O Estandarte Christão - 09/1895

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O Estandarte Christão - 09/1895

J. W. MorrisW. C. BrownA. V. Cabral1895

O ESTANDARTE CHRISTÃO

ORGAM DA EGREJA PROTESTANTE EPISCOPAL NO ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL Arvorae o estandarte aos povos Isaias 62:10.

VOL. III. POR ANNO ..3$000 ASSIGNATURA: PUBLICAÇÃO: UMA VEZ NO FIM DE CADA MEZ N. 9. PORTO ALEGRE, SETEMBRO DE 1895

Expediente Toda a correspondencia deve-se dirigir á caixa do correio n. 5. O escriptorio da redacção acha-se no edi- ficio da Escola Americana n. 387 Rua Volun- tarios da Patria. REDACTORES REVDOS. J. W. Morris W. C. Brown A. V. Cabral N'esta redacção dão-se todas as informa- ções sobre tratados, e publicações evangelicas. Todas as pessoas que desejarem tomar assigna- tura d'este jornal dar-se-hão ao encommodo de nos remetter seu endereço que serão imme- diatamente attendidas. Os pagamentos poderão ser feitos pelo cor- reio.


O Positivismo O racionalismo chegado a tal extremo, transforma-se. Primeiramente negára o sobrenatural: quizera do acume da sua critica arrogante, abalar as immudaveis crenças na Providencia e vida futura. De- pois, variando as armas, nega o sobrena- tural em practica e acção. Não cura se- quer de examinal-o: lança-o fora de deba- te. Segue-se a formular these nova. Agora denomina-se positivismo e socialismo. Já não reconhece coisa que não se veja, e sin- ta, e palpe, e saboreie. Foi-se o ideal: desappareceu a poesia com o symbolo. A realidade desmudou-se: mostra-se em toda a franqueza de sua materia, e na mais grosseira figura. Regeita o positivismo tudo o que se não conhece e prova com o simples methodo empregado no dominio das seiencias, cha- madas sciencias positivas. No positivismo, diz a escóla, ¹) a observação recolhe e ve- rifica os factos, a inducção reconhece a lei que os rege; e destas duas operações, d'este duplicado processo, resulta o gráo de certeza que gera irresistivelmente o pleno consenso do homem rasoavel. Fóra da natureza e suas leis nada ha; nada ha que possa affirmar-se, nem o pas- sado em que estavamos, nem o futuro em que ainda não estamos, nem o sobrenatu- ral, tão incoercivel aos nossos methodos como aos nossos sentidos. A metapyhsica não tem regras differentes da physica e chimica, nem a ordem moral tem base que não seja da ordem material. «O positivismo diz um dos seus adeptos elimina definitivamente todas as vontades sobrenaturaes, quer se chamem anjos ou deuses, quer demonios ou provi- dencia; demonstra que tudo obedece a leis naturaes, que, se assim quizerem, podem denominar-se propriedades immanentes das coisas. 2) Pelo que, a essencia dos seres, as cau- sas finaes, as ideias geraes, a geometria das forças, explicam todos os phenomenos da humanidade. A historia, a litteratura, a civilisação dos povos, fazem-nas ellas. E' o clima, o sangue, a raça que produzem os grandes homens e grandes nações. Li- berdade, justiça, esforço individual, res- ponsabilidade moral, razão philosophica, e não entram por coisa nenhuma. E um dos professores mais calorosos e auctori- sados d'esta escóla, reduzindo o homem a uma força organisada, a maquina animal, fez resaltar do impuxamento dos musculos e vibração dos nervos, e energia do san- gue, e da fatalidade e logica inflexivel dos factos, todas as qualidades moraes e litterarias de um povo illustre. 3) O positivismo não nega a alma: despre- za-a. Não nega a immortalidade: dispen- sa-se de a discutir. Não nega Deus é coisa de que não se importa. Vai na dianteira do atheismo e do materialismo. Em seu pensar, o atheu ainda é uma especie de theologo que af- firma alguma coisa: <explica a essencia dos sêres a seu modo; sabe como princi- piaram; diz que o mundo se fez pela iden- tificação dos atomos, ou por uma occulta força chamada Natureza. A philoso- phia positiva ignora tudo isto. Atém-se unicamente aos factos e suas immediatas consequencías. Está manifesto que esta doutrina é o racionalismo sobreposto ao materialismo, o racionalismo coadjuvando o scepticismo e o atheismo. Phases novas de velhos absurdos! Fór- mas raras, que ao travéz de suas vestes renovadas, deixam transparecer