O Estandarte Christão - 10/1896
O ESTANDARTE CHRISTAO
ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL
Arvorae o estandarte aos povos Isaias 62:10
Publicação
UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ
Ν. 10
EXPEDIENTE
Toda a correspondencia deve-se dirigir à CAIXA DO CORREIO, N. 47 O escriptorio da redacção acha-se na casa n. 95, rua Yatahy.
REDACTORES: Revd. Wm. Cabell Brown Revd. Americo V. Cabral Revd. Lucien Lee Kinsolving
N'esta redacção dão-se todas as informações sobre tratados, e pu- blicações evangelicas. Todas as pes- soas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal der-se-hão ao en- commodo de nos remetter seu en- dereço, que serão immediatamente attendidas. Os pagamentos poderão ser feitos pelo correio.
RELAÇÃO DAS EGREJAS
A capella da Trindade
Rua dos Voluntarios da Patria n. 386 Porto Alegre Pastor: Rev. James W. Morris
Junta Parochial: Raymundo José Pereira 1º Guardião. Alberto Wood 2º guardião. Bruno Mareco Thesoureiro. Carlos Hardegger Secretario. João Leirias
A capella do Bom Pastor
Rua Riachuelo n. 126 Porto Alégre Diacono: Rev. V Brande.
CAIXA DO CORREIO, N. 5 Junta Parochial: Antonio P. da Silva Thesoureiro Pinto do Leão 1º guardião José P. S. Norte 2º guardião.
A capella do Calvario
Rio dos Sinos Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga
Junta Parochial: André Machado Fraga 1º guardião. Maurilio M. de Moraes Sarmento 2º guardião Ernesto Gomes P. Bastos Thesoureiro Affonso Antunes da Cunha. Secretario
A capella da Resurreição
São José do Norte Congregação ainda não organi- sada.
A capella do Redemptor
Rua Felix da Cunha n. 61 Pelotas Pastor: Rev. John G. Meem
CAIXA DO CORREIO N. 64 Junta Parochial: Manoel G. de Castro 1º guardião Pedro d'Alcantara 2º guardião Alberto Jarrys Thesoureiro Feliciano d'Oliveira Registrador Raphael A. dos Santos Belmiro F. da Silva Joaquim A. Froes Trajano de Moraes Ribeiro
Capella do Espiriao Santo
Boa Vista Municipio de Pelotas Congregação ainda não orga- nisada.
A Capella do Salvador
Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villet Rio Grande Pastor Rev. W. C. Brown Residencia: 147 Rua Yatahy, n. 95
CAIXA DO CORREIO N. 47 Junta Parochial: Ernesto Alves de Castro Thesoureiro Angelo Catalane 1º guardião Antonio Alves Pinto 2º guardião João Vicente Romeu Secretario Antonio Gazzineo João Leonardo Germano. John Gay
A Capella da Graça
Viamão Pastor: Rev. Americo V. Cabral José Luiz Ferreira Secretario João de Deus Rosa.
