"Unidade na diversidade, unidade na adversidade": a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e as múltiplas identidades do anglicanismo no século XXI

Versão Integral em Texto

"Unidade na diversidade, unidade na adversidade": a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e as múltiplas identidades do anglicanismo no século XXI

Rafael Vilaça Epifani Costa2021

UNIVERSIDADE CATÓLICA DE PERNAMBUCO

PRÓ-REITORIA DE PESQUISA, PÓS-GRADUAÇÃO E INOVAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DA RELIGIÃO

CURSO DE DOUTORADO

RAFAEL VILAÇA EPIFANI COSTA

“UNIDADE NA DIVERSIDADE, UNIDADE NA ADVERSIDADE”:

A IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL E AS MÚLTIPLAS IDENTIDADES DO ANGLICANISMO NO SÉCULO XXI

Tese apresentada como requisito parcial para a obtenção do título de Doutor em Ciências da Religião, pela Universidade Católica de Pernambuco.

Linha de pesquisa: Tradições e Experiências Religiosas, Cultura e Sociedade.

Orientador: Prof. Dr. Newton Darwin de Andrade Cabral.

RECIFE-PE

2021

C837u Costa, Rafael Vilaça Epifani

“Unidade na diversidade, unidade na adversidade”: a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil e as múltiplas identidades do anglicanismo no século XXI / Rafael Vilaça Epifani Costa, 2021.

650 f. : il.

Orientador: Newton Darwin de Andrade Cabral.

Tese (Doutorado) - Universidade Católica de Pernambuco.

Programa de Pós-graduação em Ciências da Religião. Doutorado em Ciências da Religião, 2021.

1. Igreja anglicana - Brasil. 2. Cristianismo. 3. Igreja. 4. Comunhão anglicana. I. Título.

CDU 283 (42)

Luciana Vidal – CRB-4 / 1338

RAFAEL VILAÇA EPIFANI COSTA

“UNIDADE NA DIVERSIDADE, UNIDADE NA ADVERSIDADE”:

A IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL E AS MÚLTIPLAS IDENTIDADES DO ANGLICANISMO NO SÉCULO XXI

Tese aprovada como requisito parcial para a obtenção do grau de Doutor em Ciências da Religião, pela Universidade Católica de Pernambuco.

Data da Defesa: 10 de novembro de 2021.

BANCA EXAMINADORA

Prof. Dr. Newton Darwin de Andrade Cabral - Unicap

Orientador e Presidente da Banca Examinadora

Prof. Dr. Luiz Carlos Luz Marques - Unicap

Examinador Interno

Prof. Dr. Sérgio Sezino Douets de Vasconcelos - Unicap

Examinador Interno

Prof. Dr. Carlos Eduardo Brandão Calvani - UFS

Examinador Externo

Prof. Dr. Sérgio Ricardo Coutinho dos Santos - UnB

Examinador Externo

AGRADECIMENTOS

Ao longo das páginas seguintes, narrarei não apenas uma parte da história do

Anglicanismo e da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Esse trabalho é fruto tanto

da minha trajetória acadêmica na área de Ciências da Religião e Teologia, no curso

de doutorado na Universidade Católica de Pernambuco, quanto da minha

caminhada na IEAB, com todos os desafios e dificuldades que surgiram nos últimos

anos. Alguns episódios narrados foram testemunhados por mim, junto a pessoas

que se tornaram mais do que amigas, mas irmãs e confidentes, pais e mães na Fé.

O meu interesse em pesquisar sobre o Anglicanismo teve início durante o

Mestrado em Ciências da Religião, quando comecei as minhas leituras sobre a

Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. No ano de 2016, conheci a comunidade do

Bom Samaritano, recentemente inaugurada, após uma longa luta pela devolução de

parte dos templos, espoliados durante a “Grande Crise do Recife”, de 2005. Ao

buscar compreender um pouco mais da história da Igreja Nacional e da própria

Diocese Anglicana do Recife, acabei me engajando não apenas na vida comunitária

e sacramental – ajudando na liturgia e na música –, mas também senti um interesse

cada vez maior em estudar os acontecimentos que estava acompanhando de perto.