a falsida- de dos antigos systhemas. Esforços este reis para resuscitar o que os defensores da espiritualidade confundiram e refutaram tantas vezes e com tão convincentes provas. Debalde intenta semelhante doutrina le- vantar superior a discussão: não pode sub- trahir-se-lhe. Negar a causa primeira e a ultima das cousas, não é impedil-as de existirem. Sombrear uma luz com um véo não é tolher-lhe o brilho. Fechar os olhos diante de um abysmo não salva de lá ca- hir e morrer irremediavelmente. Quereis circumpor á volta do homem um circulo apertado e restringir-lhe n'elle toda a sua vida! Porém, se elle, com a razão e o pensamento, vos foge á restricção, vol- ve-se ao seu passado, e expande-se pelo que é mera creatura e imagem, e pergunta onde está seu creador e modelo. Tem alma, e interroga o destino d'ella: quer a futura sorte; as trevas confrangem-no; pede luz e invoca a verdade. Se as scien- cias exactas lhe dão certeza, as sciencias moraes devem dar-lh'a tambem. Não lhe basta o mundo material: se o quereis contentar, dai-lhe o que abaste á plenitude dos seus desejos na terra. Além de rique- zas, abundancia e gosos, dai-lhe a saude para os prazeres, longos dias e segurança para lhe perpetuar os jubilos. Aos dons preciosos do presente accrescentai a certeza d'um porvir defeso aos perigos e revezes; dizei: attribui-lhe tudo o que elle não tem; fazei-lhe a segura promessa de tudo o que lhe falta; transformai-lhe os instinctos, mudai todas as leis do seu ser; renovai-lhe a natureza. Funesta irrisão! A inconsequencia de vossos erros é uma ladeira para o absurdo, que conduz ás voragens do socialismo. Entretanto, o que a escóla philosophica do positivismo deixa entrever theorica- mente, quer a escóla practica do socialis- mo realizal-o, e o pede a todas as utopias, violencias e ruinas. Na sua ardente colica de felicidade ma- terial, nada o intimida nem suspende. Se as leis o repellem, muda-as, se são os costu- mes, destroe-os; se direitos adquiridos, vio- la-os; se laços sacratissimos, rompe-os; se a historia, falsifica-a. Quer reconstruir o homem, a sociedade, o mundo, sem dar ten- to de que seus esforços funestos e estereis, o condemnam. Vai de frente contra a na- tureza das cousas e destinos evidentes do homem. Todos os seculos alternativamente conclamaram que n'este mundo não have- mos procurar repouso, paz, felicidade e o destino final. Os infortunios que vergam a humanidade desmentem os vossos disla- tes. Eis aqui a metade dos filhos dos ho- mens que morrem antes de terem vivido, e somem-se sem ter tido o sentimento da existencia; e a outra metade, mais ou menos tempo, peleja contra a morte, sem a posse segura d'um dia. E entre os que vivem, não ha um que não soffra desgraças irremoviveis e imprevistas, torturas corpo- rais, pungimentos d'alma, trabalhos que- brantadores, perdas cruelissimas, decepções amargas. E entre os que a gente reputa felizes, ninguem se dá por tal, ninguem enche suas ambições, nem gosa em paz sua alma. Chamar-se-ha pois comprehender a vida e o constituil-a derradeiro termo de suas es- peranças e coroa da suprema felicidade? Dar ao homem por exclusivo destino uma existencia sem repouso aqui, nem consola- ção além, será comprehendél-o? Não será antes desconhecêl-o, e mentir-lhe atroz- mente, excitar-lhe paixões sem lh'as satis- fazer, fazer-lhe reverberar aos olhos um thesouro que elle não pode tocar, mostrar- lhe nos seus esforços um premio que elle não pode conseguir? A natureza pode mais que vós. Podem mais suas leis que as vossas arremettidas. Os males da terra sobreexcedem os vossos balsamos, assim como as esperanças do homem excedem vossas promessas e deli- cias. O exito de vossas theorias, o ser possivel, seria a formal condemnação e a ultima ruina d'ellas. Terror do homem honrado, jubilo do perverso, illusão do mentecapto, repulsão do homem de bom senso, o socialismo é um cartel atirado á razão, á sociedade e á natureza. Embora as leis providenciaes seguam seu curso; a dôr e a morte continuam sua missão atravez do mundo, derribando aquelles que as negam: o que sempre temos de rosto nossos olhos é o nada do incredulo e a immortalidade do fiel. Puchesse A Immortalidade.