O NOSSO MATERIALISMO
E' profundamente contristador o aspecto que vão tomando as cou- sas publicas entre nós. Educados na escola do materia- lismo francez, que tão funesta influencia tem exercido na histo- ria funda com que liamos, du- rante o angustioso periodo da nossa vida social, conhecido pelo nome de Revolta, artigos em que era apreciada e longamente com- mentada a situaaão das duas par- tes combatentes. Os triumphos eram attribuidos sómente à pe- tria, os nossos politicos não que- rem acreditar que a prosperida- de do povo brazileiro só pode ser o resultado immediato do seu amor ao bem e à verdade; e que Deus não pode ser supprimido quando se trata dos destinos de uma nação. Considerando a divindade gran- de demais para que desça a pre- occupar-se com os acontecimen- tos do nosso globo, esses homens não reflectem que apenas dão nova vida ao materialismo pagão de certos philosophos antigos. Daqui, o que estamos obser- vando diariamente nos artigos de muitas vezes o elogio dos proprios elementos da nossa ruina. Não sabem que o temor de Deus é tão necessario ao homem, que mais facil seria a um povo que o possuisse subsistir sem leis, do que a um povo impio ter vida, embora dotado das leis mais per- feitas. A lei não deve ser simples- mente obedecida; mas tambem amada e o homem só ama a lei, quando sabe que ella é a expres- são da vontade de Deus, seu uni- co senhor legitimo. E' somente o temor de Deus que poderá estender a influencia da lei até ás profundezas do nosso ser; é somente o temor de Deus, virtude altamente civilisadora, na que poderá banir efficazmente os vicios do seio d'um povo e esta- belecer as bases de sua verdadei- ra prosperidade. Se podessemos convencer a taes mestres de que sem o exercicio das virtudes christās não pode haver nada de grande e forte seio d'uma nação, poderiamos considerar na vespera do verda- deiro engrandecimento da nossa patria: porque veriamos que em vez de se opporem ao progresso de um povo, as virtudes christās só lhe podem communicar taes princípios de vitalidade e energia, que não poderão ser destruidas pelas difficuldades, nem pelos re- vezes, nem pelas calamidades. E' sómente a religião de Jesus Christo que possue a virtude de elevar o patriotismo ás alturas do heroismo, dando-lhe o caracter d'um dever sagrado. Tudo isso se acha confirmado pela Sabedoria infinita que nos diz que a justiça exalta as na- ções. Prov., 14, 34. Acodem tam- bem proclamando esta verdade os mais illustres representantes da sabedoria da terra. Platão assim fala: E' a virtude que produz não só as riquezas, mas tambem todos os outros bens, publicos e parti- culares. Apol. Socr. No seu livro A Republica, elle observa que ordinariamente uma republica só é feliz, quan- do os seus magistrados são ins- truidos no conhecimento do ver- dadeiro Deus e do verdadeiro bem; pois que a ignorancia do verdadeiro Deus e do verdadeiro bem torna-se em qualquer Repu- blica a fonte e origem de innu- meraveis desgraças publicas e particulares. Liv. 7°. Entre os modernos, o celebre autor do Espirito das leis não admitte a estabilidade d'uma re- publica que se conserve estranha ao sentimento religioso. Montes- quieu. Appeilando para a historia, vemol-a correr pressurosa em nosso auxilio; pois nos mostra que nunca sociedade alguma pre- varicou sem que visse o castigo divino cahir certeiro sobre ella e sempre na medida exacta dos seus delictos. E nem podia deixar de ser as- sim, porque sabemos que o desti- no da sociedade é muito differen- te do destino do individuo: as nações são felizes ou desgsaçadas neste mundo, consoante as suas virtudes ou os seus vicios; o in- dividuo pode ser desditoso sobre a terra, não obstante ser um predestinado a venturosa immor- talidade e o impio, pelo contra- rio, viver cercado aqui de todas as honras e dignidades imagina- veis, apesar de ser condemnado aos futuros tormentos do inferno. Se Deus, diz um publicista chris- tão, recompensa e pune infalli- velmente a sociedade, ao mesmo tem- po que permitte algumas vezes que o peccador prospere e o justo se veja attribulado, é porque em sua justiça elle visita o