Foi dessa forma que, – junto com o discernimento da minha vocação ao

Ministério Ordenado e o início dos estudos teológicos – decidi que faria a minha

pesquisa de doutorado sobre a Igreja Episcopal Anglicana do Brasil. Em 2017,

iniciei, ao mesmo tempo, a graduação em Teologia e o doutorado em Ciências da

Religião. No primeiro curso, realizei o TCC sobre o trabalho da Comissão Nacional

Anglicano-Católica Romana (CONAC) e, no segundo, fiz uma longa pesquisa – que

muitas vezes, parecia inteminável –, cujo resultado se encontra nesse texto.

Como escrevi em um dos capítulos, esta tese é uma verdadeira “radiografia”

sobre a Igreja e as mudanças ocorridas nas últimas décadas. Embora o tamanho do

trabalho e a quantidade de páginas possam assustar, a maneira como foi

estruturada e escrita, tornam a leitura mais fácil, de modo que, desde um membro

“sênior” do clero, um “neófito”, ou até quem nunca leu sobre o Anglicanismo,

encontrará nestas páginas um guia para entender melhor este fenômeno religioso,

tão complexo, para uns, tão controverso, para outros, e, ao mesmo tempo,

apaixonante para aqueles que, de alguma forma, estão conectados a ele.

Independente das conclusões dos leitores e leitoras, o objetivo principal dessa

pesquisa, foi o de apresentar o fenômeno anglicano e suas implicações na história

do Cristianismo – especialmente para o contexto religioso brasileiro –, em toda a sua

diversidade, problemas, desafios e possibilidades. Ou utilizando as palavras do

teólogo J. I. Packer: “o Anglicanismo contém a mais rica, a mais vasta e a mais sábia

herança de toda a cristandade”.

Gostaria de agradecer ao clero e laicato da Igreja Episcopal Anglicana do

Brasil pelo apoio dado à minha pesquisa durante esses anos, fornecendo

documentos e informações sobre os episódios mais marcantes da história da

Província. De modo especial, agradeço aos bispos e bispas da Câmara Episcopal:

Ao Reverendíssimo Naudal Alves Gomes, Primaz da IEAB e Bispo da Diocese do

Paraná; Ao Revmo. Maurício José Araújo de Andrade, Bispo da Diocese de Brasília

e Presidente da JUNET; Ao Revmo. Francisco de Assis da Silva, Bispo da Diocese

Sul-Ocidental; Ao Revmo. Humberto Eugenio Maiztegui Gonçalves, Bispo da

Diocese Meridional; Ao Revmo. João Câncio Peixoto Filho, Bispo da Diocese do

Recife; Ao Revmo. Eduardo Coelho Grillo, Bispo da Diocese do Rio de Janeiro; À

Revma. Marinez Rosa dos Santos Bassotto, Bispa da Diocese da Amazônia; À

Revma. Meriglei Borges Silva Simin, Bispa da Diocese de Pelotas; e ao Revmo.

Francisco Cézar Fernandes Alves, Bispo da Diocese de São Paulo. E à reverenda

Magda Guedes, Secretária-geral. Obrigado por todo o incentivo, pelas orientações, e

pelas inúmeras contribuições a esta pesquisa, especialmente nos últimos anos.

Aos bispos eméritos da Diocese Anglicana do Recife Clovis Erly Rodrigues,

por ter me enviado uma cópia na íntegra do “Caso Robinson” – sem a qual não seria

possível reconstruir os episódios das crises que aconteceram nesta Diocese –, e a

Sebastião Gameleira, por ter enviado uma verdadeira biblioteca de obras até então

desconhecidas para mim, que serviram para fundamentar boa parte da pesquisa. Ao

reverendo Arthur Cavalcante e ao deão Gustavo Gilson de Oliveira, por terem me

cedido cópias de cartas escritas durante o processo da “Grande Crise do Recife”.

Ao biblista Paulo Ueti, do escritório da Anglican Alliance, pelas informações

compartilhadas sobre a Conferência de Lambeth de 2022. Ao reverendo Mark

Bozzuti-Jones e à equipe pastoral da Trinity Church Wall Street, pela organização do

Encontro de Parcerias para a América Latina e Caribe, evento que me possibilitou

compreender melhor a conjuntura atual das Províncias nesta região. De modo mais

especial, aos membros da União da Juventude Anglicana do Brasil (UJAB):

Paula Mello, Ruan Isnardi, Vivian Liz, Tiago Luddu e Celiane Suguinoshita, pelas

conversas, ideias e esclarecimentos sobre a história da Igreja. A todos os clérigos e

clérigas, secretários e secretárias que enviaram informações de suas Dioceses e da

Província, para que eu pudesse descrever o Sínodo Geral de 2018. E de modo

especial, à Junta Nacional de Educação Teológica (JUNET), que me concedeu a

bolsa de estudos. Todo apoio que veio da Igreja e de cada membro, foi essencial

para que este trabalho fosse desenvolvido e finalizado.