„Cartas do Sul" VII. Carissimo Redactor! Entre os varios pontos, por onde o ro- manismo quer pegar, para nos despresti- giar, acha-se a questão das «varias deno- minações evangelicas», seitas como elles chão. Tratando d'estas questões tão simples, os papistas a encarão por lados diversos, e conseguem muitas vezes, ardilosamente, fazer nascer um espirito de duvida, entre muitos entes, às vezes, prestes a encami- nharem-se pela grande estrada da verdade. E' necessario, porém, examinar primeiro o assumpto pelo verdadeiro lado, e um exame consciencioso bastará para chegar- mos á uma verdadeira conclusão. Ao visitarmos uma grande fabrica, de- paramos com muitas machinas, de differen- tes feitios, todas ellas destinadas a um fim: o de concorrer com um contingente de sua força para a consecução de obras admiraveis. Mas, um só é o motor que lhes commu- nica o movimento, um só é o motor que as põe em actividade. Assim tambem, com as varias denomi- nações evangelicas. Como aquella união de machinas, para a consecução d'uma obra importante, as varias denominações evangelicas trabalhão para estabelecer o reino de Jesus Christo, aqui na terra, para chamar muitas almas, para o rebanho do Bom Pastor, conduzin- do-as ao caminho do bem e da verdade, e publicando a recompensa para aquelles que andão pelas veredas de rectidão, de justiça e não entram por coisa nenhuma. E um dos professores mais calorosos e auctori- sados d'esta escóla, reduzindo o homem a uma força organisada, a maquina animal, fez resaltar do impuxamento dos musculos e vibração dos nervos, e energia do san- gue, e da fatalidade e logica inflexivel dos factos, todas as qualidades moraes e litterarias de um povo illustre. 3) O positivismo não nega a alma: despre- za-a. Não nega a immortalidade: dispen- sa-se de a discutir. Não nega Deus é coisa de que não se importa. Vai na dianteira do atheismo e do materialismo. Em seu pensar, o atheu ainda é uma especie de theologo que af- firma alguma coisa: <explica a essencia dos sêres a seu modo; sabe como princi- piaram; diz que o mundo se fez pela iden- tificação dos atomos, ou por uma occulta força chamada Natureza. A philoso- phia positiva ignora tudo isto. Atém-se unicamente aos factos e suas immediatas consequencías. Está manifesto que esta doutrina é o racionalismo sobreposto ao materialismo, o racionalismo coadjuvando o scepticismo e o atheismo. Phases novas de velhos absurdos! Fór- mas raras, que ao travéz de suas vestes renovadas, deixam transparecer a falsida- de dos antigos systhemas. Esforços este reis para resuscitar o que os defensores da espiritualidade confundiram e refutaram tantas vezes e com tão convincentes provas. Debalde intenta semelhante doutrina le- vantar superior a discussão: não pode sub- trahir-se-lhe. Negar a causa primeira e a ultima das cousas, não é impedil-as de existirem. Sombrear uma luz com um véo não é tolher-lhe o brilho. Fechar os olhos diante de um abysmo não salva de lá ca- hir e morrer irremediavelmente. Quereis circumpor á volta do homem um circulo apertado e restringir-lhe n'elle toda a sua vida! Porém, se elle, com a razão e o pensamento, vos foge á restricção, vol- ve-se ao seu passado, e expande-se pelo que é mera creatura e imagem, e pergunta onde está seu creador e modelo. Tem alma, e interroga o destino d'ella: quer a futura sorte; as trevas confrangem-no; pede luz e invoca a verdade. Se as scien- cias exactas lhe dão certeza, as sciencias moraes devem dar-lh'a tambem. Não lhe basta o mundo material: se o quereis contentar, dai-lhe o que abaste á plenitude dos seus desejos na terra. Além de rique- zas, abundancia e gosos, dai-lhe a saude para os prazeres, longos dias e segurança para lhe perpetuar os jubilos. Aos dons preciosos do presente accrescentai a certeza d'um porvir defeso aos perigos e revezes; dizei: attribui-lhe tudo o que elle não tem; fazei-lhe a segura promessa de tudo o que lhe falta; transformai-lhe os instinctos, mudai todas as leis do seu ser; renovai-lhe a natureza. Funesta irrisão! A inconsequencia de vossos erros é uma ladeira para o absurdo, que conduz ás voragens do socialismo. Entretanto, o que a escóla philosophica do positivismo deixa entrever theorica- mente, quer a escóla practica do socialis- mo realizal-o, e o pede a todas as utopias, violencias e ruinas. Na sua ardente colica de felicidade ma- terial, nada o intimida nem suspende. Se as leis o repellem, muda-as, se são os costu- mes, destroe-os; se direitos adquiridos, vio- la-os; se laços sacratissimos, rompe-os; se a historia, falsifica-a. Quer reconstruir o homem, a sociedade, o mundo, sem dar ten- to de que seus esforços funestos e estereis, o condemnam. Vai de frente contra a na- tureza das cousas e destinos evidentes do homem. Todos os seculos alternativamente conclamaram que n'este mundo não have- mos procurar repouso, paz, felicidade e o destino final. Os infortunios que vergam a humanidade desmentem os vossos disla- tes. Eis aqui a metade dos filhos dos ho- mens que morrem antes de terem vivido, e somem-se sem ter tido o sentimento da existencia; e a outra metade, mais ou menos tempo, peleja contra a morte, sem a posse segura d'um dia. E entre os que vivem, não ha um que não soffra desgraças irremoviveis e imprevistas, torturas corpo- rais, pungimentos d'alma, trabalhos que- brantadores, perdas cruelissimas, decepções amargas. E entre os que a gente reputa felizes, ninguem se dá por tal, ninguem enche suas ambições, nem gosa em paz sua alma. Chamar-se-ha pois comprehender a vida e o constituil-a derradeiro termo de suas es- peranças e coroa da suprema felicidade? Dar ao homem por exclusivo destino uma existencia sem repouso aqui, nem consola- ção além, será comprehendél-o? Não será antes desconhecêl-o, e mentir-lhe atroz- mente, excitar-lhe paixões sem lh'as satis- fazer, fazer-lhe reverberar aos olhos um thesouro que elle não pode tocar, mostrar- lhe nos seus esforços um premio que elle não pode conseguir? A natureza pode mais que vós. Podem mais suas leis que as vossas arremettidas. Os males da terra sobreexcedem os vossos balsamos, assim como as esperanças do homem excedem vossas promessas e deli- cias. O exito de vossas theorias, o ser possivel, seria a formal condemnação e a ultima ruina d'ellas. Terror do homem honrado, jubilo do perverso, illusão do mentecapto, repulsão do homem de bom senso, o socialismo é um cartel atirado á razão, á sociedade e á natureza. Embora as leis providenciaes seguam seu curso; a dôr e a morte continuam sua missão atravez do mundo, derribando aquelles que as negam: o que sempre temos de rosto nossos olhos é o nada do incredulo e a immortalidade do fiel. Puchesse A Immortalidade.