homem no lugar da sua morada: a mora- da do homem é a eternidade; a morada da sociedade é o tempo. E' sómente a religião de Jesus Ainda nos recordamos da tris- teza funda com que liamos, du- rante o angustioso periodo da nossa vida social, conhecido pelo nome de Revolta, artigos em que era apreciada e longamente com- mentada a situaaão das duas par- tes combatentes. Os triumphos eram attribuidos sómente à pe- tria, os nossos politicos não que- rem acreditar que a prosperida- de do povo brazileiro só pode ser o resultado immediato do seu amor ao bem e à verdade; e que Deus não pode ser supprimido quando se trata dos destinos de uma nação. Considerando a divindade gran- de demais para que desça a pre- occupar-se com os acontecimen- tos do nosso globo, esses homens não reflectem que apenas dão nova vida ao materialismo pagão de certos philosophos antigos. Daqui, o que estamos obser- vando diariamente nos artigos de muitas vezes o elogio dos proprios elementos da nossa ruina. Não sabem que o temor de Deus é tão necessario ao homem, que mais facil seria a um povo que o possuisse subsistir sem leis, do que a um povo impio ter vida, embora dotado das leis mais per- feitas. A lei não deve ser simples- mente obedecida; mas tambem amada e o homem só ama a lei, quando sabe que ella é a expres- são da vontade de Deus, seu uni- co senhor legitimo. E' somente o temor de Deus que poderá estender a influencia da lei até ás profundezas do nosso ser; é somente o temor de Deus, virtude altamente civilisadora, na que poderá banir efficazmente os vicios do seio d'um povo e esta- belecer as bases de sua verdadei- ra prosperidade. Se podessemos convencer a taes mestres de que sem o exercicio das virtudes christās não pode haver nada de grande e forte seio d'uma nação, poderiamos considerar na vespera do verda- deiro engrandecimento da nossa patria: porque veriamos que em vez de se opporem ao progresso de um povo, as virtudes christās só lhe podem communicar taes princípios de vitalidade e energia, que não poderão ser destruidas pelas difficuldades, nem pelos re- vezes, nem pelas calamidades. E' sómente a religião de Jesus Christo que possue a virtude de elevar o patriotismo ás alturas do heroismo, dando-lhe o caracter d'um dever sagrado. Tudo isso se acha confirmado pela Sabedoria infinita que nos diz que a justiça exalta as na- ções. Prov., 14, 34. Acodem tam- bem proclamando esta verdade os mais illustres representantes da sabedoria da terra. Platão assim fala: E' a virtude que produz não só as riquezas, mas tambem todos os outros bens, publicos e parti- culares. Apol. Socr. No seu livro A Republica, elle observa que ordinariamente uma republica só é feliz, quan- do os seus magistrados são ins- truidos no conhecimento do ver- dadeiro Deus e do verdadeiro bem; pois que a ignorancia do verdadeiro Deus e do verdadeiro bem torna-se em qualquer Repu- blica a fonte e origem de innu- meraveis desgraças publicas e particulares. Liv. 7°. Entre os modernos, o celebre autor do Espirito das leis não admitte a estabilidade d'uma re- publica que se conserve estranha ao sentimento religioso. Montes- quieu. Appeilando para a historia, vemol-a correr pressurosa em nosso auxilio; pois nos mostra que nunca sociedade alguma pre- varicou sem que visse o castigo divino cahir certeiro sobre ella e sempre na medida exacta dos seus delictos. E nem podia deixar de ser as- sim, porque sabemos que o desti- no da sociedade é muito differen- te do destino do individuo: as nações são felizes ou desgsaçadas neste mundo, consoante as suas virtudes ou os seus vicios; o in- dividuo pode ser desditoso sobre a terra, não obstante ser um predestinado a venturosa immor- talidade e o impio, pelo contra- rio, viver cercado aqui de todas as honras e dignidades imagina- veis, apesar de ser condemnado aos futuros tormentos do inferno. Se Deus, diz um publicista chris- tão, recompensa e pune infalli- velmente a sociedade, ao mesmo tem- po que permitte algumas vezes que o peccador prospere e o justo se veja attribulado, é porque em sua justiça elle visita o homem no lugar da sua morada: a mora- da do