Ao meu orientador, Professor Doutor Newton Darwin de Andrade Cabral,

pelos anos de orientação, conselhos e conversas. Por ter se disponibilizado a

acompanhar a elaboração deste trabalho e lapidar o “diamante bruto”, até alcançar o

resultado final. Aos professores da Unicap: Luiz Carlos Luz Marques e Sérgio Sezino

Douets de Vasconcelos; e aos professores Carlos Eduardo Brandão Calvani (UFS) e

Sérgio Ricardo Coutinho dos Santos (UnB), por aceitarem o desafio de fazerem seus

apontamentos para esta tese e pela disponibilidade de comporem a Banca. Também

agradeço demais docentes do Programa de Pós-Graduação em Ciências da

Religião da Unicap, Drance Elias da Silva, Gilbraz de Souza Aragão, João Luiz

Correia Júnior, José Afonso Chaves, José Tadeu Batista de Souza, Luiz Alencar

Libório, Valdenice José Raimundo e Zuleica Dantas Pereira Campos, pelos anos em

que estive com vocês e pelas contribuições individuais que me moldaram como

pesquisador e cientista da religião.

Aos funcionários e funcionárias da Secretaria de Pós-Graduação da Unicap e

da Biblioteca Central, que me auxiliaram de diferentes maneiras desde o começo de

minha caminhada no Mestrado. Às funcionárias da Biblioteca do Instituto Ricardo

Brennand, Juliana Santiago e Aruza de Holanda, por terem me dado acesso ao

acervo de folhetos, livros e catálogos sobre a presença dos ingleses em

Pernambuco, alguns dos quais, sobreviveram à cheia do Rio Capibaribe de 1975.

Agradeço aos meus amigos e amigas, do Colégio, da Graduação e do

Mestrado e Doutorado, que de muitas formas contribuíram com seus comentários e

incentivos, para que eu prosseguisse na caminhada. Aos meus confrades do

“Círculo de Eranos”, Mailson Cabral e Max Rodrigues, pela amizade durante o

Mestrado e pelos cafés e debates que contribuíram para a nossa formação como

cientistas da religião.

Agradeço à minha namorada (e companheira acadêmica): Heloísa Lira de

Castro, que no meio desse percurso, acompanhou a escrita das 560 páginas que

“brotaram” no último ano. Essa tese tem bastante de nossas conversas, cafés e

horas que gastamos falando, brincando e “perdendo a cabeça” com esse tal de

Anglicanismo.

Agradeço aos meus pais, que me deram todo o apoio e suporte para começar

e chegar até o final desta caminhada: Eliane Vilaça Figueirêdo e Ariosto dos Reis

Costa. Também agradeço à minha avó, Alaíde Vilaça Figueirêdo (in memoriam), que

no auge dos seus 107 anos, me observou, diversas vezes, escrever esta tese pela

madrugada. Vocês são os meus exemplos de superação.

Por fim, agradeço a Deus, autor e consumador da vida, que me sustentou ao

longo desse trabalho, permitindo concluí-lo. Nas palavras da antiga oração judaica:

“Bendito sejas Senhor, Rei do Universo, por teres me dado a vida, me protegido e

me permitido chegar até aqui”.

RESUMO

A Igreja Episcopal Anglicana do Brasil (IEAB) é uma denominação cristã que

abrange todo o território brasileiro. No contexto do Anglicanismo mundial, ela é a 19ª

Província da Comunhão Anglicana. A sua fundação data de 1890, quando

missionários da Igreja Episcopal dos Estados Unidos estabeleceram as primeiras

comunidades de língua portuguesa no Sul do país. A sua história também foi

marcada pela presença das capelanias inglesas, desde o século XIX, e pelo trabalho

desenvolvido entre imigrantes japoneses, no início do século XX. Desde a

autonomia, ocorrida em 1965, a Província brasileira passou por várias mudanças,

desde sua estrutura administrativa, até suas posições teológicas, litúrgicas e

eclesiológicas. A proposta desta pesquisa versou sobre como a Igreja Episcopal

Anglicana do Brasil construiu e consolidou a sua identidade eclesial, moldando-se