Relação das Egrejas

A Capella da Trindade Rua dos Voluntarios da Patria N. 386 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. James W. Morris. Junta Parochial: Raymundo José Pereira, 1.º Guardião João Leirias, 2.º Guardião; Gervasio M. de Moraes Sarmento, Thesoureiro; Major José Lopes de Oliveira, Secretario; Carlos Emil Hardegger; Gabriel dos Santos.

A Capella do Bom Pastor Rua Riachuelo Nr. 126 PORTO ALEGRE Pastor: Rev. W. C. Brown. Diacono: Rev. V. Brande. Junta Parochial: Antonio P. da Silva, Thesoureiro; Pinto de Leão, 1º Guardião; José P. S. Norte 2º Guardião.

A Capella do Calvario RIO DOS SINOS Pastor: Rev. Antonio M. de Fraga. Junta Parochial: André Machado Fraga, 1.º Guardião; Maurilio M. de M. Sarmento, 2. Guardião, Ernesto Gomes de P. Bastos, Thesoureiro, Affonso Antonio da Cunha, Secretario Odorico F. de Souza; Lucas M. de M. Sarmento.

A Capella do Redemptor Rua Felix da Cunha Nr. 61 PELOTAS Pastor: Rev. J. G. Meem. Junta Parochial: Belmiro F. da Silva, 1.º Guardião; Raphael A. dos Santos, 2.º Guardião; Amaro Pinto de Oliveira, Thesoureiro; Joaquim A. Fróes, Registrador; Manoel G. de Cas- tro; Alypio J. dos Santos.

A Capella do Salvador Rua 20 de Fevereiro, Esquina Villete RIO GRANDE Pastor: Rev. L. L. Kinsolving. Junta Parochial: Rodrigo da Costa de Almeida Lobo, Thesoureiro; Manoel Thomaz de Oliveira,

  1. Guardião; Angelo Catalan, 2.º Guaro- dião; João Vicente Romeu, Registrador; Antonio Gazzineo, Jacyntho de Santa Anna.

Viamão (Congregação ainda não formada) Rev.: Americo V. Cabral.