homem é a eternidade; a morada da sociedade é o tempo. E' sómente a religião de Jesus Ainda nos recordamos da tris- teza funda com que liamos, du- rante o angustioso periodo da nossa vida social, conhecido pelo nome de Revolta, artigos em que era apreciada e longamente com- mentada a situaaão das duas par- tes combatentes. Os triumphos eram attribuidos sómente à pe- tria, os nossos politicos não que- rem acreditar que a prosperida- de do povo brazileiro só pode ser o resultado immediato do seu amor ao bem e à verdade; e que Deus não pode ser supprimido quando se trata dos destinos de uma nação. Considerando a divindade gran- de demais para que desça a pre- occupar-se com os acontecimen- tos do nosso globo, esses homens não reflectem que apenas dão nova vida ao materialismo pagão de certos philosophos antigos. Daqui, o que estamos obser- vando diariamente nos artigos de muitas vezes o elogio dos proprios elementos da nossa ruina. Não sabem que o temor de Deus é tão necessario ao homem, que mais facil seria a um povo que o possuisse subsistir sem leis, do que a um povo impio ter vida, embora dotado das leis mais per- feitas. A lei não deve ser simples- mente obedecida; mas tambem amada e o homem só ama a lei, quando sabe que ella é a expres- são da vontade de Deus, seu uni- co senhor legitimo. E' somente o temor de Deus que poderá estender a influencia da lei até ás profundezas do nosso ser; é somente o temor de Deus, virtude altamente civilisadora, na que poderá banir efficazmente os vicios do seio d'um povo e esta- belecer as bases de sua verdadei- ra prosperidade. Se podessemos convencer a taes mestres de que sem o exercicio das virtudes christās não pode haver nada de grande e forte seio d'uma nação, poderiamos considerar na vespera do verda- deiro engrandecimento da nossa patria: porque veriamos que em vez de se opporem ao progresso de um povo, as virtudes christās só lhe podem communicar taes princípios de vitalidade e energia, que não poderão ser destruidas pelas difficuldades, nem pelos re- vezes, nem pelas calamidades. E' sómente a religião de Jesus Christo que possue a virtude de elevar o patriotismo ás alturas do heroismo, dando-lhe o caracter d'um dever sagrado. Tudo isso se acha confirmado pela Sabedoria infinita que nos diz que a justiça exalta as na- ções. Prov., 14, 34. Acodem tam- bem proclamando esta verdade os mais illustres representantes da sabedoria da terra. Platão assim fala: E' a virtude que produz não só as riquezas, mas tambem todos os outros bens, publicos e parti- culares. Apol. Socr. No seu livro A Republica, elle observa que ordinariamente uma republica só é feliz, quan- do os seus magistrados são ins- truidos no conhecimento do ver- dadeiro Deus e do verdadeiro bem; pois que a ignorancia do verdadeiro Deus e do verdadeiro bem torna-se em qualquer Repu- blica a fonte e origem de innu- meraveis desgraças publicas e particulares. Liv. 7°. Entre os modernos, o celebre autor do Espirito das leis não admitte a estabilidade d'uma re- publica que se conserve estranha ao sentimento religioso. Montes- quieu. Appeilando para a historia, vemol-a correr pressurosa em nosso auxilio; pois nos mostra que nunca sociedade alguma pre- varicou sem que visse o castigo divino cahir certeiro sobre ella e sempre na medida exacta dos seus delictos. E nem podia deixar de ser as- sim, porque sabemos que o desti- no da sociedade é muito differen- te do destino do individuo: as nações são felizes ou desgsaçadas neste mundo, consoante as suas virtudes ou os seus vicios; o in- dividuo pode ser desditoso sobre a terra, não obstante ser um predestinado a venturosa immor- talidade e o impio, pelo contra- rio, viver cercado aqui de todas as honras e dignidades imagina- veis, apesar de ser condemnado aos futuros tormentos do inferno. Se Deus, diz um publicista chris- tão, recompensa e pune infalli- velmente a sociedade, ao mesmo tem- po que permitte algumas vezes que o peccador prospere e o justo se veja attribulado, é porque em sua justiça elle visita o homem no lugar da sua morada: a mora- da do homem é a eternidade; a morada da sociedade