como uma instituição “liberal, inclusiva, e em contínua reforma”, em conformidade

com o ethos anglicano. O trabalho foi dividido em cinco partes: a História do

Anglicanismo no Brasil e no mundo; um estudo de caso sobre a Diocese Anglicana

do Recife; uma análise da construção das múltiplas identidades da IEAB; o Sínodo

Geral de 2018; e as tensões, disputas e ressignificações em torno da ideia do que

seria a identidade anglicana. A partir de uma revisão bibliográfica – com textos de

pesquisadores brasileiros e estrangeiros, e documentos da Igreja brasileira e da

Comunhão Anglicana –, este trabalho buscou analisar como o conceito anglicano de

“Unidade na Diversidade” está relacionado com o tema da Inclusividade, o qual vem

dividindo a Comunhão Anglicana na contemporaneidade. A tese defendida é a

seguinte: a Província brasileira moldou as suas múltiplas identidades a partir de

quatro ênfases teológicas: a inserção da Igreja nas questões políticas e sociais,

influenciada por correntes como o Evangelho Social e a Teologia da Libertação; a

Inclusividade Litúrgica, com o novo Livro de Oração Comum, publicado em 2015; a

Ordenação Feminina, aprovada em 1985, e consolidada com a eleição da primeira

bispa em 2018; e a inclusão plena das pessoas LGBT+ na vida sacramental da

Igreja, com a aceitação de sua ordenação para o sacerdócio e a aprovação do

casamento entre pessoas do mesmo sexo, durante o Sínodo Geral da IEAB de

2018. Como resultado, desenvolveu-se uma verdadeira “radiografia” da Igreja

Episcopal Anglicana do Brasil, através de uma pesquisa inédita na área de Ciências

da Religião e Teologia.

Palavras-chave: Cristianismo. Anglicanismo no Brasil. Comunhão Anglicana.

Inclusividade. Eclesiologia.

ABSTRACT

The Anglican Episcopal Church of Brazil (IEAB) is a Christian denomination that

covers the entire Brazilian territory. In the context of worldwide Anglicanism, it is the

19th Province of the Anglican Communion. Its foundation dates back to 1890, when

missionaries from the Episcopal Church of the United States established the first

Portuguese-speaking communities in the South of the country. Its history was also

marked by the presence of English chaplaincies, since the 19th century, and by the

work developed among Japanese immigrants in the beginning of the 20th century.

Since the autonomy, in 1965, the Brazilian Province has undergone several changes,

from its administrative structure to its theological, liturgical and ecclesiological

positions. The proposal of this research was about how the Anglican Episcopal

Church of Brazil built and consolidated its ecclesial identity, molding itself as a

“liberal, inclusive, and in continuous reform” institution, in accordance with the

Anglican ethos. The research was divided into five parts: the History of Anglicanism

in Brazil and in the world; a case study on the Anglican Diocese of Recife; an

analysis of the construction of the multiple identities of the IEAB; the 2018 General

Synod; and the tensions, disputes and resignifications around the idea of what the

Anglican identity would be. Based on a bibliographical review – with texts written by

Brazilian and foreign researchers and documents from the Church and the Anglican

Community –, this work sought to analyze how the concept of “Unity in Diversity” is

related to the theme of Inclusiveness, that has been dividing the Anglican

Communion in contemporary times. The thesis defended is that: the Brazilian

Province shaped its multiple identities based on four theological emphases: The

insertion of the Church in political and social issues, influenced by currents such as

the Social Gospel and Liberation Theology; the Liturgical Inclusivity, with the new

Book of Common Prayer, published in 2015; the Ordination of Women, approved in

1985, and consolidated with the election of the first female bishop in 2018; and the

full inclusion of LGBT+ people in the sacramental life of the Church, with the

acceptance of their ordination to the priesthood and the approval of same-sex

marriage, during IEAB’s General Synod of 2018. As a result, a true “radiography” of

the Anglican Episcopal Church of Brazil was developed, through an original research

in the area of Religious Studies and Theology.

Keywords: Christianity. Anglicanism in Brazil. Anglican Communion. Inclusivity.

Ecclesiology.

