Sinopse da História da IEAB
SINOPSE DA HISTÓRIA DA IEAB
I - CAPELANIAS INGLESAS
1800 Proibição de Igrejas e cemitérios no território do Reino de Portugal.
1810 Tratado do comércio e navegação, entre Portugal e Inglaterra: permissão para clubes e igrejas, apenas para os britânicos, em língua inglesa, e sem forma exterior de templo.
1819 Construção da primeira igreja anglicana no Brasil, a Christ Church, no Botafogo, Rio de Janeiro.
1822 Inauguração do referido templo, sob a proteção da polícia.
Outras Capelanias: St. Paul's, em São Paulo, Holy Trinity, no Recife, St. George, Salvador, St. Mary, Belém, All Saints, Niterói, Capela dos Marítimos, em Santos e Capela da Companhia de mineração de São João Del Rey, MG.
Cada capela era mantida por uma Sociedade mantenedora local, sob a supervisão, primeiro, do bispo de Londres, e, depois do bispo para os Falklands (Malvinas) e América do Sul.
Salvador: início do trabalho 1815 (em residências). Templo inaugurado, no Campo Grande, em 1853.
No Recife, o templo funcionou onde é atualmente o Cinema São Luiz. O ministro residia no “Beco do Pe. Inglês".
Com o Brasil respeitando o antigo tratado com Portugal, as capelanias continuaram no Séc. XIX e primeira metade do século XX a servir unicamente os súditos de S. M. Britânica, sem qualquer trabalho de evangelização entre brasileiros.
II – A EVANGELIZAÇÃO NO SÉCULO XIX
a) Tentativas infrutíferas
1805 Henry Martin, missionário a caminho do Oriente, passa quinze dias em Salvador, BA, falando sobre a fé cristã para pessoas ilustres. Escreveu em seu diário: “Quando será este belo país libertado da idolatria e do cristianismo espúrio? Cruzes há em abundância, mas quando será aqui anunciada a doutrina da cruz?"
1853 A Sociedade Missionária Americana envia o Rev. William Cooper como missionário do Brasil. O navio naufraga, ele volta aos EUA e desiste de ser missionário.
1860 - Chega Richard Holden a Belém, PA, como missionário e colportor. Travou polêmica pela imprensa com o bispo católico-romano, fez viagens, procurou difundir o evangelho. Em razão das hostilidades, deixa o Pará.
1862 Holdem se muda para Salvador, BA, inicialmente ainda com o apoio do Departamento de Missões da Igreja Americana, e depois como funcionário da Sociedade Bíblica. Fica até 1864. Traduziu o Livro de Oração Comum para o português e compôs vários hinos.
b) O Estabelecimento Missionário:
Origem: O Seminário de Virgínia, no século XIX de linha evangélica e de grande ênfase missionária. A filha de Asbel G. Simonton, fundador do presbiterianismo no Brasil, morava perto do seminário e era amiga dos seminaristas. Os candidatos ao campo missionário no Brasil tiveram que lutar contra a oposição dos anglo-católicos no Deptº de Missões que eram contra o envio de missionários a “países cristãos", tiveram que buscar apoio financeiro com parentes e amigos.
1889 Chegam ao Brasil Lucien Lee Kingsolving e James Watson Morris. Com o apoio dos presbiterianos estudam português em São Paulo e se instalou em Porto Alegre.
1890 (1º Domingo de Junho): Primeiro culto em português para brasileiro.
1891 Chegam ao Brasil os missionários William Cabel Brown John Gow Meem.
Congregações são estabelecidas em Porto Alegre, Rio Grande, Santa Rita e Pelotas. Cultos e Escola Dominical, sob severa perseguição religiosa.
1893 Ordenação dos primeiros diáconos brasileiros: Vicente Brande, Antônio Machado Fraga, Américo Vespúcio Cabral e Boaventura de Souza Oliveira.
1895 É registrada a missão com o nome de: Igreja Protestante Episcopal no Sul dos Estados Unidos do Brasil.