Paz! Se ha paginas, na historia das nações, cheias das mais negras narrativas, ha tambem uma pagina brilhante, a qual, pa- rece estar destinada a apagar, a fazer-nos esquecer aquelles quadros tão tristes, apre- sentando-nos um scenario mais bello, mais encantador. Na historia do povo brazileiro enche-se hoje uma nova pagina. E essa pagina brilhante, é aquella em que se nos conta a victoria da paz, aquel- la em que os caracteres mudos, parecem fallar, dizendo-nos que após tantas pro- cellas é desfraldada a alva bandeira, a exemplo do barco em perigo. Sim, queridos leitores. A patria corria perigo no meio d'essa tempestade que ame- açava destruir, não sómente as cousas ma- teriaes, mas ainda esses bellos ideaes de bonança, essas esperanças tão risonhas que como uma sombra vaga, podiamos divisar no horisonte do futuro. O mal que ha trez longos e penosos an- nos grassava no patrio sólo, fazendo tom- bar tantos corpos, perturbando a alegria, vestindo de luto, o lar domestico, arran- cando lagrimas e suspiros, aos paes, aos esposos, aos filhos, acaba de render-se an- te a influencia do remedio efficaz. Vem as auras beneficas da paz enxugar essas lagrimas, apagar da memoria essas tristes recordações de dias tão aziagos, impellir essas negras e densas nuvens que ainda restão da tempestade, e descortinar o sol da felicidade, do progresso e da fraterni- dade! Paz! isto que ainda ha pouco era um ideal, aninhado no cerebro do patriota, es- se desejo ardente, essa aspiração, é hoje uma realidade! Um novo dia tem raiado. O sol de agora nos parece mais brilhante, o canto dos passarinhos mais poetico, até o ruido das ondas, nos alegra, emfim parece o des- pertar, n'uma bella manhã do estio. Eis ahi a grande infiuencia d'esse bene- ficio que exprimimos em trez letras: Paz! Trez caracteres que resumem uma nova era, uma alegria, um balsamo, um consolo, um lenitivo! Trez caracteres que no seu laconismo encerrão uma subli- midade. Acabamos de comparar dois thesouros, Um precioso para o patriota, mas o outro, ainda mais precioso, para o christão. Seguindo a evolução natural das cousas, o Protestantismo realiza as condições uni- versaes da harmonia na esphera da vida humana. A sua diversidade não é, pois, como querem os nossos adversarios, o attestado exclusivo das paixões sectarias, é mais do que esses accidentes da contingencia hu- mana, é a prova incontestavel de sua vi- talidade. Não negamos, nem o poderiamos fazer, porque para isso seria necessario desconhe- cer a natureza humana, que nessas com- munidades evangelicas não appareça, mui- tas vezes, o espirito anti-christão de seitas, proselytismo estreito e fanatico, o pha- resismo abominavel de inspirados douto- res, contra seu correctivo no sopro largo e ge- neroso do Evangelho. São incidentes des- agradaveis que não destroem a lei geral da vida e da liberdade á que obedece o Protestantismo na diversidade de seus aggru- pamentos. Feliz d'aquelle que ao receber os louros da victoria, ao ver-se beneficiado, em ge- neral, e que infelizmente póde um dia aca- bar, semelhante a flor, que no pé conser- va a sua belleza, mas ao ser arrancada murcha e extingue-se. Este depende dos homens, e portante não é eterno. Mas, aquelle que Christo adquiria é eterno; é uma herança sellada, legalisada, e della podem participar todos os chris- tãos, e é tão eterna como Aquelle que o nol-a legou. Todo o patriota rende no dia de hoje homenagem ao pacificador, e nós christãos devemos tambem fazel-o; porém exaltemos ainda muitissimo mais, e mais justamente Aquelle que nos abre as portas d'um the- souro eterno! Felizmente já podemos contrapor no Brazil a unidade dogmatica e pratica de varias denominações, ás