RESUMEN

La Iglesia Episcopal Anglicana de Brasil (IEAB) es una denominación cristiana que

cubre todo el territorio brasileño. En el contexto del Anglicanismo mundial, es la 19ª

Provincia de la Comunión Anglicana. Su fundación se remonta a 1890, cuando

misioneros de la Iglesia Episcopal de Estados Unidos establecieron las primeras

comunidades de habla portuguesa en el Sur del país. Su historia también estuvo

marcada por la presencia de capellanías inglesas, desde el siglo XIX, y por el trabajo

desarrollado entre los inmigrantes japoneses a principios del siglo XX. Desde la

autonomía, en 1965, la Provincia brasileña ha experimentado varios cambios, desde

su estructura administrativa hasta sus posiciones teológicas, litúrgicas y

eclesiológicas. La propuesta de esta investigación fue sobre cómo la Iglesia

Episcopal Anglicana de Brasil construyó y consolidó su identidad eclesial,

conformándose como institución “liberal, inclusiva y en continua reforma”, de

acuerdo con el ethos anglicano. La investigación se dividió en cinco partes: la

Historia del anglicanismo en Brasil y en el mundo; un estudio de caso sobre la

Diócesis Anglicana de Recife; un análisis de la construcción de las múltiples

identidades del IEAB; el Sínodo General de 2018; y las tensiones, disputas y

resignificaciones en torno a la idea de lo que sería la identidad anglicana. A partir de

una revisión bibliográfica – con textos de investigadores brasileños y extranjeros, y

documentos de la Iglesia brasileña y la Comunión Anglicana –, este trabajo buscó

analizar cómo se relaciona el concepto de “Unidad en la Diversidad” con el tema de

la Inclusividad, que ha estado dividiendo la Comunión Anglicana en la época

contemporánea. La tesis defendida es la siguiente: la Provincia brasileña dio forma a

sus múltiples identidades a partir de cuatro énfasis teológicos: La inserción de la

Iglesia en cuestiones políticas y sociales, influenciada por corrientes como el

Evangelio Social y la Teología de la Liberación; la Inclusividad Litúrgica, con el

nuevo Libro de Oración Común, publicado en 2015; la Ordenación de Mujeres,

aprobada en 1985 y consolidada con la elección de la primera mujer obispo en 2018;

y la plena inclusión de las personas LGBT+ en la vida sacramental de la Iglesia, con

la aceptación de su ordenación al sacerdocio y la aprobación del matrimonio entre

personas del mismo sexo, durante el Sínodo General de IEAB de 2018. Como

resultado, se desarrolló una verdadera “radiografía” de la Iglesia Episcopal Anglicana

de Brasil, mediante una pesquisa original en el área de Estudios Religiosos y

Teología.

Palabras-claves: Cristiandad. Anglicanismo en Brasil. Comunión Anglicana.

Inclusividad. Eclesiología.

ABREVIATURAS

ACC – Anglican Consultative Council

ACNA – Anglican Church in North America

ARCIC – Anglican Roman Catholic International Commission

ASTE – Associação de Seminários Teológicos Evangélicos

CEA – Centro de Estudos Anglicanos

DAA – Diocese Anglicana da Amazônia

DAB – Diocese Anglicana de Brasília

DAP – Diocese Anglicana de Pelotas

DAPAR – Diocese Anglicana do Paraná

DAR – Diocese Anglicana do Recife

DARJ – Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

DASP – Diocese Anglicana de São Paulo

DM – Diocese Meridional

DMO – Distrito Missionário do Oeste

DSO – Diocese Sul-Ocidental

FCA – Fellowship of Confessing Anglicans

GAFCON – Global Anglican Future Conference

IEAB – Igreja Anglicana no Brasil

IAET – Instituto Anglicano de Estudos Teológicos

IEAB – Igreja Episcopal Anglicana do Brasil

IECB – Igreja Episcopal Carismática do Brasil

JUNET – Junta Nacional de Educação Teológica

LOC – Livro de Oração Comum

MAnB – Movimento Anglicano no Brasil

SAET – Seminário Anglicano de Estudos Teológicos

SETEK – Seminário Teológico Egmont Krishcke

STIEB – Seminário Teológico da Igreja Episcopal do Brasil

TEC – The Episcopal Church

UMEAB – União das Mulheres Episcopais Anglicanas do Brasil

UJAB – União da Juventude Anglicana do Brasil

VTS – Virginia Theological Seminary

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 – Estrutura da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil 272