1897 O nome da igreja é mudado para: Igreja Protestante Episcopal dos Estados Unidos do Brasil (Vs. Igreja Protestante Episcopal nos Estados Unidos da América).
Cada ano era realizado uma "Convocação" (embrião de concílios).
1898 Kingsolving tem seu nome indicado pela "Convocação” para ser o primeiro bispo e é homologado pela Câmara dos Bispos da Igreja dos EUA.
1899 (6 de janeiro): Kingsolving é sagrado bispo na Igreja de São Bartolomeu em Nova York.
1900 A igreja muda o nome para: Igreja Episcopal Brasileira.
1907
III FASE EVANGÉLICA (1889 – 1949)
a) Período Kinsolving (1889 – 1926)
A IEAB cessa de ser uma igreja autônoma e se torna um distrito missionário da PCUSA. Kingsolving passa a ser bispo-missionário, (até 1926).
Lucien Lee Kingsolving permanece 37 anos como missionário no Brasil, 27 dos quais como bispo. Aqui permanece até 1926. Tem a colaboração de 9 missionários (ministros e leigos), prepara e/ou ordena 30 pastores brasileiros, funda o Seminário Teológico, igrejas por várias partes do Rio Grande do Sul, cria escolas paroquiais, constrói templos e uma sociedade missionária.
1913 Divide o Distrito Missionário em três arcediagados (Rio de Janeiro, Porto Alegre e Rio Grande). É traduzido o Livro de Oração Comum para o Português.
1923 É iniciado o trabalho entre os japoneses de São Paulo, pelo missionário e depois ministro João Yosaji Ita. Muitos japoneses se converteram e se confirmaram, fundando várias missões. Kingsolving foi um incansável missionário. Quando se aposentou (por razão de saúde) deixa a igreja com os seguintes números: 13535 batizados, 4997 confirmados, 2537 alunos de escola dominical, 25 templos ou capelas construídos. Era um protestante (“igreja baixa"), defensor de um culto simples, com templos despojados. Fiel ao uso do LOC. Teologicamente evangélico, pregando a mensagem de salvação e a autoridade das escrituras. Cria no papel singular do anglicanismo no Brasil, mas dentro da tradição reformada.
1925 É fundada a Capela de São Marcos., em Santos, SP, tendo à frente o missionário José Orthon (nascido na Inglaterra, criado no Brasil e ex-pastor congregacional em Pernambuco). Onze missões são por ele organizadas na baixada santista em 15 anos.
a) O período Thomas (1927 – 1949)
1904 Chega ao Brasil como diácono.
1905 É ordenado presbítero por Kingsolving. É feito professor do Seminário e Coadjutor de Kingsolving na Igreja do Salvador, em Rio Grande.
1907 Pároco da Igreja do Salvador.
1911 Capela, depois Paróquia da Ascenção, Porto Alegre, e Escola Diocesana (depois Colégio Cruzeiro do Sul).
1925 Bispo Coadjutor de Kingsolving (sagrado na Igreja de São Paulo, Baltimore).
1927 Responde pela IEB com a aposentadoria de Kingsolving.
1928 É eleito bispo titular para o Brasil. Pastor, professor, administrador, evangelista, abre novas missões, adquire terrenos, constrói templos. Para ele, a função da igreja era evangelizar. Preocupado com a situação nacional, apoia a revolução de 30 e cria um movimento na igreja em favor da moralização política nacional.
1929 Criação do "Estandarte Cristão" e Imprensa Episcopal.
Foi dinamizado o trabalho feminino e criado movimentos de homens e de jovens.
1930 Publicada a primeira tradução completa do LOC. O bispo Thomas exorta o seu uso em todas as igrejas.
1934 Fundação do Colégio Santa Margarida. Pelotas, RS.
1936 Criação do Orfanato Evangélico de Pelotas.
1940 Cinquentenário da IEB. Athalício Theodoro Pithon é sagrado bispo sufragâneo (o primeiro bispo anglicano brasileiro) para auxiliar o bispo Thomas.