é o tempo. E' sómente a religião de Jesus Ainda nos recordamos da tris- teza funda com que liamos, du- rante o angustioso periodo da nossa vida social, conhecido pelo nome de Revolta, artigos em que era apreciada e longamente com- mentada a situaaão das duas par- tes combatentes. Os triumphos eram attribuidos sómente à pe- tria, os nossos politicos não que- rem acreditar que a prosperida- de do povo brazileiro só pode ser o resultado immediato do seu amor ao bem e à verdade; e que Deus não pode ser supprimido quando se trata dos destinos de uma nação. Considerando a divindade gran- de demais para que desça a pre- occupar-se com os acontecimen- tos do nosso globo, esses homens não reflectem que apenas dão nova vida ao materialismo pagão de certos philosophos antigos. Daqui, o que estamos obser- vando diariamente nos artigos de muitas vezes o elogio dos proprios elementos da nossa ruina. Não sabem que o temor de Deus é tão necessario ao homem, que mais facil seria a um povo que o possuisse subsistir sem leis, do que a um povo impio ter vida, embora dotado das leis mais per- feitas. A lei não deve ser simples- mente obedecida; mas tambem amada e o homem só ama a lei, quando sabe que ella é a expres- são da vontade de Deus, seu uni- co senhor legitimo. E' somente o temor de Deus que poderá estender a influencia da lei até ás profundezas do nosso ser; é somente o temor de Deus, virtude altamente civilisadora, na que poderá banir efficazmente os vicios do seio d'um povo e esta- belecer as bases de sua verdadei- ra prosperidade. Se podessemos convencer a taes mestres de que sem o exercicio das virtudes christās não pode haver nada de grande e forte seio d'uma nação, poderiamos considerar na vespera do verda- deiro engrandecimento da nossa patria: porque veriamos que em vez de se opporem ao progresso de um povo, as virtudes christās só lhe podem communicar taes princípios de vitalidade e energia, que não poderão ser destruidas pelas difficuldades, nem pelos re- vezes, nem pelas calamidades. E' sómente a religião de Jesus Christo que possue a virtude de elevar o patriotismo ás alturas do heroismo, dando-lhe o caracter d'um dever sagrado. Tudo isso se acha confirmado pela Sabedoria infinita que nos diz que a justiça exalta as na- ções. Prov., 14, 34. Acodem tam- bem proclamando esta verdade os mais illustres representantes da sabedoria da terra. Platão assim fala: E' a virtude que produz não só as riquezas, mas tambem todos os outros bens, publicos e parti- culares. Apol. Socr. No seu livro A Republica, elle observa que ordinariamente uma republica só é feliz, quan- do os seus magistrados são ins- truidos no conhecimento do ver- dadeiro Deus e do verdadeiro bem; pois que a ignorancia do verdadeiro Deus e do verdadeiro bem torna-se em qualquer Repu- blica a fonte e origem de innu- meraveis desgraças publicas e particulares. Liv. 7°. Entre os modernos, o celebre autor do Espirito das leis não admitte a estabilidade d'uma re- publica que se conserve estranha ao sentimento religioso. Montes- quieu. Appeilando para a historia, vemol-a correr pressurosa em nosso auxilio; pois nos mostra que nunca sociedade alguma pre- varicou sem que visse o castigo divino cahir certeiro sobre ella e sempre na medida exacta dos seus delictos. E nem podia deixar de ser as- sim, porque sabemos que o desti- no da sociedade é muito differen- te do destino do individuo: as nações são felizes ou desgsaçadas neste mundo, consoante as suas virtudes ou os seus vicios; o in- dividuo pode ser desditoso sobre a terra, não obstante ser um predestinado a venturosa immor- talidade e o impio, pelo contra- rio, viver cercado aqui de todas as honras e dignidades imagina- veis, apesar de ser condemnado aos futuros tormentos do inferno. Se Deus, diz um publicista chris- tão, recompensa e pune infalli- velmente a sociedade, ao mesmo tem- po que permitte algumas vezes que o peccador prospere e o justo se veja attribulado, é porque em sua justiça elle visita o homem no lugar da sua morada: a mora- da do homem é a eternidade; a morada da sociedade é o tempo. E' sómente a religião de Jesus Ainda