Tabela 2 – Número de Comunidades da IEAB em 2020 283

Tabela 3 – Número de Batismos na IEAB 287

Tabela 4 – Número de Confirmações na IEAB 288

Tabela 5 – Denominações protestantes históricas no Censo de 2000 289

Tabela 6 – Censo 1970-2010 289

Tabela 7 – Percentual da população brasileira por denominações

Protestantes históricas nos anos de 2003 e 2009 291

Tabela 8 – Correntes do Anglicanismo – Católicos 439

Tabela 9 – Correntes do Anglicanismo – Protestantes 440

Tabela 10 – A Rosa dos Ventos de Thomas McKenzie 443

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 16

2 ANGLICANISMO: UM RAMO HISTÓRICO DO CRISTIANISMO 28

2.1 A IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO BRASIL 38

2.2 AS CAPELANIAS INGLESAS NO BRASIL 42

2.3 A MISSÃO EPISCOPAL NORTE-AMERICANA E A MISSÃO JAPONESA 48

2.4 OS PRIMEIROS BISPOS BRASILEIROS E O 1º CONGRESSO EPISCOPAL 68

2.5 A PROVÍNCIA DA COMUNHÃO ANGLICANA NO BRASIL 79

2.6 AS NOVAS ÊNFASES TEOLÓGICAS DE UMA IGREJA CENTENÁRIA 92

2.7 OS NOVOS MOVIMENTOS ANGLICANOS E EPISCOPAIS 123

2.7.1 A GAFCON e a Fraternidade de Confessantes Anglicanos 125

2.7.2 O Movimento Carismático 130

2.7.3 O Movimento Continuante 135

2.7.4 As Igrejas Anglicanas Independentes 140

3 UM ESTUDO DE CASO: A DIOCESE ANGLICANA DO RECIFE 154

3.1 O ANGLICANISMO NO NORDESTE E A DIOCESE SETENTRIONAL 159

3.2 O EPISCOPADO DE EDMUND SHERRILL 170

3.3 O EPISCOPADO DE CLOVIS RODRIGUES 177

3.4 O EPISCOPADO DE ROBINSON CAVALCANTI 186

3.4.1 A Pequena Crise do Recife 191

3.4.2 A Grande Crise do Recife 206

3.5 O EPISCOPADO DE SEBASTIÃO GAMELEIRA 238

3.6 O EPISCOPADO DE JOÃO PEIXOTO 243

3.7 ATUAL SITUAÇÃO DO ANGLICANISMO NO RECIFE 251

3.7.1 A Igreja Anglicana no Brasil e o Cristianismo Hipster 252

3.7.2 A Igreja Episcopal Carismática do Brasil e a sua autonomia 260

3.7.3 A reconstrução da Diocese Anglicana do Recife 265

4 AS MÚLTIPLAS IDENTIDADES DA IEAB: UNIDADE NA DIVERSIDADE 269

4.1 UMA IGREJA DE PROPORÇÕES NACIONAIS E INTERNACIONAIS 271

4.2 UMA ANÁLISE CRÍTICA DOS DADOS ESTATÍSTICOS DA IEAB 282

4.3 AS NOVAS ÊNFASES TEOLÓGICAS 302

4.3.1 Uma Igreja inserida nas questões políticas e sociais 306

4.3.2 O novo Livro de Oração Comum e a Inclusividade Litúrgica 324

4.3.3 A Ordenação Feminina 347

4.3.4 A Ordenação e o Casamento de Pessoas LGBT+ 369

4.4 A INCLUSIVIDADE COMO PARTE INERENTE DO ETHOS ANGLICANO 384

5 UMA IGREJA PARA O SÉCULO XXI: O SÍNODO GERAL DE 2018 393

5.1 OS SÍNODOS QUE PREPARARAM O CAMINHO 394

5.2 O XXXIV SÍNODO GERAL: UM NOVO AMANHECER PARA A IEAB 398

5.3 A VOTAÇÃO E A MUDANÇA CANÔNICA 401

5.4 A RECEPÇÃO DAS DIRETRIZES DO SÍNODO NAS DIOCESES 405

5.5 A RECEPÇÃO DAS DIRETRIZES DO SÍNODO EM OUTRAS IGREJAS 410

6 ANGLICANISMO: TENSÕES, RUPTURAS E CONTINUIDADES 416

6.1 O ANGLICANISMO A PARTIR DE PIERRE BOURDIEU E PAUL TILLICH 419

6.2 A DISPUTA PELAS MÚLTIPLAS IDENTIDADES ANGLICANAS 428

6.3 (DES)CONSTRUÇÕES NOS CAMPOS SIMBÓLICOS DO ANGLICANISMO 451

6.4 O QUE É SER EPISCOPAL-ANGLICANO NA CONTEMPORANEIDADE? 459

6.5 PARA ONDE CAMINHA O ANGLICANISMO NO BRASIL E NO MUNDO? 472