1948 Thomas se aposenta, após 45 anos como missionário e 24 como bispo. O seu período é considerado como o de maior crescimento da Igreja.
Na década de 30, pela presença de missionários e a ida de bolsistas para os EUA começam a chegar ao Brasil idéias anglo-católicas. Um episódio exacerbado foi protagonizado pelo Rev. Salomão Ferraz (ex-pastor presbiteriano, que depois, fundaria a Igreja Católica Livre e terminaria como bispo católico romano).
Na década de 30, também chegaria ao Brasil os ideais liberais, com os missionários Raymond E. Fuessle e Martin S. Firht, este último escandalizaria por freqüentar cassino e brincar carnaval. Em ambos os episódios, o bispo Thomas demonstrou firmeza.
Com a aposentadoria do bispo Thomas entra em declínio a "Fase Evangélica" que durara 59 anos. Igreja integrada com o modo protestante. Teologia salvacionista. Evangelismo. Os bispos usavam apenas Chamarra, roquete e típite, o clero usava sotaina (cassock) preto, sobrepeliz (branco) e típite alguns(estola). O lugar eucarístico não era denominado “altar", mas de "Santa Mesa", geralmente apenas coberta por uma toalha de linho branco. Várias paróquia não usavam obreias (hóstias), mas pão comum na eucaristia, e alguns adotaram o cálice individual.
Com a saída do Bispo Thomas o distrito missionário do Brasil foi em três dioceses: Brasil meridional (Porto Alegre): Revmº Athalício Theodoro Pithon; Brasil Sul-Ocidental (Santa Maria): Revmº Egmont Machado Krisdike e Brasil Central (Rio de Janeiro): Revmº Louis Chester Melcher (primeiro bispo missionário anglo-católico).
IV - A AUTONOMIA
19ª Província da Comunhão Anglicana
1950 Nova Estrutura: 3 dioceses, um sínodo, um conselho nacional.
1952 Nova constituição e novos cânones.
1961 Conselho nacional pede autonomia à Igreja norte-americana.
1963 A Câmara dos Bispos dos EUA aprova a autonomia.
1964 A Convenção Geral da PCUSA homologa a autonomia (19ª Província).
1965 Nome mudado para Igreja Episcopal do Brasil.
Eleição do primeiro Primaz, bispo Egmont Machado Krischke.
1972 Novo Primaz, bispo Arthur Rodolpho Kratz.
1973 – 1982 Plano decenal de emancipação financeira.
A igreja brasileira recebia 324 mil dólares anuais. A maior parte do salário do clero e as aposentadorias eram pagas pelos EUA. Laicato não educado para o sustento da Igreja.
Após o plano decenal: Crise financeira e crise de ministério (abandono ou voluntários).
Novas dioceses:
- Sul-Central (SP, PR, MS): 1969
- Sententrional (NO, NE): 1975
- Miss. de Brasília (CO): 1982
A Autonomia cortou os vínculos com a Igreja norte-americana, inaugurou um tempo de nacionalismo eclesial, mas com o término do plano decenal a igreja entrou em crise por falta de recursos, pela dependência do clero de recursos externos e pela falta de mordomia dos membros.
A Igreja norte-americana transferiu um valioso patrimônio para a Igreja brasileira: Templos, educandários, casas pastorais e outros imóveis. Em decorrência foram criados dois fundos importantes: o da FAPIЕВ (aposentadoria e pensões) e JUNET (educação teológica).
V - MUDANÇAS
A presença do anglo-catolicismo, do catolicismo-liberal e do protestantismo foi se fazendo crescente na PCUSA nos anos 30, 40 e 50. Missionários dessas linhas foram chegando ao Brasil. Bolsistas brasileiros iam estudar em seminários dessas linhas nos EUA.
