Papel da Mulher na Igreja
Papel da Mulher na Igreja
Dom Salomão Ferraz
(O Papel da Mulher na Igreja é uma obra que foi publicada pelo Reverendo Salomão Ferraz em 1964, como adicional ao seu Memorial enviado ao Santo Padre "Reforma Disciplinar", em 07/10/1964, aliás sem nenhuma resposta, apenas com confirmação de recebimento por parte das autoridades da Santa Sé Romana.
Dom Salomão esperou por uma resposta por um ano, sem nenhum sinal, mantido o congelamento até 07/10/1965.
Foi a partir deste silêncio, como coroamento final negativo de tudo que tinha sido pactuado com Roma a respeito da Ordem de Santo André, que Dom Salomão desiludiu de vez com sua adesão a Igreja de Roma, concluindo ser um logro, conforme registrou em seu diário.
Por isso em fins de 1965 ele ordenou que restaurássemos a Igreja Autônoma no Brasil, permanecendo ele na comunhão com Roma por questões de estar muito velho, de um lado, e de outro lado, por questão de estratégia, para diminuir a pressão dos romanos sobre seus padres, alegando falsidade e invalidade das ordens, sendo ele um verdadeiro mártir do silêncio.
A igreja autônoma foi restaurada com o novo nome de Igreja Católica Apostólica Independente no Brasil, ao iniciar o ano de 1966, sob o báculo de Dom Manoel Ceia Laranjeira e supervisão do próprio Dom Salomão Ferraz).
Dom Felismar Manoel – Em 17/07/2016 Mosteiro Compaixão Sagrada Irmãos Salomonitas Duque de Caxias, RJ
Palavras de Dom Salomão Ferraz:
O que segue não faz parte do “Memorial” enviado ao Santo Padre. Serve apenas para reforçar alguns de seus pontos. São algumas reflexões sobre a situação da mulher, em geral.
Se a companhia de uma legítima mulher, como esposa, desqualifica um homem para as funções sacerdotais, isso importa, em última análise, em um estigma afixado à face de toda mulher.
As mulheres serão aquilo que nós pensamos delas e do que elas forem levadas a pensar a respeito de si próprias.
Se estes pensamentos são deprimentes, ou tendenciosos, elas serão rebaixadas a um nível menos digno.
Se tais pensamentos, pelo contrário, forem nobres, limpos e sãos, elas serão levadas à sua própria posição no plano de Deus, como o diadema de toda criação na face do planeta.
Maria Santíssima, foi exaltada por Deus mediante o Anjo. Não sozinha, solitária, isolada, mas como parte integrante de toda a ala feminil da humanidade. "Bendita entre as mulheres". Note-se bem: "Entre as mulheres" juntamente com elas, e não isolada, acima das mulheres, como se nada tivera a ver com elas.
As honras de Maria Santíssima iluminam, enobrecem todo o conjunto feminil da humanidade.
Pode-se pensar delas de duas maneiras: ou como os fariseus pensavam de Maria Madalena, uma simples decaída, ou como Cristo, que via nela a expansão de uma alma feminil nos seus lances mais sublimes, e que faziam vibrar a sua própria alma varonil de uma pureza inatacável.
Há na mulher algo mais do que sexo. Algo mais alto de valor eterno imperecível. É a alma feminil, insubstituível, como a voz de soprano que dá o tom e a melodia ao conjunto coral.
O mundo está a espera, hoje de ver e sentir a alma feminil, e não exibição de corpos desnudos em espetáculos dissolventes.
Colocar a mulher na sua verdadeira posição, sem restrições artificiais e deprimentes, mas nas suas nobres e santas atribuições, é certamente o maior problema dos nossos dias, e que não pode ser de forma alguma postergado.
"Cherchez la femme" diziam os maliciosos em qualquer situação complicada. Mas a revelação divina diz outra coisa, como na Missa de Sant' Ana: "A mulher virtuosa, quem a pode achar? Porque a sua valia excede a dos corais". (Prov. 31: 10)
O grande problema, hoje, não é fugir da mulher como de entrave na vida, nem colocá- à parte, à distância, como influição nefasta.
A grande questão de nossos dias, é, como outrora, é de encontrar a mulher e fazer com que a mulher se encontre em si própria, encontrando a Cristo, para a glória de Deus e a edificação do seu reino na terra. Assim, Deus nos ajude.
E assim poderemos dizer, com inteligência e santo fervor, as palavras da devoção popular: “Ave Maria cheia de graça, bendita entre as mulheres”, e derramando a benção feminil sobre toda a criatura, e especialmente as que formam a sua própria classe.
E como faz bem a gente pensar assim, com pureza, com dignidade, com o amor que nasce do coração de Deus, o Pai Celeste!