoje dirigir-me aos moços, e especialmente aos que tem o desejo de se tornarem arautos do Evangelho. E' para vós mancebos que estas pala- vras: Vitam impendere vero devem ser como aquelle toque do clarim que dá o si- gnal de avançar. Elle vos causará primei- ro certo abalo, porque sois voluntarios, soldados inexperientes, mas a vossa divisa não pode ser abandonada! Vos tendes alistado nas fileiras do exers cito que peleja em pról da mais santa das causas, em pról da verdade, e portanto o vosso posto não póde, nem deve ser aban- donado! A divisa que J. J. Rousseau adoptou, é a mesma de todo o soldado fiel de Jesus Christo, do General dos Generaes. Mas ella deve ser ainda, de maior valor, para aquelles mancebos que tem o ardente desejo de poderem algum dia annunciar a seus irmãos as boas novas de salvação. Nada! deve arredal-os d'essa divisa! e quando seja d'aquella ajuntando fe que ou foi tirando uma vez alguma por todos cousa da doente, eu estava, pediu e quando mendenderbe soube que eu es da aos santos. Pilatos perguntou «O que disseram tomou nota n'um papel. A a verdades est Chronousso Beme elle veiu ver-me dito Mestre
Cartas do Sul" VIII.
Carissimo Redactor!
Ha dias fui surprehendido com a noticia do empastellamento da typographia de uma folha de Porto Alegre. Soube afinal que se tratava do jornal al- lemão Volksblatt orgão do jesuitismo, n'a- quella cidade.
A typographia foi destruida um de cidadãos italianos, e segundo li, deu lugar a esse procedimento, um artigo in- sultuoso, publicado contra a nação italiana, sobre a data de 20 de setembro, dia glo- rioso, anniversario da tomada de Roma, e sua consequente transformação em capital do reino da Italia.
Mas o jesuitismo via n'essa data gloriosa para a nação italiana, um dia triste para o papado, pois recorda-lhes a quéda do po- der papal, e se o 20 de setembro é para os italianos um dia de alegria, para os pa- dres é uma data em que elles só se lem- bram de ira e de vingança !!
Si trago este facto, esta noticia, para as columnas do Estandarte, não é movido pe- la raiva, nem pelo jubilo de ver destruida a propriedade d'aquelles que lanção mil in- sultos aos evangelistas. Não! pelo contrario, o acto praticado por alguns cidadãos italianos, e do qual não são como apregoam por ahi, discipu- los do Divino Christo soffreu mil affrontas porém nun- ca tratou mal, nem reagio contra aquelles que o maltratavam. E mais uma prova temos no artigo que o Volksblatt dirigio aos italianos, em ge- ral, chamando-os de ladrões, homens sem moral etc.
Se fosse verdade que S. Pedro foi Bispo de Roma, admira muito que elle tendo es- cripto de Babylonia sua primeira epistola lacia, Capadocia, Asia e Bythinia não te- nha dito no entanto uma só palavra sobre Roma.
Deus é verdade e Elle odeia todo o erro, escripto bandeira que nossos batalhões, tremula conduzindo-nos do mundo, onde se os pistas é uma data em que elles só se lem- bram de ira e de vingança !! E', pois com estas palavras de Juvenal que eu quero hoje dirigir-me aos moços, e especialmente aos que tem o desejo de se tornarem arautos do Evangelho. E' para vós mancebos que estas pala- vras: Vitam impendere vero devem ser como aquelle toque do clarim que dá o si- gnal de avançar. Elle vos causará primei- ro certo abalo, porque sois voluntarios, soldados inexperientes, mas a vossa divisa não pode ser abandonada! Vos tendes alistado nas fileiras do exers cito que peleja em pról da mais santa das causas, em pról da verdade, e portanto o vosso posto não póde, nem deve ser aban- donado! A divisa que J. J. Rousseau adoptou, é a mesma de todo o soldado fiel de Jesus Christo, do General dos Generaes. Mas ella deve ser ainda, de maior valor, para aquelles mancebos que tem o ardente desejo de poderem algum dia annunciar a seus irmãos as boas novas de salvação. Nada! deve arredal-os d'essa divisa! e quando seja d'aquella ajuntando fe que ou foi tirando uma vez alguma por todos cousa da doente, eu estava, pediu e quando mendenderbe soube que eu es da aos santos. Pilatos perguntou «O que disseram tomou nota n'um papel. A a verdades est Chronousso Beme elle veiu ver-me dito Mestre
O Cavalheiro
E' quasi defiuir um cavalheiro, o dizer que elle nunca causa damno. O verdadeiro cavalheiro cuidadosamente evita tudo o que possa causar um choque ou um balanço nos espiritos d'aquelles com quem está em contacto toda a opposição de parecer on collisão de sentimentos, todo o con- strangimento ou suspeita, toda a tristeza ou resentimento seu grande alvo sendo que cada um esteja perfeitamente a gosto. E' terno para com os timidos, gentil para com os distantes, e misericordioso para com os estultos. Lembra-se com quem es- tá fallando; guarda-se de importunas allu- sões ou topicos que possam irritar; torna- se raras vezes proeminente na conversação e jamais enfadonho. Tem em pouca valia os favores quando os faz, e parece estar recebendo quando os confere. Nunca falla de si mesmo excepto quando é compel- lido; nunca se defende a si mesmo por uma mera replica. Não tem ouvidos para o escandalo nem para o falatorio, é escro- puloso em imputar motivos aos que se lhe oppõem, e interpreta tudo pelo melhor. Nunca é baixo ou vil em suas questões, nunca toma uma vantagem indigna, nunca confunde personalidades ou phrases equi- vocas por argumentos e nem mesmo inti- ma ou insinúa o mal que não se atreve a dizer. De uma elevada prudencia observa a ma- xima do sabio antigo de que nos devemos conduzir para com nosso inimigo, como se elle devesse ser ainda algum dia nosso amigo. Tem sufficiente bom senso para ser af- frontado por insultos. Tem demais que fa- zer para lembrar-se de injurias e é muito indolente para produzir a malicia. E' pa- ciente, descansansando resignado sobre prin- cipios philosophicos; submette-se á dôr por que ella é inevitavel, á privação por que ella é irreparavel e á morte por que ella é seu destino. Cardeal Newman.
Pernambuco
Chegado á cidade de Pernambuco, acha- mos que todos os estivadores estivessem de greve. O nosso vapor tinha muita carga, principalmente assucar destinado para Pará e New-York. O commandante foi obrigado a trabalhar com sua tripolação, assim de- morando 15 dias. Isto foi para nós um grande transtorno, porem d'esta maneira tive occasião de ver esta grande cidade. Pernambuco tem mais que 150 mil ha- bitantes, e é decididamente um dos mais bellos em todo o Brazil. O porto, apezar de ser um pouco pequeno, é perfeitamente seguro, protegido por um recife que recebe toda a força do mar. Desembarquei varias vezes, percorrendo a cidade nos bonds