divisões de que nos accusam. Cinco egrejas evangelicas trabalham activamente na propaganda em nossa vasta Republica, São ellas a presbyteriana, a congregacionalista, a methodista, a baptis- ta e a episcopal. Divergindo, como diver- gem, em pontos secundarios de especula- ções philosophicas, de formas de governo e de ritos, provam a sua unidade substan- cial do facto importantissimo de que os pulpitos de cada egreja estão abertos aos ministros das outras communidades. Isto fossem fundamentaes. Ao lado desta unidade de que damos constantes provas em nossos pulpitos, existe uma outra tão eloquente como ella é a unidade practica, a solidariedade fraterna, a mutua cortezia em nossas rela- ções, a alegria com que mutuamente sau- damos os nossos progressos. Que querem mais os romanistas para que lhes respondamos victoriosamente as accusações com que pretendem confundir nos? Somos divididos, porém como são divididos os Estados de uma federação, os seus membros. Que todas essas esperanças se conveitan em progresso definitivo e que Deus curie de bençãos aquella Egreja que durante oito dias me teve em seus braços. O silvo e o impulso da locomotiva a cordaram-me a realidade, na tarde de 1 de Agosto, dizendo-me que eu deixava Rio Grande. Dentro em breve a vista deleitor nas campinas que cercam o Povo Nove mas ainda o terreno é plano, em contrast com as lombas do meu querido Viamãe depois, o S. Gonçalo com sua ponte movel e, finalmente, Pelotas. Esperaram-me na estação meu bom ami- go o Rev. Meem e mais alguns mes- da Egreja Evangelica Pelotense. Préguei ahi 5 vezes e fallei tambem Escola Dominical. O tempo diminato chuvoso impediu-me de fazer visitas con- sideraveis, o que me causou bastante pesar meu. No entanto o que coube-me em extremo e daria assum- pto sufficiente para as minhas impressões, mas eu me reserve para outra occasião que com mais vagar e especialidade visite a cidade. Comtudo seria para mim absurdo se deixasse de agradecer as muitas provasde atenção e delicadeza com que as Egrejas do Rio Grande e Pelotas me penhorarum em extremo. Que a convocação de 1896 nos venha reanir na Princeza do Sul da terra, para fazermos um grande congresso de evangelização. E' de justiça e caridade que presbyte- rianos, methodistas, baptistas e as outras egrejas respeitem reciprocamente o governo e a disciplina umas das outras. Que não se procurem tirar partido de descontentamen- tos e acoroçoar o espirito de indisciplina, ou em nome da fé, quando, ainda no seio do romanis- mo, nossa consciencia se agitava ferida pe- los raios luminosos da verdade evangelica, tal argumento nos deixava perplexo e, em nossa ignorante boa fé, procuravamos em vão uma solução plausivel em favor de se- guir principios que nos seduziam pela sua cla- reza, que se impunham pela sua sublimi- dade. Hoje, porém, comprehendemos o exaggero dessas divisões do Protestantismo. São divisões naturaes ao amplo regimen da li- berdade, ás diversidades dos meios e dos testantismo, é sua unidade substancial, at testada pela harmonia fundamental de to- dos os symbolos de fe das multiplas deno- minações orthodoxas. A arvore é um ramos, assim o Protestantismo evangelico na infinita variedade de suas folhas e de seus ramos, assim o Protestantismo evangelico na infinita variedade de suas egrejas. O sol é um argumenta o eximio auctor do Paris na America porém a sua luz cahe diversamente sobre os differentes po- vos da superficie da terra; assim a luz da Revelação é uma para o Protestantis- mo religioso, porém de diversos pontos de vista, aquecem-se difierentes grupos cada um como edifica sobre o Eterno Fun- damento. Frederico G. Schmidt. Rio Grande, Setembro de 1895.


