QUEM É ESSA MULHER
QUEM É ESSA MULHER?
Quem é essa que surge no cenário da história da Inglaterra juntamente com o alvorecer da modernidade, é Rainha, e se faz suprema regente da Igreja e do Estado. Por seu intermédio dois atos importantes se estabelecem: "Ato de Supremacia e Ato de Uniformidade”, com os quais consegue libertar a Inglaterra e conseqüentemente a Igreja do poder estrangeiro, proporcionando assim melhores condições para elaboração teológica e eclesiológica. Trata-se de Elizabethe (1558); mulher sensível, atenta aos desejos do seu povo, sobre o qual exerce o poder, sempre empenhada em encontrar o equilíbrio entre as forças católica e calvinista. Desde então o ideal de "via média" passa a ser perseguido, característica que se imprime na Igreja Anglicana, legado por ela deixado, que muito nos enriquece até hoje.
A Elizabethe coube ainda os primeiros empreendimentos missionários na América, enviando Walter Raleiger, em 1585, quando da fundação da primeira colônia, que levou o nome de Virgínia; nome que também fora dado à primeira criança batizada ali, chamada Virgínia Dare[1].
Ah! Quantas outras coisas admiráveis devem estar incluídas aos feitos dessa mulher, as quais eu gostaria muito de saber...
Quem é essa mulher?
Ela é sempre mencionada como a “filha do Reverendo Simonton", mas qual será o seu nome? Ela é notável, sensível e ousada, e é por seu intermédio que de modo determinante a história do anglicanismo se configura no Brasil.
Conta-se que: "O estabelecimento definitivo do anglicanismo em terras brasileiras se dá, de fato, graças ao trabalho realizado pela filha do fundador do presbiterianismo no Brasil (Asbel G. Simonton), ao incentivar novas missões nestas terras, junto aos estudantes do Seminário da Virgínia, então, um bastião do evangelicalismo"[2].
Sabe-se também que ela residia próximo ao Seminário na companhia de duas tias: Anne e Eliza Murdock[3], e que essas três mulheres exerceram uma forte influência espiritual sobre os estudantes de teologia que freqüentavam sua casa. A partir de um pequeno jornal presbiteriano com notícias missionárias do Brasil, apresentado por ela aos seminaristas, houve um despertamento por parte dos mesmos, resultando num primeiro momento, na elaboração de uma tese: “Missão nos países colonizados pela raça latina", com referência especial ao nosso País, e posteriormente resolvem fundar uma missão no Brasil. Em 1889, Lucien Lee Kinsolving e James Watson Morris partem rumo a terras brasileiras, um ano depois temos a fundação da Igreja Anglicana no Brasil, no 1º Domingo de Junho de 1890, em Porto Alegre.
Da sensibilidade feminina surge uma idéia, que veio a se tornar projeto e ação missionária por meio da qual hoje existimos.
Ah! Quantas outras coisas admiráveis fazem parte dessa incrível mulher, inclusive seu nome. Será que alguém sabe como ela se chama?
Quem são essas mulheres?
Refiro-me às anônimas mencionadas como as "129 companheiras operárias" mortas nas reivindicações de seus direitos trabalhistas. Sabemos que elas morreram queimadas numa indústria têxtil da cidade de Nova York, no dia 08 de Março de 1857. Elas estavam em greve e reivindicando uma série de melhorias nas condições de trabalho, quando foram trancadas e queimadas vivas. Alguns corpos foram encontrados enrolados num tecido lilás, por isso esta é a cor representativa deste dia e dos movimentos e organizações de mulheres de uma forma geral.
Foi a partir de 08 de Março de 1910, que tivemos o primeiro congresso feminino em homenagem a essas mulheres martirizadas, que como grãos de trigo morreram para que o fruto pudesse ser colhido. Desde então, passamos a homenagear a todos nós mulheres, neste Dia Internacional da Mulher, “Dia dedicado à luta contra todas as formas de discriminação e opressão da mulher, ao mesmo tempo em que é um dia de comemorações e homenagens às mulheres que lutam e trabalham em defesa da vida"[4].
Quem são essas mulheres?
Sejam elas, Elizabethe, Virgínia, Ana, Eliza, anônimas, a filha do Reverendo, a esposa do Reverendo ou Bispo, reverendas, operárias ou profissionais liberais, domésticas ou do lar, são pessoas, com potencial e valores próprios, repletas de capacidade criadora com a feminilidade que lhes são próprias, cheias de histórias para construir e para contar.
É por isso que, ao observar essa breve sincronia da atuação da mulher na história, percebo que é possível a homens e mulheres contracenarem como iguais, somando esforços em favor da vida, conforme Gálatas 3:28 – “Não há mais nem judeus nem gregos; já não há mais nem escravo nem homem livre, já não há mais o homem e a mulher; pois todos vós sois um só em Jesus Cristo". É isto que mantém viva a utopia (palavra feminina) que acredito, seja a esperança, consciente ou não de todas as mulheres à frente de seu tempo. Está à frente do seu tempo é também se aproximar do tempo de Deus (Kairós), é o tempo-espaço do sonho, garantido desde já por Deus em Cristo Jesus, nos outorgando o direito à voz e à participação, combatendo a injustiça e a opressão, e promovendo a liberdade e o ser.
Quem é essa mulher?
Somos nós que, como essas mulheres aqui homenageadas, nos revelamos a cada dia como pessoa, capazes de pensar e semear boas idéias, capazes até mesmo de semear a própria a vida, para colher adiante, na proporção em que a vida e a história venham permitir.
Inclusividade, sensibilidade, equilíbrio, entusiasmo, partilha e sacrifício, são traços próprios do divino que de modo gracioso também se deixa refletir na história por intermédio da mulher!
Feliz Dia Internacional da Mulher.
Revda. Lílian Pereira da C. Linhares, osf
[1] Aquino, Jorge – Anglicanismo: Uma Introdução, pág. 25. Recife - PE, 2000. [2] Ibid. Pág. 28. [3] Kickhöfel, O. Notas para uma História da IEAB. Porto Alegre, 1995. [4] Site da MUR: Missões Urbana e Rural (www.mur.com.br) - texto de Marilde Batista.