6.6 A CONFERÊNCIA DE LAMBETH DE 2022 E A PARTICIPAÇÃO DA IEAB 484

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS 491

REFERÊNCIAS 498

LISTA DE ANEXOS 510

LISTA DE IMAGENS 511

ANEXO A

Arcebispos de Cantuária

(Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Lista_dos_arcebispos_da_Cantu%C3%A1ria)

597-604 – Agostinho

604-619 – Lourenço

619-624 – Melito

624-627 – Justo

627-653 – Honório

655-664 – Adeodato

-664 – Vigardo (eleito, mas morreu antes de sua consagração – sede vacante)

668-690 – Teodoro de Tarso

693-731 – Bertualdo

731-734 – Tatuíno

735-739 – Notelmo

741-760 – Cuteberto

761-764 – Breguíno

765-792 – Jamberto

793-805 – Etelhardo

805-832 – Vulfredo

832-832 – Siredo (?)

832-832 – Feologildo (?)

833-870 – Ceolnodo

870-888 – Etelredo

890-923 – Plegmundo

923-925 – Etelmo

926-941 – Vulfelmo

941-958 – Oda, o Severo

958-959 – Elfino

959-959 – Birtelmo

960-988 – Dunstano

988-990 – Etelgar

990-994 – Sigerico, o Sério

995-1005 – Elfrico

1006-1012 – Alfege

1013-1020 – Lifingo

1020-1038 – Etelnodo

1038-1050 – Edsino

1051-1052 – Roberto de Jumièges

1052-1070 – Estigando

1070-1089 – Lanfranco

1093-1109 – Anselmo (morto em 1109 – sede vacante)

1114-1122 – Raul de Escures

1123-1136 – Guilherme de Corbeil (morto em 1136 – sede vacante)

1139-1161 – Teobaldo de Bec (morto em 1161 – sede vacante)

1162-1170 – Thomas Becket (morto em 1170 – sede vacante)

1173 – Rogério de Bailleul (eleito, mas recusou o cargo)

1174-1184 – Ricardo de Douvres

1185-1190 – Baudoíno de Exeter

1191 – Reginaldo Fitz Jocelin (morto em 1191 – sede vacante)

1193-1205 – Hubert Walter

1205-1206 – Reginaldo (eleito, mas afastado pelo papa)

1205-1206 – João de Grey (eleito, mas afastado pelo papa)

1207-1228 – Stephen Langton

1228-1229 – Walter d'Eynsham (eleito, mas afastado pelo rei e pelo papa)

1229-1231 – Ricardo le Grant

1231 – Ralph Neville (eleito, mas afastado pelo papa)

1232 – João de Sittingbourne (eleito, mas afastado pelo papa)

1232-1233 – John Blund (eleito, mas afastado pelo papa)

1234-1240 – Edmond Rich

1241-1270 – Bonifácio de Savóia

1270-1272 – William Chillenden (eleito, mas afastado pelo papa)

1273-1278 – Robert Kilwardby

1278-1279 – Robert Burnell (eleito, mas afastado pelo papa)

1279-1292 – John Peckham

1294-1313 – Robert Winchelsey

1313 – Thomas Cobham (eleito, mas afastado pelo rei e pelo papa)

1313-1327 – Walter Reynolds

1328-1333 – Simon Mepeham

1333-1348 – Jean de Stratford

1348-1349 – John de Ufford (morreu antes da sua consagração)

1349 – Thomas Bradwardine

1349-1366 – Simon Islip

1366 – William Edington (eleito, mas recusou o cargo)

1366-1368 – Simon Langham

1368-1374 – William Whittlesey

1375-1381 – Simon Sudbury

1381-1396 – William Courtenay

1396-1397 – Thomas Arundel (acusado de traição pelo rei Ricardo II, fugiu)

1398-1399 – Roger Walden

1399-1414 – Thomas Arundel (cargo restaurado pelo rei Henrique IV)

1414-1443 – Henrique Chichele

1443-1452 – John Stafford

1452-1454

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