nos recordamos da tris- teza funda com que liamos, du- rante o angustioso periodo da nossa vida social, conhecido pelo nome de Revolta, artigos em que era apreciada e longamente com- mentada a situaaão das duas par- tes combatentes. Os triumphos eram attribuidos sómente à pe- tria, os nossos politicos não que- rem acreditar que a prosperida- de do povo brazileiro só pode ser o resultado immediato do seu amor ao bem e à verdade; e que Deus não pode ser supprimido quando se trata dos destinos de uma nação. Considerando a divindade gran- de demais para que desça a pre- occupar-se com os acontecimen- tos do nosso globo, esses homens não reflectem que apenas dão nova vida ao materialismo pagão de certos philosophos antigos. Daqui, o que estamos obser- vando diariamente nos artigos de muitas vezes o elogio dos proprios elementos da nossa ruina. Não sabem que o temor de Deus é tão necessario ao homem, que mais facil seria a um povo que o possuisse subsistir sem leis, do que a um povo impio ter vida, embora dotado das leis mais per- feitas. A lei não deve ser simples- mente obedecida; mas tambem amada e o homem só ama a lei, quando sabe que ella é a expres- são da vontade de Deus, seu uni- co senhor legitimo. E' somente o temor de Deus que poderá estender a influencia da lei até ás profundezas do nosso ser; é somente o temor de Deus, virtude altamente civilisadora, na que poderá banir efficazmente os vicios do seio d'um povo e esta- belecer as bases de sua verdadei- ra prosperidade. Se podessemos convencer a taes mestres de que sem o exercicio das virtudes christās não pode haver nada de grande e forte seio d'uma nação, poderiamos considerar na vespera do verda- deiro engrandecimento da nossa patria: porque veriamos que em vez de se opporem ao progresso de um povo, as virtudes christās só lhe podem communicar taes princípios de vitalidade e energia, que não poderão ser destruidas pelas difficuldades, nem pelos re- vezes, nem pelas calamidades. E' sómente a religião de Jesus Christo que possue a virtude de elevar o patriotismo ás alturas do heroismo, dando-lhe o caracter d'um dever sagrado. Tudo isso se acha confirmado pela Sabedoria infinita que nos diz que a justiça exalta as na- ções. Prov., 14, 34. Acodem tam- bem proclamando esta verdade os mais illustres representantes da sabedoria da terra. Platão assim fala: E' a virtude que produz não só as riquezas, mas tambem todos os outros bens, publicos e parti- culares. Apol. Socr. No seu livro A Republica, elle observa que ordinariamente uma republica só é feliz, quan- do os seus magistrados são ins- truidos no conhecimento do ver- dadeiro Deus e do verdadeiro bem; pois que a ignorancia do verdadeiro Deus e do verdadeiro bem torna-se em qualquer Repu- blica a fonte e origem de innu- meraveis desgraças publicas e particulares. Liv. 7°. Entre os modernos, o celebre autor do Espirito das leis não admitte a estabilidade d'uma re- publica que se conserve estranha ao sentimento religioso. Montes- quieu. Appeilando para a historia, vemol-a correr pressurosa em nosso auxilio; pois nos mostra que nunca sociedade alguma pre- varicou sem que visse o castigo divino cahir certeiro sobre ella e sempre na medida exacta dos seus delictos. E nem podia deixar de ser as- sim, porque sabemos que o desti- no da sociedade é muito differen- te do destino do individuo: as nações são felizes ou desgsaçadas neste mundo, consoante as suas virtudes ou os seus vicios; o in- dividuo pode ser desditoso sobre a terra, não obstante ser um predestinado a venturosa immor- talidade e o impio, pelo contra- rio, viver cercado aqui de todas as honras e dignidades imagina- veis, apesar de ser condemnado aos futuros tormentos do inferno. Se Deus, diz um publicista chris- tão, recompensa e pune infalli- velmente a sociedade, ao mesmo tem- po que permitte algumas vezes que o peccador prospere e o justo se veja attribulado, é porque em sua justiça elle visita o homem no lugar da sua morada: a mora- da do homem é a eternidade; a morada da sociedade é o tempo. E' sómente a religião de Jesus Ainda nos recordamos da tris- teza funda com que