1949 – 1958 Lowis Chester Melcher, bispo da diocese central (Rio de Janeiro) e diretor do deptº de instituições (quase-primaz): primeiro bispo anglo-católico. Em seu período sente-se o impacto do anglo-catolicismo, a nível teológico e litúrgico. Combate-se o uso do pão comum e do cálice individual na eucaristia, procura-se disseminar o uso de velas, estolas e cores litúrgicas no altar. Nega-se o caráter "protestante" da Igreja (ainda na nomeclatura da PCUSA). Embora, se sua fundação (1934) aus desativação (1964) a IEB tenha sido membro atuante da Confederação Evangélica do Brasil (CEB).
1963 – 1966 A IEB é impactada pelo Concílio Vaticano II da Igreja Romana. Os altares são descolados da parede. Passa-se a celebrar voltados para o povo.
Anos 50/60 Influência das idéias ecumênicas, liberais e isalinas (ISAL)
Anos 70 Influência da Teologia da Libertação
Anos 80 Consolida-se a hegemonia católica-liberal, agora em estreita cooperação com a liderança da ECUSA. Afastamento da comunidade protestante. Dissseminação e repressão às outras correntes.
Bispos: 1976 - Olavo Ventura Luiz (Santa Maria) 1977 - Agostinho Guillón Sória (Rio de Janeiro) 1977 - Sumio Takatsu (São Paulo) 1984 - Cláudio Vinícius de Senna Gastal (Porto Alegre) 1985 - Clóvis Erly Rodrigues 1985 - Sydney Alcoba Ruiz (Rio de Janeiro) 1985 - Agostinho Guilhões Sória (transfere-se para Brasília) 1986 - Novo primaz, Olavo Ventura Luiz 1989 - Almir dos Santos (Brasília)
Anos 80/90 A IEB afasta do mundo protestante, aproxima-se da igreja romana e restringe seus vínculos econômicos ao espaço do CONIC, estagnação, seguida de declínio: missões e paróquias são fechadas, reduz-se o número de membros em plena comunhão, aumento da faixa etária dos membros, rigidez litúrgica, agressividade em relação ao evangelismo e ao carismatismo, preconceito em relação ao protestantismo. Alinhamento com a direção da ECUSA.
A sotaina ( ) e a sobrepeliz são substituídos pela alva, generaliza-se o uso da estola, o típite vai caindo em dersuso. Os bispos passam a usar a capa e mitra.
Causas do declínio: a) Carência financeira; b) Carência de obreiros; c) Soteriologia sacramentalista (anglo-católicos) d) Soteriologia universalista (liberais, TL) e) Ausência de renovavação litúrgica f) Missão como "presença" e "serviço“ – Evangelismo acusado de “proselitismo"
1990 - Glauco Soares de Lima (bispo de São Paulo) 1993 - Jubal Alves Neves (bispo de Santa Maria) 1994 - Novo Primaz: Glauco Soares de Lima.
VI - EVANGÉLICOS E CARISMÁTICOS
O evangelicalismo manteve uma presença residual com o velho laicato e alguns ministros isolados.
Experiências carismáticas surgidos em paróquias de várias dioceses (anos 70/80) foram reprimidas.
Anos 70 O bispo Edmund Knox Sherril permite a entrada de missionários da SAMS (South America Missionary Society) no Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Belém. Primeira presença sistemática de evangélicos em muitos anos.
1975 Chega ao Recife, para assumir a Paróquia da Santíssima Trindade, o Rev. Paulo Ruiz Garcia.
Anos 80 Clérigos e leigos fundam a ABAE (Associação Brasileira de Anglicanos Evangélicos) e se filiam à EFAC (Evangelical Fellomships in the Anglican Communion).
São criadas as igrejas de João Pessoa (Ressurreição), Olinda (Emanuel), Várzea (Redentor), Caruaru (Reconciliação), Piedade (Espírito Santo), Maceió (amor Cristão), Alto do Eucalipto (São Paulo), e outros.
Desenvolve-se o trabalho dos Encontros (casais, jovens, adolescentes), Cursilhos, Seminários de Vida no Espírito e outros ministérios.
1997 Toma posse como bispo do Recife - Edward Robinson de Barros Cavalcanti, primeiro bispo anglicano nordestino e primeiro bispo evangélico anglicano em quase meio século.