As denominações evangelicas no Brazil E' esta a epigraphe de um bem traçado artigo que da penna de E. C. P. veiu á luz nas columnas do Estandarte de S. Paulo. Solidarios com as opiniões emittidas no referido artigo não pudemos furtar-nos ao prazer de transcrevel-o em nossas columnas, para o que pedimos a devida venia. Como penhor de nossa solidariedade of- ferecemos o passado de nosso modesto or- gam, o qual talvez tenha sido o unico no Brasil a não attacar seus irmãos no Evan- gelho. Esta conducta tem-nos valida quiça o desprezo por parte de alguns; porém ma- nifestações como as que ficam exoradas no artigo do Rev. Eduardo compensam-nos de sobejo e consolam-nos em extremo. «Chamam os romanistas seitas, no senti- do pejorativo ordinario desta palavra, ás diferentes denominações evangelicas no seio do Protestantismo. Attribuem propositalmente a esses diffe- rentes aggrupamentos um sectarismo ex- clusivista, odios reciprocos, perpetuas hos- tilidades. E' o argumento Achilles contra nós, que, seja dicto em abono da verdade, estas divisões e subdivisões do Protestan- tismo, este espirito de seita não será a prova palpavel, o documento irrefu- tavel da falsidade da Reforma, do erro do Protestantismo? Confessamos que, no principio de nossa dias, nossa consciencia se agitava ferida pe- los raios luminosos da verdade evangelica, tal argumento nos deixava perplexo e, em nossa ignorante boa fé, procuravamos em vão uma solução plausivel em favor de se- guir principios que nos seduziam pela sua cla- reza, que se impunham pela sua sublimi- dade. Hoje, porém, comprehendemos o exaggero dessas divisões do Protestantismo. São divisões naturaes ao amplo regimen da li- berdade, ás diversidades dos meios e dos costumes, e aos differentes pontos de vista, aquecem-se difierentes grupos cada um como edifica sobre o Eterno Fun- damento. E' esta a unidade de que damos constantes provas em nossos pulpitos, existe uma outra tão eloquente como ella é a unidade practica, a solidariedade fraterna, a mutua cortezia em nossas rela- ções, a alegria com que mutuamente sau- damos os nossos progressos. Que querem mais os romanistas para que lhes respondamos victoriosamente as accusações com que pretendem confundir nos? Somos divididos, porém como são divididos os Estados de uma federação, os seus membros. Seria para lamentar que o espirito de seita, o proselytismo estulto, filho do fa- natismo e do orgulho humano, viesse ferir o corpo mystico de Jesus Chiristo e enfra- quecer esta nossa resposta victoriosa ao inimigo commum! Ousamos, pois, em nome do sagrado in- teresse da causa evangelica em nossa pa- tria, convidar a todas as denominações evangelicas no Brazil a evitar, com ma- ximo escrupulo, tudo quanto possa preju- dicar a nossa bella fraternidade, que é, em grande parte, a garantia de nosso presti- gio neste campo missionario. Para a consecução de fim tão desejavel, meditemos sobre a importancia dos seguin- tes pontos. E' de justiça e caridade que presbyte- rianos, methodistas, baptistas e as outras egrejas respeitem reciprocamente o governo e a disciplina umas das outras. Que não se procurem tirar partido de descontentamen- tos e acoroço

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