liamos, du- rante o angustioso periodo da nossa vida social, conhecido pelo nome de Revolta, artigos em que era apreciada e longamente com- mentada a situaaão das duas par- tes combatentes. Os triumphos eram attribuidos sómente à pe- tria, os nossos politicos não que- rem acreditar que a prosperida- de do povo brazileiro só pode ser o resultado immediato do seu amor ao bem e à verdade; e que Deus não pode ser supprimido quando se trata dos destinos de uma nação. Considerando a divindade gran- de demais para que desça a pre- occupar-se com os acontecimen- tos do nosso globo, esses homens não reflectem que apenas dão nova vida ao materialismo pagão de certos philosophos antigos. Daqui, o que estamos obser- vando diariamente nos artigos de muitas vezes o elogio dos proprios elementos da nossa ruina. Não sabem que o temor de Deus é tão necessario ao homem, que mais facil seria a um povo que o possuisse subsistir sem leis, do que a um povo impio ter vida, embora dotado das leis mais per- feitas. A lei não deve ser simples- mente obedecida; mas tambem amada e o homem só ama a lei, quando sabe que ella é a expres- são da vontade de Deus, seu uni- co senhor legitimo. E' somente o temor de Deus que poderá estender a influencia da lei até ás profundezas do nosso ser; é somente o temor de Deus, virtude altamente civilisadora, na que poderá banir efficazmente os vicios do seio d'um povo e esta- belecer as bases de sua verdadei- ra prosperidade. Se podessemos convencer a taes mestres de que sem o exercicio das virtudes christās não pode haver nada de grande e forte seio d'uma nação, poderiamos considerar na vespera do verda- deiro engrandecimento da nossa patria: porque veriamos que em vez de se opporem ao progresso de um povo, as virtudes christās só lhe podem communicar taes princípios de vitalidade e energia, que não poderão ser destruidas pelas difficuldades, nem pelos re- vezes, nem pelas calamidades. E' sómente a religião de Jesus Christo que possue a virtude de elevar o patriotismo ás alturas do heroismo, dando-lhe o caracter d'um dever sagrado. Tudo isso se acha confirmado pela Sabedoria infinita que nos diz que a justiça exalta as na- ções. Prov., 14, 34. Acodem tam- bem proclamando esta verdade os mais illustres representantes da sabedoria da terra. Platão assim fala: E' a virtude que produz não só as riquezas, mas tambem todos os outros bens, publicos e parti- culares. Apol. Socr. No seu livro A Republica, elle observa que ordinariamente uma republica só é feliz, quan- do os seus magistrados são ins- truidos no conhecimento do ver- dadeiro Deus e do verdadeiro bem; pois que a ignorancia do verdadeiro Deus e do verdadeiro bem torna-se em qualquer Repu- blica a fonte e origem de innu- meraveis desgraças publicas e particulares. Liv. 7°. Entre os modernos, o celebre autor do Espirito das leis não admitte a estabilidade d'uma re- publica que se conserve estranha ao sentimento religioso. Montes- quieu. Appeilando para a historia, vemol-a correr pressurosa em nosso auxilio; pois nos mostra que nunca sociedade alguma pre- varicou sem que visse o castigo divino cahir certeiro sobre ella e sempre na medida exacta dos seus delictos. E nem podia deixar de ser as- sim, porque sabemos que o desti- no da sociedade é muito differen- te do destino do individuo: as nações são felizes ou desgsaçadas neste mundo, consoante as suas virtudes ou os seus vicios; o in- dividuo pode ser desditoso sobre a terra, não obstante ser um predestinado a venturosa immor- talidade e o impio, pelo contra- rio, viver cercado aqui de todas as honras e dignidades imagina- veis, apesar de ser condemnado aos futuros tormentos do inferno. Se Deus, diz um publicista chris- tão, recompensa e pune infalli- velmente a sociedade, ao mesmo tem- po que permitte algumas vezes que o peccador prospere e o justo se veja attribulado, é porque em sua justiça elle visita o homem no lugar da sua morada: a mora- da do homem é a eternidade; a morada da sociedade é o tempo. E' sómente a religião de Jesus Ainda nos recordamos da tris- teza funda com que liamos, du- rante o angustioso periodo da n